quinta-feira, dezembro 31, 2009

Palavras que quero compartilhar antes da chegada de 2010


Prosperidade


Escolher em novembro de 2002 o que eu queria fazer nos próximos anos da minha vida, aos 29 anos de idade, parece ter sido uma das decisões mais importantes até hoje. Este momento especial provocou uma verdadeira reação em cadeia. Muitas outras decisões se originaram desta.

Cada final de ano volto a pensar sobre isso: o que fiz da minha vida? O que eu faço da minha vida? O que eu vou fazer da minha vida? E cada vez que penso, me sinto feliz e tenho vontade de falar sobre isso. A coragem de tomar a decisão de mudar me levou a trabalhar hoje somente no que gosto, morar numa cidade linda, estar perto do mar, viajar pelo Brasil, retomar o gosto pela leitura, me aproximar da música, descobrir o prazer de compartilhar o conhecimento.

Hoje a minha prioridade é aprender a construir uma autonomia que me permita viver da forma mais próspera, livre e prazeirosa possível cada novo ciclo da minha vida.





Um dos valores que decidi utilizar para realizar a minha prioridade é a gratidão. Então agradeço a sua contribuição para o meu projeto de vida. Cada vez que você lê um post, segue o blog ou o twitter, envia perguntas, críticas e sugestões por e-mail, participa dos cursos, utiliza o método "Aprenda a Organizar um Show", indica para seus pares o meu trabalho ou presencialmente dialoga comigo, você coopera comigo. Em retribuição a isso, vou compartilhar com você os meus valores. São um remix de várias leituras, revistas, livros e reportagens, dos mais diferentes autores.


Reciprocidade e gratidão
Aprender a agradecer e retribuir, todos os dias.


Espiritualidade
Aprender a dedicar boa quantidade e qualidade de tempo para conexão do meu espírito com meus pensamentos, sentimentos, ações e com os relacionamentos humanos que são para mim fundamentais.


Autoconhecimento
Aprender a viver nas diferentes etapas da minha vida, em diferentes ambientes e conviver com fatos e eventos não lineares.


Autonomia
Aprender a contar com minhas próprias reservas para enfrentar os desafios rotineiros. Baixar os níveis de expectativa sobre o comportamento das outras pessoas. Concentrar-me nas minhas qualidades e possibilidades todos os dias.


Amor
Aprender a expressar o meu amor nos meus relacionamentos, com troca, beleza, carinho, toque, palavras, liberdade, responsabilidade e expansão.


Tempo
Aprender o meu ritmo e respeitar o ritmo das pessoas com quem convivo. Colocar-me disponível para realizar aquilo que me proponho.


Disciplina e persistência
Entre olhar e compreender existe uma construção. Mudanças comportamentais não ocorrem de uma hora para outra. São incutidas por intermédio da repetição do estímulo.


Comunicação
Aprender a utilizá-la para construir, me colocar disponível e acessível.


Criatividade
Aprender a utilizá-la para evoluir.


Alegria
Aprender rir de mim mesmo, dos meus erros e bobagens.


Esperança
Aprender a visualizar o futuro da melhor forma possível.


Prazer
Aprender a aguçar o tato, o paladar, a audição, olfato e a visão.


Flexibilidade
Aprender a ter jogo de cintura para enfrentar imprevistos.


Resiliência
Capacidade de retornar ao meu estado original após sofrer uma grande pressão.


Prosperidade
Aprender a me conectar e me manter junto de redes de abundância.


Humildade
Aprender a me relacionar com os meus sucessos.


Desapego
Aprender e praticar o ciclo das coisas.


Coragem
Aprender a dar mais a cara para bater.


Desacelerar
Aprender a todos os dias me desconectar do turbilhão, fazendo pausas Prestar atenção na respiração, observar o tráfego de pensamentos.


Corpo
Aprender a dedicar boa quantidade e qualidade de tempo para manter o meu corpo saudável.


Alimentação
Produzir, preparar, fruir e digerir os meus alimentos.


Sono
Cuidar da forma como descanso e desperto.


Espaços
Cuidar do conforto e energia dos meus espaços.


Passado
Recriar a memória, reinventá-la.


Estes valores não são rígidos. Possivelmente irão mudar com o tempo, assim como muda o Universo, assim como muda a minha vida.


Que em 2010 a gente possa estar cada vez mais juntos. Que a nossas trocas se ampliem. Que a gente cada vez mais fortaleça esta rede de pessoas que acreditam que é possível escolher o que fazem, que é possível trabalhar com arte e cultura e que é possível realizar uma ação cultural com método.

E que a gente lembre: a maior de todas as artes é a arte de viver bem.

Volto a colocar conteúdo a partir do dia 10 de janeiro de 2010. Aproveite os posts da retrospectiva 2009 para ler o conteúdos que você ainda não conhece.

Muito obrigado e feliz ano novo!


Um grande abraço,


Alê Barreto
Produtor Cultural Independente

Retrospectiva 2009: veja o que o produtor cultural independente fez de setembro a dezembro


Imagem livre do site www.morguefile.com


Alê Barreto (produtor cultural independente)
Twitter


Nem todo mundo teve tempo de ler os conteúdos do blog. Pensando nisso, preparei 03 posts de retrospectiva, com links que facilitam a consulta.

O terceiro é este, que abrange o conteúdo veiculado de setembro a dezembro de 2009.


O que o Produtor Cultural Independente fez em dezembro




Participe e divulgue o Programa Cultura e Pensamento 2009-2010




Um produtor cultural independente pode aprender a ampliar a sua visão




Leia a reportagem "A Dança Boêmia do Talento" publicada na Revista Bravo! de dezembro




Trabalhe para multiplicar suas ideias




Devagar: ainda há tempo para realizar muita coisa




Está se formando no Brasil a "cadeia de profissionalização da cultura"




O método, a leveza, a delicadeza, a capacidade de ouvir e gerar resposta do outro e aprender a priorizar




Micro patrocínio: uma ótima alternativa para viabilizar uma ação cultural




Bibliografias de Produção Cultural - 1





Conferência Livre de Cultura - I Encontro dos Profissionais da Cultura



Video-game também é cultura




Novas formas de organizar a cultura




Produtor Cultural Independente entrevista o Coletivo Catraia no Centro Cultural Liga Nóis - Rio Branco/AC


O que o Produtor Cultural Independente fez em novembro


O que o Produtor Cultural Independente fez em novembro



O que o Produtor Cultural Independente fez em outubro


O que o Produtor Cultural Independente fez em outubro



O que o Produtor Cultural Independente fez em setembro

O que o Produtor Cultural Independente fez em setembro



Veja também


O que o Produtor Cultural Independente fez de maio a agosto de 2009

O que o Produtor Cultural Independente fez de janeiro a abril de 2009

quarta-feira, dezembro 30, 2009

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Produtor Cultural Independente agradece a sua participação e deseja boas festas!



Alê Barreto (produtor cultural independente)
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Este vídeo é uma realização da TV Câmara que valoriza a riqueza da cultura popular brasileira. A animação é de Márcia Roth e a música de Alberto Valério, aluno do curso "Aprenda a Organizar um Show" que ministrei em Brasília nos dias 9 e 10 de novembro de 2009.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Participe e divulgue o Programa Cultura e Pensamento 2009-2010




Alê Barreto (produtor cultural independente)
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Recebi ontem um e-mail da equipe da assessoria de comunicação do Programa Cultura e Pensamento do Ministério da Cultura, solicitando colaboração para divulgação dos novos editais.

Segue abaixo comunicação na íntegra.


2009/12/22 Cultura e Pensamento

Caro Alê Barreto:

Somos a Assessoria de Comunicação do Programa Cultura e Pensamento do Ministério da Cultura e viemos por meio deste, agradecer-lhes pelo link para o culturaepensamento.net.br incluído na página produtorindependente.com. Além do agradecimento, viemos convidá-lo a participar do Programa e solicitar encarecidamente a sua colaboração para que essa difusão de informações se estenda a seus contatos pessoais por divulgação através de mailing, redes socias, etc.

Para ampliar ao máximo a divulgação em todo o território brasileiro, articulamos uma rede de apoiadores composta por, além de instituições culturais, universidades, pró-reitorias de extensão, pelas secretarias estaduais e municipais de cultura, associações, fundações, ONGs, nomes relacionados à cultura e espaços culturais espalhados pelas mais diversas regiões. A proposta a que nos referimos é desenvolver um trabalho de comunicação regional, a fim de que os centros e agentes culturais tomem conhecimento da realização do edital e a sua participação neste processo é essencial. Desta forma, esperamos poder contar novamente com a sua colaboração para que possamos tornar os editais públicos do MinC cada vez mais públicos e, de fato, para todo o Brasil.

Lembramos que as inscrições para os editais do Programa Cultura e Pensamento estão abertas até o dia 17 de janeiro de 2010. Esperamos a sua participação!

Caso tenha interesse, para tornar claro o repasse de informações, estamos anexando à mensagem o release oficial do Programa Cultura e Pensamento, além de um banner e um newsletter.

Gostaríamos também de parabenizá-lo pelo sítio produtorindependente.com, iniciativas como essa são de fundamental importância para os trabalhadores da cultura. O Brasil agradece.


Atenciosamente,

Laís de Almeida
Equipe Cultura e Pensamento


Segue a divulgação do programa.


Programa Cultura e Pensamento 2009-2010
Inscrições abertas para financiamento de debates e publicações



O Programa Cultura e Pensamento está com inscrições abertas para a terceira edição das seleções públicas de projetos visando à realização de ciclos de debates e publicação de periódicos impressos em âmbito nacional. Os editais são voltados a projetos concebidos por intelectuais, pensadores da cultura, acadêmicos, artistas, pesquisadores, movimentos sociais e grupos culturais organizados, entre outros agentes, no intuito de fortalecer espaços públicos para o diálogo e reflexão de temas relevantes na contemporaneidade. Ao todo, serão destinados mais de R$ 1 milhão para a realização do Programa. Os formulários, regulamentos e anexos estão disponíveis no Portal Cultura e Pensamento (www.culturaepensamento.net.br), onde os interessados podem se inscrever gratuitamente.

O Programa Cultura e Pensamento, desde 2006, destina recursos para apoio a projetos que desenvolvem o debate crítico por meio de eventos presenciais e publicações, selecionados por editais. Na primeira edição foram apoiadas 11 iniciativas, e na segunda, 14, que, no total, receberam quase R$ 2 milhões.

Para ampliar o alcance das ações viabilizadas pelo Programa e favorecer a circulação das ideias e a continuidade das reflexões propostas, todo o conteúdo produzido – vídeos, áudios e textos – será disponibilizado gratuitamente no Portal. A página estabelece uma plataforma digital de difusão de conteúdo e estímulo a interações entre participantes da Rede Cultura e Pensamento, sejam eles realizadores de projetos ou público interessado.

As propostas selecionadas serão contratadas para realização em 2010, e os seus resultados, além da veiculação na web, poderão fazer parte de publicações a serem amplamente distribuídas pelo Programa.

A edição 2009-2010 do Programa Cultura e Pensamento é uma iniciativa do Ministério da Cultura, com o patrocínio da Petrobras, realizada em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão (Fapex) e a Associação dos Amigos da Casa de Rui Barbosa. Também são parceiros nesta realização o Sesc-SP e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).


Novo formato para seleção de debates

Na edição 2009-2010, o edital de apoio aos debates presenciais disponibilizará até R$ 90 mil para cada um dos oito projetos vencedores. O processo de seleção acontecerá em duas etapas, sendo a primeira delas efetuada por meio de formulário online, no qual o proponente deverá apresentar e justificar sua proposta, sem a necessidade de detalhamento completo quanto a questões operacionais de execução.
A simplificação dos procedimentos nesta etapa inicial visa à ampliação do número e da variedade de propostas inscritas, que passarão por uma pré-seleção. Serão habilitadas para a segunda etapa de seleção as propostas que apresentarem maior potencial de questionamento e temáticas de maior relevância, de acordo com os princípios gerais do Programa Cultura e Pensamento e as orientações do regulamento de inscrição.

Os responsáveis pelas propostas pré-selecionadas realizarão um encontro com a Comissão de Seleção e a Coordenação do Programa para uma apresentação mais detalhada e discussão da formatação final do projeto. Após essa reunião, os proponentes terão um novo prazo para apresentar a versão final de seus projetos, incluindo todo o detalhamento da execução proposta e a documentação necessária, para que seja realizada a seleção definitiva e, posteriormente, a contratação do patrocínio.


Publicação de periódicos impressos

O edital de apoio a revistas voltadas para a reflexão crítica sobre a produção cultural brasileira contemporânea viabilizará quatro projetos editoriais, com o repasse de R$ 88,8 mil para a edição e a editoração eletrônica do conteúdo de seis números bimestrais de cada projeto. A impressão e a distribuição nacional de 10.000 exemplares destas edições serão financiadas pelo Programa Cultura e Pensamento.
Esta seleção tem por objetivo estimular a criação e a sustentabilidade de periódicos de cultura com abrangência nacional, além de promover o mapeamento da produção cultural contemporânea nas diversas regiões do país. As publicações também poderão apresentar ao público importantes manifestações da cultura brasileira contemporânea de forma acessível e didática, fomentando, ao mesmo tempo, o diálogo entre a produção e a reflexão cultural das diferentes linguagens artísticas e procedências geográficas.


Inscrições: de 10 de novembro a 17 de janeiro
www.culturaepensamento.net.br

Informações:

Edital de debates presenciais
(71) 3328-0829 editaldebates@culturaepensamento.net.br

Edital de publicação e distribuição de revistas
(21) 3114-6744 editalrevistas@culturaepensamento.net.br

terça-feira, dezembro 22, 2009

Um produtor cultural independente pode aprender a ampliar a sua visão


Desenhos de Oscar Niemeyer exibidos no filme "A Vida é um Sopro"


Alê Barreto (produtor cultural independente)
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É comum nesta época do ano as pessoas julgarem o ano: foi ruim ou foi bom. Os que julgam que foi ruim, em geral, gastam ainda mais tempo e energia na "nostalgia da desgraça": o ano foi ruim porque roubaram o meu carro, porque cancelaram muitos patrocínios para a área cultural, etc. Os que julgam que o ano foi bom, em geral, só comemoram, não se detém a avaliar muito o ciclo de tempo que está terminando.

Lembro que uma vez eu estava em frente a minha terapeuta e quando falei como havia sido o meu ano, ela disse: "você está operando pela falta. Está enfatizando o que faltou. Tente ver a sua trajetória pelo que você conseguiu construir".

É fácil a gente ver o que deu errado. Leva tempo para aprender a perceber a construção. Mas eu prefiro a segunda alternativa.

Então proponho que a gente se movimente, saia das posições "o ano foi ruim" ou "o ano foi bom".

Tarefa de casa para os próximos dias: visualizar os avanços, as mudanças das nossas percepções, como encontramos alternativas para superar os obstáculos e o que conseguimos realizar. Faça este mesmo exercício em relação aos movimentos que você fez buscando atuar como um produtor cultural independente.

Para ajudar no exercício, deixo com vocês o trailer do documentário "A Vida é um Sopro", onde Oscar Niemeyer dá uma grande lição de vida.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Leia a reportagem "A Dança Boêmia do Talento" publicada na Revista Bravo! de dezembro


Imagem do site da Revista Bravo


Alê Barreto (produtor cultural independente)
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Eu gosto da Revista Bravo. Sempre começo pelo texto do João Gabriel de Lima, diretor de redação, na seção "carta do editor".

Na edição de dezembro, a reportagem de capa é "A Dança Boêmia do Talento". Tendo como ponto de partida o livro "A Palavra Pintada", do jornalista americano Tom Wolfe, que visualiza a ascensão de um artista rumo a notoriedade a partir de três etapas distintas, André Nigri, autor da reportagem, apresenta um panorama do mercado na música, cinema, teatro, literatura, artes plásticas, dança e música erudita.

Um aspecto interessante e inteligente da reportagem são os depoimentos de profissionais reconhecidos que falam passagens importantes de suas carreiras.



Foto: João Wainer


Maria Rita, cantora, comenta:

"eu já estava com 24 anos e ainda tinha algumas incertezas quanto ao que fazer da minha vida".




Foto: João Wainer


Fernando Meirelles, cineasta, após ser vaiado, durante a exibição do documentário "Garotos do Subúrbio", e quase apanhar do Clemente, vocalista da banda punk Inocentes, lembra:

"saí do cinema com a fitinha debaixo do braço e uma sensação esquisita de vazio no estômago. Fui para casa reconsiderando minha opção profissional. Então é isso fazer cinema?"



Foto: João Wainer


Deborah Colker, coreógrafa, fala de sua apresentação na abertura do espetáculo do Momix, em 1994:

"Foi de um nervosismo incrível. Dancei o espetáculo inteiro. No final, como eu era a coreógrafa, entrei para agradecer. Eu achava que era impossível dançar naquele palco, que era um símbolo de grandeza. Foi inesquecível. Muita gente não me conhecia. Eu estava voltando a dançar depois de quase dez anos. Era tudo ou nada. Foi ali que eu aconteci".



Foto: João Wainer


Fernanda Torres, atriz, revela que subiu ao palco pela primeira vez em 1983, mas considera que a sua verdadeira estreia ocorreu anos depois, no espetáculo Orlando, da diretora Bia Lessa:

"De repente me vi internada no SESC Tijuca, porque a Bia vinha do teatro do Antunes Filho, que tinha todo aquele rigor e treinamento. Ficamos ali seis meses, lendo o livro, improvisando, cortando. Foi a primeira vez que eu comecei a me entender no teatro. Foi com essa peça que eu fiz minha primeira turnê na vida".




Vale a pena ler a matéria na íntegra, lembrando as recomendações de seu autor:

"(...) Não é autoajuda nem um guia infalível para fazer sucesso. Os caminhos para entrar no mundo da arte são múltiplos, e existe sempre a variável decisiva do talento".

domingo, dezembro 20, 2009

Trabalhe para multiplicar suas ideias




Alê Barreto (produtor cultural independente)
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Uma ideia, quando trabalhada, se multiplica.

A ideia de que as pessoas devem ter acesso a um método que facilite as suas produções multiplicou-se e tornou-se a "Aprenda a Organizar um Show", uma coleção de fascículos em PDF, que pode ser baixada gratuitamente no site colaborativo Overmundo. O método descrito nestes fascículos multiplicou-se e tornou-se um livro impresso. O livro impresso multiplicou-se e tornou-se um curso. O curso leva pessoas a realizarem suas produções com mais facilidade e com melhores resultados.

Um exemplo real disso está acontecendo hoje. Nesta semana recebi uma ligação da Cissa, uma menina de 17 anos que fez o curso "Aprenda a Organizar um Show" em Brasília, nos dias 9 e 10 de novembro. Ela me agradeceu pelas informações recebidas e disse que estava sendo muito útil na organização do show do Autoramas em Brasília (veja divulgação abaixo), que inclusive será também comemoração dos seus 18 anos.




Ou seja: a ideia continua se multiplicando. O curso está levando pessoas que participaram a produzirem os seus shows.

sábado, dezembro 19, 2009

Devagar: ainda há tempo para realizar muita coisa




Alê Barreto (produtor cultural independente)
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Está virando moda as pessoas diminuirem o tempo e sofrerem com esta diminuição. Pelo menos na área cultural isso tem acontecido com uma certa frequência. Eu encontrei gente aqui no RJ em junho que me disse "acabou o ano". Depois ouvi essa frase em agosto, setembro, outubro, novembro. Agora em dezembro, mesma coisa. Só que não tinha acabado o ano. E ainda não acabou o ano.

Você pode estar achando que eu estou sendo radical e que "acabou o ano" era só uma expressão. De fato, "acabou o ano" é uma expressão. Mas quando pronunciada em rede, por muitas vozes, repetidamente, a expressão dá origem a um discurso que dá preferência para o olhar sobre o que não conseguiremos realizar ao invés de valorizarmos o que é possível fazer com o tempo que temos.

Esta dificuldade de lidar com o concreto, que é o tempo que de fato temos, ocasionada pela turbulência do culto da velocidade, precisa ser repensada, principalmente na área cultural. A improdutividade é muito alta ainda no setor cultural. A dificuldade de entender e gerenciar o tempo é uma das causas.

Se você presta serviços como produtor freelancer, pare de pensar que sempre tem que sair correndo e atender todo mundo a qualquer hora do dia ou da noite todos os dias da semana. Se você está fazendo isso, dificilmente terá tempo para avaliar como está usando o seu tempo. E nesta situação, é muito provável que você esteja ganhando bem menos do que você tem capacidade de ganhar e que você já tenha se acostumado a trabalhar em péssimas condições e ambientes de trabalho. Você pode escolher. Mas precisa ter tempo para isso.

Se você tem uma empresa de produção e contrata equipes, comece a pensar que o hábito de chamar as pessoas em cima da hora só porque você tem o poder de contratar não constrói nada no médio e longo prazo. Provavelmente as pessoas estão trabalhando para você como mercenários. Trabalham só pela grana. Ninguém gosta de desorganização. Na primeira oportunidade que receberem uma proposta melhor, irão abandoná-lo. Assim, você irá ao longo dos anos sempre ter que inventar a roda de novo. Todo ano terá que formar uma nova equipe que nunca se envolve e "abraça" o projeto.

Fiz esta breve introdução para indicar a todos a leitura



do livro "Devagar" do jornalista escocês Carl Honore. Traz idéias muito interessantes sobre a percepção do tempo. Tão importante quanto aprender a administrar o tempo é buscar entender como ele está sendo percebido nos dias de hoje.

Está sem tempo para ler? Olhe com atenção o calendário. Há tempo sim. De hoje até a meia noite do dia 31 de dezembro de 2009 temos ainda 12 dias (quase 50% de um mês).

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Lançamento no Rio de Janeiro do livro “Economia da Cultura: ideias e vivências”


Baixe a versão digital do livro gratuitamente


Alê Barreto (produtor cultural independente)
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Na próximo dia 18, sexta-feira, às 18h, Ana Carla Fonseca Reis e Kátia de Marco irão realizar a palestra "Profissionalização em Economia da Cultura", no Centro Cultural da Justiça Federal, no Rio de Janeiro. Esta ação educativa faz parte da programação de lançamento do livro “Economia da Cultura: idéias e vivências”, que acontecerá neste espaço cultural, às 19h.

O livro “Economia da Cultura: ideias e vivências” é uma coletânea de dez artigos de autores renomados, com vasta experiência no campo das artes. A publicação tem textos de Adair Rocha, Ana Carla Fonseca Reis, Carlos Frederico Barros, Cristina Lins, Eliane Costa, Fábio Ferreira, Ivan Lee, José Arnaldo Deutscher, Kátia de Marco, Leandro Valiati, Lia Calabre, Luiz Carlos Prestes Filho, Marcos Mantoan, Paulo Miguez, Sydney Sanches, Tânia Pires, Rita Machado e Heliana Marinho.

Em “Economia da cultura – idéias e vivências”, os autores se concentram nas atividades do campo das artes. O volume apresenta um panorama abrangente das questões mais relevantes ao debate da indústria do entretenimento no Brasil, passando pelas discussões mais acaloradas como a dos direitos autorais, a da movimentação financeira do setor e de sua contribuição para o produto interno bruto do país, assim como para a geração de divisas em termos de exportações. Os produtos culturais industrializados no país têm uma circulação internacional de altíssima relevância, em especial aqueles do mercado televisivo. As telenovelas realizadas no Brasil são vistas em todo o mundo, divulgando os modos de ser e pensar da população brasileira.

Realizado pela Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC) com patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os artigos defendem uma maior democratização do acesso aos bens culturais, com ênfase no potencial de geração de emprego e renda e aumento do índice de desenvolvimento sustentável das comunidades envolvidas em atividades culturais.


SERVIÇO:

Lançamento do livro "Economia da Cultura: Idéias e Vivências"

Organizadoras:

Ana Carla Fonseca Reis
Bacharel em administração pública pela Fundação Getulio Vargas de São Paulo, economista, mestra em administração e doutoranda em urbanismo pela Universidade de São Paulo e fundadora da empresa Garimpo de Soluções - Economia, Cultura e Desenvolvimento.

Kátia de Marco
Cientista social e mestra em ciência da arte pela Universidade Federal Fluminense. É coordenadora acadêmica do Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais e Sociais da Universidade Candido Mendes.

Editora: e-livre

Patrocínio: BNDES

Programação de lançamento:

Rio de Janeiro/RJ
18.12 - sexta-feira
Palestra "A Profissionalização em Economia da Cultura" - 18h
Lançamento do livro "Economia da Cultura: Idéias e Vivências" - 19h

Centro Cultural da Justiça Federal
Local: Av. Rio Branco, 241 - Centro - Rio de Janeiro
Tel.: (21) 3261-2552

terça-feira, dezembro 15, 2009

Está se formando no Brasil a "cadeia de profissionalização da cultura"


Imagem gentilmente copiada do site Social Media de Raquel Recuero

Alê Barreto (produtor cultural independente)
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Recentemente, Kátia de Marco, coordenadora acadêmica do Programa de Pós-graduação em Estudos Culturais e Sociais da Universidade Candido Mendes (UCAM), presidente-fundadora da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC), membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), subsecretária de Planejamento Cultural de Niterói e coordenadora do projeto Niterói Artes, da Fundação de Arte de Niterói, publicou no blog Acesso um texto falando sobre a profissionalização dos setores culturais e do surgimento de novas demandas formativas requeridas pelas estruturas funcionais das instituições e dos setores de produção artística e cultural.

Segue abaixo o texto na íntegra.


Cadeia de profissionalização da cultura

Por Katia de Marco *





Para traçarmos um breve painel acerca da ativação do processo de profissionalização dos setores culturais e do surgimento de novas demandas formativas em gestão, economia, política e produção na cultura, requeridas pelas estruturas funcionais das instituições e dos setores de produção artística e cultural, e consequentemente aquecidas nos currículos acadêmicos, tomamos emprestado da economia o conceito de “cadeias produtivas”. Consideramos a contribuição dessas estruturas para uma visão sistêmica e holística da instauração de um novo campo de trabalho.

Vivenciamos há três décadas a intensificação de mudanças decorrentes dos processos de globalização econômica e cultural, alicerçados no avanço das tecnologias das redes informáticas e na ampliação gradativa de acessos presenciais e virtuais a esses recursos. Sabemos que o acirramento dessas mudanças se deu, em grande parte, pela paulatina centralidade que a cultura vem assumindo como pedra fundamental do desenvolvimento inclusivo nas sociedades contemporâneas. Se até recentemente a cultura orbitava em segundo plano em torno de segmentos prioritários, hoje ela integra a esfera prima, inserindo-se em estratégias programáticas nos diversos setores sociais, políticos e econômicos.

Em um passado não muito distante, lembramos a concepção da cultura como instância que floresce e atinge sua plenitude em potencialidades desenvolvidas, quando a sociedade em questão obtém resultados positivos em seus índices econômicos e mercados superavitários, como se a liberação dos canais de valorização e de difusão de sua produção cultural, em escalas artesanais e industriais, com profissionalismo, rigor, fundamento e qualidade de conteúdo, estivesse circunscrita aos países ditos desenvolvidos no que se refere à produção de arte, conhecimento e entretenimento. Era como se os países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos tivessem prioridades mais prementes para investimentos, relegando a cultura a um segundo plano. Novos paradigmas norteiam essa dinâmica na atualidade. Novos desafios gerenciais eclodem no século XXI.

Configurações inéditas são compartilhadas na esfera de novas dimensões, no usufruto do tempo nas sociedades ocidentais, notadamente no que tange às mudanças demográficas – taxas de natalidade mais controladas e aumento dos índices de expectativa de vida –, passando pelas dimensões rebalanceadas entre trabalho e lazer, e instaurando a incipiente tendência de distensão de jornadas de trabalho presenciais e de valorização da criação como capital humano e bem tangível para as escalas de novos mercados e de consumos nos grandes centros urbanos (Drucker, 2001) . Por meio da trilogia ideária das distâncias encurtadas, do tempo estendido e, sobretudo, dos acessos informacionais multiplicados pela tecnologia, esse quadro lança as bases de uma tendência global. Trata-se de uma correnteza que expande as novas reconfigurações entre cultura, desenvolvimento e sustentabilidade, proporcionando a geração de novas estruturas profissionais balizadas pelo gerenciamento como conhecimento e método para acessar os desafios de todo tipo de escassez e de concorrências de mercados oscilantes e sem fronteiras geográficas.

Quando falamos em formação e em capacitação profissional, indicamos a ampliação do foco para a percepção de que esse é um dos elos de uma corrente da qual propomos tratar mediante uma abordagem metodológica derivada das estruturas rizomáticas das cadeias produtivas setoriais.

Segundo Jean-Paul Rodrigue , uma cadeia produtiva é uma rede de atividades integradas de criação, de produção, de comércio e de serviços, funcionalmente ligadas e interdependentes, desde a transformação de matérias-primas, passando pelos estágios intermediários de produção, até a entrega do produto acabado ao mercado com o objetivo de criação de valor.

Ao partirmos dessa analogia com o conceito de cadeias produtivas, importamos de maneira exígua a compreensão de que cada parte contém o todo e de que o todo é o somatório ativo do equilíbrio de suas partes. Assim, dividimos a cadeia de profissionalização da cultura em quatro segmentos básicos e estruturantes: 1) formação profissional; 2) formação da profissão; 3) formação do conhecimento; e 4) formação do mercado. Neste artigo, vamos sublinhar sinopticamente cada um deles.


Formação profissional

Ao responder a uma demanda real por capacitação acadêmica, a formação profissional deve estar rigorosamente fundamentada na interação entre saberes e ciências afins, mediante a construção de seu objeto científico e a sistematização dos conhecimentos intrínsecos – técnicos e acadêmicos – que a circundam, na busca de filtrar especificidades e de construir métodos próprios, sob a égide da dialética da construção do saber. É mister que esse nicho de formação esteja balizado pela mescla e pelas nuanças oscilantes da união conceitual com a interação da práxis, construída no cotidiano pregresso, enquanto o conhecimento se dá empiricamente como vivências e práticas dispersas, apesar de intensivas, a ponto de gerar e de refletir essas novas configurações profissionalizantes.

Se antes recebíamos, nos cursos de graduação e de pós-graduação que desenvolvemos na Universidade Candido Mendes, em convênio com a Associação Brasileira de Gestão Cultural desde 2001, artistas advindos dos diversos meios de expressão, produtores independentes e coordenadores institucionais de cultura que buscavam afinar o contato com uma linguagem mais técnica e estratégica do mundo dos negócios e dos conceitos sociológicos mais amplos das esferas da cultura, para ampliar suas atuações em suas carreiras ou nos serviços prestados, hoje também recebemos profissionais oriundos de bases formativas de graduação de diversas áreas acadêmicas, com as quais justamente abrimos o diálogo acadêmico e a interação com seus mercados de trabalho. Discorremos sobre administração de empresas, marketing institucional, economia, direito, ciências sociais, museologia, comunicação, contabilidade, além das artes em geral.


Formação da profissão

A formação da profissão é uma construção gerada por seu reconhecimento social e pelo fortalecimento de sua representação associativa, que é consequência da capacitação profissional institucionalizada, considerando que essa etapa avaliza o status formal de um conhecimento. Este, por sua vez, reflete uma demanda preexistente nos mercados de consumo (ideias, produtos e ações) e de trabalho (emprego e necessidades de prestação de serviços), que respondem a uma ativação ou a um potencial de demandas estimuladas em crescimento. No entanto, indo além do que chamamos de formação da profissão, institui-se o amadurecimento desse processo que trata do estágio de “formalização da profissão”. Trata-se de um processo incipiente, em curso, que se reveste de iniciativas e de programas institucionais voltados para a inserção dos profissionais diplomados em universidades no mercado de trabalho. Esse labor especializado contribui efetivamente para o incremento de índices de acesso e de desenvolvimento no Brasil, por meio de ações agregadoras de valores advindos da produção cultural em prol da qualidade de vida nas sociedades, da preservação histórico-cultural das regiões e de segmentos múltiplos que colorem nossa diversidade cultural.


Formação do conhecimento

O elo da cadeia de profissionalização da cultura que reflete a fundamentação teórica dos objetos de estudo e das especificidades de método e de abordagem para acessar os marcos conceituais e os focos de interesse encontrados nos temas correlatos foi tomado emprestado das áreas e das ciências afins. A formação do conhecimento de uma nova área de saber dialoga com áreas irmãs, bebe nas fontes do mundo real e tateia seu campo teórico com radares atentos em captar facetas do conhecimento empírico, da práxis cotidiana e do histórico de percurso da experiência.

A profissionalização e o aprimoramento de um novo campo de trabalho que urge ser construído por novas exigências e expectativas legítimas de uma sociedade e de um tempo histórico em mutação passam pela fundamental etapa de inserção e de imersão acadêmica, tornando-se campo a ser explorado pela pesquisa, pelos métodos científicos e pelas esferas do pensamento. Assim, fortalecido pelo papel desempenhado pelas universidades na sedimentação desse elo da cadeia de profissionalização, esse conhecimento retorna ao mercado de trabalho, por meio de capital humano especializado, para o desenvolvimento de produtos e para a prestação de serviços, revigorando práticas, abrindo janelas perceptivas, aprofundando alicerces de atuações derivadas e promovendo o aquecimento da referida cadeia, apta e fortalecida para cumprir suas funções em prol da otimização dos objetivos e do desenvolvimento pleno almejado.


Formação do mercado

Elo de ponta da cadeia de profissionalização da cultura, o mercado é o termômetro, é o espaço da concretude e das trocas reais, simbólicas e materiais. É nele que ocorre a confirmação ou não das ideias, dos prognósticos e das expectativas. Do mercado retornam as realidades, as vivências, as informações e os índices que refletem, interagem e avaliam todos os outros elos dessa cadeia.

De que vale termos capacitação a contento, reconhecimento das instituições quanto à importância de integração em seus quadros de gestores e de produtores culturais diplomados, acumularmos linhas de pesquisa, publicações e teorias renovadoras, se não tivermos uma resposta positiva desse espaço camaleônico, polêmico e quase imprevisível que é o mercado?

Sabemos que a cultura é e deve ser sempre o campo das utopias. No entanto, a interação com o real põe tudo e todos em seus devidos lugares. Eis aí o gargalo da cadeia de profissionalização, o desafio maior e mais urgente das políticas e das estratégias de ação públicas e privadas para o setor. Vêm desse cadinho experimental as respostas para inúmeros arquétipos, análises e confabulações produzidas nos outros elos da cadeia. Nesse sentido, falamos de três mercados: o de trabalho, o de consumo e o de audiência para produtos, serviços e ações artístico-culturais.

Finalmente, essa realidade começa a ser tateada, dimensionada e analisada por pesquisas fidedignas de instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Ministério da Cultura (MinC), as associações e as universidades. É a partir desse momento que nos deparamos com o grande obstáculo da cadeia de profissionalização: a limitada audiência em contingentes populacionais, de diferenciados perfis etários e de segmentos de classe, para a arte e a cultura em nosso país. Na atualidade, esse estágio da cadeia obstaculiza o desencadeamento processual dos outros elos, na medida em que enfrenta um processo mais lento de absorção social em relação a todo o desenvolvimento já alcançado, em termos quantitativos e qualitativos, pelos outros segmentos. Tanto os fluxos de produção e de distribuição quanto os canais de exibição e de reconhecimento de valor público dos insumos, produtos e serviços culturais, mesmo em processo incipiente de consolidação, encontram-se mais adiante quando comparados às escalas de resultados dos índices reduzidos, desequilibrados regionalmente e com grande concentração social no que se refere aos hábitos e às audiências da população brasileira na fruição e no consumo da arte e da cultura.

Ficamos aqui com o grande desafio de se conferir mais atenção institucional para a ampliação e a formação de públicos, a facilitação ampla dos acessos à arte e à cultura em todo o seu espectro de diversidades e escalas, a formação do olhar e do gosto para os frutos da criação e do espírito humano por meio de programas integrados e contínuos de educação para as artes.


* Cientista social e mestre em Ciência da Arte pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É coordenadora acadêmica do Programa de Pós-graduação em Estudos Culturais e Sociais (PECS), da Universidade Candido Mendes (UCAM), onde também atua como professora, pesquisadora e coordenadora acadêmica das pós-graduações lato sensu em Gestão Cultural (MBA), Produção Cultural, Gestão Social (MBA) e Vinho e Cultura. É presidente-fundadora da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC) e membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). É subsecretária de Planejamento Cultural de Niterói e coordenadora do projeto Niterói Artes, da Fundação de Arte de Niterói. Atua como artista plástica e curadora em artes visuais. Fundou recentemente a editora e-livre.

1. DRUCKER, Peter F. Desafios gerenciais para o século XXI. 4. ed. São Paulo: Pioneira/Thomson, 2001.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Senado avalia projeto de lei que diminui a tributação para empresas de produção artística e cultural




Alê Barreto (produtor cultural independente)


Está tramitando no Senado um projeto de lei que diminui a tributação para empresas de produção artística e cultural. Hoje dei uma rápida entrevista para as repórteres Daniele Lessa e Karina Rosemberg , da Rádio Câmara, em Brasília, falando sobre a repercussão da aprovação deste projeto para o setor cultural.

Em função disso, lembrei de compartilhar com todos mais detalhes sobre este projeto, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados em outubro.

Então, segue abaixo reprodução na íntegrada da matéria publicada por Mônica Montenegro, no site da Rádio Câmara, em 7 de outubro de 2009 (Telefone (61) 3216-1700E-mail: radio@camara.gov.br).


Câmara aprova tributo menor para produção artística e cultural

As empresas de produção artística e cultural enquadradas no Supersimples voltarão a ter alíquotas de tributação mais baixas. A Câmara aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira, projeto que permite que essas companhias sejam tributadas em, no mínimo, 4,5%. Desde o ano passado, quando houve alterações no sistema, o setor passou a recolher seus tributos sobre um índice inicial de 17,5%. Segundo o autor da proposta, deputado Antônio Carlos Mendes Thame, do PSDB paulista, o texto corrige uma distorção surgida quando se criou o micro empreendedor individual e se ampliou o número de empresas que podem aderir ao Supersimples.

"O que ocorreu é que durante este período, desde a aprovação da lei, no finalzinho do ano passado até hoje, quase um ano, o setor artístico não conseguia emitir nota. Ou parou ou deixou de emitir nota, inventou um sistema paralelo para tentar escapar desta tributação que no caso deles é algo expulsatório. Agora, voltando ao normal, certamente vai ficar mais fácil produzir atividades artísticas"

Uma das mudanças no substitutivo aprovado foi a inclusão de produtoras cinematográficas e audiovisuais na mesma faixa de tributação das empresas de produção artística e cultural.

O projeto segue agora para votação no Senado.

Escute a matéria

sexta-feira, dezembro 11, 2009

O método, a leveza, a delicadeza, a capacidade de ouvir e gerar resposta do outro e aprender a priorizar


"Discurso do Método" - Descartes


Alê Barreto (produtor cultural independente)


Depois de apresentar conteúdos relacionados a novas formas de organizar a cultura ("O que são coletivos?", "Coletivo Catraia"), as novas formas de expressão da cultura (video game), eventos culturais (Conferência Livre de Cultura em SP), bibliografias e sugestões de micro patrocínio para captação de recursos, durante este mês de dezembro, vamos pensar mais. Pensar sobre como estão sendo construídos e gestionados nossos arranjos de trabalho na área de produção cultural. Para isso, quero falar um pouco sobre expectativas, método, apresentar falas da professora Heloisa Buarque de Holanda sobre leveza, a delicadeza, a capacidade de ouvir e gerar resposta do outro, priorizar para lidar com o excesso de atividades e sugerir algumas reflexões.


Expectativa

Na medida que vou exercendo minha atividade, percebo que muitas pessoas projetam na figura do produtor cultural o papel de salvador da pátria, assim como se faz com líderes, políticos, etc. Se espera tudo do produtor cultural, mas esta "expectativa" muitas vezes é construída de forma equivocada. Ao invés de se incluir um pouquinho de razão e organização como ingredientes para construção de uma expectativa, as pessoas estabelecem arranjos de trabalho baseados apenas nas suas impressões, que mudam com frequência, de acordo com os seus estados emocionais.

Se você perguntar para qualquer grande artista ou intelectual o que ele espera de um produtor cultural, certamente você ouvirá ele dizer que um produtor cultural

"deve ser comprometido"

"deve dar respostas rápidas"

"deve atender o telefone no primeiro toque"

"deve responder imediatamente todo e qualquer e-mail"

"deve ser flexível, se adaptar a tudo"

"deve gerar resultados"




Método


Minha experiência em grandes empresas, nacionais e multinacionais, acompanhando todas as modas que sucessivamente o mundo corporativo produziu sobre o "perfil ideal" de trabalhador, e há quase sete anos, como empreendedor no setor cultural, tem me ensinado que todas estas exigências, juntas, sem um método, sem planejamento detalhado da dosagem equilibrada, sem se pensar a particularidade de cada situação, somente levam a improdutividade, que gera desgaste das relações humanas construídas no trabalho e, por última instância, a perda de um recurso esgotável e não-renovável que o Universo nos brindou desde que nascemos: o nosso tempo de vida.

Falar em se trabalhar com método no novo mercado de trabalho do setor cultural que está se constituindo no Brasil, onde a maior parte dos contratantes não possuem formação em administração e gestão, pode parecer muita pretensão da minha parte. Digo isso comparando a questão com a minha outra profissão, que é de administrador. A maior parte dos empresários brasileiros (multinacionais não são assim) não possuem formação em administração. Gostam de dizer: "eu não sou administrador e administro o meu negócio. Estou neste ramo há 20 anos". Se a competição neste ramo for pouco agressiva, de fato, não há motivo em se querer investir em contratar pessoas com melhor formação. Mas os tempos são outros e querendo ou não o cenário ano a ano vem se tornando mais competitivo, o que vem mudando esta cultura. Muitos empresários já entendem que, gostando ou não, é melhor contratar alguém que estudou como trabalhar com método, do que alguém que é levado pelas suas emoções e aventuras empíricas.

Uma das maiores vantagens de se trabalhar com método é que ele permite que a gente monitore a variação de nossa própria subjetividade e consiga prosseguir até atingir um resultado.

Então, a minha pretensão é maior do que falar sobre a necessidade de se trabalhar com método. A minha pretensão é continuar construindo minha carreira de trabalho sempre pautada na busca de utilizar o método como ferramenta para conseguir cada vez mais realizar melhor uma ação cultural. E minhas viagens pelo Brasil tem me mostrado que não estou sozinho nessa. Muita gente como eu, que atua há poucos anos na produção cultural, vem pensando em diferentes cidades do Brasil: precisamos trabalhar com método.



Estes dias, li a matéria "O guru do Brasil" que fala da trajetória do consultor Vicente Falconi, citado pela revista Exame como o mais influente especialista do país em gestão de empresas e governos. Toda a matéria reforça a idéia que defendo: o método é essencial para o desenvolvimento de qualquer organização. Nos anos 90, quando trabalhei como assessor técnico de programas de qualidade, ISO 9000, etc, era uma novidade na indústria. Aos poucos, esta noção foi ganhando espaço no setor de serviços. De 1999 a 2001 vivenciei no dia a dia isso, trabalhando em uma empresa do ramo de telecomunicações recém instalada no Brasil por canadenses. Toda esta idéia de se trabalhar com método, para mim, é essencial e urgente para as organizações e os profissionais que atuam no setor cultural.


A leveza, a delicadeza, a capacidade de ouvir e gerar resposta do outro e priorizar para lidar com o excesso de atividades


Mas trabalhar somente com método não é tudo. As organizações militares trabalham com método e nem sempre as pessoas se sentem bem ou felizes com isso. Tenho convicção de que é preciso aliar ao método a leveza, a delicadeza, a capacidade de ouvir e gerar resposta do outro e priorizar para lidar com o excesso de atividades.

Para falar um pouco sobre isso, apresento aqui os vídeos feitos pelo site Nós da Comunicação com a escritora Heloisa Buarque de Hollanda.


Leveza e delicadeza



Capacidade de ouvir e gerar resposta do outro



Priorizar para lidar com o excesso de atividades


Algumas reflexões

Quais são as suas expectativas em relação aos arranjos de trabalho que você constitui? Você acredita que o melhor caminho é aceitar cegamente tudo para se manter no mercado? Já pensou que você também constrói o mercado?

Já pensou que muitas pessoas devem estar procurando pessoas organizadas, que trabalhem com método e que talvez o caminho seja dar mais visibilidade ao que você faz, estar mais disponível e acessível, para que estas pessoas encontrem você?

É possível, com estratégia, comunicação, disciplina, paciência e gratidão, mudar arranjos de trabalho rígidos, em relações baseadas na leveza, delicadeza e produtividade.

Exercite sua capacidade de ouvir e gerar resposta do outro.

Entenda como o excesso de atividades atrapalha sua qualidade de vida e a produtividade do seu trabalho.

terça-feira, dezembro 08, 2009

Micro patrocínio: uma ótima alternativa para viabilizar uma ação cultural




Por Alê Barreto (produtor cultural independente)


Em janeiro deste ano eu elaborei um roteiro básico para auxiliar na captação de recursos. Trata-se de um tema que estará sempre nos acompanhando, pois para termos independência, autonomia, temos que ir pouco a pouco aprendendo a financiar nossas atividades culturais.

Recapitulando:

- o primeiro passo é determinar quanto de dinheiro vamos precisar;
- o segundo passo é compreender que quanto mais alta a quantia a ser captada, mais complexa será a ação de captação de recursos;
- o terceiro passo é pensar qual será o tipo de financiamento: privado ou público?


O idéia do micro patrocínio

Uma boa forma de se buscar recursos na iniciativa privada é o micro patrocínio. É a forma mais elementar e popular de captação de recursos praticada no setor cultural. Muita gente no Brasil faz isso.

O micro patrocínio segue um raciocínio similar ao do micro crédito. No micro crédito, se empresta pequenas quantias de dinheiro. No micro patrocínio, se vende pequenas cotas de patrocínio.

Toda vez que alguém sai oferecendo para amigos e comerciantes conhecidos que coloquem suas logomarcas em materiais de divulgação em troca de "apoios", que são cotas financeiras pequenas, de R$ 10,00, R$ 20,00, R$ 40,00 ou R$ 50,00, na prática está vendendo cotas de micro patrocínio.


A falta de percepção da importância do micro patrocínio

Na página 40 da minha monografia "Modelo de um Sistema de Informações de Marketing para Financiamento da Música", trabalho de conclusão do meu curso de graduação em Administração de Empresas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 2006, mencionei: "(...) Mesmo sendo 98% das empresas existentes, responsáveis por 59% dos postos de trabalho e 20% do PIB do país, as pequenas e microempresas foram muito pouco citadas nas entrevistas. (...) Esta pouca percepção da participação e do potencial de expansão de investimentos das pequenas e microempresas gera um gargalo na busca de recursos financeiros. A oferta de projetos de música aumenta a cada ano, mas crê-se que só há o Estado e as grandes empresas como fontes de financiamento".

Na época da pesquisa, era nítido em Porto Alegre que a maior parte da música independente da cidade contava com apoio direto (leia-se "micro patrocínio") de pequenos empreendedores.


Ative uma rede de micro patrocinadores


- Faça uma relação de todas as pessoas físicas e/ou pequenos empreendedores que podem comprar cotas de micro patrocínio.

- Elabore um planejamento em que fique claro para estes pequenos empreendedores os benefícios que eles irão usufruir ao contribuir com este empreendimento.

- Venda as cotas de micro patrocínio para este público-alvo.

- Cumpra com tudo que você combinar com os micro patrocinadores.

- Apresente um relatório das realizações que foram possíveis graças ao micro patrocínio.

- Mantenha uma comunicação constante com os micro patrocinadores. Construa relacionamentos de médio e longo prazo.