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domingo, abril 12, 2009

Reinvente o que você faz


Chimbinha e os Paralamas do Sucesso. Foto: Kelly Fuzaro/MTV


Por Alê Barreto


Neste domingo, sentei num quiosque perto do Posto 9 aqui no RJ e comecei a ler as minhas revistas. Lá pelas tantas, peguei a Trip nº 175 e fiz uma imersão na matéria sobre o Chimbinha, guitarrista da banda Calypso.

Após finalizar a leitura, percebi que uma das minhas reflexões sobre como surgem as alternativas para continuar o trabalho no qual acreditamos estava certa. A necessidade fala mais alto que qualquer outra coisa. A carreira da maior parte dos profissionais da cultura que eu acompanho sempre avança em função das reais necessidades. Tudo o que construi até hoje na minha carreira teve origem numa necessidade.

Inúmeras vezes ouço artistas me falando que as coisas estão difíceis e que já fizeram muito pelo seu trabalho. Quando questiono o que é o "muito", as pessoas me falam que gravaram um CD, prensaram 2.000 cópias com patrocínio via alguma lei de incentivo. Me falam que divulgaram o trabalho (somente na época do show de lançamento) para umas 10 ou 20 rádios da sua cidade e estado e fazem uma média de 1 a dois shows todos os meses. Ai eu olho o padrão de vida dos caras, muitos deles classe média, classe média alta ou classe alta e concluo que ninguém tem coragem de investir no próprio trabalho. No fundo, não acreditam no que fazem e querem passar a investir no dia que o próprio trabalho começar a dar retorno.

Estas pessoas vivem procurando um produtor ou empresário que vai ser capaz de investir tempo, estrutura administrativa e dinheiro para divulgar um trabalho que elas próprias não dão o menor sinal que acreditam. Eu digo isso porque se o cara acredita realmente no que faz, ele aposta fundo nisso. Se você quer que algo aconteça, você tem que investir.

Se você acha que ensaiar alguns dias, quando o pessoal da banda "está a fim" é uma atitude que irá construir algo na sua carreira, eu peço que você lembre que o Chimbinha participou da gravação de mais de mil cds como guitarrista. Ele diz na reportagem que "tocava todos os ritmos que pedissem. E não gravava só aqui. Gravava em Recife, Fortaleza, Manaus. Eu fiquei de 90 até 99 no estúdio, gravando dia e noite sem parar. Entrava nove da manhã e saía às três da madrugada todos os dias".



Capa da revista Trip 175


Se você acha que pendurar uma música no myspace, facebook, etc, que é o que todo mundo faz, e ficar esperando alguém descobri-lo é a melhor alternativa, leia este trecho da reportagem:

"Pergunta: Em Belém existem as rádios de poste, que ficam tocando música em alto-falantes na rua. Eu ouvi dizer que elas foram muito importantes para vocês no começo da carreira. Como foi essa história?

Eu me emociono quando me lembro disso. Esses dias agora andando em Belém. passei numa rua e comecei a chorar. De felicidade, de alegria, mas também daquele sofrimento que eu passei no começo. A gente morava na Cidade Velha, num quartinho de quatro por quatro, só tinha uma cama e um fogão. Quando a gente lançou o primeiro disco, eu falei: tenho que parar de gravar como músico de estúdio para divulgar esse CD. Eu saía de casa cedo, às sete da manhã. Não tinha dinheiro pra comer, passava o dia tomando água. Também não tinha dinheiro para pegar ônibus, então ia a pé para as rádios. Se você visse as distâncias, ia ter pena de mim [risos]. Mas não tinha como eles tocarem a gente. Porque, pra tocar numa rádio, ou você está muito estourado ou então você tem que fazer promoção.

Pergunta: Pagar jabá?

Não chegava a ser jabá, porque não tinha grana. Era armar uma promoção com o diretor da rádio, por exemplo comprar mil camisetas pra sortear. Mas eu estava sempre liso. Não sabia mais o que fazer. Um dia, quando eu ia para casa, eu escutei essas rádios de poste tocando música. Aí tive um estalo. Passei
a divulgar nosso disco nessas rádios. Daí a cidade todinha começou a tocar a Banda Calypso nos postes.

Em menos de três meses, estavam todas as rádios normais tocando também. Porque as pessoas que ouviam no poste ligavam e pediam nossa música. Eu distribuí de graça 50 mil CDs do nosso primeiro disco, para loja, carro de som, rádio de poste, pro público. Aí a banda estourou no primeiro disco. A gente fazia show e não ficava com o dinheiro. Sobravam R$ 2, 3, 4 mil por semana, a gente fazia CD e dava pro povo.


Então, eu convido você a pensar se realmente acredita no que você faz, se você realmente quer viver da sua arte e o que você está fazendo para que isso se torne realidade.

Leia a reportagem na íntegra. Vale a pena. Parabéns para revista Trip, para o texto do Ricardo Calil, para as fotos do Julio Kohl e principalmente para o Chimbinha, Joelma e a banda Calypso.

domingo, março 29, 2009

Últimos dias para participar da pesquisa que irá orientar a primeira edição do curso "Aprenda a Organizar um Show"




Ilustração: Everson Nazari



Por Alê Barreto


Inspirado no conceito Open Business (Negócios Abertos), está em andamento neste site uma pesquisa livre que irá orientar o planejamento e a organização das primeiras ações educativas presenciais do Produtor Cultural Independente.


O curso

O primeiro curso que será oferecido é "Aprenda Organizar um Show", baseado no livro homônimo de Alê Barreto, lançado no site Overmundo em 2007 e publicado em meio impresso pela Imagina Conteúdo Criativo em 2008.

As aulas ampliam e reforçam o método da produção executiva de shows musicais através da troca de experiências, exemplos e dicas profissionais. Como dinâmica, o autor do livro utiliza a navegação em sites, portais e blogs na internet.


Objetivos do Curso


Ensinar a planejar, executar e desmontar um espetáculo musical.

Desenvolver aspectos da formação do produtor executivo de shows.

Estimular o trabalho do profissional da área de espetáculos musicais.

Fomentar a importância da difusão do conhecimento para uma melhor organização do mercado cultural brasileiro.





Público-alvo

Jovens que estão pensando em começar a carreira de produtor cultural, adultos e pessoas da melhor idade que querem mais informações para atuarem na área de produção cultural, produtores independentes, funcionários de órgãos públicos da cultura, pessoas que trabalham com articulação e organização do setor cultural no Brasil, educadores interessados em ampliar a formação de alunos do ensino fundamental e médio através de atividades de produção cultural e pessoas que acreditam ser importante compartilhar informações para melhorar a qualidade e a sustentabilidade de quem trabalha na área cultural.


Conteúdo Programático

Introdução
O que é fazer a produção?
As etapas de um show

Pré-Produção
Quando / Onde / Conhecendo o local / Cronograma / A equipe / Necessidades de músicos e técnicos / da infra-estrutura / da equipe de produção / Solicitações, autorizações e contratos / Direitos Autorais / Divulgação / Custos e Sustentabilidade

Produção
Sala de produção / Montagem de palco e cenário / do som e da luz / de camarim / Receptivo e acompanhamento / Credenciamento e cortesias / Bilheteria / Passagem de som / A cobertura do show / Segurança / O momento do show

Pós-Produção
Desmontagem do show – partes 1 e 2

Conclusão


Carga horária

16 horas/aula


Material didático
Cada aluno recebe um exemplar do livro “Aprenda a Organizar um Show”.


Cidades onde serão realizadas as primeiras edições do curso

Até o presente momento, houve um retorno bastante positivo da participação do público leitor do site. Houveram manifestações de interesse no curso em todas as cidades propostas e envio de sugestões para realização do curso em outras cidades, como Brasília e Goiânia. As cidades que têm demonstrado maior interesse são Rio de Janeiro (21%), São Paulo (19%) e Porto Alegre (14%).


Dias e horários de realização do curso

Preocupado com a dificuldade das pessoas terem tempo livre para estudar, o Produtor Cultural Independente está consultando os leitores do site sobre que dias da semana e turnos preferem fazer o curso. Até o presente momento, a maioria das pessoas prefere fazer o curso sábado e domingo, manhã e tarde (40%).

sexta-feira, novembro 28, 2008

Cultura livre, negócios abertos



Artigo de Oona Castro, publicado no site Overmundo

Eles podem estar a um palmo do seu nariz sem que você tenha se dado conta: há cada vez mais casos de negócios abertos pelo País e muito pra se aprender com eles. Se você acha que nunca ouviu falar disso, provavelmente foi por falta de dar nome aos bois. Se matutar um pouco, descobrirá que, a despeito da terminologia, você conhece modelos de negócios abertos – ou “open business models”.

Definições

Esses modelos baseiam-se em algum tipo de commons. Open business é um modelo de negócio sustentável, sem geração de receita pelos direitos de propriedade intelectual, ou, por direitos autorais. A liberação do uso de uma obra pode se dar pela utilização de um instrumento legal como a licença Creative Commons ou por uma situação social, em que a ausência de estruturas de propriedade intelectual gera, na prática, o compartilhamento de conteúdo.

Em geral, as principais características de modelos de negócios abertos são a sustentabilidade econômica; flexibilização dos direitos de propriedade intelectual; horizontalização da cadeia de valor; ampliação do acesso à cultura; e contribuição da tecnologia para ampliação desse acesso.

Em Belém do Pará, por exemplo, o modelo de negócios da indústria local do tecnobrega não é aquecido pelo pagamento de direitos autorais advindo da venda de CDs. Movimentam o mercado da música paraense as casas de festa, shows, vendas nas ruas e as aparelhagens, maquinários tecnológicos enormes que protagonizam as festas do tecnobrega. Imagine o seguinte ciclo: 1) artistas gravam nos estúdios; 2) há quem selecione as melhores novidades e leve aos camelôs; 3) estes vendem por preços compatíveis com a realidade local e divulgam; 4) DJs tocam nas festas; 5) artistas fazem shows; 6) CDs e DVDs das apresentações são gravados e vendidos; 7) bandas, músicas e aparelhagens estouram na opinião pública e tudo volta ao início. Com isso vem o crescimento da produção musical, o aquecimento do mercado de trabalho e uma distribuição mais horizontal dos ganhos nas diversas etapas da cadeia produtiva.

O Projeto na América Latina

O tecnobrega é uma das experiências observadas e estudadas pelo projeto Open Business (www.openbusiness.cc) na América Latina. Nesta região, o projeto é liderado pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV DIREITO RIO em parceria com o Overmundo, e envolve pesquisas no Brasil, Argentina, Colômbia e México, com olhar focado sobre iniciativas na área de cultura. Os outros dois países que coordenam o mapeamento de experiências de negócios abertos são Reino Unido e África do Sul, com atenção voltada para modelos de negócios abertos na Internet e na educação, respectivamente.

Mas a indústria local da música paraense não é a única expressão de modelos abertos no Brasil, tampouco na América Latina. Pode parecer que não têm nada em comum, mas características de open business unem o funk, no Rio de Janeiro; o Espaço Cubo, no Mato Grosso; a Eletrocooperativa, na Bahia; o filme Cafuné, de Bruno Vianna; a Tortilleria, no México; o mercado cultural em torno do Merlín Estudios, em Medellin, ou a comercialização de champeta na Colômbia e Caribe; exemplos de jornalismo colaborativo ou social, como o Repórter Brasil, Carta Maior e o próprio Overmundo, isso para citar apenas alguns que pretendemos registrar.

No caso mexicano da Tortilleria Editorial, por exemplo, autores compartilham suas publicações na rede. Por meio de um software que gera o original para a impressão, eles podem copiar e vender suas próprias obras e a de outros autores que participam do projeto, sem pagar pelos direitos de propriedade. Paralelamente, suas obras podem ser igualmente distribuídas e comercializadas, sem o recebimento de qualquer valor referente à propriedade intelectual.

A idéia do projeto é assim compreender quais são os elementos que compõem mercados abertos, como e por que eles funcionam. Entre muitas questões que envolvem as iniciativas nessa direção, interessa a nós entender em que medida as novas tecnologias contribuíram para o aprofundamento e a disseminação desses modelos de negócios, como eles se organizam em relação aos direitos de propriedade, suas regras, os sistemas de incentivos, quem são os principais atores desses mercados e as características de seu público.

Leia o artígo na íntegra

sexta-feira, junho 20, 2008

Faça Produção Cultural com Software Livre




Software Livre é uma questão de liberdade, não de preço. Para entender o conceito, você deve pensar em "liberdade de expressão", não em "cerveja grátis".

Software livre se refere à liberdade dos usuários executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software. Mais precisamente, ele se refere a quatro liberdades, para os usuários do software:

- a liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0);

- a liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nº 1); aceso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;

- a liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2);

- a liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade nº 3); acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

Um programa é software livre se os usuários tem todas estas liberdades. Portanto:

você deve ser livre para redistribuir cópias, seja com ou sem modificações, seja de graça ou cobrando uma taxa pela distribuição, para qualquer um em qualquer lugar. Ser livre para fazer essas coisas significa (entre outras coisas) que você não tem que pedir ou pagar pela permissão.

Você deve também ter a liberdade de fazer modificações e usá-las privativamente no seu trabalho ou lazer, sem nem mesmo mencionar que elas existem. Se você publicar as modificações, você não deve ser obrigado a avisar a ninguém em particular, ou de nenhum modo em especial.

Saiba mais sobre o Software Livre

Saiba mais sobre o Projeto Software Livre Brasil

sábado, abril 26, 2008

Eletrocooperativa: empresa social de produção cultural

No Brasil crescem as iniciativas em que produção cultural e sustentabilidade não são conceitos excludentes. Um bom exemplo disso é Eletrocooperativa, uma organização que atende a uma causa social, mas que olha para o mercado. Trabalha a favor de um novo modelo de negócio dentro da sociedade da informação, mais colaborativo, promotor de oportunidades e centrado na evolução humana.



Inaugurada em 2003 na cidade de Salvador (Bahia) e em 2007 em São Paulo (SP), a Eletrocooperativa trabalha com jovens da periferia atividades de Inclusão Digital, Produção Musical, Softwares de Edição e Produção Musical, Técnicas de Estúdio, Teoria Musical, Oficina de Djs, Oficina de Leitura e Escrita, Formação Cidadã, Apoio Psicológico, Empreendedorismo e Cooperativismo, Desenvolvimento do Plano de Vida Individual e Modelo de Geração de Renda.

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