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domingo, junho 21, 2009

Como o software livre pode facilitar a produção cultural independente - conceito



Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Há muitos mitos ainda sobre as vantagens e desvantagens de se utilizar o software livre, apesar dele estar sendo amplamente utilizado na sociedade. Quase todo mundo já deve ter encontrado em algum computador o buscador Moozila Firefox. É software livre. Também já deve ter entrado em algum cyber ou lan house e aberto um arquivo do word no Open Office. É software livre.

Pensando nisso, preparei uma pequena série de posts especiais intitulada "Como o software livre pode facilitar produção cultural independente", com o objetivo de mostrar de forma prática como o mesmo pode ser utilizado. Não tenho a pretensão de esgotar o tema. Quero que os novos produtores culturais independentes aprofundem a pesquisa e descubram, a partir destas idéias, novos caminhos e novas possibilidades.



Como o software livre pode facilitar a produção cultural independente - conceito


Acredito que o maior ponto em comum que existe entre o software livre e a produção cultural é a questão da liberdade de expressão.

É importante percebermos que no sistema capitalista que vivemos somente podemos ter liberdade de expressão quando construímos condições sustentáveis para que isso aconteça. Sim, estou falando de dinheiro. Software livre não quer dizer necessariamente software gratuito. Trabalhar para que uma ação cultural aconteça não quer dizer necessariamente que fazer produção cultural é algo gratuito.

O Movimento Software Livre apresenta quatro liberdades relacionadas ao uso do software livre:

- liberdade de uso para qualquer finalidade;

- liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades. Aceso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;

- a liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Novamente o acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;

- a liberdade de redistribuir cópias das alterações feitas.



Assista o vídeo do professor Sérgio Amadeu falando sobre Software Livre


Se analisarmos, estas quatro liberdades se aplicam ao conhecimento de produção cultural independente. Ou seja, todo o produtor deve ter a liberdade de:


- usar o conhecimento de produção cultural para qualquer finalidade, para produzir as mais diversas ações culturais;

- estudar o conhecimento de produção cultural existente e adaptá-lo as suas necessidades. Para isso, é importante se estruturar formas de oferecer acesso a este conhecimento;

- aperfeiçoar os conhecimentos de produção cultural e liberá-los para que toda a sociedade se beneficie. É preciso pensar como fazer isso e garantir sustentabilidade para as pessoas que se propõe a fazer isso.

- redistribuir cópias dos conhecimentos de produção cultural aperfeiçoados.


Muitos profissionais da área cultural acham que disponibilizar conhecimentos de forma gratuita irá prejudicar sua sustentabilidade. E muitos profissionais veteranos têm medo de perder poder e vantagem competitiva no mercado cultural.

Acontece que o conhecimento não é algo estático. Está sempre em movimento e expansão.

Veja este exemplo: o conhecimento de como pintar uma parede, trocar a resistência de um chuveiro ou fazer um determinado doce é livre. Nem por isso a pessoas deixam de contratar pintores e eletricistas ou de ir a uma padaria para comprar uma torta.

A complexidade da vida contemporânea leva as pessoas a procurarem pessoas especializadas para a realização de atividades para as quais não possuem tempo disponível.

Assim como você não vai querer fazer tudo que precisa para a sua vida, ou seja, ser seu próprio pedreiro, faxineiro, policial, médico, dentista, etc, você também não tem tempo de atender a todos que procuram você.

Há um mito de que se alguém é adepto da liberdade do conhecimento é obrigado a atender todo mundo que chega e lhe faz uma pergunta. Meu blog tem crescido e hoje recebo 3.000 visitas por mês. Imagine se cada uma destas 3.000 pessoas viesse me exigir fazer isso. Eu teria tempo para fazer mais alguma outra coisa na minha vida?

A questão é entender o conceito e praticá-lo com equilíbrio.

Sugestões para praticar o conceito de "software livre" na produção cultural independente:

- após concluir um trabalho de produção cultural, organize uma pasta, física ou virtual, com todos materiais utilizados para organizar o projeto. Será a sua "memória". Analise os resultados: o que deu certo e o que pode melhorar;

- procure encontrar novas fontes de conhecimento para melhorar a sua forma de trabalho. Muitas vezes você não irá encontrar o conhecimento específico para sua atividade, mas poderá adaptá-lo a sua necessidade. Exemplo: está procurando um livro sobre produção de espetáculos teatrais e só encontra de shows musicais. Analise. Há muita coisa parecida;

- compartilhe o conhecimento. Descubra diferentes formas de fazer isso, na forma de blog, newsletter, redes sociais, palestras, cursos, consultorias e publicações;

- encontre maneiras sustentáveis de distribuir seus conhecimentos. Se você não pode passar o dia respondendo perguntas via e-mail, publique conteúdos na internet que estarão acessíveis para muitas pessoas.


Encontre a sua maneira de ser "software livre" na produção cultural.

sábado, junho 20, 2009

Conhecer o software livre e usá-lo na produção cultural é uma construção




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Fui convidado para ministrar o curso "Aprenda a Organizar um Show" no dia 27 de junho no 10º Fórum Internacional do Software Livre, na PUC, em Porto Alegre, RS. Não é por acaso. É uma construção.

A primeira vez que ouvi falar de software livre foi em janeiro de 2003. Lá estava eu no Fórum Social Mundial dando os primeiros passos rumo ao meu sonho de trabalhar com cultura. Era voluntário da Comissão de Cultura que organizava a programação cultural do Acampamento Intercontinental da Juventude. Porteiro do cinema!



Num dia, vi que haviam alguns computadores sobrando, numa espécie de cyber que havia sido montado para quem estava trabalhando nas diferentes comissões que organizavam as atividades do acampamento. Ao sentar no computador me deparei com a figura emblemática do pinguim, símbolo do Linux.

Na época, confesso, achava que havia um certo extremismo na forma como alguns ativistas defendiam a idéia dos software livre. Os caras olhavam horrorizados para quem utilizava os programas do Windows, como se você fosse um herege. Como não gosto de nada que tentam me empurrar guela abaixo ou só aderir porque é novo, moderno, "hype", resolvi amadurecer o conceito.





Voltei a me encontrar com o assunto software livre no Mercado Cultural de Salvador, em dezembro de 2005. Lá assisti uma palestra sobre o Programa Cultura Viva e tive conhecimento de que o Ministério da Cultura havia distribuído aos Pontos de Cultura um kit multimídia com software livre. Então comecei a perceber o assunto com mais clareza. Ninguém estava me obrigando a deletar todos os meus textos em Word e planilhas em Excel. Pelo contrário, estavam mostrando que o software livre era um grande aliado no movimento de compartilhamento de conteúdos culturais no Brasil e no mundo.





Na medida que fui percebendo que o software livre poderia contribuir para fomentar o desenvolvimento da produção cultural, passei a utilizar o conceito em alguns trabalhos. O primeiro deles foi a comunicação do lançamento do Cd independente "Assim Falou Bataclan", da Bataclã FC, de Porto Alegre, em 2006. Cientes da dificuldade de divulgarmos o trabalho da banda em muitos veículos de comunicação, que exigiam pagamento de "jabá", eu e os músicos e compositores Richard Serraria e Marcelo da Redenção, articuladores do Coletivo TARRAFA que produzia a banda, decidimos buscar um caminho alternativo para difusão da música. Pensamos na internet. A partir daí nos aproximamos de pessoas do Movimento Software Livre e logo decidimos apoiar a realização do 8º Fórum Internacional Software Livre – fisl8.0.





Em 2007 a Bataclã FC foi convidada a abrir o 2º Festival Multimídia de Cultura Livre do Brasil, dentro da programação do Fórum. Lá estávamos nós aprendendo a difundir o nosso trabalho cultural junto com o Mombojó, DJ Dolores e os VJs Pixel e Salsaman, artistas que entendem a importância do software livre.





Neste mesmo ano, atuei na organização do 1º Encontro de Cultura Colaborativa e da programação cultural do seminário "Além das Redes de Colaboração".



Baixe este livro


Em 2008, ajudei a promover neste blog a idéia do que é o software livre, o Fórum Internacional, o lançamento do livro com as idéias do seminário e o que é o Creative Commons.

Toda esta trajetória têm sido muito importante na minha formação como produtor cultural independente.

Acredito que o compartilhamento do conhecimento, de forma sustentável, é uma das principais ações necessárias para a educação das pessoas para a produção cultural.

sexta-feira, junho 20, 2008

Faça Produção Cultural com Software Livre




Software Livre é uma questão de liberdade, não de preço. Para entender o conceito, você deve pensar em "liberdade de expressão", não em "cerveja grátis".

Software livre se refere à liberdade dos usuários executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software. Mais precisamente, ele se refere a quatro liberdades, para os usuários do software:

- a liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade nº 0);

- a liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade nº 1); aceso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;

- a liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade nº 2);

- a liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade nº 3); acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

Um programa é software livre se os usuários tem todas estas liberdades. Portanto:

você deve ser livre para redistribuir cópias, seja com ou sem modificações, seja de graça ou cobrando uma taxa pela distribuição, para qualquer um em qualquer lugar. Ser livre para fazer essas coisas significa (entre outras coisas) que você não tem que pedir ou pagar pela permissão.

Você deve também ter a liberdade de fazer modificações e usá-las privativamente no seu trabalho ou lazer, sem nem mesmo mencionar que elas existem. Se você publicar as modificações, você não deve ser obrigado a avisar a ninguém em particular, ou de nenhum modo em especial.

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