Mostrando postagens com marcador gestão de carreira do produtor cultural independente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gestão de carreira do produtor cultural independente. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, abril 27, 2011

Que tal desenvolver um comportamento profissional?


Vídeo de promoção do livro "Aprenda a Organizar um Show"
(próxima turma do curso dia 28 de abril no RJ)

Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Muita gente vai ficar com a pulga atrás da orelha quando ler o título deste texto. Isso porque quem deseja produzir arte, comunicação, cultura ou entretenimento houve o tempo todo que a primeira coisa a fazer para conseguir sua sustentabilidade é fazer projetos, submetê-los a leis de incentivo e/ou articular-se politicamente para pressionar o governo para que este destine mais recursos financeiros, que serão novamente destinados através de editais para projetos...

Eu tenho certeza que muitas pessoas conseguiram seus primeiros trabalhos através de projetos, leis de incentivo e editais. Mas este modelo não fortalece a profissionalização, pois reduz-se a estimular as pessoas a aprenderem a solicitar recursos e a prestarem contas. Solicitar recursos e prestar contas não significa melhoria na qualidade de um serviço. Pelo contrário: induz a muita precariedade.

Para mim, a primeira coisa que alguém deve pensar em fazer é desenvolver um comportamento profissional. Não estou aqui me referindo a questão da imagem pessoal (como você se veste, etc.) ou de noções de etiqueta (como você se comportar em diferentes situações sociais, como reuniões, festas, etc.). Estou falando de algo que é comum em várias profissões, mas que muitas vezes às pessoas acham que não se aplica à cultura.


Se organize

O processo de se organizar não tem fim. Mas precisa de estímulo. E o estímulo vem do desenvolvimento do hábito de se organizar.

Não interessa se todo mundo à sua volta é desorganizado. Organização não é moda. Trabalhar organizado é uma escolha.


Atenda bem

Há duas maneiras de se trabalhar com oportunidades: aproveitar quando elas vem o seu encontro ou ir atrás delas.

O mau atendimento afasta as duas. Você perde oportunidades quando não sabe atender bem e você perde oportunidades quando inviabiliza trabalhos por mau atendimento.

Não interessa se todo mundo à sua volta atende mau. Bom atendimento não é moda. Querer atender bem e perseguir este objetivo é uma escolha.


Conheça suas capacidades e recursos

Avalie que competências você precisa desenvolver para que o seu objetivo seja atingido. Se for preciso, contrate um serviço de coaching.


Se abasteça com boas práticas

Não é preciso inventar a roda o tempo todo. Veja quais são os tipos de negócios nas áreas de arte, comunicação, cultura e entretenimento que são bem sucedidos e busque extrair lições das melhores práticas.


Ajuste a sintonia

A sua postura de vida está em sintonia com o objetivo que você está se propondo? Faça uma análise constante disso. Sempre que possível, dê uma pensada a noite se você:

- fez algo para se manter motivado na busca do seu objetivo;
- usou parte do tempo para realizar ações em prol do seu objetivo;
- articulou pessoas e parceiros para conseguir seu objetivo;
- investiu parte dos seus recursos financeiros nesta busca.


Lembre-se

Começar a fazer seu próprio roteiro, seu próprio caminho, leva tempo. E mesmo fazendo tudo e seguindo todas as regras, dicas e métodos, podemos ser surpreendidos por uma série de incertezas. Não se culpe e nem se maltrate quando as coisas não saírem conforme o planejado. Algo não acontecer conforme planejado é muito mais comum do que se imagina. Leia a matéria "Adote um comportamento leve no trabalho".

Dando certo ou não, escolher o desenvolvimento como caminho e perceber a importância e o prazer desta jornada é mais interessante que ficar aguardando passivo a aprovação de um projeto ou que apareça um edital.


*********************************************************************************



* Alê Barreto é um administrador e produtor cultural independente. Trabalha com foco na organização e qualificação dos profissionais de arte, comunicação, cultura e entretenimento. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows, escreve para o site Overmundo e para a revista Fazer e Vender Cultura.

Ministra cursos, oficinas, workshops e palestras. Já atuou em capacitação de grupos culturais em parceria com o SEBRAE AC. Presta consultoria e assessoria para artistas, empresas e produtores.

Contato: (21) 7627-0690 Rio de Janeiro - RJ - Brasil




Alê Barreto é cliente do Itaú.


*********************************************************************************



O Produtor Cultural Independente gerencia os perfis das redes sociais da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC). Receba informações pelo Facebook e pelo Twitter

sexta-feira, abril 22, 2011

Produtor Cultural Independente cria novo espaço de diálogo com pessoas interessadas em prestar serviços e gerenciar carreiras artísticas




Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


A partir de hoje o Produtor Cultural Independente aumenta o diálogo com as pessoas interessadas em prestar serviços de produção ou gerenciar carreiras artísticas.


Está no ar o blog www.aprendaproduzirumabanda.blogspot.com


A proposta é dar continuidade a troca de informações iniciada com a ação educativa "Aprenda a Produzir uma Banda" que vem sendo realizada no Distrito Federal e que também já foi realizada no estado do Espírito Santo.

A ideia básica é simples: sugerir primeiros passos.


Será um prazer compartilhar mais informações com você.



*********************************************************************************



* Alê Barreto é um administrador e produtor cultural independente. Trabalha com foco na organização e qualificação dos profissionais de arte, comunicação, cultura e entretenimento. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows, escreve para o site Overmundo e para a revista Fazer e Vender Cultura.

Ministra cursos, oficinas, workshops e palestras. Já atuou em capacitação de grupos culturais em parceria com o SEBRAE AC. Presta consultoria e assessoria para artistas, empresas e produtores.

Contato: (21) 7627-0690 Rio de Janeiro - RJ - Brasil




Alê Barreto é cliente do Itaú.


*********************************************************************************



O Produtor Cultural Independente gerencia os perfis das redes sociais da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC). Receba informações pelo Facebook e pelo Twitter

quinta-feira, março 10, 2011

Quer crescer? Construa uma rede de parceiros




Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Seja para começar a fazer ou para ampliar o que você já está realizando, não tem escapatória: precisamos aprender a construir nossas redes de parceiros.

Construir uma rede de parceiros não é ser "arroz de festa" e estar nas redes sociais de todo mundo. Para construirmos uma rede de parceiros é preciso termos clareza sobre:

- o que estamos buscando;
- como estamos "funcionando";
- e que oportunidades temos para aumentarmos nossas chances de chegarmos onde queremos.


O que estamos buscando?

Um festival? Produzir uma banda? Aprender a trabalhar no setor cultural? Arrumar dinheiro urgente? Seja quais forem nossos objetivos, é fundamental termos clareza.

Facilite a sua vida. Concentre-se naquilo que é mais importante.


Como estamos funcionando?

Fazer uma lista de objetivos não é algo tão difícil. Muitas vezes o difícil é enxergar "como" estamos funcionando.

Observe com atenção sua rotina durante uma semana. Essa é a sua vida. Qualquer coisa que você queira fazer "além" do que já está fazendo todos os dias, vai necessitar que você organize melhor o seu tempo e tenha recursos para transformar suas ideias em realizações.

Você até pode querer continuar fazendo "tudo ao mesmo tempo agora", mas pode ter certeza que o único fator que irá lhe favorecer é a sorte. Se você pensar em organizar melhor sua forma de agir no dia a dia, além da sorte, terá também uma fonte muito grande de conhecimento que é resultado do seu novo processo de organização de vida.


Oportunidades que temos

Faça uma lista com os nomes de todas as pessoas que apoiam o que você faz.

Exemplo: João empresta o violão. Luiza ajuda na preparação vocal. Seu Manoel empresta a garagem para ensaiar. Dona Joana faz um almoço com desconto para o pessoal do meu grupo de teatro.

Ao visualizar toda a sua rede de relações com seus parceiros, você poderá ver:

- como produzir mais interação;
- como estimular estes parceiros a participarem mais do seu trabalho.

É possível que você descubra que o João, além de emprestar o violão, sonhe em ser seu roadie, só que nunca falou isso para você. Verá que a Luiza pode dar mais aulas de canto se você ajudá-la em algo que ela está precisando. E por aí vai.

Uma rede de parceiros é construída ou ampliada quando percebemos quem realmente está junto e aprendemos a fazer boas trocas.


*********************************************************************************



* Alê Barreto é um administrador que gosta de arte, comunicação, cultura e entretenimento. Compartilha conhecimentos e suas experiências. É um profissional que gosta de planejar e de executar. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows.

Recomenda os cursos da Associação Brasileira de Gestão Cultural, o Programa Petrobras Cultural e os projetos do Itaú Cultural.


21-7627-0690 (Rio de Janeiro)




Alê Barreto é cliente do Itaú.

segunda-feira, janeiro 31, 2011

O que eu faço da minha vida? Uma pergunta que irá ajudá-lo a entender sua vontade de trabalhar com cultura


Po Bronson in "How to be Creative"


Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Ontem, domingo, você lembrou do seu trabalho? Isso lhe causou stress?

Você não é o único. Segundo Ana Maria Rossi, psicóloga do International Stress Management Association (ISMA-BR), o estresse profissional afeta 69% da população brasileira.

Então é natural que toda vez que você pense sobre o stress em seu trabalho, você pense que trocar de trabalho irá solucionar isso.

O que é mais interessante: fazer uma mudança para diminuir o seu stress ou aproveitar o incômodo para avaliar sua vida como um todo?

PO Bronson, escritor americano que foi garçom, cozinheiro, zelador, instrutor de aeróbica, consultor de litígios, designer de cartões de visita, vendedor de títulos, editor de livros e professor, acredita que o caminho para o sucesso em uma carreira profissional passa pelo interesse de uma pessoa descobrir sua própria identidade. Ao "perceber" quem ela realmente é, irá enxergar com mais clareza os tipos de trabalho que gostará de fazer.

Fácil? Nem tanto. Mudar não é algo simples. Segundo PO Bronson, "(...) nos tempos difíceis, as pessoas geralmente mudam o rumo de suas vidas; nos bons tempos, na maioria das vezes, elas apenas falam em mudança". E esta percepção não é só dele. É de muitos brasileiros também.

De acordo com uma pesquisa feita em São Paulo, Porto Alegre e Belém somente 10% dos entrevistados conseguiram mudar de trabalho ou de carreira. Ana Maria Rossi explica a complexidade do desafio de mudar:

“(...) as pessoas querem mudar de vida porque elas notam que não estão bem, ou que não estão tendo o convívio com os familiares ou o estilo de vida que elas gostariam. Mas elas não querem deixar de ter nada do que elas têm”.

A estas alturas, se você está pensando em ser um profissional que irá trabalhar com arte, comunicação, cultura e entretenimento, talvez tenha ficado em dúvida se sua vontade de mexer com produção cultural é apenas um reflexo de sua vontade de mudar de trabalho ou trata-se da sua intuição impulsionando sua busca pelo desenvolvimento.

PO Bronson, que ouviu cerca de 900 histórias de vida e conheceu intimamente 70 pessoas que mudaram de vida, dá uma boa pista para pensarmos sobre esta questão em seu best-seller "O Que Devo Fazer da Minha Vida?":

"(...) fiquei intrigado com pessoas que descobriram sua verdadeira vocação, ou aqueles que, pelo menos, se dispuseram a tentar. Aquelas que lutaram contra a sedução do dinheiro, da intensidade e da novidade, e superaram a fascinação que eles podem provocar. Aquelas que deixaram o coro para conhecer o som de suas próprias vozes. Nada parecia ser mais corajoso do que assumir a própria identidade e ignorar o discurso que nos diz que devemos ser alguém que não somos".

Não confunda a vontade de estar perto de arte e cultura com a necessidade de trabalhar com produção cultural. São coisas diferentes.

Saiba mais sobre stress no Brasil
Leia também o texto "O que eu faço da minha vida" de Po Bronson


*********************************************************************************



* Alê Barreto é um administrador que gosta de arte, comunicação, cultura e entretenimento. Compartilha conhecimentos e suas experiências. É um profissional que gosta de planejar e de executar. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows.

Recomenda os cursos da Associação Brasileira de Gestão Cultural, o Programa Petrobras Cultural e os projetos do Itaú Cultural.


21-7627-0690 (Rio de Janeiro)




Alê Barreto é cliente do Itaú.

sexta-feira, outubro 29, 2010

Falando de presença digital saudável e carreira artística




Por Alê Barreto*


Estou encerrando a semana muito feliz! Muitas coisas legais aconteceram. Encontrei muita gente que pensa, sente e se move para encontrar novas formas de se trabalhar com a arte, artistas e a tecnologia. Um movimento contínuo que pratico em minha vida.

Durante dois dias realizei a primeira turma do curso “Construa sua presença digital saudável”, no Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (CDT/UnB), onde em julho participei de um encontro com o pessoal do Instituto Batucar, do Coletivo Palavra e da banda Móveis Coloniais de Acaju.

A ideia de falar sobre presença digital saudável é trocar informações úteis sobre os conceitos com os quais tenho construído o meu trabalho. Assisti de perto a popularização da telefonia celular móvel no Brasil, pelo fato de ter trabalhado três anos dentro de uma das maiores operadoras do Brasil, utilizo computadores há anos, utilizo internet. Também participo do Facebook, Orkut, Twitter, estudo as novas mídias e o conceito de redes sociais. E acho que precisamos estar atentos e nunca esquecermos que tudo isso são recursos para nossa vida. Assim como um carro. Mas são apenas recursos. Não são a nossa vida.



O resultado do encontro foi muito positivo. O grupo de alunos não podia ser melhor. Difícil encerrar o curso. A vontade era de ficar mais tempo dialogando com eles.

Dois feedbacks de quem participou:

"Alê Barreto nos mostra como podemos ser eficientes sem sermos workaholics digitais. E que construir uma presença digital envolve mais do que criar perfis”.
Roberta Dollinger, produtora literária

“É bastante interessante porque dá uma outra visão além do uso pessoal e apresenta várias estratégias para melhorar sua imagem corporativa nas mídias digitais”
Antonio Balbino, assessor de projetos da Incubadora de Arte e Cultura da UNB

Leia mais sobre o curso

Na saída do curso, me reencontrei com a Nina e conheci a Alê Capone, produtora que é uma grande articuladora da cultura no Distrito Federal. Conversamos muito lá no Balaio.


4ª edição da ação cultural "Aprenda a Produzir uma Banda"

Quinta-feira o dia começou com uma grande surpresa. Me disseram que o curso seria num centro cultural. Quando cheguei, pouco antes das nove da manhã, avistei em frente ao centro este caminhão.



Lembrei da imagem. Havia assistido uma entrevista no Programa do Jô, na Rede Globo, sobre uma mulher muito criativa que levava espetáculos culturais com um caminhão para várias cidades do Brasil. Sim! Eu tive a felicidade de ministrar a 4ª edição da ação cultural "Aprenda a Produzir uma Banda" no Centro Cultural Mapati, da encantadora atriz e produtora Tereza Padilha. Olha ela aí no vídeo:



O curso aconteceu no teatro. Trabalhei desta vez de forma diferente, dando muita oportunidade para que os participantes dialogassem. Quem trabalha com produção de bandas, grupos e artistas, muitas vezes não consegue trocar informações com seus pares pois (ainda) existe uma competição exagerada no nosso setor. Foi ótimo ouvir todos falarem. Cada pessoa era um universo diferente.

Tinha gente que está trabalhando projetos com dança e querendo ajudar o filho a se desenvolver na música. Advogada aprendendo a dialogar com artistas. Pedagoga que está fazendo aula de canto.

Tinha advogado que já montou sua produtora. Músicos que querem entender mais sobre o processo de gestão de uma carreira artística. Um cara de street dance.

Tinha músico autodidata querendo saber se era possível lotar um show.
Assessora de imprensa querendo entender como começar a trabalhar com artistas. Produtora formada em artes cênicas com muita experiência na elaboração de projetos incentivados.

Tinha gente que está tendo oportunidade de trabalhar com grupo de músico conhecido em Brasília. Jovem querendo fazer produção musical. Assessora de imprensa que gosta de cuidar das pessoas. Uma mulher que largou tudo para trabalhar com a música. Uma futura socióloga que trabalha com teatro.

Durante todo o dia trocamos informações. Todos nos fortalecemos e aprendemos uns com os outros.

Um dos aspectos que considero muito importante foi poder ampliar o conceito que tenho de carreira artística, completamente diferente de querer apenas "descobrir talentos" ou transformar um artista em "celebridade".

Para mim, uma carreira artística é uma carreira profissional para quem escolheu trabalhar com arte. Não está pronta. Deve ser construída. Necessita de um esforço permanente para isso. Não depende de fórmulas de sucesso. Necessita disponibilidade para aprender.

É preciso ter vocação para isso. Eu gosto muito do que eu faço.


*********************************************************************************



* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto e valoriza encantadoras mulheres.

21-7627-0690 (Rio de Janeiro)
alebarreto@produtorindependente.com

quarta-feira, abril 07, 2010

Aprenda a Produzir uma Banda


Uma carreira necessita tempo para ser construída assim como um jardim


Por Alê Barreto
Administrador, produtor cultural independente e palestrante


Estar escrevendo "Começar a fazer", meu próximo livro, me leva a muitas reflexões. Me faz pensar nas escolhas que eu fiz, no que estou vivendo e aonde quero chegar. Cada vez mais percebo que a opção de trabalhar com cultura como uma construção tem se mostrado uma das melhores decisões que tomei.

Esta percepção procuro compartilhar no blog, nos meus textos, nos meus cursos. Decidir construir uma vida independente através da arte e da cultura ampliou a minha vida. Minha mãe, pai, irmãos, cunhado, sobrinho, namorada vibram com cada novidade. Mas também ficam apreensivos a cada problema que aparece, pois uma carreira de artista ou de produtor não é um mar de rosas. A área cultural está começando a dar os primeiros sinais de organização no plano global e no Brasil. Portanto, trabalhar de forma sustentável na área da cultura, gerando renda de forma permanente para sobrevivência e para investir em nossos projetos de vida é um desafio em qualquer país do mundo.

Quando se trabalha com a ideia de "construção", nossa carreira vai sendo construída como uma casa. Não há mágicas e nem ilusões. Por mais que as novas tecnologias de informação e comunicação pareçam ser a solução milagrosa para tudo, todo mundo sabe que para construir uma casa é necessário aprendizado, recursos, dedicação e tempo. Ter um IPad, um netbook, um IPhone, estar conectado a redes sociais pode ser muito útil, mas não substitue a caminhada de que temos que fazer.

Tudo que tenho vivido e pesquisado me leva a crer que todo mundo tem o direito de começar a fazer o que deseja. Precisa às vezes somente de um empurrãozinho. Pensando em contribuir com isso, criei um novo curso que pretendo ministrar em Brasília no mês de maio.

Apresento a vocês o material de divulgação, em primeira mão. Sintam-se à vontade para fazer comentários.


Participe do curso “Aprenda a Produzir uma Banda”
e prepare-se para aproveitar oportunidades



Ilustração: Eliane Barreto


Aprenda a Produzir uma Banda é um curso intensivo que ensina os primeiros passos para quem deseja aprender a administrar sua carreira artística ou produzir artistas solo, grupos culturais e bandas independentes.

Em uma jornada dinâmica os participantes aprendem de forma descontraída quais são as atividades básicas e avançadas de um produtor, quais são os recursos importantes para a produção de uma banda, kit inicial de comunicação para a banda, noções de atendimento, condução de reuniões, negociação, agenciamento, avaliação de risco de proposta de trabalho, critérios para boas relações de trabalho e como cobrar pelo exercício da atividade.

O curso foi desenvolvido pelo administrador de empresas e produtor independente Alê Barreto, autor do livro “Aprenda a Organizar um Show” (acessado por mais de 10.000 pessoas) e gestor do blog “Produtor Cultural Independente”(www.produtorindependente.com). “Qualquer pessoa pode fazer produção, desde que possua tempo, conhecimento, recursos e, de preferência, vocação para a atividade”, afirma o produtor.

Alê Barreto é um produtor profissional que acompanha os recentes movimentos de organização do setor cultural brasileiro.


Conteúdo programático:

• O que é produzir uma banda?

• Que banda pode ser produzida?

• Quem pode produzir uma banda?

• Produtor, empresário, agente artístico e representante: semelhanças e diferenças

• Atividades básicas de um produtor (atendimento/ comunicação/ secretariado/agenciamento/captação de recursos/financeiro)

• Atividades avançadas de um produtor (planejamento de marketing/ planejamento de comunicação/ planejamento estratégico)

• Recursos importantes para produção de uma banda

• Kit inicial de comunicação para banda

• Noções básicas sobre atendimento

• Noções básicas sobre condução de reuniões

• Noções básicas sobre apresentação de projetos

• Noções básicas sobre negociação e agenciamento

• Avaliação de risco de propostas de trabalho

• Formatos de trabalho saudáveis

• Critérios para boas relações de trabalho

• Como cobrar pela realização do seu trabalho

• Gestão de expectativas (objetivos/reuniões de acompanhamento)


Ministrante

Alê Barreto é bacharel em Administração com ênfase em Marketing pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Cursa MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ). Atuou na produção de festivais (Claro que é Rock, IBest Rock), espetáculos internacionais (Avril Lavigne, Whitesnake e Scorpions), shows nacionais (Ivete Sangalo, Acústico MTV Bandas Gaúchas), montagens teatrais (Grupo Nós do Morro, RJ) e shows de artistas independentes (Kleiton e Kledir, Antonio Villeroy). Assessora a banda Pata de Elefante (vencedora do VMB2009 da MTV como melhor grupo instrumental) no lançamento de seu novo CD no Rio de Janeiro. Administra o blog “Produtor Cultural Independente” (www.produtorindependente.com), realiza consultoria para o Sebrae para organização e estruturação de grupos culturais no estado do Acre, ministra cursos, oficinas e palestras. Está escrevendo seu segundo livro.

Assista ao vídeo no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=I_uoCITJJJk


Serviço:

O que: curso “Aprenda a Produzir uma Banda”

Objetivo: capacitação livre para começar a administrar artistas solo, grupos culturais e bandas independentes

Público Alvo: pessoas interessadas em desenvolver atividades de gestão de carreira artística

Inscrições e informações em Brasília:

Mirella Malta
Assessoria e Capacitação em Gestão Social, Cultural e do Terceiro Setor
Fone: 61-9273-9002
E-mail: mirellamalta@globo.com

quinta-feira, março 04, 2010

Quem acredita em uma ação cultural, dá o primeiro passo


Arquétipo da força


Por Alê Barreto
Administrador, produtor cultural independente e palestrante


Uma das coisas que mais acontecem com quem decide trabalhar como produtor cultural ou que atua em gestão e captação de recursos para a cultura é receber convite para trabalhar num projeto de alguém que não acredita muito em sua própria ideia. Eu recebo vários destes convites.

No início, eu embarcava em várias destas situações. Hoje não faço mais isso.

Estes tipos de trabalho não me trazem crescimento. Geralmente são propostos por pessoas que acreditam que um produtor cultural deve "servir" um artista, conceito que discordo radicalmente. Eu não decidi ser produtor para ser babá ou mordomo de artista. Além disso, produzir não é uma função menor do que criar. Indo mais além: quando se pensa na construção de uma sociedade mais equilibrada e harmônica, desaparece a ideia de que "os artistas são especiais". Todas as profissões são especiais.

Decidi utilizar a minha formação de administrador para trabalhar como um produtor cultural independente, para obter a renda da minha sobrevivência através da prestação de serviços para pessoas ou organizações interessantes e autônomas, que entendem a necessidade de se contar com um profissional especializado para se realizar uma ação cultural. Quando me refiro a "pessoas ou organizações interessantes e autônomas" estou falando daquelas que realizam aquilo que se propõem. São as que colocam em prática boa parte de suas ideias antes de conhecer um produtor ou captador de recursos. Estas me proporcionam muito aprendizado.

Quem acredita em uma ideia, dá o primeiro passo. E o primeiro passo não é tentar uma vez e desistir. O primeiro passo é persistir realizando o que se acredita, ao longo do tempo, apesar dos obstáculos.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Três dicas para dinamizar seu projeto independente no carnaval


Entrudo na Rua do Ouvidor/Angelo Agostini (1884)


Alê Barreto
Administrador, produtor cultural independente e palestrante


É uma unanimidade que a festa mais conhecida do Brasil está chegando. Mas nem tudo no carnaval é unanimidade. Nem todo mundo curte o carnaval. E nem todo mundo que curte o carnaval, curte da mesma maneira.

Então lembrei de dar três dicas para dinamizar seu projeto independente no carnaval.


Aprenda a aproveitar melhor o seu tempo

Geralmente estamos reclamando que não temos tempo. Durante toda a semana fazemos isso. Chega o final de semana e nos perguntamos "o que eu vou fazer neste findi"?

A mesma coisa acontece durante o ano: reclamamos da falta de tempo. Contudo, aqueles que não vão sambar na avenida ou viajar, começam a pedir dicas para todo mundo sobre o que podem fazer no carnaval.

Eu acho que uma boa maneira é utilizar uma parte deste período para colocar a casa em ordem e dar continuidade para ações que estavam paradas aguardando "termos mais tempo".

Ação prática: separe uma parte de cada dia para retomar suas atividades de organização do seu projeto independente.


Aprenda a organizar melhor o seu projeto

Você já parou para pensar que sua vontade de tocar, de produzir shows, pode ser mais que um simples desejo? Muitas vezes descobrimos que no fundo queremos com isso criar um "projeto de vida" independente.

Ação prática: pegue papel e caneta, saia para caminhar e vá anotando tudo que você acha que precisa ser organizado em sua vida para que você possa levar adiante o seu projeto de vida independente. Precisa estudar mais guitarra? Precisa estudar mais história da arte? Precisa aprender outro idioma? Precisa melhorar sua formação em produção cultural? Anote tudo.


Aprenda a priorizar

Uma vez tendo separado um tempo para começar a organizar tudo que é necessário para que o seu projeto independente avance, está na hora de aprender a priorizar.

O rapper BNegão ensina em uma de suas músicas: "Priorize o que fará diferença na sua passagem".

Ação prática: olhe tudo que você relacionou como necessário para o seu projeto independente e marque o que considera mais importante. Se no final tiver marcado quase tudo, refaça a tarefa. Procure escolher que atividades tem efeito multiplicador, aquelas que quando forem concluídas irão contribuir para que outras tantas aconteçam.


Simples? Sim. Agora você já sabe o que pode ser feito durante o carnaval. Mas não seja fanático. Aproveite também para rir e brincar.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Articulação, desenvolvimento artístico e trabalho de produção com método: equilíbrio que consolida uma carreira na área cultural





Alê Barreto (Saiba mais sobre este blog)

Receba aviso de atualização no twitter


Segundo dados publicados na matéria "Em dívida com a democracia", Revista Isto É, 06 janeiro de 2010, conquistamos estabilidade democrática nos últimos 21 anos, um recorde do regime republicano. Mas ainda estamos aprendendo a lidar com a democracia e com os processos participativos.

Este aprendizado também está ocorrendo na área cultural. Desde 2003 vem sendo ampliadas as ações de diálogo e organização no setor cultural brasileiro.

É muito positivo ver que as pessoas estão aprendendo que através de articulações podem obter maior atenção dos meios de comunicação, do poder público e da sociedade.

Contudo, duas questões tem me preocupado dentro deste processo de aprendizado:

- muitas pessoas estão buscando viabilizar suas ações culturais somente através do apoio do Estado, partidos políticos, ONGs, associações ou coletivos;

- muitas pessoas estão trabalhando campanhas de comunicação no sentido de convencer o maior número de pessoas possível de que somente através de processos associativos é possível se desenvolver um trabalho cultural.

A articulação é uma ação que é utilizada para implementação de uma estratégia de longo prazo dentro de uma carreira profissional na área artística. Mas não é o único caminho para que uma pessoa desenvolva sua arte ou para que uma pessoa produza uma ação cultural.

Além disso, quem realmente trabalha e vive da atividade artística ou de produção cultural sabe do aspecto prático da gestão do tempo. Se a pessoa é artista, sabe que necessita dedicar boa parte do seu tempo para o estudo teórico e prático de sua arte, para poder desenvolvê-la. Além disso, também precisa dedicar uma parte do seu tempo para aprender a gerenciar sua carreira artística. E isso também demanda tempo para estudo teórico e vivência prática. Se a pessoa é um produtor ou gestor cultural, sabe também que necessita dedicar boa parte do seu tempo para o estudo teórico e prático de gestão e para aprender a se relacionar com os diferentes agentes do mercado cultural.

Por fim, nem tudo na vida é coletivo. Há momentos que o trabalho é solo. E isso não quer dizer que somos individualistas. Isso quer dizer que somos autônomos (leia também o meu texto "Solo ou Grupo" publicado no site Overmundo.

Avalie melhor o uso do seu tempo. Participe somente de mobilizações que contribuam com a sustentabilidade e o desenvolvimento artístico do seu trabalho.

sábado, janeiro 16, 2010

Seja platéia e amplie o seu diálogo com os artistas




Alê Barreto (produtor cultural independente)
Twitter


Já é público que defendo há muito tempo que um produtor cultural independente deve estudar, sair do lugar que se encontra para ampliar o seu olhar.

Revisando os meus posts no blog, percebi que não havia ainda falado sobre a importância de um produtor cultural também ser platéia. Aqui está a oportunidade.

Eu acho fundamental que um produtor cultural mantenha-se em constante movimento. Não deve se ater somente às suas produções. Não deve somente assistir o que considera seu foco. Não deve somente entender de um segmento. Não deve concentrar-se somente na sua pesquisa acadêmica ou produção teórica. Sendo um pólo de diálogos, o produtor cultural independente deve sempre que possível conhecer novos espaços e ações culturais. A existência deste blog é fruto deste pensamento.

Ser produtor cultural é muito mais do que vender shows, é muito mais do que formatar projetos para editais, é muito mais do que ser anfitrião de artistas em coquetéis e vernissages, é muito mais do que posar para fotos junto com celebridades na área vip de uma festa badalada, é muito mais do que ter amigos influentes em rádio e televisão.

Este "muito mais" vem da necessidade de buscarmos aprender a entender o universo da criação artística. Isso irá nos conferir a capacidade de dialogar da melhor forma possível com os artistas.

Eu procuro aproveitar todas oportunidades. Vou dar alguns exemplos.

No início de janeiro estive em Porto Alegre. Lá aproveitei para conhecer a nova sede da Fundação Iberê Camargo, projetada pelo arquiteto português Álvaro Siza, um dos cinco arquitetos contemporâneos mais importantes do mundo. O projeto recebeu o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza (2002) e é mérito especial da Trienal de Design de Milão.


Foto: Elvira T. Fortuna

Lá aproveitei para visitar duas exposições. A primeira foi "Cálculo da Expressão", com gravuras de



Goeldi (esta obra aqui é "Perigos do Mar", 1955),




Segal (esta obra aqui é "Casa do Mangue com Tinta Metálica", 1929)




e Iberê Camargo (esta obra aqui é "O Rebelde das Flores", 1952).


A segunda foi "Paisagens de dentro. As últimas pinturas de Iberê Camargo".


Iberê Camargo - Carretéis com figuras - 1984


Este espaço cultural e as exposições são parada obrigatória para o processo de desenvolvimento profissional de qualquer produtor que visite a cidade.

Ainda em Porto Alegre, aproveitei para comprar o livro


"Seis propostas para o próximo milênio" do escritor italiano Ítalo Calvino.


De volta ao Rio, fui ao cinema assistir o filme



"Sherlock Holmes",




o espetáculo de teatro "Raul Fora da Lei", com o excelente ator Roberto Bomtempo





e ontem assisti ao show do Marcelo D2 no Circo Voador.


Tudo isso que falei são exemplos práticos extraídos da minha vida. Pode ser que tudo o que eu escolhi para você não pareça uma boa opção. Mas indiscutivelmente em um mês eu tive contato com um novo espaço cultural, com duas exposições de artes plásticas, um produto literário, um filme pop e um show musical. Tudo isso não trata-se apenas de como ocupo meu tempo livre. Isso para mim é trabalho.

Procure assistir aos shows e espetáculos de sua cidade.

Procure assistir aos shows e espetáculos que vem de outros lugares.

Procure ler.

Quanto mais você aprender a ser uma platéia qualificada, melhor será a sua relação com os artistas.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Você acredita na sua arte?


Freud


Alê Barreto (produtor cultural independente)
Twitter

Você acredita na sua arte? Você acredita na sua idéia? Você acredita no seu projeto? Esta provocação tem um objetivo bem simples: parar de nos enganar.

Quem acredita no futebol, assiste jogos na TV, acompanha o campeonato, lê matérias sobre o assunto em jornais e revistas.

Quem acredita na moda, está sempre procurando se vestir de acordo com a orientação dos estilistas e profissionais do mundo fashion.

Quem acredita na política, participa de debates, reuniões, procura articular encontros onde possa expor suas idéias.

Há milhares de outros exemplos. A moral é a mesma: se alguém realmente acredita em uma ideia, naturalmente irá expressar uma postura relacionada com isso.


O que estamos fazendo para lançar o livro que sonhamos?

O que estamos fazendo para gravar o CD com as composições prontas há anos na gaveta?

O que estamos fazendo para levar o show para novos palcos, novas cidades?

Quantas horas por dia, semana, mês ou ano estamos dedicando para viabilizar aquilo que acreditamos?

Estamos esperando que o governo resolva isso? Estamos esperando que um produtor responda um e-mail mal redigido que enviamos uma vez ou outra e resolva isso? Estamos esperando que um empresário acorde e diga "hoje estou a fim de encontrar alguém que há anos não faz nada por si e investir nele"? Estamos esperando que os professores na nossa faculdade entendam a importância da produção cultural? Acreditamos ainda no clichê de que "sem dinheiro não é possível fazer nada"?

Acreditar em nossa arte é acreditar que é possível que ela se desenvolva na medida que a gente construa uma carreira artística.

Antes de propor para algum profissional que ele invista e acredite no seu trabalho, primeiramente demonstre que você investe e acredita nele. Quanto mais você investir e acreditar no seu trabalho, mais confiança irá passar nos seus contatos e terá maior probabilidade de atingir os seus objetivos.

Sabe qual é a melhor forma de demonstrar que você acredita e investe no seu trabalho? Mostrar que você realiza ações permanentes. Mostrar que você está sempre realizando, independente das condições e do apoio dos outros. Mostrar que você caminha com os próprios pés.

Conheça como a artista plástica carioca Beatriz Milhazes vem construindo sua carreira, em matéria publicada na revista Bravo.

sábado, janeiro 09, 2010

Tempo de aprender a disciplina de ter disciplina


A disciplina é um valor presente na cultura japonesa


Alê Barreto (produtor cultural independente)
Twitter


Chegou 2010. O ano passado, passou. Quem atua na área de produção cultural sabe que milagres não acontecem só porque durante o reveillon mentalizamos "no próximo ano será diferente".

Uma coisa eu garanto que é transformadora: a ação. E o potencial desta transformação é diretamente proporcional a qualidade, quantidade e intensidade desta ação.

Mas para que uma ação aconteça com qualidade, quantidade e intensidade necessárias é preciso que a gente aprenda a disciplina de ter disciplina.

Quando você assiste um espetáculo lindo de dança, você acha que o resultado desta ação cultural é fruto apenas de pensamento positivo? Quando você assiste um belíssimo concerto de piano, pensa que o pianista toca bem porque é um sortudo? Pensar coisas boas e ser premiado com oportunidades com certeza são ingredientes que muitas vezes podem fazer parte da trajetória destes artistas. Mas a disciplina de ensaiar por vários dias, meses ou anos determinados movimentos é que transforma um espetáculo. A disciplina de tocar milhares de vezes uma peça musical é que transforma a música que chega aos seus ouvidos.

O governo pode aumentar o orçamento destinado para a cultura. As gravadoras podem mudar sua forma de trabalhar com os artistas. O público pode começar a ter um olhar mais atento para a diversidade. Associações, ONGs e coletivos podem contribuir para mudar as relações do mercado cultural. Mas eu acredito que cada um, com disciplina, é o elo de uma grande rede de transformação.

O que temos à mão, mais próximos da gente, somos nós mesmos. Ouvi a Ivana Bentes, pesquisadora, professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ e Diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, falar durante um encontro do Movimento Re-Cultura que atualmente a pessoa física é o elemento fundamental da produção cultural brasileira. Outra pessoa neste mesmo encontro, utilizou a expressão ING (indivíduo não-governamental). Mas não adianta sabermos que somos uma potência sem expressá-la.

Descubra qual a maneira mais agradável e prazerosa de aprender a disciplina. Isso facilitará a elaboração e gestão do seu planejamento pessoal, do seu planejamento profissional, dos seus projetos e de suas ações culturais.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Critérios para aceitar ou recusar participar de uma rede social




Alê Barreto (produtor cultural independente)
Twitter


Seguido recebo convite para ingressar na comunidade de alguém no orkut, para ser fã de alguém no facebook, para entrar em grupos de discussão e para entrar em redes articuladas virtualmente. A maioria dos convites são de pessoas que nunca falei.

Não é uma reclamação. Eu inclusive fico contente de perceber que mês a mês cresce o número de pessoas interessadas em que eu participe de suas redes sociais.

A questão que fiquei pensando é a seguinte: será que as pessoas que trabalham com produção cultural independente já pararam para refletir sobre a importância de ter critérios para aceitar ou recusar participar de uma rede social?


Algumas sugestões:


- Pesquisa o convite: procure saber a trajetória de trabalho das pessoas ou organizações que estão fazendo o convite.

- Foco: aceite entrar nas redes que poderão atender o seu foco, que é aquilo que você está permanentemente buscando.

- Gestão do tempo: procure se conectar somente em redes que você tenha tempo para interagir. Estar conectado a várias redes só para "estar conectado" não alavanca o trabalho de ninguém.

- Saiba interpretar o discurso da "colaboração": sempre que alguém solicitar que você se cadastre em algo ou que disponibilize informações em rede, avalie. Colaborar não é simplesmente aceitar tudo que estão lhe pedindo. Ninguém é obrigado a colaborar com todo mundo e o tempo todo. Você escolhe quando quer colaborar, com quem quer colaborar e no que irá colaborar.

terça-feira, dezembro 22, 2009

Um produtor cultural independente pode aprender a ampliar a sua visão


Desenhos de Oscar Niemeyer exibidos no filme "A Vida é um Sopro"


Alê Barreto (produtor cultural independente)
Twitter

É comum nesta época do ano as pessoas julgarem o ano: foi ruim ou foi bom. Os que julgam que foi ruim, em geral, gastam ainda mais tempo e energia na "nostalgia da desgraça": o ano foi ruim porque roubaram o meu carro, porque cancelaram muitos patrocínios para a área cultural, etc. Os que julgam que o ano foi bom, em geral, só comemoram, não se detém a avaliar muito o ciclo de tempo que está terminando.

Lembro que uma vez eu estava em frente a minha terapeuta e quando falei como havia sido o meu ano, ela disse: "você está operando pela falta. Está enfatizando o que faltou. Tente ver a sua trajetória pelo que você conseguiu construir".

É fácil a gente ver o que deu errado. Leva tempo para aprender a perceber a construção. Mas eu prefiro a segunda alternativa.

Então proponho que a gente se movimente, saia das posições "o ano foi ruim" ou "o ano foi bom".

Tarefa de casa para os próximos dias: visualizar os avanços, as mudanças das nossas percepções, como encontramos alternativas para superar os obstáculos e o que conseguimos realizar. Faça este mesmo exercício em relação aos movimentos que você fez buscando atuar como um produtor cultural independente.

Para ajudar no exercício, deixo com vocês o trailer do documentário "A Vida é um Sopro", onde Oscar Niemeyer dá uma grande lição de vida.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Leia a reportagem "A Dança Boêmia do Talento" publicada na Revista Bravo! de dezembro


Imagem do site da Revista Bravo


Alê Barreto (produtor cultural independente)
Twitter


Eu gosto da Revista Bravo. Sempre começo pelo texto do João Gabriel de Lima, diretor de redação, na seção "carta do editor".

Na edição de dezembro, a reportagem de capa é "A Dança Boêmia do Talento". Tendo como ponto de partida o livro "A Palavra Pintada", do jornalista americano Tom Wolfe, que visualiza a ascensão de um artista rumo a notoriedade a partir de três etapas distintas, André Nigri, autor da reportagem, apresenta um panorama do mercado na música, cinema, teatro, literatura, artes plásticas, dança e música erudita.

Um aspecto interessante e inteligente da reportagem são os depoimentos de profissionais reconhecidos que falam passagens importantes de suas carreiras.



Foto: João Wainer


Maria Rita, cantora, comenta:

"eu já estava com 24 anos e ainda tinha algumas incertezas quanto ao que fazer da minha vida".




Foto: João Wainer


Fernando Meirelles, cineasta, após ser vaiado, durante a exibição do documentário "Garotos do Subúrbio", e quase apanhar do Clemente, vocalista da banda punk Inocentes, lembra:

"saí do cinema com a fitinha debaixo do braço e uma sensação esquisita de vazio no estômago. Fui para casa reconsiderando minha opção profissional. Então é isso fazer cinema?"



Foto: João Wainer


Deborah Colker, coreógrafa, fala de sua apresentação na abertura do espetáculo do Momix, em 1994:

"Foi de um nervosismo incrível. Dancei o espetáculo inteiro. No final, como eu era a coreógrafa, entrei para agradecer. Eu achava que era impossível dançar naquele palco, que era um símbolo de grandeza. Foi inesquecível. Muita gente não me conhecia. Eu estava voltando a dançar depois de quase dez anos. Era tudo ou nada. Foi ali que eu aconteci".



Foto: João Wainer


Fernanda Torres, atriz, revela que subiu ao palco pela primeira vez em 1983, mas considera que a sua verdadeira estreia ocorreu anos depois, no espetáculo Orlando, da diretora Bia Lessa:

"De repente me vi internada no SESC Tijuca, porque a Bia vinha do teatro do Antunes Filho, que tinha todo aquele rigor e treinamento. Ficamos ali seis meses, lendo o livro, improvisando, cortando. Foi a primeira vez que eu comecei a me entender no teatro. Foi com essa peça que eu fiz minha primeira turnê na vida".




Vale a pena ler a matéria na íntegra, lembrando as recomendações de seu autor:

"(...) Não é autoajuda nem um guia infalível para fazer sucesso. Os caminhos para entrar no mundo da arte são múltiplos, e existe sempre a variável decisiva do talento".