Mostrando postagens com marcador editora independente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador editora independente. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, setembro 02, 2010

Editora Aeroplano lança hoje livro da cineasta e produtora cultural independente Luciana Bezerra




Por Alê Barreto*


Desde que fui morar no RJ é a terceira vez que perco um evento bacana do Nós do Morro. O que vou perder hoje é o lançamento do livro "Meu destino era o Nós do Morro", da querida e guerreira Luciana Bezerra. Luciana fala de suas experiências no grupo como atriz, figurinista, diretora, escritora e roteirista. Sua narrativa vai desde a infância, nos tempos de Maricá e da Rocinha até a chegada no Vidigal, onde vive até hoje. Apaixonada por cinema, realizou o curta-metragem “Mina de Fé” – ganhador de vários prêmios, como melhor filme no Festival Curta Cinema, no 37º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro –, e o episódio “Acende a luz”, do projeto 5x Favela – Agora por nós mesmos, produzido por Cacá Diegues.

Quem estiver no RJ, anote: hoje às 19h, na Livraria Argumento, na Rua Dias Ferreira, 417 – Leblon (Rio de Janeiro). Após o lançamento, terá um show no casarão do Nós do Morro, lá no Vidigal, na Rua Dr. Olinto de Magalhães, 54. O show começa às 21h e vai até às 2h. Irão se apresentar Melanina Carioca, Emília Lins, além do encerramento com o DJ Micael Borges.

Quem não puder comparecer, não deixe de adquirir o livro no site da Aeroplano Editora (http://www.aeroplanoeditora.com.br). Conhecer a experiência construtiva de vida desta jovem cineasta irá estimular você a realizar suas ações culturais independentes.


*******************************************************************




* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto e valoriza encantadoras mulheres.

21-7627-0690 (Rio de Janeiro)
alebarreto@produtorindependente.com

terça-feira, dezembro 23, 2008

Conheça a Coleção Tramas Urbanas



Reportagem de Bruno Dorigatti publicada no Portal Literal em 16/12/2008

A coleção Tramas Urbanas, da Aeroplano Editora, ganhou, junto com outros projetos, o 4. Prêmio Cooperifa Sancho Pança - Aprendiz de Sonhador. Nas palavras de Sérgio Vaz, "o prêmio era para ser uma abraço, na verdade é, só que nós o materializamos em bronze, na figura do aprendiz de sonhador "Sancho Pança", fiel escudeiro de Dom Quixote". A festa de entrega do prêmio acontece no próximo dia 17 de dezembro, a partir das 20h, no Bar do Zé Batidão (Rua Bartolomeu dos Santos, 797. Chácara Santana, São Paulo). "Um prêmio de valor para as pessoas que não têm preço", como diz o slogan do prêmio criado pelo poeta Sérgio Vaz.

Abaixo, a idealizadora da coleção, Heloisa Buarque de Hollanda, também curadadora do Portal Literal, comenta o prêmio e o papel que as periferias vêm desenvolvendo neste início de século


Como surgiu a coleção Tramas Urbanas?

Heloisa Buarque de Hollanda. Eu acompanho desde a década de 90 a emergência de um movimento cultural inédito, que é a cultura que vem das periferias brasileiras. A força, o impacto e o poder de interpelação dessa produção é para mim o fenômeno mais importante da virada do século. Entretanto, esse material sempre vinha a mim já com interpretações, teses, releituras. Senti como imperioso que os protagonistas e co-protagonistas desses movimentos culturais contassem e avaliassem sua história. E assim nasceu a coleção Tramas Urbanas. Uma história da cultura da periferia com voz própria.

A coleção reúne temas tão diversos, como música, literatura, artes plásticas, poesia, moda, jornalismo, história e memória. Poderia falar do que une estas questões?

Heloisa. A unidade do projeto Tramas Urbanas vem da perspectiva com que esses temas são contados e não dos temas eleitos. Além disso, hoje, no hip hop ou fora dele fica cada vez mais difícil estabelecer fronteiras entre os gêneros artísticos.

Qual o papel que as periferias urbanas vêm desempenhando neste início de século?

Heloisa. Um papel fundamental de democratização e de inovação cultural. Uma cultura que sempre existiu mas que nunca encontrou brechas ou contexto para que pudesse se manifestar e estabelecer conexões com os outros segmentos da produção cultural.

Há os que criticam a simples legitimação dessa produção artística apenas pelo fato de ser periférica. Como vê essa questão da estética, do gosto, do que é e do que pode ser referendado pela indústria cultural?

Heloisa. O deslumbramento com essa produção sem critérios de valor, apenas por vir da periferia, para mim, é um gesto racista e discriminatório. Essa produção tem seus próprios padrões, projetos e estilo e deve ser avaliada dentro deste quadro. Mas o critério de qualidade não pode sestar ausente. Repito: seria puro racismo.

Em relação à Estética da Periferia, título de duas exposições, no Rio de Janeiro e em Recife, como distinguir o que se tem de mais natural e espontâneo nessa estética, em oposição àquilo que já seduz boa parcela do mundo que não é periférico?

Heloisa. Quando pensei essas duas exposições, junto com Gringo Cardia, decidimos que a curadoria deveria ser dividida com os produtores culturais da periferia. O resultado foi surpreendente. A escolha feita mostrou o que há de melhor nessa produção, a face que a periferia gostaria de mostrar. Acho que nessa estética não há nada nem natural nem espontâneo. É uma estética muito trabalhada, pensada em termos funcionais e artísticos. O que seduz a outra parcela do mundo não periférico é outro capítulo.

Nos anos 1960, parte da esquerda acreditou na necessidade de uma tutela para a cultura popular, que se demonstrou completamente equivocada. Esse discurso está mesmo enterrado? O que pensa dessas relações hoje, o que pensava naquele tempo?

Heloisa. Naquele tempo eu concordava e, como militante, participava ativamente dessa "pedagogia" para o povo. Não acredito que hoje seja menos pedagógica. Apenas - e graças a Deus - houve uma dança das cadeiras e o intelectual passou de tutor a parceiro, que no fundo era o sonho dos anos 60...