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domingo, novembro 28, 2010

Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura lança novo livro sobre políticas culturais, democracia e conselhos de cultura dia 03 de dezembro




Por Alê Barreto*


Depois de divulgar o mapeamento da formação em organização cultural no Brasil, que mostra 257 instituições de ensino, faço questão agora de contribuir para divulgar o lançamento do livro "Políticas Culturais, Democracia & Conselhos de Cultura" de Antonio Albino Canelas Rubim, Taiane Fernandes e Iuri Rubim. É o oitavo exemplar da coleção Coleção Cult.

O livro é um produto de um importante projeto que está sendo realizado pelo Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura da Universidade Federal da Bahia em parceria com o Ministério da Cultura.

Quem estiver em Salvador ou redondezas, anote na agenda: dia 03 de dezembro, às 20h30, no Conselho de Cultura da Bahia, que fica no Palácio da Aclamação, no Campo Grande.

Para quem não conhece a relação da UFBA com a cultura, transcrevo abaixo um trecho do texto contido no site deste projeto:

"A Universidade Federal da Bahia (www.ufba.br) tem rica tradição em formação, pesquisa e extensão na área da cultura. Na graduação, ela tem praticamente cursos em todas as áreas culturais, alguns deles pioneiros como cursos universitários no país, a exemplo de: Dança; Teatro e Produção Cultural, ainda hoje um dos poucos existentes no Brasil. Na pós-graduação, a UFBA oferece programas em quase todo o campo cultural, praticamente todos com avaliação muito positiva da CAPES. Na pesquisa e na extensão em cultura a atividade da UFBA tem destaque nacional e internacional, com núcleos, como o Centro de Estudos Afro-Orientais, pioneiro nos estudos da cultura afro-brasileira. O Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (www.ihac.ufba.br), órgão executor do projeto, também detém expertise na área dos estudos da cultura. Na graduação, mantém bacharelados interdisciplinares em Artes e em Humanidades e está criando habilitações em Políticas e Gestão Culturais e em Artes e Tecnologias Digitais. Na pós-graduação possui o Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (www.poscultura.ufba.br), com linhas de pesquisa em Cultura e Desenvolvimento e em Cultura e Identidade. Além disto, mantém o Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (www.cult.ufba.br), dedicado à pesquisa e à extensão em cultura. Assim, a UFBA e o IHAC congregam relevante expertise na área de formação, estudos e de desenvolvimento de atividades culturais".

Para conhecer mais, acesse o site http://www.conselhosdecultura.ufba.br

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* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto, divulga ideias contra o machismo no blog encantadoras mulheres e compartilha a experiência do método livre de produção de shows no blog "Aprenda a Organizar um Show".

21-7627-0690 (Rio de Janeiro)
alebarreto@gmail.com

sábado, outubro 02, 2010

Produtor Cultural Independente participa da avaliação do "Seminário Internacional Políticas Culturais" na Fundação Casa de Rui Barbosa - RJ

Balanço do Seminário Internacional de Políticas Culturais 2010 from Helena Klang on Vimeo.




Por Alê Barreto*


Assista o vídeo com balanço do "Seminário Internacional Políticas Culturais" na Fundação Casa de Rui Barbosa, RJ, realizado pelos palestrantes e pelo produtor cultural independente Alê Barreto.

Veja também como foi o primeiro, o segundo e o terceiro dia do seminário.


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* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto e valoriza encantadoras mulheres.

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alebarreto@produtorindependente.com

domingo, setembro 26, 2010

Terceiro dia do "Seminário Internacional Políticas Culturais: teorias e práxis" na Fundação Casa de Rui Barbosa no Rio de Janeiro

Abertura Seminário 2010 from Helena Klang on Vimeo.


Vídeo de Helena Klang sobre o Seminário de Políticas Culturais


Por Alê Barreto*


Sexta passada foi o terceiro dia do Seminário Internacional Políticas Culturais: teorias e práxis da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB). Dei um jeito de resolver minhas atividades profissionais pela manhã para poder assistir integralmente toda a programação da tarde.

Além das novidades que comentei no post anterior, ontem cada participante recebeu dois livros: "Políticas Culturais: reflexões sobre gestão, processos participativos e desenvolvimento" (seminário do ano passado) e "Percepções: cinco questões sobre políticas culturais", publicação com artigos com análises sobre pontos complexos que desafiam a formulação e a gestão de políticas culturais no Brasil contemporâneo.

A primeira conferência foi "Um território híbrido na Maré, RJ: novo território cultural?". Lilian Fessler Vaz mostrou uma análise sobre a Maré (região da periferia do Rio) a partir dos conceitos de hibridação (Nestor Canclini), espaços opacos (Milton Santos) e de espaços de resistência (J. Holston). Fiquei muito interessado em conhecer o Museu da Maré, o Centro de Artes e Cultura Popular da Maré (Quilombo das Artes) e o Grupo de Capoeira Angola Ypiranga de Pastinha coordenado pelo Mestre Manoel.

Uma frase me chamou muito a atenção:

"O pensamento modernista, racionalista, funcionalista tende a privilegiar a divisão e a especialização dos espaços e a rejeitar a mistura de usos e atividades".


A segunda conferência foi "Participação: para pensar políticas culturais no século XXI". Lúcia Maciel Barbosa de Oliveira apresentou um interessante relato sobre ações culturais que estão acontecendo no Centro Cultural da Juventude, equipamento cultural público situado na cidade de São Paulo. Lá estão sendo desenvolvidos dez programas e mais de trinta projetos. A característica marcante é que neste espaço se busca que as pessoas ampliem o seu repertório e sejam também produtoras de cultura. Anotei algumas ações que são desenvolvidas neste espaço: workshop de produção musical com DJ Nato_PK, oficinas de captura e edição final em Final Cut, história em quadrinhos, edição de fotografias como processo criativo, workshop de story board e design para animação, Lady Fest (feminismo jovem radical), mostra de cinema árabe, concurso Drag Contest, semana temática de artes visuais. Tem muito mais do que isso.

A terceira conferência foi "La Fundación Fahrenheit 451: la experiencia de descentralizar la cultura". Nesta apresentação, Sergio Gama mostrou que um trabalho de promoção da leitura e da escrita com jovens de baixa renda na região de Usaquén em Bogotá deu origem a um Festival de Literatura, graças a persistência e um trabalho organizado de articulação com uma rede de 20 bibliotecas, o projeto Poesía Sin Fronteras, Universidades e outros parceiros.

A quarta conferência foi "Pontos de Cultura: pontos para a cidadania e suas territorialidades?", no qual Alba Lúcia da Silva Marinho falou de sua pesquisa sobre Pontos de Cultura na qual buscou entender a prática desta política cultural junto aos grupos e comunidades onde estão inseridos.

A quinta conferência foi "Políticas Culturales y salvaguardia del patrimonio inmaterial en América Latina: enfoques, estrategias y perspectivas". Nela, Loreto Antonia Bravo, consultora em políticas públicas sociais e culturais, iniciou fazendo uma menção as estratégias que permitiram que o movimento das mulheres se fortalecesse em escala mundial: desenvolvimento do ativismo, articulação com políticos e acadêmicos. Com base nisso, projetou cenários para o desenvolvimento das questões relacionadas ao patrimônio imaterial na América Latina, inseridos no contexto dos Direitos Humanos.

A sexta conferência foi "Políticas culturales, democracia y governabilidad: el aporte del patrimonio inmaterial". Eduardo Nivón Bolán, professor da Universidade Autônoma Metropolitana do México, fez um retrospecto histórico do conceito de políticas culturais ao longo da história e fez uma série de observações importantes. Anotei duas: "até 1945 ninguém falava em políticas culturais no mundo" e "ao se falar em políticas culturais e patrimônio imaterial necessitamos refletir sobre as informações contidas no Relatório McBride (também conhecido como "Vozes Múltiplas, Um Sozinho Mundo", documento da Unesco publicado em 1980 e redigido por uma comissão presidida pelo irlandês Seán MacBride, ganhador do prêmio Nobel da Paz)".

Um dos momentos que mais despertou minha atenção foi a hora em que Eduardo citou que no funeral da Frida Kahlo colocaram sobre seu corpo a bandeira do México e a bandeira do partido comunista e que o mesmo fizeram no enterro do escritor Carlos Monsiváis: colocaram sobre ele a bandeira do movimento gay. Ele quis ressaltar com a citação destes fatos a relação existente entre cultura e movimentos sociais.

Por fim, a última conferência do dia foi "Avaliando as políticas culturais do governo Lula". Em sua apresentação, o professor Albino Rubim explicou que está começando uma pesquisa financiada pelo CNPq intitulada "Políticas Culturais no Governo Lula", que ocorrerá no período de 2010 a 2015. Com muito critério, Rubim mostrou os critérios que estão sendo utilizados nesta pesquisa: definição e delimitação do tema, noções envolvidas (política, cultura e políticas culturais), a abrangência, momentos do fazer cultural, complexidade, modalidade do que será analisado, espacialidade, temporalidade, distanciamento e envolvimento.

A independência, a transparência e a ética são preocupações do pesquisador na condução deste trabalho. Segundo ele, o fato de ter uma ligação com o PT não o impede de analisar criticamente ações no campo de políticas culturais que considere que tenham sido equivocadas."O papel da universidade é questionar", afirmou o professor.

Dando sequência, Albino Rubim falou das fragilidades a que está sujeita a pesquisa, da carência de dados e dos parãmetros escolhidos para a análise: enfrentamento de três tradições (tradição das ausências, tradição do autoritarismo e tradição da instabilidade).

Rubim apontou avanços e dificuldades na gestão do Ministério da Cultura dos últimos oito anos, mas encerrou sua fala da seguinte maneira: "desde sua criação em 1985, agora realmente inauguramos um Ministério da Cultura no Brasil".

De minha parte, concordo com o professor Albino: estamos avançando na organização do setor cultural no Brasil.

Quem quiser acessar mais conteúdos sobre o seminário, só acessar o blog

http://culturadigital.br/politicaculturalcasaderuibarbosa


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* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto e valoriza encantadoras mulheres.

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sexta-feira, setembro 24, 2010

Segundo dia do "Seminário Internacional Políticas Culturais: teorias e práxis" na Fundação Casa de Rui Barbosa no Rio de Janeiro




Por Alê Barreto*


Ontem foi o segundo dia do Seminário Internacional Políticas Culturais: teorias e práxis da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB). Auditório lotado.

Desta vez, cheguei um pouco antes do início. Enquanto aguardava o início, conheci a produtora e professora de produção cultural Renata Silencio e me reencontrei com a minha nova amiga Marina Mara, artista de Brasília.

Durante a manhã, uma boa novidade do seminário. A programação cresceu. Havia duas salas com atividades simultâneas. Como tinha que escolher, optei por assistir a programação do auditório.

A primeira conferência foi "Manobras de distensão: vestígios da atuação de grupos e da oficina nacional de dança contemporânea na organização político-cultural da dança no Brasil". Maria Sofia Villas-Bôas Guimarães apresentou uma contextualização histórica da dança cênica no Brasil. Em sua fala ressaltou que no passado a Dança esteve subordinada às Artes Cênicas e que o setor fez um importante movimento de procurar se entender enquanto área. Hoje existe a Câmara Setorial da Dança.

A segunda conferência foi "Lacunas nas ações do Governo Federal para a música no Brasil de 1996 a 2000". O tema foi apresentado por Luís Carlos Vasconcelos Furtado, músico e professor da UFG. Achei interessante que duas lacunas apontadas como falhas do governo federal no período da pesquisa, são distorções que ocorrem pela falta de conhecimento em gestão cultural:

- grande disparidade entre os projetos eventuais e os programas contínuos (necessidade de se constituir e fortalecer programas duradouros e bem estruturados para a área musical);
- grande disparidade entre os valores aplicados em projetos eventuais e em programas contínuos (e a não realização de inúmeros sonhos musicais).

A terceiro conferência foi "Entender o passado, planejar o futuro: a gestão institucional da Funarte", onde Marcelo Gruman apresentou dados sobre o Prêmio Klauss Vianna.

A quarta conferência foi "Avaliação da área de formação em organização da cultura: apenas ações ou uma política estruturada?" apresentada pelo Leonardo Costa, doutorando da UFBA, e que também foi escrito por Ugo Mello e Viviane Fontes. Baixe o artigo. Leonardo Costa fez o prefácio do meu livro "Aprenda a Organizar um Show".

Não vou comentar todas as conferências, pois como falei, a programação era extensa e não foi possível assistir tudo.

Para quem não compareceu, outra excelente novidade do seminário: você pode baixar os artigos do seminário e também conhecer as atividades do Setor de Estudos de Política Cultural da Fundação Casa de Rui Barbosa no endereço

http://culturadigital.br/politicaculturalcasaderuibarbosa


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* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto e valoriza encantadoras mulheres.

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quinta-feira, setembro 23, 2010

Primeiro dia do "Seminário Internacional Políticas Culturais: teorias e práxis" na Fundação Casa de Rui Barbosa no Rio de Janeiro




Por Alê Barreto*


Ontem foi o primeiro dia do Seminário Internacional Políticas Culturais: teorias e práxis da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB). Auditório lotado.

Cheguei um pouco atrasado e perguntei para uma colega ao meu lado o que já havia acontecido. "As conferências não começaram ainda". Então me dei conta que somente havia ocorrido uma breve mesa de abertura com representantes do Setor de Estudos de Política Cultural da Fundação Casa de Rui Barbosa, instituição realizadora do seminário, e de representantes do Itaú Cultural, instituição parceira do seminário.

A primeira conferência foi "Política cultural e universidade: diálogos fundamentais". Tendo como ponto de partida a Portaria nº 70, de junho de 2010, assinada pelo ministro Juca Ferreira, lançando o programa Cultura e Universidade, a consultora e pesquisadora Isaura Botelho fez uma explanação da trajetória do diálogo entre os Ministérios da Cultura e da Educação ao longo da história, que segundo suas palavras, "é uma história de um diálogo cheio de problemas estruturais". Apesar desta constatação, Isaura Botelho afirma que "estamos num momento de reinvenção", no qual "diálogo e negociação permanentes são fundamentais" para a cooperação entre os ministérios.

A segunda conferência foi "La planificación cultural desde el enfoque de redes: una mirada a partir de la experiencia de formulación de políticas culturales desde la Universidad de Antioquia. Maria Adelaida Jaramillo mostrou que na Colômbia foram feitos estudos das relações estado/sociedade, considerando planejamento, políticas públicas e complexidade. Esta análise fundamentou o planejamento das políticas culturais através da abordagem de redes, o que permitiu que em todas as políticas do país se trabalhasse com os seguintes campos de intervenção: participação, criação e memória e diálogo cultural.

A terceira conferência foi "Os direitos culturais na constituição brasileira, na qual Bernardo Novais da Mata Machado mostrou um interessante estudo sobre como os direitos culturais aparecem no texto constitucional. Ao longo da apresentação, demonstrou também para o público que a palavra "cultura" assume três significados distintos:

- cultura humana em sentido geral (modo de vida) e universal;
- culturas humanas em sentido geral, mas referente a distintos grupos situados no tempo e espaço;
- cultura como conjunto de atividades intelectuais e artísticas (ciência e arte).

A quarta conferência foi "Integração de políticas culturais: entre ideias de aliança e sistema". Arrancando sorrisos da platéia com seu bom humor nordestino, Francisco Humberto Cunha Filho centrou sua preocupação na questão de que qualquer proposta de aliança e sistema deve ter como base o estado democrático. Segundo ele, há uma diversidade de interpretações do que pode ser democracia. Em função disso, deve-se ter o entendimento de que democracia não é uma "ditadura de maiorias", mas um estado onde se contempla também os direitos das minorias.

Tendo como base estes princípios, Humberto ressaltou que não se pode instaurar integração "por decreto". Mesmo que a constituição permita, nem toda a dimensão de poderes deve ser utilizada se ferir a democracia ou a autonomia.

A quinta e última conferência foi "Territorialização das política culturais no estado da Bahia". Nela Ângela M. de Andrade (Secult-BA) iniciou sua fala ressaltando o surgimento de uma nova geração de gestores culturais na Bahia, manifesta pela presença de dez pesquisadores do CULT no seminário. Na sequência, mostrou que o conceito de território norteou o planejamento das políticas culturais do seu estado, que trabalhou articulado com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Desta forma, foram constituídas "redes" para articulação e mobilização de ações nestas espaços: redes de representantes territoriais de cultura, rede de pontos de cultura, rede de articuladores territoriais e rede de dirigentes municipais de cultura.

Tendo como ponto de partida o ato de "escutar" os agentes e suas respectivas demandas nos territórios, a Secult da Bahia:

- implantou representações territoriais da Secult;
- consolidou o Fórum de Dirigentes Municipais de Cultura da Bahia, que agora virou Associação;
- fortaleceu a gestão municipal de cultura;
- estimulou a institucionalização de grupos artísticos e culturais;
- está criando a lei orgânica da cultura (que institui o Sistema Estadual de Cultural);
- realizou três conferências estaduais de cultura.


Todas as conferências mostraram que a cada ano o setor cultural avança em seu processo de organização. Cada vez mais as pessoas se interessam em estudar e incorporar métodos e conhecimentos científicos às suas atividades no setor cultural.




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sábado, agosto 30, 2008

Da Opinião ao Dado



Artigo do professor Teixeira Coelho sobre o Observatório Itaú Cultural, publicado na Revista Observatório Itaú Cultural nº1 (jan./abr. 2007)


O observatório é um privilegiado instrumento de política cultural – outro modo de dizer que um observatório é um instrumento ímpar do planejamento da cultura. Ainda que o planejamento da cultura seja impossível ou, quando possível, indesejável. Um paradoxo, portanto. Em nada estranho ou incômodo – porque a cultura está forrada de paradoxos. De fato, o outro nome da cultura é paradoxo. Mesmo os mais recalcitrantes admitirão que, em todo caso, um outro nome para diversidade cultural é paradoxo. Paradoxo: aquilo que está ao lado da opinião, do lado de fora da compreensão, em contraposição sobretudo ao ortodoxo, à opinião reta e, pior, à opinião correta.

É o reconhecimento da cultura como paradoxo que levou à escolha da denominação observatório ali onde, na universidade sobretudo, o mais corriqueiro seria recorrer ao tradicional núcleo de estudos ou, pior, a laboratório. Num laboratório entende-se (acertadamente) que haja manipulação. Intervenção naquilo que é estudado e manipulação. Um observatório não quer intervir e menos ainda manipular a cultura. Não, em todo caso, no sentido que a palavra manipulação tem em química ou em física. Um observatório observa. A distância. A alguma distância.


Se um observatório é um instrumento privilegiado para uma ação que não pode ou não deve realizar-se (o planejamento), para que serve? Na chamada sociedade da informação, essa pergunta não tem cabimento, uma vez que o primeiro produto do observatório é a informação.

Queremos informação e precisamos de informação para tudo. Para o conhecimento, por exemplo (e com isso já se estabelece uma distância entre informação e conhecimento, duas instâncias que não se confundem). Informação para quê? Para mudar. Para mudar comportamentos. Assim como a televisão é uma máquina de mudança do comportamento, muito antes e muito além de ser uma máquina que leva informação ou entretenimento, também um observatório existe, no fundo, para mudar comportamentos. Como a informação, que é a mensagem que altera um comportamento. Uma mudança não necessariamente na cultura, mas, em todo caso, no sistema da cultura, no contexto da cultura. A diferença entre uma coisa e outra não é tão sutil quanto parece. Uma ação cultural é, primeiro, uma mudança no sistema da cultura na medida em que cria as condições para que as pessoas inventem seus próprios fins na cultura. A ação cultural não cria fins culturais, novos ou velhos, não intervém na cultura: intervém nas condições que geram cultura. Intervenções na cultura são inúmeras na história do século XX: estiveram (e estão) presentes em todos os sistemas ditatoriais de todos os matizes ideológicos à direita e à esquerda, inclusive no Brasil em diversos momentos e em particular à época do Estado Novo, quando muitos intelectuais até então de respeito (e que continuaram a ser respeitados como se essa mancha em seus currículos fosse invisível) não hesitaram em intervir na cultura. A ação cultural não faz isso: atua no contexto e apenas num primeiro momento: não prevê e não intervém nas estações intermediárias do processo, nem prevê e produz o resultado final (que pode nem vir a existir: ela não visa a um objetivo final, não tem qualquer
compromisso com qualquer produto final).

A emulação é a conseqüência mais sensível da existência de um observatório. A produção da informação sobre a cultura e sua posterior divulgação gera emulação: desejo de imitar ou suplantar algo ou alguém. Os observatórios de cultura não surgiram para isso – mas logo perceberam que um bom uso para seus produtos era isso. Talvez devessem ter sabido desde o início que esse seria o resultado, uma vez
que a política cultural ou é comparada ou não existe – e se comparo, não pode ser
senão para mudar, imitando ou suplantando. Nesse aspecto, um observatório de política
cultural e a idéia de política cultural surgem ou deveriam surgir juntos e alimentam-se mutuamente.


Leia o artigo na íntegra

quarta-feira, junho 11, 2008

Lançamento do Periódico "Políticas Culturais em Revista"

Já está à disposição o períódico POLÍTICAS CULTURAIS EM REVISTA, uma publicação eletrônica da Rede de Estudos em Políticas Culturais (REDEPCULT), que reúne pesquisadores voltados para o tema das políticas culturais. Seu lançamento ocorreu na manhã de 28 de maio, durante a abertura do IV ENECULT, na reitoria da UFBA em Salvador.

A REDEPCULT foi criada em maio de 2007, no III Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, realizado em Salvador e tem como objetivos:

1. Desenvolver investigações acerca das políticas culturais;
2. Estimular novos estudos nesta área;
3. Realizar intercâmbio com outros pesquisadores e instituições no Brasil e
no exterior;
4. Viabilizar cursos (presenciais e on-line) acerca do tema das políticas culturais;
5. Divulgar seus trabalhos através de publicações;
6. Criar e manter publicações voltadas às políticas culturais;
7. Prestar assessoria na área das políticas culturais.

Fazem parte da REDEPCULT: Albino Rubim, Alexandre Barbalho, Anita Simis, Claudia Leitão, Humberto Cunha, Isaura Botelho, Lia Calabre, Maria Helena Cunha e Paulo Miguez.

Em seu número inaugural, POLÍTICAS CULTURAIS EM REVISTA traz um dossiê sobre conselhos de cultura com artigos de Alexandre Barbalho, Lia Calabre,
Anita Simis, Humberto Cunha, Cleodir Moraes, Humberto Cunha e Tatyana Maia e entrevista com o Ariano Suassuna feita por Claudia Leitão e Fabiano dos Santos.

Além de textos inéditos de Armand Mattelart, Renato Ortiz e Daniel Mato, a
revista tem ainda resenhas e notícias sobre temas ligados à política cultural.


Confira o Sumário do n. 1 de POLÍTICAS CULTURAIS EM REVISTA:

Dossiê - Conselho de Cultura

Orientando a Cultura: O Conselho de Cultura do Ceará nos anos 1960-70
Alexandre Barbalho

Políticas e Conselhos de Cultura no Brasil: 1967-1970
Lia Calabre

Concine – 1976 a 1990
Anita Simis

“Festas da cultura paraense”: o Conselho Estadual de Cultura do Pará em movimento (1967-1973)
Cleodir Moraes

O papel dos colegiados na definição dos incentivos públicos à cultura
Humberto Cunha

O Patrimônio como expressão da nacionalidade: a função do Estado no setor cultural
Tatyana de Amaral Maia

Artigos

La nouvelle topographie des débats internationaux sur la culture, l’information et la communication
Armand Mattelart

Cultura e Desenvolvimento
Renato Ortiz

Los “Estudios de Cultura” pueden y deben salir del ghetto
Daniel Mato


Entrevista

Entrevista com o escritor Ariano Suassuna
Cláudia Leitão


Críticas e Resenhas

Entrelaçamento entre ficção e História
Laura do Carmo

Caleidoscópio intelectual – classe, status e indivíduos, nada disso ou mais um pouco
Marcelo Cavalcanti

“Executar, inventar”. Sobre a relação entre cinema e política no Estado Novo
Maria Caroline Trovo

Leio o periódico na íntegra