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quinta-feira, agosto 19, 2010

Eleições 2010: período de mostrar a importância da produção e gestão cultural para os candidatos





Por Alê Barreto*


Ontem iniciou a propaganda eleitoral gratuita na TV. Isso significa que começa a fase das eleições em que os candidatos falam sobre seus programas de governo, debatem estes assuntos e procuram sensibilizar as pessoas para que acreditem que são as pessoas mais adequadas para ocupar as funções públicas nos próximos anos.

Em primeiro lugar, é importante estarmos atentos para o fato de uma tensão permanente neste processo: vontade dos candidatos de gerenciar o país representando a população x necessidade de darem continuidade a suas carreiras políticas. Esta tensão produz avanços e retrocessos. Quando um candidato apresenta um plano de governo que não interrompe mudanças econômicas, sociais e culturais que foram desencadeadas por governos anteriores, ocorrem avanços. Quando um candidato não deixa claro o que pretende fazer e/ou quando não inclui em seu planejamento para gestão pública novas ações para desenvolvimento do país, seja porque determinados assuntos não agradam o comportamento do eleitor monitorado através de pesquisas de marketing, temos retrocessos.

Em segundo lugar, cabe a nós, sociedade civil organizada, participar da gestão pública. Nossa participação produz resultados de maior impacto para o país quando:

- substituímos a vontade de eleger alguém como um torcedor que torce para o seu time na final da Libertadores e estabelecemos critérios objetivos para seleção de um candidato;

- quando nossos critérios para seleção de um candidato levam em conta o contexto do país, a formação de um candidato, sua experiência, um histórico com ficha limpa e um planejamento sistêmico, em que não se pense somente em necessidades básicas da população, mas se tenha uma visão de futuro para o país.

Em terceiro lugar, imagino o Brasil como uma pessoa. Não consigo imaginar uma pessoa desenvolver toda as suas potencialidades sem educação.

Meu desejo é que qualquer candidato que assuma a presidência, seja Dilma Rousseff, José Serra ou Marina Silva, fortaleça o fomento da educação no Brasil nos próximos quatro anos.


Além da educação ampla, meu desejo também é que estes candidatos também percebam que a produção e a gestão cultural podem ser utilizadas como estratégia e recurso para implementação de políticas públicas e ações voltadas para o desenvolvimento sustentável do país.


Finalmente, para que este desejo se concretize, gostaria muito que os candidatos Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva assinassem um termo de compromisso simples, mas importante para nosso país:

COMPROMISSO PÚBLICO DE CANDIDATO


Eu, _______________________________, brasileiro, residente a ________________, portador de RG

nº_________, candidato a Presidente da República, me comprometo publicamente a apoiar iniciativas que tenham por objetivo destinar recursos para criação e manutenção de projetos, programas, cursos, centros comunitários, escolas, centros de ensino técnico e universidades, voltados para formação de profissionais que trabalhem com produção e gestão cultural, em toda sua diversidade.


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* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto e valoriza encantadoras mulheres.

21-7627-0690 (Rio de Janeiro)
alebarreto@produtorindependente.com

sexta-feira, julho 18, 2008

Cultura não dá voto

Entrevista de Marco Antônio Carvalho Teixeira para Juliana de Sordi Gattone, publicada originalmente no site do Diário do Grande AB em 12/07/08


Marco Antônio Carvalho Teixeira, cientista político especializado em administração pública, apresenta uma análise sobre a falta de investimentos em Cultura: por não proporcionar obras materiais, é colocada em último lugar no ranking de prioridades. "Não investe porque não vira obra, embora seja ganho imaterial fantástico."

A avaliação é cruel, mas evidencia a realidade não só do Grande ABC, mas de boa parte do País. Ele cita como exemplo o orçamento da União, no qual a Cultura recebe apenas o residual das demais rubricas.

O analista rechaça a teoria de que não há interesse dos governantes em proporcionar cultura aos eleitores. Para ele, isso é um mito e tem mais relação com a questão da alfabetização.

Como a prioridade dos administradores passa por áreas mais críticas, como Saúde, Educação e Segurança, Teixeira sugere a eles que façam a interface da Cultura com outras áreas cujas atividades são similares.

Para o cientista político, há iniciativas viáveis sem a necessidade de investimentos exagerados, como parcerias e oficinas.

Marco Antônio Carvalho Teixeira acrescenta que investir em eventos como rodeios e outros com perfil massificado, por exemplo, é uma forma míope de tratar a Cultura.

DIÁRIO - Historicamente, como os políticos lidam com a Pasta de Cultura no Brasil?

TEIXEIRA - Cultura sempre foi considerada uma área secundária, tanto em termos de orçamento como de propostas. Dificilmente, um político vai a público discutir projetos para a área. Outro fator é que os próprios partidos políticos que forneceriam dados para o governo não o fazem. Os meios culturais têm pouca atenção do setor político e pouca projeção e capacidade de pressionar, por isso, ficam com as sobras dos recursos.

DIÁRIO - Por quê?

TEIXEIRA - Tem demandas muito mais emergentes, sobretudo as sociais, e as escolhas são preponderantes. Mas optar por outras áreas não tiraria a possibilidade de dar atividades, com cardápio variado à população por meio de acessos a shows e outras atividades não muito onerosas. Oficinas culturais, atividades em escolas e ações casadas entre Cultura e Turismo, Cultura e Educação ou Cultura e Desenvolvimento são saídas honrosas. Talvez, os governantes devem pensar Cultura como algo intersetorial, para dialogar com várias setores. Esses exemplos que citei são interfaces possíveis, há enormes similaridades entre essas áreas, que muitas vezes têm seus papéis

DIÁRIO - Alguns administradores optaram em unir as pastas que o sr. citou, mas são acusados de utilizarem os investimentos em Cultura para a área unificada.

TEIXEIRA - O grande problema é quando é aplicado só o mínimo. Excluindo o que não se pode fazer, o político pode fazer outras coisas. E não adianta se não tiver pessoa com capacidade, se for um cargo meramente de indicação política.

DIÁRIO - Por que há essa resistência em aumentar o valor do orçamento para a área?

TEIXEIRA - Via de regra, isso acontece em todo o lugar. No orçamento federal, Cultura também recebe verba residual. Talvez porque a Cultura não dê voto, não aparece tanto. A Cultura aparece mais em rodeios, atividades massificadas. E tratar o setor apenas com essas ações é ver a área de maneira míope, sem lidar com a questão de valores e tradição. Algumas iniciativas que têm parcerias com o poder público podem trazer resultados fantásticos. São nelas que se descobrem talentos escondidos, de pessoas que não teriam a possibilidade de aprender a tocar um instrumento, a pintar. Veja a orquestra da Favela do Heliópolis, por exemplo. Ganhou notoriedade pela qualidade dos músicos que descobriu.

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