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quinta-feira, abril 17, 2014

Câmara dos Deputados aprovou o projeto da Lei Kiss que atualiza as regras de prevenção e combate a incêndios em casas noturnas e similares





Por Alê Barreto *
alebarreto@gmail.com


Em 2006, quando escrevi o esboço do livro "Aprenda a Organizar um Show", tive o cuidado de dedicar um capítulo para o tema "segurança". Embora parecesse óbvio que o assunto merecesse a mais alta atenção, na época, ainda iniciante no mercado, me chamou a atenção que os espaços culturais e os produtores de shows e eventos muitas vezes não se preocupassem com isso, de forma preventiva. Era comum se responder a uma fiscalização, mas agir de forma preventiva, era raridade.

Semana passada, o Brasil avançou. Tomei conhecimento através do jornal Zero Hora, da minha terra, Rio Grande do Sul, que a Câmara dos Deputados aprovou o chamado "projeto da Lei Kiss", que atualiza as regras de prevenção e combate a incêndios em casas noturnas e similares no Brasil (entenda os problemas de segurança que ocasionaram a tragédia da boate Kiss).


Concessão de alvarás condicionada à atitude preventiva

Para se obter um alvará, será necessário, antes, ter o plano de prevenção de incêndio aprovado pelo Corpo de Bombeiros.


A responsabilidade será dos bombeiros, gestores, empresários e prefeitos

A nova lei responsabiliza bombeiros, gestores e empresários pelo descumprimento das normas. A concessão do alvará será de responsabilidade do prefeito, que caso libere um estabelecimento sem plano de incêndio, poderá ser enquadrado no crime de improbidade administrativa que poderá levar à cassação. Bombeiro também poderá responder por improbidade.

Locais sujeitos a futura lei

Aplica-se estabelecimentos e prédios públicos com ocupação igual ou superior a 100 pessoas.
Também atingirá locais com ocupação inferior, mas que concentram idosos, crianças e pessoas com dificuldade de locomoção, e que contenham grande quantidade de material inflamável.

Comandas proibidas

O projeto proíbe o uso de comandas para controle do consumo de produtos em boates, discotecas e danceterias.


O estado de Minas Gerais já deu um passo importante nesta direção. Casas noturnas de Juiz de Fora estão deixando de adotar o pós-pago como forma de pagamento


Penalidade para falta de atenção com o limite da capacidade de pessoas


Quem descumprir a futura lei e permitir a entrada de mais pessoas do que o autorizado fica sujeito a pena de detenção de seis meses a dois anos, além de multa.

Penso que podia ser mais rigoroso.


Cumprimento das especificações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)

Para receber um alvará será preciso seguir as especificações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou de outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade (Conmetro).


Fiscalizações anuais

Municípios e bombeiros terão de fazer fiscalizações anuais. Em cidades sem unidade de bombeiros, as vistorias poderão ser feitas por equipe técnica da prefeitura com treinamento em prevenção e combate a incêndios. Constatadas irregularidades, as punições são previstas nas legislações estaduais e municipais.


Transparência na obtenção dos alvarás

Municípios e bombeiros terão de por na internet informações completas sobre o andamento de alvarás, laudos e outros documentos, inclusive os resultados. 



Sistema Nacional de Incêndios

A leia criará um sistema unificado de informações sobre incêndios em áreas urbanas de todo o país. A medida auxiliará na definição de políticas públicas.


Educação


Cursos de graduação de Engenharia e Arquitetura deverão ter na grade curricular a disciplina de prevenção e combate a incêndios e desastres. A medida também vale para cursos técnicos.

Seria importante que o Senado incluísse no texto do projeto a exigência do ensino de prevenção e combate a incêndios e desastres nos cursos de produção cultural, gestão cultural, eventos e entretenimento.



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Alexandre Barreto, mais conhecido como “Alê Barreto”, é um profissional multifuncional. Administrador de empresas, gestor de pessoas, gerente de projetos, produtor executivo, consultor, criador de conteúdo, professor e palestrante. 
Atualmente é um dos gestores do Grupo Nós do Morro no Rio de Janeiro (RJ) juntamente com a cineasta e roteirista Luciana Bezerra e está em fase de conclusão do MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ). Sua monografia é sobre carreira artística e criativa e conta com a orientação da consultora Eliane Costa.   Leia mais

quinta-feira, março 06, 2014

Fazer produção não é aventura: tem que ter segurança





Por Alê Barreto *
alebarreto@gmail.com


No fascículo 24 do meu livro "Aprenda a Organizar um Show" que trata da questão da segurança, oriento: 

"o que precisa de segurança? As pessoas, sempre em primeiro lugar".

Esta percepção em 2007, de um produtor cultural independente estreante, não estava muito longe da realidade brasileira. A evidência disso foi a constatação de um grande número eventos acontecendo no Brasil com irregularidades e situações de risco similares às da tragédia da boate Kiss.

O Ministério da Justiça publicou então a Portaria 3.083/2013 (ver também nota técnica 304/2013 da Secretaria Nacional do Consumidor) e iniciou uma campanha educativa buscando sensibilizar a sociedade para estar atenta ao cumprimento destas determinações. Mas... ainda há muita coisa a ser feita. A matéria "Boates do Rio e São Paulo ainda apresentam falhas, um ano após Santa Mariade Alana Gandra publicada no portal da Agência Brasil traz muitas evidências disso. Segue a citação de alguns trechos:

- "(...) uma pesquisa da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) feita com 14 casas noturnas das capitais de São Paulo e do Rio de Janeiro chegou a conclusão que as falhas em relação à segurança e aos direitos do consumidor persistem na maioria dos estabelecimentos";

- "O estudo revela que, no cômputo geral, as boates de São Paulo estão em condições melhores que as do Rio de Janeiro".

- "(...) alguns itens parecem ser completamente ignorados pelas casas noturnas. Entre eles, o alvará de funcionamento e a indicação de lotação máxima, que devem ser afixados na entrada das casas noturnas e cinemas".

- "Destaque ainda para a falta de higiene e de conservação, principalmente dos banheiros. Caso da maioria das boates do Rio de Janeiro e de dois estabelecimentos de São Paulo".


As informações da pesquisa me levam a pensar também que:

- o não cumprimento das normas de segurança e do consumidor apontam a necessidade de maior fiscalização;

- há necessidade de um sistema de inspeção dos espaços e emissão de alvarás mais ágil: uma vez corrigida a situação irregular e recolhidas as taxas devidas, ter-se um prazo de 48 horas para emissão de alvarás e autorizações, de forma que os empresário que cumprirem com a legislação vigente não sejam obrigados a ficar de "portas fechadas" aguardando burocracias que atrapalham a vida de todos;

- os consumidores brasileiros precisam estar mais atentos e perder a vergonha de fiscalizar;

- é preciso melhorar a qualificação profissional das pessoas que atuam em eventos, entretenimento e ações culturais. Garanto para você que a maior parte dos alunos de produção no Brasil desconhecem a maior parte das leis que precisam ser atendidas.


Se a segurança nas duas maiores metrópoles brasileiras, que possuem a maior infraestrutura de lazer, cultura e entretenimento, como estão as demais cidades brasileiras?


Leia a matéria da Agência Brasil na íntegra.




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Alexandre Barreto, mais conhecido como “Alê Barreto”, é um profissional multifuncional. Administrador de empresas, gestor de pessoas, gerente de projetos, produtor executivo, consultor, criador de conteúdo, professor e palestrante. 
Atualmente é um dos gestores do Grupo Nós do Morro no Rio de Janeiro (RJ) juntamente com a cineasta e roteirista Luciana Bezerra e está em fase de conclusão do MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ). Sua monografia é sobre carreira artística e criativa e conta com a orientação da consultora Eliane Costa.   Leia mais