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quinta-feira, outubro 01, 2009

1º Seminário "O Programa Cultura Viva e os Pontos de Cultura"


Divulgação


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Reproduzo abaixo na íntegra o texto de divulgação de um seminário muito importante que irá acontecer no Rio de Janeiro.


A Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), a Secretaria de Cidadania Cultural, a Secretaria de Políticas Culturais e a Escola de Comunicação da UFRJ promovem o 1º Seminário O Programa Cultura Viva e os pontos de cultura: novos objetos de estudos, que acontecerá no auditório da FCRB dias 15 e 16 de outubro, das 9h30 às 19h.

O seminário reunirá membros dos programas de graduação e pós-graduação, associações acadêmicas e agências financiadoras e estudiosos dos mais diferentes graus de formação que tenham como objeto de estudo o Programa Cultura Viva e os Pontos de Cultura.

Os objetivos do evento são: promover a divulgação dos trabalhos, criar linhas de financiamento para o campo e incentivar a formação de uma rede de pesquisadores sobre o tema.


Programação

Dia 15/10 – Quinta-feira

09h30 – Abertura oficial, com a participação de Célio Turino, secretário de Cidadania Cultural, de José Luiz Herencia, secretário de Políticas Culturais, de José Almino Alencar, presidente da Casa Rui Barbosa e de representantes do IPEA.

10h – Avaliação do programa Cultura Viva – IPEA

14h – Mesa 1 – Apresentação de trabalhos concluídos (mestrados e doutorados)

16h30 – Mesa II – Apresentação de trabalhos concluídos

18h – Mesa III – Apresentação de trabalhos em andamento


Dia 16/10 – Sexta-feira

9h30 – Painel de trabalhos acadêmicos concluídos – Graduação e especialização

11h15 – Painel de trabalhos acadêmicos em andamento – Mestrado

15h – Reunião de trabalho dos grupos de discussão e formação da rede de pós-graduandos e expositores do Seminário e o de estratégia e incentivo a pesquisa acadêmica sobre o tema.

Mais informações pelo e-mail politica.cultural@rb.gov.br ou pelo telefone (21)3289-4636.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Aberto o Edital para Pontos de Cultura do Estado do Rio de Janeiro



Conteúdo do release da Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro em 23/10/2008

O Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Secretaria de Estado de Cultura, em parceria com o Ministério da Cultura, lança, no dia 28 de outubro, o Edital para a seleção de 150 novos Pontos de Cultura, dobrando o número de pontos no Estado do Rio de Janeiro. O investimento de R$ 27 milhões será distribuído ao longo de três anos e cada um dos projetos selecionados receberá R$ 180 mil (R$ 60 mil por ano). Esses recursos poderão ser utilizados para a realização de cursos e oficinas, produção de espetáculos e eventos culturais, compra de equipamentos, entre outros.

Para aumentar a capilaridade da empreitada e garantir a participação dos diversos municípios do Rio de Janeiro, principalmente os do interior, a Secretaria de Estado de Cultura estabeleceu uma parceria com o Sebrae/RJ e criou o Escritório de Apoio à Produção Cultural do Rio de Janeiro que terá unidades na própria Secretaria de Cultura e nas regionais do Sebrae/RJ. O objetivo é apoiar os agentes culturais do estado a elaborar seus projetos e divulgar as diversas linhas de financiamento para a cultura como, por exemplo, as Leis de Incentivo Estadual (ICMS) e federal (Rouanet), além de editais lançados pelo Poder Público e por empresas públicas e privadas.

A distribuição dos Pontos de Cultura seguiu um critério de densidade populacional, para garantir a interiorização e se dará da seguinte forma: Região Noroeste Fluminense: 12; Região Norte Fluminense: 13; Região Serrana: 15; Região das Baixadas Litorâneas: 15; Região do Médio Paraíba: 14, Região Centro-Sul Fluminense: 9, Região da Costa Verde: 5 e Região Metropolitana: 67. Atualmente o Rio de Janeiro conta com 75 pontos de cultura, conveniados com o Programa Cultura Viva.

- Existem três premissas relevantes para o desenvolvimento cultural do Brasil: a democratização do acesso e do direito de produzir cultura; o olhar atento ao mundo das tecnologias que promovem mudanças sociais e o potencial econômico da cultura. Esse convênio agrega todas estas premissas, permitindo que o Rio alcance maior destaque no setor, afirmou a secretária de Cultura, Adriana Rattes, sobre o Pontos de Cultura.

As inscrições ficarão abertas até 11 de dezembro de 2008 e poderão ser feitas presencialmente na Secretaria (Rua da Ajuda, nº 5 – 13º andar) ou pelos Correios. Só serão aceitas propostas postadas ou entregues dentro do prazo. O proponente poderá consultar o edital, o manual de instruções de preenchimento, além de acompanhar o processo de seleção e o resultado pelo site www.cultura.rj.gov.br/pontodecultura http://www.cultura.rj.gov.br/pontodecultura .

Poderão participar do processo de seleção instituições da sociedade civil de direito privado, sem fins lucrativos, que comprovem, o desenvolvimento de ações de caráter cultural há pelo menos dois anos no Estado do Rio de Janeiro. São elas: associações; cooperativas; sindicatos; fundações privadas sem fins lucrativos; escolas caracterizadas como comunitárias e suas associações de pais e mestres, organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs) e Organizações Sociais (OS).

A seleção e o julgamento serão feitos em três etapas. A primeira é análise dos documentos, realizada por uma equipe de técnicos. A segunda é a avaliação técnica - realizada por comissão composta de representantes da Secretaria de Estado de Cultura, do Ministério da Cultura e especialistas da Sociedade Civil. A etapa final será a análise de mérito.

A iniciativa faz parte do Programa Mais Cultura, lançado pelo Governo Federal, que repassará recursos na ordem de R$ 18 milhões para a Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. O Governo do Estado participa do projeto com R$ 9 milhões.

Informações ao público: Escritório de Apoio à Produção Cultural www.cultura.rj.gov.br/pontodecultura, pelos telefones (0xx21) 2299.3300 e (0xx21) 2299.3154 ou no SEBRAE mais próximo.

sábado, outubro 11, 2008

Criminalizar internautas é um erro


Lawrence Lessig


Reproduzido da Folha Online, 3/10/2008; título original “Criminalizar internautas é um erro, diz professor”


Na batalha pelo futuro dos direitos autorais, monopolizada pelos extremistas – de um lado, as indústrias da música e do cinema, que a tudo proíbe e a todos processa; de outro, os piratas, que tratam tudo como produto grátis – o professor Lawrence Lessig fica no meio.

Não estou com os abolicionistas do direito autoral, mas também não concordo com a criminalização de toda uma geração de internautas”, diz Lessig, ex-professor de direito na Universidade de Chicago (onde ficou amigo de Barack Obama, então professor-adjunto), hoje ensinando em Stanford.

Lessig é a figura mais respeitada e conhecida na questão de direitos autorais, graças à sua criação, o Creative Commons (CC), que é um meio-termo na questão do copyright: ele permite aos criadores de uma obra intelectual qualquer compartilhar sua criação com mais liberdade – por exemplo, licenciando a obra para uso gratuito, desde que sem fins lucrativos.

Lessig esteve em São Paulo na quarta-feira (1/10) para uma palestra intitulada “A Cultura do Remix” – tema de seu próximo livro, que sai no fim deste mês –, no evento Digital Age 2.0, onde conversou com a Folha.

***

O senhor disse em sua palestra que a atual geração não fala mais com palavras. Por quê?

Lawrence Lessig – Nos séculos 19 e 20, ser alfabetizado significava aprender a escrever, unir palavras para expressar idéias. O que vemos neste século é que as palavras são só uma forma de alfabetização e que há outras formas mais atraentes para os nossos filhos, como as imagens.

Os críticos dizem que isso leva a um “emburrecimento”.

L. L. – Não acho que seja verdade. A explosão do acesso [à informação] permite às pessoas terem mais conhecimento. Em 1970, se quisesse saber o histórico dos vice-presidentes dos EUA, teria que ir a uma biblioteca, e apenas uma em cada 10 mil pessoas fazia isso. Hoje, quando alguém quer saber algo, o acesso é instantâneo, mais e mais pessoas têm aprendido.

De resto, mesmo se fosse verdade, e daí? Não vivemos num mundo totalitário onde podemos parar essa forma de cultura e forçar a volta apenas à leitura de livros. Precisamos aprender a viver com isso.

A liberdade da internet costuma ser vista como algo inerente ao sistema. O sr. concorda?

L. L. – A liberdade da rede é produto de sua arquitetura, de seu código, e esse código pode ser mudado para que as liberdades sejam retiradas. E é do interesse das empresas e dos governos mudar esse design para restringir a liberdade. Por isso, organizações como a FSF (Free Software Foundation), de que já participei, são essenciais para pensar estratégias para evitar essas mudanças

Como o sr. vê o futuro do Creative Commons?

L. L. – Meu sonho é que o CC esteja morto em seis anos, que não seja mais necessário porque a legislação de direitos autorais se tornou racional. Mas, enquanto for irracional, mais artistas e criadores devem começar a usar as licenças do CC para ter seus trabalhos livres.

Não significa que todos vão usar, não espero que a Madonna passe a usar o CC tão cedo, mas antes de convencê-la vamos convencer gente suficiente de que o mundo não está dividido entre dois modelos extremistas, Hollywood numa ponta e os piratas na outra. A maioria dos criadores está no meio, espera alguma proteção.

Como o sr. vê iniciativas paralelas ao CC, como as do Radiohead e de Paulo Coelho, que colocaram suas obras de graça na rede?

L. L. – É importante que tenhamos muitas experiências, mas acho ruim quando esses criadores fazem algo que parece que apóia a liberdade, mas que, quando vemos os detalhes, não funciona assim. O Radiohead é um bom exemplo: lançou concurso para que os fãs criassem remixes das músicas. Mas, quando você lê a licença, descobre que a [gravadora] Warner fica com todos os direitos sobre os remixes criados.

O sr. tem um bom número de antagonistas. Há algo das críticas com que concorde?

L. L. – Já aprendi muito com críticos meus, como Jack Valenti, chefe da Motion Picture Association [a associação dos estúdios de cinema], uma das pessoas a quem dediquei meu último livro, Remix. Nós tivemos ao menos cinco conversas, e havia um tema que lhe era caro: as conseqüências que haveria para a geração de garotos que está crescendo levando a vida fora da lei [no que tange aos direitos autorais]. Achava isso bobagem, mas percebi que estava certo, e meu livro começa dizendo isso, que o grande problema é a criminalização dessa geração. É claro que discordamos quanto à solução: ele defende uma guerra mais eficiente contra nossas crianças, e eu espero que encontremos um sistema em que elas não sejam consideradas piratas.

Que mudanças podemos esperar nessa área, com o próximo presidente dos EUA?

L. L. – Os EUA têm tantos problemas maiores que não acho que o próximo presidente vá ter tempo para tratar de direitos autorais. Dito isso, e sendo um apoiador de Obama, acho que, se ele vencer, vai levar para o governo uma geração de pessoas sensíveis ao tema.

O sr. seria uma delas?

L. L. – Não acho que me ofereceriam um cargo e, como acho que eu não ajudaria, também não aceitaria.

O foco nos direitos autorais não deixa para trás um tema mais importante, o da democratização do acesso à rede?

L. L. – Concordo que essa é uma crítica justa. Mas o que levaria a uma democratização mais rápida da web? No Brasil, há um movimento significativo nessa direção, o projeto Pontos de Cultura, que foi lançado quando [Gilberto] Gil era ministro [da Cultura]. Mas o que as pessoas vão fazer quando se conectarem? Vão querer compartilhar, expandir essa cultura do remix, que está no cerne da cultura tradicional brasileira, para a era digital. O melhor que podemos fazer, então, é criar um ambiente favorável a esse tipo de cultura na internet.