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terça-feira, junho 07, 2011

A arte de lidar com imprevistos




Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


A figura acima é bem ilustrativa disso. Alerta motoristas para risco de desmoronamento. Um desmoronamento pode causar um pequeno transtorno, como um pequeno amassamento na pintura do seu carro. Pode também causar um acidente fatal.

Tudo que planejamos para uma produção, pode também desabar. Não adianta ser um "fanático" do planejamento, que acha que dá para controlar tudo que acontece no mundo. Com o planejamento, reduzimos as incertezas e aumentamos a chance das coisas saírem da forma que idealizamos. Para mim, quanto mais planejada for uma ação, um programa, um projeto, melhor. Mas os imprevistos estão e estarão presentes o tempo todo em nossas vidas.

A forma de lidar com os imprevistos é tão importante quanto saber planejar. Veja algumas sugestões.


Entenda o imprevisto e o seu impacto no contexto da produção

Reclamar, praguejar, gritar, não resolve. Pior: só estressa a sua equipe, organizadores, patrocinadores, fornecedores e público. Pior ainda: detona a sua própria saúde.

Quando um bombeiro atende uma pessoa em um desastre, ele procura fazer um rápido exame para saber as condições do acidentado. Quando ocorre um imprevisto em uma produção, a atitude a ser tomada é muito parecida. A primeira coisa a fazer é manter a calma e buscar obter informações detalhadas para entender no que o imprevisto está atrapalhando o fluxo normal do trabalho de produção.


Abandone a "técnica da inquisição"

Ficar procurando culpados não resolve. Procure pessoas que podem ajudar a resolver o problema. Depois você faz uma reunião de avaliação para saber se o problema foi falta de definição de critérios para execução de uma atividade ou falta do cumprimento de um critério previamente definido. Pode ter sido também as duas coisas.


Priorize

Nunca digitar e imprimir novamente uma lista de convidados, para não ter "stress", vai ser mais importante que sinalizar uma área de circulação que oferece risco para a circulação do público. Uma lista errada pode significar um cliente a menos. Uma área com risco de acidente não sinalizada pode significar a perda de uma vida.


Acione quem pode resolver

Muitas vezes um problema demora a ser resolvido por excesso de centralização de atividades. Desapegue-se! Acione outras pessoas. Mais importante que dizer que foi você que resolveu é você ter a certeza de que o imprevisto foi resolvido.


Registre o acontecimento e leve para reunião de avaliação

Quando planejamos uma produção, pensamos sempre no óbvio. Mas a prática da produção nos mostra o que não é tão óbvio. Imprevistos não são óbvios. Anote quando acontecerem. Procure ser detalhista na observação e no registro. Com isso você terá um bom material para:

- prevenir que o imprevisto aconteça de novo;
- ou, se não for impossível impedir, pelo menos já ter um procedimento definido para agilizar a sua solução, caso aconteça novamente.


Seja humilde e tenha uma postura de estudante

Imprevistos são sempre oportunidades para aprender e evoluir. Se você entender isso, verá que o trabalho de produção é bacana porque nos ensina a trabalhar com método e ao mesmo tempo a lidar melhor com os imprevistos que fazem parte do nosso dia a dia.

Boa produção!

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* Alê Barreto é um administrador e produtor cultural independente. Trabalha com foco na organização e qualificação dos profissionais de arte, comunicação, cultura e entretenimento. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows, escreve para o site Overmundo e para a revista Fazer e Vender Cultura.

Ministra cursos, oficinas, workshops e palestras. Já atuou em capacitação de grupos culturais em parceria com o SEBRAE AC. Presta consultoria e assessoria para artistas, empresas e produtores.

Contato: (21) 7627-0690 Rio de Janeiro - RJ - Brasil




Alê Barreto é cliente do Itaú.


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O Produtor Cultural Independente gerencia os perfis das redes sociais da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC). Receba informações pelo Facebook e pelo Twitter

quarta-feira, novembro 03, 2010

6 sugestões práticas para lidar com imprevistos


Olha eu tendo que lidar com um imprevisto... Bola pra frente!


Por Alê Barreto*


Sim. Para quem ainda não se convenceu disso, está em tempo. Aliás, lidar com imprevistos não é somente um requisito para quem deseja trabalhar fazendo acontecer uma ação cultural. É uma saudável postura diante da vida.

Sabe porquê? Não temos total controle sobre nossa vida (e nossas produções artísticas). Mas podemos aprender a navegar neste oceano.

Caiu a data do show? O patrocínio foi cancelado? Será necessário mais transporte do que o previsto? Contratante do show deu um calote? O técnico que irá operar a mesa de som tem um gênio difícil? Os artistas demoram para dar retorno às suas solicitações? Você estabeleceu parcerias com pessoas que não trabalham no mesmo ritmo que você? Tudo isso pode acontecer. E pode acontecer muita mais do que isso. Como lidarmos com isso tudo?

O barco pode virar

Anos atrás, tive uma das grandes oportunidades de aprendizado da minha vida, que foi assistir uma palestra do Amyr Klink no auditório da Assembléia Legislativa, em Porto Alegre. Amyr Klink falou que quando estavam projetando o barco para sua primeira grande viagem (ver o livro "100 dias entre o céu e o mar), estavam tentando criar um barco que não virasse. Depois de um tempo, chegaram a conclusão que era quase impossível um barco não virar. Então tiveram a clareza de perceber que a questão não era tentar evitar que o barco virasse, mas sim projetá-lo de maneira que pudessem lidar com as situações em que ele fosse virar.

Na atividade de um produtor cultural independente, principalmente os empreendedores, que trabalham como prestadores de serviços, free-lancers, autônomos, muitas vezes o barco vira. Para nós, serve a lição do Amyr Klink: reconhecer que trabalhamos com grupos diferentes de pessoas e que estamos sujeitos a surpresas no caminho.


Lidar com imprevistos é como se preparar para uma viagem

Todo mundo que já fez o meu curso "Aprenda a Organizar um Show", sabe que concentro a maior parte do curso na etapa de pré-produção. O conceito por trás desta ação é fortalecer a noção de que temos que nos preparar bem antes de uma viagem. E com toda a preparação possível, lembremos que somos humanos: podemos esquecer algo. E este algo poderá causar turbulência na produção de um espetáculo, turnê, etc.


6 sugestões práticas para lidar com imprevistos


1 - Respire fundo, se acalme e não entre em pânico: só aumentará os seus problemas. Esta é uma habilidade que vamos aprendendo quanto mais trabalhamos.

2 - Saia da paralisia: nossa mente tenta resolver às vezes um problema imediatamente quando ele aparece. Ao não conseguir uma solução, muitas vezes cansamos, desanimamos e ficamos paralisados. Muitas vezes uma caminhada ou procurar conversar com alguém ajuda a cabeça arejar e encontramos a solução. Não fique paralisado. É pior.

3 - Trabalhe com "check-lists" (listas de verificação): aprenda a disciplina de verificar constantemente o que deve ser feito, quem será a pessoa responsável por isso e prazo que deve acontecer.

4 - Priorize: após consultar suas listas de atividades, cronogramas, etc., direcione sua energia e atenção para o que é prioridade. Não tente resolver tudo ao mesmo tempo. Gaste o tempo que for necessário para ter clareza sobre o que é o foco e o que é importante e urgente ser resolvido.

5 - Comunicação e transparência: se algo vai atrasar ou não vai acontecer como o previsto, seja sincero com seus artistas, organizadores, patrocinadores, fornecedores e sócios. Pior do que algo não sair como previsto é passar a imagem de que está tudo sob controle quando não está.

6 - Negocie e aprenda lidar com pressão: negocie o tempo todo. Mostre para seus parceiros que você está comprometido com a resolução dos imprevistos e que vai fazer tudo que for possível. Mesmo fazendo isso, você receberá muitas vezes pressão de várias pessoas. A pressão passa e você, sua carreira profissional e sua vida continuam. Não aumente dentro de sua cabeça as críticas e as reclamações que você ouve. Descubra uma maneira saudável de lidar com a pressão.


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* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto, divulga ideias contra o machismo no blog encantadoras mulheres e compartilha a experiência do método livre de produção de shows no blog "Aprenda a Organizar um Show".


21-7627-0690 (Rio de Janeiro)
alebarreto@gmail.com

domingo, outubro 31, 2010

Leia o texto "Ah, se eu tivesse autonomia…" na nova edição da revista "Fazer e Vender Cultura"



"Calor", ilustração do artista Renato Moll, disponível em http://www.flickr.com/photos/renatomoll/4284206916/sizes/s/in/photostream/


Por Alê Barreto*

O que é melhor para a carreira de um produtor cultural: trabalho com horário fixo em um único lugar ou trabalhar como autônomo, de forma independente?

Taí uma pergunta cabeluda. Não tem resposta pronta. Não é fácil responder. Para complicar, pode ser respondida sobre vários ângulos, o que muitas vezes nos leva a demorar a tomar a decisão.

Nestes oito anos em que atuo como um produtor cultural independente, muitas vezes as circunstâncias da vida me levaram a ter que responder esta pergunta. No início, eu era muito rígido. Achava que um produtor cultural necessitava de tempo livre. Hoje acho que vários formatos de trabalho são possíveis.

Enquanto você participa das eleições 2010 e torce para a Dilma ou o Serra, separe uns minutinhos e leia este conteúdo útil na íntegra no número 4 da revista online "Fazer e Vender Cultura". Ah, um detalhe: para quem ainda não conhece, trata-se de uma revista para produtores culturais, uma iniciativa do publisher e produtor cultural Miguel Gomes. É uma publicação da Associação dos Amigos da Cultura (Clube da Cultura) com patrocínio da Oi e da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com apoio do Oi Futuro. Os textos são qualificados e há muita gente bacana escrevendo. Está sendo uma grande fonte para meu aprendizado.

Depois de dar um passeio pela revista, leia também "Uma nova forma de trabalhar com a arte, artistas e a tecnologia".

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* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto, divulga ideias contra o machismo no blog encantadoras mulheres e compartilha a experiência do método livre de produção de shows no blog "Aprenda a Organizar um Show".


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terça-feira, setembro 07, 2010

Texto "Começar a Trabalhar com Produção Cultural" é publicado na revista Fazer e Vender Cultura




Por Alê Barreto*


Já está no ar o número 3 da revista online "Fazer e Vender Cultura". Trata-se de uma iniciativa cultural muito bacana coordenada pelo Miguel Gomes, que coordena também todos os meses um colóquio no Oi Futuro Flamengo (RJ) no qual são debatidos assuntos de interesse da área cultural.

Conheça o artigo que publiquei nesta edição.


Começar a Trabalhar com Produção Cultural

Sugerir como alguém pode começar a trabalhar com produção cultural não é uma tarefa muito simples. É preciso entender que nem todo mundo está no mesmo momento de vida. Uma pessoa de 16 anos provavelmente irá pensar em trabalhar no backstage de um show. Uma pessoa de 30 anos talvez queira gerenciar a carreira artística de um músico. Uma pessoa de 50 anos pode se mostrar interessada em trabalhar com projetos culturais mais amplos, com impacto social. Enfim, há muitas situações diferentes, que variam conforme a idade, situação financeira, localização geográfica, grau de escolaridade, etc.

É comum se pensar em trabalhar com produção cultural quando se é jovem. E aqui não estou me referindo a juventude somente como período biológico estabelecido, mas como um estado de espírito. A pessoa jovem quer viver experiências intensas e trabalhar com a cultura é uma experiência intensa. Eu sempre me emociono quando termina um show ou um espetáculo de teatro em que trabalhei na produção. Eu sei que aquela produção que eu realizei passou a fazer parte da vida de muitas pessoas. E tornou a minha vida melhor.

Mas esse estado "jovem" de ser traz também muitos questionamentos. O adolescente que está cursando ensino médio começa ouvir sua família falar que ele deve "tomar um rumo na vida" com a conotação de que o tal rumo é trabalhar para ganhar muito dinheiro. O "jovem" que não aceita que a sua vida deve ser somente casar, ter filhos, ser refém de expectativas de sucesso (o que é sucesso?) dos grupos sociais com quem convive, também começa a pensar que faz sentido escolher uma atividade que lhe dê mais liberdade para viver a sua vida. O "jovem" que é músico, ator, dançarino, escritor, malabarista, poeta, que curte cinema, moda, arte da gastronomia, design, iluminação, que não aceita discursos equivocados de que "cultura não dá dinheiro", fica horas pensando em como conciliar a vontade de estar no meio artístico e sobreviver dignamente.

Para todos estes jovens, a primeira sugestão é: busque informações detalhadas sobre o que você quer fazer.

Há muitas formas de se fazer isso. As mais conhecidas são "dar um google" com palavras-chaves, pesquisar em livros e revistas, entrevistar pessoas que trabalham na atividade que você pretende fazer e por fim, a mais arriscada, que é começar a fazer um estágio ou trabalhar por um período em algo que você desconfia que é o que você procura, mas que ainda não tem bem certeza.

Além de buscar informações sobre o que você quer fazer, acho importante que paralelamente se façam outros dois movimentos importantes: autoconhecimento e aprender a gestionar sua carreira profissional. Com o autoconhecimento, você poderá perceber quais são as "trocas" que você necessita no seu momento atual de vida. Pode inclusive "projetar" cenários de sua vida para o futuro. Aprendendo a gerenciar sua carreira profissional, você poderá realizar ações que alavanquem o seu desenvolvimento profissional.

Então, a coisa toda pode funcionar mais ou menos assim: você começa a se autoconhecer e ver se realmente quer trabalhar com a cultura; na medida que isso vá ficando evidente, você começa a buscar informações sobre como trabalhar nesta área. Na medida que começa a trabalhar nesta área, começa a aprender a gerenciar sua carreira para que o trabalho lhe proporcione alcançar os seus objetivos.

É importante pensar ainda o seguinte: por mais que você pesquise e planeje, você nunca terá a garantia de que irá dar certo. Mas se não pesquisar e planejar, se não se aplicar para que as coisas aconteçam, nunca elas vão acontecer.


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* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto e valoriza encantadoras mulheres.

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alebarreto@produtorindependente.com

quarta-feira, maio 26, 2010

A importância de entender o seu movimento na arte


Imagem de Karina Buhr cantando "Eu Menti Pra Você" e dando entrevista no programa Radiola na TV Cultura


Por Alê Barreto
Administrador, produtor cultural independente e palestrante


Ontem assisti uma aula excelente do professor Marcelo Mendonça, que ministra a disciplina “Bases Administrativas na Gestão Cultural” no MBA que estou cursando na Universidade Cândido Mendes, aqui no RJ.

No fim da aula, tivemos um estudo de caso sobre a gestão de um museu que me fez pensar muito na gestão da carreira de um artista.

Penso que boa parte dos conflitos na relação entre artistas e produtores ocorrem porque muitas vezes o artista não tem muita clareza de qual e o seu movimento na arte.

Mas o que seria esta clareza? Basicamente ter definido "o que" quer fazer e "para que".

Pensei então em buscar um depoimento de um artista contemporâneo, que esteja avançando e percebendo estas questões. Lembrei da Karina Buhr, que é integrante do Comadre Fulozinha e recentemente lançou um disco sol. Pesquisando vídeos no youtube, achei uma entrevista dela falando de sua carreira. Veja como ela fala sobre as definições que foi estabelecendo para conduzir suas ações culturais.



Qual é o seu movimento na arte?

sábado, outubro 24, 2009

Produção Cultural Independente também é entender de comunicação


Robert De Niro em "Wag the dog"


Por Alê Barreto (produtor cultural independente)


Eu acredito que a alfabetização para as mídias (como ler o que não está escrito?) é uma disciplina fundamental na construção do novo campo de conhecimento que é a produção cultural independente.




Em outubro de 2008 eu republiquei uma reportagem sobre este tema originalmente publicada na revista Mídia Com Democracia, nº 1, de janeiro de 2006.


Me lembrei então de indicar aos meus colegas produtores culturais independentes que aproveitem uma parte do tempo livre do final de semana para aprender um pouco mais sobre comunicação. Passem em alguma locadora, peguem emprestado com alguém ou baixem da internet o filme "Mera Coincidência" (Wag the dog, 1997).




Compare o que você assistiu e pense se é possível isso acontecer com a divulgação de algum produto ou serviço cultural. Mera coincidência?

domingo, setembro 20, 2009

Um filme para se divertir no domingo e entender um pouco mais os apuros de um produtor cultural


Trailer do filme "Vatel"


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Aproveite o tempo livre do domingo para dar um pulo na locadora mais próxima e alugar o filme "Vatel". A história se passa em 1671. O príncipe de uma província no oeste da França, que está à beira da ruína econômica, resolve oferecer ao rei Luis XIV um fim de semana de festas e muita diversão, com objetivo de conquistar sua simpatia e ajuda dos cofres reais.

O filme mostra os dramas vividos por Vatel, personagem interpretado por Gérard Depardieu, um serviçal que passa todo filme envolvido com a "produção" dos festejos, preocupado em agradar seu mestre.

Veja um bom exemplo da complexidade da produção de uma ação cultural.

quarta-feira, maio 27, 2009

O que é Produção Cultural?


Imagem: domínio público


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)

Nos primeiros anos que comecei a trabalhar como produtor cultural independente, elaborei uma série de anotações, fruto das minhas reflexões sobre o que estava aprendendo.

Resolvi então compartilhar alguns conceitos que elaborei, a partir da minha vivência e leituras sobre o tema. Nenhum deles tem a pretensão de substituir conceitos que porventura já existam no meio acadêmico. Nenhum deles pretende ser conclusivo. Estão em processo. A idéia de publicá-los é contribuir com a sua própria construção.


O que é Produção Cultural?

Esta é uma pergunta que dá margens a várias interpretações, uma vez que estão em construção as referências necessárias ao entendimento das atividades de produção cultural exercidas no Brasil.

Para alguns produtores, "produção cultural é trabalhar na execução de atividades artísticas e culturais". Outros produtores consideram que "produção cultural é trabalhar com projetos culturais". Há os que consideram "produção cultural uma atividade relacionada a curadoria e organização de mostras, exposições e festivais em diversas áreas artísticas", motivo pelo qual acreditam que somente artistas podem ser produtores culturais. Há também aqueles entendem que "o produtor cultural trabalha com eventos culturais".

Em todas estas interpretações, parece haver um senso comum, por parte dos profissionais que desempenham na prática esta atividade, de que a produção cultural ocupa-se de "fazer acontecer" a ação cultural, de dar suporte organizacional para o exercício de diferentes manifestações artísticas e eventos culturais. Isso envolve o planejamento, organização, direção, coordenação e controle de todas as atividades que fazem parte destas manifestações e eventos.