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sexta-feira, setembro 02, 2011

Economia criativa: conheça o Brainstorm9, um site de produção cultural do século XXI


Vídeo mostrando as últimas inovações do Brainstorm9


Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Um dos primeiros livros sobre administração que eu li foi "Virando a própria mesa" do empresário Ricardo Semler. Isso foi em 1993, na época em que morei em Erexim, cidade da região norte do Rio Grande do Sul. Tinha terminado há pouco o curso técnico em mecânica. Você sabia que já trabalhei com manutenção de ônibus, projeto de máquinas, ISO 9000 e análise de métodos e processos, antes de trabalhar com administração e produção cultural?. Meus colegas não entendiam porque eu queria ler este livro. Não entendiam que eu não havia me limitado a "ser um técnico" só porque estudei um curso técnico.



Ricardo Semler também não se limitou a estudar administração só pelo fato de que ia herdar as empresas de sua família (Grupo Semco). Nem por isso deixou de ser administrador. Em seu livro ele fala que não quis estudar administração de empresas pelo fato de que "as técnicas de administração mudam muito mais rapidamente do que as escolas".

Na atividade de produção cultural, ocorre o mesmo. Em 2003, quando comecei, a visão inicial sobre a profissão era de que o profissional de produção cultural era uma pessoa que deveria ocupar 90% da sua atividade redigindo projetos para leis de incentivo, editais, buscar patrocínios e prestar contas.

De 2003 até hoje passam-se quase nove anos e boa parte dos cursos, professores, intelectuais e formadores de opinião nesta área ainda teimam em acreditar nisso. Produção cultural é bem mais do que isso.



Eliane Costa, Mestra em "Bens Culturais e Projetos Sociais" descreve em seu recente livro "Jangada Digital" que Gilberto Gil foi questionado, logo após sua posse como Ministro da Cultura, sobre quais seriam suas diretrizes da política cultural do novo governo. Ele respondeu: "a abrangência".

Esta também é a minha escolha: "a abrangência". Não limito as minhas competências para o trabalho na nova economia criativa nos dias de hoje porque algumas pessoas e empresas ainda não entenderam que podemos utilizar nossas múltiplas habilidades.

Uma das minhas habilidades é reconhecer a cultura onde muitas pessoas acham que não há cultura.

Nas últimas aulas da disciplina “Novas Mídias na Comunicação”, que estou cursando no MBA em Gestão Cultural, recebi uma excelente dica do professor Walter Romano (anotem esse nome).



Trata-se do Brainstorm9. Segundo informações do próprio site, "é um veículo online brasileiro independente que fala sobre criatividade e inspiração, seja na publicidade, internet, negócios, social media ou comunicação digital em geral".

Quer definição mais próxima do que é produzir cultura hoje?

Saia do mundo reduzido das infindáveis reclamações sobre as dificuldades de se produzir cultura no Brasil. Entre no Brainstorm9 (http://www.brainstorm9.com.br) e aprenda mais sobre o novo cenário da economia criativa, que é o ambiente da produção cultural no século XXI.


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O Produtor Cultural Independente está construindo a próxima turma do curso "Aprenda a Produzir um Artista" no Rio de Janeiro. É fácil participar. Inscreva-se!


Turma de Belo Horizonte (julho de 2011)/foto: Patrick Azevedo


Leia rapidamente informações sobre o curso e participe!



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* Alê Barreto é um administrador e produtor cultural independente. Trabalha com foco na organização e qualificação dos profissionais de arte, comunicação, cultura e entretenimento. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows, escreve para o site Overmundo e para a revista Fazer e Vender Cultura.

Ministra cursos, oficinas, workshops e palestras. Já atuou em capacitação de grupos culturais em parceria com o SEBRAE AC. Presta consultoria e assessoria para artistas, empresas e produtores.

Contato: (21) 7627-0690 Rio de Janeiro - RJ - Brasil


* O blog Produtor Cultural Independente está em atividade desde 2006. Possui mais 700 posts e links de seus conteúdos são enviados para 4.808 pessoas através de redes sociais. Faz parte da Rede Produtor Cultural Independente, uma rede de conteúdos composta pelos blogs Produtor Independente (592 seguidores), Blog do Alê Barreto (55 seguidores), Aprenda a Organizar um Show (32 seguidores) Aprenda a Produzir um Artista (16 seguidores), Encantadoras Mulheres (13 seguidores) e Aprenda a divulgar seu evento (2 seguidores).



Alê Barreto é cliente do Itaú.

segunda-feira, outubro 26, 2009

U2 ao vivo no Youtube



Por Alê Barreto (produtor cultural independente)


Quando comecei a trabalhar com a produção de shows, em 2003, a relação entre a internet e a música, na vida prática, estava centrada na idéia de que era importante artistas e produtores terem um site. De lá para cá, muita coisa mudou. E mudou muito mais rápido do que poderíamos imaginar.

Com o avanço da "urbanização" do espaço virtual, cada vez mais surgem novas possibilidades de se divulgar, distribuir, comercializar e se consumir a música. Isso tem causado uma verdadeira "guerra" entre quem acha que o download gratuito deve ser proibido e quem acha que todos devem ter direito de acesso a conteúdos.

Ontem, dia 26 de outubro de 2009, o U2 inaugurou um novo momento na história da produção cultural: transmitiu ao vivo pelo youtube o show que realizou no estádio Rose Bowl de Pasadena, oeste dos EUA para 20 países, entre eles Brasil, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Reino Unido, Espanha, Estados Unidos, França, Índia e Irlanda.




Assista uma das músicas do show e pense na possibilidade de utilizar alguma plataforma da web para transmitir os seus shows.

sábado, agosto 08, 2009

Marcelo Tas afirma: "as mídias não estão mais nas mãos do comercial de 30 segundos ou da primeira página da revista"


Fotos: Cia de Foto


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


A maior parte dos conteúdos que temos acesso no dia-a-dia, apresentam assuntos muito resumidos e com pouco estímulo à reflexão. Quem gosta de política marxista, acha que o mundo em toda sua complexidade resume-se em luta de classes, quando poderia pensar que esta idéia pode contribuir para entendermos o que pode vir a ser o mundo. Quem é adepto de uma determinada religião, tem a certeza de que o mundo é do jeito professado pelos líderes religiosos que segue. Quem fala sobre o desemprego, muitas vezes acha que ele é apenas uma seleção natural e que os bons nunca ficarão sem emprego. Na área cultural, quem não consegue organizar um show, gravar sua música, vender seus livros, é taxado por quem consegue de incompetentes, amadores, etc.

Pensando nesta preocupação constante que tenho de escrever ou publicar conteúdos acessíveis, para estimular que as pessoas pensem sobre o estado das coisas e comecem a perceber que são capazes de tocar os seus projetos, suas idéias, encontrei uma ótima entrevista com o Marcelo Tas, publicada na Revista Continuum Itaú Cultural, nº 21, onde ele traz informações muito importantes para quem está se desenvolvendo como produtor cultural independente.


O homem seguido por 118.177 pessoas



Por Marco Aurélio Fiochi | Fotos Cia de Foto


A intimidade de Marcelo Tas com os computadores vem de longe: começou em um aperfeiçoamento em cinema e TV na Universidade de Nova York (NYU), na década de 1980, tempos em que a informática não era assunto corriqueiro como é hoje e o PC nem sequer tinha sido inventado. Desde esse primeiro contato, que se deu por acaso, devido à curiosidade que herdara de sua formação em engenharia, Tas vem construindo com grande atenção sua presença virtual, que hoje é tão importante quanto a atuação como jornalista e comunicador de TV. Um ranking realizado em 2008, por exemplo, posicionou-o entre os três perfis mais seguidos do Twitter brasileiro, e sua participação na rede (com o blog marcelotas.uol.com.br) contribui para torná-lo um dos formadores de opinião mais importantes da atualidade no país.

Âncora do programa semanal CQC, da Rede Bandeirantes, ele não credita sua participação bem-sucedida na internet a nenhuma fórmula mágica. "Quando as pessoas me falam 'você pauta, você traz notícias', digo que não. Só ouço com atenção o que me chega e separo o que acho relevante." Ao analisar o impacto da conectividade na vida das pessoas, Tas define o momento como uma fase de transição que a seu ver nunca terminará. "Estamos em um novo estado permanente, um mundo, literalmente, mais etéreo." O apresentador reforça ainda a importância da conexão através do olhar, do contato com o outro e com o próprio corpo como antídoto à sedução provocada pela conexão ultrarrápida da web.

Em tempo: o título desta entrevista, cujas perguntas foram criadas por leitores da Continuum, é uma brincadeira com o número de seguidores do perfil @marcelotas no Twitter. Mas é bom ressaltar que, graças à popularidade de seu criador, esse enorme contingente de pessoas poderá já ter se alterado quando você estiver lendo esta edição.


Ao que você atribui o alto grau de participação dos brasileiros em redes sociais, se comparado ao restante do mundo? Seria carência social ou procura de identificação em nichos? (Arieta Arruda, Curitiba/PR)

Isso se deve a duas coisas: o Brasil tem uma distância intransponível, infinita do resto do mundo. É um país que se coloca espiritualmente longe de todos, de tudo, apartado do primeiro mundo. Tem complexo de cachorro magro e, ao mesmo tempo, a esquizofrenia de não se inserir na América do Sul. Com isso, despreza uma riqueza gigantesca que está ao seu lado, na Colômbia, na Argentina, no Chile, no Paraguai... A América do Sul tem uma história belíssima, muito próxima dos brasileiros, e nós estamos muito mais voltados para a Europa, os Estados Unidos, Miami, que é quase uma cidade brasileira. O outro motivo se resume numa palavra: gambiarra. Não faço um elogio ao precário e ao malfeito. Falo de quem consegue superar, com criatividade, nosso estado real. Não podemos perder de vista o fato de vivermos num país desigual, cheio de injustiças e dificuldades. Mas o brasileiro tem um afeto pela tecnologia; e a gambiarra é o drible tecnológico que dá em suas deficiências. É o puxadinho, a antena de TV com Bom Bril nas extremidades, o gato, o benjamim apinhado de tomadas, o remendo no fio do ferro de passar roupa ou do computador. O brasileiro abre o computador com a mesma intimidade que abre um Sonho de Valsa. A gente não tem pudor com a tecnologia. Quando se vê um europeu mexendo num equipamento, ele tem respeito, tem medo, não aperta qualquer botão. O comportamento do brasileiro facilita a profusão de pessoas que usam as redes sociais no país. É uma intimidade com o meio, com a tecnologia e, obviamente, um exercício natural da nossa sociabilidade. Adoramos conversar, contar as coisas da vida. Isso se reflete na internet.


Como você vê o impacto da conectividade na vida das pessoas? Até que ponto a superexposição causada pelos blogs, pelo Twitter e até mesmo pela TV é positiva? (Luciana Morgado, São Paulo/SP)

A superexposição é positiva até o ponto em que ajuda as pessoas a conhecerem-se a si mesmas. Somos nós que a geramos. Parece que isso é causado por algum vírus, algo que está dentro do computador e que puxa as pessoas. Quem não gosta disso não se mostra na internet, assim como não é visto nas revistas de fofoca, ou no Orkut, ou no Big Brother Brasil, ou numa festa. O mundo virtual é um reflexo do mundo real. Quem é exibido no mundo real terá essa característica potencializada no mundo virtual. Depende do discernimento de cada um usar as ferramentas virtuais e saber até onde quer se expor. É um mundo muito sedutor, mas que também pode ser nocivo.


Você acredita que os milhões de brasileiros que não possuem acesso à internet são representados hoje na mídia? Tenho a impressão de que redações jornalísticas, produtoras de vídeo e agências de comunicação se concentram mais no que é visto na web do que na vida real daqueles que não têm acesso à internet e que também têm interesses, necessitam de informações. (Simone Castro, Itajaí/SC)

Concordo em parte com esse pensamento, mas temos que enxergar a mudança gigantesca que vivemos. Eu era adolescente nos anos 1970 e 1980, quando a publicidade vendia uma marca de cigarros chamada Hollywood com o seguinte slogan: "O sucesso". As pessoas que apareciam naqueles comerciais eram atléticas, superbonitas. Aquilo significava sucesso, era uma mensagem muito direta. Hoje, isso não tem o menor espaço. As mídias não estão mais somente nas mãos do comercial de 30 segundos ou da primeira página da revista que estampava um maço de cigarros e alguém surfando numa onda gigantesca, com o slogan "O sucesso". Atualmente, existe uma representatividade muito mais ampla por meio da internet. Esse é um caminho sem volta. O cidadão participa mais, mesmo se levarmos em conta o baixo índice de acesso à rede - o que é relativo, porque no Brasil já se tem algo em torno de 60 milhões de internautas. Até o caboclo que vive a três horas de barco de Santarém, na Amazônia, é afetado pela rede. A notícia chega até ele numa velocidade como nunca chegou. Não porque ele acessa um site, mas porque o barco que vai até ele para levar gelo e sal leva também a informação que acabou de sair na internet.


Quando e como foi seu primeiro contato com a internet? (James H. Prado, São Paulo/SP)

Meu primeiro contato foi um susto. Ele aconteceu na década de 1980, quando ainda não se falava em computador. Eu fazia um curso de pós-graduação em cinema e televisão na NYU, em 1987, com uma bolsa de estudos da Fullbright. Em um departamento que havia nessa universidade, vi um dia caixas de computadores empilhadas, que eu não sabia o que eram. Fui bisbilhotar e descobri que nesse departamento havia um curso que estava ganhando muita força naquele momento, o Interactive Telecommunications Program. Não havia computador pessoal, só aqueles usados em universidades e empresas. Pedi a prorrogação da bolsa e fiz esse curso, em 1988, no qual tive acesso ao primeiro Macintosh. Eu levei um choque! A biblioteca da NYU já era totalmente on-line e nela podiam-se fazer pesquisas em rede, com cruzamentos, igual ao que se faz hoje com o Google. Eu passava horas lá fazendo cruzamentos de informações, para adquirir experiência e por perceber que aquela era uma ferramenta interessantíssima. Ao voltar para o Brasil, só conseguia conversar com pouca gente sobre essa rede. Tinha alguns amigos nerds naquela época, pois fiz engenharia na Poli [Escola Politécnica da Universidade de São Paulo], e só eles entenderam o que eu estava falando. Mudei-me para o Rio de Janeiro no começo da década de 1990, onde tive acesso ao primeiro provedor brasileiro, o da ONG Ibase [Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas], coordenada na época pelo Betinho [o sociólogo Herbert de Sousa]. O Ibase proveu acesso à internet ao público brasileiro, seus integrantes foram pioneiros. Meu primeiro e-mail foi da Alternex, o provedor de acesso do Ibase. Registrei esse endereço em 1992, logo no início, quando o serviço começou a funcionar.


Desde quando você usa o Twitter e como descobriu essa ferramenta? Você imaginaria que seria uma das pessoas mais seguidas no Brasil? (Bruno Daniel Puga, São Paulo/SP)

Nunca imaginei que isso fosse acontecer! Eu comecei a usar o Twitter em 2007. Quando surge uma ferramenta, eu sempre me registro e tento entender como ela funciona. Muitas delas não duram, mas as experimento e depois as esqueço. Percebo que algumas outras nasceram antes da hora, como o Second Life, no qual também me registrei e cheguei a usá-lo. Há ainda aquelas em que apostei muito que dariam certo e não deram, como o Joost, uma TV a cabo sem limites, de graça, na internet. Fui um dos primeiros a me registrar nele, mas não decolou. No caso do Twitter, sempre usei essa ferramenta muito intensamente, desde o começo. Em 2008, fiquei entre os três mais seguidos do Twitter brasileiro, o que foi um susto para mim, porque os outros dois são meganerds, que respeito muito, o Cris [Cristiano] Dias e o Carlos Merigo. Muita gente me pergunta como faço para ter tantos seguidores no Twitter. Penso que a gente imprime na rede a nossa experiência. Não há fórmula mágica. Às vezes, até se tem muita coisa para oferecer, mas não se sabe como. Talvez a linguagem não seja a mais adequada, ou a pessoa pode ser muito popular, mas a maneira como se comunica não é. O verbo da era em que vivemos é ouvir. Temos que aprender a ouvir, senão não sobreviveremos. Quando as pessoas me falam "você pauta, você traz notícias", digo que não. Só ouço com atenção o que me chega. Gasto muito tempo ouvindo e separando o que acho relevante. Não sou eu que sei de tudo, mas tenho uma rede poderosa de pessoas às quais ouço e respondo e que respeito. Eu me corrijo quando erro, brigo, debato, discuto... Acho que isso gera confiança nas pessoas para que me procurem e compartilhem informações comigo.


Até que ponto a utilização de redes sociais pode ser viável no desenvolvimento pessoal e profissional de uma pessoa, sem que ela seja prejudicada pelo excesso de informação e se perca no gerenciamento de sua "vida virtual"? (Daniel Medina, Jundiaí/SP)

Um bom termômetro são os olhos dos nossos filhos ou dos nossos melhores amigos. Para mim, o termômetro é a conexão afetiva. No dia que seu filho começar a achar que você é um idiota, é melhor tomar cuidado. Aliás, é melhor tomar cuidado antes disso. Não significa que dentro do computador mora um demônio, mas somos cobaias de uma fase de transição. É fácil ficar grudado nessa cola sedutora que é a conexão ultrarrápida. O que nos salva é que continuamos tendo de comer, dormir, cuidar do cachorro. Sugiro às pessoas: tenha um cachorro, um gato, de preferência filhos, namorados. Isso é o que importa no fundo. E as redes, meios de troca de informação, de imagem, devem servir a isso. Não é preciso separar uma coisa da outra. Há pessoas que falam: "Agora vou me desligar do computador". Isso é bobagem. Checar o Twitter, por exemplo, é muito rápido, não é uma violência.


O que você acha dos fakes [perfis falsos] espalhados pela internet, inclusive no Twitter? (Weslei Rodrigues, Antonio Carlos/MG)

Há dois tipos de fake. O primeiro é resultado de uma sátira, que pode ser muito legal. É o caso do Victor Fasano, o fake mais famoso do Twitter (@vitorfasano). Não é o ator real, todo mundo sabe disso, mas, sim, um personagem. Ele aborda a realidade pela ótica do Victor Fasano, faz comentários sobre tudo, o Lula, o Big Brother, a seleção brasileira, é genial. Acho que esse cara é um dos maiores comediantes do Brasil atualmente, e ninguém sabe quem ele é. Mas há um segundo tipo, que causa confusão no público. Já criaram fakes meus para oferecer ingressos para a gravação do CQC e para xingar pessoas. Quando há a conotação de falsear uma identidade, o público demora a perceber. E isso é crime. Há muita confusão devido à fase transitória em que vivemos. As pessoas acham que cometer tais ações na rede não é ilícito.


O impacto da incorporação da internet em aparelhos como celulares e TVs acarretará uma supervalorização da informação? (Adaildo Neto, Rio Branco/AC)

A informação sempre foi valorizada. Quem a processa ou a pesquisa tem poder, como os cientistas, os artistas. Eles detêm algo muito poderoso. O mesmo para quem detém a informação do espírito. Não é à toa o crescimento do número de igrejas, de terapias. Tem poder, também, aquele que procura aprofundar a informação. Ela não é mais um bem tão valorizado; o que tem valor é o conhecimento, que é como se aprofunda uma informação. Valem mais as conexões que se fazem entre os fatos do que os fatos em si. Muitos professores implicam com seus alunos por causa da internet, do celular. Eles deviam proceder de outra forma, pois têm uma chance raríssima de exercer apenas a função primordial de sua profissão, que é promover o debate, os insights, aprender junto, gerar o movimento do saber com seus alunos e não apenas trazer coisas para eles.


Como você analisa a prática do jornalismo no mundo contemporâneo e o diálogo dos profissionais da comunicação com as ferramentas modernas e com a sociedade? Percebe-se a pobreza de pautas, além da infinita reprodução de releases. Com tanta informação disponível a um clique, você acredita que os jornalistas estejam cientes de que seu papel está em processo evolutivo e que lhes será exigido mais apuração, mais pesquisa e mais riqueza em suas reportagens? (André Patroni, Campo Grande/MS)

Pode parecer paradoxal, mas creio que o jornalismo vive uma época de ouro. Apesar do sucateamento dos veículos de comunicação, há muita gente interessante que agora tem outros meios de fazer jornalismo. E há outras pessoas também interessantes que continuam a fazer o jornalismo tradicional. Podemos selecionar o que ler de uma maneira muito mais abrangente. O mundo está mais generoso com o talento das pessoas. Essa é mais uma característica dessa fase de transição de que falei há pouco. É uma transição que talvez não acabe nunca. Vivemos numa fronteira que não é e nunca será definida. Estamos em um novo estado permanente, um mundo, literalmente, mais etéreo, que escorrega, que não conseguimos pegar. Esse estado é, inclusive, mental, espiritual. Por isso, é importante a conexão pelo olhar, o contato com o outro e com você mesmo, com seu corpo. Hoje quase todos nós, invariavelmente, temos dores nos braços por ficar muitas horas em frente de um computador. É bom ouvir os sinais dados pelo corpo, pois tenho certeza de que daqui a cinco, dez anos a pauta da saúde vai ser uma pandemia de LER [lesão por esforço repetitivo].

Fonte: Revista Continuum Itaú Cultural

sábado, agosto 01, 2009

Comece agosto conhecendo a cultura da paraíba através do programa Diversidade




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Aproveite este final de semana e experimente trocar um pouquinho de canal para conhecer o programa DIVERSIDADE, exibido de segunda a sexta, às 13h00 e às 19h10, pela TV Itararé de Campina Grande (afiliada da TV Cultura). O Diversidade apresenta reportagens diárias sobre a cultura paraibana, com destaque para o que é produzido em Campina Grande e região circunvizinha.

Veja que interessante é assistir uma pessoa falando sobre a internet do ponto de vista de alguém que mora na Paraíba.

quarta-feira, julho 22, 2009

A liberdade no uso da internet




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


A liberdade quase ilimitada no uso da internet tem causado polêmica em vários setores da sociedade. É importante que os produtores culturais independentes reflitam sobre este tema.


Assista a entrevista com Gilberto Gil comentando este assunto:

sábado, fevereiro 28, 2009

O produtor cultural independente e a Web 2.0

Por Alê Barreto

O número de pessoas conectadas a internet aumenta a cada dia. Pensando nos diferentes impactos desta nova forma de comunicação sobre a cultura, acho que o produtor cultural independente deve entender um pouco mais o conceito de web 2.0.

Pesquisando este conteúdo na web, encontrei a tradução e adaptação do vídeo "The Machine is Us/ing Us", do professor de Antropologia Cultural Michael Wesch, falando sobre hipertexto, web 2.0 e mídia popular.



Este vídeo foi feito pelo Laboratório de Inclusão Digital e Educação Comunitária (http://www.lidec.futuro.usp.br) da Escola do Futuro da USP e produzido por Dani Matielo (dani.matielo at gmail.com) e Vivian Pereira (viviangper at gmail.com).

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

As vozes do mundo

Por Rodrigo dMart

O
Global Voices Online é uma rede internacional que reúne voluntários, editores e tradutores. Eles garimpam informações na blogosfera que - segundo informações do site - "iluminam locais e pessoas que outras mídias geralmente ignoram" e "trabalham para desenvolver ferramentas, instituições e relacionamentos que ajudarão todas as vozes, em todos os lugares, a serem ouvidas".

Nesse sentido, o GVO guarda certa semelhança com o portal Overmundo, só que a atuação é planetária. Além do inglês, francês, alemão, espanhol, chinês, japonês e italiano, os artigos são traduzidos em idiomas como o albanês, árabe, bengali, hindi, macedônio, malgaxe, persa, suáhili e, é claro, português.

O Global Voices Online faz parte do projeto
“global citizens media”, criado por iniciativa do Centro Berkman para Internet & Sociedade, da Escola de Direito de Harvard. Saiba mais sobre o GVO no Wikipédia (em inglês).

sábado, outubro 11, 2008

Criminalizar internautas é um erro


Lawrence Lessig


Reproduzido da Folha Online, 3/10/2008; título original “Criminalizar internautas é um erro, diz professor”


Na batalha pelo futuro dos direitos autorais, monopolizada pelos extremistas – de um lado, as indústrias da música e do cinema, que a tudo proíbe e a todos processa; de outro, os piratas, que tratam tudo como produto grátis – o professor Lawrence Lessig fica no meio.

Não estou com os abolicionistas do direito autoral, mas também não concordo com a criminalização de toda uma geração de internautas”, diz Lessig, ex-professor de direito na Universidade de Chicago (onde ficou amigo de Barack Obama, então professor-adjunto), hoje ensinando em Stanford.

Lessig é a figura mais respeitada e conhecida na questão de direitos autorais, graças à sua criação, o Creative Commons (CC), que é um meio-termo na questão do copyright: ele permite aos criadores de uma obra intelectual qualquer compartilhar sua criação com mais liberdade – por exemplo, licenciando a obra para uso gratuito, desde que sem fins lucrativos.

Lessig esteve em São Paulo na quarta-feira (1/10) para uma palestra intitulada “A Cultura do Remix” – tema de seu próximo livro, que sai no fim deste mês –, no evento Digital Age 2.0, onde conversou com a Folha.

***

O senhor disse em sua palestra que a atual geração não fala mais com palavras. Por quê?

Lawrence Lessig – Nos séculos 19 e 20, ser alfabetizado significava aprender a escrever, unir palavras para expressar idéias. O que vemos neste século é que as palavras são só uma forma de alfabetização e que há outras formas mais atraentes para os nossos filhos, como as imagens.

Os críticos dizem que isso leva a um “emburrecimento”.

L. L. – Não acho que seja verdade. A explosão do acesso [à informação] permite às pessoas terem mais conhecimento. Em 1970, se quisesse saber o histórico dos vice-presidentes dos EUA, teria que ir a uma biblioteca, e apenas uma em cada 10 mil pessoas fazia isso. Hoje, quando alguém quer saber algo, o acesso é instantâneo, mais e mais pessoas têm aprendido.

De resto, mesmo se fosse verdade, e daí? Não vivemos num mundo totalitário onde podemos parar essa forma de cultura e forçar a volta apenas à leitura de livros. Precisamos aprender a viver com isso.

A liberdade da internet costuma ser vista como algo inerente ao sistema. O sr. concorda?

L. L. – A liberdade da rede é produto de sua arquitetura, de seu código, e esse código pode ser mudado para que as liberdades sejam retiradas. E é do interesse das empresas e dos governos mudar esse design para restringir a liberdade. Por isso, organizações como a FSF (Free Software Foundation), de que já participei, são essenciais para pensar estratégias para evitar essas mudanças

Como o sr. vê o futuro do Creative Commons?

L. L. – Meu sonho é que o CC esteja morto em seis anos, que não seja mais necessário porque a legislação de direitos autorais se tornou racional. Mas, enquanto for irracional, mais artistas e criadores devem começar a usar as licenças do CC para ter seus trabalhos livres.

Não significa que todos vão usar, não espero que a Madonna passe a usar o CC tão cedo, mas antes de convencê-la vamos convencer gente suficiente de que o mundo não está dividido entre dois modelos extremistas, Hollywood numa ponta e os piratas na outra. A maioria dos criadores está no meio, espera alguma proteção.

Como o sr. vê iniciativas paralelas ao CC, como as do Radiohead e de Paulo Coelho, que colocaram suas obras de graça na rede?

L. L. – É importante que tenhamos muitas experiências, mas acho ruim quando esses criadores fazem algo que parece que apóia a liberdade, mas que, quando vemos os detalhes, não funciona assim. O Radiohead é um bom exemplo: lançou concurso para que os fãs criassem remixes das músicas. Mas, quando você lê a licença, descobre que a [gravadora] Warner fica com todos os direitos sobre os remixes criados.

O sr. tem um bom número de antagonistas. Há algo das críticas com que concorde?

L. L. – Já aprendi muito com críticos meus, como Jack Valenti, chefe da Motion Picture Association [a associação dos estúdios de cinema], uma das pessoas a quem dediquei meu último livro, Remix. Nós tivemos ao menos cinco conversas, e havia um tema que lhe era caro: as conseqüências que haveria para a geração de garotos que está crescendo levando a vida fora da lei [no que tange aos direitos autorais]. Achava isso bobagem, mas percebi que estava certo, e meu livro começa dizendo isso, que o grande problema é a criminalização dessa geração. É claro que discordamos quanto à solução: ele defende uma guerra mais eficiente contra nossas crianças, e eu espero que encontremos um sistema em que elas não sejam consideradas piratas.

Que mudanças podemos esperar nessa área, com o próximo presidente dos EUA?

L. L. – Os EUA têm tantos problemas maiores que não acho que o próximo presidente vá ter tempo para tratar de direitos autorais. Dito isso, e sendo um apoiador de Obama, acho que, se ele vencer, vai levar para o governo uma geração de pessoas sensíveis ao tema.

O sr. seria uma delas?

L. L. – Não acho que me ofereceriam um cargo e, como acho que eu não ajudaria, também não aceitaria.

O foco nos direitos autorais não deixa para trás um tema mais importante, o da democratização do acesso à rede?

L. L. – Concordo que essa é uma crítica justa. Mas o que levaria a uma democratização mais rápida da web? No Brasil, há um movimento significativo nessa direção, o projeto Pontos de Cultura, que foi lançado quando [Gilberto] Gil era ministro [da Cultura]. Mas o que as pessoas vão fazer quando se conectarem? Vão querer compartilhar, expandir essa cultura do remix, que está no cerne da cultura tradicional brasileira, para a era digital. O melhor que podemos fazer, então, é criar um ambiente favorável a esse tipo de cultura na internet.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Além das Redes de Colaboração




"Ao mesmo tempo que devora, digere e recria o telefone, o cinema, a televisão, os correios, o rádio e a indústria fonográfica, a internet se aproxima do sonho de Borges de uma biblioteca infinita, onde o saber humano está disponível ao alcance de um toque. O que fazer com tão imenso poder é a pergunta que definirá o nosso futuro. Esse livro é uma boa contribuição para o debate". Assim o cineasta Jorge Furtado apresenta a coletânea "Além das Redes de Colaboração: internet, diversidade cultural e tecnologias do poder".

O livro será lançado pela Editora da Universidade Federal da Bahia, no próximo 27 de agosto, quarta-feira, em São Paulo. Foi organizado pelos professores Sérgio Amadeu da Silveira (Cásper Líbero-SP) e Nelson Pretto (Faculdade de Educação da Ufba) como resultado de seminários realizados pela Casa de Cinema de Porto Alegre em parceria com a Associação Software Livre, ocorridos no segundo semestre de 2007, como parte do Programa Cultura e Pensamento do Ministério da Cultura.

Reunindo acadêmicos de várias áreas do conhecimento, ativistas e artistas, "Além das Redes de Colaboração" trabalha a contradição entre as possibilidades de criação e disseminação culturais inerentes às redes informacionais e as tentativas de manter a inventividade e a interatividade sob o controle dos velhos modelos de negócios construídos no capitalismo industrial. O livro pretende jogar luz sobre essas batalhas biopolíticas para decifrar as disputas sociotécnicas em torno da definição de códigos, padrões e protocolos.

Por isso, as tecnologias da informação e da comunicação foram avaliadas em suas dimensões mais importantes. As explicações nascidas da matriz do pensamento único, a qual procura esconder suas determinações histórico-sociais sob o discurso de uma racionalidade neutra, foram confrontadas com aquelas que pretendem dar transparência aos processos e politizar o debate sobre tais dimensões tecnológicas e sobre as históricas relações entre a ciência, o capital e o poder.

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"Além das Redes de Colaboração: internet, diversidade cultural e tecnologias
do poder"
Lançamento dia 27/08, quarta-feira, às 19h (logo após o Seminário de
Direitos Autorais e Acesso à Cultura do Ministério da Cultura)
Local: Auditório da USP Leste
Rua Arlindo Béttio, 1000, Ermelino Matarazzo, São Paulo.