Mostrando postagens com marcador planejamento de carreira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador planejamento de carreira. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, abril 22, 2011

Produtor Cultural Independente cria novo espaço de diálogo com pessoas interessadas em prestar serviços e gerenciar carreiras artísticas




Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


A partir de hoje o Produtor Cultural Independente aumenta o diálogo com as pessoas interessadas em prestar serviços de produção ou gerenciar carreiras artísticas.


Está no ar o blog www.aprendaproduzirumabanda.blogspot.com


A proposta é dar continuidade a troca de informações iniciada com a ação educativa "Aprenda a Produzir uma Banda" que vem sendo realizada no Distrito Federal e que também já foi realizada no estado do Espírito Santo.

A ideia básica é simples: sugerir primeiros passos.


Será um prazer compartilhar mais informações com você.



*********************************************************************************



* Alê Barreto é um administrador e produtor cultural independente. Trabalha com foco na organização e qualificação dos profissionais de arte, comunicação, cultura e entretenimento. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows, escreve para o site Overmundo e para a revista Fazer e Vender Cultura.

Ministra cursos, oficinas, workshops e palestras. Já atuou em capacitação de grupos culturais em parceria com o SEBRAE AC. Presta consultoria e assessoria para artistas, empresas e produtores.

Contato: (21) 7627-0690 Rio de Janeiro - RJ - Brasil




Alê Barreto é cliente do Itaú.


*********************************************************************************



O Produtor Cultural Independente gerencia os perfis das redes sociais da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC). Receba informações pelo Facebook e pelo Twitter

terça-feira, novembro 09, 2010

Vamos começar o aprendizado de trabalhar com planejamento?




Por Alê Barreto*


O planejamento, em geral, tem uma imagem distorcida, para grande parte das pessoas. Isso porque muita gente não se dá conta que, no fundo, no fundo, todo mundo planeja um pouco. Listinha de supermercado, relação de roupas para lavanderia, agenda, anotações em caderno. De uma forma ou outra, realizamos algum tipo de planejamento.

Na produção e na gestão cultural, a mesma coisa. Fazemos muitos tipos de planejamento. O curioso é que planejamos muitas coisas, mas damos pouca atenção para um planejamento que é fundamental: o nosso.

Aproveite que estamos iniciando o mês de novembro. Separe uns minutinhos e comece:

- O que funcionou?
- Que fatores contribuiram para atingir estes resultados?
- O que precisou ser mudado, adiado ou cancelado?
- Que fatores podem ter provocado isso?
- O que na sua opinião precisa ser fortalecido para o próximo ano?
- O que precisa ser melhorado para o próximo ano?
- Que redes de relacionamento precisam ser construídas ou ativadas para ampliar suas condições de trabalho?
- Que habilidades de negociação, comunicação e marketing precisam ser desenvolvidas?
- Como você está pensando sua presença digital saudável para 2011?
- Quanto tempo você irá destinar em 2011 para fazer a gestão de suas ações para atingir seus objetivos?
- Quanto tempo você irá dedicar em 2011 para estudar, viajar, estar com sua família, seus amigos e realizar seus hobbies?
- O que poderá fazer para contribuir com a melhoria da sociedade?


*********************************************************************************



* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto, divulga ideias contra o machismo no blog encantadoras mulheres e compartilha a experiência do método livre de produção de shows no blog "Aprenda a Organizar um Show".


21-7627-0690 (Rio de Janeiro)
alebarreto@gmail.com

sábado, janeiro 09, 2010

Tempo de aprender a disciplina de ter disciplina


A disciplina é um valor presente na cultura japonesa


Alê Barreto (produtor cultural independente)
Twitter


Chegou 2010. O ano passado, passou. Quem atua na área de produção cultural sabe que milagres não acontecem só porque durante o reveillon mentalizamos "no próximo ano será diferente".

Uma coisa eu garanto que é transformadora: a ação. E o potencial desta transformação é diretamente proporcional a qualidade, quantidade e intensidade desta ação.

Mas para que uma ação aconteça com qualidade, quantidade e intensidade necessárias é preciso que a gente aprenda a disciplina de ter disciplina.

Quando você assiste um espetáculo lindo de dança, você acha que o resultado desta ação cultural é fruto apenas de pensamento positivo? Quando você assiste um belíssimo concerto de piano, pensa que o pianista toca bem porque é um sortudo? Pensar coisas boas e ser premiado com oportunidades com certeza são ingredientes que muitas vezes podem fazer parte da trajetória destes artistas. Mas a disciplina de ensaiar por vários dias, meses ou anos determinados movimentos é que transforma um espetáculo. A disciplina de tocar milhares de vezes uma peça musical é que transforma a música que chega aos seus ouvidos.

O governo pode aumentar o orçamento destinado para a cultura. As gravadoras podem mudar sua forma de trabalhar com os artistas. O público pode começar a ter um olhar mais atento para a diversidade. Associações, ONGs e coletivos podem contribuir para mudar as relações do mercado cultural. Mas eu acredito que cada um, com disciplina, é o elo de uma grande rede de transformação.

O que temos à mão, mais próximos da gente, somos nós mesmos. Ouvi a Ivana Bentes, pesquisadora, professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ e Diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, falar durante um encontro do Movimento Re-Cultura que atualmente a pessoa física é o elemento fundamental da produção cultural brasileira. Outra pessoa neste mesmo encontro, utilizou a expressão ING (indivíduo não-governamental). Mas não adianta sabermos que somos uma potência sem expressá-la.

Descubra qual a maneira mais agradável e prazerosa de aprender a disciplina. Isso facilitará a elaboração e gestão do seu planejamento pessoal, do seu planejamento profissional, dos seus projetos e de suas ações culturais.

quarta-feira, julho 15, 2009

Selton Mello avalia sua carreira na reportagem da Revista Bravo




A revista Bravo do mês de julho traz uma entrevista com o ator Selton Mello, feita por Armando Antenore, com foto de Ludovic Carème.

O conteúdo é ótimo.

Destaco alguns pontos importantes:

- porque resolveu priorizar a carreira cinematográfica;
- preocupação com o seu sustento;
- geração de renda;
- reflexão sobre qualidade de vida: a chamada da matéria diz: "cuidei melhor dos personagens do que de mim. Protagonista de três filmes lançados recentemente, Selton Mello se consolida como o cara do cinema brasileiro e admite que, nos últimos anos, deu mais atenção ao trabalho que à saúde".




Vale a pena ler na íntegra.

sábado, julho 04, 2009

Eu preciso sentir prazer ao trabalhar com produção cultural


Epicuro (341-270 a.C.), filósofo grego que acreditava que o sentido da vida era o prazer



Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


No fim de junho comecei a pensar nos assuntos que iria abordar em julho. Falar sobre a importância que tem para mim sentir prazer ao fazer produção cultural me pareceu ser um bom começo para este mês.

Há duas formas básicas de se fazer produção cultural. Uma é trabalhar para fazer acontecer uma ou mais ações culturais, sem que necessariamente receba dinheiro por esta atividade. A outra é fazer acontecer uma ou mais ações culturais tendo que obrigatoriamente receber dinheiro, pois trata-se da profissão que é a fonte de sustento de sua vida.

Seja na opção "0800", gíria como chamam o que é gratuito aqui no Rio de Janeiro, ou na opção paga, trabalhar com produção cultural é uma escolha. E para esta escolha, podemos ter as mais diversas motivações.

Não julgo as pessoas pelo motivo que as leva a querer fazer produção cultural ou pelo fato de desejarem receber ou não dinheiro por esta atividade. Eu já fiz a minha escolha: produção cultural é minha profissão, pelo menos nesta etapa da minha vida. Para que seja minha profissão, preciso receber dinheiro. Não tenho vergonha e nem culpa desta minha decisão. Aliás, acho um absurdo a discussão recorrente entre as pessoas do meio artístico sobre a necessidade de se ganhar dinheiro. Alguém tem dúvida de que é preciso dinheiro para sustentar a vida de uma pessoa?

Mas há uma questão que me preocupa e que acredito ser importante pensarmos juntos: trabalhar com produção cultural não é sacrificar-se pela arte ou pelos artistas.

As atividades de produtor, administrador ou gestor cultural são recentes no Brasil? Sim. Não existe lei que regulamente especificamente estas profissões? Sim. O mercado está acostumado a contratar pessoas com pouca especialização para estas atividades? Sim. A maior parte da oferta de trabalho é informal ou para profissionais autônomos? Parece que sim. Há pouca oferta de ensino voltado a qualificação das pessoas que atuam nestas atividades? Sim. Tudo isso é verdade. E existem mais obstáculos. Mas isso não são evidências de que optar trabalhar nesta atividade signifique desejar sacrificar-se.

Você acha fácil a carreira de um policial? E de bombeiro? Você acha moleza ser professor? Você pensa que passar a noite acordado varrendo as ruas é uma tarefa simples? Já se imaginou trabalhando dentro de um presídio como agente penitenciário? Já pensou como é o dia-a-dia de quem trabalha num hospital numa unidade de tratamento de crianças com câncer? Você tem noção do que passa uma pessoa que trabalha como agente funerário? E as pessoas que trabalham em plataformas de petróleo em alto mar?

Citei alguns exemplos para que a gente possa visualizar com mais clareza a questão. Todas as profissões possuem dificuldades. Mas com o tempo, muitas pessoas ficam hipnotizadas com o seu cotidiano e tendem a pensar que a sua atividade é pior do que as outras. Invés de tentarem entender o seu momento de vida, justificam para si mesmas que aceitam resignadamente as dificuldades do exercício da atividade de produtor cultural por ser um "sacrifício necessário para que a arte e a cultura sobrevivam". Ledo engano. A arte e a cultura são inerentes ao ser humano e ambas estão em constante mutação. Queiramos ou não, onde existir um ser humano, lá haverá cultura e lá haverá algum tipo de arte.

Outra situação que considero absurda é dizer que se aceita péssimas condições de trabalho pela necessidade de alguém se sacrificar pelos artistas. Sinceramente, mesmo que muitos artistas passem por dificuldades econômicas, situação pela qual passam pessoas de quase todas as profissões, eles não são coitadinhos, não são miseráveis e, para espanto de muitos, não dependem de produtores. Pelo contrário, a maioria dos criadores culturais são pessoas privilegiadas, que podem exercer uma atividade que a grande maioria das pessoas sequer pode sonhar em fazer. Muitos inclusive tem habilidade de exercer sua atividade criativa, fazer sua própria produção executiva e administrar sua carreira. Prova disso é o crescimento do mercado cultural independente.

Assim, fazer produção cultural, para mim, precisa ser tão prazeroso quanto é prazeroso para um compositor fazer uma música. Fazer produção cultural precisa ser tão prazeroso quanto é prazeroso para um intelectual ler um texto. Fazer produção cultural precisa ser tão prazeroso quanto é prazeroso para um dançarino movimentar o seu corpo.

Sentir prazer no trabalho, para mim, é importante. Nunca aceitei que para trabalhar com produção cultural é preciso aceitar como normal estar estressado e trabalhando com gente estressada. Nunca aceitei que ser produtor cultural, que é uma profissão que eu escolhi, é esquecer o que eu estudei e estudo para concordar cegamente com orientações equivocadas, sem nenhum fundamento técnico, vindas de profissionais autoritários, sem formação, só porque possuem mais tempo de atividade do que eu. Nunca aceitei que trabalhar com produção é ter que tolerar produtores, técnicos e artistas mala sem alça "porque é assim na área da cultura". Nunca aceitei a visão reduzida de que ser produtor cultural é ser babá de artista ou digitador de formulário de leis de incentivo.

Adoeço quando o meu trabalho se converte somente em desprazer. Sabe qual é o termômetro? Perceber que não consigo "desligar" do trabalho: fico encanado tentando resolver, no meu tempo livre, problemas do dia-a-dia.

Para que eu sinta prazer no trabalho que eu faço, procuro, dentro do possível e dos meus limites, parar de tempos em tempos e avaliar o meu momento de vida. Perceber como estou, como estão as minhas relações com quem trabalho, como está o contexto onde estou realizando minha atividade. Mesmo que existam assuntos urgentes que pareçam impedir que eu dê uma parada para pensar, eu corro o risco. Dou uma pausa e penso. A pausa não é necessariamente parar de trabalhar. A pausa é priorizar usar o meu tempo livre para refletir e se o que estou fazendo eu quero para mim.

Por fim, o que quero para mim, por mais que eu goste, precisa de equilíbrio. Ser produtor cultural independente não pode ser uma neurose do tipo "meu trabalho ou minha carreira é tudo". Ser produtor cultural independente é aprender a me desenvolver numa atividade que dialoga com as outras atividades da minha vida. No meu ritmo.

sábado, junho 06, 2009

Carlos Eduardo Miranda dá dicas importantes para artistas administrarem suas carreiras



Carlos Eduardo Miranda/Imagem: Valéria Mendonça



Por Alê Barreto
alebarreto@gmail.com


Hoje, após retornar de uma sessão na Landromat, lavanderia próxima do Posto 9 onde levo as minhas roupas (e tinha muita coisa para lavar, nossa...), agarrei a revista Bravo de junho e dei uma olhada na capa: "o produtor Miranda diz que o download de músicas vai acabar". Fiquei curioso. Fui até a página 45 e li a entrevista.

Como boa parte do meu trabalho é voltada à pesquisa e difusão de conteúdos e experiências práticas voltadas a sustentabilidade de quem trabalha na produção cultural, concentrei mais minha atenção no trecho da entrevista que transcrevo abaixo:


Revista Bravo: Analisando o cenário atual, como você acha que um artista iniciante deve planejar sua carreira?

Miranda: Hoje existem mais possibilidades e condições de se iniciar uma carreira com autonomia. Só que isso traz junto mais responsabilidades. O artista tem de tomar conta do próprio nariz. Começa que a concorrência é enorme. O barateamento das tecnologias possibilitou que muitas pessoas passassem a produzir música. As pessoas têm estúdio em casa. Então, vá lá e faça. As carreiras têm de ser autogeridas. O artista tem de saber botar sua música na internet e saber brigar pelo palco. A equação é internet mais rua. Rua, que eu digo, é o cara assistir a shows, conhecer os lugares nos quais gostaria de tocar, conhecer os outros músicos da sua cena. O artista tem de ser público também. Não é mais o artista lá e o fã aqui. Você tem de pensar que tem uma loja. Por que as pessoas vão comprar na sua e não na outra? O artista está num mercado disputando a atenção das pessoas, uma atenção que é completamente dispersa. E os meios tradicionais ainda são importantes. O cara tem de tentar chegar ao jornal, chegar à rádio. Se for muito carismático, pode dar uma sorte e emplacar. Mas depender só de sorte e carisma, no mundo de hoje, não é viável. O cara tem de construir o caminho para decolar, se preocupar em ter um baita show. Daí é que virá o seu dividendo. Como o público já pega a música de graça na internet, ele só vai te dar dinheiro se quiser. É o conceito de amigo, que o MySpace usa muito bem. O artista tem de ser amigo do fã. Daí o fã vai pensar: "Esse aqui eu quero ver bem, esse faz um trabalho caprichado, vai levar o meu dinheiro".


A resposta do Miranda toca em aspectos úteis a serem pensados:


- você já percebeu que é importante definir se quer tocar como livre exercício de sua criatividade ou construir uma carreira profissional na música?

- você tem noção do que é construir uma carreira profissional?

- você entende que a vida de um artista não é apenas a visão romântica e aventureira que lemos nas entrevistas, releases ou biografias, que nela também existe competição?

- você parou para pensar que as novas tecnologias de comunicação, principalmente a internet, podem contribuir para você ter mais autonomia? Antes você precisava de muitos intermediários para que seu trabalho fosse conhecido. Hoje você pode fazer muita coisa antes de realmente ser obrigado a ter intermediários.

- você tem noção de que a música, no âmbito profissional, possui uma cadeia produtiva, onde várias atividades econômicas acontecem, relacionadas a produção, distribuição, comercialização e consumo. Quem é o consumidor da sua música?


Avalie estas questões. Esta reflexão irá contribuir com o seu aprendizado, com a organização e resultados do seu trabalho.





Leia a entrevista do Miranda na íntegra.


Ficou interessado?

Envie e-mail para alebarreto@gmail.com e receba mais informações.



************************************

* Alê Barreto (ou Alexandre Barreto) é administrador de empresas, gestor cultural, gestor de pessoas, gerente de projetos, empresário artístico, produtor executivo, consultor, criador de conteúdo, blogueiro, professor e palestrante. Concluiu sua formação em gestão pública em cultura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e o MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ). Gosta de desafios. Isso faz com que esteja aberto a convites, à novas oportunidades e a trabalhar em diferentes lugares. Saiba mais

Atualmente reside no Rio de Janeiro, é um dos gestores do Grupo Nós do Morro na comunidade do Vidigal e responsável pela implantação da área de Produção Cultural na Escola de Música da Rocinha.


+55 21 97627 0690 alebarreto@gmail.com

domingo, abril 12, 2009

Reinvente o que você faz


Chimbinha e os Paralamas do Sucesso. Foto: Kelly Fuzaro/MTV


Por Alê Barreto


Neste domingo, sentei num quiosque perto do Posto 9 aqui no RJ e comecei a ler as minhas revistas. Lá pelas tantas, peguei a Trip nº 175 e fiz uma imersão na matéria sobre o Chimbinha, guitarrista da banda Calypso.

Após finalizar a leitura, percebi que uma das minhas reflexões sobre como surgem as alternativas para continuar o trabalho no qual acreditamos estava certa. A necessidade fala mais alto que qualquer outra coisa. A carreira da maior parte dos profissionais da cultura que eu acompanho sempre avança em função das reais necessidades. Tudo o que construi até hoje na minha carreira teve origem numa necessidade.

Inúmeras vezes ouço artistas me falando que as coisas estão difíceis e que já fizeram muito pelo seu trabalho. Quando questiono o que é o "muito", as pessoas me falam que gravaram um CD, prensaram 2.000 cópias com patrocínio via alguma lei de incentivo. Me falam que divulgaram o trabalho (somente na época do show de lançamento) para umas 10 ou 20 rádios da sua cidade e estado e fazem uma média de 1 a dois shows todos os meses. Ai eu olho o padrão de vida dos caras, muitos deles classe média, classe média alta ou classe alta e concluo que ninguém tem coragem de investir no próprio trabalho. No fundo, não acreditam no que fazem e querem passar a investir no dia que o próprio trabalho começar a dar retorno.

Estas pessoas vivem procurando um produtor ou empresário que vai ser capaz de investir tempo, estrutura administrativa e dinheiro para divulgar um trabalho que elas próprias não dão o menor sinal que acreditam. Eu digo isso porque se o cara acredita realmente no que faz, ele aposta fundo nisso. Se você quer que algo aconteça, você tem que investir.

Se você acha que ensaiar alguns dias, quando o pessoal da banda "está a fim" é uma atitude que irá construir algo na sua carreira, eu peço que você lembre que o Chimbinha participou da gravação de mais de mil cds como guitarrista. Ele diz na reportagem que "tocava todos os ritmos que pedissem. E não gravava só aqui. Gravava em Recife, Fortaleza, Manaus. Eu fiquei de 90 até 99 no estúdio, gravando dia e noite sem parar. Entrava nove da manhã e saía às três da madrugada todos os dias".



Capa da revista Trip 175


Se você acha que pendurar uma música no myspace, facebook, etc, que é o que todo mundo faz, e ficar esperando alguém descobri-lo é a melhor alternativa, leia este trecho da reportagem:

"Pergunta: Em Belém existem as rádios de poste, que ficam tocando música em alto-falantes na rua. Eu ouvi dizer que elas foram muito importantes para vocês no começo da carreira. Como foi essa história?

Eu me emociono quando me lembro disso. Esses dias agora andando em Belém. passei numa rua e comecei a chorar. De felicidade, de alegria, mas também daquele sofrimento que eu passei no começo. A gente morava na Cidade Velha, num quartinho de quatro por quatro, só tinha uma cama e um fogão. Quando a gente lançou o primeiro disco, eu falei: tenho que parar de gravar como músico de estúdio para divulgar esse CD. Eu saía de casa cedo, às sete da manhã. Não tinha dinheiro pra comer, passava o dia tomando água. Também não tinha dinheiro para pegar ônibus, então ia a pé para as rádios. Se você visse as distâncias, ia ter pena de mim [risos]. Mas não tinha como eles tocarem a gente. Porque, pra tocar numa rádio, ou você está muito estourado ou então você tem que fazer promoção.

Pergunta: Pagar jabá?

Não chegava a ser jabá, porque não tinha grana. Era armar uma promoção com o diretor da rádio, por exemplo comprar mil camisetas pra sortear. Mas eu estava sempre liso. Não sabia mais o que fazer. Um dia, quando eu ia para casa, eu escutei essas rádios de poste tocando música. Aí tive um estalo. Passei
a divulgar nosso disco nessas rádios. Daí a cidade todinha começou a tocar a Banda Calypso nos postes.

Em menos de três meses, estavam todas as rádios normais tocando também. Porque as pessoas que ouviam no poste ligavam e pediam nossa música. Eu distribuí de graça 50 mil CDs do nosso primeiro disco, para loja, carro de som, rádio de poste, pro público. Aí a banda estourou no primeiro disco. A gente fazia show e não ficava com o dinheiro. Sobravam R$ 2, 3, 4 mil por semana, a gente fazia CD e dava pro povo.


Então, eu convido você a pensar se realmente acredita no que você faz, se você realmente quer viver da sua arte e o que você está fazendo para que isso se torne realidade.

Leia a reportagem na íntegra. Vale a pena. Parabéns para revista Trip, para o texto do Ricardo Calil, para as fotos do Julio Kohl e principalmente para o Chimbinha, Joelma e a banda Calypso.

domingo, dezembro 28, 2008

10 idéias para fortalecer suas ações culturais em 2009


Imagem: Gustavo Alves (www.bancodeimagem.com.br)


Por Alê Barreto

Faltam poucos dias para o ano novo. Acho importante neste período fazermos um balanço do ano, mas um pouco diferente do que geralmente se recomenda. Terminar o ano catalogando nossas experiências como "certas" ou "erradas" ou como "bem sucedidas" ou "mal sucedidas" reduz muito a visão do que pode ser a nossa vida.

Então, eu proponho que cada um escolha um jeito bem prazeiroso de rever o ano: tirar um dia inteiro na praia, fazer uma excursão para alguma cascata, passar um final de semana na casa de parentes que moram no interior, visitar amigos que há muito tempo não vê, etc. O importante é criar um ambiente agradável que você se sinta à vontade para perceber a beleza de sua vida.

Vá anotando em um papel, máquina de escrever ou computador os eventos e experiências que você considerou que foram mais importantes para o seu aprendizado, para sua evolução como profissional que atua em prol da produção cultural.

Procure agora ver que ações tiveram maior impacto, que contribuiram para você atingir ou se aproximar dos seus objetivos.

Feita esta análise, misture ao seu planejamento algumas idéias para fortalecer suas ações culturais em 2009:


Disciplina
Esta é uma característica que precisamos desenvolver durante toda nossa vida. Quanto mais exercitamos a disciplina, mais facilmente conseguimos utilizá-la em prol dos nossos projetos.

Não adianta escrever um pedaço do projeto num dia, parar e retomar o assunto daqui há dois meses. Tente escrever pouco a pouco, com mais frequência, até concluir.


Gestão do tempo e o ritmo de cada um
Um dos maiores obstáculos para um produtor independente é a dificuldade de lidar com o fator tempo.

Para que seus projetos comecem a fluir, é importante entender que todos temos ritmos diferentes. Ficar irritado que "os outros são muito lentos" ou chateado por que não consegue trabalhar na mesma velocidade da sua equipe pouco irá contribuir para que você consiga melhorar o seu desempenho.

É importante perceber qual é o seu ritmo e quais são os ritmos dos seus parceiros, para que você possa "dosar" quanto tempo cada um deverá destinar para a realização de um projeto.

Inicie o ano melhorando sua capacidade de prever o tempo necessário para a realização de suas atividades e conclusão dos seus projetos.


Comunicação
Seus parceiros entendem suas idéias? Os artistas que trabalham com você têm noção do que você está fazendo para potencializar as suas ações culturais?

Veja em que aspectos a sua comunicação pode ser melhorada.


Sustentabilidade
Em meu livro "Aprenda a Organizar um Show" eu falo no último capítulo: "procure sempre trabalhar em shows que contribuam para o seu sustento. A ansiedade gerada por dificuldades financeiras faz com que as pessoas desistam de trabalhar como produtores".

Isso se aplica a peças de teatro, espetáculos de dança e quaisquer outros projetos. É fundamental se organizar para ter sustentabilidade naquilo que você escolheu fazer.


Informação sobre o mercado cultural
Procure sites, revistas, livros e outras publicações que sirvam de referência para você avaliar o mercado cultural que pretende atuar.


Estratégia
Não pense somente no curto prazo. Desenhe um "passo-a-passo" de como pretende alcançar seus objetivos no longo prazo.

Se pretende ser um produtor cultural e viver somente disso, planeje como pode ir fazendo uma transição de sua profissão atual para a nova atividade.


Paciência
Mudanças importantes nem sempre acontecem do dia para noite. Entrar em pânico não irá ajudar em nada. Se você planejou algo para 2008 e não aconteceu, avalie, mude o seu roteiro, tenha paciência e invista novamente no que você acredita.


Qualidade de vida
Profissão nenhuma vale a pena se o exercício dela não lhe traz qualidade de vida.

Veja de que forma você pode trabalhar com a cultura em 2009 da maneira mais saudável possível. Um produtor deve sentir prazer pelo que faz.


Estude
Inicie o 2009 estudando. Para isso você têm à sua disposição: livros, revistas, conteúdos livres na internet, cursos livres, ensino à distância e ensino formal (fundamental, médio e superior).

Um produtor cultural independente precisa estudar para ampliar seu desenvolvimento.


Construa sua carreira
Trabalhar de forma independente é bem diferente do que ter um emprego comum. Como prestador de serviços, você precisa construir um portfólio com bons trabalhos, para que as pessoas tenham interesse em contratá-lo.

Construa uma carreira com trabalho, respeito, equilíbrio e que tenha a sua cara.


Um ótimo 2009 a todos!