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quinta-feira, agosto 04, 2011

Começar a fazer: o lugar para trabalhar está mais perto do que você imagina




Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Agradecimento pelo momento especial: ontem chegamos 600 seguidores do Produtor Cultural Independente. É um prazer e uma alegria muito grande estar em rede com um grupo tão criativo, diverso e de pessoas que acreditam que podemos construir nossos sonhos! Isso é um estímulo para que eu continue a compartilhar o meu aprendizado com todos vocês!

Muito obrigado!

Alegria, criatividade e esperança movem o mundo!


Vamos ao texto de hoje!

Terça passada, voltando do MBA em Gestão Cultural, sentei no ônibus e encontrei um jornal dobrado. Abri. A cobradora me perguntou: "é de hoje?". Fui ver. Era a Tribuna de Minas do dia 16 de julho. A cobradora fez uma cara do tipo "tá vencido".

Comecei a folhear o jornal, pois jornais e revistas diárias, semanais, mensais, etc., sempre tem conteúdos que podem ser lidos após a data.

Encontrei então na página 8 a seguinte matéria: "Estudo mostra redução da migração no Brasil. Rio de Janeiro e São Paulo deixaram de ser importadores e passam a ser exportadores de moradores". A percepção que temos sobre "o que é Brasil" está mudando.

No texto "Boa notícia: 73,3 % dos municípios brasileiros podem se desenvolver dinamizando a cadeia produtiva da cultura", comentei que de acordo com a publicação "Indicadores Sociais Municipais : Uma análise dos resultados da amostra do Censo Demográfico 2000", a maioria dos municípios possue até 20.000 habitantes. Então o Brasil não é só as grandes capitais. O Brasil é uma espécie de "arquipélago" onde a maior parte das ilhas são pequenos municípios de até 20.000 habitantes.

Então, me pergunto: "lugar para trabalhar é só no RJ e SP"? Que fique bem claro que o questionamento é para estimular a sua iniciativa, estimular você a começar a fazer. Adoro o RJ. Quero cada vez mais ir a SP. E quero que todo mundo entenda que criarmos redes de trabalho entre os municípios e dentro dos municípios é algo possível de fazer agora. Hoje. No curto prazo. Para começar, não é preciso primeiro ter que ser aprovado no RJ e em SP. Eu moro no RJ, mas comecei em Porto Alegre. Se arrumei trabalho no RJ no Grupo Nós do Morro, é porque o que realizei em Porto Alegre foi relevante.

Para que a quinta-feira fique mais produtiva e prazerosa, pare de procurar o "melhor lugar", a "cidade mais favorável", o "estado mais desenvolvido", para fazer o que você acredita, para exercer a sua criatividade. A maior parte das cidades do Brasil encontra-se na mesma situação.

O lugar para trabalhar está mais perto do que você imagina!

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* Alê Barreto é um administrador e produtor cultural independente. Trabalha com foco na organização e qualificação dos profissionais de arte, comunicação, cultura e entretenimento. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows, escreve para o site Overmundo e para a revista Fazer e Vender Cultura.

Ministra cursos, oficinas, workshops e palestras. Já atuou em capacitação de grupos culturais em parceria com o SEBRAE AC. Presta consultoria e assessoria para artistas, empresas e produtores.

Contato: (21) 7627-0690 Rio de Janeiro - RJ - Brasil


* O blog Produtor Cultural Independente está em atividade desde 2006. Possui mais 700 posts e links de seus conteúdos são enviados para 4.808 pessoas através de redes sociais. Faz parte da Rede Produtor Cultural Independente, uma rede de conteúdos composta pelos blogs Produtor Independente (592 seguidores), Blog do Alê Barreto (55 seguidores), Aprenda a Organizar um Show (32 seguidores) Aprenda a Produzir um Artista (16 seguidores), Encantadoras Mulheres (13 seguidores) e Aprenda a divulgar seu evento (2 seguidores).



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sexta-feira, abril 01, 2011

Consumo cultural pode ser compreendido a partir da noção de experiência




Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Semana passada conversei com o meu cliente Fábio Neves, músico do Pinho Brasil, que vejo muitas pessoas pensando suas ações no mercado preocupados apenas com a produção, distribuição e comercialização. Raramente ouço alguém falar sobre consumo nas áreas de produção e gestão cultural. Decidimos estudar o assunto.

Fábio deu o pontapé inicial. Nesta semana publicou em seu blog um post chamado "Experiência cultural: quais marcaram sua vida?". Nele Fábio fala sobre a troca que envolve o público e o artista e selecionou um vídeo muito interessante: 13.500 pessoas cantando na Trafalgar Square em Londres.

Hoje eu vou começar a falar sobre experiência também. Como minha formação é administração com ênfase em marketing, escolhi começar por este caminho.

Vejamos um pequeno trecho do texto postado no blog "Mundo do Marketing" (http://www.mundodomarketing.com.br) em 06/08/2009:

[início da citação]

"O Marketing de Experiências é a caracterização mais adequada ao tipo de relacionamento que começa a acontecer entre muitas empresas e seus clientes. Trata-se de um tipo de marketing no qual o cliente é convidado a viver uma experiência positiva em contato com o produto, os serviços, o ambiente e, principalmente, com as pessoas, pois o conceito de experiência está relacionado com sensações humanas. É conceito relativamente novo no Brasil, tendo sido já bastante utilizado em países como a Inglaterra, os EUA, França, Bélgica, Portugal, Alemanha, Japão, Austrália, dentre outros.

Segundo Brian Leavy, da Dublin University - Irlanda, Marketing de Experiência significa compartilhar alguma coisa com os consumidores. A mais importante idéia sobre o futuro da competição é a noção de que no mundo dos negócios a criação de valor vai acontecer de forma interativa, numa ação compartilhada entre empresas e clientes, muito mais do que na realização de simples trocas. Brian afirma, ainda, que as relações estão evoluindo de um foco nas empresas e nos produtos para um foco no cliente e na criação de experiências".


[fim da citação]

Questões para provocarmos nosso raciocínio:

- "relacionamento entre empresas e clientes" pode nas áreas de arte, comunicação, cultura e entretenimento ser pensado como "relacionamento entre artista e público"?

- de que forma podemos pensar produtos e serviços culturais que despertem a atenção pelo valor gerado pela sua interatividade?


Vamos pensar sobre isso? Assista o vídeo acima e veja que experiência interessante criada para um comercial da Volkswagen.


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* Alê Barreto é um administrador e produtor cultural independente. Trabalha com foco na organização e qualificação dos profissionais de arte, comunicação, cultura e entretenimento. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows, escreve para o site Overmundo e para a revista Fazer e Vender Cultura.

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terça-feira, dezembro 14, 2010

Estado do Ceará cria Instituto de Economia da Cultura para potencializar a cadeia produtiva cearense




Por Alê Barreto*


Na maior parte dos estados brasileiros (inclusive RJ e SP), ainda não é muito comum a cultura ser vista como negócio. Em função disso, raras vezes recebe espaço no editorial de um jornal. Na sexta-feira passada o jornal Diário do Nordeste deu destaque para a cultura em seu editorial ("Cultura como negócio") e no Caderno 3, com a excelente matéria "A arte como negócio", produzida por Mayara de Araújo, sobre o trabalho que a Secretaria de Cultura e a ONG Embaixada Social estão realizando no estado do Ceará.

No editorial, uma pista para todos que desejam trabalhar com cultura ou ampliar suas atividades:

"No mercado, entender seu próprio ofício não é o suficiente: é necessário, também, compreender o funcionamento do mercado. Para tornar-se rentável, o ofício deve tornar-se profissão e, assim, atender a certos padrões de atuação, atendimento e relação com clientes e parceiros".

Na matéria, um conselho importantíssimo de Jonhson Sales, coordenador do projeto "Instituto Economia da Cultura", que pode orientar empreendedores que estão buscando a sustentabilidade de suas ações:

"De imediato, não dá para atender a todos. Priorizamos grupos mais organizados, com mais tempo de atividade. Uma vez selecionados, criamos ferramentas para auxiliá-los. Os grupos estruturados podem mobilizar e ajudar outros. Essas pessoas não podem ficar na dependência nem da Secult, nem da Embaixada Social e muito menos de financiadores".

Leia a matéria na íntegra

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Começa amanhã o curso "Aprenda a Organizar um Show" em Porto Alegre



Através da parceria com a gestora cultural Janaína Magalhães e o apoio do Santander Cultural, começa amanhã a 11ª turma do curso "Aprenda a Organizar um Show".

A última turma do curso foi realizada na Unisinos e o curso já circulou pelos estados do RJ, DF, GO, AC e MG.

Como participar: entre em contato e faça sua inscrição com a Janaína Magalhães (51)9115-5321 ou janaina.cultur@gmail.com

Saiba mais

Agradeço a divulgação que está sendo realizada pela Porto Web, pelo Conselho Municipal de Cultura de Porto Alegre e pelo Observatório de Cultura da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre.

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* Alê Barreto é um administrador que gosta de arte, comunicação, cultura e entretenimento. Compartilha conhecimentos e suas experiências. Gosta de planejar e de meter a mão na massa. É também autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows.

Trabalha sua presença digital saudável nos blogs Alê Barreto, "Aprenda a Organizar um Show" e Encantadoras Mulheres.

Recomenda a todos que conheçam a Associação Brasileira de Gestão Cultural e o SEBRAE.


21-7627-0690 (Rio de Janeiro)


alebarreto@gmail.com

quinta-feira, agosto 13, 2009

Semana de Arte Moderna da Produção Cultural Independente


Cartaz anunciando o último dia da Semana de Arte Moderna de 1922


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Desde que comecei a atuar como produtor cultural, em 2003, me incomoda ver que a maior parte das discussões relacionadas a necessidade de desenvolvimento do mercado cultural brasileiro, quando propostas por pessoas no poder público que não tiveram acesso à educação para a produção cultural, acabam tomando caminhos muito próximos de interesses político-partidários.

Assim como há maus políticos que oferecem pratos de comida por votos, em espaços da geografia onde as pessoas vivem em condições de miséria, há maus funcionários e gestores públicos, que ocupam cargos em órgãos de cultura e aproveitam o poder de articulação que esta função lhes confere apenas para oferecer dinheiro público para gasto em eventos "culturais" em troca de fidelidade eleitoral e o silêncio para toda e qualquer crítica sobre a excessiva concentração do mercado cultural por parte de um grupo muito reduzido de empresas.

Aos poucos, fui percebendo que esta indignação, por si só, não leva a nenhuma mudança. Então comecei a colaborar com os recursos que tenho: escrever e publicar as minhas idéias, sugerir como as idéias podem ser executadas e compartilhar formas de mobilizarmos as pessoas para as mudanças.

Como produtor cultural independente, cada vez mais vejo a importância de dialogar e estar atento a diversidade de pensamentos, experiências construtivas e mobilizações políticas inteligentes que estão se desenvolvendo progressivamente em diferentes cidades do Brasil.

Esta semana está sendo uma espécie de Semana da Arte Moderna da Produção Cultural. Dia 11 de agosto de 2009, Secretários de Cultura, artistas e produtores de diversos estados, unidos em torno de um movimento intitulado Re-Cultura: a reforma da cultura brasileira foram à capital federal para entregar ao ministro Juca Ferreira um manifesto no qual reivindicam a criação de um marco regulatório para a atividade no país.

Reproduzo abaixo o manifesto na íntegra.


MANIFESTO

Por um marco regulatório específico da atividade cultural

O momento é agora !!!



Os artistas, produtores, coletivos, empresas, organizações, trabalhadores, gestores públicos e privados que atuam, nos mais variados elos da cadeia produtiva da cultura e que subscrevem o presente manifesto, propõem o desafio de juntar Estado e Sociedade num amplo debate focado na construção de um marco regulatório específico para a atividade artística e os múltiplos fazimentos culturais. Reconhecemos os esforços do Ministério da Cultura - MinC em colocar a atividade criativa no centro dos debates da construção de um novo modelo de desenvolvimento para o Brasil, o que implica, essencialmente, em reconhecer que as cadeias produtivas da cultura, estão produzindo novas relações de trabalho, geradas pela especificidade das atividades que dela fazem parte, bem como da sazonalidade do engajamento produtivo e diálogo de profissões (já reconhecidas) com o mercado e com as oportunidades de trabalho surgidas, entre outras atividades, da boa apropriação das linguagens artísticas como ferramenta educativa e de intervenção social. Motivo pelo qual, as questões levantadas por este manifesto, exigem esforços além daqueles possíveis ao MinC, sendo responsabilidade, também, de um conjunto de outros órgãos de governo e Estado que concorrem e/ou recorrem a produção cultural de diferentes formas, na qual, escrevemos, entre outros, os Ministérios do Trabalho, da Indústria e Comércio Exterior, da Fazenda, da Justiça, além dos órgãos de fiscalização e controle como a Receita Federal, o Tribunal de Contas da União e, os correlatos nas esferas estaduais e municipais. Como produtores de valores simbólicos e agentes da subjetividade lançamo-nos, com este manifesto, no compromisso de construir a utopia possível de gerar o debate como condição objetiva para que as artes e a cultural sejam vistas e apropriadas, efetivamente, como vetor de desenvolvimento, sobretudo, num momento delicado para o Brasil, em que, diferentes estruturas da República e modos de organização social vivem crises que, na verdade, não são dos tempos atuais e/ou das disputas políticas, partidárias e eleitorais, mas sim, conseqüências de um modelo estrutural que não adequado aos novos tempos, especialmente, quando nos reportamos aos novos tempos criatividade. Queremos "botar o dedo na ferida da cultura brasileira", com o objetivo de encontrar o remédio certo para curá-la, colocando-a e a todos nós, em condições regulares de um diálogo formal com a estrutura do Estado brasileiro, antes, porém, queremos (re)discutir esta estrutura.

Não buscamos uma discussão para alcançar privilégios, como os que historicamente, foram e continuam sendo oferecidos para um conjunto de atividades produtivas. Mas disputamos, sim, um tratamento diferenciado e adequado aos tipos de atividades que de dão forma a produção cultural e artística, que possibilite o cumprimento de nossas obrigações fiscais e tributárias, assim como gere o efetivo acesso a direitos e benefícios sociais a milhares de trabalhadores de arte.

Por esta razão, estamos dispostos a construir com a participação efetiva, do Poder Executivo, Legislativo e com os órgãos de controle os mecanismos que fortaleçam a atividade produtiva no campo da cultura como vetor de desenvolvimento do Brasil. Nós e, não mais sozinhas, as estruturas do Estado podem definir os paradigmas de desenvolvimento, pensado em sua dimensão mais atual de sustentabilidade, afinal nossa principal matéria prima e principal capital é a criatividade humana.

Reiteramos que reconhecemos os esforços do Governo Federal que, nos últimos anos, especialmente, no período marcado pela gestão do ex-Ministro da Cultura Gilberto Gil e do atual Ministro Juca Ferreira, possibilitaram vivenciarmos importantes processos para a atividade cultural brasileira, entre eles, a ampliação do financiamento público direto, com editais abertos à concorrência pública; com novos desenhos das políticas de investimentos social e cultural efetuados pelas empresas estatais, também através de editais públicos e mecanismos transparentes de acesso aos recursos de patrocínio que elas vêm destinando para estas áreas; assim como o reconhecimento a iniciativas de sujeitos produtivos da arte e cultura nos segmentos, estratos e territórios populares, investindo neles recursos que potencializam suas capacidades para articular as dimensões simbólica, cidadã e econômica do fazer artístico. Mas, ainda, há um temário pendente de reflexão e abordagem, no qual se inscrevem as dificuldades à quais nos submetem uma elevada carga tributária e fiscal e uma inadequada legislação trabalhista.

Estamos entre os que defendem o Plano Nacional de Cultura, que lança o país (ainda que tardiamente, ou seja, 25 anos depois que países como a Inglaterra criou estruturas de fomento e desenvolvimento da atividade criativa como fonte geradora de riquezas e desenvolvimento), no desafio de dar visibilidade, valorizar e apropriar a cultura como segmento estratégico do desenvolvimento econômico, social e humano. Mas, por outro lado, ancorados em números que colocam as atividades produtivas que têm como principal capital a criatividade humana, entre as que mais crescem em importância no PIB mundial, superando em pelo menos 4% todos os outros segmentos da atividade econômica, estamos certos de que este acertado caminho apontado pelo MinC, é tratado de maneira muito tímida por um conjunto de outras estruturas do Estado, especialmente, se quisermos efetivar políticas culturais promotoras de diálogos entre Cultura e Marcado, Cultura e Direitos Humanos, Cultura e Educação, enfim, cultura como eixo de desenvolvimento.

Percebemos que, ao mesmo passo em que o Ministério da Cultura tenha colocado o bonde no trilho certo, lançando o debate de Cultura e Desenvolvimento, a equipe econômica do governo impeça que o bonde pare nas estações das cadeias produtivas do mercado cultural. Vide a recente elevação da carga tributária das empresas de produção cultural que foram retiradas do Sistema Simples e dos pequenos trabalhadores, artistas, produtores e fazedores de arte, essenciais às cadeias produtivas de pequenos, médios e grandes orçamentos, que não foram alcançados pelos benefícios da Lei Complementar n. 128, de 19 de dezembro de 2008, lei esta que, entre outras disposições, possibilita a criação e regulamentação de um novo sujeito produtivo formal denominado Empreendedor Individual que, em parte, resolveria algumas das questões abordadas por este manifesto.

De acordo com informações postadas no "Portal do Empreendedor" do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, milhares de trabalhadores que hoje exercem suas atividades de maneira informal, se optarem pela legalização transformando-se em um Empreendedor Individual, poderão ter acesso a benefícios como: cobertura previdenciária; contratação de funcionário com menor custo; isenção de taxas para registro da empresa; ausência de burocracia; acesso a serviços bancários, inclusive crédito; compra e venda em conjunto; redução da carga tributária; controles muito simplificados; emissão de alvará pela internet; cidadania; benefícios governamentais; assessoria gratuita; apoio técnico do SEBRAE na organização do negócio; possibilidade de crescimento como empreendedor; e segurança jurídica. Além disso, é claro, o Estado em seus três níveis de gestão (municipal, estadual e federal) irão arrecadar de forma justa e humanizada as devidas contribuições e impostos destes trabalhadores, ampliando (em escala) a sua receita para realizar investimentos e arcar com as despesas das funções de governo. Este é um jogo legal!!! Um jogo que todo mundo ganha!!! Não é Estado e Sociedade se colocando em campos opostos, mas construindo alternativas para a formalização de inúmeras atividades produtivas, exercidas por hoje cerca de 11 milhões de trabalhadores em todo o Brasil, segundo a Agência Brasileira de Notícias.

Embora os mágicos, instrutores de música, instrutores de artes cênicas, instrutores de cultura em geral e promotores de eventos, sejam alcançados pelos benefícios da referida Lei, as atividades relacionadas à produção cultural e artística e a produção cinematográfica e de artes cênicas, foram textualmente excluídas dos benefícios da Lei, impossibilitando aos trabalhadores que atuam nos diversos elos das cadeias produção artística, não se valarem deste benefício.

Somos sabedores que a Lei destina-se a atividades produtivas não reconhecidas como profissões regulamentadas, o que, teoricamente, evidencia uma preocupação com a precarização das relações de trabalho. Mas, a verdade é que estão claras as dificuldades de se criarem vínculos trabalhistas com profissionais cuja atividade e utilização da mão de obra tem um caráter pontual e descontinuado, algumas vezes até excepcional.

Este é o verdadeiro quadro independentemente do que possa dispor toda a legislação tributária, fiscal e trabalhista vigente, que leva, de certa forma todos nós à informalidade e/ou à busca de saídas visando a manutenção das possibilidades de seguir trabalhando e produzindo. Por isso, oferecemos, diante de um quadro como este, a proposta de criação de um Grupo de Trabalho Interministerial – “RE-CULTURA: a reforma da cultural brasileira”com a participação dos mais variados segmentos artísticos e culturais do Brasil e especialistas das áreas fiscal, tributária e trabalhista, focado na construção de um marco regulatório específico para as nossas atividades.

Antes, porém, pretendemos contar com a sensibilidade e apoio dos poderes executivo e legislativo para a resolução célere de outras dificuldades e novas barreiras impostas ao desenvolvimento e fortalecimento das condições de trabalho e produção artística e cultural no Brasil: 1) a exclusão dos trabalhadores e profissionais das produções artísticas, das artes cênicas e cinematográficas dos benefícios da Lei Complementar 128/08 gerando à eles a possibilidade de escolha e qualificação como Empreendedor Individual; e 2) a revisão do tetos de tributação, retomando as condições das pequenas e médias produtoras se enquadrarem no sistema simples.

A verdade, embora, muitos não venham a público assumir a sua parcela de responsabilidade nesta discussão, é que empresas públicas e privadas, pessoas físicas e jurídicas dos mais diferentes setores da atividade econômica, o tempo inteiro pensam e constroem estratégias visando reduzir os impactos da carga tributária, fruto de uma prometida reforma tributária que nunca chega e, que, no caso específico do setor cultural, si agrava uma crise estrutural que precisa ser enfrentada como a ação mais imperiosa de toda a estratégia voltada para transformar a cultural como atividade estratégica e eixo importante do desenvolvimento.

Por fim e não menos importante é dizer que a atividade cultural, além de importante vetor de desenvolvimento é construtora de identidades, pertencimentos e meios, especialmente, nos últimos anos, de inserção sócio-produtiva, particularmente, de jovens, os que mais sofrem as dificuldades para encontrar espaços no mercado formal de trabalho cada vez mais estreito.

O debate está posto!!! O momento é positivo para darmos o ponta pé inicial num amplo debate, sem hipocrisias, demagogias e tentativas de criminalização dos sujeitos produtivos da cultural.

O momento é de um debate responsável e consequente para de vez por todas tornar os sujeitos produtivos da arte visíveis à luz da legalidade, mas um tipo de legalidade adequada à sua atividade, com consequências efetivas na afirmação e apropriação da cultura como campo estratégico para o desenvolvimento social, humano e econômico do Brasil.

E nestes termos, os subscritores, propõem aos Governos Federal, Estaduais e Municipais, bem como aos Poderes Legislativos, um debate sobre as questões trazidas por este manifesto, assumindo com eles o desafio de construir a saída desta crise estrutural da atividade produtiva na cultura. 04 de agosto de 2009.


Lista de Trabalhadores da Cultura:

1. MV BILL, cantor de rap, escritor e um dos fundadores da CUFA
2. ERNESTO PICCOLO, ator e diretor
3. ANTÔNIO PEDRO, ator e diretor
4. ALICE VIVEIROS DE CASTRO, atriz, diretora, conselheira CNPC/MinC
5. HAMIR HADDAD, ator e diretor teatral, Ta na Rua – Rio de Janeiro
6. CELSO ATHAYDE, produtor, fundador e coordenador da CUFA
7. FERNANDA ABREU, cantora
8. JUNIOR PERIM, produtor, militante cultural e coordenador do Crescer e Viver
9. ROGÉRIO BLAT, ator, diretor e roteirista
10. AURÉLIO DE SIMONI, iluminador
11. MARCUS FAUSTINI, ator e diretor
12. LUIS CARLOS NASCIMENTO, produtor, cineasta, coordenador do Cinema Nosso
13. JOÃO CARLOS ARTIGOS, ator, palhaço, diretor e produtor, diretor do Teatro de Anônimo
14. MÁRCIO LIBAR, ator, palhaço e diretor
15. RICHARD RIGUETTI, ator, palhaço e produtor cultural, diretor do Grupo Off-Sina 5
16. MARTA PARET, atriz e produtora
17. ERMÍNIA SILVA, historiadora e escritora
18. VINICIUS DAUMAS, ator, palhaço e coordenador do Crescer e Viver
19. CÚNCA BOCAYÚVA, professor universitário
20. DYONNE BOY, coordenadora executiva Jongo da Serrinha
21. VANDA JACQUES, diretora pedagógica da Intrépida Trupe
22. JOELMA COSTA, presidente da Associação de Famílias e Artistas Circenses
23. SÔNIA DANTAS, produtora cultural
24. PAULINHO FREITAS, compositor, músico e escritor
25. FERNANDA OLIVA PAIS, atriz e produtora
26. LÉO CARNEVALE, ator, palhaço e produtor cultural
27. LEANDRO OLIVEIRA, ator e produtor cultural
28. ANA PAULA JONES, atriz, pesquisadora e produtora cultural
29. FLÁVIO ANICETO, produtor cultural e coordenador do CPC Aracy de Almeida
30. CLEISE CAMPOS, atriz bonequeira e gestora cultural
31. MARCELO LAFFITE, cineasta
32. PAULO HUMBERTO MOREIRA, músico e produtor
33. BETO BAIANO, músico, cantor e compositor
34. BETO PÊGO, fotógrafo
35. TUCA CERÍCOLA, circense
36. DAVY ALEXANDRISKY, fotógrafo, videomaker, agente cultural
37. BIA ALEXANDRISKY, atriz e diretora
38. NINA ALEXANDRISKY, escultora
39. JAIME RODRIGUES, diretor, ator e produtor cultural
40. FABRÍCIO DORNELES, ator e produtor cultural
41. ANSELMO SERRAT, educador, produtor cultural e diretor circense
42. SEPEQUINHA, mágico, palhaço, diretor e produtor cultural
43. ANALISE CAMARGO GARCIA, atriz, diretora e professora
44. JOAO FRANCO, iluminador
45. HELIO FRÓES, ator
46. CAROLINA GUIMARAES CHALITA, atriz
47. SERGIO OLIVEIRA, produtor cultural
48. MARCIO SILVEIRA DOS SANTOS, ator, diretor e professor
49. CAIO MARTINEZ, ator e produtor
50. LUIZ CARLOS BURUCA, ator, diretor, produtor
51. ANDRÉ GARCIA ALVEZ, Será o Bendito?! Cia. de Teatro
52. VINICIUS LONGO, Vinnyl 69
53. FÁBIO FREITAS, palhaço e trapezista
54. JIDDU SALDANHA, mímico e cineasta
55. ANDRÉA CEVIDANES, Cia. Teatro Porão
56. ÉRIKA FREITA, palhaça
57. VALÉRIA MARTINS, criadora, produtora, figurinista
58. IERÊ FERREIRA, fotógrafo, músico e produtor
59. NATHALIA PIMENTA, produtora e cineasta
60. ELÁDIO GARCIA SÁ TELES, produtor, roteirista, diretor e produtor
61. MARIA AMÉLIA CURVELO, artista plástica e gestora cultural
62. ALEXANDRE SANTINI, ator e diretor, Tá na Rua - Rio de Janeiro/RJ
63. ROBSON BOMFIM SAMPAIO, Comissão Nacional e Paulista de Pontos de Cultura Digital/CNPq/MinC
64. ISMINE LIMA, atriz bonequeira
65. MATEUS GUIMARAES, fotógrafo, escritor e produtor cultural
66. GUILHERME REINEHR, dj e produtor musical
68. BETHI ALBANO, professora, compositora e cantora
69. JOÃO MARCELINO SURIBES, produtor e gestor cultural - Carapicuíba/SP
70. TAIS NASCIMENTO, artista visual, atriz e produtora cultural
71. IVAN CID, maestro e gestor cultural
72. ROSA RASUCK, analista cultural e artista plástica - Vitória/ES
73. ANA LOPES, diretora teatral, ES
74. LINO ROCCA, ator, diretor e produtor cultural
75. CASSIA OLIVAL, produtora cultural
76. ALEXANDRE LUCAS, artista visual, pedagogo, Coordenador Geral do Coletivo Camaradas/CE
77. LEONORA CORSINI, pesquisadora da Rede Universitária Nômade
78. RAQUEL MATTEDE
79. ELIANE LABANCA, produtora cultural
80. ELIZABETH NEGRINI, produtora cultural
81. CARRIQUE VIEIRA, ator e produtor
82. FERNANDA PASSOTI DE JESUS, coordenadora da Casa da Memória Pietro Tabacchi - Aracruz/ES
83. ARCILIO VIEIRA MALTA, ator, diretor, produtor e roteirista teatral
84. LAURA FRACASSO, coordenadora técnica da Instituição Pe. Haroldo
85. RAFAEL RODIRGUES, jornalista
86. RAQUEL DA CÂMARA GOLÇALVES PEREIRA
87. REGINALDO SECUNDO, músico e coordenador de artes cênicas do Instituto Quorum
88. ROMULO ROGRIGUES, professor - Vitória/ES
89. ALINE GUIMARÃES, atriz e poeta 90. LUIZ ALBERTO MACHO, escritor e compositor - Maceió/AL
91. PAULO FERNANDES, diretor da Cia Enki, pesquisador e bailarino - Vitória/ES
92. JULIANO AUGUSTO SILVA COSTA, ator, produtor, artista de rua e militante cultural 93. DANIELE RODRIGUES DA COSTA, atriz, contadora de história, artista de rua e militante cultural
94. MARIA RITA COSTA DA SILVA, diretora, historiadora, atriz, artista de rua e militante cultural
95. MARILUA AZEVEDO, musicista, produtora, artista de rua a militante cultural
96. EDMILSON SANTINI, ator, autor, cordelista, teatro em cordel
97. LENINE ALENCAR, ator, diretor de teatro, produtor e militante cultural
98. CRISTIANO PENA, ator, palhaço e integrante do Grupo Terceira Margem - Belo Horizonte/MG
99. ADAILTON ALVES, ator do Buraco d´Oráculo - São Paulo/SP
100. THIAGO MIRANDA FERREIRA, compositor, cantor e músico - VILA VELHA/ES
101. LEANDRO HOEHNE, do Balaio - Circo Intervenção - São Paulo/SP
102. BEL TOLEDO, diretora circense e produtora cultural - São Paulo/SP
103. ALBERTO MAGALHAES, ator e palhaço
104. ELINE MARIS, atriz, produtora cultural, arte educadora e economista - MG
105. AFFONSO MONTEIRO, malabarista, globista, circense - MG
106. EDINÉIA CONCEIÇÃO DE OLIVEIRA - produtora e assessora artística - SP
107. ADILSON MARIANO, bombeiro industrial - SP
108. ROBINSON DE SOUZA VICENTE, músico - SP
109. ANDERSON SILVERIO DE JESUS SILVERIO, educador físico/SP
110. VANESSA DA SILVA MARTINS, agente de saúde/SP
111. BRUNO OLIVEIRA, estudante de administração/SP
112. JEFFERSON MARIANO, estudante de administração e atleta/SP
113. TAHYR STEFANY ROSA GOMES CARDOSO, funcionária pública/SP
114. CARLA TELES BARBOSA, pedagoga/SP
115. LUCIANA OLIVEIRA CAMARGO, estudante de direito
116. RUBENS PILLEGGI SÁ, artista visual, escritor e mestrando em artes UERJ
117. RICARDO GADELHA, ator, palhaço e professor de teatro
118. MAIRANY GABRIEL, educadora e produtora cultura, Campinas/SP
119. AGNAL PEREIRA WANDERLEY, “Gigabrow”, arte educador, grafiteiro e produtor cultural, João Pessoa/PB
120. GUI MALLON, músico, escritor, produtor artístico e ativista cultural
121. LIZ MENEZES, produtora cultural, escrito e cineasta
122. DIOGO DIAS, Cia Circunstância Circo Teatro - Belo Horizonte - MG
124. RAFAEL MARQUES, ator, produtor e palhaço.
125. MARISA RISO, atriz, professora e palhaça.
126. CÍCERO SILVA, ator, diretor e palhaço
127. ROBERTO GONZAGA, ator e diretor teatral
128. GRABRIELA GÓES, musicista e produtora cultural
129. REGINALDO SECUNDO, ator, produtor e músico
130. JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA MONTEIRO, músico, produtor musical – Vila Velha/ES
131. ANA MARIA LEITE, turismóloga, musicista, zabumbeira do Trio Bacurau – Feira de Santana/BA
132. LAUDICEIA SCHUABA ANDRADE, militante da cultura/ES
133. ROBSON SANCHES, ator e produtor cultural
134. ANA CÂNDIDA, atriz e advogada, Rio de Janeiro/RJ
135. THAIS HELENA L.MOREIRA, professora, produtora cultural e pesquisadora da História do ES.
136. ALDO DEFINO, músico e produtor cultural – Mogi Mirim/SP

Lista de Organizações Culturais:

1. APTR – ASSOCIAÇÃO DOS PRODUTORES DE TEATRO DO RIO DE JANEIRO
2. CUFA – CENTRAL ÚNICA DAS FAVELAS – Rio de Janeiro/RJ
3. INTRÉPIDA TRUPE - Rio de Janeiro/RJ
4. TEATRO DE ANÔNIMO - Rio de Janeiro/RJ
5. CRESCER E VIVER – Rio de Janeiro/RJ
6. GRUPO OFF-SINA - Rio de Janeiro/RJ
7. CINEMA NOSSO - Rio de Janeiro/RJ
8. UNE - CIRCUITO UNIVERSITÁRIO DE CULTURA E ARTE
9. ABACDI - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ARTES, CULTURA E DIVERSÕES ITINERANTES
10. ESCOLA PERNAMBUCANA DE CIRCO - Recife/PE
11. PRATICÁVEL - Rio de Janeiro/RJ
12. SUA MAJESTADE O CIRCO - Maceió/AL
13. ASSOCIAÇÃO RAÍZES DA TRADIÇÃO - Recife/PE
14. CIRCO DUX - Rio de Janeiro/RJ
15. SAKULEJO PRODUÇÕES - Rio de Janeiro/RJ
16. CIRCO TRAPÉZIO - Niterói/RJ
17. ESCOLA LONDRINENSE DE CIRCO - Londrina/PR
18. CIA. MAIS UM - Rio de Janeiro/RJ
19. ESCOLA PICOLINO DE ARTES DO CIRCO - Salvador/BA
20. INSTITUTO DE ECOCIDADANIA JURITI - Juazeiro do Norte/CE
21. JONGO DA SERRINHA - Rio de Janeiro/RJ
22. TRUPE SHOW/ASAS DO PICADEIRO - Goiânia/GO
23. GRUPO MANJERICÃO - Porto Alegre/RS
24. GRUPO DE TEATRO NU ESCUTO - Goiânia/GO
25. TRUPE OLHO DA RUA TEATRO DE RUA - Santos/SP
26. INSTITUTO DE CRIANÇA CIDADÃ - São Paulo/SP
27 PROJETO LONA DAS ARTES - Campinas/SP
CIRCO DE PAPEL
OPERA PRIMA TEATRAL
ESCOLA DE CIRCO PÉ DE MOLEQUE - Terezina/PI
CUCA DA UNE - Distrito Federal
BATUCANTÁ
ESCOLA DE CIRCO ZOIN - Terezina/PI
CIA. BRASILEIRA DE MYSTÉRIOS E NOVIDADES - Rio de Janeiro/RJ
BAIXADA ENCENA - Nova Iguaçu/RJ
ASSOCIAÇÃO CULTURAL CANOA CRIANÇA - Canoa Quebrada/CE
ASSOCIAÇÃO MAIS GENTE - São Paulo/SP
CIRCO BAIXADA - Queimados/RJ
CIA DE TEATRO ARMAGDON
ROTARCT CLUBE DE BERTIOGA - FORTE
GRUPO TEATRO ANDANTE
CIRCO ÉBANO, São Paulo/SP
IRMÃOS BROTHER´S - Rio de Janeiro/RJ
PHÁBRIKA CULTURAL - MG
CIRCO ALOMA - MG
A.A.S.A.I. - ASSOCIAÇÃO DE ASSOCIAÇÕES SOCIAIS ARCO IRIS - Praia Grande/SP
DO BALAIO - CIRCO DE INTERVENÇÃO - São Paulo/SP
CIA FLOR NO PEITO – Rio de Janeiro/RJ
FÓRUM RIO ARTES CÊNICAS E ECONOMIA CRIATIVA – Rio de Janeiro/RJ
CIA.ENTROPIA DE PATIFARIA
INSTITUTO DE INCENTIVO À CRIANÇA E AO ADOLESCESCENTE DE MOGI MIRIM - SP

domingo, maio 03, 2009

Música Ltda. : o negócio da música para empreendedores


Foz do Rio São Francisco em Piaçabuçu/Foto: Oona Castro (RJ)


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Fazia um tempo que eu não entrava em um dos meus sites preferidos, o Overmundo. Quando cheguei na seção do meu perfil, me deparei com uma mensagem sugerindo que eu conhecesse um trabalho publicado no banco de cultura do site. Entrei no atalho indicado e tive a boa surpresa de encontrar "Música Ltda: o negócio da música para empreendedores". Trata-se do trabalho de conclusão do curso de Especialização em Gestão de Negócios de Leonardo Santos Salazar, realizado na Faculdade de Ciências da Administração da Universidade de Pernambuco.

Falo em boa surpresa porque este trabalho traz informações muito importantes para artistas e produtores culturais independentes que estão construindo a sustentabilidade de seus trabalhos.

Segue um breve resumo do autor:

O negócio da música faz parte da indústria do entretenimento, segmento que
movimenta bilhões de dólares em todo o mundo, superando a indústria automobilística em faturamento, ficando atrás apenas da indústria bélica. Artistas e produtores de pequeno porte não possuem conhecimentos e técnicas específicas para empreenderem seu próprio negócio ou para administrarem a própria carreira. Este trabalho procurou abordar os principais assuntos nas áreas de indústria da música, empreendedorismo, finanças e marketing. Procuramos apresentar os temas através de uma linguagem simples, utilizando exemplos concretos e fazendo observações críticas. A cadeia produtiva da música está baseada principalmente em dois produtos: o disco e o show. A queda nas vendas de discos transformou o show na principal fonte de renda dos artistas hoje em dia. O empreendedorismo surge atualmente como resposta ao desemprego, tanto para um recém formado de 22 anos de idade, como também para um recém demitido de 40 anos. Empreender significa realizar um projeto. O primeiro passo é elaborar o plano de negócio. É preciso controlar os custos, possuir uma margem de lucro competitiva e calcular os impostos envolvidos em cada operação para obter lucro com o negócio e longevidade na carreira artística. Nenhuma organização sobrevive no mercado sem um saldo final positivo. Vender discos nos shows é uma estratégia para auferir receita de dois produtos com uma única oportunidade. A internet é um meio para divulgar e vender música. É uma maneira de driblar as rádios comerciais e colocar os produtos disponíveis para todo o mundo, sem custos com estoque e comissão. Tudo isso é marketing. Na parte final do trabalho apresentamos um modelo de plano de negócio para uma banda de música. As informações inseridas no plano refletem a realidade do mercado brasileiro. O modelo de negócio elaborado está de acordo com as leis nacionais que privilegiam a microempresa e a empresa de pequeno porte.

Quem tiver interesse, pode estudar o trabalho na íntegra.

domingo, abril 26, 2009

Assista a palestra "Cenário Musical Independente e a Cadeia Produtiva" em São Paulo (SP)


Divulgação


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Aproveitando o embalo da dica sobre a palestra do Rodrigo Lariú, que irá acontecer aqui no RJ, aproveito para divulgar outra palestra muito interessante, que será ministrada em SP pelo Thiago Barizon, criador da Identidade Musical e da Baritone Records.


O que:

Cenário Musical Independente e a Cadeia Produtiva


Objetivos:

- Apresentar aos participantes como funciona o mercado musical e quais são as atividades executadas em cada estágio da produção;
- Apresentar os profissionais que se envolvem na cadeia produtiva musical;
- Introduzir os conceitos de “Plano de Carreira” e “Visão Estratégica de Carreira”;
- Clarificar as principais dúvidas referentes a direitos autorais, registros e afiliações;
- Passar dicas de comunicação, divulgação e promoção.


Público alvo:

Músicos, produtores, donos de casas de shows e demais interessados na cena musical independente.


Quando:

09 de maio, sábado, das 15h às 19h


Onde:

Ato Cidadão - Rua Barra Funda, 491 - Santa Cecília - São Paulo - SP


Quanto:

Palestra gratuita - vagas limitadas


Como chegar lá?

Mais detalhes sobre a palestra

sábado, março 21, 2009

Boa notícia: 73,3 % dos municípios brasileiros podem se desenvolver dinamizando a cadeia produtiva da cultura


Foto: Natália Barros

Por Alê Barreto

Muita gente não sabe, mas a maior parte dos municípios do Brasil são pequenos. De acordo com a publicação "Indicadores Sociais Municipais : Uma análise dos resultados da amostra do Censo Demográfico 2000", em relação ao conjunto dos 5 560 municípios existentes em 2001, observa-se que a maioria (73,3%) possuía até 20.000 habitantes.

Com exceção dos que estão localizados próximos das capitais, a maior parte destes municípios são o que chamamos de interior. Eu sou do interior. Moro atualmente no Rio de Janeiro, mas sou do interior. No interior, as atividades produtivas, ou seja, aquelas que geram renda, por questões históricas decorrentes do processo de desenvolvimento econômico do país, estão concentradas em sua maior parte no extrativismo, agricultura, pecuária, pesca e na indústria relacionada a estes segmentos. Logo após vem o comércio e serviços, que se desenvolve como consequência do crescimento dos setores mencionados.

Quer dizer que nestes municípios as atividades culturais não contribuem para a economia destes municípios? Não. O que ocorre é que as atividades culturais estão "diluídas" entre o comércio e serviços ou muitas vezes são percebidas somente como atividade filantrópica. Acrescente-se a isso o fato de que a TV aberta é o principal meio de comunicação que estas populações tem de conhecer outras realidades. Isso faz com que elas tenham contato com uma diversidade de ações culturais (shows, filmes, entrevistas, etc) que elas não vêem ao vivo no seu dia-a-dia. Isso as leva a pensar, muitas vezes, que na sua cidade "não há cultura" ou que "na sua cidade a cultura não é valorizada".

Ao invés de comparar a sua cidade com as capitais que você vê através da TV aberta, eu convivo a você mudar o parâmetro de comparação. Se você vive numa cidade de até 20.000 habitantes, você vive numa realidade próxima a de 73,3% dos municípios brasileiros. Ou seja, você não é minoria, você faz parte da maioria. Muita gente está na sua situação. Agora imagine o que poderia acontecer, se você que é maioria pensasse que muitas pessoas em sua cidade adorariam ver um programa de TV gerado em sua cidade, que as pessoas de sua cidade ficariam orgulhosas ao saber que pessoas de outras cidades lêem livros de escritores de sua cidade, escutam música produzida em sua cidade, vêem filmes que foram rodados em sua cidade, você continuaria a pensar que na sua cidade a cultura nunca irá se desenvolver?

Eu acredito que é preciso sensibilizar as pessoas em sua cidade para um assunto novo, que é a Economia da Cultura. Segundo o artigo do Sebrae "O Panorama do Setor do Brasil, as atividades de criação, produção, difusão e consumo de bens e serviços culturais representam hoje o setor mais dinâmico da economia mundial, que tem registrado crescimento médio de 6,3% ao ano (enquanto o conjunto da economia cresce a 5,7%).
Apesar de não haver informações totalmente sistematizadas sobre o seu impacto na economia brasileira, a cultura é responsável por aproximadamente 4% do PIB e é reconhecida como um eixo estratégico de desenvolvimento.

Uma excelente dica para começar a se familiarizar com o tema é assistir aos vídeos da entrevista de Ana Carla Fonseca Reis no programa "Opinião Minas", sobre os temas Economia da Cultura e Gestão Cultural.









É preciso que alguém, que pode ser inclusive você que está lendo este texto, comece a apresentar estes conteúdos para formadores de opinião que ocupam cargos de gestão no seu município, legisladores, pessoas que exercem liderança na iniciativa privada, para a importância de desenvolver o seu município através do fomento da cadeia produtiva da cultura. Isso significa investir o seu tempo produzindo encontros e publicações mostrando os benefícios de se destinar recursos financeiros para criadores e produtores culturais, centros culturais, centros de educação e formação de produtores culturais e técnicos de produção das artes, organizações de fomento ao empreendedorismo cultural, formação de críticos culturais, desenvolvimento do jornalismo cultural, turismo cultural, turismo ambiental e cultural, festivais regionais, artesanato e formação de platéia.

Para ampliar suas reflexões sobre de que forma o seu município pode se desenvolver dinamizando a cadeia produtiva da cultura, leia também o livro ECONOMIA CRIATIVA como estratégia de desenvolvimento: uma visão dos países em desenvolvimento

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Conheça o edital de seleção de novos empreendimentos da Incubadora do Instituto Gênesis da PUC-Rio



Por Alê Barreto

Dia 26 de setembro de 2007, tive a oportunidade de comparecer a audiência pública da Comissão de Economia e Desenvolvimento da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, para discutir o tema "economia da cultura". Na verdade, não fui discutir: fui aprender. Nesta oportunidade, pude assistir aos excelentes painéis apresentados por Paula Porta, assessora especial do ministro da Cultura e coordenadora do Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura, Ana Carla Fonseca Reis, autora do livro "Economia da Cultura e Desenvolvimento Sustentável – o Caleidoscópio da Cultura" e consultora da ONU em economia criativa, Valéria Barros, coordenadora de Cultura e Entretenimento do Sebrae Nacional e as questões apresentadas pelos colegas artistas e produtores culturais.

Durante esta audiência pública, sugeri a criação de uma incubadora cultural. Na época, até onde tenho conhecimento, ninguém presente na reunião tinha conhecimento do assunto. Nem eu. Me propus a pesquisar o assunto, mas como já era final de ano, pouco consegui avançar.

Recomendei que o assunto fosse verificado por outros membros do recém-criado Fórum Fórum Permanente de Economia da Cultura do RS. Verificando o relatório final das atividades desenvolvidas em 2008, vi que o assunto não foi adiante. Mas não dou o assunto por vencido.

Mesmo não estando mais no RS, tenho buscado difundir este tema para que seja multiplicado em vários estados e cidades brasileiras. Em 17 de junho de 2008 publiquei aqui o post "Conheça a Incubadora Cultural Gênesis da PUC-Rio", no qual consta um link para o artigo "Especificidades na Implementação de uma Incubadora Cultural".

Agora aproveito a oportunidade para divulgar que está aberto o edital de seleção de novos empreendimentos da Incubadora do Instituto Gênesis. As inscrições começaram dia 2 de fevereiro e se encerram dia 8 de março.

A Incubadora apoia empreendimentos inovadores nas seguintes áreas: Artesanato; Áudio, Vídeo e Mídia Digital, Automação, Design, Editorial, Educação, Energia e Petróleo, Entretenimento, Gestão do Conhecimento, Jóias e Acessórios, Logística e Geoprocessamento, Meio ambiente, Moda, Serviços Especializados, Tecnologia da Informação, Telecomunicações e Turismo.

Mesmo que você não possa participar desta edição, vale a pena conhecer o edital.

Se você trabalha em organizações privadas ou públicas de cultura, ou em organizações que estejam trabalhando para organizar melhor a economia da cultura em nosso país, tenho certeza que terá neste edital uma importante fonte de inspiração para propor ações com efeito multiplicador no médio e longo prazo. Chega de pensarmos a cultura somente no curto prazo.

Conheça os resultados desta importante ação cultural que está em andamento no RJ.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Mercado audiovisual e produção independente



Entrevista com Leopoldo Nunes, por Guilherme Jeronymo, publicada no site do Observatório do Direito à Comunicação


Leopoldo Nunes é um dos diretores da Agência Nacional de Cinema (Ancine), órgão responsável por regulamentar o mercado audiovisual nacional. Aos 41 anos de idade, o paulista passou pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, junto a Orlando Senna, e pelo cargo de Diretor de Patrocínios da Secretaria de Comunicação Institucional da Secretaria Geral da Presidência da República. Cineasta e antigo cineclubista, teve sua indicação à Ancine defendida pelo Ministro Gilberto Gil, e seu mandato expira em 2010. Tem ainda um histórico de militância nas categorias de base do cinema brasileiro, com duas passagens pela Associação de Documentaristas de São Paulo (ABD-SP) e duas outras pela ABD nacional, de onde foi para a diretoria do Congresso Brasileiro de Cinema, entre 2000 e 2002, e de lá para o Ministério da Cultura, no começo da gestão Gil.

Nessa entrevista, Nunes fala dos mecanismos utilizados pela Ancine para fomento à cadeia produtiva do cinema, do momento do cinema nacional, da relação entre a produção independente com a TV, de Ancinav e da digitalização das mídias audiovisuais.

Parece um feliz chavão dizer que o cinema nacional atravessa uma boa fase. Tal aquecimento, representado pelo número de produções, por seu reconhecimento internacional, pelo reconhecimento do público nacional e pelo aumento dos orçamentos das produções. Isso é só uma bolha, um momento, ou esse ritmo vai se manter?
Vai se manter, sim. Tanto o governo quanto o setor cinematográfico estão empenhados neste sentido. Tudo o que estamos vendo aí, que dá sustentação a este momento do cinema nacional, surgiu de uma relação entre o governo e o setor. Hoje o investimento anual, entre estatais, Ancine e Ministério da Cultura, através de editais e de leis de incentivo, está em torno de 200 milhões de reais. E neste universo, a produção é o melhor problema, pois hoje temos produção e agora o grande problema é a presença e circulação dos filmes nas salas. São necessárias agora políticas de difusão em parceira com a televisão aberta e fechada e o setor de vídeo, além de apoio às estruturas de distribuição e exibição de filmes em salas para levar o cinema nacional a um novo patamar.

Neste sentido, há também a novidade do aporte de recursos reembolsáveis para este mercado, através do BNDES. Por isso que este momento não só vai ser duradouro como é um momento de crescimento do mercado, tanto para os investimentos, diretos e indiretos, como através dos mecanismos criados para fomento, e também através das políticas, já discutidas, de fortalecimento da distribuição independente.

É possível “criar” um ambiente assim sem uma Ancinav?
Sim. É certo que nós estamos circunscritos à nossa competência de atuação, com atividades que dizem respeito ao auxílio à circulação, ao fomento e à fiscalização das atividades ligadas a produção de conteúdo audiovisual, em especial o cinema e atividades correlatas como a publicidade, mas é possível.

Em se definindo o que é o conteúdo brasileiro, em se definindo o que é produção independente, temos uma questão maior apenas que é a discussão da Lei Geral de comunicações, mas, dentro da nossa competência, é possível atuar e expandir bastante o mercado.

É possível expandir em um mercado que se sabe concentrado?
Sem dúvida há uma concentração muito grande de títulos, das majors, e uma briga muito intensa pelo espaço de tela. A gente tem de entender que as majors têm mudado sua estratégia no mercado mundial e que a gente tem de lutar por uma presença maior do nosso cinema.

Nós temos também de sair do cerco das duas mil salas, ampliar o mercado e aumentar a demanda por títulos brasileiros. Recentemente, dois ou três títulos distribuídos pelas majors tomaram todo o mundo. Ao mesmo tempo em que isto ocorre, há uma reação e as cinematografias nacionais têm se colocado contra isso. Nós estamos com uma produção consolidada, mas com uma série de distribuições aquém do que poderia ser feito. Mas, daqui até 2010 nós teremos uma participação crescente, também com o crescimento do mercado.

Vale mais para o Brasil tornar-se uma Bollywood ou uma Nigéria?
Nem uma coisa nem outra. O Brasil tem uma característica geográfica e nacional específica. No caso da Índia ela tem um grande mercado, também no Oriente, ali entre a própria Índia e todos aqueles “Istãos”, Curdistão, Paquistão, Afeganistão e afins. Ela tem uma característica própria, um nicho em uma grande região do planeta. No caso da Nigéria, é uma experiência nova, baseada na replicabilidade do meio digital e na ausência de uma indústria consolidada.

Aqui temos um setor audiovisual muito industrial mesmo, temos uma experiência própria, um grande mercado, mesmo com a escassez atual, as duas mil salas de exibição. À exceção do México, a América Latina tem uma organização que torna a produção local e a distribuição bem mais difícil do que no nosso caso. Nosso cinema é produzido ao modo da indústria ocidental, e temos potencial para atingir tanto o mercado interno e externo. A Argentina tem tido uma boa experiência internacional, mas falha ao atender o mercado local. Por isso que a nossa experiência é única. Como Gustavo Dahl diz, jabuticaba só tem no Brasil. É meio assim, a nossa experiência é muito própria, nós não pretendemos copiar nenhum outro modelo, pois nosso modelo é próprio, baseado em nossa própria história.

E qual a visão da Ancine em relação às políticas de financiamento e apoio do BNDES no setor, e como a agência pretende atuar em relação a este “reforço”? Investimentos como este são o sinal de que é possível vislumbrarmos uma estruturação do mercado cinematográfico nacional?

Contribuímos desde o começo para a formulação desta política, e o banco esteve muito aberto neste sentido. Nós só tínhamos fundos perdidos [investimentos que utilizavam fundos perdidos, com recursos que não voltam para os cofres públicos], através das leis de fomento, mas há setores que podem utilizar o capital de risco e nesse sentido são políticas absolutamente complementares, pensando as políticas do MinC, da Ancine, da Petrobrás e do BNDES.

Agora no BNDES até os produtores, com um bom capital, podem se servir de um recurso com risco, por terem certeza que poderão pagar, e toda esta cadeia de fomento está inserida no mesmo projeto, um projeto discutido também com os setores de TV e Cinema. Na TV, você tem ainda uma presença quase insignificante da produção nacional em cinema, mas há mecanismos que podem mudar isso, como a recente mudança em relação ao uso do artigo 1°a da Lei do Audiovisual ou o uso do artigo 3° da mesma lei pela TV. Há ainda ferramentas como o artigo 39, cada vez mais utilizado, para séries como Mandrake, que se tornou referência e produto de exportação. O imposto devido das empresas de TV também pode ser usado neste sentido, e as TVs têm procurado a Ancine no sentido de descobrir como adaptar seus modelos de negócios para utilizar estes impostos.

Esta aproximação das TVs é muito importante?
A presença do filme brasileiro na TV e no vídeo não chega, em valores, a 1% do total no setor. Em relação ao mercado de vídeo, primeiro temos de entender que foram mais de 10 anos sem um órgão regulador. Mas o setor de vídeo é um dos mais rentáveis da cadeia audiovisual, e o mercado explora esta rentabilidade, através da comercialização de produtos estrangeiros, que se apresentam com valores mais vantajosos para os distribuidores do que os produtos nacionais. É um mercado em que não há isonomia. Estamos estudando mecanismos que facilitem essa isonomia, ou então vamos ter de ficar sempre botando dinheiro em nosso cinema, que ficará espremido no mercado de salas de exibição, por falta de regulação e condições isonômicas de competição.

Que tipo de solução diminuiria esse afunilamento?
Algumas soluções: o fortalecimento do distribuidor brasileiro; um fundo setorial para subsidiar uma ou outra ação mercadológica, como subsídio a juros, que estamos tratando como benefício; e o diálogo com o mercado de vídeo, no sentido de facilitar a formação de pactos, e de uma regulamentação a partir destes pactos.

Leia a entrevista na íntegra

sábado, novembro 29, 2008

A Economia da Cadeia Produtiva do Livro


Conteúdo extraído do catálogo de livros do Instituto de Economia da UFRJ



Este trabalho, realizado entre março e outubro de 2004, reúne informações básicas acerca da economia da cadeia produtiva do livro no Brasil e no exterior. Ele resulta de uma encomenda feita pelo BNDES ao Grupo de Pesquisa em Economia do Entretenimento do Instituto de Economia da UFRJ, que alocou seus pesquisadores e consultores para o seu desenvolvimento.

Versões sintetizadas foram apresentadas em 2004 ao longo de diversos eventos promovidos pelas entidades empresariais ligadas ao livro, bem como na Casa de Rui Barbosa, no BNDES e no IE/UFRJ. Em todas as apresentações houve grande recepetividade e interesse diante dos dados e análises formuladas e especial demanda pela divulgação do trabalho como um todo, o que justifica a confecção desta síntese que ora vem a público.

Conheça o livro

quinta-feira, novembro 27, 2008

Um Livro em Turnê no Sul da Terra


Alê Barreto fez a turnê de lançamento de "Aprenda a Organizar um Show" no RS


Artigo de Rodrigo DMart publicado no site Overmundo


O produtor cultural Alê Barreto realizou entre os dias 14 a 17 de novembro a primeira turnê de lançamento do livro "Aprenda a Organizar um Show" no Rio Grande do Sul.

Foi uma pequena caravana que passou por três cidades (e um balneário) em quatro dias de viagem. Na estrada, o autor e os editores, Rodrigo dMart e Yara Baungarten, puderam entender melhor o significado do trabalho colaborativo e sentir um pouco do impacto do lançamento do livro. O projeto começou nas páginas do Overmundo e hoje se espraia de modo híbrido, virtual e real, pelo Brasil afora.



A primeira etapa da turnê aconteceu no dia 14, sexta-feira, em Pelotas, cidade-pólo da região sul, conhecida como a terra dos doces. Alê falou com músicos, produtores e alunos do curso de Tecnologia de Produção Fonográfica. O curso, em nível de graduação, está em seu primeiro ano de atividade e cumpre uma função de qualificação técnica na produção artística da cena local. A palestra aconteceu na recém inaugurada sala multiuso, no campus II do Centro de Comunicação e Educação, da Universidade Católica de Pelotas.



A viagem prosseguiu pela zona sul no dia seguinte, sábado, na praia do Cassino. No início da tarde, a primeira parada foi no Ponto de Cultura ArtEstação. O espaço, sediado em uma antiga estação de trem, abriga manifestações e oferece oficinas nas áreas de artes plásticas, artesanato e vídeo, além de disponibilizar uma lan-house para crianças e jovens do balneário.



Na sequência, sempre na companhia do produtor cultural Paulo Bastos, a trupe se deslocou para o StudioBeer,no centro da cidade de Rio Grande. Lá, o grupo encontrou, com grata surpresa, um espaço híbrido que reúne estúdio e bar, integrado com um sistema audiovisual que permite, por exemplo, que o público assista do bar o que os músicos executam no estúdio. Um espaço perfeito para rodadas de negociações, gravações e transmissões de música para a web.

Outro ponto alto deste encontro foi conhecer o trabalho da Associação das Micro, Pequenas e Médias Empresas de Rio Grande (AMPERG) que há dois anos atua na organização dos artistas rio-grandinos e no mapeamento destas atividades.

Leia o artigo na íntegra

quarta-feira, novembro 12, 2008

Palestras e sessões de autógrafos do livro "Aprenda a Organizar um Show" no RS em novembro


Foto: Paola Gatto Pacheco


O produtor cultural Alê Barreto faz turnê de lançamento de seu primeiro livro, Aprenda a Organizar um Show, entre os dias 14 e 17 de novembro.

Ele ministra palestra em Pelotas, no Curso de Tecnologia em Produção Fonográfica, no campus II da Universidade Católica, no dia 14, sexta-feira, às 18h30. E no dia 16, domingo, ele participa de sessão de autógrafos na 36ª Feira do Livro de Pelotas, às 18h.

Ainda na zona sul, no dia 15, sábado, Alê conversa com produtores e músicos no Ponto de Cultura ArtEstação, às 15h, no Cassino, e no StudioBeer, às 17h, em Rio Grande, ambas mediadas pelo produtor cultural Paulo Bastos.

Na segunda-feira, dia 17, é a vez de Porto Alegre. Alê Barreto fala sobre produção cultural e economia da cultura, na Palavraria, às 19h, com a presença do músico Moysés Lopes, da Camerata Brasileira e mediação de Rodrigo dMart, editor do livro e integrante da banda Doidivanas. Na seqüência, acontece sessão de autógrafos.

Todos os eventos têm entrada franca.


SOBRE O LIVRO

Aprenda a Organizar um Show é uma excelente fonte de consulta para músicos e produtores iniciantes, mostrando linhas guias de trabalho para os profissionais do mercado e gestores culturais.

A obra iniciou no blog do autor, em 2006, e foi publicada em fascículos no portal Overmundo, especializado em cultura brasileira, entre 2007 e 2008. Até setembro de 2008, os 28 capítulos disponíveis no portal registram cerca de 50 mil downloads.

Aprenda a Organizar um Show é o primeiro lançamento da Imagina Conteúdo Criativo, uma iniciativa editorial dos jornalistas Rodrigo dMart e Yara Baungarten, que também assina as ilustrações do livro. O projeto gráfico tem a autoria de Everson Nazari.


SOBRE O AUTOR

Alexandre Barreto é gaúcho, natural de Cachoeira do Sul (RS), bacharel em administração de empresas com ênfase em marketing (UFRGS). Atualmente trabalha como administrador cultural na ONG Nós do Morro, no Rio de Janeiro. Já atuou na produção executiva de shows, festivais e projetos musicais como Claro que é Rock, Ibest Rock, Acústico MTV Bandas Gaúchas. Além disso, prestou serviços para artistas da cena musical independente brasileira, como Pata de Elefante, Marisa Rotenberg, Angelo Primon, Bataclã FC, Monica Tomasi, Antonio Villeroy e Doidivanas.


SERVIÇO

Programação de lançamento de “Aprenda a Organizar um Show”

Dia 14/11 - Sexta-feira
18h30 - Centro de Educação e Comunicação - Sala multiuso
Campus II - UCPel - R. Almirante Barroso, 1202 - Pelotas

Dia 15/11 - Sábado
15h - ArtEstação - Av. Rio Grande, 500 - Cassino
17h - StudioBeer - Rua General Canabarro, 236 - Rio Grande

Dia 16/11 - Domingo
18h - 36ª Feira do Livro - Praça Cel. Pedro Osório - Pelotas

Dia 17/11 - Segunda-feira
19h - Livraria Palavraria - R. Vasco da Gama, 165 - Porto Alegre

A turnê tem apoio cultural de Jam Session Produções, ArtEstação e StudioBeer (Rio Grande / Cassino), Curso de Tecnologia em Produção Fonográfica / Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e imobiliária Requinte (Pelotas), locadora VideoTchê e Estúdio Top (Porto Alegre).


OUTRAS INFORMAÇÕES

Assista a uma entrevista com Alê Barreto

Saiba onde adquirir o livro

sábado, novembro 08, 2008

ReverberAÇÕES 2008



Conteúdo extraído do site Cultura e Mercado e do blog http://blog.reverberacoes.com.br/


De 12 a 16 de novembro, será promovida a 3ª edição de Reverberações, encontro que articula e integra pessoas que trabalham com processos coletivos de criação, espaços auto-geridos, iniciativas independentes, desenho cultural e gestão de projetos; ações e outras manifestações das práticas e pensamentos culturais da atualidade.

O encontro, que é aberto ao público e incentiva a participação de todos, pretende criar um bem comum, material e imaterial, decorrente de princípios como colaboração, cooperação, autogestão, autonomia e inter-independência.

Além disso, a idéia do projeto é criar um espaço/tempo de convívio que possibilite o compartilhamento de experiências e, através de dinâmicas coletivas, apontar os desafios que envolvem os processos coletivos de trabalho e criação. Durante o evento, esses temas serão levantados e aprofundados pelos participantes presentes visando um encaminhamento de estratégias para o aprimoramento das práticas coletivas. Para isso, serão realizadas atividades como a oficina de desenho cultural "Como ampliar o burburinho cotidiano – Gestão Cultural: Prática a partir das margens"; e a Conferência Intermediae com Suset Sánchez – Curadora da INTERMEDIAE/Madrid – ES, em parceria com o Centro Cultural da Espanha em São Paulo/ AECID.

Nos dias 12 e 13 de novembro, o encontro acontecerá no Centro Cultural da Espanha em São Paulo, que está situado na rua Martinico Pardo, 474, em Higienópolis – São Paulo. Já de 14 a 16 de novembro, o evento estará no espaço UMAPAZ – Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura da Paz, no Parque do Ibirapuera – Portão 7A – São Paulo.

Realizado nos anos de 2004 e 2006, o festival Reverberações integrou diversas iniciativas independentes que estavam acontecendo no Brasil naquele momento. A iniciativa reuniu representações de quase todos os Estados brasileiros, com participações da França e Argentina, sendo contemplado com o premio “Cultura e Pensamento”, programa do MinC, em Lógicas e alternativas para as dinâmicas culturais no centro da economia e da sociedade, para o seminário Ritmos da Urgência.


Saiba mais sobre a programação em http://blog.reverberacoes.com.br/


Conheça quem faz ReverberAÇÕES



Rede de Articulação: www.corocoletivo.org

segunda-feira, novembro 03, 2008

Conheça o Mapeamento Cultural que a AARCA realiza na zona leste de São Paulo



Conteúdo extraído da newsletter recebida da AARCA

AARCA segue com as inscrições que se encerram em novembro. Projeto, com parceria do Sebrae e patrocínio da Arcelor Mittal, promoverá seminários de empreendedorismo e oficinas técnicas para os artistas selecionados.

Os artistas da zona leste de São Paulo, interessados em promover seus trabalhos, devem se inscrever no “Mapeamento Cultural 2008”, realizado pela AARCA. A iniciativa faz parte do projeto “Feira das Culturas”, que está na sua terceira edição. As inscrições são gratuitas e contemplam diversas áreas, como artesanato, arte-carnavalesca, arte-visuais, dança, gastronomia, literatura, música, teatro, entre outras.

O Mapeamento Cultural criará um banco de dados com os projetos e artistas da região que participarão da seleção para as outras fases do projeto. “O objetivo é encontrar pessoas e locais que produzam ou vivam de sua arte”, comenta Moisés Vilas Boas, músico e fundador da AARCA.

Serão selecionados 152 grupos para participar de seminários e ciclos de capacitação promovidos pela AARCA e pelo Sebrae-SP. Eles ainda terão a oportunidade de divulgar seus trabalhos nas Feiras Livres das Culturas – Flics, que acontecem em praças e locais públicos.

Na etapa final, 51 grupos serão selecionados para participar do festival “Oqdifere” e terão seus trabalhos incluídos no catálogo do projeto “Feira das Culturas”. Esse material é uma ferramenta fundamental para a divulgação dos artistas ao mercado cultural.

A inscrições se encerram no dia 30 de novembro e podem ser feitas pelo site www.aarca.org.br . Nesse endereço também é possível assistir a uma animação feita para a divulgação do Mapeamento Cultural. Quem não tem acesso a internet pode retirar o formulário, com todas as informações necessárias, em uma das 12 subprefeituras da zona leste.

Mais informações pelos telefones: (11) 2917-0757 / 3624-2515.


Mais sobre a AARCA

Fundada em 2003, a Associação de Arte, Cultura e Educação Ambiental – AARCA tem a missão de promover o desenvolvimento das comunidades periféricas da zona leste, da cidade de São Paulo, consolidando a economia da região e fomentando a cidadania por meio da cultura e educação ambiental. A AARCA acredita no associativismo e no potencial do trabalho coletivo para a conquista de realizações sustentáveis.

Site: www.aarca.org.br


Mais sobre a Feira das Culturas

O “Desenvolvimento do Mercado Cultural da Zona Leste de São Paulo - Feira das Culturas - Edição 2008/2009” é um projeto aprovado pelo Programa de Ação Cultural do governo do estado de São Paulo – PAC, conta com a parceria do Sebrae- SP e o patrocínio da Arcelor Mittal, empresa renomada na área siderúrgica.

Em 2005, criou um banco de dados com 457 grupos envolvendo cerca de 2500 artistas. Desse total, foram selecionados os nomes que fizeram parte de um catálogo, apresentado ao mercado e ao público em geral para divulgação dos trabalhos.

Para conhecer um pouco mais do projeto “Feira das Culturas” assista o documentário disponível neste o link . Veja também o vídeo com o Sarau Pantanal realizado para promover o mapeamento. Esse material está disponível aqui

sexta-feira, outubro 31, 2008

Conheça o Porta-Curtas Petrobras



Conteúdo extraído do site www.portacurtas.com.br

O Porta-Curtas Petrobras é um projeto que visa não apenas trazer os melhores curtas-metragens brasileiros para a internet, mas também formar um painel representativo da produção nacional de curtas em termos de décadas, técnicas, tendências e elencos.

O Porta-Curtas Petrobras é pioneiro na internet nacional, pois todos os curtas disponíveis são exibidos em sua forma original, sem cortes, e os direitos autorais dos criadores são sempre respeitados.

A principal diferença entre o Porta-Curtas e os demais sites que exibem filmes é que o objetivo principal do projeto é promover os curtas também através de outros sites, garantindo assim uma difusão mais ampla.

Webmasters, editores e blogueiros podem escolher filmes que sejam adições interessantes ao conteúdo de seus sites e receber um link que permite que o curta seja exibido a partir deles. A disponibilização de links para outros sites é um serviço automático e gratuito para todos.



Saiba mais

quarta-feira, outubro 29, 2008

Estudo sobre a indústria cinematográfica brasileira


Imagem: Cleuber Oliveira Nunes

Conteúdo produzido pelo economista Felipe Ribeiro, publicado no site do Ministério da Cultura

O mercado cinematográfico brasileiro é caracterizado, assim como na maior parte dos países em desenvolvimento, pelo amplo domínio do produto importado americano. Diante deste modelo hegemônico, evidencia-se a dificuldade dos países periféricos para estruturar sua produção em busca de uma possível auto-sustentabilidade.

Além da concorrência com a globalizada indústria de produção norte-americana, a produção nacional encontra barreiras quase intransponíveis na distribuição e exibição dos seus filmes.

A partir dos anos 70, houve uma brutal queda do número de salas de cinema. O declínio se deve a fatores diversos, como o aumento do preço dos ingressos e a redução do poder de compra; a modificação dos hábitos de consumo, com a difusão dos shoppings centers; a profusão em massa da televisão; o aumento dos índices de violência, entre outros. Com o fechamento de cinemas de rua nas capitais e de estabelecimentos em outras cidades, o mercado ficou restrito, na sua maior parte, às grandes cidades e seus shoppings centers.

A partir de meados da década de 90, quando o Brasil tinha pouco mais de mil salas - na década de 70 superava as três mil salas -, o setor de exibição começou, lentamente, a dar sinais de recuperação com a entrada dos multiplex por operadoras estrangeiras. Esse fator aumentou a concorrência do setor, então praticamente estagnado, e forçou as empresas sobreviventes a buscarem a modernização das salas. Houve uma recuperação do mercado nacional balizado nos processos políticos, mas desta vez inserindo o filme como um produto audiovisual, dadas as necessidades do mercado e a possibilidade de recuperar seus custos ao longo da cadeia produtiva e de suas diferentes janelas de exibição.

Em todo o mundo, de um modo geral, apenas 25% da receita total de um filme vem da sua renda nas salas de exibição. Os outros 75% vêm dos chamados mercados ancilares (que correspondem às inúmeras formas alternativas de difusão que hoje conhecemos), sobretudo das televisões aberta e a cabo, mas também do homevideo, do laserdisc, do DVD e da crescente utilização da Internet e do futuro digital.A partir de 2000, com o advento da Lei do Audiovisual, houve uma retomada da produção de filmes de longa-metragem. A difusão, porém, ainda é uma questão complexa no Brasil. O Governo tem procurado estabelecer parcerias com as tvs aberta e a cabo, além da própria Ancine, no sentido de ajudar no aprimoramento da difusão de filmes nacionais. Conforme veremos, a participação do cinema nacional nas salas de exibição vem aumentando ao longo dos anos, assim como o público que assiste a filmes nacionais.

Com relação à geografia do setor cinematográfico no Brasil, o sudeste aparece como o principal centro produtor: o Rio tem 70% de captação, 66% dos filmes, e 68% do público; São Paulo 26%, 29% e 31%. Essa média diz respeito aos filmes realizados entre janeiro de 1996 e junho de 2003. Às vésperas de 2007, entretanto, essa tendência começou a se reverter, mesmo que de forma amena.

O Brasil possui uma sala de cinema para cada 105 mil habitantes. Essas salas estão normalmente concentradas em cidades com mais de 400 mil habitantes. As redes norte-americanas tendem a concentrar seus esforços de exibição em filmes do gênero blockbuster, restando aos mercados alternativos os chamados filmes de arte, que correspondem a 10% do mercado (2003).

Conheça o estudo completo