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segunda-feira, agosto 21, 2017

"Descobri que um legado que a gente deixa, não é das obras que a gente faz. É das coisas que ficam pra trás e que inspiram o que a gente fez".




Por Alexandre Barreto *


Na infância, imaginamos muito. Quando estava na praia, nas férias, imaginava como seria se alguém entrasse no mar e começasse a nadar. Será que a pessoa chegaria à África? Um dia, em 1984, olhando noticiário na TV, alguém havia feito algo parecido: Amyr Klink havia saído da costa da Namíbia e feito primeira travessia solitária a remo do Atlântico Sul. É isso que você leu mesmo: a remo. Fiquei fascinado. Quando se tem 12 anos, grandes feitos capturam a atenção dos adolescentes. E comigo não foi diferente. De forma recorrente, nos anos seguintes, muitas vezes me peguei distraído, pensando como teria sido esta aventura. Enquanto a maioria do meus amigos adolescentes sonhava em ficar rico, morar em mansões luxuosas, dirigir carros possantes, eu sonhava em um dia fazer alguma coisa tão interessante e cheia de experiências como essa travessia.

Apesar da admiração por esta viagem ao longo dos anos, não cheguei a ler o livro "Cem Dias entre o Céu e o Mar", no qual Amyr Klink relata esta viagem. Mas fiz algo que de alguma forma me manteve por muitos anos próximo de Amyr Klink, mesmo não o conhecendo pessoalmente, mesmo estando distante. Decidi sempre que possível assistir suas entrevistas na TV ou ler reportagens sobre o seu trabalho.

Uma grande oportunidade que tive de fazer isso foi em 2006. Na época, eu morava em Porto Alegre. Ao saber que Amyr Klink iria participar de um seminário na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, aberto ao público, lá fui eu para o Auditório Dante Barone.

Durante toda sua fala, Amyr Klink narrou suas experiências com muita naturalidade, sem autoelogios, exatamente o contrário do que  99% das entrevistas, textos e palestras sobre empreendedorismo, administração e gestão faziam. Mesmo com autoridade de alguém que até aquele momento já havia cruzado o Atlântico num barco a remo e dado a volta ao mundo nas águas da Convergência Antártica (fronteira entre as águas frias do Norte e as águas geladas da Antártica), sozinho, durante 141 dias no mar, Amyr Klink falou com muita humildade. Falou de seus erros, do que aprendeu com eles. Em nenhum momento falou ou sugeriu que a forma como trabalhava tinha origem em algum método próprio que garantia o sucesso de seus projetos. Reforçava sempre que a prática de cada projeto, cada nova experiência, dava início a um novo processo de aprendizado.

Lembrei de tudo isso após escutar hoje a entrevista concedida por Amyr Klink a Milton Neves no domingão esportivo da Rádio Bandeirantes. Amyr Klink segue dando grandes lições. Durante a entrevista, ao falar sobre a construção do barco a remo que utilizou para cruzar o Atlântico, Amyr Klink explicou que, num primeiro momento, estudou a história de quem tentou fazer a travessia e buscou projetar um barco estável. Contudo, a partir de um certo momento, desconfiou do conhecimento acadêmico, do conhecimento teórico e resolveu conversar com pescadores, mestres de botes cearenses, que projetam barcos sem GPS, que ficam 15 dias no mar. Pessoas que fazem embarcações que navegam em alguns momentos, mas que ficam muitos momentos sem navegar, projetadas para "fazer" e "não fazer". Ao perceber a importância do barco em alguns momentos "não fazer" o que foi projetado fazer, Amyr Klink não só conseguiu concluir o projeto da embarcação, como também aprendeu algo muito importante para sua vida:

"(...) Com os anos, essa história do "não fazer" foi me ensinando muito. Descobri que um legado que a gente deixa, não é das obras que a gente faz. É das coisas que ficam pra trás e que inspiram o que a gente fez".

Se você às vezes se sente ansioso, angustiado, preocupado que ainda não deixou um legado, uma grande realização para o mundo, pense na possibilidade de lançar um outro olhar para o seu não fazer, para as suas pausas, para o que está inacabado. Foi o legado das travessias não concluídas que inspirou Amyr Klink a fazer inúmeras travessias.


Imagem: Marcos Júnior Micheletti/Portal TT


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Site do Amyr Klink


Página de Amyr Klink no Facebook


Escute a participação de Amyr Klink no "Domingo Esportivo" da Rádio Bandeirantes



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* Alexandre Barreto é administrador pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (EAD/UFRGS) e MBA em Gestão Cultural pela Universidade Cândido Mendes (RJ) . Empreendedor que dissemina conhecimentos e atua em redes para promover mudanças. Escreveu os livros Aprenda a Organizar um Show e Carreira Artística e Criativa
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sexta-feira, setembro 02, 2011

Economia criativa: conheça o Brainstorm9, um site de produção cultural do século XXI


Vídeo mostrando as últimas inovações do Brainstorm9


Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Um dos primeiros livros sobre administração que eu li foi "Virando a própria mesa" do empresário Ricardo Semler. Isso foi em 1993, na época em que morei em Erexim, cidade da região norte do Rio Grande do Sul. Tinha terminado há pouco o curso técnico em mecânica. Você sabia que já trabalhei com manutenção de ônibus, projeto de máquinas, ISO 9000 e análise de métodos e processos, antes de trabalhar com administração e produção cultural?. Meus colegas não entendiam porque eu queria ler este livro. Não entendiam que eu não havia me limitado a "ser um técnico" só porque estudei um curso técnico.



Ricardo Semler também não se limitou a estudar administração só pelo fato de que ia herdar as empresas de sua família (Grupo Semco). Nem por isso deixou de ser administrador. Em seu livro ele fala que não quis estudar administração de empresas pelo fato de que "as técnicas de administração mudam muito mais rapidamente do que as escolas".

Na atividade de produção cultural, ocorre o mesmo. Em 2003, quando comecei, a visão inicial sobre a profissão era de que o profissional de produção cultural era uma pessoa que deveria ocupar 90% da sua atividade redigindo projetos para leis de incentivo, editais, buscar patrocínios e prestar contas.

De 2003 até hoje passam-se quase nove anos e boa parte dos cursos, professores, intelectuais e formadores de opinião nesta área ainda teimam em acreditar nisso. Produção cultural é bem mais do que isso.



Eliane Costa, Mestra em "Bens Culturais e Projetos Sociais" descreve em seu recente livro "Jangada Digital" que Gilberto Gil foi questionado, logo após sua posse como Ministro da Cultura, sobre quais seriam suas diretrizes da política cultural do novo governo. Ele respondeu: "a abrangência".

Esta também é a minha escolha: "a abrangência". Não limito as minhas competências para o trabalho na nova economia criativa nos dias de hoje porque algumas pessoas e empresas ainda não entenderam que podemos utilizar nossas múltiplas habilidades.

Uma das minhas habilidades é reconhecer a cultura onde muitas pessoas acham que não há cultura.

Nas últimas aulas da disciplina “Novas Mídias na Comunicação”, que estou cursando no MBA em Gestão Cultural, recebi uma excelente dica do professor Walter Romano (anotem esse nome).



Trata-se do Brainstorm9. Segundo informações do próprio site, "é um veículo online brasileiro independente que fala sobre criatividade e inspiração, seja na publicidade, internet, negócios, social media ou comunicação digital em geral".

Quer definição mais próxima do que é produzir cultura hoje?

Saia do mundo reduzido das infindáveis reclamações sobre as dificuldades de se produzir cultura no Brasil. Entre no Brainstorm9 (http://www.brainstorm9.com.br) e aprenda mais sobre o novo cenário da economia criativa, que é o ambiente da produção cultural no século XXI.


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O Produtor Cultural Independente está construindo a próxima turma do curso "Aprenda a Produzir um Artista" no Rio de Janeiro. É fácil participar. Inscreva-se!


Turma de Belo Horizonte (julho de 2011)/foto: Patrick Azevedo


Leia rapidamente informações sobre o curso e participe!



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* Alê Barreto é um administrador e produtor cultural independente. Trabalha com foco na organização e qualificação dos profissionais de arte, comunicação, cultura e entretenimento. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows, escreve para o site Overmundo e para a revista Fazer e Vender Cultura.

Ministra cursos, oficinas, workshops e palestras. Já atuou em capacitação de grupos culturais em parceria com o SEBRAE AC. Presta consultoria e assessoria para artistas, empresas e produtores.

Contato: (21) 7627-0690 Rio de Janeiro - RJ - Brasil


* O blog Produtor Cultural Independente está em atividade desde 2006. Possui mais 700 posts e links de seus conteúdos são enviados para 4.808 pessoas através de redes sociais. Faz parte da Rede Produtor Cultural Independente, uma rede de conteúdos composta pelos blogs Produtor Independente (592 seguidores), Blog do Alê Barreto (55 seguidores), Aprenda a Organizar um Show (32 seguidores) Aprenda a Produzir um Artista (16 seguidores), Encantadoras Mulheres (13 seguidores) e Aprenda a divulgar seu evento (2 seguidores).



Alê Barreto é cliente do Itaú.