Mostrando postagens com marcador sustentabilidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sustentabilidade. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, junho 17, 2011

Desenvolvimento institucional: o case da Santa Marcelina Cultura

Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Na última quarta-feira assisti a palestra "Desenvolvimento Institucional na Cultura", promovida pela Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC), que aconteceu na Universidade Cândido Mendes.



Na abertura do evento, a professora Kátia de Marco, coordenadora do MBA em Gestão Cultural ministrado nesta universidade, falou sobre a missão da Associação Brasileira de Gestão Cultural e o desafio de trabalhar para constituira cadeia de profissionalização da cultura.




Logo em seguida, Michel Freller apresentou o trabalho desenvolvido pela Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) e divulgou o Festival Latino-Americano de Captação de Recursos que irá acontecer de 15 a 18 de agosto.




Na sequência, Lucimara Letelier, coordenadora de cultura da ABCR, apresentou o trabalho da ABCR Cultura.




Terminadas as apresentações das associações promotoras do evento, passou-se para a palestra. Maurício Cruz, coordenador de desenvolvimento institucional da Santa Marcelina Cultura, mostrou em detalhes como esta instituição está trabalhando sua mobilização de recursos.

Pontos que gostaria de destacar na apresentação do Maurício Cruz:

- captação de recursos não é algo que só um captador deve fazer. Todos na instituição devem ser captadores, todos devem integrar esforços para aumentar as possibilidades de mobilizar recursos;

- é importante que a instituição conheça bem seus pontos fortes para oferecer retornos para os patrocinadores em projetos que aparentemente não oferecem retorno; trabalhar as transversalidades;

- envolver os stakeholders no projeto; criar ações que proporcionem experiências e o fortalecimento do relacionamento;

- todo o gestor cultural tem que ser captador de recursos.



Sugiro que todos conheçam o trabalho da Santa Marcelina Cultura. Uma prática de gestão cultural que merece bastante atenção. Um importante case de mobilização de recursos para a cultura.

*********************************************************************************

Cursos do Produtor Cultural Independente: programe-se!



Caros amigos, mais boas notícias!

Está a todo vapor a divulgação dos cursos "Aprenda a Organizar um Show" (25/06) e "Aprenda a Produzir um Artista" (26/06) em Belo Horizonte. Nossos parceiros do Letras e Ponto e do Galpão Cine Horto já estão divulgando. Faça sua inscrição!


Organização do curso "Aprenda a Organizar um Show" no Rio de Janeiro:

Mais uma pessoa se inscreveu! Agora somos 4 PESSOAS INSCRITAS + 3 PESSOAS que receberam informações sobre como podem efetuar suas inscrições.

Temos também 4 PESSOAS que MANIFESTARAM INTERESSE.

Não percam tempo! O curso está sendo oferecido no Rio de Janeiro sob demanda. Quando completarmos 10 PESSOAS INSCRITAS (formulário de inscrição corretamente preenchido e valor do curso de R$ 100,00 pago), iremos realizar o curso.

A nova data prevista é dia 02 de julho. Quer participar?

Manifeste seu interesse pelo e-mail alebarreto@gmail.com e seja atendido diretamente por mim, sem intermediários.


*********************************************************************************

Oficina de Produção e Gestão Cultural

Romulo Avelar, autor do livro "O Avesso da Cena", na minha opinião o melhor livro sobre a prática de produção e gestão cultural publicado no Brasil, estará no Rio de Janeiro ministrando uma oficina de produção e gestão cultural em julho. Veja neste link


*********************************************************************************



* Alê Barreto é um administrador e produtor cultural independente. Trabalha com foco na organização e qualificação dos profissionais de arte, comunicação, cultura e entretenimento. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows, escreve para o site Overmundo e para a revista Fazer e Vender Cultura.

Ministra cursos, oficinas, workshops e palestras. Já atuou em capacitação de grupos culturais em parceria com o SEBRAE AC. Presta consultoria e assessoria para artistas, empresas e produtores.

Contato: (21) 7627-0690 Rio de Janeiro - RJ - Brasil




Alê Barreto é cliente do Itaú.


*********************************************************************************



O Produtor Cultural Independente gerencia os perfis das redes sociais da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC). Receba informações pelo Facebook e pelo Twitter

quarta-feira, junho 15, 2011

Pacote de serviços inteligente oferece benefícios mútuos




Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Existem algumas práticas profissionais que precisam ser melhor organizadas no setor cultural brasileiro. Uma delas é a noção de "pacote de serviços".

O pacote de serviços se tornou uma verdadeira febre entre os contratantes de profissionais freelancers, autônomos, prestadores de serviços e pequenos empreendedores. Dois fatores contribuem para isso: busca de praticidade e redução de custos por parte dos contratantes e a dificuldade de apresentação e negociação de propostas de serviço por parte dos contratados.


Praticidade e redução de custos

Se uma pessoa tem um projeto, ao invés de ter que administrar quatro, cinco ou mais profissionais, procura escolher um prestador de serviços que faça todos.

Esta prática aumenta o poder de barganha do contratante, que argumenta:

"vou contratar você para vários serviços por vários meses".

E isso é verdade. Melhor que fazer um serviço aqui e outro acolá é ter uma previsão de vários meses de trabalho com a certeza de pagamento certo.

Tem contratante que esta utilidade lhe confere total poder sobre a barganha com os fornecedores e acredita que é a "fórmula mágica" para organizar sua produção executiva. Acredita até que este formato do pacote de serviços não tem riscos. Mas tem risco.

Um deles é o seguinte: quando se contrata alguém que "faz tudo", se esta pessoa interromper os serviços, seja pelo motivo que for, o contratante terá uma drástica interrupção na execução de seu projeto. Além de atrasar o seu cronograma de trabalho, poderá ter prejuízos maiores, se o tempo de espera para retomada do serviço for muito longo.


Dificuldade de apresentação e negociação de propostas de serviço

Esteja atento para propostas do tipo "estou pagando R$ 5.000,00 para você fazer tudo". Sempre especifique em detalhes "o que faz parte" e "o que não faz parte" deste tudo. Muitas vezes a relação custo/benefício de "fazer tudo" não contribui para o seu desenvolvimento profissional.

Para mim, o bom pacote de serviços não é o pacote que oferece maior quantidade de serviços ou maior montante de dinheiro.

O bom pacote de serviços é o que oferece maior valor e opções de benefícios mútuos. A era do serviços de baixa qualidade e da exploração dos profissionais de arte, comunicação, cultura e entretenimento está com os dias contados.

Olhe a placa acima. Parcerias e negócios tem que ser "mão dupla".


*********************************************************************************



* Alê Barreto é um administrador e produtor cultural independente. Trabalha com foco na organização e qualificação dos profissionais de arte, comunicação, cultura e entretenimento. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows, escreve para o site Overmundo e para a revista Fazer e Vender Cultura.

Ministra cursos, oficinas, workshops e palestras. Já atuou em capacitação de grupos culturais em parceria com o SEBRAE AC. Presta consultoria e assessoria para artistas, empresas e produtores.

Contato: (21) 7627-0690 Rio de Janeiro - RJ - Brasil




Alê Barreto é cliente do Itaú.


*********************************************************************************



O Produtor Cultural Independente gerencia os perfis das redes sociais da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC). Receba informações pelo Facebook e pelo Twitter

segunda-feira, junho 13, 2011

Associação Brasileira de Gestão Cultural promove na próxima quarta palestra sobre desenvolvimento institucional na cultura




Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Amigos, como vários já sabem, eu faço parte da equipe de comunicação e relacionamento da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC). Muitos já devem ter recebido convites meus para ingressarem nas redes do Facebook e Twitter da ABGC, que estou gerenciando.

Hoje quero dar um destaque especial para uma ação cultural e educativa muito importante que a ABGC está organizando e que irá acontecer esta semana.

Trata-se da palestra "Desenvolvimento Institucional na Cultura". Nela serão abordados os temas captação de recursos de empresas, pessoa física e fundações, “Modelo OS”, sustentabilidade, parcerias internacionais, posicionamento institucional, comunicação e estrutura organizacional.

Estes conteúdos serão apresentados por Mauricio Cruz, coordenador de desenvolvimento institucional da Santa Marcelina Cultura. Mauricio é pós-graduado em Gestão Cultura pela Universidade de Barcelona, com atuação na Osesp e Festival de Cinema Independente de Barcelona.

O encontro será mediado por:

Lucimara Letelier – Diretora da Artefoco/mcBrasil, consultoria em Desenvolvimento Institucional para organizações culturais e sociais. Mestrado em Administração das Artes, pela Universidade de Boston (EUA), coordenadora da ABCR Cultura.

Kátia de marco – Coordenadora do Programa de Estudos Culturais e Sociais – UCAM. Presidente e fundadora da Associação Brasileira de Gestão Cultural.

Este importante evento terá ainda a participação de Michel Freller – ABCR, Monica Toyota – Santa Marcelina Cultura, e outros membros da ABCR Cultura, ABCR Rio, ABGC.

Eu vou estar lá.

Anotem nas suas agendas:

Palestra "Desenvolvimento Institucional na Cultura"
Quarta-feira, 15 de junho, 19h
Universidade Cândido Mendes
Rua da Assembléia, 10, 42° andar
Salão Marquês de Paraná
Entrada franca

Promoção:
PECS – Programa de Estudos Culturais e Sociais
Associação Brasileira de Gestão Cultural


*********************************************************************************

Dica imperdível para hoje no Rio de Janeiro: UFRJ recebe George Yúdice

O Fórum de Ciência e Cultura (FCC) da UFRJ recebe, na próxima segunda (13/06), às 17h30, o professor George Yúdice, da Universidade de Miami, que ministrará a palestra "Possibilidades da arte e viabilização da cultura". Na atividade, que marcará a reabertura do Salão Pedro Calmon, acontecerá também o lançamento dos novos volumes da coleção Passagens e do novo site do FCC-UFRJ. O evento está previsto para ter início às 17h30.

Yúdice, Ph.D pela Universidade de Princeton, é especialista em política cultural, globalização e processos transnacionais, organização da sociedade civil, entre outros. O evento tem apoio do Banco do Brasil, da Superintendência Geral de Administração e Finanças (SG6) da UFRJ e da Fundação Universitária José Bonifácio.

O Salão Pedro Calmon fica no segundo andar do Palácio Universitário da Praia Vermelha. O endereço é Avenida Pasteur, 250, Urca.

*********************************************************************************



* Alê Barreto é um administrador e produtor cultural independente. Trabalha com foco na organização e qualificação dos profissionais de arte, comunicação, cultura e entretenimento. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows, escreve para o site Overmundo e para a revista Fazer e Vender Cultura.

Ministra cursos, oficinas, workshops e palestras. Já atuou em capacitação de grupos culturais em parceria com o SEBRAE AC. Presta consultoria e assessoria para artistas, empresas e produtores.

Contato: (21) 7627-0690 Rio de Janeiro - RJ - Brasil




Alê Barreto é cliente do Itaú.


*********************************************************************************



O Produtor Cultural Independente gerencia os perfis das redes sociais da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC). Receba informações pelo Facebook e pelo Twitter

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Aprenda a pensar sobre como cobrar de forma digna a realização de seu trabalho


Ilustração: Renato Moll


Por Alê Barreto*


Você sabe quando deve ou não cobrar pelo seu serviço? Você sabe quanto deve cobrar pelo seu trabalho?

Na teoria, todo o trabalho deve ser remunerado, com exceção do trabalho voluntário. Mas as práticas (ainda) existentes no setor de cultura e entretenimento mostram que trabalhar de graça ou quase de graça é algo mais comum do que se imagina.


Quem trabalha de graça ou quase de graça?

Em geral, quem trabalha de graça ou quase de graça em projetos culturais, festivais independentes, mostras artísticas, shows, espetáculos, etc são pessoas que não precisam de remuneração destas atividades para sua sobrevivência. Voluntários, estagiários, simpatizantes da cultura que possuem emprego em órgãos públicos e ONGs, integrantes de coletivos de cultura, profissionais das mais diversas áreas que esporadicamente ajudam a acontecer uma ação ou projeto cultural e pessoas que além de sua carreira profissional escrevem, tocam, pintam, filmam, etc.


E quem precisa da remuneração para sobrevivência também trabalha de graça ou quase de graça?

Sim. Isso ocorre basicamente por um (ou mais) destes cinco motivos:

- trabalhar com medo de dizer não, acreditando que para estar no mercado é preciso sempre dizer "sim" quando alguém lhe faz uma proposta;
- achar que elaborar um projeto ou fazer a produção de um evento cultural de graça poderá lhe trazer algum percentual de remuneração futuramente, mesmo sem garantia nenhuma;
- não saber como fazer o orçamento de um serviço;
- vontade de aprender novos métodos de trabalho;
- vontade de divulgar um serviço para possíveis contratantes.


E você, qual é a sua?

Se todas estas situações ocorrem no mercado, mais interessante do que aceitar ou lutar contra é ter clareza: qual é a sua, trabalhar de graça ou quase de graça ou aprender a cobrar de forma digna a realização de seu trabalho?


Como cobrar de forma digna a realização de seu trabalho?

Não há fórmula pronta. E se houver alguma, não se aplica a todas as situações e contextos. Um bom caminho é pensarmos em alguns critérios que podem nos auxiliar a tomarmos decisões que gerem melhores resultados.


Estar no mercado

Estar no mercado não é sempre dizer "sim" quando alguém lhe faz uma proposta. Estar no mercado é saber ouvir com atenção as necessidades de um cliente e ter gentileza, educação, agilidade e respeito para responder se será possível atendê-lo ou não.


Trabalhar no risco

Trabalhar "no risco" é outro mito que com frequência beneficia quem recebe o trabalho de graça. Se você for aceitar este tipo de trabalho, avalie se o risco de prejuízo financeiro não é alto demais para você. Trabalhar repetidamente em algo que se gosta, na aposta de que um dia vai dar certo, com sucessivos prejuízos financeiros, que afetam sua qualidade de vida, vai criando uma relação esquizofrênica com aquilo que você mais gosta de fazer.

Tenho aprendido que a dificuldade financeira corrói o prazer da realização. Nos momentos de crise financeira, tendemos a ficar confusos e achar que fizemos escolhas erradas, que trabalhar com cultura não vale a pena, que não temos capacidade de ganhar dinheiro com aquilo que escolhemos realizar.


Como é formado o preço de um serviço?

O preço de um serviço é formado basicamente de duas formas:

seus custos + valor que você deseja lucrar = preço a ser oferecido

ou

proposta de um valor disponível para pagá-lo e você ter que adequar os seus custos para conseguir obter algum lucro


Em qualquer uma destas alternativas, lembre-se:

=> o seu custo é tudo o que você vai gastar para executar o serviço + o preço do seu tempo de trabalho + % lucro + impostos de nota fiscal

Exemplo: se você precisa de um produtor para trabalhar na organização de um show que irá passar por uma cidade. Veja como pode ser calculado adequadamente o valor a ser pago:

custos de produção(básicos, variam de caso a caso)
estimativa com gasto de telefone = R$ 400,00
estimativa de gasto com transporte = R$ 500,00
estimativa com gasto de alimentação = 30 dias vezes gasto médio de R$ 20,00 = R$ 600,00

total de custos = R$ 1.500,00

(van para artistas, mídia na rádio, cartazes, hospedagem, etc devem ser orçados à parte)


custo do trabalho do profissional
(salário médio de um produtor executivo,
com experiência, para um mês de trabalho) = R$ 3.000,00

Total dos custos = básicos + trabalho do profissional = R$ 4.500,00

Lucro (estimativa de 10%) = R$ 4.500,00 x 10% = R$ 450,00

Valor total líquido antes da nota fiscal = total dos custos + lucro = R$ 4.950,00

Valot total com nota fiscal = R$ 5.550,00


Iniciativa para aprender novos métodos de trabalho

Se você aceitar um trabalho de graça ou quase de graça, porque deseja aprender um novo método de trabalho, tenha clareza sobre o que deseja aprender e faça isso por um tempo determinado. Isso contribui para que você tenha noção do quanto do seu tempo pode investir para aprender e quanto do seu tempo precisa dedicar para sua sustentabilidade.


Trabalhar para se divulgar

Ofereça "amostra grátis" do trabalho com foco em contratantes que em geral pagam bem e que futuramente possam ser rentáveis.


*********************************************************************************



* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto, divulga ideias contra o machismo no blog encantadoras mulheres e compartilha a experiência do método livre de produção de shows no blog "Aprenda a Organizar um Show".

21-7627-0690 (Rio de Janeiro)
alebarreto@gmail.com

terça-feira, maio 18, 2010

Grupos Culturais do Acre se organizam e ampliam sua qualificação profissional




Por Alê Barreto
Administrador, produtor cultural independente e palestrante


Ano passado, fui contratado pelo Sebrae para realizar um repasse metodológico de gestão em produção cultural para Grupos Culturais do Acre, em parceria com a Rede Acreana de Cultura, formada pela Fundação Municipal de Cultura Garibaldi Brasil (Rio Branco), Fundação Elias Mansour, SEBRAE, SESC, IPHAM e SESI.

Este trabalho teve como ponto de partida a visão do Sebrae/AC de buscar qualificar agentes culturais para desenvolvimento da economia criativa do estado do Acre.

Duas etapas já foram concluídas:

- estudo de textos introdutórios com tutoria à distância, realizado de 16 a 20/11/2009;

- treinamento presencial teórico de introdução à gestão na produção cultural, realizado de 23/11 a 28/11/2009. Fez parte desta etapa do curso "Aprenda a Organizar um Show".

O conteúdo e os métodos utilizados nesta etapa deram origem a um produto didático intitulado "CARTILHA LIVRE DE INICIAÇÃO À GESTÃO NA PRODUÇÃO CULTURAL", que permitirá que os participantes atuem como multiplicadores.



Ontem iniciamos a terceira etapa. Trata-se de uma atividade de benchmarking acompanhando atividades práticas de produção cultural e seminários no Festival Bananada em Goiânia/GO. Esta atividade está sendo realizada através de uma parceria com o Sebrae/GO, Coletivo Pequi de Anápolis/GO e Monstro Produtora.

Neste primeiro dia realizamos reuniões preparatórias e participamos de um seminário sobre "Gestão, Planejamento e Empreendedorismo Cultural" em Anápolis, que contou com a participação do Alex Lima do Sebrae/AC, Pablo Kossa da Fósforo Records e eu.

Acho fundamental dar visibilidade a esta ação pois trata-se de um importante movimento de construção de sustentabilidade de grupos e empreendedores culturais tendo por base a organização de redes, troca de conhecimentos e capacitação profissional, uma tendência crescente no Brasil.

Cultura no Brasil está começando a ser percebida pelos governos e sociedade civil organizada como uma importante aliada do desenvolvimento.

domingo, março 28, 2010

Últimos dias para inscrição na Rede de Notícias Culturais Sustentáveis



Alê Barreto
Administrador, produtor cultural independente e palestrante


Dia 06 de fevereiro publiquei neste blog o meu mais novo projeto: a Rede de Notícias Culturais Sustentáveis. Esta rede tem o objetivo de trocar informações trazendo benefícios mútuos a todos participantes.

Mas veja bem: não se trata de mais uma lista de discussão ou de cadastro de newsletter. A rede será construída e desenvolvida tendo como princípio fundamental a troca. Ou seja, para participar, seus membros deverão compartilhar informações.

Se você dedica boa parte do seu tempo para que sua ação ou empreendimento cultural cresça, se você busca aprender e tem vontade de aprender e se você acredita que isso é possível através da cooperação, faça parte da desta rede.


O que é a Rede de Notícias Culturais Sustentáveis?

É uma rede informal que tem por objetivo conectar e estabelecer um diálogo permanente entre pessoas, grupos organizados, instituições públicas ou privadas que possuam produtos, serviços, cases de sucesso, técnicas ou metodologias que possam contribuir para a sustentabilidade de ações culturais.


Como irá funcionar?

No primeiro momento, a Rede de Notícias Culturais Sustentáveis irá dar origem a um folheto informativo, no qual serão compartilhadas as informações via e-mail entre os membros da rede.


Que tipos de informações podem ser compartilhadas?

A ideia que que cada membro da rede divulgue como estão conseguindo sustentar suas ações culturais ou como pessoas e instituições em sua cidade estão fazendo isso.


Quem pode participar?

A Rede de Notícias Culturais Sustentáveis quer criar uma "ponte" entre as pessoas que acreditam ser importante compartilhar informações para melhorar a qualidade e a sustentabilidade de quem trabalha na área cultural.

Mas também são bem vindos à rede:

* Jovens e adultos que estão pensando em começar a carreira de produtor cultural.
* Produtores culturais independentes.
* Funcionários e gestores de organizações privadas e públicas do setor cultural.
* Pessoas que trabalham com articulação e organização do setor cultural no Brasil.
* Educadores interessados em ampliar o desenvolvimento de alunos do ensino fundamental e médio utilizando a cultura como recurso.
* Pessoas que atuam em outras profissões e que desejam desenvolver também a atividade de produção cultural.


Como participar?

Para participar da Rede de Notícias Culturais Sustentáveis basta enviar um e-mail para alebarreto@produtorindependente.com até 31 de março de 2010 com as seguintes informações:

Nome completo:
Sexo: ( ) masculino ( ) feminino
Idade:
Cidade: Estado:
Telefone de contato:
Categoria: ( ) pessoa física ( ) grupo organizado
( ) instituições públicas
( ) instituições privadas
Nome do produto, serviço, case de sucesso, técnica ou metodologia que pretende divulgar: _______________________
Informações detalhadas sobre o que pretende divulgar:_______________


Todos os 183 agentes culturais que seguem o blog estão convidados a participar da rede.

sábado, fevereiro 06, 2010

Produtor Cultural Independente convida parceiros para construção da Rede de Notícias Culturais Sustentáveis



Alê Barreto
Administrador, produtor cultural independente e palestrante
Próximos cursos


Através das viagens que faço pelo Brasil e minhas pesquisas na internet, percebo que as iniciativas culturais que mais prosperam são aquelas em que as pessoas:

- dedicam boa parte do seu tempo para que a ação cultural ou empreendimento cresça;
- buscam aprender "como" conseguir se sustentar em suas atividades culturais;
- tem vontade aprender; não ficam achando que já sabem tudo;
- compreendem a importância de compartilhar suas tecnologias;
- organizam seu trabalho através de redes;
- percebem a importância de se planejar uma ação cultural com olhar amplo, considerando a diversidade de contextos e de públicos envolvidos.

Pensando nisso, o Produtor Cultural Independente está começando a construir a Rede de Notícias Culturais Sustentáveis.

Veja como participar.


O que é a Rede de Notícias Culturais Sustentáveis?

A Rede de Notícias Culturais Sustentáveis é uma rede informal que tem por objetivo conectar e estabelecer um diálogo permanente entre pessoas, grupos organizados, instituições públicas ou privadas que possuam produtos, serviços, cases de sucesso, técnicas ou metodologias que possam contribuir para a sustentabilidade de ações culturais.


Como irá funcionar?

No primeiro momento, a Rede de Notícias Culturais Sustentáveis irá dar origem a um folheto informativo, no qual serão compartilhadas as informações via e-mail entre os membros da rede.


Que tipos de informações podem ser compartilhadas?

A ideia que que cada membro da rede divulgue como estão conseguindo sustentar suas ações culturais ou como pessoas e instituições em sua cidade estão fazendo isso.


Como participar?

Para participar da Rede de Notícias Culturais Sustentáveis basta enviar um e-mail para alebarreto@produtorindependente.com informando:

Nome completo:
Sexo: ( ) masculino ( ) feminino
Idade:
Cidade: Estado:
Telefone de contato:
Categoria: ( ) pessoa física ( ) grupo organizado
( ) instituições públicas
( ) instituições privadas
Nome do produto, serviço, case de sucesso, técnica ou metodologia que pretende divulgar: _______________________
Informações detalhadas sobre o que pretende divulgar:_______________


Quem pode participar?

A Rede de Notícias Culturais Sustentáveis quer criar uma "ponte" entre as pessoas que acreditam ser importante compartilhar informações para melhorar a qualidade e a sustentabilidade de quem trabalha na área cultural.

Mas também são bem vindos à rede:

* Jovens e adultos que estão pensando em começar a carreira de produtor cultural.
* Produtores culturais independentes.
* Funcionários e gestores de organizações privadas e públicas do setor cultural.
* Pessoas que trabalham com articulação e organização do setor cultural no Brasil.
* Educadores interessados em ampliar o desenvolvimento de alunos do ensino fundamental e médio utilizando a cultura como recurso.
* Pessoas que atuam em outras profissões e que desejam desenvolver também a atividade de produção cultural.


Prazos para participação na rede

As pessoas interessadas em constituir esta rede poderão enviar suas informações até 30 de março. Após esta data, será elaborado o primeiro informativo, com previsão de envio para os membros da rede até o final da primeira quinzena de abril de 2010.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

O caso Radiohead




Alê Barreto
Administrador e produtor cultural independente


Nos dois últimos posts, falamos um pouco sobre a questão do exercício da atividade de músico e a polêmica do registro junto a Ordem dos Músicos no Brasil.

Isso me fez lembrar de uma outra polêmica que é o novo contexto da internet e da cultura livre.

O Antonio Cabral, pesquisador e professor da FGV, um profissional que tive o prazer de trabalhar junto no período que administrei o Nós do Morro, faz uma leitura muito interessante sobre o caso da banda Radiohead. Confira no vídeo do Nós da Comunicação.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Novas formas de organizar a cultura




Por Alê Barreto (produtor cultural independente)



No post anterior, divulguei a entrevista que fiz com os membros do Coletivo Catraia.

Mas você sabe o que é um coletivo de cultura?

Assista a vídeo-blitz do "Desenrola!", dentro do Ciclo Comunicar Cultura, com a participação de alunos da UFRJ e Felipe Silva (Massa Coletiva-SP), editor de web rádio do portal Fora do Eixo, falando sobre o que são os coletivos de cultura.

quinta-feira, novembro 19, 2009

Feira da Música do Sul - de 19 a 22 de novembro de 2009 - Novo Hamburgo - RS




Por Alê Barreto (produtor cultural independente)


Era dezembro de 2005 e lá estava eu assistindo shows no Largo Pedro Arcanjo, no Pelourinho, durante a programação cultural do VI Mercado Cultural em Salvador (BA). De repente, encontro Moysés Lopes, músico da Camerata Brasileira, outro gaúcho como eu, que estava em terras soteropolitanas e começamos a conversar. Naquele momento, tivemos o consenso instantâneo de que precisamos levar a idéia de organização do Mercado Cultural para o Rio Grande do Sul. Não tínhamos noção do tempo que levaria para ser concretizado este sonho. Mas nunca desistimos.

De lá para cá, Moysés foi conhecer a Feira da Música de Fortaleza. Eu fui conhecer a Feira da Música Independente de Brasília, mas um sonho sempre este presente em nossos pensamentos: a música do Rio Grande do Sul, em toda sua diversidade, precisava de um espaço organizado para se expandir.

Foram muitas reuniões. Apresentações de propostas. Audiências públicas. Articulações com agentes do poder público. Conseguimos.

Hoje começa a primeira Feira da Música do Sul, que pretende reunir a cadeia produtiva da música do Rio Grande do Sul, de 19 a 22 de novembro, nos pavilhões da Fenac, em Novo Hamburgo.

É importante destacar que esta realização somente foi possível graças a duas grandes articulações:

- o Fórum de Economia da Cultura, coordenado pelo deputado Ronaldo Zülke na Comissão de Economia e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa do RS;

- e o Fórum Permanente de Música do RS, coordenado pelo músico, produtor e empreendedor cultural Moysés Lopes.

A realização é da GB Produtora e são apoiadores do projeto a Fenac, sede do evento, o Sebrae/RS, a Agência Brasileira de Promoção das Exportações do governo federal (Apex Brasil), a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), a Brasil, Música e Artes (BM&A), a Unimed, a Converse e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A Feira tem financiamento da Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura, e patrocínio da Petrobras e Eletrobrás.


Serviço:
O que: Feira da Música do Sul
Quando: 19 a 22 de novembro de 2009
Onde: Pavilhões da Fenac, em Novo Hamburgo
Hora: das 10h às 24h

Veja a programação

segunda-feira, outubro 19, 2009

Tempo de começar


Atriz Cecília Homem de Mello/Foto: Silvia Zamboni


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Muita gente acredita que se alguém não "estourar" em sua carreira profissional até os 30, está fadado ao fracasso. Eu penso que esta é uma visão equivocada. Não há "idade certa" para começar ou para ter o seu trabalho reconhecido. Cada pessoa é um universo de diferentes possibilidades. Quanto mais vou pesquisando o setor cultural, mais encontro informações que comprovam isso.

Convido a todos para lerem a matéria "Nossa aposta" de Armando Antenore, publicada na revista Bravo de setembro, que apresenta o trabalho da atriz Cecília Homem de Mello (foto acima), a "Ana" da minissérie "Som & Fúria", que a Globo exibiu entre 7 e 24 de julho.


Som & Fúria - último capítulo (24/07/09)

Conheçam a trajetória desta artista habilidosa que conseguiu viver do conhecimento que adquiriu no meio artístico e que está tendo um reconhecimento significativo do seu talento profissional aos 55 anos.

Parabéns Cecília, é sempre tempo de começar quando se deseja fazer uma ação cultural.

sábado, outubro 17, 2009

Atendimento para um Novo Mercado Cultural


Atender é gostar de encontrar pessoas



Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)



Situação 1

Você entra num site ou blog na internet, pega o telefone do artista e liga. Ninguém atende. Você liga de novo. Ninguém atende. Você liga vários dias. Ninguém atende.


Situação 2

Você está elaborando a programação de um bar, montando a grade de atrações de um festival e resolve ligar para uma banda que você acha que tem tudo haver com o evento. Pega o telefone do artista e liga. Ele atende e fala "claro, vou ter o maior prazer em participar. Vou passar para você o contato do meu produtor". Você pega o contato e liga para o produtor. Ele atende de forma arrogante, grosseira e diz que irá ver se o artista quer participar.


Situação 3

Você entra em contato com vários artistas, diretamente ou através de seus representantes (produtores, agentes ou empresários) para solicitar um orçamento de uma apresentação. Você leva semanas para receber um retorno de alguns destes artistas.


Estas e outras situações de péssima postura profissional e de péssimo atendimento eu vivenciei logo que comecei a trabalhar como produtor cultural independente. Na época, eu ficava louco da vida. Não entendia porque artistas e produtores agiam desta forma. Nos bares viviam reclamando que não havia trabalho e na hora de trabalhar não se mexiam.

Isso me levou a criar o curso "Atendimento para um Novo Mercado Cultural", que ministrei na Casa de Cultura Mário Quintana, em 2004, lá em Porto Alegre.



Passaram-se os anos e cada vez mais percebo a necessidade de se educar os profissionais que atuam neste setor para que entendam a importância de um bom atendimento. Estou trabalhando na remodelação deste curso e em breve estarei novamente ministrando o mesmo.


Dicas para melhorar o atendimento dos profissionais do setor cultural:


planeje o ciclo do seu atendimento

Pense se o número de telefone ou de endereço de e-mail que você está divulgando é de alguém que poderá dar um retorno rápido.


monitore a satisfação de seus parceiros

Muitas vezes achamos que estamos atendendo bem e não estamos. Durante a execução de um trabalho ou ao final, peça um feedback para quem trabalhou com você. Esteja aberto para ouvir críticas. Não aceite-as imediatamente e nem rechace-as. Ouça e avalie.


estude atendimento e treine quem trabalha com você

Nem todo mundo nasce com o "dom de atender". Atender é uma arte que se aprende. Há bastante literatura especializada e profissionais ministrando treinamentos. Procure um pouco de informação teórica e um pouco de informação com quem já está no mercado que você quer atuar.


Agregue valor ao seu trabalho

Dicas do capítulo 19 do meu livro "Aprenda a Organizar um Show" sobre receptivo e acompanhamento, duas funções que estão diretamente relacionadas com atendimento.

- Gentileza: gera gentileza. Atitudes gentis criam um ambiente de colaboração muito saudável a todos.

- Educação: trate todos com educação. Se possível, saiba os hábitos, manias e rotinas das pessoas que irá atender.

- Agilidade: a demora no retorno de solicitações causa tensão em quem está esperando.

terça-feira, outubro 13, 2009

Conheça o Dossiê Universo Jovem MTV




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Temos uma certa tendência, vez por outra, de pensar que nossa "experiência de vida" nos confere o poder de entender o comportamento complexo dos jovens no mundo complexo em que vivemos. E muitas vezes criamos ações, projetos e programas culturais para os jovens sem termos uma noção clara do que seja este universo.

Para mim, um produtor cultural independente deve ser curioso. Deve duvidar de "verdades sólidas".

A pesquisa 4º Dossiê Universo Jovem MTV mostra um "retrato" de como os jovens brasileiros se relacionam com o tema da sustentabilidade e as percepções que eles têm sobre o futuro e o meio ambiente. Foram ouvidos jovens entre 12 e 30 anos, pertencentes às classes A, B e C, em nove cidades brasileiras. O universo pesquisado representa 49 milhões de jovens no Brasil.


Conheça a pesquisa e confronte estas informações com o que você pensa sobre o comportamento do jovem.

Assista ao programa veiculado na MTV.

domingo, junho 21, 2009

Como o software livre pode facilitar a produção cultural independente - conceito



Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Há muitos mitos ainda sobre as vantagens e desvantagens de se utilizar o software livre, apesar dele estar sendo amplamente utilizado na sociedade. Quase todo mundo já deve ter encontrado em algum computador o buscador Moozila Firefox. É software livre. Também já deve ter entrado em algum cyber ou lan house e aberto um arquivo do word no Open Office. É software livre.

Pensando nisso, preparei uma pequena série de posts especiais intitulada "Como o software livre pode facilitar produção cultural independente", com o objetivo de mostrar de forma prática como o mesmo pode ser utilizado. Não tenho a pretensão de esgotar o tema. Quero que os novos produtores culturais independentes aprofundem a pesquisa e descubram, a partir destas idéias, novos caminhos e novas possibilidades.



Como o software livre pode facilitar a produção cultural independente - conceito


Acredito que o maior ponto em comum que existe entre o software livre e a produção cultural é a questão da liberdade de expressão.

É importante percebermos que no sistema capitalista que vivemos somente podemos ter liberdade de expressão quando construímos condições sustentáveis para que isso aconteça. Sim, estou falando de dinheiro. Software livre não quer dizer necessariamente software gratuito. Trabalhar para que uma ação cultural aconteça não quer dizer necessariamente que fazer produção cultural é algo gratuito.

O Movimento Software Livre apresenta quatro liberdades relacionadas ao uso do software livre:

- liberdade de uso para qualquer finalidade;

- liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades. Aceso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;

- a liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Novamente o acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;

- a liberdade de redistribuir cópias das alterações feitas.



Assista o vídeo do professor Sérgio Amadeu falando sobre Software Livre


Se analisarmos, estas quatro liberdades se aplicam ao conhecimento de produção cultural independente. Ou seja, todo o produtor deve ter a liberdade de:


- usar o conhecimento de produção cultural para qualquer finalidade, para produzir as mais diversas ações culturais;

- estudar o conhecimento de produção cultural existente e adaptá-lo as suas necessidades. Para isso, é importante se estruturar formas de oferecer acesso a este conhecimento;

- aperfeiçoar os conhecimentos de produção cultural e liberá-los para que toda a sociedade se beneficie. É preciso pensar como fazer isso e garantir sustentabilidade para as pessoas que se propõe a fazer isso.

- redistribuir cópias dos conhecimentos de produção cultural aperfeiçoados.


Muitos profissionais da área cultural acham que disponibilizar conhecimentos de forma gratuita irá prejudicar sua sustentabilidade. E muitos profissionais veteranos têm medo de perder poder e vantagem competitiva no mercado cultural.

Acontece que o conhecimento não é algo estático. Está sempre em movimento e expansão.

Veja este exemplo: o conhecimento de como pintar uma parede, trocar a resistência de um chuveiro ou fazer um determinado doce é livre. Nem por isso a pessoas deixam de contratar pintores e eletricistas ou de ir a uma padaria para comprar uma torta.

A complexidade da vida contemporânea leva as pessoas a procurarem pessoas especializadas para a realização de atividades para as quais não possuem tempo disponível.

Assim como você não vai querer fazer tudo que precisa para a sua vida, ou seja, ser seu próprio pedreiro, faxineiro, policial, médico, dentista, etc, você também não tem tempo de atender a todos que procuram você.

Há um mito de que se alguém é adepto da liberdade do conhecimento é obrigado a atender todo mundo que chega e lhe faz uma pergunta. Meu blog tem crescido e hoje recebo 3.000 visitas por mês. Imagine se cada uma destas 3.000 pessoas viesse me exigir fazer isso. Eu teria tempo para fazer mais alguma outra coisa na minha vida?

A questão é entender o conceito e praticá-lo com equilíbrio.

Sugestões para praticar o conceito de "software livre" na produção cultural independente:

- após concluir um trabalho de produção cultural, organize uma pasta, física ou virtual, com todos materiais utilizados para organizar o projeto. Será a sua "memória". Analise os resultados: o que deu certo e o que pode melhorar;

- procure encontrar novas fontes de conhecimento para melhorar a sua forma de trabalho. Muitas vezes você não irá encontrar o conhecimento específico para sua atividade, mas poderá adaptá-lo a sua necessidade. Exemplo: está procurando um livro sobre produção de espetáculos teatrais e só encontra de shows musicais. Analise. Há muita coisa parecida;

- compartilhe o conhecimento. Descubra diferentes formas de fazer isso, na forma de blog, newsletter, redes sociais, palestras, cursos, consultorias e publicações;

- encontre maneiras sustentáveis de distribuir seus conhecimentos. Se você não pode passar o dia respondendo perguntas via e-mail, publique conteúdos na internet que estarão acessíveis para muitas pessoas.


Encontre a sua maneira de ser "software livre" na produção cultural.

sábado, junho 20, 2009

Conhecer o software livre e usá-lo na produção cultural é uma construção




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Fui convidado para ministrar o curso "Aprenda a Organizar um Show" no dia 27 de junho no 10º Fórum Internacional do Software Livre, na PUC, em Porto Alegre, RS. Não é por acaso. É uma construção.

A primeira vez que ouvi falar de software livre foi em janeiro de 2003. Lá estava eu no Fórum Social Mundial dando os primeiros passos rumo ao meu sonho de trabalhar com cultura. Era voluntário da Comissão de Cultura que organizava a programação cultural do Acampamento Intercontinental da Juventude. Porteiro do cinema!



Num dia, vi que haviam alguns computadores sobrando, numa espécie de cyber que havia sido montado para quem estava trabalhando nas diferentes comissões que organizavam as atividades do acampamento. Ao sentar no computador me deparei com a figura emblemática do pinguim, símbolo do Linux.

Na época, confesso, achava que havia um certo extremismo na forma como alguns ativistas defendiam a idéia dos software livre. Os caras olhavam horrorizados para quem utilizava os programas do Windows, como se você fosse um herege. Como não gosto de nada que tentam me empurrar guela abaixo ou só aderir porque é novo, moderno, "hype", resolvi amadurecer o conceito.





Voltei a me encontrar com o assunto software livre no Mercado Cultural de Salvador, em dezembro de 2005. Lá assisti uma palestra sobre o Programa Cultura Viva e tive conhecimento de que o Ministério da Cultura havia distribuído aos Pontos de Cultura um kit multimídia com software livre. Então comecei a perceber o assunto com mais clareza. Ninguém estava me obrigando a deletar todos os meus textos em Word e planilhas em Excel. Pelo contrário, estavam mostrando que o software livre era um grande aliado no movimento de compartilhamento de conteúdos culturais no Brasil e no mundo.





Na medida que fui percebendo que o software livre poderia contribuir para fomentar o desenvolvimento da produção cultural, passei a utilizar o conceito em alguns trabalhos. O primeiro deles foi a comunicação do lançamento do Cd independente "Assim Falou Bataclan", da Bataclã FC, de Porto Alegre, em 2006. Cientes da dificuldade de divulgarmos o trabalho da banda em muitos veículos de comunicação, que exigiam pagamento de "jabá", eu e os músicos e compositores Richard Serraria e Marcelo da Redenção, articuladores do Coletivo TARRAFA que produzia a banda, decidimos buscar um caminho alternativo para difusão da música. Pensamos na internet. A partir daí nos aproximamos de pessoas do Movimento Software Livre e logo decidimos apoiar a realização do 8º Fórum Internacional Software Livre – fisl8.0.





Em 2007 a Bataclã FC foi convidada a abrir o 2º Festival Multimídia de Cultura Livre do Brasil, dentro da programação do Fórum. Lá estávamos nós aprendendo a difundir o nosso trabalho cultural junto com o Mombojó, DJ Dolores e os VJs Pixel e Salsaman, artistas que entendem a importância do software livre.





Neste mesmo ano, atuei na organização do 1º Encontro de Cultura Colaborativa e da programação cultural do seminário "Além das Redes de Colaboração".



Baixe este livro


Em 2008, ajudei a promover neste blog a idéia do que é o software livre, o Fórum Internacional, o lançamento do livro com as idéias do seminário e o que é o Creative Commons.

Toda esta trajetória têm sido muito importante na minha formação como produtor cultural independente.

Acredito que o compartilhamento do conhecimento, de forma sustentável, é uma das principais ações necessárias para a educação das pessoas para a produção cultural.

segunda-feira, março 09, 2009

Um foco com múltiplos enfoques sobre o direito autoral no Brasil

Por Alê Barreto

Considero muito importante que os produtores culturais independentes tenham uma visão ampla sobre o direito autoral. Este conhecimento pode alavancar sua sustentabilidade.

Para isso, encontrei no youtube mais quatro vídeos sobre este tema, da entrevista gravada na semana do Campus Party Brasil com Ronaldo Lemos, advogado e representante do Creative Commons no Brasil.




Este fala do direito autoral no Brasil.




Este fala do xerox e do direito autoral.




Creative Commons como alternativa para autores.




Este último o título é "Por que o criador do Creative Commons agora estuda corrupção?".

domingo, janeiro 25, 2009

Eletrocooperativa: ação cultural e sustentabilidade


Vídeo sobre a trajetória da Eletrocooperativa


Por Alê Barreto


Acompanho o trabalho da Eletrocooperativa desde agosto de 2006. É uma ONG que possui práticas muito interessantes para sustentabilidade de suas ações culturais.

Destaco aqui a máquina de vender CDs.

Segue abaixo a transcrição na íntegra da matéria publicada no site da instituição.


Eletrocooperativa lança Máquina de vender cds





A causa “Música Livre e Comércio Justo”, iniciativa inovadora da ONG Eletrocooperativa para promover a música brasileira, a cidadania e oportunidade de trabalho alcança uma de suas metas com a criação de uma máquina de vender CDs (semelhantes as que se vê ofertando livros e refrigerantes). A primeira, instalada no Metrô Consolação, faz parte de um programa de negócio inclusivo, desenvolvido para os jovens atendidos pela instituição.

A máquina como fonte de renda

A máquina de CDs surgiu como parte de uma estratégia da Eletrocooperativa para distribuir música sob uma nova perspectiva. Pelo consumo consciente, pela liberdade artística, pela geração de renda, pela oportunidade social e contra a pirataria, a causa “Música Livre e Comércio Justo” propõe a venda de CDs por R$ 5,00. Para que haja transparência, a máquina informa ao consumidor todos os custos que levaram a produção dos CDs: R$1,50 pertence ao artista, R$1,50 são referentes a custos de fabricação, R$0,50 centavos pagam os impostos, R$1,00 são do vendedor e R$0,50 cobrem custos da instituição.

Na máquina estão os CDs dos artistas formados pela Eletrocooperativa como Eletro Erê (cantigas infantis), Eletropercussiva, Império Negro, Preto Sábio 05, Fefê Gurman, e também dos cantores Arnaldo Antunes e Lucas Santtana, totalizando nove títulos. Desenvolvidos com tecnologia SMD (Semi Metalic Disc), têm minutagem um pouco menor que a dos CDs comuns, qualidade igual e um custo de fabricação muito menor.

A principal função da máquina é ser uma unidade de negócio com o objetivo de gerar renda para jovens selecionados pelo Instituto Eletrocooperativa. Eles serão responsáveis pela administração da máquina (quatro jovens trabalhando por máquina), aprendendo a lidar com questões referentes ao dia-dia de um pequeno negócio, como se fosse uma loja. Esse grupo de jovens receberá todo o processo de formação para adquirir conhecimentos de gestão e aplicar no mesmo momento. É a nossa metodologia do “aprender fazendo”, revela Reinaldo Pamponet, fundador da Eletrocooperativa.

A proposta de difusão e principalmente de geração de renda visa formar 32 agentes econômicos que serão os responsáveis pela administração das máquinas de vender CDs localizadas em lugares públicos das cidades de São Paulo e Salvador. Segundo Reinaldo, o objetivo é ter oito máquinas nos próximos dois anos em lugares públicos.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Promover encontros, trocas e articular redes para viabilizar sua ação cultural




Por Alê Barreto


"Muitas idéias. Sei que tenho potencial. Acredito no que eu faço. Só me falta o dinheiro..."

Nos primeiros anos em que comecei a exercer a atividade de produção cultural, várias vezes essa frase ocupava os meus pensamentos. Parecia ser uma equação sem solução. Passou 2003, passou 2004 até que no fim de 2005 fui a Salvador e participei do VI Mercado Cultural. Este foi o meu primeiro contato com o conceito de redes.

Participando das palestras e seminários, ouvi relatos de artistas e produtores que estavam viabilizando suas atividades culturais de formas alternativas, preocupados também com a sustentabilidade. Para mim, que na época morava em Porto Alegre e buscava uma resposta para a questão de aprender a gerar os recursos para minhas ações culturais, foi um ponto de mutação.

Em 2006 comecei a buscar mais informações sobre o conceito de redes. Então estabeleci contato com o Fórum de Educação da Restinga e Extremo Sul, com os Pontos de Cultura, com pessoas ligadas a Economia Solidária, Centro de Mídia Independente, Software Livre, as rádios comunitárias e movimentos sociais.

Além disso, criei com outras pessoas o Encontro TARRAFA, uma reunião com vários objetivos:

- desenvolver ações de Ensino Livre Orgânico para criação, ampliação e articulação de redes de produção cultural interdependentes;

- fomentar a cultura de colaboração entre organizações, profissionais autônomos e estudantes que produzem arte no Rio Grande do Sul;

- contribuir para o crescimento e desenvolvimento da cadeia produtiva da economia da cultura através de ações de produção econômica popular solidária, distribuição equilibrada e descentralizada, comércio justo e estímulo ao consumo ético dos produtos e serviços culturais.

A primeira lição que aprendi com estes encontros é que realmente um dos maiores desafios é conhecermos as nossas próprias complexidades, a complexidade do que pretendemos fazer e a complexidade que é trabalhar em grupos grandes com objetivos diversos. Os objetivos do encontro eram ótimos, mas como eu conseguiria articular organizações, profissionais autônomos e estudantes, que como eu buscavam uma solução para a falta de grana, se eu não estava conseguindo manter a minha sustentabilidade e esta rede que eu queria constituir na verdade era um empreendimento social, que também é algo complexo, que precisaria recursos humanos, estrutura e também recursos financeiros para acontecer?

O último episódio deste aprendizado (que ainda não está concluído), aconteceu em 2008, após chegar ao Rio de Janeiro. Recebi em mãos do Luiz Sarmento alguns DVDs com vídeos do Redes Comunitárias, um projeto do SESC que articula e gestiona encontros presenciais voltados para a prática de parcerias entre comunidades populares e voluntários, instituições privadas, públicas e do terceiro setor.



De modo simples e objetivo, cada representante se apresenta e fala o que veio procurar e o que veio oferecer. Todos têm oportunidade de falar e ouvir.
E, quando cada um sabe quem é quem, o espaço se abre para o aprofundamento de relações e formação de parcerias.



Você pode aprender mais sobre esta tecnologia social através dos vídeos e informações disponíveis. E também pode participar de um dos encontros. Veja a agenda de 2009.


O projeto tem uma semelhança interessante com o movimento "Simplicidade Voluntária", que também são encontros regulares em que pequenos grupos de pessoas trocam idéias para ajudar umas às outras a simplificar suas vidas.

terça-feira, novembro 04, 2008

Seminário “A Arte de Viver de Arte” - MAC/USP

Conteúdo extraído do boletim "Cultura e Mercado" (boletim@culturaemercado.com.br)

Nos dias 05, 12, 19 e 26 de novembro, o MAC USP promove o seminário “A Arte de Viver de Arte”, iniciativa que pretende debater os fundamentos para a administração profissional do artista.

O programa pretende transmitir fundamentos para a administração profissional do artista, abordando questões sobre o ambiente de trabalho e o espaço físico, o uso eficiente do tempo disponível, as opções vocacionais à disposição, a administração de equipamentos, pessoal, arquivo e finanças e a promoção da própria carreira, entre outras.

Os interessados podem se inscrever, até o dia 5 de novembro, na Secretaria Acadêmica do MAC USP, que fica situada na rua da Reitoria, 160 - Cidade Universitário, em São Paulo. A taxa de inscrição é de R$50,00. Mais informações podem ser obtidas no telefone (11) 3091-3559 ou através do e-mail ceema@usp.br

domingo, outubro 05, 2008

Livro "A Economia da Cultura"



Conteúdo extraído do site www.atelie.com.br para uso exclusivamente didático


Arte e cultura, assim como outras produções humanas, por mais "nobres" que pareçam, "podem ser pensadas economicamente". Essa foi a premissa que presidiu as primeiras pesquisas na área, quatro décadas atrás. De lá para cá, os estudos se multiplicaram ano após ano até formar um sólido nicho de conhecimento. É essa experiência acumulada, focada nos países desenvolvidos, que a economista francesa Françoise Benhamou sintetiza em A Economia da Cultura, uma introdução de alto nível ao tema, que agora chega ao Brasil, encontrando-se já na quinta edição na França.

O prefácio, assinado por José Carlos Durand (Grupo Focus, Unicamp) salienta a relutância das ciências sociais (economia incluída) em reconhecer as lógicas de interesse subjacentes ao mundo da estética. Lembra que tais resquícios devem ser encarados "como um entulho intelectual a ser enfrentado em nome da democracia". Isso porque "cultura gera emprego" e, "além do valor em si", a arte hoje é vista como "frente de apoio à inclusão social". Desse modo, mobiliza com força crescente setores governamentais e privados, ONGs, associações e organismos internacionais. Daí o interesse amplo dessa obra para artistas, críticos, jornalistas, profissionais da cultura e da arte, economistas e especialmente os gestores vinculados a entidades e órgãos públicos de cultura.

A autora aborda, em cinco capítulos, as diversas áreas culturais e respectivas cadeias produtivas, como livro e literatura, artes visuais, cinema e vídeo, música e artes cênicas. A questão da intervenção do Estado, sempre controversa, que "contribui para moldar a oferta e condicionar a demanda", perpassa todo o livro.

Françoise Benhamou é professora da Universidade de Rouen, da Escola Nacional do Patrimônio e pesquisadora da Matisse (Universidade Paris 1). Foi conselheira do Ministério da Cultura de 1989 a 90 e secretária-geral da Biblioteca Nacional de Artes entre 1990 e 91.


Leia o prefácio do livro escrito pelo professor e pesquisador José Carlos Durand, Grupo Focus/Unicamp

Com esta tradução, a economista francesa Françoise Benhamou encaminha o leitor de língua portuguesa a um nicho de conhecimento de formação recente: a economia da cultura. Até hoje, uma especialidade quase toda circunscrita ao meio acadêmico das poucas nações ricas e desenvolvidas do planeta.

A autora respeita a sequência cronológica de achados, intuições e teorizações que, nos últimos quarenta anos, vêm mostrando que as artes, como qualquer outra atividade humana regular e coletiva, podem ser pensadas economicamente.

Desde logo, pensar economicamente as artes e a cultura não significa nivelar (ou tomar como equivalentes) as manifestações da criação humana e os bens produzidos em série pela indústria. Muito ao contrário, significa apenas aceitar que, diversamente do que ocorre com sabonetes ou automóveis, existe uma relutância institucionalizada em reconhecer que as práticas culturais e os bens e serviços que dela resultam sejam presididos por lógicas de interesse, inclusive e sobretudo o interesse econômico.

Tal relutância - mostra a sociologia - nada mais é do que expressão inconsciente de uma antiga e aristocrática reivindicação de prestígio baseada na crença de que o mundo das artes seria, em sua essência mais íntima, o reino do completo desinteresse. Sendo aristocrática, esta é uma postura socialmente excludente, em desacordo com o consenso político contemporâneo que toma a cultura como território por excelência de vivência da igualdade e da fraternidade. Daí que o princípio de "negação do econômico" nas artes deva ser visto antes como um entulho intelectual a ser enfrentado em nome da democracia do que como uma barreira contra a infiltração indevida do lucro no mundo sublime da estética - como fácil e costumeiramente é invocado.

Cultura é um setor de gera empregos. É muito diferenciado internamente e com relações muito peculiares entre os indivíduos, grupos e microempresas, que respondem mais pela criação, e as grandes corporações, que dominam a distribuição. E também muito desigual, quando se pensa no abismo que separa o ganho dos grandes astros e estrelas das dificuldades da grande maioria dos que insistem em sobreviver de um fazer estético. Ou ainda da parca e incerta rentabilidade do editor apenas comprometido com autores novos e com qualidade comparada aos ganhos amplos e seguros dos que se limitam a best-sellers.

Benhamou movimenta-se à vontade em um plano comparativo internacional, no qual, como se sabe, o modelo descentralizado anglo-saxão e o modelo centralizado francês de política cultural constituem ainda os paradigmas básicos. Na medida em que o exercício comparativo é feito área por área - livros e literatura, artes visuais, cinema e vídeo, música, artes cênicas, etc., - o leitor tem diante de si um rico panorama de exemplos. Ele fica sabendo através de quais princípios valorativos, meios legais, praxes administrativas, inovações técnicas e resultados financeiros de governos nacionais e locais, corporações econômicas e um sem-número de entidades e grupos definem hoje boa parte das feições do populoso e efervescente mundo das artes e da cultura. Por tudo isso, além de poderem, as artes devem ser pensadas economicamente, para serem fomentadas e promovidas com mais equidade e eficiência.

Não é por acaso que este livro sai por uma editora voltada mais para humanidades e literatura do que propriamente para economia e administração. É apenas um exemplo, entre muitos, de que romper barreiras e reduzir distâncias entre os mundos da arte e da ciência é hoje mais um desafio e uma prioridade à gente das artes do que à das ciências e dos negócios.

O Brasil é um repositório riquíssimo de fenômenos e processos culturais. Afinal, o país conta com uma indústria cultural sólida e um mosaico muito variado de expressões populares em suas diversas regiões. Por razões históricas, ligadas à pequena capacidade de inclusão do sistema educacional, o acesso e o desfrute da cultura erudita (que, aliás, no mundo todo só atinge parcela minoritária da sociedade) é ainda mais seletivo social e economicamente no Brasil.

Mas as coisas vêm mudando muito, nesses mesmos quarenta anos durante os quais a economia da cultura conquistou status e direito a uma rubrica própria nos eventos, nos currículos e nas publicações de ciência econômica dos países ricos. A multiplicação de secretarias municipais e estaduais de cultura, a emergência do patrocínio corporativo às artes e os incentivos fiscais para impulsioná-lo, o surgimento de fundações e entidades não-governamentais direta ou indiretamente na esfera artística, a expansão das grandes corporações de mídia, o acesso à internet e, via satélite, a espetáculos globalizados, a recente onda de instalação de editoras estrangeiras no país, são apenas alguns exemplos das transformações em curso.

Todavia, para que essa nova disciplina se desenvolva no Brasil, forçoso será um trabalho conjunto de construção de um sistema de informações quantitativas sobre fluxos culturais que seja confiável e de acesso público. Não se pode mais aceitar considerações resignadas como: "Hollywood conhece mais nosso mercado de cinema do que os próprios brasileiros". Não basta mais que cada empresa grande de mídia saiba dimensionar "seus mercados" e mantenha essas informações sob sigilo comercial. Não é aceitável que se cobre somente um real de ingresso em um museu carente de conservação, só porque sempre assim se fez. Não é possível aceitar mais que a gestão cultural governamental opere sem um mínimo de referências numéricas indispensáveis para justificar prioridades quando se trata de dinheiro público envolvido e sujeito a prestação de contas (accountability). Não é aceitável enfim que as apreciações sobre tendências da vida cultural brasileira possam flutuar tão arbitrária e inpunemente entre o crônico pessimismo dos apocalípticos e o incorrigível otimismo dos integrados (para usar a dicotomia célebre de Umberto Eco) sem que alguém com mais objetividade disponha de dados para divergir e contestar.