Mostrando postagens com marcador negócio da música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador negócio da música. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, agosto 05, 2020

É possível planejar negócios e carreiras na música sem observar o modelo de negócios da música sertaneja?




Cachês altíssimos, lives patrocinadas, estratégias, presença nas mídias, circuito de shows: como podemos analisar esse segmento? Como é um plano de marketing de artistas de peso nesse cenário? Esses são alguns dos temas do encontro "O Negócio da Música Sertaneja".

O Mundo da Música foi convidado para participar do fórum e Láisa Naiane, cofundadora e diretora do Mundo da Música, estará no encontro que contará com a presença dos profissionais Camila Arias, Gerente de Marketing da Live Talentos e Leo Feijó, CEO Música & Negócios.

Camila Arias é Gerente de Marketing Digital da Live Talentos, escritório que gerencia as carreiras de Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo e Luciano, Edson e Hudson entre outros.

Láisa Naiane é cofundadora e diretora do Mundo da Música, plataforma de notícias sobre o mercado que conta com diversos colunistas experientes e ligados em tendências da indústria da música.

Leo Feijó é jornalista, empreendedor do segmento de música ao vivo e coordenador executivo do Música & Negócios.

Faça a sua inscrição 

https://www.sympla.com.br/negocios-da-musica-sertaneja--musica--negocios-ead__930746

Vagas limitadas

O acesso ao encontro será realizado pelo Zoom.


Serviço

Música & Negócios e Mundo da Música apresentam
O Negócio da Música Sertaneja
Com Camila Arias, Láisa Naiane e Leo Feijó
Dia 6 de agosto (quinta-feira), das 18h às 19h

terça-feira, julho 25, 2017

Você sabia que a música também é um negócio?







Por Alexandre Barreto *



Fui convidado hoje para participar de um bate papo descontraído sobre o mercado da música, num evento chamado “Papo na Casa”, que está sendo realizado pela Casa Urbana Coworking e ConectBem aqui em Rio Branco, na maior feira de negócios do estado do Acre. O convite me inspirou a escrever este texto.

É difícil no mundo de hoje alguém não simpatizar com a ideia de trabalhar com a música. Aliás, é difícil imaginar o mundo sem música. Você mal sai de casa e já coloca música no carro. Você entra no ônibus e já vê alguém ouvindo música num smartphone. Você entra numa igreja ou num terreiro, logo aparece a música. Você chega em casa, alguém está assistindo a cena de alguma novela e no fundo, música. E no Brasil, a diversidade cultural faz com que esta relação com a música seja mais próxima. A música está presente na maior parte do nosso tempo. Assim, nada mais natural que as pessoas pensarem em trabalhar com música.



Como associamos a palavra “música” ao “prazer de ouvir música”, tendemos a pensar que trabalhar com música é sentir prazer o tempo todo. E com a infindável onda de discursos que dizem que você só vai ser feliz se trabalhar no que lhe dá mais prazer, no que mais ama, cresce a cada dia o número de pessoas que sonham em “viver de música”. Já pensou você não precisar mais pegar ônibus ou enfrentar um engarrafamento de trânsito até o seu trabalho e apenas num piscar de olhos aparecer no palco de programas como “The Voice”, “Superstar” ou “Popstar”? Imagine não ter mais que vestir um uniforme para entrar num fábrica e apenas trabalhar no Rock in Rio? Quem não iria preferir abandonar o forno de um terno e a forca de uma gravata apertada para estar bem à vontade cantando como Nego do Borel para a plateia animada da Estudantina na novela “A Força do Querer”? Mas subir no palco ou aparecer na TV, o aspecto performático do trabalho com a música, que sedutoramente parece ser o mais prazeroso, é somente uma “ponta do Iceberg”. Para que a música chegue aos seus ouvidos, ela percorre um caminho complexo. É o que chamamos de “cadeia produtiva da música”. Já ouviu falar?


Mesmo que você não tenha ouvido falar, o assunto não é tão novo. O economista e pesquisador Luis Carlos Prestes Filho lançou em 2005 o livro "A Cadeia Produtiva da Economia da Música", um mapeamento de como funcionava o negócio da música no estado do Rio de Janeiro. Para você ter uma ideia dos valores financeiros movimentados, veja o exemplo do Rock´ n´ Rio. Na época da pesquisa, o livro citou que o evento movimentava entre R$ 350 milhões a R$ 500 milhões, num rede de negócios que abrangia 42 atividades, 363 sub-atividades, cerca de 150 contratos, mais de 100 empresas e ocupação para cinco mil pessoas. Segundo o Jornal O Globo, a última edição do festival, o Rock in Rio 2015, pôs na economia da cidade do Rio de Janeiro um ingresso de dinheiro calculado em R$ 625 milhões.

A cadeia produtiva da música abrange as seguintes etapas: pré-produção, produção, distribuição, comercialização e consumo. Quando você escuta uma música, ou seja, quando você consome a música, ela já passou por todas estas etapas. E tem muitos profissionais e empresas envolvidos nisso. Mas nem tudo são flores. Apesar de desejada, a carreira na música nem sempre traz o reconhecimento e retorno financeiro esperado. Muita gente acaba desenvolvendo a atividade de música juntamente com outras profissões.





clique na imagem para melhor visualização



O debate sobre como desenvolver mais a cadeia produtiva da música no Brasil, sobre como ela pode gerar mais oportunidades de trabalho, é um verdadeiro labirinto. Há quem diga que o problema são as grandes redes de comunicação que dominam boa parte dos canais de distribuição da música, não dando muita chance para muitas pessoas que estão começando. Há quem diga que o problema é falta de uma política de governo que incentive a atividade. Há quem diga que o problema é a falta de financiamento. Há quem diga que a falta de profissionalização atrasa o mercado da música como um todo. E mais recentemente discute-se a pouca renda gerada com o streaming da música. As dez músicas mais tocadas em 2016 em plataformas de streaming (Spotify, Deezer, Napster, Apple Music) repassaram em direitos autorais aos compositores R$ 46.199,20, ao passo que as dez músicas que mais tocaram no rádio em 2016 repassaram R$ 1.567.761,06 em direitos autorais (quase 34 vezes mais dinheiro que a arrecadação do streaming).



Se por um lado muitos obstáculos continuam dificultando o surgimento de carreiras e negócios na música, por outro hoje em dia existem mais possibilidades. Se você está começando sua carreira, invista parte do seu tempo estudando. Procure compreender um pouco o negócio da música. Estude duas publicações disponibilizadas no site do SEBRAE:














Se você estiver em Rio Branco, apareça lá na Expoacre para gente falar mais sobre a música. Começa às 19h.





*************************************


[Gostou do conteúdo? Comente para pessoas que tenham interesse no tema e divulgue no seu mailing e redes sociais. Obrigado! Se você achar que o texto não ficou claro, envie sugestões de melhorias para alebarreto@gmail.com Quero aprender com você. Cadastre-se e receba conteúdos enviando seu e-mail para alebarreto@gmail.com]



*************************************







* Alexandre Barreto é administrador pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (EAD/UFRGS) e MBA em Gestão Cultural pela Universidade Cândido Mendes (RJ) . Empreendedor que dissemina conhecimentos e atua em redes para promover mudanças. Escreveu os livros Aprenda a Organizar um Show e Carreira Artística e Criativa
Saiba mais

quinta-feira, novembro 19, 2009

Feira da Música do Sul - de 19 a 22 de novembro de 2009 - Novo Hamburgo - RS




Por Alê Barreto (produtor cultural independente)


Era dezembro de 2005 e lá estava eu assistindo shows no Largo Pedro Arcanjo, no Pelourinho, durante a programação cultural do VI Mercado Cultural em Salvador (BA). De repente, encontro Moysés Lopes, músico da Camerata Brasileira, outro gaúcho como eu, que estava em terras soteropolitanas e começamos a conversar. Naquele momento, tivemos o consenso instantâneo de que precisamos levar a idéia de organização do Mercado Cultural para o Rio Grande do Sul. Não tínhamos noção do tempo que levaria para ser concretizado este sonho. Mas nunca desistimos.

De lá para cá, Moysés foi conhecer a Feira da Música de Fortaleza. Eu fui conhecer a Feira da Música Independente de Brasília, mas um sonho sempre este presente em nossos pensamentos: a música do Rio Grande do Sul, em toda sua diversidade, precisava de um espaço organizado para se expandir.

Foram muitas reuniões. Apresentações de propostas. Audiências públicas. Articulações com agentes do poder público. Conseguimos.

Hoje começa a primeira Feira da Música do Sul, que pretende reunir a cadeia produtiva da música do Rio Grande do Sul, de 19 a 22 de novembro, nos pavilhões da Fenac, em Novo Hamburgo.

É importante destacar que esta realização somente foi possível graças a duas grandes articulações:

- o Fórum de Economia da Cultura, coordenado pelo deputado Ronaldo Zülke na Comissão de Economia e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa do RS;

- e o Fórum Permanente de Música do RS, coordenado pelo músico, produtor e empreendedor cultural Moysés Lopes.

A realização é da GB Produtora e são apoiadores do projeto a Fenac, sede do evento, o Sebrae/RS, a Agência Brasileira de Promoção das Exportações do governo federal (Apex Brasil), a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), a Brasil, Música e Artes (BM&A), a Unimed, a Converse e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A Feira tem financiamento da Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura, e patrocínio da Petrobras e Eletrobrás.


Serviço:
O que: Feira da Música do Sul
Quando: 19 a 22 de novembro de 2009
Onde: Pavilhões da Fenac, em Novo Hamburgo
Hora: das 10h às 24h

Veja a programação

segunda-feira, outubro 26, 2009

U2 ao vivo no Youtube



Por Alê Barreto (produtor cultural independente)


Quando comecei a trabalhar com a produção de shows, em 2003, a relação entre a internet e a música, na vida prática, estava centrada na idéia de que era importante artistas e produtores terem um site. De lá para cá, muita coisa mudou. E mudou muito mais rápido do que poderíamos imaginar.

Com o avanço da "urbanização" do espaço virtual, cada vez mais surgem novas possibilidades de se divulgar, distribuir, comercializar e se consumir a música. Isso tem causado uma verdadeira "guerra" entre quem acha que o download gratuito deve ser proibido e quem acha que todos devem ter direito de acesso a conteúdos.

Ontem, dia 26 de outubro de 2009, o U2 inaugurou um novo momento na história da produção cultural: transmitiu ao vivo pelo youtube o show que realizou no estádio Rose Bowl de Pasadena, oeste dos EUA para 20 países, entre eles Brasil, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Reino Unido, Espanha, Estados Unidos, França, Índia e Irlanda.




Assista uma das músicas do show e pense na possibilidade de utilizar alguma plataforma da web para transmitir os seus shows.

domingo, maio 03, 2009

Música Ltda. : o negócio da música para empreendedores


Foz do Rio São Francisco em Piaçabuçu/Foto: Oona Castro (RJ)


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Fazia um tempo que eu não entrava em um dos meus sites preferidos, o Overmundo. Quando cheguei na seção do meu perfil, me deparei com uma mensagem sugerindo que eu conhecesse um trabalho publicado no banco de cultura do site. Entrei no atalho indicado e tive a boa surpresa de encontrar "Música Ltda: o negócio da música para empreendedores". Trata-se do trabalho de conclusão do curso de Especialização em Gestão de Negócios de Leonardo Santos Salazar, realizado na Faculdade de Ciências da Administração da Universidade de Pernambuco.

Falo em boa surpresa porque este trabalho traz informações muito importantes para artistas e produtores culturais independentes que estão construindo a sustentabilidade de seus trabalhos.

Segue um breve resumo do autor:

O negócio da música faz parte da indústria do entretenimento, segmento que
movimenta bilhões de dólares em todo o mundo, superando a indústria automobilística em faturamento, ficando atrás apenas da indústria bélica. Artistas e produtores de pequeno porte não possuem conhecimentos e técnicas específicas para empreenderem seu próprio negócio ou para administrarem a própria carreira. Este trabalho procurou abordar os principais assuntos nas áreas de indústria da música, empreendedorismo, finanças e marketing. Procuramos apresentar os temas através de uma linguagem simples, utilizando exemplos concretos e fazendo observações críticas. A cadeia produtiva da música está baseada principalmente em dois produtos: o disco e o show. A queda nas vendas de discos transformou o show na principal fonte de renda dos artistas hoje em dia. O empreendedorismo surge atualmente como resposta ao desemprego, tanto para um recém formado de 22 anos de idade, como também para um recém demitido de 40 anos. Empreender significa realizar um projeto. O primeiro passo é elaborar o plano de negócio. É preciso controlar os custos, possuir uma margem de lucro competitiva e calcular os impostos envolvidos em cada operação para obter lucro com o negócio e longevidade na carreira artística. Nenhuma organização sobrevive no mercado sem um saldo final positivo. Vender discos nos shows é uma estratégia para auferir receita de dois produtos com uma única oportunidade. A internet é um meio para divulgar e vender música. É uma maneira de driblar as rádios comerciais e colocar os produtos disponíveis para todo o mundo, sem custos com estoque e comissão. Tudo isso é marketing. Na parte final do trabalho apresentamos um modelo de plano de negócio para uma banda de música. As informações inseridas no plano refletem a realidade do mercado brasileiro. O modelo de negócio elaborado está de acordo com as leis nacionais que privilegiam a microempresa e a empresa de pequeno porte.

Quem tiver interesse, pode estudar o trabalho na íntegra.

domingo, abril 12, 2009

Reinvente o que você faz


Chimbinha e os Paralamas do Sucesso. Foto: Kelly Fuzaro/MTV


Por Alê Barreto


Neste domingo, sentei num quiosque perto do Posto 9 aqui no RJ e comecei a ler as minhas revistas. Lá pelas tantas, peguei a Trip nº 175 e fiz uma imersão na matéria sobre o Chimbinha, guitarrista da banda Calypso.

Após finalizar a leitura, percebi que uma das minhas reflexões sobre como surgem as alternativas para continuar o trabalho no qual acreditamos estava certa. A necessidade fala mais alto que qualquer outra coisa. A carreira da maior parte dos profissionais da cultura que eu acompanho sempre avança em função das reais necessidades. Tudo o que construi até hoje na minha carreira teve origem numa necessidade.

Inúmeras vezes ouço artistas me falando que as coisas estão difíceis e que já fizeram muito pelo seu trabalho. Quando questiono o que é o "muito", as pessoas me falam que gravaram um CD, prensaram 2.000 cópias com patrocínio via alguma lei de incentivo. Me falam que divulgaram o trabalho (somente na época do show de lançamento) para umas 10 ou 20 rádios da sua cidade e estado e fazem uma média de 1 a dois shows todos os meses. Ai eu olho o padrão de vida dos caras, muitos deles classe média, classe média alta ou classe alta e concluo que ninguém tem coragem de investir no próprio trabalho. No fundo, não acreditam no que fazem e querem passar a investir no dia que o próprio trabalho começar a dar retorno.

Estas pessoas vivem procurando um produtor ou empresário que vai ser capaz de investir tempo, estrutura administrativa e dinheiro para divulgar um trabalho que elas próprias não dão o menor sinal que acreditam. Eu digo isso porque se o cara acredita realmente no que faz, ele aposta fundo nisso. Se você quer que algo aconteça, você tem que investir.

Se você acha que ensaiar alguns dias, quando o pessoal da banda "está a fim" é uma atitude que irá construir algo na sua carreira, eu peço que você lembre que o Chimbinha participou da gravação de mais de mil cds como guitarrista. Ele diz na reportagem que "tocava todos os ritmos que pedissem. E não gravava só aqui. Gravava em Recife, Fortaleza, Manaus. Eu fiquei de 90 até 99 no estúdio, gravando dia e noite sem parar. Entrava nove da manhã e saía às três da madrugada todos os dias".



Capa da revista Trip 175


Se você acha que pendurar uma música no myspace, facebook, etc, que é o que todo mundo faz, e ficar esperando alguém descobri-lo é a melhor alternativa, leia este trecho da reportagem:

"Pergunta: Em Belém existem as rádios de poste, que ficam tocando música em alto-falantes na rua. Eu ouvi dizer que elas foram muito importantes para vocês no começo da carreira. Como foi essa história?

Eu me emociono quando me lembro disso. Esses dias agora andando em Belém. passei numa rua e comecei a chorar. De felicidade, de alegria, mas também daquele sofrimento que eu passei no começo. A gente morava na Cidade Velha, num quartinho de quatro por quatro, só tinha uma cama e um fogão. Quando a gente lançou o primeiro disco, eu falei: tenho que parar de gravar como músico de estúdio para divulgar esse CD. Eu saía de casa cedo, às sete da manhã. Não tinha dinheiro pra comer, passava o dia tomando água. Também não tinha dinheiro para pegar ônibus, então ia a pé para as rádios. Se você visse as distâncias, ia ter pena de mim [risos]. Mas não tinha como eles tocarem a gente. Porque, pra tocar numa rádio, ou você está muito estourado ou então você tem que fazer promoção.

Pergunta: Pagar jabá?

Não chegava a ser jabá, porque não tinha grana. Era armar uma promoção com o diretor da rádio, por exemplo comprar mil camisetas pra sortear. Mas eu estava sempre liso. Não sabia mais o que fazer. Um dia, quando eu ia para casa, eu escutei essas rádios de poste tocando música. Aí tive um estalo. Passei
a divulgar nosso disco nessas rádios. Daí a cidade todinha começou a tocar a Banda Calypso nos postes.

Em menos de três meses, estavam todas as rádios normais tocando também. Porque as pessoas que ouviam no poste ligavam e pediam nossa música. Eu distribuí de graça 50 mil CDs do nosso primeiro disco, para loja, carro de som, rádio de poste, pro público. Aí a banda estourou no primeiro disco. A gente fazia show e não ficava com o dinheiro. Sobravam R$ 2, 3, 4 mil por semana, a gente fazia CD e dava pro povo.


Então, eu convido você a pensar se realmente acredita no que você faz, se você realmente quer viver da sua arte e o que você está fazendo para que isso se torne realidade.

Leia a reportagem na íntegra. Vale a pena. Parabéns para revista Trip, para o texto do Ricardo Calil, para as fotos do Julio Kohl e principalmente para o Chimbinha, Joelma e a banda Calypso.

domingo, dezembro 14, 2008

Música, ídolos e poder: do vinil ao download



Conteúdo extraído do site da Approach Gestão de Informação e do site de André Midani (www.midani.com.br)

Testemunha ocular do Dia D, desertor da Guerra da Argélia, confeiteiro em Paris, executivo da Odeon, Phonogram e WEA, pioneiro na iniciativa de análises qualitativas de mercado, negociador da libertação do publicitário Washington Olivetto. A autobiografia de André Midani é mais do que um depoimento de quem observa os bastidores do mercado musical brasileiro sob um ângulo privilegiado desde a década de 1950. Além de viver alguns dos grandes momentos da história, Midani participou ativamente do nascimento da Bossa Nova, da Tropicália e do rock nacional, dos grandes festivais de música e das fantásticas jogadas de marketing das gravadoras para projetar seus ídolos. Uma trajetória de vida riquíssima, de quem saiu do zero e chegou ao topo do mundo, narrada em detalhes no livro Música, ídolos e poder, que a Nova Fronteira lança em setembro.

No final da década de 1940, o jovem André Midani era confeiteiro em Paris, acostumado a pegar no batente às quatro da madrugada e carregar sacos de farinha nas costas. O açúcar e os ovos foram deixados de lado em uma noite fortuita, quando ele entrou num cinema e assistiu ao documentário Jammin’ the Blues. No dia seguinte, Midani saiu à procura de um emprego como vendedor de discos. Foi o primeiro passo na carreira do maior executivo da indústria musical brasileira. Seu destino de Midas do disco parecia já estar traçado, mas tudo aconteceu por acaso. Em 1955, André saiu da França para evitar a convocação para lutar na Guerra da Argélia e a América do Sul foi o continente escolhido. Na chegada ao Brasil, a sorte lhe sorriu: ao ser confundido com um executivo estrangeiro, conseguiu um emprego na Odeon.

A trajetória do self-made-man teve início com a descoberta dos futuros ídolos da Bossa Nova, ainda numa era dominada pelos cantores do rádio, como Francisco Alves, Aracy de Almeida e Dalva de Oliveira. Hoje consagrado, o novo gênero enfrentou grande oposição. Na primeira audição de “Chega de saudade”, o gerente de vendas da Odeon simplesmente jogou o acetato no chão e esbravejou: “Isso é música de veado!”

A segunda onda veio com a Tropicália e a MPB: Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Elis Regina, Chico Buarque, Vinicius de Moraes — todos eles seriam contratados pelo então executivo da Companhia Brasileira de Discos, filial da Philips. Da década de 1970 em diante, Midani dividiu-se entre os festivais internacionais da canção e o rock nacional. Participou da organização de eventos como a Phono 73 e implementou a noite brasileira no Festival de Jazz de Montreux. Apostou nos Mutantes, em Rita Lee, em Erasmo Carlos e em Jorge Ben Jor. Foi criticado quando disse que o rock seria o futuro da música brasileira. Mas investiu nos Titãs, no Barão Vermelho, no Kid Abelha, no Ultraje a Rigor. E deu no que deu.

Esse executivo que passou 12 anos em Nova York, responsável por 14 companhias de disco no mundo hispânico, participou do lançamento de Luis Miguel e Alejandro Sanz. Mas o trabalho com os ídolos da música não era exatamente uma festa. Numa hora, era obrigado a descolar cocaína para Rod Stewart fazer uma festinha. Em outra, uma garota da Playboy para o tímido Prince. Entre uma gravação e outra, Midani ainda arrumou tempo para se casar com algumas das mulheres mais interessantes da época.

Nas páginas de sua autobiografia, este homem que conhece os meandros do negócio do disco desvenda as origens mafiosas do grupo Warner e a relação entre Mao Tsé-Tung e a pirataria de CDs. Aponta como a crescente dependência do jabá levou a indústria musical a um beco sem saída. E mostra o que acontece quando as gravadoras submetem os seus líderes criativos aos ditames traçados pelos tecnocratas do mercado.

Leia um trecho do livro