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quinta-feira, julho 28, 2011

Festival Porão do Rock promove profissionalização dos músicos do Distrito Federal




Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Recebi ontem de um ex-aluno que participou do meu curso "Aprenda a Organizar um Show" em Brasília, o e-mail de divulgação que a querida Alê Capone está fazendo sobre um importante encontro que o Festival Porão do Rock está promovendo hoje em Brasília.

Achei importantíssimo divulgar, pois serve de exemplo para muitos festivais que se auto-intitulam "independentes", mas que não promovem a profissionalização.

Trabalhar de forma profissional, não é algo que se aprende rapidamente. É preciso sensibilização, acompanhamento, reflexão e estudo. E quanto mais profissional você se torna, mais percebe a necessidade do mercado estar organizado.

O Produtor Cultural Independente manda do Rio de Janeiro parabéns para Alê Capone, para a Triskelion Produções e para toda equipe de pessoas que trabalha neste grande encontro que é o Porão do Rock!


Segue abaixo a divulgação.


---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Alexandra Capone
Data: 27 de julho de 2011 18:15
Assunto: Fwd: PDR 2011 || Porão na Roda promove mesa redonda sobre capacitação profissional
Para: mulheres

Pessoal, queria ajuda para repassar!!Conto com vocês!
Beijoo
Alê


Porão do Rock promove mesa redonda sobre capacitação profissional
Objetivo é debater a profissionalização dos músicos locais

A ONG Porão do Rock e a Secretaria de Cultura do Distrito Federal promoverão, nesta quinta-feira, 28 de julho, às 19h, no auditório 2 do Museu da República, a capacitação profissional Porão na Roda, que vai reunir produtores, representantes da classe artística e da cultura local para debater com músicos da cidade a profissionalização do setor no mercado.

A entrada é franca.

O objetivo é apresentar um panorama do mercado local para músicos e produtores e também apontar caminhos que possibilitem às bandas participar tanto de eventos públicos como privados. Entre os principais tópicos que serão abordados no encontro estarão questões como, por exemplo, a importância da certificação profissional (carteira da Ordem dos Músicos do Brasil, Sindicato dos Músicos e Delegacia Regional do Trabalho).

Participarão do encontro, o produtor do festival Porão do Rock 2011, Gustavo Sá, Miguel Ribeiro (secretário adjunto de Cultura), Leonardo Hernandez (Fundo de Apoio à Cultura, FAC), Roberto Chaves (departamento jurídico da Secretaria de Cultura), Alexandre Rangel (UAG da Secretaria de Cultura) e Marta Carvalho (Ossos do Ofício).

Os mediadores serão os produtores culturais Cacá Silva e Alexandra Capone.


TÓPICOS QUE SERÃO ABORDADOS:

• O que faz um produtor, um agente e um empresário de uma banda ou artista?
• Por que, às vezes, é mais fácil contratar um artista de fora do que do DF?
• Perspectiva da Copa do Mundo de 2014 e a necessidade da profissionalização do mercado para atender essa demanda.
• Comprovação de cachê: formalização das relações de trabalho. Elaboração de contratos, emissão de notas fiscais
• Lei 8.666 - o que rege a lei? O que é inegibilidade?
• Certificação profissional (OMB, Sindicato, DRT), clipping, release – Para que servem?
• Cartas de anuência e de exclusividade. Para que serve cada uma. Maiores erros cometidos.
• O que é uma certidão negativa?
• Critérios:- como um curador seleciona um artista.
• O que faz um produtor ou agente deixar de trabalhar com determinados artistas?
• O novo mercado da música em Brasília.
• Uma nova política cultural para o DF.


SERVIÇO PORÃO NA RODA

Data: 28/7 (HOJE)

Hora: 19h

Local: Auditório 2 do Museu da República

Mais informações: www.poraodorock.com.br

ENTRADA FRANCA


Cristiano Bastos | Bruno Peres| Alê dos Santos | Fred Cunha | Manuela Lopes

Assessoria de Comunicação

SCS Qdra 2 | Bloco C | Entrada 22 | Ed. Serra Dourada | sala 503 | cep 70.300-902

(61) 3045 0602 | 8259 2453

Nextel: (61) 7815 2135 | id: 88*25611

www.capitalcomunicacao.com.br
twitter: @capitalmkt


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* Alê Barreto é um administrador e produtor cultural independente. Trabalha com foco na organização e qualificação dos profissionais de arte, comunicação, cultura e entretenimento. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows, escreve para o site Overmundo e para a revista Fazer e Vender Cultura.

Ministra cursos, oficinas, workshops e palestras. Já atuou em capacitação de grupos culturais em parceria com o SEBRAE AC. Presta consultoria e assessoria para artistas, empresas e produtores.

Contato: (21) 7627-0690 Rio de Janeiro - RJ - Brasil


* O blog Produtor Cultural Independente está em atividade desde 2006. Possui mais 700 posts e links de seus conteúdos são enviados para 4.808 pessoas através de redes sociais. Faz parte da Rede Produtor Cultural Independente, uma rede de conteúdos composta pelos blogs Produtor Independente (592 seguidores), Blog do Alê Barreto (55 seguidores), Aprenda a Organizar um Show (32 seguidores) Aprenda a Produzir um Artista (16 seguidores), Encantadoras Mulheres (13 seguidores) e Aprenda a divulgar seu evento (2 seguidores).



Alê Barreto é cliente do Itaú.


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O Produtor Cultural Independente gerencia os perfis das redes sociais da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC). Receba informações pelo Facebook e pelo Twitter

sábado, maio 29, 2010

Agentes culturais independentes de Brasília mobilizam comunidade cultural para reunião com Ministro da Cultura


Vídeo de divulgação da festa Brasília Outros 50 que aconteceu de 20 a 23 de abril no Complexo Cultural Funarte em Brasília


Por Alê Barreto
Administrador, produtor cultural independente e palestrante


No post "Artistas e produtores trabalham pela organização do setor cultural em Brasília", comentei que Brasília está num momento de grande efervescência cultural.

Vejam uma mobilização que está sendo coordenada pela produtora Alê Capone.


Nesta Segunda: REUNIÃO DOS ARTISTAS DO BRASÍLIA OUTROS 50 COM O MINISTRO JUCA FERREIRA


Caríssimos Amigos da Música,

O Ministro da Cultura Juca Ferreira convocou para segunda-feira, dia 31, uma reunião com os artistas e produtores do movimento BRASÍLIA OUTROS 50. A reunião será na sala Plínio Marcos que fica no Complexo da Funarte ás 10 horas da manhã.

O motivo da reunião é ouvir a comunidade cultural e saber quais são as demandas do setor.

Gente, é muito importante que a classe musical se una e lote aquele espaço. Sem organização não temos como avançar nas políticas pro nosso setor e nem exigir que possamos continuar a ser protagonistas dos próximos aniversários de nossa cidade.

A situação política da cultura do DF está um caos e corremos sérios riscos inclusive do FAC deste ano não sair. Os espaços culturais estão sendo desativados e a secretaria não deu a contrapartida para o pontão da 508 sul e os 20 pontos de cultura receberem os recursos do ministério.

O aniversário de Brasília foi lindo e pela primeira vez nos sentimos pertencentes a este processo, mas sem a nossa união não teremos como efetivar esta conquista e exigir que a cidade valorize nossos artistas e a nossa identidade cultural.

Estamos querendo desdobrar os outros 50 em uma série de eventos durante o ano, mas isso só será possível com o apoio de todos e do Ministério da Cultura

Repassem este e-mail para os músicos de suas bandas e todos mais de seus maillings.

O Ministro chegará pontualmente ás 10 horas. Então, estamos marcando ás 9:30 para que possamos eleger nossos interlocutores e fazer a lista com as inscrições das falas.

Na ocasião a Michelle também estará presente para receber a documentação dos músicos referente ao projeto Brasília outros 50.

Obrigada.

Alê Capone
Coordenação Música
Brasília Outros 50
Tel/fax (55) 61 3046-0050
Cel 55 61 7814-0063
ID 8*57408

Pela união da cadeia produtiva da cultura!
BRASÍLIA OUTROS 50


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Leia outros conteúdos do Produtor Cultural Independente publicados em maio


A importância de entender o seu movimento na arte

Produção cultural precisa de diálogo

A mídias somos nós

Grupos Culturais do Acre se organizam e ampliam sua qualificação profissional

Livro "Aprenda a Organizar um Show" contribui para formação de agentes culturais em Angola

João Barone dá bons exemplos de compartilhamento de conhecimentos e organização

Estude Políticas Culturais

Itaú Cultural e Fundação Casa Rui Barbosa lançam o edital 2010 Rumos Pesquisa na próxima quarta-feira no RJ

Um produtor cultural precisa aprender o que é jornalismo cultural

Selo Povo: uma nova forma de distribuir e comercializar livros no Brasil

Funarte lança 34 editais: 56 milhões para as artes [captação de recursos]

terça-feira, maio 18, 2010

Grupos Culturais do Acre se organizam e ampliam sua qualificação profissional




Por Alê Barreto
Administrador, produtor cultural independente e palestrante


Ano passado, fui contratado pelo Sebrae para realizar um repasse metodológico de gestão em produção cultural para Grupos Culturais do Acre, em parceria com a Rede Acreana de Cultura, formada pela Fundação Municipal de Cultura Garibaldi Brasil (Rio Branco), Fundação Elias Mansour, SEBRAE, SESC, IPHAM e SESI.

Este trabalho teve como ponto de partida a visão do Sebrae/AC de buscar qualificar agentes culturais para desenvolvimento da economia criativa do estado do Acre.

Duas etapas já foram concluídas:

- estudo de textos introdutórios com tutoria à distância, realizado de 16 a 20/11/2009;

- treinamento presencial teórico de introdução à gestão na produção cultural, realizado de 23/11 a 28/11/2009. Fez parte desta etapa do curso "Aprenda a Organizar um Show".

O conteúdo e os métodos utilizados nesta etapa deram origem a um produto didático intitulado "CARTILHA LIVRE DE INICIAÇÃO À GESTÃO NA PRODUÇÃO CULTURAL", que permitirá que os participantes atuem como multiplicadores.



Ontem iniciamos a terceira etapa. Trata-se de uma atividade de benchmarking acompanhando atividades práticas de produção cultural e seminários no Festival Bananada em Goiânia/GO. Esta atividade está sendo realizada através de uma parceria com o Sebrae/GO, Coletivo Pequi de Anápolis/GO e Monstro Produtora.

Neste primeiro dia realizamos reuniões preparatórias e participamos de um seminário sobre "Gestão, Planejamento e Empreendedorismo Cultural" em Anápolis, que contou com a participação do Alex Lima do Sebrae/AC, Pablo Kossa da Fósforo Records e eu.

Acho fundamental dar visibilidade a esta ação pois trata-se de um importante movimento de construção de sustentabilidade de grupos e empreendedores culturais tendo por base a organização de redes, troca de conhecimentos e capacitação profissional, uma tendência crescente no Brasil.

Cultura no Brasil está começando a ser percebida pelos governos e sociedade civil organizada como uma importante aliada do desenvolvimento.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Conheça como jovens cineastas de Campinas estão viabilizando suas produções



Alê Barreto
Administrador, produtor cultural independente e palestrante


Leia a matéria "Jovens cineastas na ativa falam de sobrevivência e mercado" de Adriano Conter, publicada em 06/02/10 no site www.eptv.com e veja como estes jovens estão viabilizando suas ações culturais independentes.

domingo, janeiro 17, 2010

Empresas de produção artística e cultural tem alíquota de impostos menor a partir de janeiro de 2010




Alê Barreto (produtor cultural independente)
Twitter


Em dezembro de 2009 publiquei um post no qual informava que estava tramitando no Senado um projeto de lei para diminuir a tributação para as empresas de produção artística e cultural. Nesta ocasião fui entrevistado pelas repórteres Daniele Lessa e Karina Rosemberg, da Rádio Câmara, em Brasília, e falei sobre a importância e a repercussão da aprovação deste projeto para o setor cultural.

Pois o projeto virou lei e passou a vigorar desde o dia 1º de janeiro.

Leia na íntegra a matéria de Daniele Lessa publicada no site da Rádio Câmara em 05 de janeiro de 2010.





Empresas de produção cultural voltam a ter tributação mais baixa


Em 2006, foi instituído o Supersimples, sistema simplificado de impostos para micro e pequenas empresas. O sistema beneficiou muita gente, mas um erro de classificação colocou a classe artística com uma alíquota de imposto muito maior do que as outras áreas.

Um projeto de lei aprovado na Câmara e no Senado em 2009 e já sancionado pelo Executivo vai corrigir essa situação.

As empresas de produção artística e cultural enquadradas no Supersimples voltaram a ter alíquotas de tributação mais baixas.

A lei permite que essas companhias sejam tributadas em, no mínimo, 4,5%, sendo que o setor vinha recolhendo seus tributos sobre um índice inicial de 17,5%.

Segundo o autor da proposta, deputado Antônio Carlos Mendes Thame, do PSDB paulista, o texto aprovado corrige uma distorção que fez com que as empresas artísticas buscassem meios para burlar a tributação.

"O setor artístico não conseguia emitir nota. Ou parou ou deixou de emitir nota, inventou um sistema paralelo para tentar escapar desta tributação que no caso deles é algo expulsatório. Agora, voltando ao normal, certamente vai ficar mais fácil produzir atividades artísticas"

O produtor cultural Alê Barreto, confirma que para conseguir uma tributação menor, as empresas culturais passaram a inscrever seus projetos dentro de outras atividades econômicas.

"Você está trabalhando com produção de atividades artísticas e acaba muitas vezes fazendo isso passar por assessoria de comunicação, assessoria de imprensa ou por outros tipos de atividades econômicas. Qual é o dano que isso causa para o país? Não é um dano apenas de não recolher o tributo correto conforme a atividade que você desempenha, mas na hora de mensurar a contribuição da cultura para a economia do país você não encontra os dados porque os gastos culturais estão escondidos nas outras contas do governo."

Essa lei que diminui a alíquota de imposto para as empresas de produção artística e cultural também inclui produtoras cinematográficas e audiovisuais na mesma faixa de tributação.


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Leia mais sobre este assunto na matéria "Sancionado o Simples da Cultura" no site do Ministério da Cultura.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Está se formando no Brasil a "cadeia de profissionalização da cultura"


Imagem gentilmente copiada do site Social Media de Raquel Recuero

Alê Barreto (produtor cultural independente)
twitter


Recentemente, Kátia de Marco, coordenadora acadêmica do Programa de Pós-graduação em Estudos Culturais e Sociais da Universidade Candido Mendes (UCAM), presidente-fundadora da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC), membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), subsecretária de Planejamento Cultural de Niterói e coordenadora do projeto Niterói Artes, da Fundação de Arte de Niterói, publicou no blog Acesso um texto falando sobre a profissionalização dos setores culturais e do surgimento de novas demandas formativas requeridas pelas estruturas funcionais das instituições e dos setores de produção artística e cultural.

Segue abaixo o texto na íntegra.


Cadeia de profissionalização da cultura

Por Katia de Marco *





Para traçarmos um breve painel acerca da ativação do processo de profissionalização dos setores culturais e do surgimento de novas demandas formativas em gestão, economia, política e produção na cultura, requeridas pelas estruturas funcionais das instituições e dos setores de produção artística e cultural, e consequentemente aquecidas nos currículos acadêmicos, tomamos emprestado da economia o conceito de “cadeias produtivas”. Consideramos a contribuição dessas estruturas para uma visão sistêmica e holística da instauração de um novo campo de trabalho.

Vivenciamos há três décadas a intensificação de mudanças decorrentes dos processos de globalização econômica e cultural, alicerçados no avanço das tecnologias das redes informáticas e na ampliação gradativa de acessos presenciais e virtuais a esses recursos. Sabemos que o acirramento dessas mudanças se deu, em grande parte, pela paulatina centralidade que a cultura vem assumindo como pedra fundamental do desenvolvimento inclusivo nas sociedades contemporâneas. Se até recentemente a cultura orbitava em segundo plano em torno de segmentos prioritários, hoje ela integra a esfera prima, inserindo-se em estratégias programáticas nos diversos setores sociais, políticos e econômicos.

Em um passado não muito distante, lembramos a concepção da cultura como instância que floresce e atinge sua plenitude em potencialidades desenvolvidas, quando a sociedade em questão obtém resultados positivos em seus índices econômicos e mercados superavitários, como se a liberação dos canais de valorização e de difusão de sua produção cultural, em escalas artesanais e industriais, com profissionalismo, rigor, fundamento e qualidade de conteúdo, estivesse circunscrita aos países ditos desenvolvidos no que se refere à produção de arte, conhecimento e entretenimento. Era como se os países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos tivessem prioridades mais prementes para investimentos, relegando a cultura a um segundo plano. Novos paradigmas norteiam essa dinâmica na atualidade. Novos desafios gerenciais eclodem no século XXI.

Configurações inéditas são compartilhadas na esfera de novas dimensões, no usufruto do tempo nas sociedades ocidentais, notadamente no que tange às mudanças demográficas – taxas de natalidade mais controladas e aumento dos índices de expectativa de vida –, passando pelas dimensões rebalanceadas entre trabalho e lazer, e instaurando a incipiente tendência de distensão de jornadas de trabalho presenciais e de valorização da criação como capital humano e bem tangível para as escalas de novos mercados e de consumos nos grandes centros urbanos (Drucker, 2001) . Por meio da trilogia ideária das distâncias encurtadas, do tempo estendido e, sobretudo, dos acessos informacionais multiplicados pela tecnologia, esse quadro lança as bases de uma tendência global. Trata-se de uma correnteza que expande as novas reconfigurações entre cultura, desenvolvimento e sustentabilidade, proporcionando a geração de novas estruturas profissionais balizadas pelo gerenciamento como conhecimento e método para acessar os desafios de todo tipo de escassez e de concorrências de mercados oscilantes e sem fronteiras geográficas.

Quando falamos em formação e em capacitação profissional, indicamos a ampliação do foco para a percepção de que esse é um dos elos de uma corrente da qual propomos tratar mediante uma abordagem metodológica derivada das estruturas rizomáticas das cadeias produtivas setoriais.

Segundo Jean-Paul Rodrigue , uma cadeia produtiva é uma rede de atividades integradas de criação, de produção, de comércio e de serviços, funcionalmente ligadas e interdependentes, desde a transformação de matérias-primas, passando pelos estágios intermediários de produção, até a entrega do produto acabado ao mercado com o objetivo de criação de valor.

Ao partirmos dessa analogia com o conceito de cadeias produtivas, importamos de maneira exígua a compreensão de que cada parte contém o todo e de que o todo é o somatório ativo do equilíbrio de suas partes. Assim, dividimos a cadeia de profissionalização da cultura em quatro segmentos básicos e estruturantes: 1) formação profissional; 2) formação da profissão; 3) formação do conhecimento; e 4) formação do mercado. Neste artigo, vamos sublinhar sinopticamente cada um deles.


Formação profissional

Ao responder a uma demanda real por capacitação acadêmica, a formação profissional deve estar rigorosamente fundamentada na interação entre saberes e ciências afins, mediante a construção de seu objeto científico e a sistematização dos conhecimentos intrínsecos – técnicos e acadêmicos – que a circundam, na busca de filtrar especificidades e de construir métodos próprios, sob a égide da dialética da construção do saber. É mister que esse nicho de formação esteja balizado pela mescla e pelas nuanças oscilantes da união conceitual com a interação da práxis, construída no cotidiano pregresso, enquanto o conhecimento se dá empiricamente como vivências e práticas dispersas, apesar de intensivas, a ponto de gerar e de refletir essas novas configurações profissionalizantes.

Se antes recebíamos, nos cursos de graduação e de pós-graduação que desenvolvemos na Universidade Candido Mendes, em convênio com a Associação Brasileira de Gestão Cultural desde 2001, artistas advindos dos diversos meios de expressão, produtores independentes e coordenadores institucionais de cultura que buscavam afinar o contato com uma linguagem mais técnica e estratégica do mundo dos negócios e dos conceitos sociológicos mais amplos das esferas da cultura, para ampliar suas atuações em suas carreiras ou nos serviços prestados, hoje também recebemos profissionais oriundos de bases formativas de graduação de diversas áreas acadêmicas, com as quais justamente abrimos o diálogo acadêmico e a interação com seus mercados de trabalho. Discorremos sobre administração de empresas, marketing institucional, economia, direito, ciências sociais, museologia, comunicação, contabilidade, além das artes em geral.


Formação da profissão

A formação da profissão é uma construção gerada por seu reconhecimento social e pelo fortalecimento de sua representação associativa, que é consequência da capacitação profissional institucionalizada, considerando que essa etapa avaliza o status formal de um conhecimento. Este, por sua vez, reflete uma demanda preexistente nos mercados de consumo (ideias, produtos e ações) e de trabalho (emprego e necessidades de prestação de serviços), que respondem a uma ativação ou a um potencial de demandas estimuladas em crescimento. No entanto, indo além do que chamamos de formação da profissão, institui-se o amadurecimento desse processo que trata do estágio de “formalização da profissão”. Trata-se de um processo incipiente, em curso, que se reveste de iniciativas e de programas institucionais voltados para a inserção dos profissionais diplomados em universidades no mercado de trabalho. Esse labor especializado contribui efetivamente para o incremento de índices de acesso e de desenvolvimento no Brasil, por meio de ações agregadoras de valores advindos da produção cultural em prol da qualidade de vida nas sociedades, da preservação histórico-cultural das regiões e de segmentos múltiplos que colorem nossa diversidade cultural.


Formação do conhecimento

O elo da cadeia de profissionalização da cultura que reflete a fundamentação teórica dos objetos de estudo e das especificidades de método e de abordagem para acessar os marcos conceituais e os focos de interesse encontrados nos temas correlatos foi tomado emprestado das áreas e das ciências afins. A formação do conhecimento de uma nova área de saber dialoga com áreas irmãs, bebe nas fontes do mundo real e tateia seu campo teórico com radares atentos em captar facetas do conhecimento empírico, da práxis cotidiana e do histórico de percurso da experiência.

A profissionalização e o aprimoramento de um novo campo de trabalho que urge ser construído por novas exigências e expectativas legítimas de uma sociedade e de um tempo histórico em mutação passam pela fundamental etapa de inserção e de imersão acadêmica, tornando-se campo a ser explorado pela pesquisa, pelos métodos científicos e pelas esferas do pensamento. Assim, fortalecido pelo papel desempenhado pelas universidades na sedimentação desse elo da cadeia de profissionalização, esse conhecimento retorna ao mercado de trabalho, por meio de capital humano especializado, para o desenvolvimento de produtos e para a prestação de serviços, revigorando práticas, abrindo janelas perceptivas, aprofundando alicerces de atuações derivadas e promovendo o aquecimento da referida cadeia, apta e fortalecida para cumprir suas funções em prol da otimização dos objetivos e do desenvolvimento pleno almejado.


Formação do mercado

Elo de ponta da cadeia de profissionalização da cultura, o mercado é o termômetro, é o espaço da concretude e das trocas reais, simbólicas e materiais. É nele que ocorre a confirmação ou não das ideias, dos prognósticos e das expectativas. Do mercado retornam as realidades, as vivências, as informações e os índices que refletem, interagem e avaliam todos os outros elos dessa cadeia.

De que vale termos capacitação a contento, reconhecimento das instituições quanto à importância de integração em seus quadros de gestores e de produtores culturais diplomados, acumularmos linhas de pesquisa, publicações e teorias renovadoras, se não tivermos uma resposta positiva desse espaço camaleônico, polêmico e quase imprevisível que é o mercado?

Sabemos que a cultura é e deve ser sempre o campo das utopias. No entanto, a interação com o real põe tudo e todos em seus devidos lugares. Eis aí o gargalo da cadeia de profissionalização, o desafio maior e mais urgente das políticas e das estratégias de ação públicas e privadas para o setor. Vêm desse cadinho experimental as respostas para inúmeros arquétipos, análises e confabulações produzidas nos outros elos da cadeia. Nesse sentido, falamos de três mercados: o de trabalho, o de consumo e o de audiência para produtos, serviços e ações artístico-culturais.

Finalmente, essa realidade começa a ser tateada, dimensionada e analisada por pesquisas fidedignas de instituições como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Ministério da Cultura (MinC), as associações e as universidades. É a partir desse momento que nos deparamos com o grande obstáculo da cadeia de profissionalização: a limitada audiência em contingentes populacionais, de diferenciados perfis etários e de segmentos de classe, para a arte e a cultura em nosso país. Na atualidade, esse estágio da cadeia obstaculiza o desencadeamento processual dos outros elos, na medida em que enfrenta um processo mais lento de absorção social em relação a todo o desenvolvimento já alcançado, em termos quantitativos e qualitativos, pelos outros segmentos. Tanto os fluxos de produção e de distribuição quanto os canais de exibição e de reconhecimento de valor público dos insumos, produtos e serviços culturais, mesmo em processo incipiente de consolidação, encontram-se mais adiante quando comparados às escalas de resultados dos índices reduzidos, desequilibrados regionalmente e com grande concentração social no que se refere aos hábitos e às audiências da população brasileira na fruição e no consumo da arte e da cultura.

Ficamos aqui com o grande desafio de se conferir mais atenção institucional para a ampliação e a formação de públicos, a facilitação ampla dos acessos à arte e à cultura em todo o seu espectro de diversidades e escalas, a formação do olhar e do gosto para os frutos da criação e do espírito humano por meio de programas integrados e contínuos de educação para as artes.


* Cientista social e mestre em Ciência da Arte pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É coordenadora acadêmica do Programa de Pós-graduação em Estudos Culturais e Sociais (PECS), da Universidade Candido Mendes (UCAM), onde também atua como professora, pesquisadora e coordenadora acadêmica das pós-graduações lato sensu em Gestão Cultural (MBA), Produção Cultural, Gestão Social (MBA) e Vinho e Cultura. É presidente-fundadora da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC) e membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). É subsecretária de Planejamento Cultural de Niterói e coordenadora do projeto Niterói Artes, da Fundação de Arte de Niterói. Atua como artista plástica e curadora em artes visuais. Fundou recentemente a editora e-livre.

1. DRUCKER, Peter F. Desafios gerenciais para o século XXI. 4. ed. São Paulo: Pioneira/Thomson, 2001.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Senado avalia projeto de lei que diminui a tributação para empresas de produção artística e cultural




Alê Barreto (produtor cultural independente)


Está tramitando no Senado um projeto de lei que diminui a tributação para empresas de produção artística e cultural. Hoje dei uma rápida entrevista para as repórteres Daniele Lessa e Karina Rosemberg , da Rádio Câmara, em Brasília, falando sobre a repercussão da aprovação deste projeto para o setor cultural.

Em função disso, lembrei de compartilhar com todos mais detalhes sobre este projeto, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados em outubro.

Então, segue abaixo reprodução na íntegrada da matéria publicada por Mônica Montenegro, no site da Rádio Câmara, em 7 de outubro de 2009 (Telefone (61) 3216-1700E-mail: radio@camara.gov.br).


Câmara aprova tributo menor para produção artística e cultural

As empresas de produção artística e cultural enquadradas no Supersimples voltarão a ter alíquotas de tributação mais baixas. A Câmara aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira, projeto que permite que essas companhias sejam tributadas em, no mínimo, 4,5%. Desde o ano passado, quando houve alterações no sistema, o setor passou a recolher seus tributos sobre um índice inicial de 17,5%. Segundo o autor da proposta, deputado Antônio Carlos Mendes Thame, do PSDB paulista, o texto corrige uma distorção surgida quando se criou o micro empreendedor individual e se ampliou o número de empresas que podem aderir ao Supersimples.

"O que ocorreu é que durante este período, desde a aprovação da lei, no finalzinho do ano passado até hoje, quase um ano, o setor artístico não conseguia emitir nota. Ou parou ou deixou de emitir nota, inventou um sistema paralelo para tentar escapar desta tributação que no caso deles é algo expulsatório. Agora, voltando ao normal, certamente vai ficar mais fácil produzir atividades artísticas"

Uma das mudanças no substitutivo aprovado foi a inclusão de produtoras cinematográficas e audiovisuais na mesma faixa de tributação das empresas de produção artística e cultural.

O projeto segue agora para votação no Senado.

Escute a matéria

sábado, dezembro 05, 2009

Conferência Livre de Cultura - I Encontro dos Profissionais da Cultura




Por Alê Barreto (produtor cultural independente)


Segue texto na íntegra da divulgação deste evento.


A Cooperativa Cultural Brasileira, maior cooperativa de cultura do país, realiza, dia 11 de dezembro, no Memorial da América Latina,a Conferência Livre de Cultura – I Encontro dos Profissionais da Cultura. Esta iniciativa vem para ampliar e fortalecer o debate em torno das propostas de mudanças para o setor.

A Conferência tem os objetivos: de promover a discussão dos cinco eixos temáticos indicados para a Conferência Nacional de Cultura (Produção Simbólica e Diversidade Cultural - Cultura, Cidade e Cidadania - Cultura e Desenvolvimento Sustentável - Cultura e Economia Criativa - Gestão e Institucionalidade da Cultura), e, a elaboração de propostas que fomentem o desenvolvimento, profissionalização, organização e regulamentação dos mais variados profissionais da área da cultura.

Representantes da Secretária de Cultura do Estado de São Paulo, do Ministério da Cultura, e entidades ligadas a cultura irão participar do evento organizado pela Cooperativa Cultural Brasileira.

As inscrições estão abertas para interessados no tema e para o público em geral.
Para participar preencha a ficha de inscrição e envie para o e-mail conferencia@coopcultural.org.br até 10/12.


Serviço:

Conferência Livre de Cultura - I Encontro dos Profissionais da Cultura
Data: 11 de dezembro de 2009, sexta-feira
Horário: 8h às 18h;
Local: Memorial da América Latina, Anexo dos Congressistas / Centro Brasileiro de Estudos da América Latina - Portão 13, atrás do Auditório Simon Bolívar - Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 - Barra Funda - São Paulo / SP
Para mais informações:
conferencia@coopcultural.org.br (11) 3828.3447
Blog da Conferência: http://culturadigital.br/coopcultural/