quinta-feira, abril 29, 2010

Artistas e produtores trabalham pela organização do setor cultural em Brasília


Satellite 061 - Guia do Mercado Cultural de Brasília


Por Alê Barreto
Administrador, produtor cultural independente e palestrante


Brasília geralmente é lembrada no imaginário da população brasileira pelos seus estereótipos: sede do poder, cidade planejada, arquitetura de vanguarda, turismo, reportagens sobre escândalos políticos. Para mim, Brasília é uma cidade que a cada ano mostra-se mais atrativa para o desenvolvimento da atividade de produção cultural.

A primeira vez que percebi isso foi em 2004. Viajei para a cidade de Pelotas para participar de um debate e lá conheci o Cd de um grupo de Brasília chamado Casa de Farinha. Você pode estar pensando que isso não tem nada demais, mas um Cd de Brasília chegar a uma cidade do interior do RS, naquela época, não era algo tão comum. Despertou minha atenção.


Francinne Amarante entrevista a banda Casa de Farinha (2006)

Depois, em 2006, conheci em Brasília a Marta, uma artista integrante do Casa de Farinha e fiquei impressionado com o trabalho que ela desenvolvia na Associação Cultural Ossos do Ofício - Confraria das Artes, organização fundada com a intenção de fomentar a formação política, social e cultural do Distrito Federal e facilitar o acesso à produção cultural e aos bens públicos. Voltei para Porto Alegre com o DVD do Casa de Farinha.



Em 2007, estive em Brasília acompanhando a Pata de Elefante no Festival do Senhor F, outra iniciativa bacana em Brasília.

Em 2008, vim morar no Rio e peguei em algum lugar da cidade o Satellite 061, uma revista que é um guia do mercado cultural de Brasília. Sensacional. Guardo ela até hoje. É uma realização do Ossos do Ofício com Só Som Salva. Entre no link e veja a quantidade de artistas.

Em 2009, o grupo Ossos do Ofício realizou oficinas no Rio de Janeiro.



Mal eu tinha concluído a segunda turma do curso "Aprenda a Organizar um Show" no Fórum Internacional do Software Livre em Porto Alegre e fui convidado para ministrá-lo em Brasília, antes de São Paulo, Salvador, Recife e Belo Horizonte, que são lugares onde há muitos artistas e produtores em atividade.



Em dezembro a Rádio Câmara, de Brasília, me ligou para uma entrevista sobre a repercussão da aprovação do projeto de lei que diminui a tributação para empresas de produção artística e cultural. Depois, voltei duas vezes em fevereiro deste ano: uma para ministrar novamente o curso "Aprenda a Organizar um Show" e outra para fazer



a palestra "Começar a fazer", tema do meu próximo livro, durante a realização do Festival Grito do Rock 2010, organizado pelo Coletivo Esquina.

Veja que num relativo curto espaço de tempo, temos a seguinte amostra:

- enquanto em vários lugares as pessoas ficam debatendo, debatendo, debatendo sobre os problemas da cultura, um grupo de artistas e produtores vem trabalhando de forma permanente pela organização do setor cultural de Brasília e criou um canal de comunicação para ampliar a visibilidade do mercado cultural da cidade;

- enquanto ouço muita gente me dizer "não temos bons profissionais" (inclusive aqui no RJ), várias pessoas em Brasília tem buscado o meu curso para se capacitarem para produção de shows;

- enquanto em muitos meios de comunicação a produção cultural se resume a divulgar uma "agenda" de eventos, uma rádio pública de Brasília me entrevistou preocupada em veicular informações sobre o mercado de produção cultural;

- enquanto vários coletivos no Brasil falam e discutem a profissionalização do setor, um coletivo novo em Brasília teve a preocupação de me convidar para realizar uma atividade de educação para produção cultural.

Some-se a isso que:

- a cidade possui uma boa renda per capita;

- muitos espaços culturais;

- uma infraestrutura planejada;

- uma diversidade cultural muito grande.

Concluo que muitos artistas e produtores conseguirão articular a circulação dos seus trabalhos em diferentes espaços de Brasília e outras cidades brasileiras (e estrangeiras) nos próximos anos, em função da tendência de crescimento da organização do setor cultural e busca pela qualificação em Brasília.

Um comentário:

Nina Puglia disse...

Oi Alê,
É verdade. Em Brasília, de uns anos pra cá, a coisa vem melhorando muito.
Mas ainda sentimos falta de oferta de qualificação para quem pretende se profissionalizar na área. Não há nenhum curso de graduação ou tecnológico que nos contemple na cidade.
A gente aqui aprende fazendo mesmo. E quem resolve estudar produção ainda precisa sair daqui...