quinta-feira, maio 04, 2017

Gente que quer comida, diversão e arte com sustentabilidade fazendo acontecer na Amazônia


Alê Barreto recebendo o "pãoesia" das artistas Enaiê e Manguita no bairro
do Bosque, Rio Branco, Acre


Por Alê Barreto *
Uma pessoa que dissemina conhecimentos e atua em redes para promover mudanças



Segunda-feira passada, uma amiga acreana me mandou uma mensagem no Facebook. Era o link para uma matéria do G1 do Acre. Estava um pouco ocupado, deixei para ler depois. Terça, indo almoçar, me deparei em uma banca de revista com uma chamada na capa do jornal Página 20 aqui de Rio Branco: 
"Grupo de artistas vende pão artesanal com poesias". Achei maravilhoso!

Voltando para casa, abri o Facebook e fui ver minhas mensagens. Voltei ao link que a minha amiga havia mandado. Tratava-se do mesmo assunto: "Grupo de artistas vende pão artesanal com poesia". Era o coletivo de artistas do qual ela faz parte. O "pãoesia" é uma maneira criativa que este grupo de jovens encontrou para financiar o "Nosso Quintal AC", espaço onde estão morando e desenvolvendo seus trabalhos artísticos aqui em Rio Branco. 







Na matéria, uma das artistas explica o que é o "pãoesia":

“Acreditamos que a culinária é uma arte, já que é totalmente integrada às diferentes culturas. Porém, nem sempre ela é enxergada dessa forma, para nós é importante retomar este aspecto. Resolvemos então, para além de fazer os pães, criar uma forma artística de vendê-los e apresentá-los. Cada pão é vendido com uma poesia e se chama “PÃOesia”, as embalagens são produzidas artesanalmente e algumas vendas dos pães são acompanhadas música e palhaçaria”.

Resolvi então comprar o "pãoesia". Fiz contato com minha amiga e combinei de me trazerem um pão hoje. Próximo das 9h da manhã comecei a cuidar a janela. Então avistei o "Pitelzinho Prateado" chegando, nome como é conhecido o fusca adquirido nas andanças do grupo pelo Brasil.





Essa foi a equipe que veio trazer o "pãoesia" (da esquerda para direita): Enaiê, palhaça "Manguita" e a Bruna.








Foi um momento muito especial. Vi gente feliz com o que se propõe a fazer!






E esse foi o "pãoesia" que comprei. De castanha, uma delícia!







O poema foi "Meninos" de Juraildes da Cruz, do Tocantins:



"Não sou tanajura
mas eu crio asas,
Com os vagalumes
eu quero voar, voar, voar
O céu estrelado hoje é minha casa
Fica mais bonita
quando tem luar, luar, luar
Quero acordar
com os passarinhos
Cantar uma canção
com o sabiá".



Ao invés de ficar esperando editais, leis de incentivo, patrocínios, que tal fazer como essa trupe? Crie algo, bote a mão na massa e corra atrás dos seus sonhos. 





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Alexandre Barreto é administrador, consultor e palestrante. Criador da marca e blog "Produtor Independente", desde 2006 inspira artistas, produtores e empreendedores no Brasil. Administrador pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (EAD/UFRGS) e MBA em Gestão Cultural pela Universidade Cândido Mendes (RJ) e Associação Brasileira de Gestão Cultural. É autor dos livros Aprenda a Organizar um Show e Carreira Artística e Criativa Saiba mais

tags: arte e empreendedorismo, cultura e empreendedorismo, ações práticas para sustentabilidade, caravana mundo palco, artistas independentes no Acre

quarta-feira, maio 03, 2017

Gestão de grupos e espaços culturais: capacitação de empreendedores criativos


Romulo Avelar, autor do livro "O Avesso da Cena: notas sobre produção e gestão cultural", 
é um dos professores do curso à distância da Inspire




Por Alê Barreto *
Uma pessoa que dissemina conhecimentos e atua em redes para promover mudanças




Muita gente me pergunta quando farei novos cursos. Essa é uma pergunta que ainda não tenho resposta. A necessidade de dar mais atenção à minha família, a divulgação do meu livro "Carreira Artística e Criativa", a ação de repensar o conteúdo dos meus cursos e de repensar minha ação profissional tem me ocupado bastante o meu tempo.

Mas tem uma formação que eu recomendo, que é promovida pela Inspire Gestão Cultural. Uma ação que tem como professores Romulo Avelar, Maria Helena Cunha e vários outros professores comprometidos com a organização, qualidade e profissionalização dos setores criativos. 

Segue abaixo a divulgação, que está sendo veiculada nas redes sociais.


Gestão de grupos e espaços culturais: capacitação de empreendedores criativos

Última semana de inscrições para o novo curso na EAD Inspire. E quem faz o convite desta vez é o Romulo Avelar que será um dos professores do curso a distância Gestão de grupos e espaços culturais: capacitação de empreendedores criativos.

Ele é administrador, gestor, produtor cultural, membro da Ravel Cultural e do Pense Cultura e, além disso, autor do livro O Avesso da Cena: Notas sobre Produção e Gestão Cultural.

Clique aqui e assista o recado do Romulo Avelar

Até 5 de maio! Se você mora em MG, pode se candidatar a uma das 170 vagas gratuitas: www.inspirebr.com.br/ead. | Se é de outro estado, as inscrições serão feitas pelo sympla no link: http://bit.ly/cursoGGEC



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tags: Gestão de grupos e espaços culturais, capacitação de empreendedores criativos, Inspire Gestão Cultural, Romulo Avelar, Maria Helena Cunha

terça-feira, maio 02, 2017

A poesia também se nutre do silêncio


"A vida das sobras", novo livro de poemas de Carlos Eduardo Caramez, será lançado na
FestiPoA Literária em Porto Alegre dia 6 de maio 




Por Alê Barreto *
Uma pessoa que dissemina conhecimentos e atua em redes para promover mudanças



Em meu livro "Carreira Artística e Criativa", transcrevo falas de profissionais que considero que desenvolvem carreiras inspiradoras. Um deles é o poeta Marcelino Freire, que concedeu um instigante depoimento ao projeto "Produção Cultural no Brasil":


"Eu publico um livro a cada três anos.
Eu não escrevo tanto, mas sou uma
pessoa muito inquieta, não sou aquele
escritor no casulo. Eu não consigo ficar
parado: preciso fazer alguma coisa,
não só literatura. Aí vou aprendendo
com esses irmãos de batalha, como o
que o Ivan Cabral e os Satyros fizeram
na Praça Roosevelt, o Sérgio Vaz faz
com a Cooperifa. Eu aprendo com essas
pessoas que o Glauco Mattoso uma
vez me falou, que “é preciso interferir na
geografia das coisas”. O Manoel de Barros
fala outra coisa que eu acho ótima:
“é preciso esfregar pedras na paisagem”.

[...] Depois de escrever o meu continho,
vamos para a luta, vamos produzir o livro,
ver quem está escrevendo coisa nova,
ver como juntar essas turmas todas para
formar esse exército, esse grupo.


As palavras de Marcelino Freire me remetem às lembranças das longas conversas com outro poeta. Que também é produtor. Que também é gestor cultural. Um dos gaúchos mais apaixonados pelo Rio de Janeiro que eu conheço: Carlos Eduardo Caramez.

Caramez não gosta de falar sobre si mesmo e seus projetos. Não fala muito sobre suas letras de músicas. Não fala muito sobre seus trabalhos como jornalista. Não fala muito sobre sua carreira como produtor cultural e empresário no Rio de Janeiro. Não fala muito sobre seu trabalho junto de ícones da cultura brasileira como Os Novos Baianos. Não fala muito sobre ser responsável pela coordenação do projeto de revitalização do Auditório Araújo Viana, que tornou o espaço um dos equipamentos culturais com melhor infraestrutura na capital gaúcha. Não fala muito dos seus livros. Não fala muito sobre sua participação nos projetos "Cavalo de Santo" e "Rio: um olhar viajante" em parceria com a fotógrafa Mirian Fichtner.





Carlos Eduardo Caramez e Caminho do Mar Soluções Culturais foram responsáveis 
pela coordenação editorial do projeto "Rio: um olhar viajante", da fotógrafa Mirian Fichtner, projeto 
que registrou imagens da capital carioca no ano que completou 450 anos, através de múltiplas
molduras. Destaque no Jornal O Globo em 01 de novembro de 2015




Reservado, Caramez é um observador atento do cotidiano. Não gosta de redomas. E assim como Marcelino Freire, Glauco Mattoso, Manoel de Barros e tantos outros artífices das palavra, sabe que “(...) é preciso interferir na geografia das coisas”, sabe que “(...) é preciso esfregar pedras na paisagem”. Assim, colocou no ar recentemente o site carloscaramez.com onde apresenta sua poesia e onde também divulga o lançamento de "A vida das sombras", novo livro que será lançado pela Editora Leitura XXI na FestiPoA Literária em Porto Alegre, dia 6 de maio, das 15h30min às 18h30min, no Instituto Goethe (rua 24 de outubro, bairro Independência) em Porto Alegre.


Apesar de não falar muito de si e de seus projetos, você vai perceber lendo os poemas de "A vida das sombras" que, mais do que gostar de palavras ou gostar de escrever, Caramez cultiva de forma sutil o fino hábito de provocar. Suas palavras provocam quem lê. Suas palavras gostam de dar voz aos outros que habitam em cada um de nós.


Inspire-se na carreira deste autor. Clique aqui, navegue no site e leia "As sobras de uma nova safra do silêncio", texto de Marcelo Backes, escritor, tradutor e professor da Casa do Saber, para apresentação do livro "A Vida das Sobras"


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tags: A vida das sobras, Carlos Caramez, poemas incuráveis, carreira artística e criativa, carreira na poesia

quarta-feira, abril 26, 2017

Arte e cultura podem contribuir para melhoria da qualidade da alfabetização no Brasil



No Norte do Brasil, a atriz e educadora acreana Andreia Coelho utiliza a "cultura dos jogos"
para estimular habilidades de interpretação e raciocínio lógico na educação especial





Por Alê Barreto *
Uma pessoa que dissemina conhecimentos e atua em redes para promover mudanças



Imagine estas duas situações. Primeira situação: 100 pessoas sobrevivem a um acidente aéreo e estão perdidas em uma floresta. Destas 100, apenas 8 possuem treinamento de sobrevivência na selva. Segunda situação: 100 pessoas estão numa sala de um edifício. Destas 100, apenas 8 receberam treinamento para situações de pânico. De repente, soa o alarme de incêndio. O que estas duas situações possuem em comum? Tanto para sobreviver em uma floresta quanto para sobreviver em uma situação de pânico, é preciso saber interpretar informações. E nos exemplos citados, somente 8 pessoas em um grupo de 100 é capaz de interpretar estas informações. Apenas 8%.

Agora vejamos uma terceira situação. Se somente 8% das pessoas tivessem plenas condições de compreender e de se expressar, quem teria maior chance de melhorar sua produtividade e exercer sua capacidade de inovação frente aos novos desafios da economia, 92% que não sabem compreender direito informações e não sabem se expressar ou 8% que dominam as competências de compreensão e interpretação? Você certamente sabe a resposta. Infelizmente, esta terceira situação não é hipotética. É uma situação real no Brasil.

Um estudo conduzido pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa, realizado com pessoas entre 15 e 64 anos de idade, residentes em zonas urbanas e rurais de todas as regiões do país, apurou que no Brasil apenas 8% têm plenas condições de compreender e se expressar. Ter plenas condições de compreender e se expressar significa estar no nível "proeficiente", ou seja, o mais avançado nível de alfabetismo funcional.

Ser proeficiente no alfabetismo funcional significa ser uma pessoa que:

- elabora textos de maior complexidade (mensagem, descrição, exposição ou

argumentação) com base em elementos de um contexto dado e opina sobre o

posicionamento ou estilo do autor do texto;

- interpreta tabelas e gráficos envolvendo mais de duas variáveis, compreendendo
elementos que caracterizam certos modos de representação de informação quantitativa
(escolha do intervalo, escala, sistema de medidas ou padrões de comparação)
reconhecendo efeitos de sentido (ênfases, distorções, tendências, projeções).

- resolve situações-problema relativos a tarefas de contextos diversos, que envolvem
diversas etapas de planejamento, controle e elaboração, que exigem retomada de
resultados parciais e o uso de inferências.

Uma forma para contribuirmos para reversão deste quadro é utilizarmos a potência da arte e da cultura. Se prepararmos melhor os profissionais da educação (e melhorarmos suas condições de trabalho) para utilizarem atividades artísticas e culturais como recursos para o desenvolvimento de atividades educativas, iremos contribuir para o aumento do índice do alfabetismo funcional. Se trabalharmos de forma permanente com as famílias dos estudantes para que estimulem os mesmos a ocuparem seu tempo livre com conteúdos artísticos e culturais, iremos contribuir para o aumento do índice do alfabetismo funcional.

Esclarecimento importante: arte e cultura PODEM contribuir para melhoria da qualidade da alfabetização, mas não fazem milagres e nem são as únicas fontes possíveis e necessárias para melhorar a educação. Recomendo também a leitura do ensaio "Educação pelo Argumento" do professor Gustavo Bernardo.



Leia também:


No Brasil, apenas 8% têm condições plenas de compreender e se expressar, texto de Karina Yamamoto para Educação Uol

Texto "Habilidades de leitura, escrita e matemática são limitadas em muitos setores da economia brasileira podendo restringir produtividade e capacidade de inovação"

Livro "Educação pelo Argumento" de Gustavo Bernardo



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tags: Habilidades de leitura, habilidades de matemática, habilidades de escrita, Alfabetismo funcional, qualidade da educação, nível da educação no Brasil, Instituto Paulo Montenegro

sexta-feira, abril 21, 2017

O que é um projeto inovador? O que é um projeto relevante?


Brazilian Way - O Filme" pretende contar uma história do cinema brasileiro



Por Alê Barreto *
Uma pessoa que dissemina conhecimentos e atua em redes para promover mudanças



Duas palavras estão na moda: inovação e relevância. Por estarem na moda, acabamos repetindo, muitas vezes sem nos darmos conta do que significam. Inovação remete "ao que é novo", "coisa nova", "novidade". E relevante é como relevo, ou seja, "algo que se salienta", "algo que se sobressai". Mas relevante tem também um importante significado que é de algo "que tem importância".

Apelamos para a necessidade de "inovação" toda vez que percebemos que uma determinada forma de pensar ou de fazer algo não dá conta de resolver um determinado problema. E para escolher qual é a melhor opção inovadora, buscamos como critério de escolha a "relevância", aquilo que parece ter mais importância.

A avaliação do quanto algo é inovador ou relevante é subjetiva. Varia conforme o olhar de quem está avaliando. Mesmo sendo questionável o quanto algo é ou não inovador, ou o quanto algo é ou não relevante, cada vez mais governos e empresas utilizam inovação e relevância como critérios para investimentos em projetos.

O algoritmo do Facebook, o algoritmo do Google, etc, todos eles mapeiam nossas preferências, pelas nossas curtidas, comentários nas postagens, pela nossa troca de mensagens, e vão verificando qual conteúdo é mais relevante (importante) para nós.

Não existe uma tabela mundial que diga o que é mais ou menos inovador, ou que garanta que algo é mais ou menos relevante. Tudo depende de quem avalia.

Mas afinal, como saber o que é um projeto inovador? Como saber o que é um projeto relevante? Uma boa forma é fazer uma estimativa da repercussão que o projeto terá. Vou dar um exemplo.






Rod Carvalho produziu "Brazilian Way - O Filme" durante 6 anos, sem qualquer
lei de incentivo ou patrocínio


Considero que o documentário "Brazilian Way" de Rod Carvalho, que está com uma campanha para obtenção de financiamento coletivo no Catarse, é um projeto inovador e relevante. Inovador porque se propõe a fazer algo novo: contar como funciona o cinema brasileiro. Relevante porque ao trazer para o debate a opinião de técnicos, diretores, roteiristas e inúmeros profissionais da cadeia produtiva do cinema brasileiro, Rod dará mais visibilidade para os desafios que permeiam a produção, distribuição, comercialização e consumo de filmes produzidos em nosso país.

A inovação de contar a história do cinema brasileiro poderá estimular muitas outras pessoas a contarem outras versões ou detalhes desta história.

Discutir o fluxo e os gargalos da indústria nacional do cinema poderá estimular a atração de investimentos para o setor.






"Brazilian Way - O Filme" tem depoimentos de diretores do cinema brasileiro como José Padilha



Mesmo eu tendo detalhado quais foram os meus critérios para eleger "Brazilian Way - O Filme" como inovador e relevante, talvez você tenha outra opinião.

Faça um exercício sobre inovação e relevância. Entre no site da campanha, leia o conteúdo e assista os vídeos promo do projeto. Se também achar que é uma ação inovadora e relevante, já aproveite para se tornar um apoiador do projeto.



Leia também:


Qual é a sua prioridade?

Ministério da Cultura e Universidade Federal do Rio Grande do Sul lançam a coleção "Atlas Econômico da Cultura Brasileira

Marketing é importante para um artista?



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tags: inovação, relevância, projeto inovador, projeto relevante, cinema Brasileiro, Brazilian Way - O Filme, Rod Carvalho, história do cinema brasileiro

quinta-feira, abril 20, 2017

Qual é a sua prioridade?


Você está cuidando da galinha ou planejando a chegada do ovo?



Por Alê Barreto *
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Nunca tivemos tantas opções para acessar conteúdo. Seja através do Facebook, dos aplicativos nos smartphones, dos games que de entretenimento estão se tornando esportes, seja através da tecnologia disponibilizada nos novos produtos eletrônicos da era da "internet das coisas", há muitas possibilidades de se consumir conteúdo. Gratuito ou pago. Você pode ouvir uma música no celular ou no computador, sem pagar e pode também fazer suas compras o olhar novidades do mundo da moda.



A racionalização da execução das nossas tarefas auxiliados por tanta tecnologia nos trouxe, sem sombra de dúvida, a possibilidade de termos mais tempo livre. Por outro lado, nos trouxe também um problema: piorou nossa capacidade de estabelecer prioridades. Quanto mais opções temos, mais lento se torna o processo de decisão. Requer maior tempo de análise de todas as opções disponíveis.



Precisamos decidir tudo rápido? Não. Podemos esperar o tempo que quisermos para tomar uma decisão? Também não. E aqui há um ponto interessante para se pensar. Estabelecer prioridades serve apenas para tornar mais rápido ou lento o nosso processo de decisão?



Estabelecer prioridades, acima de tudo, nos ajuda no presente e no futuro. No presente, porque nos ajuda com as questões operacionais do dia a dia. Nos ajuda a gerenciar a rotina. No futuro, porque podemos determinar quanto do nosso tempo no presente vamos utilizar para construir coisas a longo prazo. Nos ajuda a planejar o futuro. Se eu não cuidar da galinha no presente, não vou ter ovo no futuro. Mas se eu não pensar na necessidade de criar condições para que alguns ovos gerem novas galinhas, corro o risco de extinguir a galinha.



Mas se priorizar é um processo de escolha, o que devo escolher: gerenciar a rotina ou planejar o futuro? Devo gastar mais tempo gerenciando a rotina ou mais tempo planejando o futuro? Cuidado com as fórmulas. A resposta para esta pergunta não é genérica. É particular, própria de cada um.



Um bom exercício que pode lhe ajudar a pensar sobre suas prioridades é perceber o quanto você prioriza ser protagonista da sua vida ou prioriza ser coadjuvante de outras histórias de vida. 


Você ocupa seu tempo se abastecendo de notícias para melhorar sua capacidade de priorizar ou para se tornar mais um torcedor das inúmeras competições e polêmicas criadas todos os dias?

Você utiliza mais o seu tempo com as questões da sua vida prática ou utiliza mais o seu tempo pensando, formulando teses, opiniões, julgamentos e explicações para acontecimentos que não fazem parte do seu dia a dia e que tampouco tem conexão com o futuro que você deseja construir?

Pensar sobre suas prioridades pode aumentar a sua capacidade de realizar os seus projetos independentes.





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tags: Facebook, Tecnologia, Entretenimento, Produtos eletrônicos, Compras e moda, Esportes, Rede social, Celulares, Música, Computadores, prioridades, gerenciamento da rotina, planejamento, administração da sua independência

terça-feira, abril 11, 2017

Ministério da Cultura e Universidade Federal do Rio Grande do Sul lançam a "Coleção Atlas Econômico da Cultura Brasileira"


Cadeias produtivas que serão estudadas de forma prioritária: audiovisual, games, 
mercado editorial, música e museus e patrimônio




Por Alê Barreto *
Uma pessoa que dissemina conhecimentos e atua em redes para promover mudanças


Antes de falar diretamente sobre a publicação lançada pelo Ministério da Cultura e Universidade Federal do Rio Grande do Sul, acho importante contextualizar em que momento esta publicação chega em nosso país.



Linha do tempo sobre a preocupação com a dimensão econômica da cultura



Na introdução do artigo "Elementos para se pensar uma carreira profissional artística e criativa", que escrevi para a revista Cadernos do CEOM, da Universidade de Chapecó (UNOCHAPECÒ), faço uma breve linha do tempo, na qual cito que na década de 50 economistas americanos tentavam entender porque um indivíduo racional escolhe a carreira artística. Os pesquisadores tentavam entender porque alguém decide ocupar o seu tempo produtivo em atividades cuja oferta de trabalho é descontínua, as perspectivas de carreira são incertas e que, para garantir uma renda, na maioria das vezes é necessário o exercício de atividades complementares.

Com o tempo, estas pesquisas foram avançando e há algumas décadas os governos de alguns países tem se preocupado em ir além: medir a contribuição das atividades artísticas e culturais para a economia de uma nação.

Ainda em meu artigo, cito que 

"em 2003 o Ministro da Cultura, Gilberto Gil, iniciou um amplo diálogo e debate com artistas, produtores, gestores públicos de cultura e outros interessados na construção das políticas públicas brasileiras, em vinte encontros do Seminário Cultura para Todos, nos quais se foi além das discussões sobre as dimensões simbólica e cidadã da cultura, tradicionalmente aceitas pela ampla maioria dos intelectuais. Ao ouvir diferentes agentes culturais acerca das questões do financiamento da cultura, em especial os debates sobre necessidade de alteração da Lei Rouanet, o Estado brasileiro reconheceu e passou a difundir a necessidade de se pensar na dimensão econômica da cultura. Como se estivesse preocupado em correr atrás do tempo perdido, o Estado brasileiro afirmou em 2008, através da gestão do ministro Juca Ferreira, no caderno “Diretrizes Gerais para o Plano Nacional de Cultura”, que “[...]a cultura, como lugar de inovação e expressão da criatividade brasileira, apresenta-se como parte constitutiva do novo cenário de desenvolvimento econômico socialmente justo e sustentável.” (MINISTÉRIO DA CULTURA;COMISSÃO PERMANENTE..., 2008, p. 12). Tal afirmação é uma demonstração clara que o Estado brasileiro não só passou a reconhecer a importância da dimensão econômica da cultura e a fomentar sua pesquisa, mas também percebeu que a relação intrínseca desta com a criatividade e inovação passou a ser uma importante variável com forte influência no novo cenário econômico mundial. Em 2008 o mercado de bens e serviços criativos sofreu poucos impactos, apesar da crise global. Enquanto o comércio internacional registrou naquele ano queda de 12%, as transações de bens e serviços criativos permaneceram aquecidas, com US$592 bilhões em negócios (ACIOLI;IAQUINTO; MONTEIRO;THIMOTEO, 2011). Avançando nesta direção, a ministra da Cultura Ana de Holanda criou em 2011 a Secretaria da Economia Criativa, órgão cuja gestão esteve inicialmente a cargo de Cláudia Leitão e que com o lançamento do “Plano da Secretaria da Economia Criativa: políticas, diretrizes e ações 2011-2014” assumiu a tarefa “[...] de repensar, de reconduzir, de liderar os debates e a formulação de políticas sobre a cultura e o desenvolvimento no Brasil, com a missão de transformar a criatividade brasileira em inovação e a inovação em riqueza:riqueza cultural, riqueza econômica e riqueza social.” (LEITÃO, 2011).

Novamente à frente do Ministério da Cultura, Juca Ferreira extinguiu a Secretaria de Economia Criativa em março de 2015.



Atlas Econômico da Cultura Brasileira

Após assumir o Ministério da Cultura em 2016, Roberto Freire deu início à uma importante ação de pesquisa e fomento da dimensão econômica da cultura, que mostrou seus primeiros passos no dia 5 de abril, com a publicação dos primeiros dois volumes da Coleção Atlas Econômico da Cultura Brasileira. O Ministério da Cultura aposta que as seis obras que compõem a coleção serão uma importante ferramenta para maior valorização da Cultura em nosso país.

No texto de divulgação da coleção publicado no site do Ministério da Cultura, Roberto Freire afirma: 

"o fato de termos a dimensão econômica da Cultura pouco contabilizada leva a certa descrença do próprio governo de que o setor tenha um grande impacto econômico. O Atlas vai mostrar o quanto do que se produz de riqueza vem da área cultural, o que levará à conscientização do Governo de que, em vez de se cortar recursos da Cultura em um momento de crise, é importante fazer o contrário: investir em Cultura para movimentar a economia e fazê-la crescer".


Volumes I e II do Atlas

O Volume I do Atlas traz estimativas do Banco Mundial que situam a cultura como responsável por 7% do PIB do planeta no ano de 2008. No caso brasileiro, dependendo da forma de cálculo, os setores culturais podem chegar a cerca de 4% do PIB anual em 2010, sendo considerado um eixo estratégico de desenvolvimento socioeconômico pelo MinC.



De acordo com as pesquisas publicadas no segundo volume da Coleção Atlas, é possível mensurar aproximadamente a importância dos processos econômicos a partir de organizações e agentes culturais em 2,64% do PIB de 2016, contribuindo com R$ 155,6 bilhões de produção, apresentando um crescimento acumulado de quase 70% nos últimos 10 anos e constituindo 3,5% da cesta de exportação brasileira (segundo dados da Firjan). Além de mapear e sistematizar o grande impacto do setor cultural na economia do país, que se compara a setores como mineração e turismo, o Atlas servirá como uma ferramenta importante para o Governo brasileiro na priorização de políticas públicas nessa área, inclusive em momentos de crise.



Os resultados referentes aos quatro eixos temáticos do Atlas serão lançados a cada trimestre, tendo como previsão a entrega da completa para abril de 2018, durante a realização do evento Mercado de Indústrias Culturais do Sul - MICSUL. Concomitantemente, as informações de cada eixo também estarão disponíveis em uma plataforma digital, na qual a sociedade brasileira poderá acessar os conteúdos, dados e indicadores, além de um repositório com as pesquisas e produtos resultantes de parcerias com universidades, CNPQ e consultorias contratadas pelo MinC. Além disso, a Coleção, lançada a partir desses dois primeiros volumes, seguirá em paralelo com a publicação de cadernos setoriais, a realização de seminários para avaliação dos eixos.


Organizações que colaboram com o projeto



Elaborado pelo Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por meio do NECCULT (coordenado pelo professor Leandro Valiati), o Atlas conta ainda com a colaboração de instituições como a Organização das Nações Unidades para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Banco Nacional de Desenvolvimento e Econômico e Social (BNDES), a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), entre outros.



Os dois primeiros volumes da Coleção Atlas estarão disponíveis no portal do MinC e no NECCULT até julho.



Fontes: citações (indiretas ou diretas):







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Alexandre Barreto é administrador, consultor e palestrante. Criador da marca e blog "Produtor Independente", desde 2006 inspira artistas, produtores e empreendedores no Brasil. Administrador pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (EAD/UFRGS) e MBA em Gestão Cultural pela Universidade Cândido Mendes (RJ) e Associação Brasileira de Gestão Cultural. É autor dos livros Aprenda a Organizar um Show e Carreira Artística e Criativa Saiba mais


tags: Cadeias produtivas da cultura brasileira, audiovisual, games, mercado editorial, música, museus e patrimônio, Coleção Atlas Econômico da Cultura Brasileira, PIB da Cultura, NECCULT, UFRGS, Unesco, IBGE, Ipea, BNDES, Apex-Brasil, Firjan, Sebrae, Revista Cadernos do CEOM n. 39, Ministério da Cultura