sexta-feira, dezembro 02, 2016

Mapeamento dos cursos de gestão e produção cultural no Brasil: 1995 - 2015





Por Alê Barreto *
alebarreto@gmail.com




No mês de outubro, o Itaú Cultural realizou o evento "
Formação e Profissionalização do Gestor Cultural no Brasil", que debateu a formação profissional da área.

No evento, o Observatório Itaú Cultural lançou o "Mapeamento dos Cursos de Gestão e Produção Cultural no Brasil" durante o período de 1995 a 2015, pesquisa realizada por 
Gisele Jordão e Renata Allucci. Esta publicação apresenta um panorama da educação oferecida para a gestão e a produção cultural no país.



Outra parte muito importante do evento foi um debate sobre formação, relação de trabalho, tecnologias e perfil dos profissionais na área da cultura, mediado por Ilana Goldstein, no qual participaram as pesquisadoras do mapeamento, José Teixeira Coelho Neto, Maria Helena Cunha e Kátia de Marco.



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* Para Alexandre Barreto disseminar conhecimentos e atuar em redes são boas formas de se realizar mudanças. Em 2006 formou-se em Administração de Empresas e criou o blog Produtor Cultural Independente. Compartilhou seu primeiro livro Aprenda a Organizar um Show na internet, acessado por mais de 26 mil pessoas, e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou com artistas, ações, projetos e com organizações da sociedade civil como Grupo Nós do Morro, Instituto Ensaio Aberto (Armazém da Utopia), Observatório de Favelas e a Orquestra de Câmara da Rocinha, das quais continua parceiro. Desde 2009 realiza também ações formativas. Seus textos, cursos, workshops e palestras têm inspirado muitas pessoas no Brasil. Concluiu o MBA em Gestão Cultural e está divulgando Carreira Artística e Criativa, seu segundo livro, é mais um fruto da relação amorosa e duradoura que tem com o universo artístico e da parceria com a Associação Brasileira de Gestão Cultural. Saiba mais

sexta-feira, novembro 18, 2016

Faça sua compra artesanal do livro "Carreira Artística e Criativa" com desconto na “Semana Black Fridady”!!!






Por Alê Barreto *

alebarreto@gmail.com



Faça sua compra artesanal do livro "Carreira Artística e Criativa" com desconto na “Semana Black Fridady”!!!



Todos os pedidos efetuados entre 18 de novembro e o dia da Black Friday 25 de novembro de 2016 terão desconto.


O preço do normal do livro é R$ 32,50. Se você comprar seu livro entre 18 e 25 de novembro de 2016, você pagará apenas R$ 26,50. Após a data limite, o livro volta ao preço normal.




Como adquirir o livro







O livro é vendido pessoalmente por Alexandre Barreto em cursos, palestras, workshops e seminários. O livro também é vendido à distância, basta você seguir as instruções:

Envie um e-mail para alebarreto@gmail.com (veja o modelo abaixo):

Assunto (subject): Informações para compra artesanal do livro independente "Carreira Artística e Criativa"

Mensagem:

Estou interessado no livro "Carreira Artística e Criativa". Por gentileza, me envie informações sobre a forma de pagamento.


Como surgiu o livro
“Carreira Artística e Criativa” surgiu de uma pesquisa realizada pelo autor durante a realização do MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes no Rio de Janeiro. A publicação apresenta um panorama sobre as noções de carreira profissional e de gestão de carreiras, desde a Revolução Industrial até os dias de hoje, e busca mostrar um pouco da complexidade que abrange a gestão de uma carreira, através de um conjunto de visões e sugestão de atitudes que poderão contribuir com o seu desenvolvimento.

“A atividade artística e criativa, no passado muitas vezes vista com preconceito ou restrita à elite, está se tornando parte do imaginário de pessoas de todas as classes. As pessoas aprendem a tocar um violão, aprendem a pintar, aprendem a cantar e automaticamente passam a pensar na possibilidade disso se tornar um trabalho”, afirma Alexandre Barreto. E completa: “o que é preciso aprender é que uma carreira artística não é o emprego dos sonhos, mas algo concreto, onde se faz todo o tipo de atividades e não somente atividades prazerosas. É um trabalho que exige dedicação, perseverança e muita ação empreendedora”.

“Carreira Artística e Criativa” é fruto de uma rede de pessoas. O conteúdo foi escrito por Alexandre Barreto entre 2014 e 2015 foi elaborado a partir de uma extensa pesquisa sobre as noções de trabalho, carreira e gestão de carreira e de depoimentos de artistas, produtores, diretores e gestores culturais. Contou com a orientação de Eliane Costa, coach e consultora nos campos da gestão cultural, da cultura digital e da economia criativa, revisão de Erica Resende, capa da publicitária Marcela Bantle e diagramação de Juarez Rodolpho dos Santos.






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quarta-feira, novembro 16, 2016

Um produtor independente pode trabalhar na Globo?




Por Alê Barreto *
alebarreto@gmail.com



Um produtor independente pode trabalhar na Globo? Se você mora nas cidades do Rio de Janeiro ou São Paulo, talvez já saiba a resposta. Mas se você mora nas demais cidades brasileiras, pode ser uma pergunta que você se faz há um bom tempo. Vamos lá.

O que é a Globo? Um canal de TV? Uma multinacional? Uma marca? Segundo consta no próprio site da Globo, quando falamos em "Globo", temos que ter em mente que estamos nos referindo a um grupo de empresas, o Grupo Globo. Você pode estar pensando: "mas não era uma rede de empresas, a Rede Globo"? Sim, você não está errado.

Novamente, segundo o site da Globo, uma das empresas do Grupo Globo é a TV Globo. Provavemente seja a mais conhecida, pois sua programação é distribuída em praticamente todo o território nacional, por meio de cinco emissoras próprias, em parceria com empresas afiliadas e em mais de cem países, por meio da Globo Internacional.

Tem ainda a Globo Filmes que participa da cooprodução de filmes. Tem a Globosat que é uma programadora de canais de TV por assinatura (30 canais pagos com 24 horas de programação). Se você assiste TV por assinatura, já deve saber que SporTV, GloboNews, Multishow, GNT, BIS, Canal Brasil, Viva e Gloob são canais da Globo.

As atividades da Globo vão além de TV e Cinema. A Som Livre é uma empresa do Grupo Globo que produz e comercializa conteúdo de artistas brasileiros, através de vendas físicas, digitais e eventos.

Já deu para perceber o alcance dos conteúdos do Grupo Globo. Mas tem mais. Fazem parte do Grupo Globo as empresas Infoglobo (dos jornais O Globo, Extra e Expresso e participação no jornal Valor Econômico), Editora Globo (16 revistas), a Rádio Globo, a rádio CBN, o ZAP (portal de classificados online de atuação nacional) e a Globo.com (serviços e plataformas tecnológicas).

Num conglomerado tão grande de empresas, é claro que há oportunidades de trabalho para um produtor independente. Contudo, você dificilmente vai encontrar um anúncio para vaga de "produtor independente". Você vai encontrar vagas com outros nomes, para funções que um produtor independente pode desempenhar, como nas equipes de produção de TV, nas equipes artísticas de TV e também nas áreas de comunicação.

Se você está pensando em trabalhar lá, o primeiro passo é se aproximar. Dá uma passada no site e se cadastra (clique aqui). Há outras formas também de trabalhar lá. 



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domingo, novembro 13, 2016

"Estamos diante de um sistema educacional no qual a qualidade da cultura precisa ser introduzida e dinamizada", afirma José Carlos Garcia Durand



(Foto: Adriana Vichi)




Por Alê Barreto
alebarreto@gmail.com


Fiquei sabendo ontem que o livro "Incômodos Best-sellers, USA: Publicidade, Consumo e Seus Descontentes" de José Carlos Garcia Durand, sociólogo e pesquisador da USP, especialista na área de política e gestão culturais, está na lista dos vencedores do Prêmio Jabuti 2016.


Este pesquisador é uma referência na minha formação. No meu novo livro "Carreira Artística e Criativa", faço uma citação de um trecho de um texto dele.

Hoje, ao navegar pela internet atrás deste livro, encontrei esta bela entrevista que ele concedeu na época do lançamento de outro livro (chama-se "Política Cultural e Economia da Cultura") para a Revista E do Sesc São Paulo, publicada também no site do Centro de Pesquisa e Formação Sesc São Paulo.



Segue a transcrição na íntegra.


Entrevista com José Carlos Garcia Durand
Professor titular de Sociologia e Coordenador do Centro de Estudos da Cultura e do Consumo da FGV-SP


Professor da pós-Graduação em Estudos Culturais da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH/USP), José Carlos Garcia Durand é especialista na área de política e gestão culturais, exemplificadas tanto por modelos internacionais como pelo caso brasileiro.



Em entrevista para a Revista E, o especialista, que lança o livro Política Cultural e Economia da Cultura, em abril, pela Edições Sesc e Ateliê Editorial, aborda a necessidade de fomentar a chamada economia da cultura no país. “Reflexões econômicas são importantes para pensar processos culturais, o que é indispensável para sabermos como devemos gastar melhor o dinheiro nas diversas áreas, como cinema, teatro e daí por diante”, explica. A seguir, os principais trechos.

Qual a importância da cultura para o Estado?


Essa é uma relação antiga, que remonta à monarquia absoluta na Europa. Já no século 20, ela foi pautada pelo trauma do Nazifascismo, mas depois da 2ª Guerra (1939-1945) houve um consenso de que o Estado não deveria ser forte em cultura, um posicionamento do século 20 que se converteu em diretriz ou inspiração para muitas políticas nacionais. Vou dar um exemplo: Os Estados Unidos, até a era Kennedy, só tinham políticas para países estrangeiros e criaram uma fundação para dar subsídio financeiro a artistas. O máximo a que esse extremo de liberalismo leva é oferecer recursos públicos à cultura, mas sem se envolver com ela. Tal formulação representa o que ensinamos como modelo anglo-saxão de política cultural, do chamado braço de apoio. Eu ofereço dinheiro, mas é você quem distribui, não venha me chamar de totalitário ou conservador. O que não coincide com modelos centralizados e monarquias absolutas do passado, como é o caso da França.

O Brasil se situa em qual dessas linhas? Liberal ou estatal?


Na segunda, porque nós carecemos de duas circunstâncias. Uma é o mecenato privado, como no caso americano, outra é um sistema escolar sólido, que forme pessoas no seu gosto e percepção estética, com visão humanista de mundo. Logo, a França tem um sistema escolar com um alto poder de “inculcação”, como falamos em sociologia. É comprovado estatisticamente que o diploma universitário é duas vezes mais importante do que a renda para definir consumo cultural.

Qual a origem do mecenato com recursos próprios?


Diferentemente dos Estados Unidos, a América Latina era caracterizada por uma Igreja forte, monopolizadora da caridade. Então, as comunidades e os homens notáveis da coletividade tiveram que se organizar para criar instituições que conduzissem dinheiro privado para obras de interesse coletivo. A presença da Igreja, junto com outras circunstâncias, obviamente, teria dificultado o surto de mecenato no Brasil. Agora, não podemos esquecer que os Estados Unidos não representam o melhor dos mundos nesse assunto, e que boa parte das instituições americanas constituídas ou ampliadas nos anos de 1920 foi constituída com a lavagem da imagem dos barões ladrões do final do século 19. A família Rockefeller e tantos outros. A imagem desses homens foi melhorada com a representatividade que criaram ao estar no cume da rede de fundações americanas na primeira metade do século 20.

A cultura era vista como um caminho para a redenção?


Entre outras coisas. O porte das fundações americanas é poderoso, sobretudo as que estão no alto da escala e atuam simultaneamente em artes, ciências, assistência social, saúde, educação. Cada uma faz um pacote de finalidade e não aceita projetos em outras áreas. Daí, se 10 anos depois a instituição resolve não mais financiar esse assunto, tem que declarar publicamente. É tudo muito formalizado e claro.

Em que momento histórico surgem leis de incentivo à cultura?


Responderei isso mencionando um aspecto que é pouco lembrado. O Brasil possui tradição de incentivo fiscal que remonta aos anos de 1950 e que atendeu a vários interesses, talvez a mais conhecida seja a destinação de recursos para a Região Nordeste por meio da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), mas também tem a constituição de um polo tecnológico na Amazônia por meio da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia). O mais importante de retermos é que, ao deixar de existir o incentivo fiscal, os empresários se retraem, eles não criam raízes. Precisamos observar que, quando o então presidente José Sarney instrumentalizou a lei de incentivo fiscal pela primeira vez, na segunda metade dos anos de 1980, já existia a tradição duvidosa dos incentivos fiscais, só que para o pessoal da cultura isso foi recebido como uma benção, e assim foi instalado um sistema de abatimento de recursos.

A instituição da Lei Sarney acompanhava um desejo de que a cultura fosse incentivada, financiada. O senhor consegue identificar quais os agentes disso? A cultura estava sendo vista como um instrumento social?


Não, a cultura estava sendo vista mercadologicamente, o que não é um fenômeno brasileiro, mas o que os norte-americanos chamam de patrocínio empresarial. Desde o final dos anos de 1960, nos Estados Unidos os empresários criaram uma organização para ajudar a comunidade empresarial a aproveitar o incentivo oferecido pelo governo. Portanto, isso não é específico do Brasil, mas diz respeito a vários países. Não é casual, está relacionado com o fato do esgotamento da eficácia da publicidade original. A partir dos anos de 1980, os empresários, que também são os grandes anunciantes, descobriram que havia uma saturação de publicidade aos olhos do público, e os publicitários, gostosamente, diziam aos seus clientes o seguinte: “Nós sabemos que metade de cada dólar gasto em publicidade é aproveitada e metade desperdiçada, mas, como ninguém sabe qual é a metade, nós continuamos a gastar o mesmo de sempre”. Os empresários começaram a perceber que em vez de gastar milhões em anúncios nacionais, seria mais eficiente gastar para uma região e um meio de publicação específicos, uma estratégia seletiva de anúncios, decisão coadjuvada pelos ancestrais dos controles de audiência eletrônicos e outros sistemas. Passou-se de uma etapa de publicidade de massa para a segmentação.

Mede-se a eficácia de um incentivo à cultura tendo em vista o anúncio comercial?


Bem, a partir de um evento cultural patrocinado, certo tipo de serviço comercial privado faz o clipping, ou seja, medem-se nos jornais do dia seguinte quantos centímetros de matérias surgiram em função do evento e quantas vezes a empresa patrocinadora foi mencionada. Comparando com a publicidade convencional, conclui-se que tal ação gera uma imagem positiva e mais consistente.

A revalorização do crítico cultural é considerada importante para o desenvolvimento de um sistema mais amplo?


Como sociólogo, é fundamental considerar que o valor da obra cultural não é totalmente criado no ateliê do artista, mas, sim, concebido parcialmente na sua circulação social, e nesse fluxo o crítico é fundamental.

Hoje, a desmobilização da crítica atenderia a quê?


Ao fato de o noticiarismo cultural ter se tornado também a instância de crítica na área. O jornalista nem sempre está suficientemente profissionalizado para deter-se com cuidado em alguns movimentos e artistas, sendo obrigado a uma agenda diversificada de mais e remuneradora de menos. Com isso você contamina o aspecto crítico, porque há perda de autonomia.

O que tem origem fora do sistema acaba sendo absorvido por ele. Como se explica a absorção da contestação?


Um exemplo: O grafite, a meu ver, torna-se uma manifestação difundida por ser uma iniciativa quase que anônima. Os grafiteiros são considerados num ato de rebeldia e de invenção de formas. Só que esse ato de invenção, quando se aplica a um olhar mais ingênuo, iguala-se, passando a ser uma contestação que também pode ser incorporada ao sistema. Há galeristas que levam grafiteiros para pintar suas paredes ou telas. A capacidade de absorção do sistema é muito grande. Mas a contrapartida disso é que a capacidade de provocar impacto é cada vez menor.

A questão da lei de incentivo também tem como objetivo a arte comercial?


É proibido por lei veto a qualquer gênero. Esse é um paradoxo das leis de incentivo. Qualquer atitude, palavra ou gesto que se considere artístico deve se transformar no conteúdo de um projeto e ser levado a um exame de apreciação. A arte comercial também tem direito de captar recursos.

Em um país grande e complexo como o nosso, como o senhor vê o processo de uma política cultural, tendo em vista as diferenças regionais?


A palavra política cultural nomeia o conjunto das ações, legislações, decisões e escolhas governamentais em relação à cultura. Sociedades classistas enfrentam a necessidade de criar instituições para promover a cultura das suas elites para que o país ganhe mais prestígio e não seja conhecido, apenas, pelas festas de seu povo, quaisquer que sejam suas origens. Nesse sentido, faz-se uma aliança entre as elites e o governo. Essas pessoas têm como conduta uma visão exclusiva de cultura. O homem ou mulher de elite, que durante décadas e décadas, num país como o nosso, eram guindados a postos de direção cultural, não teriam nem como traço biográfico nem como imposição de partido político nenhuma garra para tentar fazer o Estado estar presente no consumo cultural das classes populares, que deve ficar espontâneo aos olhos deles, ou ser fomentados pela indústria e não por eles. Não falo em desonestidade, mas o dirigente cultural oriundo da elite e com o posto de diretor de museu, por exemplo, pode gastar a maior parte do tempo tentando obter doações ou aplicar verba para ampliação do acervo, não como agente empenhado em ampliação de frequência. Isso está sendo impulsionado mais por marketing cultural do que por vontade isolada de diretores de museus.

Com isso, chegamos a um novo status da economia da cultura. Ainda há resistência no Brasil de falar sobre isso?


Tenho me manifestado a respeito da necessidade de fomentar a economia da cultura e sou incisivo em dizer que, inicialmente, isso passa por iniciativa das autoridades culturais (secretarias e Ministério da Cultura) em criar estímulos para atrair economistas para estudar a área cultural. Normalmente, em uma faculdade de economia, os formandos saem em direção ao mercado financeiro, e isso torna mais difícil atrair jovens com reflexões econômicas para pensar processos culturais, o que é indispensável para sabermos como e onde devemos gastar melhor o dinheiro nas diversas áreas, como cinema, teatro e daí por diante. Não temos núcleos preocupados, especificamente, com economia da cultura.

Tal resistência está ligada a quê?


A relutância existe porque a chamada área cultual é formada por pessoas com capacidades perceptivas muito diferentes entre si. Não temos uma arte de lidar com números, o que acontece no caso da economia da cultura. Ela desenvolveu-se em alguns países, pois foi criado um sistema diversificado, no qual pessoas que não conseguiam se interessar por indústria, comércio e serviços em geral estavam inseridas. Eles gostariam de compor uma música ou pintar um quadro, então havia esses desviantes que se diplomaram em economia e tinham pendores artísticos. Isso permitiu a constituição de uma associação importante de economistas da cultura. No Brasil está ficando difícil desenvolver algo do gênero.

O que a cultura poderia ganhar na hora em que se reconhecessem essa interação como necessária?


Primeiro, reconhecer que temos nas sociedades mais ricas um conjunto de agentes interessados em promover atividades com presença de público e retorno econômico. A procura do público torna isso importante, um estímulo para a reflexão econômica. Não esqueçamos que o cinema dos Estados Unidos criou mecanismos de medição de impacto de público muito importantes nesse cenário.

Como a gestão da cultura e sua profissionalização são vistas no aparelho do Estado?


Não há uma resposta simples para essa pergunta. É difícil de responder o que está faltando, mas é preciso haver o acesso de pessoas a uma avaliação de projetos e políticas culturais através de compostos que considerem o valor cultural das obras, o desencadeamento da procura por outros bens e daí por diante, o que não é fácil de ser feito. Agora, acho que no Brasil estamos diante de um sistema educacional no qual a qualidade da cultura precisa ser introduzida e dinamizada, o que é fundamental, pois a ponte entre educação e cultura está muito esburacada. É preciso melhorar essa conexão em uma época na qual não há legitimidade em dizer que cultura é isso ou aquilo. Educação deveria ser mais associada à cultura, não se reduzindo ao entretenimento.



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sexta-feira, novembro 11, 2016

Livro "Saindo da garagem" quer incentivar as carreiras artísticas musicais





Por Alê Barreto
alebarreto@gmail.com


Esta semana descobri por acidente na internet o livro "Saindo da Garagem" escrito por Rodrigo Kuster, Gabriel Machado e Vitor Durão. Não li ainda, mas procuro sempre neste blog, desde 2006, compartilhar fontes de informação que possam ajudar nas estratégias e ações dos independentes.

Segundo a sinopse da editora, "trata-se de uma obra ideal para quem compreende a necessidade de que seus atuais conhecimentos técnicos sejam complementados pelos saberes do mundo dos negócios. Dessa maneira, a publicação não é direcionada para um determinado grupo ou momento específico da carreira. Muito pelo contrário. A proposta é que os conceitos do “Saindo da Garagem” acompanhem e estejam ao seu lado no decorrer de sua trajetória, além de servirem como incentivo para que você aprimore as suas capacidades".

O blog Produtor Independente parabeniza a iniciativa e tão logo tenha oportunidade de ler, será um prazer comentar pontos interessantes do livro.




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quinta-feira, novembro 10, 2016

Boas notícias: mesmo em meio a crise, setores criativos se articulam no Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais






Por Alê Barreto
alebarreto@gmail.com


Historicamente a maior parte das pessoas dos setores criativos brasileiros possuem dificuldade em dialogar com seus pares, quando o assunto é política pública. Mas mesmo em meio a crise que estamos vivendo no Brasil, as boas notícias começam a aparecer. 

O Jornal O Globo publicou em junho a matéria "Com participação de 80 instituições, fórum discute Lei Rouanet em SP", na qual foi informado que representantes de mais de 90 instituições e entidades de classe ligadas à cultura de várias partes do Brasil se reuniram no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, para participar do Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais. No texto, Eduardo Saron, diretor-geral do Itaú Cultural, um dos articuladores do encontro, destacou a participação de mais de 100 gestores culturais.


Diálogos setoriais


Sabemos que não é a primeira vez que se realizam reuniões públicas com a participação de pessoas dos setores culturais. Entre os anos de 2003 e 2008, houve um processo muito intenso de retomada dos diálogos com os setores culturais brasileiros, na gestão de Gilberto Gil. A ideia era estimular ações nas três dimensões da Cultura (simbólica, cidadã e econômica). Nas dimensões simbólica e cidadã, mudou-se muita coisa. Mas pouco se avançou nos debates e, principalmente nas ações, relacionadas a dimensão econômica da cultura. Isso é uma opinião minha. Excetua-se aqui o trabalho desenvolvido relacionado a construção do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (ver palestra da Cristina Lins, consultora, uma das maiores especialistas sobre este tema no país), o Programa de Capacitação em Projetos Culturais (e suas versões posteriores, que inclusive inspirou capacitações realizadas em alguns estados brasileiros) e a Secretaria de Economia Criativa por Cláudia Leitão (ver o Plano da Secretaria de Economia Criativa 2011-2014 e o Relatório de Gestão 2011-2013).



Cláudia Leitão falando para o Criaticidades


Se por um lado os Fóruns, Câmaras Setoriais, as Conferências Nacionais de Cultura e os Sistemas (Sistema Nacional de Cultural, Sistema Estadual de Cultura e Sistema Municipal de Cultura) possibilitaram uma participação ampla da sociedade, por outro não lograram atrair a atenção de grande parte dos agentes das cadeias produtivas da economia criativa. Além disso, todos os programas implementados pelos sistemas públicos encontraram em algum momento os seguintes obstáculos: a falta de formação dos profissionais para gestão de ações e espaços culturais, falta de formação para gerenciar convênios e recursos públicos, falta de formação para lidarem com a questão da busca da sustentabilidade e a limitação da ideia de sustentabilidade associada somente a participação em editais (públicos ou privados) ou tentativa de viabilizar projetos através das Leis de Incentivo.



Tais obstáculos continuam até hoje, mas se agravaram com a crise política brasileira. Boa parte da atenção das pessoas foi (e ainda está) direcionada para um destes dois pólos: apoiar o Impeachment ou manifestar-se politicamente contra o Impeachment. Some-se a isso o fato do novo Governo Federal ter tomado a atitude de extinguir o Ministério da Cultura, alegando para isso a necessidade de reduzir custos, mesmo sabendo que o orçamento do Ministério da Cultura era uma das menores pastas do governo (decisão que foi obrigado a reverter, devido a grande pressão política exercida pelos setores culturais).

É importante salientar que não há um consenso de que o melhor órgão governamental para fomentar a cultura no país seja um ministério. Há quem fale sobre a possibilidade de se estabelecer uma agência, similar a ANCINE.


Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais


Em meio a essa trovoada, a atitude de criação do Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais parece chegar em muito boa hora e ser uma ação propositiva necessária. É preciso que haja uma agenda concreta para disputa dos espaços políticos, o que permitirá que o Estado, seja na instância federal, estadual ou municipal, entenda que a Cultura não é um supérfulo que necessita ser eliminado dos orçamentos, mas sim, juntamente com educação, saúde, segurança, inovação, tecnologia e tantas outras áreas, um setor que cria condições para o desenvolvimento.



Odilon Wagner, ator e presidente da Associação dos Produtores Teatrais Independentes (APTI), afirmou a importância da representação política e de uma agenda propositiva: "(...) Para mim, os pontos mais importantes são investir na economia da cultura e na representação política. Temos a bancada da bala, a bancada evangélica, do agronegócio, da bola. Onde está a bancada da cultura? Não tem, mas precisamos trabalhar para ter".

E o Fórum já vem num curto espaço de tempo demonstrando a que veio. Já manifestou que em sua agenda estão a reforma da Lei Rouanet, reformulação da Fundação Nacional de Artes (Funarte), propostas apresentadas aos candidatos a prefeito nas últimas eleições, a criação de um mapa do impacto da economia da cultura no país, o reconhecimento da profissão de gestor cultural como categoria do Código Brasileiro de Ocupações e um censo das entidades participantes do fórum.


Economia da Cultura: caminhos para o desenvolvimento

Dia 16 de novembro, o Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais realizará das 9h30 às 18h o encontro "Economia da Cultura: caminhos para o desenvolvimento" no Auditório Ibirapuera. No evento, serão apresentados indicadores e informações estatísticas sobre a cadeia produtiva de setores relevantes da cultura e projetos culturais que transformaram socioeconomicamente realidades de várias regiões do Brasil. Acontecerá ainda uma mesa de debate sobre os desafios e as oportunidades para a construção de uma política para a economia da cultura no país.


As inscrições podem ser realizadas aqui, gratuitamente.

Economia da Cultura: Caminhos para o Desenvolvimento
quarta 16 de novembro de 2016

as 8h (credenciamento) às 18h

Auditório Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque Ibirapuera, Portão 2 – São Paulo/SP)

Entrada gratuita

Programação

8h às 9h30

Credenciamento

9h30 às 9h40

Abertura institucional

com Eduardo Saron (Itaú Cultural)

9h40 às 10h

Palestra: Economia da Cultura I

com João Leiva

Fala-se sobre o potencial de público que existe na cultura e a relevância de termos indicadores capazes de orientar o seu fortalecimento e a ação do setor público.

10h às 11h30

Produção de Estatísticas e Informações em Economia da Cultura

com Cristina Lins (ex-IBGE e consultora do MinC), André Limpi (Apex Brasil), Rosana dos Santos Alcântara (Ancine) e Mansur Bassit (Câmara Brasileira do Livro)

mediação de João Leiva

Conversa sobre dados quantitativos para o setor cultural e indicadores de impacto da conjuntura político-econômica nos mercados audiovisual, editorial e de exportação da arte e da cultura brasileiras.

11h30 às 13h

Cases: Economia da Cultura

com Antonio Grassi (Instituto Inhotim), Alemberg Quindins (Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri) e maestro Fábio Gomes de Oliveira (Grandes Musicais)

mediação de Maria Ignez Mantovani

Apresentação de estratégia, processos de desenvolvimento e aprendizados de instituições e projetos culturais.

13h às 14h30

Almoço

14h30 às 15h

Palestra: Economia da Cultura II

com Ana Carla Fonseca

15h às 16h30

Cases: Centralidade da Cultura

com César Piva (Polo Audiovisual Zona da Mata), Ruth Buarque (Associação Pracatum) e Jailson de Souza (Observatório das Favelas)

mediação de Ana Carla Fonseca

presentação de projetos culturais e seus impactos socioeconômicos.

16h30 às 18h

Debate: Oportunidades para Construção de uma Política para a Economia da Cultura

com Cláudio Lins de Vasconcelos (Secretaria de Economia da Cultura/MinC), Leandro de Carvalho (Secretaria da Cultura – MT), Guilherme Afif Domingos (Sebrae) e Patrícia Zendron (BNDES)

mediação de Eduardo Saron

A conversa reflete sobre como as várias esferas de atuação institucional podem contribuir para a criação de políticas que fortaleçam o sistema produtivo cultural.





Fontes:


Jornal O Globo
http://oglobo.globo.com/cultura/com-participacao-de-80-instituicoes-forum-discute-lei-rouanet-em-sp-19571745

Portal Itaú Cultural
http://www.itaucultural.org.br/observatorio-noticias/economia-da-cultura-caminhos-para-o-desenvolvimento/



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* Para Alexandre Barreto disseminar conhecimentos e atuar em redes são boas formas de se realizar mudanças. Em 2006 formou-se em Administração de Empresas e criou o blog Produtor Cultural Independente. Compartilhou seu primeiro livro Aprenda a Organizar um Show na internet, acessado por mais de 26 mil pessoas, e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou com artistas, ações, projetos e com organizações da sociedade civil como Grupo Nós do Morro, Instituto Ensaio Aberto (Armazém da Utopia), Observatório de Favelas e a Orquestra de Câmara da Rocinha, das quais continua parceiro. Desde 2009 realiza também ações formativas. Seus textos, cursos, workshops e palestras têm inspirado muitas pessoas no Brasil. Concluiu o MBA em Gestão Cultural e está divulgando Carreira Artística e Criativa, seu segundo livro, é mais um fruto da relação amorosa e duradoura que tem com o universo artístico e da parceria com a Associação Brasileira de Gestão Cultural. Saiba mais

Boas notícias: mesmo em meio a crise, setores criativos se articulam no Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais






Por Alê Barreto
alebarreto@gmail.com


Historicamente a maior parte das pessoas dos setores criativos brasileiros possuem dificuldade em dialogar com seus pares, quando o assunto é política pública. Mas mesmo em meio a crise que estamos vivendo no Brasil, as boas notícias começam a aparecer. 

O Jornal O Globo publicou em junho a matéria "Com participação de 80 instituições, fórum discute Lei Rouanet em SP", na qual foi informado que representantes de mais de 90 instituições e entidades de classe ligadas à cultura de várias partes do Brasil se reuniram no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, para participar do Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais. No texto, Eduardo Saron, diretor-geral do Itaú Cultural, um dos articuladores do encontro, destacou a participação de mais de 100 gestores culturais.


Diálogos setoriais


Sabemos que não é a primeira vez que se realizam reuniões públicas com a participação de pessoas dos setores culturais. Entre os anos de 2003 e 2008, houve um processo muito intenso de retomada dos diálogos com os setores culturais brasileiros, na gestão de Gilberto Gil. A ideia era estimular ações nas três dimensões da Cultura (simbólica, cidadã e econômica). Nas dimensões simbólica e cidadã, mudou-se muita coisa. Mas pouco se avançou nos debates e, principalmente nas ações, relacionadas a dimensão econômica da cultura. Isso é uma opinião minha. Excetua-se aqui o trabalho desenvolvido relacionado a construção do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (ver palestra da Cristina Lins, consultora, uma das maiores especialistas sobre este tema no país), o Programa de Capacitação em Projetos Culturais (e suas versões posteriores, que inclusive inspirou capacitações realizadas em alguns estados brasileiros) e a Secretaria de Economia Criativa por Cláudia Leitão (ver o Plano da Secretaria de Economia Criativa 2011-2014 e o Relatório de Gestão 2011-2013).



Cláudia Leitão falando para o Criaticidades


Se por um lado os Fóruns, Câmaras Setoriais, as Conferências Nacionais de Cultura e os Sistemas (Sistema Nacional de Cultural, Sistema Estadual de Cultura e Sistema Municipal de Cultura) possibilitaram uma participação ampla da sociedade, por outro não lograram atrair a atenção de grande parte dos agentes das cadeias produtivas da economia criativa. Além disso, todos os programas implementados pelos sistemas públicos encontraram em algum momento os seguintes obstáculos: a falta de formação dos profissionais para gestão de ações e espaços culturais, falta de formação para gerenciar convênios e recursos públicos, falta de formação para lidarem com a questão da busca da sustentabilidade e a limitação da ideia de sustentabilidade associada somente a participação em editais (públicos ou privados) ou tentativa de viabilizar projetos através das Leis de Incentivo.



Tais obstáculos continuam até hoje, mas se agravaram com a crise política brasileira. Boa parte da atenção das pessoas foi (e ainda está) direcionada para um destes dois pólos: apoiar o Impeachment ou manifestar-se politicamente contra o Impeachment. Some-se a isso o fato do novo Governo Federal ter tomado a atitude de extinguir o Ministério da Cultura, alegando para isso a necessidade de reduzir custos, mesmo sabendo que o orçamento do Ministério da Cultura era uma das menores pastas do governo (decisão que foi obrigado a reverter, devido a grande pressão política exercida pelos setores culturais).

É importante salientar que não há um consenso de que o melhor órgão governamental para fomentar a cultura no país seja um ministério. Há quem fale sobre a possibilidade de se estabelecer uma agência, similar a ANCINE.


Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais


Em meio a essa trovoada, a atitude de criação do Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais parece chegar em muito boa hora e ser uma ação propositiva necessária. É preciso que haja uma agenda concreta para disputa dos espaços políticos, o que permitirá que o Estado, seja na instância federal, estadual ou municipal, entenda que a Cultura não é um supérfulo que necessita ser eliminado dos orçamentos, mas sim, juntamente com educação, saúde, segurança, inovação, tecnologia e tantas outras áreas, um setor que cria condições para o desenvolvimento.



Odilon Wagner, ator e presidente da Associação dos Produtores Teatrais Independentes (APTI), afirmou a importância da representação política e de uma agenda propositiva: "(...) Para mim, os pontos mais importantes são investir na economia da cultura e na representação política. Temos a bancada da bala, a bancada evangélica, do agronegócio, da bola. Onde está a bancada da cultura? Não tem, mas precisamos trabalhar para ter".

E o Fórum já vem num curto espaço de tempo demonstrando a que veio. Já manifestou que em sua agenda estão a reforma da Lei Rouanet, reformulação da Fundação Nacional de Artes (Funarte), propostas apresentadas aos candidatos a prefeito nas últimas eleições, a criação de um mapa do impacto da economia da cultura no país, o reconhecimento da profissão de gestor cultural como categoria do Código Brasileiro de Ocupações e um censo das entidades participantes do fórum.


Economia da Cultura: caminhos para o desenvolvimento

Dia 16 de novembro, o Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais realizará das 9h30 às 18h o encontro "Economia da Cultura: caminhos para o desenvolvimento" no Auditório Ibirapuera. No evento, serão apresentados indicadores e informações estatísticas sobre a cadeia produtiva de setores relevantes da cultura e projetos culturais que transformaram socioeconomicamente realidades de várias regiões do Brasil. Acontecerá ainda uma mesa de debate sobre os desafios e as oportunidades para a construção de uma política para a economia da cultura no país.


As inscrições podem ser realizadas aqui, gratuitamente.

Economia da Cultura: Caminhos para o Desenvolvimento
quarta 16 de novembro de 2016

as 8h (credenciamento) às 18h

Auditório Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque Ibirapuera, Portão 2 – São Paulo/SP)

Entrada gratuita

Programação

8h às 9h30

Credenciamento

9h30 às 9h40

Abertura institucional

com Eduardo Saron (Itaú Cultural)

9h40 às 10h

Palestra: Economia da Cultura I

com João Leiva

Fala-se sobre o potencial de público que existe na cultura e a relevância de termos indicadores capazes de orientar o seu fortalecimento e a ação do setor público.

10h às 11h30

Produção de Estatísticas e Informações em Economia da Cultura

com Cristina Lins (ex-IBGE e consultora do MinC), André Limpi (Apex Brasil), Rosana dos Santos Alcântara (Ancine) e Mansur Bassit (Câmara Brasileira do Livro)

mediação de João Leiva

Conversa sobre dados quantitativos para o setor cultural e indicadores de impacto da conjuntura político-econômica nos mercados audiovisual, editorial e de exportação da arte e da cultura brasileiras.

11h30 às 13h

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com Antonio Grassi (Instituto Inhotim), Alemberg Quindins (Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri) e maestro Fábio Gomes de Oliveira (Grandes Musicais)

mediação de Maria Ignez Mantovani

Apresentação de estratégia, processos de desenvolvimento e aprendizados de instituições e projetos culturais.

13h às 14h30

Almoço

14h30 às 15h

Palestra: Economia da Cultura II

com Ana Carla Fonseca

15h às 16h30

Cases: Centralidade da Cultura

com César Piva (Polo Audiovisual Zona da Mata), Ruth Buarque (Associação Pracatum) e Jailson de Souza (Observatório das Favelas)

mediação de Ana Carla Fonseca

presentação de projetos culturais e seus impactos socioeconômicos.

16h30 às 18h

Debate: Oportunidades para Construção de uma Política para a Economia da Cultura

com Cláudio Lins de Vasconcelos (Secretaria de Economia da Cultura/MinC), Leandro de Carvalho (Secretaria da Cultura – MT), Guilherme Afif Domingos (Sebrae) e Patrícia Zendron (BNDES)

mediação de Eduardo Saron

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Fontes:


Jornal O Globo
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quarta-feira, novembro 09, 2016

Produtor Independente assistiu a conferência "Economia Criativa, Empreendedorismo e Novas Tecnologias Sociais"





Por Alê Barreto
alebarreto@gmail.com


Buscando sempre acompanhar as iniciativas que compartilham o desenvolvimento das ações da economia criativa no Brasil, Alexandre Barreto assistiu a conferência "Economia Criativa, Empreendedorismo e Novas Tecnologias Sociais" que ocorreu dia 08 de novembro, na Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).




O evento contou com a participação de Marcos André Carvalho (diretor da Incubadora Rio Criativo), Paul Heritage (diretor artístico do People’s Palace Project e professor da Queen Mary University of London) e Leonardo Brant (sócio-fundador da Brant Associados e diretor-associado da produtora Deusdará Filmes).




O encontro foi realizado pela parceria entre o Observatório de Economia Criativa do Rio Grande do Sul, o Centro de Estudos Internacionais sobre Governo (CEGOV/UFRGS), a Catavento, o Departamento de Difusão Cultural - UFRGS, a Pró Reitoria de Extensão da UFRGS e o Ministério da Cultura.



A transmissão do evento está disponível no YouTube.




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sábado, novembro 05, 2016

Mudança para Los Angeles, segurança pública e pirataria: José Padilha manda a real na Trip TV




Por Alê Barreto
alebarreto@gmail.com




Um ótimo vídeo onde o diretor José Padilha fala sobre os últimos momentos de sua carreira. Ele fala abertamente sobre o contexto que o levou a mudar para Los Angeles (EUA) e realizar novos trabalhos. Considero um depoimento rico e atual sobre as possibilidades que se abrem na carreira artística e criativa.

José Padilha foi roteirista de Os Carvoeiros (2000) e dirigiu Ônibus 174 (2002), Os Pantaneiros (2003), Tropa de Elite (2007), Garapa (2009), Tropa de Elite 2 (2010), Robocop (2014) e a série Narcos (2015). Trabalhou também na produção de Estamira (2006) e no roteiro de Paraísos Artificiais (2012)

Na entrevista "Lava-Jato | "Vamos expor muito cinismo, corrupção e demagogia", concedida a Rodrigo Fonseca do site Omelete em junho de 2016, o carioca José Padilha anunciou que está trabalhando na segunda temporada de Narcos da Netflix e também num longa-metragem com a (produtora americana) Working Title sobre o conflito entre Israel e os palestinos na década de 1970.


Assista também José Padilha no programa Sangue Latino.


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