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quinta-feira, fevereiro 04, 2010

1,2 milhão de crianças já foram beneficiadas pelo ensino de música clássica na Venezuela



Alê Barreto
Administrador e produtor cultural independente

Cada vez mais fica evidente que não é possível pensar em desenvolvimento de uma nação sem pensar em educação para a arte. Apesar disso, há muito que se avançar no Brasil neste sentido.

Uma das maneiras de avançarmos é buscarmos sensibilizar gestores públicos de cultura dos municípios e estados para que se pratique o "copyleft", para que se comece a aprender com as práticas bem sucedidas de outros países.

Um bom exemplo disso é "El Sistema", nome como é conhecido o Sistema Nacional de Orquestras Infantis e Juvenis da Venezuela, que desde 1975 (eu já era nascido...) beneficiou 1,2 milhão de crianças venezuelanas com o ensino de música clássica.



Leia a reportagem "O homem que cria orquestras" de Rodrigo Turrer publicada em 29/12/2009 na Revista Época.

segunda-feira, setembro 28, 2009

A profissionalização dos setores culturais


Abertas novas turmas para o MBA em Gestão Cultural da Universidade Cândido Mendes


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Compartilho com todos um texto da professora Kátia de Marco, cientista social, mestre em Ciência da Arte pela Universidade Federal Fluminense (UFF), membro da Associação Brasileira dos Críticos de Arte (ABCA) e da Associação Nacional dos Pesquisadores em Artes Plásticas (ANPAP), presidente da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC) e coordenadora do Programa de Estudos Culturais e Sociais, do MBA em Gestão Cultural, do MBA em Gestão Social e da pósgraduação em Vinho e Cultura da Universidade Candido Mendes (UCAM).



A profissionalização dos setores culturais

Kátia de Marco


A arte e a cultura – como produção de conhecimento e, sobretudo, como entretenimento – têm movimentado de maneira crescente, no decorrer das duas últimas décadas, importantes índices mercadológicos, que impulsionam a expansão das indústrias culturais nacional e internacional. Estudos recentes apontam para mudanças antropológicas nos padrões de consumo e lazer das sociedades contemporâneas ocidentais, alocando a cultura em um patamar privilegiado pelos novos padrões de qualidade de vida, cada vez mais fundamentados na ampliação dos meios tecnológicos,o que gerou o compartilhamento de um novo tempo estendido e de espaços inéditos de comunicação para usufruto do lazer e da cultura.

Percebemos, hoje, que a cultura vem sendo priorizada como foco crucial nas agendas dos programas de desenvolvimento, permeando as temáticas de diversos segmentos de Estado, expandindo suas vertentes como alicerce estratégico na própria governabilidade das nações. É um dos setores de mais rápido crescimento nas economias pós-industriais, situando-se, além de seu implícito valor intangível, também como valor tangível, delineado por seu potencial de mercado. A conjunção que alia a economia do conhecimento – balizada pelas esferas da produção de conteúdo por meio das atividades artísticas e intelectuais – com a economia do entretenimento – ilustrada sobretudo pelos setores das indústrias fonográficas, audiovisuais, editoriais, redes informáticas e produções de grande dimensão – equipara a cultura a segmentos das indústrias tradicionais, no que diz respeito à lógica numérica dos grandes mercados, na incidência dos índices monetários (cf. Canclini; Moneta, 1999).

Conforme argumenta George Yúdice em A conveniência da cultura (2004), a cultura passa a ser entendida como recurso valioso, comparado aos recursos naturais, fundamental para o fortalecimento do tecido social, situando-se ainda como capital social de uma nação, perpassando, de maneira transversal, os segmentos políticos, econômicos e sociais. Desse modo, a cultura amplia sua legitimidade deslocando-se do campo formal das artes, folclore e patrimônio e de sua especificidade científica no campo das ciências sociais para as esferas de conhecimento do mundo dos negócios, do gerenciamento, da distribuição e do consumo de produtos e serviços.

Essa percepção ampla acerca do papel central da cultura no processo de desenvolvimento social e econômico das nações e como busca da inclusão cultural enquanto ação transformadora foi, em grande parte, preconizada pela Unesco. Por meio das temáticas de seus consecutivos fóruns, a cultura ecoou nas esferas sociopolíticas internacionais como protagonista do desenvolvimento humano, promotora da redução de desigualdades e fio condutor da prática dos direitos humanos (Cuéllar, 1997).

Em 1982, o Congresso Mundial sobre Políticas Culturais ocorrido no México, também nominado “Mondiacult”, semeou as bases para essa virada essencial na concepção tradicional de cultura, ampliando seu espectro social, econômico e político. Fazendo reconhecer esses novos fundamentos, as Nações Unidas decidiram consagrar o decênio de 1988 a 1997 ao estudo, formulação e divulgação de uma nova dimensão desenvolvimentista para a cultura e formaram uma comissão independente, auspiciada pela Unesco, presidida por Javier Pérez de Cuéllar e com a colaboração de representantes de diversas nações. Por meio dos estudos desenvolvidos pela Comissão Mundial de Cultura e Desenvolvimento, Cuéllar (1997) lançou a pedra fundamental que delinearia a inserção da cultura no novo milênio chamando a atenção para a máxima de que é o desenvolvimento que floresce com a cultura e não o contrário, como se preconizava. Na mesma vertente, Enrique Iglesias, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, ao sustentar as metas da instituição em promover o desenvolvimento econômico e social, institui a cultura como base primordial dos ideários de uma reforma social para a América Latina mediante elevação dos níveis de educação e capacitação, buscando que estes incidam na produtividade e na melhoria da eqüidade social (cf. Arizpe, 2000).

No Brasil, as tentativas de implantar um sistema público de cultura, gerador de políticas estratégicas e continuadas para o setor, são uma experiência relativamente recente, tal como ainda é neófita a compreensão da produção da cultura num sentido holístico, permeando as áreas da economia, da administração, do marketing, do direito, do turismo e das relações políticas em geral.

A ressonância dessas novas abordagens permearam o cenário brasileiro durante a criação do Ministério da Cultura e das secretarias estaduais e municipais de cultura, que começaram a ser implementadas em meados dos anos 80, marcando o início do processo de redemocratização nacional. Os incentivos fiscais à cultura foram criados no Brasil com a Lei Sarney em 1986. Quatro anos depois, o governo Collor extinguiu os poucos mecanismos de fomento à cultura implementados pelo Estado. Mais adiante, em 1991, foi criada a Lei Rouanet; em 1993, a do Audiovisual, entre tantas outras estaduais e municipais que vieram a seguir. Enfim, estamos falando de uma experiência efetiva de duas décadas e de experimentações políticas cujas vivências demandam ainda ajustes e reestruturações, ou seja, trata-se de um processo ainda em construção.

Vivenciamos um período de grandes mudanças e de novas experiências na pasta da cultura em nosso país. De fato, houve uma abertura do diálogo com as comunidades relacionadas e de interesse, e os canais interativos se processam de maneira mais eficiente. No entanto, o Estado não pode perder de vista sua costura democrática e de
representação ampla, devendo atuar mais como maestro e menos como interventor, como estimulador atento às diversidades e nuances regionais sociopolíticas e econômicas, atendo-se não somente à produção de cultura e à circulação de bens culturais mas também à formação profissionalizante dos agentes culturais e à formação de artistas e público.

Cabe ainda, como desafio ao governo, desacelerar a corrida atropelada às leis de incentivo e promover o estímulo da participação empresarial no processo de financiamento privado à cultura mediante campanhas efetivas de aculturação e adesão de setores da sociedade civil como contrapartida cidadã e de responsabilidade social, minorando a tendência aos focos de interesse meramente mercadológicos das empresas. Tal cenário vem sendo dinamizado na atualidade e promove, paulatinamente, uma ampliação da conscientização corporativa de construção, manutenção e até mesmo de
resgate de marcas por meio da eficácia de ações em marketing institucional na implementação de incentivo à produção de cultura e de ações sociais.

Na diretriz de potencializar essa vertente, verificam-se a importância e a necessidade de o desenho das estratégias políticas estar sustentado,estruturalmente, por pesquisas atualizadas e oficiais e, sobretudo, por deliberações formuladas por conselhos representativos de todos os segmentos socioculturais da sociedade civil. A cautela e a sensibilidade em tratar diferencialmente, dando os mesmos espaços ao produtor de arte que busca financiamento e aos artifícios potentes do poder econômico utilizados pela indústria cultural, são uma das grandes expectativas. Há um aumento na demanda por informações confiáveis, por suportes de indicadores culturais efetivos, mapeamentos e diagnósticos profissionais. A atuação pública não mais deverá ser pautada por iniciativas isoladas, com resultados de sucessos casuais e pontuais recortados de uma estratégia maior, sem o respaldo de programas continuados e censos periódicos promovidos por institutos de pesquisa fidedignos.

Cada vez mais nos certificamos de que a arte e a cultura são geradoras de empregos diretos e indiretos, dinamizando recursos e investimentos na mesma ordem que outras atividades econômicas tradicionais. Assim sendo, tem-se a dimensão da necessidade premente da profissionalização dos setores culturais e da sistematização do conhecimento acadêmico como uma tônica global. A formação autodidata na área cultural sempre predominou, e a gestão cultural é uma profissão que se desenvolveu a partir da prática real, fundamentada em um conhecimento empírico pouco desenvolvido como objeto de estudos e pesquisas.

A partir dos anos 90, o cenário cultural apontava mudanças profundas no que se refere à produção, à administração e ao consumo culturais, gerando uma ambiência que apontava para a necessidade de profissionalização dos setores culturais públicos e privados. O desafio seria ainda maior para a administração pública, que se via diante da necessidade de formar seus quadros a fim de capacitar para a gestão profissional essa nova estrutura que se potencializava em crescimento. Desse modo, os setores de cultura e de entretenimento configuraram-se como campos promissores para o desenvolvimento de profissionais formados nas áreas de administração, comunicação, economia, direito e marketing, tendo em vista as ativadas demandas do mercado de trabalho nos setores da cultura em seu espectro mais amplo, como ilustramos anteriormente. De fato, em nossa experiência de cinco anos no setor, presenciamos esse novo público aproximar-se dos cursos de pós-graduação em Gestão Cultural. Em grande parte são profissionais graduados em áreas afins que se vêem traídos por esse mercado e são motivados a aprimorar-se e a especializar-se em cultura como campo ampliado para o exercício de suas práticas formativas de graduação.

A necessidade premente de profissionalizar e capacitar profissionais na área advém de uma demanda de priorização da gestão administrativa de excelência que viabilize otimizar a relação custo-benefício entre cultura e mercado, compreendendo as dinâmicas dos ciclos produtivos da cultura em prol da auto-sustentabilidade de ações sociais e culturais como alicerce do desenvolvimento social regional e nacional.

Essa nova categoria profissional necessita habilitar-se quanto à capacidade organizacional e à ampliação de conhecimento junto ao instrumental técnico das áreas de planejamento e gestão e embasar-se em conteúdos reflexivos e avaliativos inclusos no macrocenário da cultura no que se refere aos conhecimentos advindos de saberes afins, conforme citado.

O gestor cultural deverá conhecer as especificidades dos diversos espaços de atuação: museus, centros culturais, teatros, casas de espetáculos, bibliotecas, sets de filmagem, produtoras privadas, setores da indústria cultural, departamentos de marketing de empresas, secretarias de cultura, órgãos públicos etc. Deverá ainda ter um conhecimento amplo e atualizado dos diversos meios de expressão, focando-se com mais profundidade na área escolhida para atuar, estando atento ao direcionamento conceitual e empírico das diretrizes das políticas culturais, das orientações e mecanismos de financiamento e das estruturas de captação de recursos.

Na busca recente por delinear seu universo de atuação, focos de estudo e de mercado de trabalho, a transdisciplinar área profissional em Gestão Cultural possibilita o diálogo aberto com diversas áreas e segmentos sociais interceptando-os com o desafio de uma abordagem inovadora e humanista, descortinando novas questões para seus temas reflexivos, na medida em que a cultura tem a característica intrínseca de fazer pensar o que expressa, de flexibilizar fronteiras cristalizadas, podendo revitalizar essas especializações permeando o universo das artes e dos meios de expressão, provocando com novas perspectivas analíticas seus objetos de estudos originais.


Bibliografia

ARIZPE, Lourdes. La integración de la identidad a la globalización. Cultura e desenvolvimento. Rio de Janeiro: Funarte, 2000. (Cadernos do Nosso Tempo).

CANCLINI, Néstor García; MONETA, Carlos Juan (orgs.). Las industrias culturales en la integración latinoamericana. México: Grijalbo, 1999.

CRESPO-TORAL, Hernán. Nuevas perspectivas a las relaciones entre la cultura y el desarrolo. Cultura e desenvolvimento. Rio de Janeiro: Funarte, 2000. (Cadernos do Nosso Tempo).

CUÉLLAR, Javier Pérez de (org.). Nossa diversidade criadora. Relatório da Comissão Mundial de Cultura e Desenvolvimento. Campinas/Brasília: Papirus/Unesco, 1997.

YÚDICE, George. A conveniência da cultura: usos da cultura na era global. Belo Horizonte: UFMG, 2004.

terça-feira, setembro 22, 2009

Abre nova turma do MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ)


Programa do MBA em Gestão Cultural (clique para aumentar)


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Recebi ontem da Ingrid Borges, que trabalha junto à coordenação do Programa de Estudos Culturais e Sociais da Universidade Candido Mendes (PECS/ UCAM), a informação que irá abrir a sétima turma da pós-graduação lato sensu MBA em Gestão Cultural.

Conforme já comentei em posts anteriores, eu fiz o curso de extensão universitária "Micro e Macro Economia da Cultura", que é uma disciplina do MBA em Gestão Cultural, com os professores Ana Carla Fonseca Reis e Luis Carlos Prestes Filho. Considero muito bom o nível do curso, a estrutura da universidade, o cuidado da coordenação e a qualidade dos professores.


Segue abaixo mais informações sobre este curso:


PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU MBA EM GESTÃO CULTURAL

A Universidade Candido Mendes recebe em outubro de 2009 novos alunos para o curso de pós-graduação lato sensu, MBA em Gestão Cultural.

O MBA em Gestão Cultural vem implementar a capacitação e o aprimoramento profissional na área de Administração dirigida à instituições, programas e projetos culturais, visando otimizar a eficiência das propostas programáticas para o setor. As aulas terão início em outubro de 2009, com carga horária de 405h, duração de 16 meses, no campus Centro, no turno da noite (das 19h às 22h) e aulas às terças e quintas-feiras.

Sob a coordenação acadêmica da Profª. Kátia de Marco, o corpo docente é composto por profissionais destacados tanto na esfera executiva como nos setores acadêmicos como Paulo Sergio Duarte (Gestão de Patrimônio Histórico); Yole Mendonça e Marcelo Mendonça (Bases Administrativas na Gestão Cultural); Marcio Schiavo (Responsabilidade Social Corporativa); Ronaldo Lemos (Direitos Autorais na Produção Digital); Lia Calabre (Políticas Públicas Para a Cultura); Eliane Costa (Cultura Digital); Ana Carla Fonseca Reis (Micro e Macro Economia da Cultura); José Carlos Barboza (Legislação de Incentivos ao Setor Cultural).

Apesar de terem focos de conteúdos distintos, ambos os cursos se direcionam a formar e reciclar profissionais atuantes na área da cultura; criar novas gerações de gestores, empreendedores, administradores e produtores culturais; proporcionar ao profissional uma visão integrada das áreas de administração, economia, direito, comunicação, museologia, artes e cultura; preparar o profissional para tomada de decisões, gerenciamento de equipe, análise de projetos, engenharia de orçamentos e domínio do empreendimento cultural.

Duração: 16 meses

Carga horária: 405 horas

Seleção:
- análise de currículo
- realização de entrevista


Mais informações:

PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
PROGRAMA DE ESTUDOS CULTURAIS E SOCIAIS – PECS
Rua da Assembléia, 10 / sala 616 – Praça XV – Rio de Janeiro
Marcação de entrevista pelos telefones
(21) 3543-6489; (21) 2531-2000 r. 256 ou 289 ou
(21) 9972 7693
pecs@candidomendes.edu.br / www.candidomendes.edu.br ou www.gestaocultural.org.br

segunda-feira, junho 29, 2009

Pessoas interessadas em software livre também tem interesse em produção cultural independente


Alê Barreto ministrando o curso Aprenda a Organizar um Show no FISL 10




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)



Nossos medos muitas vezes são obstáculos para que a gente realize o que nós sabemos que temos capacidade de realizar. Esta foi a lição que aprendi ao participar do 10º Fórum Internacional do Software Livre em Porto Alegre.

Sexta, dia 26 de junho, jantei com amigos e no meio da conversa, um deles me disse: "sabe, este método seu para shows é muito bacana, mas ninguém usa". Falei para ele que a maioria das pessoas não usa porque é um conhecimento novo. Mas fiquei pensando. De repente me senti um pouco inseguro. E se as pessoas realmente não quiserem aprender a organizar um show? E se as pessoas quiserem fazer o show de forma caótica? Não concluí nada. Mas continuei inseguro.

No sábado, dia 27 de junho, cheguei no Centro de Eventos da PUC/RS e fiz um passeio pelos estandes do Fórum. Encontrei muita gente com laptops. Computadores por toda parte. Projeto sociais muito bacanas, como o Software Livre Educacional, o estande do Ponto de Cultura Minuano, Rede Mocambo, enfim, uma diversidade de grupos humanos e de ações, todas com a idéia de compartilhamento do conhecimento.

Fui me informar onde seria minha palestra e percebi que era um auditório fora do Centro de Eventos. Como eu já estava com aquela sensação da insegurança na sexta, pensei: "Caramba, não vai ir ninguém".

No caminho para a sala, a minha mente não dava trégua: "não vai ir ninguém", "isso é um evento para o pessoal da informática", etc. Quando cheguei lá, tinha uma pessoa na sala. Fiquei aliviado.

Ao começar a preparar a exibição da apresentação em PDF num telão, notei que começaram a chegar pessoas na sala. Quando me dei conta, tinha vinte e duas pessoas!





Propus que todos nos apresentássemos uns para os outros. Tinha gente do RS, Macapá, Brasília, São Paulo, Campinas e Espírito Santo. Apresentei para este público os tópicos que iríamos trabalhar:





Depois, falei sobre as etapas de um show: pré-produção, produção e pós-produção.




Concluída esta etapa, partimos para a outra parte do curso.




Apresentei aos presentes como foi construído o livro "Aprenda a Organizar um Show"




e os resultados obtidos até hoje com esta ação de empreendedorismo cultural.





Por fim, apresentei sugestões que considero importantes para multiplicar uma ação cultural.




Se eu tivesse ido atrás dos meus medos, talvez nem tivesse comparecido. Mas eu fui. E vi que educação para a produção cultural não é só uma boa idéia. É realmente uma necessidade. Caso contrário, ninguém viria, ninguém baixaria o livro, ninguém visitaria este blog. E é exatamente o contrário. Cada vez mais as pessoas procuram estes conteúdos. Por isso eu vou persistir no meu projeto.

quinta-feira, junho 18, 2009

"Diário de Produção - Relatos, dicas, experiências e casos de quem aprendeu a produção cultural na prática"


Cena da peça "Frida: uma mulher de pedra da luz à noite"/divulgação


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Comecei a pesquisar publicações relacionadas a prática da produção cultural em 2003, ano em que comecei a trabalhar como produtor cultural independente.

Na época, quase não existiam obras sobre o assunto no Brasil. Os raros conteúdos que encontrava, eram genéricos. Isso não é uma reclamação. É uma constatação. O fato de uma obra ser genérica não quer dizer que seu conteúdo não é de qualidade.

A questão é que a diversidade que envolve o "fazer cultural" exige conteúdos especializados. Fazer produção executiva na área da música é uma coisa, no teatro é outra, no cinema é outra, e assim por diante.

Sempre tive a curiosidade de aprender mais sobre produção cultural a partir do olhar de alguém que trabalhasse em áreas diferentes da minha. Comecei trabalhando com produção executiva de shows musicais, mas pude aprender muita coisa trabalhando em exposição de artes visuais. Tenho aprendido muito também convivendo com o universo do teatro no Grupo Nós do Morro. Tenho muita vontade de aprender mais sobre a produção de cinema, dança e patrimônio histórico.

Ontem, lendo o blog do Leonardo Brant, tive a grata surpresa de saber que foi lançado um novo livro, escrito por uma produtora cultural que atua na área da dança.

Fui até o site dela e reproduzo abaixo, na íntegra, informações sobre esta publicação e como adquiri-la.



Divulgação


Diário de Produção é um livro que convida o leitor a vivenciar um pouco do complexo universo da produção cultural. Este livro não pretende ser um guia com fórmulas de como fazer. O livro dá a exata noção das áreas, da rotina e das responsabilidades que envolvem a produção cultural.

Através de relatos de sua experiência, a autora conduz o leitor a conhecer este universo e experimentar várias situações vividas na prática. Uma construção crítica e realista sobre a questão da profissionalização do setor da produção cultural.

O Diário expõe, conversando com o leitor, o contexto e as realidades que determinam o fazer no campo da produção e da gestão cultural.

Indicado para iniciantes e profissionais da área cultural, comunicação, marketing, administração, estudantes de gestão cultural, gestores públicos e privados, artistas e público interessado no tema.

Como comprar o livro:

Envie nome completo, endereço e comprovante de depósito para o e-mail carlalobo@joaquinacultura.com.br ou passe um fax para o número 31 3225-5070.

Valor: R$ 40,00 | Livro: R$30,00 + Envio: R$ 10,00
Sacado: Carla Maria Lobo Bastos
CPF: 843.837.636-34
Banco: Itaú
Agência: 0587
Conta: 27325-1

sexta-feira, abril 24, 2009

Dicas de Produção e Divulgação para Músicos (RJ)


Divulgação


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Ano passado, tive a oportunidade de conhecer o Rodrigo Lariú, da gravadora Midsummer Madness, por ocasião da nossa ida ao Festival Contato, promovido pela Rádio da Universidade Federal de São Carlos em São Paulo. É um cara sério e que está fazendo um trabalho muito importante de articulação de bandas e artistas independentes no RJ.

Colei acima o flyer do workshop dele e abaixo transcrevo a mensagem de divulgação que recebi através da lista da Rede Rock Público:


pessoas,

segunda que vem, dia 27 de abril, das 17h às 19h, vou apresentar meu workshop / bate-papo de dicas de produção e divulgação para bandas e músicos. Será realizado em parceria com a REDE RIO MÚSICA.

É um passo-a-passo desde o momento que vc monta sua banda até dar a hora de fazer shows, divulgar. O que é uma boa "demo" (física ou online), o que é um site funcional, quantas músicas gravar, como registrar, o que é um bom press release, como contatar imprensa e produtores de shows, etc.

Dura 1h a 1h30, vai ser no SEBRAE do Centro, que fica na rua Santa Luzia, 685, 9º andar, perto da Cinelândia. A entrada é franca mas tem que se registrar pois são vagas limitadas. Todos que forem vão ganhar meu mailing de contatos de imprensa e produtores de show. Mais informações no flyer anexo.

Inscrevam-se!
abs
Rodrigo Lariú



Quem estiver no RJ neste dia, vale a pena conferir este workshop.

quarta-feira, abril 15, 2009

Trabalhe para formar agentes culturais


Divulgação


Por Alê Barreto


O que move a existência do blog Produtor Cultural Independente é a necessidade de compartilhar conteúdos para conectar e educar pessoas para produção cultural, em seu sentido amplo. Isso parte do pressuposto que não há uma visão certa, única, oficial ou melhor de se trabalhar com produção cultural, mas sim diferentes olhares sobre como se produz uma ação cultural.

Neste blog eu procuro praticar isso. Nunca falo "este é o melhor jeito de se fazer isso". Acredito que uma pessoa pode aprender e ensinar produção cultural, partindo de sua própria prática, de seu estudo, de cursos livres, de cursos técnicos, de cursos de graduação e tantas outras formas quanto permitir a criatividade humana.

Acho que os aprendizados podem ser potencializados se começarmos a quebrar os muros existentes entre a pesquisa e a prática, entre os livros e o dia-a-dia, entre o novo e o antigo. Nesse sentido, uma das minhas maiores batalhas é que os centros de ensino e pesquisa dialoguem com as pessoas que estão produzindo ou querem produzir ações culturais.

Nesse sentido, acho importante dar visibilidade para uma importante ação que está acontecendo aqui no RJ, na Universidade Fluminense. Desde janeiro está sendo desenvolvido o projeto "Curso de Formação de Agentes Culturais Populares", que tem como objetivo geral estimular a formação e consolidação de redes que articulem as iniciativas culturais desenvolvidas nas favelas, com a intenção de criar condições para a produção e fruição de bens culturais em espaços populares, com base numa lógica inclusiva, respeitando a diversidade e pluralidade da cultura popular.

Todas as etapas de construção do curso estão sendo comunicadas através do blog http://culturanauff.blogspot.com , onde podem ser encontradas informações detalhadas sobre o projeto, criação de uma comunidade no orkut, reuniões de organização do curso e resultados do processo seletivo.

Esta iniciativa é importante, pois serve de incentivo para que outras escolas, universidades e centros de ensino criem cursos similares, cursos de extensão, cursos de graduação tecnológica, cursos de graduação e pós-graduação. E também importante para que as universidades que possuem cursos relacionados a produção cultural se inspirem nesta importante prática e ampliem o seu diálogo e articulação com iniciativas voltadas a ampliar a oferta de ensino para a produção cultural no Brasil.

domingo, abril 05, 2009

Especialista fala sobre o tema gestão cultural no Brasil


Divulgação

Por Alê Barreto


Compartilho com todos um excelente link que encontrei em minhas pesquisas sobre produção cultural independente na internet.

O blog Cultura em Pauta, de André Fonseca, traz um podcast com Maria Helena Cunha, intitulado "O poder público deveria estar à frente da discussão sobre gestão cultural”.

Maria Helena Cunha é especialista em planejamento e gestão cultural e diretora da Duo Informação e Cultura. É autora do livro “Gestão Cultural: profissão em formação”.

Ouça aqui esta profissional falar sobre o perfil do gestor cultural e as perspectivas para essa área de atuação.

sábado, março 28, 2009

Crie alternativas em sua cidade para viabilizar suas ações culturais


"Segredo" de thahy valente


Por Alê Barreto

Escrevi o artigo anterior sobre desenvolver a cultura nos municípios brasileiros, como uma resposta aos inúmeros e-mails que recebo de pessoas me relatando as dificuldades de se trabalhar com a cultura na maior parte dos municípios brasileiros.

Agora quero compartilhar com todos um exemplo real de ação que contribui para alterarmos situação.

Eu recebo muitos e-mails todos os meses de pessoas que me solicitam que divulgue no blog eventos, serviços, etc. Fico contente, pois é sinal de que as pessoas consideram o Produtor Cultural Independente um veículo de comunicação série e que atinge um público interessado em produção cultural. Contudo, na maior parte das vezes, agradeço educadamente, pois o objetivo do blog no presente momento é criar uma rede de conteúdos que auxilie a educação de pessoas para produção cultural.

Contudo, no dia 23 de março recebi um e-mail de São Paulo diferente. Nele, a pessoa é direta, propositiva e sincera na sua atitude. Além disso, a iniciativa que ela está divulgando trata-se de uma ação cultural educativa e que fortalece uma rede de pessoas. Então resolvi publicá-lo, como um exemplo de ação que todo mundo pode fazer na sua cidade.

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---------- Forwarded message ----------
From: Claudia Gomes
Date: 2009/3/23
Subject: Ajuda na Divulgação
To: alebarreto@gmail.com


Olá, Alê Barreto.

Sou Cláudia Gomes e estamos com um projeto IBTT - Instituto Brasileiro de tecnologia Teatral que reúne no Yahoo grupos hoje 490 associados entre sonoplastas, Iluminadores, Cenógrafos, atores, atrizes, figurinistas entre outros.

Dia 06/04 teremos um encontro no Teatro do Ator, com o realese que te envio, irá entender melhor.

Gostaria de saber se a alguma possibilidade de divulgação no seu site/blog até mesmo encaminhar este realese ou cartaz para seu mailing.

Aguardo retorno.

Cláudia Gomes
Tel.: (11) 4017.5236
Skype: cludiagomesbonfante

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SEMINÁRIO SOBRE ILUMINAÇÃO E TRILHA SONORA PARA ESPETÁCULOS





Com Beto Bruel e Guto Gevaerd

Responsáveis respectivamente pela iluminação e trilha sonora dos espetáculos "Avenida Dropsie" e "Não sobre o Amor", ambos da Sutil Companhia de Teatro, dirigida por Felipe Hirsch.

Venha conhecer os bastidores do espetáculo, detalhes técnicos e o método de trabalho desses premiados profissionais, com inúmeras projeção de imagens.

Esta data marcará o lançamento oficial do IBTT - Instituto Brasileiro de Tecnologia Teatral, que reúne cenógrafos, figurinistas, iluminadores e sonoplastas em atividades de estudo e pesquisa.

Teatro do Ator - Praça Roosevelt, 172 - São Paulo, SP
19h - Evento gratuito
(11) 3289-3403 - lihpe@terra.com.br


O que é o IBTT

O IBTT hoje, é um fórum virtual. Reunimos interessados em Tecnologia Teatral, aqui compreendida como a atividade cênica (tanto de criação como técnica) que não seja o trabalho do ator, diretor ou autor. Então, pretendemos estudar, pesquisar e discutir labores cênicos como cenografia, iluminação, figurino e sonoplastia. A proposta do fórum é tornar-se um facilitador na difusão de informação e conhecimento assim como na elaboração de um pensamento nacional sobre o tema. Através da aproximação de pessoas e ajuda mútua poderemos mapear nossa realidade nacional.

Além do fórum virtual, temos algumas propostas de trabalho e temos também um ao outro e deste encontro poderão surgir muitas idéias e novos projetos. O Instituto será o que todos nós, em conjunto, fizermos dele.

Muitas pessoas do fórum trabalham com e pelas artes cênicas há alguns anos.
Estamos conseguindo manter regularidade em nosso jornalzinho que pretende se juntar à um boletim mensal e quem sabe um dia à uma revista (a promessa de parceria já existe). Publicamos dois livros e temos o projeto do terceiro já desenhado. Nosso acervo, em fase de organização, está a disposição dos interessados. A possibilidade de EAD está em estudos, pois alguns de nós já têm atividades docentes regulares. Em sampa temos reuniões presenciais regulares para dar um rumo ao Instituto. Existe a possibilidade de um evento público que será o lançamento oficial do Instituto. Temos uma exposição itinerante sobre Iluminação que conheceu vários capitais brasileiras, mas precisa ser repensada.

Não temos cnpj. Não temos site. Não temos captação de recurso. Não temos parceria institucional. Não temos estatuto nem diretoria. Temos sim algo que chamamos fé, ou coragem, ou cara de pau de acreditar que estamos no caminho certo. Mas esta certeza pode ser causada por algum distúrbio mental, então, convidamos você a participar desta aventura e fazemos questão de conhecer sua opinião, para que consigamos juntos desviar das rotas de erro que por ventura nos envolvermos.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Pós-graduação em Gestão e Produção Cultural na Cândido Mendes

Por Alê Barreto


Se você já possui curso superior completo, mora no Rio de Janeiro e deseja aprimorar sua formação como produtor cultural, a Universidade Cândido Mendes possui duas boas opções para o primeiro semestre de 2009.





Uma delas é o curso de pós-graduação lato sensu em Produção Cultural, cujo objetivo é qualificar profissionais para atuar de forma reflexiva e empreendedora no universo da produção executiva em cultura, em todas as etapas: da elaboração à realização de programas e ações culturais nas diversas áreas dos meios de expressão.

As aulas terão início dia 28 de março de 2009, com carga horária de 376 h, duração de 16 meses, no campus Centro, no turno da manhã (das 8h às 13h) e aulas aos sábados.




A outra opção é o curso de pós-graduação lato sensu MBA em Gestão Cultural, cujo objetivo é a capacitação e o aprimoramento profissional na área de Administração dirigida à instituições, programas e projetos culturais, visando otimizar a eficiência das propostas programáticas para o setor.

As aulas terão início dia 2 de março de 2009, com carga horária de 393 h, duração de 16 meses, no campus Centro, no turno da noite (das 19h às 22h) e aulas às segundas e quartas-feiras.

Ambos os cursos possuem coordenação coordenação acadêmica da Profª. Kátia de Marco.

O corpo docente é composto por profissionais destacados tanto na esfera executiva como nos setores acadêmicos como Paulo Sergio Duarte (Gestão de Patrimônio Histórico); Yole Mendonça e Marcelo Mendonça (Bases Administrativas na Gestão Cultural); Marcio Schiavo (Responsabilidade Social Corporativa); Ronaldo Lemos (Direitos Autorais na Produção Digital); Lia Calabre (Políticas Públicas Para a Cultura); Eliane Costa (Cultura Digital); Ana Carla Fonseca Reis (Micro e Macro Economia da Cultura); José Carlos Barboza (Legislação de Incentivos ao Setor Cultural).

Apesar de terem focos de conteúdos distintos, ambos os cursos se direcionam a formar e reciclar profissionais atuantes na área da cultura; criar novas gerações de gestores, empreendedores, administradores e produtores culturais; proporcionar ao profissional uma visão integrada das áreas de administração, economia, direito, comunicação, museologia, artes e cultura; preparar o profissional para tomada de decisões, gerenciamento de equipe, análise de projetos, engenharia de orçamentos e domínio do empreendimento cultural.

Mais informações:

PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
PROGRAMA DE ESTUDOS CULTURAIS E SOCIAIS – PECS
Rua da Assembléia, 10, Sala 616, Praça XV
Rio de Janeiro
Marcação de entrevista pelos telefones (21) 2531 2000 256 ou 289
ou (21) 9972 7693
E-mail: pecs@candidomendes.edu.br
www.candidomendes.edu.br ou www.gestaocultural.org.br

domingo, fevereiro 15, 2009

Por que fazer produção cultural?


Imagem livre da obra "O Pensador" de Rodin


Por Alê Barreto


Após quase dois anos respondendo e-mails de pessoas que estão começando a atuar na área de produção cultural, resolvi escrever sobre este assunto.

Você sabe por que está querendo fazer produção cultural?

Quer ficar famoso? Quer ganhar mais? Quer ter sucesso? Quer andar no meio dos artistas? Quer fazer somente o que você gosta? Não quer mais ter chefe?

Bom, antes de abandonar sua carreira ou trabalho atual, reflita um pouco mais. Você pode ficar famoso, ganhar mais e ter sucesso em muitas profissões com mais facilidade que na produção cultural. E se você conseguir isso, não será difícil andar no meio dos artistas.

Fazer somente o que você gosta pode ser uma motivação que leve você a encontrar muitas profissões ou atividades voluntárias, ao invés de somente ser um produtor cultural.

Não querer mais ter um chefe é uma questão que pode ser parcialmente resolvida se você decidir abrir o seu próprio negócio. Que também não necessita ser na área de produção cultural. Mas não esqueça: mesmo não tendo chefe, você passará a ter clientes, os quais muitas vezes podem ser piores do que um chefe.


Estabeleça critérios para tomar sua decisão


Quando decidi mudar minha carreira e me tornar um produtor cultural independente, estabeleci alguns critérios para esta minha decisão:

- potencializar o que eu faço bem (gestão de relacionamentos interpessoais, atendimento, saber escutar, valorizar as pessoas, análise de informações, gerenciar projetos, sistematização de conhecimentos, articulação de redes e equipes);

- utilizar recursos que possuo e posso aproveitar (comunicação, pensar estratégico, lógica, objetividade, sensibilidade para cultura, formação em administração, habilidade de negociação, alta capacidade de adaptação, habilidade de trabalhar sob pressão, criatividade);

- desenvolver características que outros percebem que faço bem (atendimento, produção de conteúdo escrito, gerenciamento de projetos e equipes, visão sistêmica do mercado, articulações institucionais com organizações públicas e privadas da cultura).

Estes critérios têm sido a minha bússola na hora de avaliar os próximos passos da minha carreira. Se você construir os seus critérios, saberá por que está fazendo produção cultural e terá mais clareza na hora de avaliar as opções que se apresentam em sua vida profissional.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Arteducação: uma aliada para o Ensino de Produção Cultural


Imagem do site da Agência Carta Maior


Por Alê Barreto


A reportagem que transcrevo abaixo na íntegra, publidada originalmente pela Agência Carta Maior, nos dá um panorama do desenvolvimento deste novo ramo de conhecimento. Acho importante conhecermos um pouco deste assunto, pois trata-se de uma disciplina que pode ser uma forte aliada de nossas ações para educar pessoas para produção cultural.


Arteducação no Brasil: trinta anos em poucos segundos

Três décadas de debates acerca da intersecção entre arte e educação trazem ao FSM 2009 senão um consenso sobre a área, com certeza um bom acúmulo de reflexões e encaminhamentos para uma melhor estruturação do ofício que ainda luta contra as limitações do sistema formal de ensino e, fora dele, encontra escassos incentivos que o viabilizem. Dan Baron (foto), ativista cultural e arteducador, lamenta que nenhum segundo da conversa entre o presidente Lula e o Conselho Internacional do FSM tenha sido dedicado à cultura.

Eduardo Carvalho

BELÉM - Nos princípios da década de 80, em um curso pré-vestibulares de São Paulo, o professor Hildebrando Afonso de André - que já revolucionara com sua Gramática Ilustrada, usando elementos artísticos para quebrar a aridez das gramáticas de antanho – trazia para a sala de aula um jovem professor de teatro e falava de experiências pioneiras sobre a utilização do estímulo afetivo e do artístico para a fecundidade do gesto criativo, sobremaneira na escrita. Nascia neste ambiente o Laboratório de Redação com tal e outras influências de Paulo Freire. Muitas outras iniciativas semelhantes multiplicaram-se espontaneamente em escolas mais progressistas dos grandes centros. Na academia, pioneiras como Ana Mae Barbosa (saiba mais), também tocada pelo encantamento freiriano, já desenvolviam estudos, propostas e trocas interessantes na área. Menos de trinta anos bastaram para transformar estas iniciativas tateantes num universo complexo, polêmico e multifacetado da arteducação que está sendo discutido no FSM 2009 permeado de temas transversais como a economia e a democracia participativa, formação e fortalecimento de redes, políticas públicas e outros afetos a esta arena de debates.

A polêmica já começa pela escolha da grafia. Querem alguns que seja arte educação, outros arteducação, sem que uma semântica definitiva esteja pronta. No caso, nem tanto uma semântica, mas um consenso. Há os que atribuam a competência a pedagogos, outra corrente quer que seja área de domínio dos artistas, há quem proponha capacitação complementar de ambos os profissionais. A precursora Ana Mae Barbosa, professora aposentada da Universidade de São Paulo, propõe atuação conjunta de pedagogos, artistas e arteducadores. Há ainda casos como o de Maria Benites, do Instituto Vygotisky e Coordenadora do doutorado em educação da Faculdade de Educação da Universidade de Siegen, Alemanha, que brada o caos na área a quem queira ouvir: “não existe esta balela de arteducação. O que há é arte. E arte é apenas arte, não se presta e não pode se prestar a nada senão ser arte”.

O acalourado debate segue apresentando sínteses cabíveis para as tão bem argumentadas posturas, o ensino de arte na escola já se tornou tema corrente em diversos níveis da verticalizada hierarquia educacional brasileira. Há, no entanto, uma outra vertente que tem se avolumado e que está se tornando visível em meio a tantas opiniões: os que concordam que, na escola, a arteducação deve ser aplicada de acordo com os pressupostos formais (em consonância com os cânones acadêmicos de uma academia de moldes europeus), porém lutam para que a arteducação extrapole os muros escolares e possa ser praticada livremente, com fins educacionais não-formais, em centros comunitários, em centros de cultura, em assentamentos e acampamentos rurais...


Artes na construção de um novo paradigma da educação

O inglês radicado no Brasil, Dan Baron, ativista cultural, arteducador, ator e autor do livro Alfabetização Cultural - a luta íntima por uma nova humanidade (saiba mais) e também discípulo confesso de Paulo Freire, abriu o encontro Educação, Artes, Políticas e Transformação Social – Qual o papel das artes na construção de um novo paradigma da educação no Século XXI, atividade da ABRA – Rede Brasileira de Arteducadores, dando duas notícias. Na primeira, disse estar chegando, naquele instante, de uma mesa do Conselho Internacional do FSM com o Presidente Lula e constatou que nenhum segundo do diálogo tenha sido dedicado à Cultura, justamente nesta edição do fórum em que vemos substantivo acréscimo do debate do papel de centralidade da cultura nos processos de desenvolvimento sócio-econômico. Também não falaram de Educação.

A outra notícia era a de que, no dia 1º de fevereiro, às 9h na UFPA, acontece uma Assembléia de Aliança para a articulação de um Congresso Mundial sediado em Belém em julho de 2010. A proposta é a formulação de uma educação transformadora, calcada em alianças entre artistas, educadores, produtores culturais e ativistas organizados na construção de um modelo de educação destinado a formar comunidades de solidariedade, cooperação e desenvolvimento sustentável.

A propositura do encontro da ABRA - que reúne dezenas de colaboradores, como a Aliança Mundial pelas Artes Educação, a Associação Internacional de Drama Educação (IDEA), além de importantes institutos e núcleos nacionais - era o de ser um espaço colaborativo de convergências para o afloramento de proposituras e encaminhamentos para a Assembléia que proporá um encontro estruturado destinado a abrigar o complexo tema da arteducação, num contexto em que também se privilegiam os modelos informais de educação, transcendendo os cânones e os preconceitos acadêmicos.

Luvel Garcia, arteducador do Projeto Zunzún de Cuba, foi o primeiro provocador a propor questionamentos e temas para o debate, contornando a dimensão combativa da cultura e indagando qual é a confluência possível entre política, educação, arte e transformação social, questionou se é possível conceber tal convergência no seio do pensamento dialético, marxista, para promover uma aliança entre ética e estética que resgate e dê coerência às práxis cultural e educacional.

Arteducadora do Theatre de Petites Lanternes, do Canadá, uma experiência de teatro profissional e engajado de Quebec que trabalha formas de dar voz à comunidades e que já atuou na África Francofônica, Angèle Seguin foi a segunda provocadora. Ela ressaltou que, em seu trabalho, o valor da estética transcende o valor do tema e o desafio passa a ser como reintegrar a dimensão estética aos desafios sociais.

Hamilton Faria, poeta e fundador do Instituto Pólis, falou do papel do artista citando Modigliani: “O real dever do artista é salvar o sonho”. Desta inspiração e diante da constatação de que, no mundo mercantilizado, só há o sonho mercantil do consumo, o poeta fez um convite ao maravilhamento, ao reencantamento do sonho e da sociedade por meio da cultura, da arte.

Ressaltou que a criação artística é vital “para a preservação da memória; para o desafio da invenção, para afirma a diversidade e a identidade dos povos; para o enraizamento étnico, social e cultural; para o diálogo intercultural; para o enriquecimento do imaginário; para a construção da subjetividade e da qualidade de ser; para a promoção da ética; para a aproximação solidária entre pessoas e delas com a natureza; para o equilíbrio e a integridade espiritual do planeta; e para gerar condições que permitam um processo criativo em benefício da comunidade dos seres vivos”. Concluiu evocando a força transformadora da cultura para a construção de um mundo poeticamente habitável.

Deize Botelho, arteducadora do Galpão de Artes de Marabá, que também é Ponto de Cultura, falou da realidade local e da constante busca por recursos e pelo maior envolvimento da comunidade para que as ações culturais produzidas no Galpão sejam cada vez mais gregárias, plurais, compartilhadas e, assim, irradiar bem-estar social. Fez também um balanço das políticas na área de cultura. César Noreiro, diretor teatral de Vichama, periferia de Lima, no Peru, fechou o quadro de provocadores falando sobre quatro dimensões da arte: a visionária, a pedagógica, a curativa e a transformadora. Para ilustrar a dimensão curativa da arte narrou o massacre de campesinos em seu país e os pérfidos efeitos nos sobreviventes com quem trabalhou.

A metodologia de diálogo proposta por Dan Baron deu um ar de sarau político-cultural ao encontro. Os convidados cantaram e declamaram obras relacionadas com suas provocações - como convém a arteducadores - e o processo de trocas dialógicas, depois coletivas, possibilitou um acúmulo de encaminhamentos que culminarão, na Assembléia das Alianças, na elaboração de um documento a ser remetido ao Comitê Internacional do FSM. Longe de apontar um consenso para o debate, quem sabe se, ao menos, nas próximas reuniões do comitê com altas autoridades, temas como o da cultura, educação e, quiçá, arteducação sejam contemplados com ao menos alguns segundos das densas agendas do poder maior.

LEIA ainda em Carta Maior "Especial Arte & Educação" com 15 artigos sobre o tema.

sábado, janeiro 17, 2009

Como educar pessoas para Produção Cultural?




Por Alê Barreto

Em 2007, publiquei no Overmundo o texto "Vamos educar pessoas para Produção Cultural", que foi novamente publicado neste blog e no Guia do Mercado Brasileiro da Música 2008/2009. Neste texto, provoco o debate e a reflexão da necessidade de se estruturarem cursos em diferentes níveis, para que no médio e longo prazo nosso setor cultural possa dar um salto qualitativo.

Agora vou tecer algumas possibilidades de como cada cidadão pode contribuir para educar pessoas para produção cultural.

Ensino fundamental

Se você é educador de disciplinas como artes ou música, procure sistematizar e publicar suas experiências em atividades de organização de exposições, teatro ou apresentações musicais. Isso permitirá que outros professores aprendam como incluir e desenvolver o ensino de produção cultural.

Toda escola é um centro cultural em potencial.


Ensino Técnico

Há poucas escolas de ensino técnico no Brasil que trabalham com produção cultural. Mesmo assim, é importante que os educadores destas instituições também sistematizem e publiquem suas experiências. E é preciso também que gestores de escolas técnicas conheçam a experiência destas escolas.

Onde pode se estudar ou trocar experiências:

Escola de Artes Técnicas Luís Carlos Ripper - possui os cursos de Administração Teatral, Camareira (o) teatral, carpintaria teatral, contra-regra e direção de cena, eletricista cênico, lâminação, maquiagem e caracterização, produção executiva teatral, entre outros.

Endereço: Rua Visconde de Niterói, 1364, Mangueira, Rio de Janeiro/RJ
Fone: (21) 3234-9010/(21) 3234-9030


Escola Adolpho Bloch(Rio de Janeiro/RJ) - possui os cursos de Técnico em Produção Cultural e Eventos e Técnico em Produção e Pesquisa Audiovisual.

Endereço: Av. Bartolomeu de Gusmão, 850, São Cristóvão
Fone: (21) 2299-4584/(21) 2299-4585/(21) 2567-7203


Graduação

O ensino de graduação em Produção Cultural é muito recente. O primeiro curso foi criado em 1995.

Onde pode se estudar ou trocar experiências:

Os três cursos mais conhecidos são: Universidade Federal Fluminense, Universidade Federal da Bahia e Universidade Cândido Mendes. No Rio de Janeiro há ainda o curso superior de Tecnologia em Produção Cultural no Centro Federal de Educação Tecnológica de Química de Nilópolis.

Recentemente foram criados três cursos novos no RS, relacionados a área de produção cultural. Em São Leopoldo, na Unisinos, é possível fazer o curso de Formação de Produtores e Músicos de Rock, voltado para o mercado da música, ou o curso de Formação de Escritores e Agentes Literários voltado para área de literatura e mercado editorial. Em Pelotas é possível estudar Tecnologia em Produção Fonográfica, também voltado para o mercado da música.


Pós-Graduação

A oferta destes cursos têm crescido. Há cursos sendo oferecidos por instituições reconhecidas pela sua qualidade de ensino. Um bom exemplo disso é o MBA em Gestão e Produção Cultural oferecido pela Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro. Veja o programa.

Onde pode se estudar ou trocar experiências:
Veja os links da seção "estudar em cursos de pós-graduação", que está ao lado direito da tela.


Ensino à Distância

Essa talvez seja a alternativa mais promissora para suprir a carência de informações sobre produção cultural em nosso país.

Onde pode se estudar ou trocar experiências:

A empresa Duo Informação e Cultura, de Belo Horizonte, oferece cursos voltados para qualificação dos profissionais das áreas da cultura e responsabilidade social.


É importante começar

Como você pode ver, a área de educação para produção cultural está nascendo no Brasil. É preciso estruturar a oferta deste ensino em nosso país.

Uma boa forma de buscar contribuir com este processo é mobilizar artistas, produtores culturais independentes, associações, secretário de cultura, prefeito, deputados, intelectuais, jornalistas, reitores de universidades e outros formadores de opinião, para trabalhar em prol da criação de cursos de produção cultural em sua cidade, principalmente graduação, pós-graduação e extensão, sejam eles presenciais ou por ensino à distância.

Sua ação, além de contribuir com o desenvolvimento do setor cultural, irá contribuir com o desenvolvimento do país, uma vez que o Brasil ocupa um lugar de destaque no cenário internacional, no que tange à sua diversidade cultural.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Capacitação de roadies e técnicos de palco em Fortaleza vai formar jovens sem experiência profissional




Conteúdo divulgado pela Secretaria de Cultura de Fortaleza em 04/12/2008


Ensinar a montar equipamentos de palco, posicionar fios, afinar e manter instrumentos. Este é o objetivo da II Capacitação de Roadies e Técnicos de Palco, curso é uma promoção da Deliberarte e conta com o apoio pela Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), através do Edital da Cultura 2007, categoria Música.

O curso se destina a jovens que desejam atuar como roadies ou técnicos de palco na área de shows, qualificando o desempenho destes profissionais para a trabalhar com bandas, eventos e festivais de música. O curso também vai desenvolver habilidades específicas nas áreas de sonorização, eletrônica e áudio.

De acordo com Éden Barbosa, coordenador pedagógico do curso, o conhecimento e o domínio destas técnicas facilitarão o ingresso dos alunos nas atividades do crescente mercado cultural em Fortaleza. "Há um vasto mercado de trabalho à sua frente, principalmente nas casas de espetáculos e afins".

As inscrições começam dia 8 e seguem até o dia 12, no Conservatório de Música Alberto Nepomuceno. Éden adianta que a Capacitação, como contrapartida dos Editais da Cultura, é gratuita e tem o compromisso de priorizar jovens de comunidades menos favorecidas que, provavelmente, não teriam acesso a estes conhecimentos. "Pensamos nisto como uma forma justa de inclusão sócio-econômica, oferecendo novas alternativas para futuros profissionais do áudio, interessados em agregar conhecimento e ampliar suas opções de trabalho".

Para se inscrever, o candidato deve ser residente em Fortaleza, ter mais de 16 anos, não possuir experiência profissional e, de preferência, fazer parte de alguma associação ou grupo comunitário (item não obrigatório).

Serviço

II Capacitação de Roadies e Técnicos de Palco
Inscrições de 8 à 12 de dezembro de 2008, no Conservatório de Música Alberto Nepomuceno (Av. da Universidade, 2210, Bairro Benfica). Documentos necessários: formulário de inscrição preenchido, cópia da Identidade, cópia de comprovante de residência, currículo e uma foto 3x4. O resultado será divulgado no dia 15/12/2008.

Contatos: (85)3062-2291 e 8836-3715 (Éden Barbosa) ou roadieceara.blogspot.com e roadieceara@gmail.com


Informações para a Imprensa na Assessoria de Imprensa da Secultfor, com Isabelle Câmara e Larissa Lima, através dos telefones 3105.1386 e 8899.8705 (Fortaleza)

quinta-feira, novembro 27, 2008

Um Livro em Turnê no Sul da Terra


Alê Barreto fez a turnê de lançamento de "Aprenda a Organizar um Show" no RS


Artigo de Rodrigo DMart publicado no site Overmundo


O produtor cultural Alê Barreto realizou entre os dias 14 a 17 de novembro a primeira turnê de lançamento do livro "Aprenda a Organizar um Show" no Rio Grande do Sul.

Foi uma pequena caravana que passou por três cidades (e um balneário) em quatro dias de viagem. Na estrada, o autor e os editores, Rodrigo dMart e Yara Baungarten, puderam entender melhor o significado do trabalho colaborativo e sentir um pouco do impacto do lançamento do livro. O projeto começou nas páginas do Overmundo e hoje se espraia de modo híbrido, virtual e real, pelo Brasil afora.



A primeira etapa da turnê aconteceu no dia 14, sexta-feira, em Pelotas, cidade-pólo da região sul, conhecida como a terra dos doces. Alê falou com músicos, produtores e alunos do curso de Tecnologia de Produção Fonográfica. O curso, em nível de graduação, está em seu primeiro ano de atividade e cumpre uma função de qualificação técnica na produção artística da cena local. A palestra aconteceu na recém inaugurada sala multiuso, no campus II do Centro de Comunicação e Educação, da Universidade Católica de Pelotas.



A viagem prosseguiu pela zona sul no dia seguinte, sábado, na praia do Cassino. No início da tarde, a primeira parada foi no Ponto de Cultura ArtEstação. O espaço, sediado em uma antiga estação de trem, abriga manifestações e oferece oficinas nas áreas de artes plásticas, artesanato e vídeo, além de disponibilizar uma lan-house para crianças e jovens do balneário.



Na sequência, sempre na companhia do produtor cultural Paulo Bastos, a trupe se deslocou para o StudioBeer,no centro da cidade de Rio Grande. Lá, o grupo encontrou, com grata surpresa, um espaço híbrido que reúne estúdio e bar, integrado com um sistema audiovisual que permite, por exemplo, que o público assista do bar o que os músicos executam no estúdio. Um espaço perfeito para rodadas de negociações, gravações e transmissões de música para a web.

Outro ponto alto deste encontro foi conhecer o trabalho da Associação das Micro, Pequenas e Médias Empresas de Rio Grande (AMPERG) que há dois anos atua na organização dos artistas rio-grandinos e no mapeamento destas atividades.

Leia o artigo na íntegra

sexta-feira, novembro 21, 2008

VIII Mercado Cultural - Participe do Ciclo de Conferências




Ciclo de Conferências - 3 a 6 de dezembro - Hotel Tropical da Bahia


04 de dezembro (quinta-feira)

8h às 9h
Credenciamento

9h às 11h Diversidade da música no mundo
Dubi Lenz – Membro do European Forum (Israel)
Lluc Silvestre – Membro da Área de Criação do Institut Ramon Llull (Espanha)

11h às 13h Diversidade da música latino-americana
Álvaro Montenegro – Saxofonista e flautista do América Contemporânea (Bolívia)
Aquilez Baez – violonista do América Contemporânea (Venezuela)
Lucia Pulido – vocalista do América Contemporânea (Colômbia)
Luis Solar – percussionista do América Contemporânea (Peru)


15h às 17h Criatividade na produção de Festivais – Parte 1
Patrick de Groote – produtor dos Festivais Sfinks, Zomer van Antwerpen e Worldwide Music (Bélgica)


05 de dezembro (sexta - feira)

9h às 11h Música sem palavras
Alejandro Vargas – Músico e Professor do Instituto Superior de Arte de Cuba - ISA (Cuba)
Letieres Leite – saxofonista da Orquestra Rumpilezz (Bahia)
Rajery – Músico (Madagascar)


11h às 13h Distribuição da música no mercado internacional
Bruno Boulay - Bureau Export Musique Française Brésil da Embaixada da França (Brasil)
Christian Mousset - Diretor do Festival Musiques Métisses de Angoulême e gerente do selo Marabi (França)
Philippe Pinet - diretor da Jazz Tour (Uruguai)


15h às 17h Criatividade na produção de Festivais – Parte 2
Patrick de Groote – produtor dos Festivais Sfinks, Zomer van Antwerpen e Worldwide Music (Bélgica)


06 de dezembro (sábado)

9h às 11h Música: Cultura em Movimento
Marinilda Bertolete Boulay - TOTEMusicais, representante do MIDEM para o Brasil e América Latina (Brasil)


11h às 13h Produção da música no mercado brasileiro
André Abujamra - guitarrista e produtor (São Paulo)
Jards Macalé - Compositor, intérprete, violonista, produtor e diretor musical (Rio de Janeiro)
Siba – rabequeiro do América Contemporânea (Pernambuco)


Veja mais informações e toda a programação.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Vamos educar pessoas para a produção cultural?



Por Alê Barreto

Uma das formas mais correntes de se iniciar um trabalho com produção cultural independente é através de atividades práticas. No percurso de uma formação autodidata, uma das preocupações é entender o que é e quais são as atividades da “produção cultural”. Para obter algumas respostas a este questionamento, uma alternativa pode ser entrevistar produtores que atuam há mais tempo, bater papo com muita gente da música, das artes cênicas e visuais.

Em 90% das conversas, é comum que se escute frases como "não temos produtores", "faltam bons profissionais na área de produção", "desisti de procurar produtores, é tudo uma máfia". Vamos agora fazer uma breve análise destas respostas.

Ao ouvir repetidas vezes que não temos produtores culturais e perceber que, apesar disso, acontece muita coisa no mundo da cultura, verifica-se que "não ter produtores culturais" significa nestes casos "temos poucas pessoas que se dedicam integralmente a esta atividade". Se comparado com o número de pessoas que se dedicam à criação cultural (escritores, músicos, atores, dançarinos...), o número de produtores culturais será sempre menor. Isso pelo fato de que o produtor cultural, num resumido conceito (e que não pretende ser o único) dedica-se a "fazer acontecer" a criação cultural. Se o produtor cultural for outra pessoa que não o próprio criador cultural, e isso é uma decisão de cada um, haverá sempre muito mais criadores do que produtores. Mas, no fundo, todos sabem que quando "não há produtores" os artistas tornam-se seus próprios produtores. Logo, não existe o problema quantitativo: há um número suficiente de pessoas que podem ser produtores culturais, provenientes de todos os ramos da arte e inclusive de outras áreas do conhecimento (jornalistas, publicitários, advogados, administradores, arquitetos, economistas, sociólogos, antropólogos...).

Vejamos a segunda frase: "faltam bons profissionais na área de produção". Será verdade? Num país que tem 5520 municípios distribuídos em 26 estados e um distrito federal, são necessárias informações mais concisas para que se chegue a alguma conclusão. Repetindo a frase e incluindo uma segmentação por área artística tem-se “faltam bons profissionais na área de produção da música”. Agora, adicionando ainda a segmentação geográfica à esta nova frase: “faltam bons profissionais na área de produção da música no estado do RS”.

Este breve exercício pretende apontar duas questões que derivam disso: muitas vezes os dados são comparados a partir de bases incompletas e há falta de informações integradas sobre os mercados culturais existentes no Brasil. Não se deve esperar que uma cidade como Porto Alegre tenha o mesmo número de produtores que o Rio de Janeiro. Além disso, se for avaliado o grau de informalidade com que ocorrem as relações de trabalho e prestação de serviços na área nota-se que não há um local onde estas informações estejam acessíveis de forma direta.

Por fim, o conceito de "bons profissionais" passa por uma avaliação feita por uma massa crítica formada hoje por 99% de pessoas que exercem a atividade de produção cultural das mais diferentes formas e com os mais diferentes critérios, pelo fato de que a produção cultural como disciplina existe a pouco mais de 10 anos no Brasil, enquanto curso de graduação. Como seria se todos os prédios existentes no Brasil tivessem sido construídos por milhares de engenheiros, há vários séculos, mas só há duas décadas tivessem surgido as três primeiras faculdades de graduação em engenharia? Com que critérios estes engenheiros iriam avaliar quem é bom ou mau profissional?

A falta de acesso à educação para a atividade de produção cultural prejudica todo o sistema de cultura existente no país, pois limita a oportunidade de aprendizado e qualificação para o desempenho desta importante atividade: somente poderão ser bons produtores, bons no sentido de profissionais qualificados, aqueles que trabalharem com produtores com longa experiência prática (nem sempre livre de equívocos), que tenham trabalhado/estudado com artistas e produtores de países onde o sistema cultural é mais desenvolvido ou que tenha estudado nestes três primeiros cursos de graduação em produção cultural.

“Desisti de procurar produtores, é tudo uma máfia". Esta afirmação geralmente é feita por pessoas que conhecem pouco desta atividade ou que não entendem a importância da mesma. Iluminador é importante. Roadie é importante. Técnico de som é importante. Diretor de palco é importante. E o produtor cultural é muito importante. Conforme definição da produtora Marina Vieira, da ONG Tangolomango, o produtor proporciona "as trocas necessárias, o encontro entre os diferentes atores que irão realizar a ação cultural”.

Constatado que quantitativamente muita gente pode exercer a atividade de produção cultural, que é uma atividade muito importante e que há poucas oportunidades de ensino especializado desta atividade, fica aqui a proposta de que cada criador cultural e os produtores independentes de cada cidade do país se articulem para que em suas cidades sejam criados cursos técnicos (nível médio) e cursos de graduação em produção cultural. E isso pode ser feito através de parcerias com escolas técnicas e universidades já existentes. É um processo longo, que precisa sensibilização, articulação, mas que no médio e longo prazo irá fazer o setor cultural dar um grande salto qualitativo.

Ao invés de reclamar, vamos educar as pessoas para a produção cultural?

Edital PRÓ-CULTURA Capes/MinC - apoio à pesquisa em cultura



Conteúdo extraído do site do Ministério da Cultura


O Edital nº 7/2008 - Capes/MinC - faz parte do Programa Pró-Cultura e irá conceder 48 bolsas de ensino para estudantes de mestrado (stricto sensu) e para pesquisas na área cultural.

O programa é fruto de um trabalho conjunto entre a Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura (SPC/MinC) e a Capes e visa fomentar a pesquisa universitária, bem como o aperfeiçoamento e a formação de pessoal de nível superior em Cultura. O valor das bolsas a serem concedidas é de R$ 1.200,00, cada uma.

As inscrições estão abertas até 31 de março de 2009 e deverão ser feitas por instituições de ensino superior.

A divulgação dos selecionados será realizada a partir de abril de 2009.

As áreas temáticas da Cultura prioritárias para o desenvolvimento das pesquisas são: Cultura, Arte e Novas Tecnologias; Cultura, Manifestações Artísticas e Conhecimentos Tradicionais; Cultura, Memória e Patrimônio; Cultura Populações e Territórios; Cultura, Cidadania e Inclusão Social; Cultura, Estado, Legislação da área de Cultura e Políticas Públicas; Cultura, Economia e Desenvolvimento; e Cultura, Globalização e Diversidade.

A preferência para a seleção dos bolsistas, conforme o edital, será dada a projetos que promovam o diálogo e a interação das pesquisas com os conhecimentos da cultura tradicional do país; promovam a articulação das universidades com empresas; realizem a apresentação de conteúdos em formatos audiovisual e/ou digital; façam a divulgação dos resultados em seminários, oficinas e eventos culturais, entre outros aspectos.

Conheça o edital

Mais informações:

CAPES - Coordenação de Programas de Indução e Inovação - CII
E-mail: cii@capes.gov.br
Telefone:(61) 2104-8944

Secretaria de Políticas Culturais
E-mail: pablo.martins@cultura.gov.br
Telefone:(61) 3316-2358

quarta-feira, novembro 12, 2008

Palestras e sessões de autógrafos do livro "Aprenda a Organizar um Show" no RS em novembro


Foto: Paola Gatto Pacheco


O produtor cultural Alê Barreto faz turnê de lançamento de seu primeiro livro, Aprenda a Organizar um Show, entre os dias 14 e 17 de novembro.

Ele ministra palestra em Pelotas, no Curso de Tecnologia em Produção Fonográfica, no campus II da Universidade Católica, no dia 14, sexta-feira, às 18h30. E no dia 16, domingo, ele participa de sessão de autógrafos na 36ª Feira do Livro de Pelotas, às 18h.

Ainda na zona sul, no dia 15, sábado, Alê conversa com produtores e músicos no Ponto de Cultura ArtEstação, às 15h, no Cassino, e no StudioBeer, às 17h, em Rio Grande, ambas mediadas pelo produtor cultural Paulo Bastos.

Na segunda-feira, dia 17, é a vez de Porto Alegre. Alê Barreto fala sobre produção cultural e economia da cultura, na Palavraria, às 19h, com a presença do músico Moysés Lopes, da Camerata Brasileira e mediação de Rodrigo dMart, editor do livro e integrante da banda Doidivanas. Na seqüência, acontece sessão de autógrafos.

Todos os eventos têm entrada franca.


SOBRE O LIVRO

Aprenda a Organizar um Show é uma excelente fonte de consulta para músicos e produtores iniciantes, mostrando linhas guias de trabalho para os profissionais do mercado e gestores culturais.

A obra iniciou no blog do autor, em 2006, e foi publicada em fascículos no portal Overmundo, especializado em cultura brasileira, entre 2007 e 2008. Até setembro de 2008, os 28 capítulos disponíveis no portal registram cerca de 50 mil downloads.

Aprenda a Organizar um Show é o primeiro lançamento da Imagina Conteúdo Criativo, uma iniciativa editorial dos jornalistas Rodrigo dMart e Yara Baungarten, que também assina as ilustrações do livro. O projeto gráfico tem a autoria de Everson Nazari.


SOBRE O AUTOR

Alexandre Barreto é gaúcho, natural de Cachoeira do Sul (RS), bacharel em administração de empresas com ênfase em marketing (UFRGS). Atualmente trabalha como administrador cultural na ONG Nós do Morro, no Rio de Janeiro. Já atuou na produção executiva de shows, festivais e projetos musicais como Claro que é Rock, Ibest Rock, Acústico MTV Bandas Gaúchas. Além disso, prestou serviços para artistas da cena musical independente brasileira, como Pata de Elefante, Marisa Rotenberg, Angelo Primon, Bataclã FC, Monica Tomasi, Antonio Villeroy e Doidivanas.


SERVIÇO

Programação de lançamento de “Aprenda a Organizar um Show”

Dia 14/11 - Sexta-feira
18h30 - Centro de Educação e Comunicação - Sala multiuso
Campus II - UCPel - R. Almirante Barroso, 1202 - Pelotas

Dia 15/11 - Sábado
15h - ArtEstação - Av. Rio Grande, 500 - Cassino
17h - StudioBeer - Rua General Canabarro, 236 - Rio Grande

Dia 16/11 - Domingo
18h - 36ª Feira do Livro - Praça Cel. Pedro Osório - Pelotas

Dia 17/11 - Segunda-feira
19h - Livraria Palavraria - R. Vasco da Gama, 165 - Porto Alegre

A turnê tem apoio cultural de Jam Session Produções, ArtEstação e StudioBeer (Rio Grande / Cassino), Curso de Tecnologia em Produção Fonográfica / Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e imobiliária Requinte (Pelotas), locadora VideoTchê e Estúdio Top (Porto Alegre).


OUTRAS INFORMAÇÕES

Assista a uma entrevista com Alê Barreto

Saiba onde adquirir o livro

segunda-feira, novembro 10, 2008

Direito Autoral em Quadrinhos

Por Rodrigo DMart


A história em quadrinhos para discutir as leis de direitos autorais?

Pois "Bound by Law?" é a primeira HQ da série "Tales from the Public Domain" (Contos do Domínio Público), lançado pelo Center for the Study of the Public Domain, ligado à Duke Law School, com sede na Carolina do Norte, na costa leste dos Estados Unidos.

A trama conta a "não tão" hilária saga de uma documentarista em busca de retratar o cotidiano de Nova Iorque. Para isso, a heroína precisa enfrentar todos os entraves gerados pelo "copyright" para conseguir realizar a sua obra. A HQ é escrita por James Boyle e Jennifer Jenkins e ilustrada por Keith Aoki, todos professores e pesquisadores na área de direito autoral.

A publicação (em inglês) está disponível para download gratuito via Creative Commons e também está à venda, em versão impressa, na Amazon.com.

E no melhor estilo copyleft, os autores buscam pessoas que se disponham a traduzir a HQ para outras línguas. Alguem aí se habilita?