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sexta-feira, maio 07, 2010

Selo Povo: uma nova forma de distribuir e comercializar livros no Brasil




Por Alê Barreto
Administrador, produtor cultural independente e palestrante


Você já ouviu falar em turnê de lançamento de livro? Em meio ao aprendizado da arte da escrita, estes dias encontrei no Portal Literal o texto "Selo Povo põe o pé na estrada", de Felipe Pontes (RJ), que fala da turnê do Selo Povo.

Segundo o escritor Ferréz o Selo Povo é "(...) feito para livros de bolso, livros esses escritos por e para mãos operárias, rebeldes, marginais, periféricas".


Cartaz da turnê do Selo Povo. Clique para aumentar a visualização.

Leia o texto na íntegra e conheça essa importante ação cultural que publica livros ao preço de uma cerveja e meia.

Visite o blog do Selo Povo: http://selopovo.blogspot.com/

sexta-feira, setembro 18, 2009

Conheça o Clube da Leitura do Baratos da Ribeiro (RJ)



Ilustração: Eduardo Filipe, o Sama



Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Pesquisar, estudar, refletir e exercitar no dia-a-dia tudo que venho aprendendo com a prática da atividade de produtor cultural independente tem me proporcionado reencontros e encontros. Um dos reencontros foi com a leitura. Ao longo dos anos venho me aproximando das letras e das palavras. Criei este blog. Comecei a ler textos relacionados a produção cultural, cultura, antropologia, sociologia. Este ano comecei a conhecer o universo dos contos, participando de uma oficina que o escritor João Paulo Vaz ministrou no Nós do Morro.

Agora em setembro, passei um dia no sebo Baratos da Ribeiro, lá em Copacabana e adquiri uns audiolivros, que queria conhecer. Na hora de pagar, me deparei com o livro Clube da Leitura: Modo de Usar, Vol. 1. Resolvi comprar. Mal comecei a folheá-lo no metrô e já comecei a perceber que se tratava de um dos grandes encontros que a atividade de produção cultural havia me proporcionado.

Clube da Leitura: Modo de Usar, Vol.1 é mais do que uma coletânea de contos. É um dos produtos culturais literários mais espontâneos e verdadeiros que conheci nos últimos tempos. Vou explicar os motivos.

O primeiro deles é que nasceu da vontade de se divertir, algo que é encarado hoje em dia como "coisa de pessoas alienadas" ou como "algo que somente pode ser feito fora do trabalho. Para mim, coisas excelentes nascem desta vontade. O livro é um ótimo exemplo disso.

O segundo motivo é o desejo de encontros. Intencionalmente ou não, um dos primeiro textos do livro, de Gerardo Silva, fala disso: a construção da cidade como a arte dos encontros. E este livro sem dúvida é uma construção que proporciona encontros.

A diversidade sem a chatice. Este é outro presente que o livro brinda aos leitores. São vinte e quatro contos sobre os mais diversos temas, curtos, quase todos em linguagem bastante acessível.

Compartilhamento. Após finalizar os contos, a seção "Clube da Leitura: modo de usar" explica como funciona esta importante, criativa e estimulante ação cultural.

A valorização dos escritores. Ao final, o livro apresenta de forma bastante descontraída seus autores e artistas gráficos. Faço algumas transcrições para despertar a curiosidade de todos, assim como a minha foi despertada:

Escritores

Ágata Sousa - "(...) as partes boas de Henry Chinaski, as partes ruins de Amory Blaine".

André Tag - "(...) desconhece ato maior de amor do que contar e atentar para histórias".

Carmen Molinari - "gosta de literatura, arte contemporânea e do Rio de Janeiro".

Cristiani Elias - "(...) amante de literatura, gatos, café e viagens".

Danielle Costa - "(...) tem sonhos do tipo: (...) ter sido empregada de Virginia Woolf".

Daniel Russell Ribas - "(...) apaixonado por cultura, Copacabana e São Paulo".

Deborah Geller - "(..) Lê para ser surpreendida na vigília sem vigilância que é uma das dádivas da literatura".

Fausto Oliveira - "Nascido em 1º de julho de 1977, no Rio de Janeiro".

Gerardo Silva - "(...) Frequentador assíduo do Baratos da Ribeiro".

Gisela D´Arruda - "(...) Escreve o blog Caminho das Folhas sobre saúde, ecologia e Umbanda: www.caminhodasfolhas.com".

Glória Celeste - "(..)Risada alta e corpo de (ex) mezzo-soprano, e soulwoman".

Guilherme Preger - "(...) é poeta e pensa que publicou o volume de poesias Capoeiragem pela editora 7 Letras".

Júlio Rodrigues - "(...) ordinário como qualquer ser humano, ama, é amado, tem amigos, poucos e bons, adora música e cães".

Márcia Vitari - "(...) sua história é atravessada pela curiosidade que marca sua trajetória em busca do novo, com vitalidade e alegria".

Maurício Gouveia - "(...) ler no sacolejar dum ônibus, e ouvir música num volume escandaloso, o que é mais fácil de conseguir quando assume a identidade de DJ Ácaro".

Renato Amado - "(...) é um dos fundadores do site de textos, fotos e artes plásticas Caneta, Lente e Pincel: www.canetalentepincel.blogspot.com".

Ronaldo Brito Roque - "(...) não prega as drogas e o sexo desvairado, não fuma, não cheira, usa fio dental".

Rudá Almeida - "Cometi alguns textos anteriores, por conta e cargo de um pequeno caderno de capa verde que se perdeu por aí";

Saulo Aride - "(...) Tem um certo fascínio por retratar de maneira cinicamente fria o momento em que o homem se depara com a proximidade de seu fim"

Vivian Pizzinga - "(...) psicóloga, canceriana, gosta de budismo e psicanálise. (...) Tem gatos e insônia".


Artistas Gráficos

Eduardo Filipe - "(...) é artista visual premiado em Salões de Arte Contemporânea e Bienais de Quadrinhos".

S.Lobo - "Cidadão honorário de Copacabana, apaixonou-se pelo bairro à primeira vista".

Fábio Lyra - "Cria HQs POPs sobre gente normal e encara seus quadrinhos como se fossem canções de um álbum com a trilha sonora da sua vida.

Johandson Rezende - "(...) é sustentado por seu marido alemão, Fritz, conseguindo assim tempo para produzir seus quadrinhos e animações que são postados no seu blog: www.cartoondelia.blogspot.com".


Por fim, acredito que a ação de empreender a produção deste livro de forma independente é um exemplo muito saudável do que está acontecendo no Brasil: as pessoas se organizando para viabilizarem suas produções artísticas.

No caso do Clube da Leitura: Modo de Usar, Vol.1, a organização e a qualidade dos textos está permitindo que muitas pessoas, como eu, se aproximem cada vez mais do universo da leitura.

Saiba mais sobre o Clube da Leitura

quarta-feira, agosto 05, 2009

Conheça um pouco da cultura do Distrito Federal: visite o Açougue Cultural T-Bone




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


No Distrito Federal, em Brasília, uma experiência muito interessante vem mostrando que trabalho organizado e visão de longo prazo mudam o estado das coisas.

Leia com atenção a reportagem de Isabel Clemente, publicada na Revista Época.


O açougueiro dedicado aos livros



O menino Paulo Ricardo Carvalho das Chagas tem 10 anos e há dois frequenta uma biblioteca. Ele tem a sorte de contar com uma em frente ao trabalho da mãe, onde passa as manhãs antes de ir à escola. A mãe vende salgadinhos e refrigerantes numa barraca na rua, na frente de uma parada de ônibus de concreto e pintura descascada, em uma das avenidas comerciais mais apinhadas de Brasília, a W3 Norte. É na parada de ônibus que Paulo Ricardo e outros passageiros se encantam com livros que acabam levando para casa. “Já li um monte. Gosto muito de contos de fada, meu preferido é Pinóquio”, diz o bem articulado menino, que também se prepara para a longínqua prova de habilitação de motorista lendo manuais de autoescola. “Sei o significado de várias placas.”

De manuais de autoescola a clássicos da literatura mundial, tem de tudo nas 35 bibliotecas montadas nas paradas de ônibus ao longo da avenida que corta de uma ponta a outra os 7 quilômetros da Asa Norte, um dos bairros de Brasília. Os livros estão à disposição do público, de graça e sem fiscalização. As pessoas levam o que bem entendem, sem anotar nomes ou o título da publicação, pelo prazo que lhes convier. As regras estão escritas num pequeno cartaz: “Leve um por vez; devolva-o em bom estado; não fique com o livro por muito tempo”.

Esses livros fazem parte de um acervo de mais de 100 mil títulos da “biblioteca popular”, projeto idealizado e mantido por Luiz Amorim, um açougueiro de Brasília. Paulo Ricardo é um dos colaboradores espontâneos e informais do açougueiro. Divulga sua fonte de consultas para os amiguinhos, arruma e até limpa as estantes e vigia, da barraca da mãe, o que os outros fazem com sua biblioteca preferida.

Visto com descrédito no início, o projeto da biblioteca popular sobrevive há dois anos sem patrocínio. “Nunca tive recursos para comprar um único livro novo. É tudo doado”, diz Luiz, de 43 anos, que aprendeu a ler aos 16. Luiz ganhou fama com as Quintas Culturais, eventos realizados na calçada de seu açougue a cada duas semanas, com escritores e artistas. Já passaram por seu estabelecimento os escritores Ruy Castro, Fernando Morais, Ziraldo e as cantoras Elba Ramalho e Tetê Espíndola. Para esses eventos, com atratividade e publicidade garantidas, Luiz conseguiu o patrocínio da Petrobras, há quase três anos. Afinal, os cachês podem variar de R$ 10 mil a R$ 100 mil, valores fora do padrão de vida desse baiano que migrou para Brasília aos 7 anos. Luiz mora de aluguel com a mulher e o filho de 3 anos numa quitinete de 50 metros quadrados, em cima do açougue. Nas duas horas de conversa com ÉPOCA, o açougue recebeu um único cliente. “Meu desafio no início era atrair as pessoas para eventos culturais num açougue. Agora é mostrar que o açougue é meu ganha-pão, porque as vendas caíram. Isso aqui não é hobby”, diz Luiz, sério.

Inaugurado em 1998, o açougue permanece com a mesma aparência, sem filiais. Antes do patrocínio, Luiz tirava do bolso recursos para fazer os eventos culturais. Foi nesse ambiente que criou a primeira biblioteca popular, disseminando o gosto pela literatura entre funcionários e clientes que chegavam para comprar um bife e saíam também com um livro de Machado de Assis embaixo do braço.

Hoje, é comum ver os funcionários registrando as doações que não param de chegar. As novidades são distribuídas quando o açougueiro sai em sua Kombi sem bancos para arrumar e abastecer as estantes nos pontos de ônibus, com a ajuda de dois empregados. Um deles, calçando galochas brancas e boné de açougueiro, conta ler pelo menos um por mês. Edglei Cavalcante trabalha há dez anos com Luiz. Estudou até a 5ª série e, enquanto ajuda o patrão a arrumar as estantes populares, separa livros para si ou para a filha de 7. “Depois devolvo e pego mais”, diz.

Ao ver os rapazes arrumando as estantes, uma senhora pergunta, de longe: “E pode pegar assim, é? Pensei que fosse crime!”. Quando a desconfiança vira confiança, Luiz comemora. É essa consciência cidadã que estimula o respeito ao espaço público e ao bem comum que impressionou a responsável pela área cultural da Unesco no Brasil. “Oferecer algo que não é de ninguém, num local público, e contar com que o usuário devolve o livro em bom estado é de uma didática mais importante até que a leitura em si”, diz Jurema Machado, coordenadora de cultura da Unesco no Brasil. “Esse projeto prova que é possível fazer isso, porque funciona.”

A Unesco não dá apoio financeiro a projetos, mas resolveu ajudar a difundir a ideia da biblioteca popular, para que outras pessoas tenham a mesma iniciativa em suas cidades – esse, sim, é o grande sonho do açougueiro. “Me cobram porque eu não estendo até a Asa Sul, ou a cidades-satélites, mas não tenho condição de fazer isso sozinho”, diz Luiz. Sua mulher, Vera, uma gaúcha alta, loura e de olhos verdes, que trabalha como analista de sistemas, afirma: “É como um filho dele. E para manter um filho você não mede esforços, não questiona quanto sai de seu bolso”.

Para tornar as bibliotecas populares uma realidade, Luiz peregrinou por bibliotecas “de verdade”, colhendo informações. Esse filho, como bem definiu a mulher, ele gestou por três anos, até tomar coragem para o parto. Cercou um ponto de ônibus com estantes, expôs 10 mil livros e ficou lá sentado, prancheta na mão, tomando nota. “Aí eu percebi que só teria credibilidade se todos os pontos de ônibus oferecessem isso e estivessem sempre organizados”, diz. “Há estudos de sociologia que explicam esse comportamento por constrangimento. O cara que não cuida do banheiro na rodoviária não tem o mesmo comportamento no shopping, onde encontra tudo limpo. É por aí”, afirma. “E o homem, como ser coletivo, é bom”, diz, citando Aristóteles sem soar pedante. Em nome de sua paixão por livros, Luiz vem investindo quase tudo o que ganha na ideia fixa de disseminar o hábito da leitura. “Devo tudo aos livros e sei que mudei a vida de muita gente com eles.” Alguém duvida?

Fonte: Revista Época


Alguém tem dúvida de que Luiz Amorim é um produtor cultural independente?

O que você faz para levar adiante as suas idéias e projetos?


Conheça mais o Açougue Cultural T-Bone

domingo, agosto 02, 2009

Um escritor que tem muito a contribuir com a formação de um produtor cultural independente


Vídeo produzido pelo Jornal de Debates, cujo diretor é o meu amigo Pedro Markun


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


- Um sonho?
- Parar de trabalhar.

Ao ouvir a resposta à pergunta feita pelo jornalista Roberto D`Avila, você pode estar pensando que o entrevistado era é uma pessoa que não gosta do que faz, talvez um adolescente querendo curtir a vida ou malandro da velha guarda.

Pois o entrevistado é um intelectual que em 1997 escreveu o livro Cidade de Deus: Paulo Lins.

A vida nos mostra a cada momento que sempre há uma oportunidade de ampliarmos a nossa formação como produtores culturais independentes.

A primeira vez que ouvi falar no Paulo Lins, curiosamente, não foi na época do filme Cidade de Deus.



Foi num dia comum de trabalho, lá no Nós do Morro, em 2008. Quando perguntei "quem é Paulo Lins", minha diretora, que é uma educadora, estimulou: procure no google. Pesquisei rapidamente e vi que ele era o autor do livro que deu origem ao filme. Como uma série de outros assuntos, anotei para pesquisar mais adiante.

Hoje, quando finalmente tive a sorte de fazer minha antena pegar o sinal de TV aberta, aqui no Morro do Vidigal, sintonizei na TV Brasil e me deparei com o escritor, falando da sua formação, como escreveu o livro Cidade de Deus e o seu novo livro "Desde que o samba é samba é assim".

Durante a entrevista, ele cita encontros que teve com o Férrez, escritor que descobri recentemente, mencionado nos posts anteriores.

No final, Paulo Lins afirma: "é muito melhor ler do que escrever".

Depois desta verdadeira aula, fiquei curioso em conhecer este escritor, dialogar com ele. Achei dois vídeos no youtube, o que está no início do post e este aqui:

terça-feira, julho 28, 2009

Um escritor que é um produtor cultural independente




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Resolvi assistir a sessão do filme "Palavra (En) Cantada" no Odeon, no último domingo.

O filme é ótimo. Não sou um conhecedor profundo do trabalho da Adriana Calcanhotto, mas o que conheço gosto muito. Neste filme, pude ouvi-la falar. Foi ótimo ver a insatisfação dela com o debate "letra de música não é poesia". José Miguel Wisnik e Luiz Tatit dão uma aula sobre os momentos da história em que a música brasileira passa a flertar mais com a literatura. Arnando Antunes sempre direto e sincero fala sobre sua tranquilidade de conviver com a diversidade cultural. Zeca Baleiro e seu encontro com a Hilda Hist. A Zélia Duncan cantando. O Caetano completamente Caetano na época dos Festivais. Para mim, foi uma aula de produção cultural. No sentido amplo.

Enquanto me recordo do Jorge Mautner cantando Maracatu Atômico, do Lirinha falando "que a poesia está além da estrutura", do Lenine falando da verdade do trovador medieval presente nas fontes da cultura brasileira que inspiram o seu trabalho, compartilho com vocês uma pergunta feita pelo escritor Férrez: porque não se inclue um livro na cesta básica?

Essa frase não para de ecoar na minha cabeça. Fiquei curioso para saber quem era este tal de Férrez.

Este é o primeiro material que encontro dele no youtube, onde fala outras idéias muito interessantes.