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quarta-feira, março 21, 2012

Convite à Viagem – Rumos Artes Visuais 2011/2013: amplie o seu imaginário


Imagem de divulgação da exposição "Convite à Viagem – Rumos Artes Visuais 2011/2013"/Itaú Cultural



Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


No post "Especial "29ª Bienal de São Paulo: possibilidades para se apreciar a exposição" que publiquei em 2010, inspirado pelo convite que recebi da Petrobras para visitar a Bienal, fiz um breve roteiro para me organizar e aproveitar melhor a exposição. Uma das fontes consultadas para elaborar este roteiro (que recomendo para quem realiza ações educativas) foi a entrevista "A arte aponta aquilo que falta em você" feita por Mariana Sgarioni com Paulo Sérgio Duarte, crítico, professor de história da arte e pesquisador (ver revista Continuum no. 19 do Itaú Cultural).

Nesta entrevista há uma pergunta muito interessante que transcrevo na íntegra abaixo:


[início da transcrição]

Mariana Sgarioni: Como é possível estabelecer parâmetros de avaliação para a arte?

Paulo Sérgio Duarte: Toda avaliação estética foi e vai ser um juízo de valor. Se assim é, ela será sempre de natureza subjetiva. Não existem critérios objetivos, nem houve, nem nunca vai haver, para avaliar uma obra de arte, seja ela qual for. O que existem são consensos, que são estabelecidos por uma coletividade que está de acordo com certos valores. Um exemplo: a Nona [sinfonia] de Beethoven. Pode-se tocar essa música no Japão, na África do Sul, no Marrocos, nos Estados Unidos ou no Brasil que sempre vai haver um consenso. Ou seja: grande quantidade de pessoas estará de acordo que aquela música tem valor, agrada, é importante. Antes de escutar aquilo, a pessoa era uma. E, depois de escutar, ela virou outra, percebendo ou não essa mudança. O critério de avaliação é dado, também, pela experiência da arte. Não há outra forma de acesso à arte que não seja fluindo a sua experiência. Posso ter a experiência da queda de um corpo sem me jogar da janela. Mas não posso "fazer" a experiência de uma música, um poema, um romance, uma pintura, uma instalação sem ter fluido aquela experiência. A descrição de um poema não é o poema. A fotografia de uma pintura não é a pintura. A escrita da pauta da música não é a música. Com base na experiência da arte se chega aos consensos. Grande quantidade de pessoas percebe que aquela experiência é importante, que determinada obra é melhor que outra. Existe a possibilidade de demonstrar isso como uma equação matemática? Não. Mas temos valores históricos estabelecidos em padrões que dizem que uma obra é melhor que outra. São critérios subjetivos armazenados numa experiência coletiva. Então, para estabelecer que um trabalho artístico é melhor ou pior que outro, em primeiro lugar é preciso ver a experiência coletiva de um consenso que se reúne em torno de determinadas obras. Essa experiência da arte só se faz pela repetição. Quem vai a uma exposição uma vez por ano não entende de arte. Quem lê um livro de poesia por ano e diz que gosta de poesia não entende desse gênero. Quem gosta de música e não a escuta todo dia por falta de tempo não tem a experiência da música. Pode até gostar, mas não tem a experiência. A repetição é fundamental. Os conceitos se formam pela repetição da experiência. Portanto: não existe critério objetivo, mas existe a possibilidade de reunir consensos em torno de certas questões.


[fim da transcrição]

Da resposta do professor Paulo Sérgio Duarte, acho muito bacana você pensar nestes conceitos:

- "(...) O critério de avaliação é dado, também, pela experiência da arte. Não há outra forma de acesso à arte que não seja fluindo a sua experiência".

- "(...) Essa experiência da arte só se faz pela repetição. Quem vai a uma exposição uma vez por ano não entende de arte. Quem lê um livro de poesia por ano e diz que gosta de poesia não entende desse gênero. Quem gosta de música e não a escuta todo dia por falta de tempo não tem a experiência da música. Pode até gostar, mas não tem a experiência. A repetição é fundamental. Os conceitos se formam pela repetição da experiência".


Sendo assim, o lance prático da produção cultural é partirmos para a experiência.

Caso você more ou esteja visitando São Paulo e esteja procurando ampliar o seu repertório com novas experiências, visite a exposição "Convite à Viagem – Rumos Artes Visuais 2011/2013", em cartaz até 22 de abril. A mostra é resultado do mais recente edital do programa Rumos Artes Visuais, que entre 1.770 projetos inscritos selecionou mais de 100 trabalhos de 45 artistas de todo o Brasil.

A curadoria foi realizada por Agnaldo Farias com a ajuda dos curadores Ana Maria Maia, Felipe Scovino, Gabriela Motta e Paulo Miyada e dos curadores viajantes Alejandra Muñoz, Carlos Franzoi, Júlio Martins, Luiza Proença, Marcelo Campos, Matias Monteiro, Sanzia Pinheiro e Vânia Leal.


Saiba mais


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* Alê Barreto é formado em Administração com Ênfase em Marketing pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Começou a atuar como administrador no setor cultural em 2003. Trabalhou com vários artistas independentes do RS. Em 2005 prestou serviços de produção executiva para Opus Promoções em shows nacionais (Acústico MTV Bandas Gaúchas), internacionais (Avril Lavigne, Steel Pulse) e festivais (Claro que é Rock, IBest Rock, Live n´ Louder). Em 2007 foi empresário da banda Pata de Elefante e um dos produtores executivos do disco "Um olho no fósforo, outro na fagulha", um dos melhores discos de 2008, segundo a revista Rolling Stone Brasil. Mudou-se para o Rio de Janeiro onde trabalhou entre 2008 e 2009 como gestor cultural junto a diretoria do Grupo Nós do Morro e produtor executivo de espetáculos como "Os Dois Cavalheiros de Verona" e "Machado a 3x4". Devido a sua intensa participação foi convidado a dar um depoimento sobre Nós do Morro no filme "O Rosto no Espelho" (Brasil, 2009), documentário de Renato Tapajós que investiga a relação entre os movimentos culturais de hoje e a transformação social, revelando um Brasil profundo e multicultural. Em 2009 ministrou repasse metodológico de gestão em produção cultural para grupos culturais do Acre em parceria com a Rede Acreana de Cultura e o SEBRAE.

Desde de 2010 é aluno do Programa de Estudos Culturais e Sociais da Universidade Cândido Mendes, onde cursa a pós-graduação MBA em Gestão Cultural.

Em 2011 foi produtor executivo da "Missa dos Quilombos", composta em 1981 por Milton Nascimento, Pedro Tierra e Dom Pedro Casaldáliga, direção de Luiz Fernando Lobo, encenado pela Cia Ensaio Aberto no Armazém da Utopia, Cais do Porto, Rio de Janeiro. Veja trechos do espetáculo.

Em 2012 está atuando como um dos articuladores do projeto "Redes e Agentes Culturais das Favelas Cariocas", do Observatório de Favelas em parceria com a Central Única das Favelas (CUFA), Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro (SEC-RJ) e patrocínio da Petrobras, iniciativa inédita que vai formar 100 jovens, de 15 a 29 anos, em produção cultural e pesquisa social em cinco favelas do Rio (Cidade de Deus, Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Manguinhos e Rocinha).

É professor convidado da Especialização em Music Business, curso pioneiro que está começando na Universidade do Vale do Rio dos Sinos e que introduz uma abordagem para o estudo da indústria da música alinhada com a atualidade, preparando os participantes para pensar a nova constituição do setor fonográfico e entender ambientes de mercado através dos processos de consumo.

Escreve com frequência no blog Produtor Cultural Independente, canal de disseminação de informações (saiba mais), é autor do livro "Aprenda a Organizar um Show", colunista da revista Fazer e Vender Cultura e possui diversos textos recomendados na página de cultura e entretenimento do SEBRAE e em trabalhos de graduação e pós-graduação.


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Alê Barreto é cliente do Itaú.

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Realize ações integradas com atividades educativas


Programa Educativo da 30ª Bienal de São Paulo já começou. Foto: Denise Adams


Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Em janeiro recebi um telefonema. Uma moça me ligou, disse que sua mãe era artista plástica e que queriam fazer uma exposição em março. Expliquei que no momento não estou trabalhando com formatação de projetos, somente ensino as pessoas a fazerem projeto ou presto serviço de revisão.

Mas a questão me fez refletir: adianta sair correndo para em 90 dias abrir uma exposição? Para mim uma exposição precisa de um trabalho articulado de formação, para que possa atingir o maior número de pessoas possível. Sim, o maior número de pessoas possível. A palavra dos dias de hoje é acesso. Inclusive foi o que motivou a Petrobras a convidar um grupo de pessoas atuantes na promoção da arte para visitar a



a 29ª Bienal de São Paulo, em 2010.

Esta preocupação com acesso e formação, não é apenas uma preocupação da Petrobras. Cada vez mais torna-se prioridade na pauta de diferentes agentes culturais.

Um ótimo exemplo é o Programa Educativo da Bienal de São Paulo. Mesmo a Bienal sendo um evento que somente será realizado de setembro a dezembro, a Fundação já realizou no dia 26 de janeiro seu primeiro encontro de arte contemporânea para professores de 2012, na Escola Cidade Jardim Playpen. O encontro inaugurou os cursos para professores da 30ª Bienal de São Paulo – A Iminência das Poéticas. Veja como foi o encontro.


Dica: inclua sempre ações de formação em suas iniciativas culturais.


E por falar em educação, estão abertas as as inscrições para os cursos do Produtor Cultural Independente em São Paulo



Curso "Aprenda a Organizar um Show" - 3 pessoas inscritas - inscrições até 12 de fevereiro

Curso "Aprenda a Produzir um Artista" - 3 pessoas inscritas - inscrições até 12 de fevereiro


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* Alê Barreto é formado em Administração com Ênfase em Marketing pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Começou a atuar como administrador no setor cultural em 2003. Trabalhou com vários artistas independentes do RS. Em 2005 prestou serviços de produção executiva para Opus Promoções em shows nacionais (Acústico MTV Bandas Gaúchas), internacionais (Avril Lavigne, Steel Pulse) e festivais (Claro que é Rock, IBest Rock, Live n´ Louder). Em 2007 foi empresário da banda Pata de Elefante e um dos produtores executivos do disco "Um olho no fósforo, outro na fagulha", um dos melhores discos de 2008, segundo a revista Rolling Stone Brasil. Mudou-se para o Rio de Janeiro onde trabalhou entre 2008 e 2009 como gestor cultural junto a diretoria do Grupo Nós do Morro e produtor executivo de espetáculos como "Os Dois Cavalheiros de Verona" e "Machado a 3x4". Devido a sua intensa participação foi convidado a dar um depoimento sobre Nós do Morro no filme "O Rosto no Espelho" (Brasil, 2009), documentário de Renato Tapajós que investiga a relação entre os movimentos culturais de hoje e a transformação social, revelando um Brasil profundo e multicultural. Em 2009 ministrou repasse metodológico de gestão em produção cultural para grupos culturais do Acre em parceria com a Rede Acreana de Cultura e o SEBRAE. Desde de 2010 é aluno do Programa de Estudos Culturais e Sociais da Universidade Cândido Mendes, onde cursa a pós-graduação MBA em Gestão Cultural.

Em 2011 foi produtor executivo da "Missa dos Quilombos", composta em 1981 por Milton Nascimento, Pedro Tierra e Dom Pedro Casaldáliga, direção de Luiz Fernando Lobo, encenado pela Cia Ensaio Aberto no Armazém da Utopia, Cais do Porto, Rio de Janeiro. Veja fotos e trechos do espetáculo.

Escreve com frequência no blog Produtor Cultural Independente, canal de disseminação de informações (saiba mais), é autor do livro "Aprenda a Organizar um Show", colunista da revista Fazer e Vender Cultura e possui diversos textos recomendados na página de cultura e entretenimento do SEBRAE e em trabalhos de graduação e pós-graduação.

É um dos articuladores do projeto "Redes e Agentes Culturais das Favelas Cariocas", do Observatório de Favelas em parceria com a Central Única das Favelas (CUFA), Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro (SEC-RJ) e patrocínio da Petrobras, iniciativa inédita que vai formar 100 jovens, de 15 a 29 anos, em produção cultural e pesquisa social em cinco favelas do Rio (Cidade de Deus, Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Manguinhos e Rocinha).

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Alê Barreto é cliente do Itaú.

quarta-feira, outubro 13, 2010

Especial 29ª Bienal de São Paulo: "realizar uma grande obra coletiva contra a fome, a violência, a destruição e o imperialismo"


No + /CADA - Colectivo Acciones de Arte/imagem de divulgação do site da Bienal


Por Alê Barreto*


Estive há poucos dias atrás na 29ª Bienal de São Paulo com um grupo de convidados da equipe do blog Fatos e Dados da Petrobras, formado por pessoas atuantes na promoção da arte. Preparei um breve roteiro para apreciar a exposição, comentei a importância da ação da Petrobras e comecei a falar sobre as minhas impressões sobre as obras que conheci. Hoje vou continuar falando delas.

A frase "(...) realizar uma grande obra coletiva contra a fome, a violência, a destruição e o imperialismo" é uma tradução livre que fiz de um das frases do "Llamado a artistas del Colectivo Acciones de Arte (CADA)", um manifesto dos artistas ativistas chilenos, exibido no segundo andar do Ibirapuera. Todas as imagens que compõem a obra mostram um forte envolvimento destes artistas na luta contra a ditadura chilena. No + foi uma expressão grafitada exigindo o fim da opressão.

Haviam várias obras em vídeo. Gosto muito de vídeo arte. Entrei em uma sala e comecei a assistir um filme, com um lento e contínuo movimento de câmera. Homens fardados. Um vilarejo. Pessoas paralisadas. Ruas sem calçamento. Um burro atado. Pedras. Enxada. Zoom em homens armados.


Round and Round and Consumed by Fire/Claudia Joskowicz/imagem de divulgação do site da Bienal

Tratava-se do vídeo Round and Round and Consumed by Fire de Claudia Joskowicz. Parecia um estado dominado por armas. Depois descobri que a artista faz uma referência ao filme Butch Cassidy and the Sundance Kid, de 1969.

Nota: muita gente na Bienal. Muitos jovens. Muitas ações educativas com grupos de adolescentes.

Seguindo meu percurso, uma série de imagens me chamou a atenção. Me dirigi até elas. Parecia que estava olhando uma favela, tamanha era quantidade de caixas d´água à vista. Tratavam-se de imagens da artista Otobong Nkanga, que fazem referência a desigualdades sociais na Nigéria.


Dolphin Estate Series/Otobong Nkanga/imagem de divulgação do site da Bienal


Eram fotos de prédios populares em Dolphin Estate, que o governo nigeriano construiu sem fornecer instalações de água, esgoto e iluminação. Nas imagens dá para perceber que população reage ao descaso do Estado em qualquer parte do mundo: trataram de colocar caixas d´água. Detalhe: uma das fotos, cuja descrição era "On Lansdowne Road, Khayelitsha, Cape Town, 16 May 2007, from the series: in the time of Aids", mostrava banheiros públicos com o símbolo da luta contra a Aids pichados nas portas.


A última obra que descrevo hoje me proporcionou uma experiência muito interessante.



"A origem do terceiro mundo" de Henrique Oliveira me levou para um labirinto, um espaço subterrâneo. A caverna construída com materiais rudimentares, madeiras, que parece uma rocha de retalhos de tapume, consegue causar um deslocamento durante a visita. A possibilidade de caminhar, tocar, explorar os espaços, me levou um saudável encontro comigo mesmo.


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* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto e valoriza encantadoras mulheres.

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terça-feira, outubro 05, 2010

Especial "29ª Bienal de São Paulo: quando você enxerga algo do outro em você?"





Por Alê Barreto*


A visita a Bienal gerou muito conteúdo. Vou compartilhá-lo em vários posts. Vamos ao primeiro.

Tendo como base a afirmação do crítico Paulo Sérgio Duarte de que "toda avaliação estética foi e vai ser um juízo de valor, (...) sempre de natureza subjetiva", e as orientações da artista plástica Eliane Barreto, contidas no roteiro de possibilidades de apreciação que elaborei para visitar a Bienal, segui ontem bem cedo para o Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, junto com o grupo de convidados do blog Fatos e Dados da Petrobras, formado por pessoas atuantes na promoção da arte.




Na chegada, fomos recebidos por Pedro França, coordenador da programação dos Terreiros, e pelo Diogo de Moraes, coordenador do projeto educativo. Recebemos as boas vindas e ouvimos a uma rápida explanação de Pedro que falou sobre a conexão do tema da Bienal com o projeto do espaço da exposição e com a concepção dos Terreiros. Três frases dele contribuiram muito para o melhor aproveitamento da visita: "a Bienal propõe algo, o mundo responde e a política se faz neste encontro"; "o espaço tem a dimensão do labirinto, a possibilidade do encontro, a possibilidade de se perder"; "os Terreiros são espaços de diálogo da Bienal, com uma programação que estimula que as discussões ganhem densidade".

Iniciei a visita de forma diferente. Não olhei as obras no sentido "do início para o fim da exposição" e tampouco segui roteiros propostos por revistas e curadores. Fiz o meu caminho.

As palavras da frase "quando você enxerga algo do outro em você?" foram as primeiras imagens que chamaram minha atenção no pavilhão da Bienal. Estavam escritas na parede externa do ateliê educativo.

Após visualizei um homem saltando sobre um círculo de fogo, em uma foto preto e branco muito antiga. A imagem foi adquirida em brechó era parte do leilão proposto pela obra "Menos Valia", de Rosângela Rennó. No mundo da mais valia, sua proposta de interferência poeticamente representada pela coleta e devolução de objetos para circulação, me fez pensar sobre os diferentes ciclos das coisas e do ciclo de minha própria vida.


"Menos Valia"/Rosângela Rennó/imagem de divulgação do site da Bienal


Cadeiras vazias. Uma criança perguntou para mim: "dá para sentar?" Não sabia o que responder. Mas pude perceber que não se tratava apenas de algo óbvio. A obra era provocativa. E a menina que me fez a pergunta havia sido provocada. "Audience" do artista Pedro Barateiro me fez também ter vontade de ocupar aquele espaço e me fez pensar na importância de se pensar a ocupação dos espaços artísticos. Faz sentido centros culturais, envoltos em uma aura institucional, estarem com suas platéias vazias? Como se pensar na ideia de audiência, de platéia, vendo cadeiras vazias?


Audience/Pedro Barateiro/imagem de divulgação do site da Bienal


Dança. Um vídeo com pessoas dançando músicas latinas. Pareciam ritmos cubanos. Na hora, pensei que se tratava apenas de um recurso visual, um suporte em vídeo para uma instalação. Mas era mais que isso. Olhando com mais atenção, próximo do vídeo, havia uma série de desenhos. Partituras de uma dança. Imagens que remetiam a ideia de harmonia. A obra "Un lugar para vivir cuando seamos viejos" mostrou que a terceira idade é um lugar. Um lugar para se viver. Um lugar para se dançar, como faz o casal apresentado no vídeo: dança todas as semanas num mercado da Cidade do México.


Un lugar para vivir cuando seamos viejos, El baile: Danzón / Conchita, Lucio, Maria Ascención/ imagem de divulgação do site da Bienal


Havia na parede mais uma pista desta obra. Deixo a pesquisa para aguçar a sua percepção de produtor cultural independente.

Visite: http://www.unlugarparavivircuandoseamosviejos.blogspot.com


As três obras mostram arte e política.



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Especial "29ª Bienal de São Paulo: Petrobras atenta para a diversidade de olhares"




Por Alê Barreto*


Saí do Rio de Janeiro com uma grande expectativa quanto ao convite que havia recebido da equipe do Blog Fatos e Dados da Petrobras para participar da 29ª Bienal de São Paulo. Esta expectativa foi construída a partir do motivo do convite que me foi feito: a preocupação da Petrobras em ampliar o debate sobre a arte e seu público no país. Isso para muitos pode parecer óbvio, pelo fato da Petrobras ser uma das patrocinadoras da Bienal. Mas posso garantir que esta ação não é óbvia. No Brasil muitos patrocinadores ainda se preocupam apenas com marketing de eventos ou com a quantidade de vezes que sua logomarca será exibida. A Petrobras trabalha sua marca com atitude, inteligência e compromisso socioambiental. Desde 2007 observo suas práticas e considero como referências.

Mas a Petrobras não é referência apenas pela sua preocupação. É referência pelo cuidado e organização de suas ações. Este cuidado eu percebo no planejamento, no nível dos profissionais que lá atuam e pela infraestrutura colocada a serviço das ações culturais. Ontem foi um bom exemplo disso. Ao chegar em São Paulo, fui recebido pela Evelyn Valente, da Gerência de Relacionamento Corporativo, pela Cintia da Gerência de Patrocínios e pela Manoella Oliveira do Blog Fatos e Dados. Rapidamente fui encaminhado para o Hotel Transamerica Flat International Plaza, em Jardins.

Mais à noite, venho a melhor parte. Estas gentis e charmosas anfitriãs organizaram um jantar, onde pude conhecer os outros convidados desta ação da Petrobras.



Blog Fatos e Dados (http://fatosedados.blogspetrobras.com.br)


Lá estava o meu colega do MBA em Gestão Cultural Fernando Benites Molinari, diretor do Instituto Brasileiro de Cultura, Moda e Design, o artista plástico mineiro Lucas Dupin, o professor de História da Arte e colunista do site Digestivo Cultural Jardel Dias Cavalcanti, a ilustradora Lupe Vasconcelos, de Goiânia e o artista plástico baiano Leonel Mattos.

Durante o jantar nos apresentamos, falamos de nossa relação com a arte e com as novas tecnologias de informação e comunicação, as populares mídias sociais. Falamos também sobre a questão "arte e não-arte", quais são hoje os espaços da arte, como cada um está lidando com blogs, facebook, twitter, flickr. Na medida que a conversa se estendia, a diversidade ia revelando quem era cada um de nós. "Qual foi o critério de escolha dos artistas da Bienal?" provocava o talentoso e questionador Leonel Mattos (www.leonardomattos.blogspot.com). "Eu trabalho com livros infantis para publicações em SP, graças a internet" explicava Lupe (www.lupevision.com). "Eu não estou em redes sociais. Escrevo para o Digestivo", revelava Jardel (leia um texto dele). "Além do meu trabalho com redes de coletivos de arte, tenho refletido sobre diferentes ações culturais que estão ocorrendo, como as bienais", afirmava Lucas Dupin (www.flickr.com/lucasdupin). Eu falei um pouco da minha relação com a Petrobras, com observador de suas práticas e falei também como venho trabalhando minha presença digital através do blog Produtor Cultural Independente (www.produtorindependente.com) e do blog "Alê Barreto" (www.alexandre-barreto.blogspot.com), ambiente virtual onde abri para internautas o meu processo de trabalho. Fernando Molinari falou da Babilônia Feira Hype, da qual é organizador e também do projeto "Roda da Moda" (www.rodadamoda.com). Fernando falou ainda que há muito conteúdo de exposições que ele documentou no youtube (veja a exposição "Mulheres Reais" http://www.youtube.com/watch?v=4OB-Ux2eeo0).

Ah, não podia deixar de mencionar que todos ficamos curiosos sobre como havia sido o processo de escolha do nosso grupo. Nossas anfitriãs nos esclareceram que o Blog Fatos e Dados (@blogpetrobras) escolheu pessoas comprometidas com a divulgação da cultura. E de fato todos nós, em nossas áreas de atuação, somos comprometidos com a divulgação da cultura.

E por falar em divulgar cultura, você já leu os materiais de divulgação da 29ª Bienal de São Paulo? Veja possibilidades para apreciar esta exposição.


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segunda-feira, outubro 04, 2010

Especial "29ª Bienal de São Paulo: possibilidades para se apreciar a exposição"




Por Alê Barreto*


Como me fez bem o dia de ontem. Independente das eleições encerrarem no primeiro turno ou de termos segundo turno, independente de já sabermos ou não quem será a pessoa que será empossada presidente do Brasil nos próximos anos, foi muito gostoso ver o povo do Rio de Janeiro comemorando as eleições, fazendo a festa da democracia.

Mas vamos ao trabalho. A convite da Petrobras, estarei visitando a 29ª Bienal de São Paulo amanhã. Resolvi me preparar. Fiz uma consulta rápida em três fontes de informações, para ampliar o meu olhar:

- site da Bienal;

- a entrevista "A arte aponta aquilo que falta em você" em que Mariana Sgarioni dialoga com Paulo Sérgio Duarte, crítico, professor de história da arte e pesquisador, na revista Continuum no. 19 (março/abril de 2009);

- uma consultoria com a minha irmã, Eliane Barreto, que é artista plástica formada na Universidade Federal de Santa Maria, RS.


Feita a pesquisa, elaborei um pequeno roteiro, para organizar e aproveitar melhor a exposição.


Histórico da exposição

Criada em 1951, a Bienal de São Paulo, inspirada na Bienal de Veneza, foi a segunda megaexposição de arte contemporânea do mundo, a primeira do Hemisfério Sul. Atuando como elo entre o Brasil e o cenário internacional, a Bienal vem cumprindo, desde então, o papel de promover o intercâmbio cultural, estimular o circuito artístico local e divulgar a arte brasileira e o Brasil no exterior. O balanço de seus quase sessenta anos de atuação é amplamente positivo. Por aqui passaram, e continuam a passar, os principais artistas internacionais desde o pós-guerra.


Contexto da exposição

A Bienal de São Paulo, cuja 29ª edição ocorre de 25 de setembro a 12 de dezembro deste ano, cumpre um papel central no desenvolvimento da arte brasileira. Seu impacto, porém, transcende em muito o plano estritamente cultural. Atuando como instrumento de educação e inserção social, e servindo de alavanca para estimular a produção e o consumo de bens culturais, a Bienal é um importante catalisador da economia criativa e símbolo da modernidade não só de nossa cidade, mas do Brasil.


Impactos desta ação cultural

Para esta edição, de 2010, foram celebradas parcerias com as Secretarias de Educação do Estado e do Munícipio de São Paulo, e de outras cidades vizinhas, e com inúmeras instituições privadas de ensino e ONGs para capacitar mais de 35 mil educadores, de forma que eles possam trabalhar o tema da Bienal em sala de aula e posteriormente levar seus alunos ao pavilhão. No total, esperam-se mais de 400 mil visitas guiadas, o que o torna um dos maiores e mais abrangentes programas educativos já realizados no campo das artes.

De difícil mensuração, o impacto econômico da Bienal é pouco discutido, mas não pode de modo algum ser subestimado. A produção artística é uma das atividades de maior valor agregado na economia. A obra de arte materializa o capital intelectual. Quanto maior valor adquirem as obras de arte de nossos artistas, maior a riqueza gerada para o país. E tal riqueza acaba sendo distribuída entre todos no mundo das artes – artistas, galerias, casas de leilão, instituições culturais, escolas etc. Além disso, o circuito das artes é um grande incentivo ao turismo.


Critérios da curadoria

O conceito da 29ª Bienal está ancorado na idéia de que é impossível separar arte e política. Impossibilidade que se expressa no fato de a arte, por meios que lhes são próprios, ser capaz de interromper as coordenadas sensoriais com que entendemos e habitamos o mundo, inserindo nele temas e atitudes que ali não cabiam ainda, tornando-o assim maior e diferente.

A exposição se esquiva dos modelos vinculados somente às demandas apressadas do mercado e do espetáculo (o que é supostamente inédito) e se esquiva do modelo museológico estrito que inscreve a produção artística em uma narrativa histórica legitimada e sem fissuras.

Em lugar de privilegiar somente o que é recente ou, alternativamente, apenas o que é estabelecido, a mostra vai afirmar, por meio da articulação de trabalhos feitos em diferentes momentos, vínculos temporais que evidenciem, desde a plataforma conceitual definida, continuidades na criação artística das últimas décadas. O fundamental é que, seja inédita ou antiga, a produção reunida tenha potência simbólica para abrir frestas, de duração e de tamanho diversos, nos consensos em que se funda o entendimento das ideias e das coisas que organizam o mundo.


Para saber mais



Conceitos que orientaram a arquitetura da exposição

Ocupar todo o espaço, sombrear, preencher. Buscar luz, abrir, reconhecer os campos articulados em núcleos, relacionar as numerosas salas à grelha ortogonal existente. Esse foi o gesto inicial.


Saiba mais



Possibilidades para se apreciar a exposição


Segundo o crítico Paulo Sérgio Duarte,

"Toda avaliação estética foi e vai ser um juízo de valor. Se assim é, ela será sempre de natureza subjetiva. Não existem critérios objetivos, nem houve, nem nunca vai haver, para avaliar uma obra de arte, seja ela qual for. O que existem são consensos, que são estabelecidos por uma coletividade que está de acordo com certos valores".


Desta forma, a artista plástica Eliane Barreto aconselha:

- buscar conhecer os artistas antes da visitação (informações sobre os participantes da Bienal);

- se o tempo for curto, correr o risco de escolher alguns que considere importante visitar;

- estar despojado dos "pré" conceitos;

- aguçar a curiosidade, questionar;

- estar receptivo e perceber como se é "tocado" por uma obra de arte, como ela "reverbera em você";

- se permitir a liberdade de navegar;

- compartilhar as impressões da visita com outras pessoas, para que a arte circule em redes cada vez mais amplas.



Túnel do tempo



Eu trabalhando como assistente de produção na exposição "Freud para Todos" em abril de 2003, no Santander Cultural, em Porto Alegre.


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