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sexta-feira, novembro 28, 2014

Participe do Reboot Festival de Wikinomia





Por Alê Barreto
alebarreto@gmail.com


A criatividade e a capacidade de planejar ações inovadoras está diretamente relacionada com o repertório que você constrói em sua carreira.


Sempre aconselho produtores independentes a buscarem conhecer diferentes iniciativas.

No próximo sábado e domingo, vai acontecer o Reboot, Festival de Wikinomia, aqui no Rio de Janeiro.






O Reboot é um festival criado para disseminar as soluções, questionamentos e possibilidades da Wikinomia, uma nova dinâmica econômica que emerge no mundo, baseada na cultura do cuidado, da criatividade e da colaboração.


O que é

São 2 dias de conteúdos e experiências desenhados para oferecer ao participante um panorama geral de como podemos desafiar o nosso piloto automático e começar a abrir caminhos alternativos às nossas formas de produção, consumo, aprendizagem e relacionamento.



Sobre

Crowdsourcing, negócios sociais, empreendedorismo em rede, marketing com propósito, consumo consciente, cultura livre, serviços compartilhados, ética do cuidado... Esses são alguns dos temas que abordaremos para convidar todas as esferas sociais a participarem da construção coletiva de um novo modelo de sociedade: mais justo, inteligente, sustentável - e possível.


Como funciona

O Festival é dividido em duas partes: o circuito básico, que ficará montado durante os dois dias de Festival, no térreo do IED, e as atividades opcionais de aprofundamento, que serão oferecidas por parceiros no subsolo, em uma agenda paralela. As pessoas poderão visitar cada uma das salas do circuito e construir sua própria experiência Reboot, dentro do seu tempo e de acordo com sua curiosidade. Calculamos que a duração média da visita é de 2 horas.




Mais informações, acesse o site http://reboot.vc/



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Alexandre Barreto, mais conhecido como “Alê Barreto”, criador do conceito, blog, marca e do programa formativo "Produtor Cultural Independente", é um profissional multifuncional. Administrador de empresas, gestor cultural, gestor de pessoas, gerente de projetos, empresário artístico, produtor executivo, consultor, criador de conteúdo, professor e palestrante. 
Concluiu o curso MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ) e está finalizando sua monografia sobre carreira artística com a orientação da consultora Eliane Costa.

É um dos gestores do Grupo Nós do Morro no Rio de Janeiro, associação cultural sem fins lucrativos cuja missão é oferecer acesso à arte no Vidigal.

+55 21 97627 0690  alebarreto@gmail.com

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Estude o texto “No fundo, todos somos plagiadores”, de Fernando Favaretto




Por Alê Barreto*


Dois lembretes rápidos: novas informações sobre os cursos em SP e últimos dias para inscrições no curso "Aprenda a Organizar um Show" no Santander Cultural em Porto Alegre.

Retomando a pauta do dia: passando pela reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 2007, peguei um exemplar do "Jornal da Universidade". Encontrei nele uma excelente matéria de Fernando Favaretto sobre as questões contemporâneas de propriedade intelectual.

Estude ele na íntegra. Ele é muito bom para se trabalhar o tema produção cultural em sala de aula.


“No fundo, todos somos plagiadores”

Comunicação
Antonio Miranda, Pesquisador da UnB, diz que é possível construir conhecimento
copiando e colando

Fernando Favaretto
Jornalista formado pela Fabico e mestrando em Educação pela UFRGS

“Plagiar é obra do medíocre, roubar é do gênio”. Fazendo uso das palavras de Antonio Carlos Jobim sobre plágio, o professor Antonio Lisboa Carvalho de Miranda, coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da Universidade de Brasília (UnB), lança uma provocação acerca de uma problemática que cada vez mais tem sido percebida nos espaços acadêmicos: a copia total ou parcial de textos sem a devida referência ao seu autor original, acentuada pelas facilidades de acesso e manipulação de conteúdos em ambientes virtuais.

O professor maranhense esteve na UFRGS em março, para realizar a aula inaugural da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação. Bibliotecário, Doutor em Comunicação, poeta e apaixonado pela internet, Miranda mantém o site www.antoniomiranda.com.br, no qual é possível conhecer o universo do artista e educador.

Com a ampliação do acesso à internet percebida nos últimos tempos, as pessoas entram em contato com um número absolutamente imensurável de idéias, dados e informações cujas fontes muitas vezes são desconhecidas, cuja permanência é limitada e cujas aplicações pelos internautas são inimagináveis. E é justamente por esse caráter múltiplo, dinâmico e incontrolável da web que Miranda a admira e nela aposta como ferramenta de construção de conhecimentos, mesmo que esses conhecimentos sejam cópias de outros.

Como assim, então o processo de copiar e colar não é algo tão condenável? A questão, segundo o pesquisador, é que não há como comprovar a originalidade absoluta de uma idéia, de uma frase, de um pensamento, uma vez que todos somos constituídos pela soma de nossas leituras, de nossos olhares, de nossos contatos com os saberes que pela humanidade circulam desde tempos imemoriais e que, desde sempre, se alteram, se mesclam, se afastam ou se complementam. Aliás, nada garante que a citação atribuída a Tom Jobim tenha sido por ele pronunciada antes de qualquer outra pessoa, mas é como se fosse dele que Miranda a conheceu e é com respeito a essa autoria que ele a credita ao maestro.

Quer dizer então que o professor defende o plágio? Na verdade, o que ele condena é o plágio literal, a cópia de uma idéia feita sem qualquer contribuição pessoal que a modifique, que a transforme. “As idéias são livres, as pessoas podem recorrer a elas quantas vezes quiserem. A maneira como se diz é que constitui o plágio, não a idéia propriamente dita. Se você for em busca da originalidade das idéias, vai encontrar autorias ao longo dos séculos”. Miranda diz que a famosa constatação “penso, logo existo”, cuja autoria é historicamente creditada a Descartes, pode ser também atribuída a Parmênides, que o precedeu em mais de dois mil anos, o que demonstra o quanto a humanidade reafirma os conhecimentos, recriando-os através de diferentes formas. Nesse sentido, o professor acredita que seja impossível fugir de algum tipo de reprodução: “A idéia do plágio em si não é ruim. A pessoa se apropriar do conhecimento alheio como base para recriar é um processo, e é natural que seja dessa maneira. Sempre há uma referência a registros anteriores, o processo criativo é uma recriação constante. Além do mais, se buscarmos a coisa absolutamente nova vamos encontrar muito pouco. O original num texto sempre é um percentual muito pequeno”.

Então quer dizer que se pode aceitar o plágio, simplesmente? De acordo com Miranda a idéia de um plágio literal, de uma cópia feita sem qualquer aperfeiçoamento é inconcebível: “O plágio é um recurso até compreensível. Todos nós, no fundo, somos plagiadores. Só que uns plagiam recriando, com um olhar novo, com uma nova forma de interpretação do objeto, e outros simplesmente copiam. A esses é que cabe a punição pelo plágio”.

Muitas das práticas associadas ao plágio estão relacionadas ao caráter coletivo da autoria, o qual tem se manifestado de maneira mais evidente através das produções virtuais, uma vez que as ferramentas e os espaços da Internet permitem a qualquer pessoa o registro e a divulgação de suas obras, configurando uma democratização produtiva jamais vista. No entanto, Miranda não acredita que em função da web a autoria tenha se modificado de forma tão significativa. “A autoria sempre foi, em essência, coletiva, porque ninguém cria nada no vácuo. Toda vez que você se refere a um objeto, se refere a um conhecimento acumulado sobre esse objeto, do qual você participa mais profunda ou mais superficialmente na medida da sua capacidade de recuperar o conhecimento”.

E o que estaria mudando na autoria como conseqüência da virtualidade? Para o professor, apenas a dinâmica do processo de comunicação tem sofrido alterações. O processo é praticamente o mesmo, calcado num discurso, numa assimilação e numa reformulação que se intercalam de forma extremamente rápida e em direções incontroláveis, o que torna a informação cada vez mais perecível, uma vez que no momento em que ela é editada já pode ser reformulada. Também em função disso, o retorno do que se está produzindo é imediato, tanto quanto o contato com o público, já que o autor pode falar diretamente com ele, principalmente por ser o próprio editor do seu processo criativo, o que, para Miranda, é uma revolução extraordinária.


Credibilidade: o desafio da autoria digital

O pesquisador Antonio Miranda acha que o fato de na Internet o autor ser seu próprio editor não gera problemas quanto à credibilidade das informações e à fidedignidade dos fatos que chegam ao público. Para ele, o mundo impresso estava sujeito a esses mesmos perigos: “A diferença é que algumas instituições como o livro, o artigo científico ou um trabalho de congresso passavam por um processo de acreditação, de revisão pelos pares, do qual a web estaria livre. Mas, hoje, a internet está se organizando para que os textos que divulga também tenham um processo de avaliação. Se você entra num site de qualidade, ele sempre aponta para outros sites de qualidade. No fundo, há um processo de legitimação, que é mais espontâneo, mais natural. As pessoas que utilizam a internet querem a mesma confiabilidade que buscam em outras fontes. O que valia para o mundo impresso, acaba sendo válido para o mundo virtual”.

Para Miranda, esse processo de legitimação se dará tendo à frente a sociedade organizada, principalmente através de grupos de representação, em função de cujos questionamentos e exigências a qualidade dos conhecimentos e produtos virtuais poderá ser alcançada: “Por que hoje a gente fala tanto de grupo? Porque grupo é uma entidade, uma instituição. Então se você está em um grupo de discussão, a primeira pergunta que vem ao freqüentador daquela página é quem são as pessoas que estão ali, se aquilo tem credibilidade, se merece respeito”. E na opinião do professor, é esse respeito, tanto pelo usuário quanto pelo conteúdo ao qual ele tem acesso que pode garantir a evolução da autoria digital. “Provavelmente os visitantes de páginas do futuro vão procurar algum sinal que distinga o tipo de fonte na qual se baseia aquela comunicação”.

Tão natural quanto a busca pela veracidade das fontes pelos usuários do futuro, será a preocupação com a memória da humanidade diante dos registros virtuais que tanto podem mantê-la quanto deixá-la desaparecer, assunto que preocupa o pesquisador. “Como ficará essa massa documental fantástica que ingressa o tempo todo na internet se muitas das coisas que entram desaparecem com o tempo e ficam sem registro? É provável que a guarda desse material acabe sendo uma preocupação de governos e de instituições, da mesma maneira que nós preservamos os meios escritos, impressos. O problema é que esses meios de registro, por causa das mudanças de tecnologia, precisam ser reciclados permanentemente”.

Miranda acredita que as novas tecnologias exigem a constante migração dos conteúdos para novos formatos de registro. Em função dessas mudanças, o conceito de direitos autorais, por exemplo, tem encabeçado um dos mais complexos debates nos meios acadêmicos e editorais. Para o professor, as pessoas podem se apropriar livremente das produções alheias, citando as fontes ou não, o que faz parte do processo produtivo coletivo: “Provavelmente a lei venha a criar novas formas de reconhecimento de autoria, mas isso não está muito bem definido. Vamos ter um tremendo trabalho pela frente, porque a Internet é um espaço de menos competitividade e de mais solidariedade. É uma questão de cultura, de sentir que aquilo que está na internet pode e deve ser usado livremente por todos”.

Fonte: texto originalmente publicado na página 13 da seção cultura do “Jornal da Universidade” da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ano IX, Número 97, Abril de 2007. Reprodução sem fins lucrativos.

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* Alê Barreto é um administrador que gosta de arte, comunicação, cultura e entretenimento. Compartilha conhecimentos e suas experiências. Gosta de planejar e de meter a mão na massa. É também autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows.

Trabalha sua presença digital saudável nos blogs Alê Barreto, "Aprenda a Organizar um Show" e Encantadoras Mulheres.

Recomenda a todos que conheçam a Associação Brasileira de Gestão Cultural e o SEBRAE.

21-7627-0690 (Rio de Janeiro)
alebarreto@gmail.com

domingo, setembro 06, 2009

Hermeto Pascoal libera para gravação todas suas músicas gravadas


Foto de Hermeto Pascoal e Aline Morena/divulgação site Hermeto Pascoal


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


A maior parte da minha infância e adolescência eu vivi em Santa Maria, cidade do interior do Rio Grande do Sul. Muitas vezes eu me dirigi até as lojas de disco da cidade para escolher várias músicas de LP e deixar uma fita cassete, para passar no outro dia e pegar a seleção de músicas copiada. Era um serviço pago e assim eu levava para casa somente o que eu queria escutar. Eu imagino que isso deve ter acontecido em várias cidades do Brasil.

Depois, no fim dos anos 90, vieram as notícias da crise da indústria fonográfica. Copiar uma música para uso exclusivamente doméstico, que é o que todo mundo fazia no Brasil, seja indo a uma loja como eu fazia ou gravando as músicas que ouvia do rádio, além de proibido, passou a ser um ato lesivo contra os artistas. Nem todo mundo concordou com isso.

Na medida que começaram a surgir novos mecanismos de tecnologia da informação, tem crescido o número de artistas que acredita que não há problema ético ou dano financeiro para suas carreiras artísticas o fato de alguém ter acesso às suas obras musicais.

Não estou defendendo que todo mundo deve ser obrigado a colocar às suas músicas para download livre sem receber por isso. Na minha concepção, todo mundo é livre para disponibilizar ou não disponibilizar suas obras musicais. Acho importante é que artistas e produtores culturais independentes estejam atentos para um fato contemporâneo que está acontecendo e que muda o cenário da distribuição e comercialização da música.

E este fato de disponibilizar a música está se tornando tão comum que está extrapolando a fronteira do simples ato de escutar a música. Muita gente vem também autorizando as pessoas a gravarem suas músicas.

Para vocês se ter uma noção disso, compartilho abaixo a reportagem de Mariana Lacerda, publicada na revista A REDE, em julho de 2009, que considero um marco na história da produção cultural brasileira: o músico Hermeto Pascoal liberou, para gravações em CD, todas as suas 614 composições já gravadas.



Hermeto Pascoal quer sua obra difundida e libera todas as suas 614 canções para gravações em CD



Com um bilhete escrito de próprio punho, ilustrado pelo desenho de um sorriso, o músico Hermeto Pascoal deu o seu recado: liberou, para gravações em CD, todas as suas músicas já gravadas. São 614 composições. “Aproveitem bastante”, arremata ele, tornando-se protagonista de mais um capítulo da história dos direitos autorais, que toma novos rumos depois da internet.

O gesto de Hermeto firma o seu passo no território do que hoje se chama de cultura livre: aquela que defende que todo bem cultural, científico e tecnológico produzido pertence à sociedade – e não exclusivamente ao seu criador. “Já terminou o tempo em que as gravadoras tinham o direito de comercializar as minhas músicas, pois eu mesmo quis cancelar os contratos que tinha com elas”, diz Hermeto. Além disso, ele explica que a sua intenção é a de facilitar para que seus “amigos de som, os músicos” possam gravar cada vez mais a sua obra, “sem burocracias e sem custos”. O mesmo artista que, em 1973, gravou um disco com o nome de A Música Livre de Hermeto Pascoal, agora devolve ao mundo o que diz ter aprendido com ele: música.

Menino Criativo

“Meu nome é Hermeto Pascoal. Nasci em 22 de junho de 1936, no Olho d'Água da Canoa, estado de Alagoas. Sou filho de Pascoal José da Costa e Vergelina Eulália de Oliveira”, escreveu Hermeto, no prefácio de seu livro Calendário do Som (editora Senac e Instituto Itaú Cultural, São Paulo, 2004).

Seria improvável imaginar que, no interior nordestino, um filho de agricultores, albino e de olhos frágeis, pudesse se tornar um gênio da música, com discos gravados no Brasil e no exterior, reconhecimento mundial e agenda de shows, no auge dos seus 72 anos, mais do que concorrida. No entanto, foi ali, naquele canto de mundo, na época sem luz, água encanada nem nada, que o pequeno Hermeto encontrou aqueles que costumam ser os seus maiores parceiros musicais: pássaros, bois, porcos, cavalos, formigas, o barulho do vento, do mato, da chuva. Em uma de suas muitas histórias com animais, conta da vez que assustou vizinhos porque estava de ouvido no chão tentando escutar o ciscar de patas das formigas. Ainda menino, usou de um talo de um pé de jerimum (como é chamada a abóbora, em sua terra) para improvisar um pífano e tocá-lo para os passarinhos. Quando ia se banhar na lagoa, também se demorava tocando na água. As sobras do material do seu avô ferreiro iam parar num varal que, tilintando, gerava sons. Assim passou sua infância, recheada de histórias pitorescas.

O primeiro instrumento que Hermeto aprendeu a tocar foi uma sanfona, de oito baixos, de seu pai. Tinha entre sete e oito anos de idade. Com seu irmão mais velho, José Neto, passou a tocar em festas de casamento, forrós em pé de estrada. Revesava com o irmão a sanfona e o pandeiro. Em 1950, com 14 anos, foi para o Recife com a família e ganhou trabalho se apresentando em programas de rádio. Depois, com o irmão e o sanfoneiro Sivuca, ambos albinos, formou o trio O Mundo Pegando Fogo. Em 1958, Hermeto morava no Rio de Janeiro, tocando no trio Pernambuco do Pandeiro. Três anos depois, foi para São Paulo. Nessa época, trabalhando na noite, já sabia tocar piano e flauta com muita maestria.

No Quarteto Novo, fazendo parceria com Airto Moreira, Hermeto ajudou a música Ponteio, de Edu Lobo, a ganhar o primeiro lugar no 3º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967. A convite de Moreira e de Flora Purim, viajou para o Estados Unidos e gravou por lá dois discos, em que atuou como compositor, arranjador e instrumentista. Tornou-se amigo de grandes jazzistas, entre eles nada menos que Miles Davis, com quem gravou duas músicas: Nem um Talvez e Igrejinha, ambas no álbum Live Evil (1970), de Davis.

De lá até hoje, o tempo parece ter passado rápido para Hermeto, músico que chega a compor uma música por dia. Foram inúmeros shows pelo Brasil e pelo mundo, parcerias e histórias das mais diversas. Uma delas aconteceu em março de 1995, quando apresentou uma sinfonia no parque do Sesc Itaquera, na cidade de São Paulo. Para esse espetáculo, Hermeto inventou instrumentos gigantes, que foram distribuídos pelo parque. No mesmo ano, um convite da Unicef o levou à cidade de Rosário, na Argentina, onde se apresentou para duas mil crianças. Detalhe do concerto: os músicos tocaram dentro de uma piscina que, invenção de Hermeto, foi montada no palco.

Livre, na Internet
Não faz muito tempo que computador e internet eram assuntos pouco conhecido de Hermeto. Ao lado de Aline Moreira, sua parceira musical e de vida, ingressou no mundo digital. Aline organizou quatro sites com informações sobre as formações musicais do artista: Hermeto Pascoal e Grupo, Hermeto Pascoal Solo, Hermeto Pascoal e Big Band, Hermeto Pascoal e Orquestra Sinfônica, além, claro, do duo com ela, que se chama Chimarrão com Rapadura. Foi Aline, ainda, a responsável por apresentar ao artista a ideia de cultura livre – algo que, embora desconhecido, já soava tão familiar a Hermeto, que costuma dizer que suas músicas, quando prontas, são jogadas ao vento.

Aline responde aos e-mails endereçados a Hermeto Pascoal, como foi o caso desta reportagem à revista ARede. Ela agradece aos jornalistas por divulgar essa “tão generosa atitude de Hermeto”, se referindo ao seguinte recado deixado no site do artista: “O músico que desejar gravar um CD com algumas ou várias composições de Hermeto Pascoal já lançadas basta imprimir sua autorização, acessando a página “licenciamento” deste site!”. A página “licenciamento” nada mais é do que o bilhete escrito de próprio punho, liberando suas músicas para gravações totais ou parciais. O gesto remete, de alguma forma, a um pensamento que Hermeto expressou, em 1996, em outro recado, dessa vez rabiscado no rodapé de uma partitura (publicada no livro Calendário do Som): “A vida é linda porque estamos sempre juntos. Tudo de bom, sempre”.


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Recado especial para Hermeto, Aline e todos os músicos e pessoas que trabalham em sua produção:

Até na generosidade vocês são criativos! Parabéns por esta importante ação cultural.
Gostaria de um dia poder conhecê-los e aprender mais com vocês.

Um grande abraço,

Alê Barreto

sexta-feira, novembro 28, 2008

Cultura livre, negócios abertos



Artigo de Oona Castro, publicado no site Overmundo

Eles podem estar a um palmo do seu nariz sem que você tenha se dado conta: há cada vez mais casos de negócios abertos pelo País e muito pra se aprender com eles. Se você acha que nunca ouviu falar disso, provavelmente foi por falta de dar nome aos bois. Se matutar um pouco, descobrirá que, a despeito da terminologia, você conhece modelos de negócios abertos – ou “open business models”.

Definições

Esses modelos baseiam-se em algum tipo de commons. Open business é um modelo de negócio sustentável, sem geração de receita pelos direitos de propriedade intelectual, ou, por direitos autorais. A liberação do uso de uma obra pode se dar pela utilização de um instrumento legal como a licença Creative Commons ou por uma situação social, em que a ausência de estruturas de propriedade intelectual gera, na prática, o compartilhamento de conteúdo.

Em geral, as principais características de modelos de negócios abertos são a sustentabilidade econômica; flexibilização dos direitos de propriedade intelectual; horizontalização da cadeia de valor; ampliação do acesso à cultura; e contribuição da tecnologia para ampliação desse acesso.

Em Belém do Pará, por exemplo, o modelo de negócios da indústria local do tecnobrega não é aquecido pelo pagamento de direitos autorais advindo da venda de CDs. Movimentam o mercado da música paraense as casas de festa, shows, vendas nas ruas e as aparelhagens, maquinários tecnológicos enormes que protagonizam as festas do tecnobrega. Imagine o seguinte ciclo: 1) artistas gravam nos estúdios; 2) há quem selecione as melhores novidades e leve aos camelôs; 3) estes vendem por preços compatíveis com a realidade local e divulgam; 4) DJs tocam nas festas; 5) artistas fazem shows; 6) CDs e DVDs das apresentações são gravados e vendidos; 7) bandas, músicas e aparelhagens estouram na opinião pública e tudo volta ao início. Com isso vem o crescimento da produção musical, o aquecimento do mercado de trabalho e uma distribuição mais horizontal dos ganhos nas diversas etapas da cadeia produtiva.

O Projeto na América Latina

O tecnobrega é uma das experiências observadas e estudadas pelo projeto Open Business (www.openbusiness.cc) na América Latina. Nesta região, o projeto é liderado pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV DIREITO RIO em parceria com o Overmundo, e envolve pesquisas no Brasil, Argentina, Colômbia e México, com olhar focado sobre iniciativas na área de cultura. Os outros dois países que coordenam o mapeamento de experiências de negócios abertos são Reino Unido e África do Sul, com atenção voltada para modelos de negócios abertos na Internet e na educação, respectivamente.

Mas a indústria local da música paraense não é a única expressão de modelos abertos no Brasil, tampouco na América Latina. Pode parecer que não têm nada em comum, mas características de open business unem o funk, no Rio de Janeiro; o Espaço Cubo, no Mato Grosso; a Eletrocooperativa, na Bahia; o filme Cafuné, de Bruno Vianna; a Tortilleria, no México; o mercado cultural em torno do Merlín Estudios, em Medellin, ou a comercialização de champeta na Colômbia e Caribe; exemplos de jornalismo colaborativo ou social, como o Repórter Brasil, Carta Maior e o próprio Overmundo, isso para citar apenas alguns que pretendemos registrar.

No caso mexicano da Tortilleria Editorial, por exemplo, autores compartilham suas publicações na rede. Por meio de um software que gera o original para a impressão, eles podem copiar e vender suas próprias obras e a de outros autores que participam do projeto, sem pagar pelos direitos de propriedade. Paralelamente, suas obras podem ser igualmente distribuídas e comercializadas, sem o recebimento de qualquer valor referente à propriedade intelectual.

A idéia do projeto é assim compreender quais são os elementos que compõem mercados abertos, como e por que eles funcionam. Entre muitas questões que envolvem as iniciativas nessa direção, interessa a nós entender em que medida as novas tecnologias contribuíram para o aprofundamento e a disseminação desses modelos de negócios, como eles se organizam em relação aos direitos de propriedade, suas regras, os sistemas de incentivos, quem são os principais atores desses mercados e as características de seu público.

Leia o artígo na íntegra

sábado, novembro 22, 2008

O que se cria/copia




Texto de Rita Marisa Ribes Pereira, professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, publicado no site da TVE Brasil dentro do projeto "Escola e Produção Cultural", dedicado a refletir sobre as diferentes produções culturais e as formas como a escola se relaciona com elas.

“Nada se cria. Tudo se copia.” Quantas vezes já nos deparamos com essa sentença? Mas o que, exatamente, queremos expressar com ela? Uma insatisfação frente às novidades que já parecem conhecidas? Um desprezo pelo potencial inovador da cópia? Uma descrença no surgimento do novo? A espera de algo excepcionalmente original? No entanto, ao mesmo tempo em que olhamos desconfiados aquilo que se apresenta como cópia, nos deixamos seduzir pelo desejo de copiar – a moda da vitrine, a música de que gostamos, um texto que queremos distribuir para muitas pessoas, ou mesmo um modo de ser. Essa relação paradoxal de apego e desprezo ao que é copiado, de busca e descrédito a uma produção que seja, de fato, original, oferece questões bastante ricas para se pensar a respeito dos processos de criação nas mais diversas áreas da realidade humana. O que é, enfim, o novo? Como surge? Como nos relacionamos com ele? Quais os limites entre a criação e a cópia? O que é criar? Pode a cópia ser uma forma de criação? De onde vem essa relação ambivalente com o ato de copiar?

Um primeiro ponto que aqui convém destacar é que, uma vez que o ser humano é um ser eminentemente social e histórico, os modos de produção por ele criados também são, por natureza, históricos e sociais. Isso implica, por um lado, compreender que nem sempre produzimos do mesmo modo e que nem sempre nos relacionamos do mesmo modo com as obras que produzimos e, por outro lado, que nenhuma produção humana acontece de maneira isolada, mas deriva de uma base comum a todos os homens, que é a realidade social em que vivemos. Desse modo, ainda que cada esfera da atividade humana – a arte, a ciência, a política, a economia etc. – desenvolvam metodologias próprias e bem definidas em seu universo, todas elas se relacionam entre si, compartilhando elementos trazidos de um cotidiano vivo em permanente transformação. Por isso mesmo, o que lhes confere identidade é o modo singular com que cada área aborda essas questões que são comuns.

Pensemos um pouco sobre isso. Como se produz o conhecimento científico? Como nasce uma obra de arte, um filme, uma música, um desenho, uma caricatura? Como são construídas as leis? O que são as teorias científicas, as artes ou as leis se não respostas provisórias a questões que cada sociedade, formula, reformula, reinventa, em diferentes épocas, desencadeando inúmeros processos de criação? Desse modo, as transformações acontecidas na esfera cultural relacionam-se também com as modificações acontecidas no âmbito da base econômica, dito de outro modo, com as transformações e consolidação dos modos de produção capitalista.

É nesse contexto que buscaremos situar nossa reflexão sobre criação e reprodução, tomando como ponto de partida a contribuição do filósofo alemão Walter Benjamin (1987), que analisou as transformações dos modos de produção no contexto da arte, buscando não perder de vista a relação com as transformações na esfera econômica e social. Para o autor, o capitalismo representa não somente o surgimento de um novo modo de produção econômica, mas também o surgimento de uma nova ordem cultural. Pensemos um pouco sobre que transformações são essas: a substituição do trabalho manufaturado e artesanal pela produção seriada da linha de montagem, a presença da máquina no processo de produção, a fragmentação do trabalho e o envolvimento de um maior número de pessoas na produção, a redução do tempo de trabalho empreendido em cada peça produzida, a produção e reprodução em série de peças iguais, a relativização do tempo de durabilidade das peças produzidas que podiam, então, ser mais facilmente substituídas. Em contrapartida, transformaram-se também os modos de recepção dessas peças produzidas: diminuiu o tempo de espera para que elas ficassem prontas, tornou-se possível um barateamento do seu preço, podiam ser adquiridas por muito mais pessoas e em quantidades maiores, criou-se uma padronização e massificação do consumo.

Walter Benjamin observa essas transformações no campo da produção artística. Antes das modificações surgidas com o capitalismo, principalmente pelo desenvolvimento das técnicas de reprodução, as obras de arte se caracterizavam pela sua exclusividade e existência única. Só existe, no mundo todo, uma única Monalisa, uma única Vitória de Samotracia, um único Sarcófago de Tutan­kâmon ou as pirâmides únicas de Queópes, Quéfren e Miquerinos. Essa existência única fazia com que as obras de arte só pudessem ser vistas por um número muito restrito de pessoas, por isso mesmo, precisavam ser muito duráveis, para que ao longo dos anos pudessem ser contempladas. Sua unicidade, aliada à dificuldade de acesso a essas obras, acabou por gerar um tipo de relação com a arte que era sagrada, que seguia os rituais de um culto. Algumas obras inclusive só podiam ser vistas por pessoas iniciadas. Em função disso, o que caracterizava todas as obras de arte até então era a sua existência única e a sua durabilidade. Mas como compreender essa “existência única” se a Monalisa, por exemplo, pode ser vista em tantos livros, em capas de cadernos, camisetas, até mesmo em copos de requeijão? É no interior dessa questão que encontraremos o nascedouro de nossas desconfianças com a prática de “copiar” e a fidelidade à originalidade.

A cópia sempre esteve presente nos processos de criação artística, pondera Walter Benjamin. A imitação era uma prática comum utilizada como metodologia de ensino entre os artistas e seus discípulos, como forma de difusão da arte ou mesmo modos de obtenção de lucro. Nesse contexto, no entanto, toda cópia é uma imperfeição, o que coloca uma profunda distância entre a obra original e as reproduções que dela são feitas, pois mesmo a mais perfeita cópia não apreende algo que só se apresenta no original: a sua autenticidade – o aqui e agora da obra – elemento guardador da história e das transformações sofridas pela obra, seja ao longo do tempo, seja em suas relações de propriedade. É o que a obra tem de irrepetível que a torna única; apreendê-la significa também conhecer sua história.

Leia o texto na íntegra: http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2001/epc/epctxt1.htm

sábado, outubro 25, 2008

Portas abertas para as produções alternativas



Texto de Larissa Oliveira, Ana Paula Sardá e Ricardo Alexandre G. publicado no site www.dissonancia.com


“(...) Assegurar ao cidadão o pleno exercício do direito de acesso e uso do livro (...)”. É o que propõe a Lei Nº 10.753, ou a Lei do Livro, no seu artigo 1º, parágrafo I, que institui a Política Nacional do Livro, assinada em 30 de outubro de 2003. Contudo, a realidade do país é a de que poucos lêem, já que a média anual é de 1,8 livros por pessoa!

Publicar um livro no Brasil por muito tempo não foi fácil. Para o consumidor, o preço dos livros, proporcionalmente ao salário mínimo, sempre foi assombroso. Para quem produz, a grande questão é se dará ou não lucro significativo, e ainda, a divisão do mesmo entre editor e autor. Mas, antes de tudo, o conhecido dilema de ser necessário o interesse de alguma editora pela obra.

Fora dessa corrente, as ditas editoras independentes surgiram como alternativa para as dificuldades mercadológicas. As propostas são várias: produzir livros baratos, dar espaço para publicação de temas menos comerciais, ou mesmo oportunidade para quem não encontra espaço nas grandes editoras. Em algumas, mediante um orçamento - em que se considera tiragem, número de páginas, tipo de papel, entre outras coisas -, praticamente qualquer um pode publicar.

A Oikos é um exemplo de editora que atinge o público que têm dificuldades para ter sua obra publicada. “Várias pessoas nos pediam apoio logístico e legal na publicação de suas obras, de forma independente, especialmente na revisão, editoração e registro”, diz Erny Mügge, falando da criação da Oikos. Sobre o mercado, Mügge afirma que é difícil autores novos ganharem espaço nas grandes editoras, pois elas precisam vender bem para ter retorno, e os autores desconhecidos vendem pouco, ainda mais se não for feito um amplo trabalho de divulgação, o que custa caro.

A editora se responsabiliza pela diagramação, revisão ortográfica, arte-finalização, fornecimento de ISBN, ficha catalográfica e impressão. Depois de pronto, as informações do livro publicado vão para um catálogo virtual disponível em seu site, funcionando como forma de divulgação. O autor, numa das características do formato editorial independente, quase sempre fica com os direitos autorais das obras e aparece como peça responsável pela distribuição e comercialização das mesmas. “Um dos maiores desafios hoje está na distribuição de livros. Ela representa praticamente 50% dos custos. Isso faz com que o preço final de um livro fique efetivamente caro para o consumidor”, conta Mügge.

Leia o texto na íntegra

quinta-feira, outubro 16, 2008

Conheça o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos: Teatro Hip-Hop



Conteúdo extraído do site www.nucleobartolomeu.com.br


O Núcleo Bartolomeu de Depoimentos da Cooperativa Paulista de Teatro nasce em 1999, a partir do encontro de artistas de diversas áreas motivados pela idéia de concretizar uma obra cênica hibrida, criada e executada pelos diferentes pontos de vista desses artistas envolvidos.

O projeto era uma pesquisa inspirada na obra de Hermann Mellville "Bartleby, um escrituário", e deu origem ao espetáculo "Bartolomeu, O que Será que Nele Deu?", dirigido por Georgette Fadel; a partir deste primeiro resultado algumas pessoas da primeira pesquisa se sentiram motivadas a prosseguir;surge então um longo e forte processo (realizado por ocasião da ocupação do teatro arena no projeto “harmonia na diversidade” junto com mais três coletivos teatrais) que deu origem ao segundo espetáculo, "Acordei que Sonhava", livre adaptação de "A vida é sonho" de Calderón de la Barca, dirigida por Claudia Schapira.

Entre os anos de 2003 e 2004 – no período de finalização da ocupação do arena e da estréia do espetáculo “acordei que sonhava” , o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos desenvolveu o projeto "Urgência nas Ruas" - obras-manifesto, em forma de intervenções pelas ruas de São Paulo com o apoio da lei de fomento ao teatro para a cidade de São Paulo, dirigidas e escritas por Claudia Schapira.( ver link livro) A partir da observação das ruas, surge o quarto trabalho deste coletivo: a epopéia-híbrida-itinerante "Frátria Amada Brasil" – pequeno compendio de lendas urbanas , livre inspiração na odisséia de Homero para falar da busca de identidade do povo brasileiro através da mitologia híbrida de sua formação.


O Núcleo Bartolomeu de Depoimentos tem como foco de sua pesquisa de linguagem o diálogo entre a cultura hip-hop (com a contundência da autorepresentação como discurso artístico) e seus elementos: a dança de rua/break; o DJ – música; o mc/rapper, responsável e criador do improviso que gera ritmo e poesia – rap; artes gráficas/grafitti – feito pelo artista de rua, e o teatro épico com seus recursos: o caráter narrativo apoiado por uma dramaturgia que se configura depoimento do processo histórico, como instrumento que elucida uma concepção do mundo, e coloca o ator-narrador em face a si mesmo como objeto de pesquisa; como homem mutável; homem em processo, fruto do raciocínio, da reflexão. O Núcleo investiga e investe na formação do ator-mc (artista nascido a partir desse casamento estético), como potente interlocutor entre a verdade nua e crua do dia-a-dia e a obra de arte.


Tendo a legitimidade das ruas como um dos mais fortes pontos em comum, essa fusão de linguagens se afirma como terreno ideal para a expressão e reflexão sobre o mundo: seus conflitos; seus fatalismos, inoperâncias, aspirações e utopias.


Conheça o Núcleo

domingo, outubro 12, 2008

USP mapeia práticas de cultura livre em São Paulo



Conteúdo extraído do site Democratização Cultural


Uma pesquisa realizada pela USP – Universidade de São Paulo busca mapear as práticas de cultura livre na capital paulista e descobrir quem são os grupos e indivíduos que realizam atividades criativas que se encaixam no conceito de cultura livre. A pesquisa pretende apurar, também, qual é o entendimento de cultura livre dos grupos, assim como os tipos de licença que utilizam.

A pesquisadora Jhessica Reia, responsável pelo trabalho, disponibiliza um questionário on-line, que pode ser respondido por qualquer ator cultural da cidade, até o dia 30 de outubro de 2008, no site www.gpopai.usp.br/pesquisacl.

O termo cultura livre, que pauta a pesquisa, foi sugerido inicialmente por Lawrence Lessig, no livro de mesmo nome, lançado nos Estados Unidos em 2004 (no Brasil foi lançado em 2005, pela Trama). Lessig se refere às práticas culturais cujas obras são disponibilizadas por licenças alternativas que permitem a livre reprodução e distribuição, podendo restringir o uso comercial e a criação de trabalhos derivados. Para o livro, o autor buscou inspiração no movimento do software livre, criado na década de 80 por Richard Stallman para permitir a livre execução, reprodução e modificação de programas de computador.

No caso do livro de Lessig, os princípios do software livre foram transpostos para outras práticas culturais com a criação da Creative Commons, uma ONG que oferece ao público um conjunto de licenças de direito autoral que permite que os criadores autorizem o livre uso e reprodução das suas obras. A pesquisa desenvolvida na USP quer aferir os efeitos do software livre, do Creative Commons e de outras iniciativas semelhantes na cultura paulistana.

Até o momento, a pesquisa já identificou mais de 200 manifestações que se aproximam do conceito de cultura livre, de grupos de programadores, artistas plásticos, músicos e escritores. O mapeamento da comunidade de cultura livre da cidade será disponibilizado na internet para democratizar o acesso aos resultados.

Fonte: Assessoria de Comunicação da USP