Mostrando postagens com marcador projetos culturais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador projetos culturais. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, julho 03, 2023

Tem livro novo sobre elaboração de projetos: "Gestão Cultural e Mobilização de Recursos" de Daniel Bender Ludwig

Capa: Angela D. Ponsi


Por Alê Barreto


Uma das características deste blog é o compartilhamento do conhecimento. Sempre que fico sabendo do lançamento de algum livro relacionado às temáticas da produção e gestão cultural, faço questão de divulgar. 

Hoje vou falar um pouco sobre o livro "Gestão Cultural e Mobilização de Recursos: manual prático de elaboração de projeto" de Daniel Bender Ludwig. Fiz uma breve entrevista com ele, a qual transcrevo abaixo na íntegra.


Produtor Independente – Daniel, há poucos dias tomei conhecimento do lançamento do seu livro “Manual de Elaboração de Projetos”. A publicação chega em um novo momento da cultura no país, onde novamente passamos a ter um Ministério da Cultura e está em curso a operacionalização da Lei Paulo Gustavo. Qual foi sua inspiração para escrever este livro?

Daniel BenderAo longo dos anos, como  consultor e palestrante em cursos de elaboração de projetos e compreensão da Lei Rouanet, tive a oportunidade de compartilhar meu conhecimento com centenas de pessoas em cursos realizados em todo o estado. Agora, aos 57 anos e com mais de 30 anos de experiência nesse segmento, decidi retribuir um pouco do que adquiri e estou disponibilizando este manual gratuitamente. Meu objetivo é alcançar aqueles que estão realmente envolvidos na produção cultural, como produtores, dirigentes e artistas que desejam implementar seus próprios projetos. Com essa publicação, espero poder ajudar todos aqueles que estão iniciando neste campo, proporcionando-lhes acesso às informações e orientações necessárias.

 

Produtor IndependenteÉ preciso ter muita experiência para escrever e aprovar um projeto cultural?

Daniel Bender - A apresentação do projeto é altamente influenciada pelo contexto em que será realizada. No caso específico da Lei Rouanet, é imprescindível ter um entendimento profundo da legislação em vigor, assim como das suas respectivas Instruções Normativas. Essas diretrizes fornecem as bases para o processo de inscrição e são essenciais para garantir a conformidade do projeto. Além disso, é fundamental ter habilidades de escrita sólidas, a fim de comunicar de forma clara e concisa todas as informações necessárias nos campos específicos do formulário de inscrição.


Produtor Independente - Existem artistas que acham que escrever projetos é uma atividade que deve ser desempenhada somente por produtores ou gestores culturais. Qual é a sua opinião?

Daniel BenderÉ fundamental que todo artista compreenda o funcionamento do sistema de elaboração de projetos, mas é igualmente importante que eles possam se concentrar em sua arte e execução, sem a preocupação com as burocracias envolvidas. Nesse sentido, é papel do produtor cultural assumir a responsabilidade de realizar o serviço de elaboração de projetos.

Ao permitir que os artistas se dediquem plenamente à sua expressão artística, os produtores culturais assumem o papel de intermediários, traduzindo as ideias e visões artísticas em projetos viáveis e em conformidade com os requisitos legais e administrativos. Essa divisão de tarefas permite uma melhor organização e eficiência na realização de projetos culturais.

 

Produtor Independente - Todo livro estabelece um novo referencial para os conhecimentos que está abordando. Qual a sua visão com relação ao impacto que seu livro poderá trazer para o sistema cultural brasileiro?

Daniel Bender - Sempre me empenhei em transmitir o entendimento da elaboração de projetos culturais de forma simples e prática, visando permitir que tanto os iniciantes quanto os mais experientes compreendam como criar um projeto de forma eficiente, sem que isso se torne um processo tedioso e complexo.

Meu objetivo é contribuir para a quebra desse paradigma, para que tenhamos profissionais eficientes na área cultural, capacitados a desenvolver projetos com agilidade e eficácia. Acredito que, ao desmistificar a elaboração de projetos, posso empoderar os envolvidos nesse segmento, capacitando-os a transformar suas ideias em realidade de maneira mais acessível e descomplicada.

Compartilhar meu conhecimento e proporcionar recursos que facilitem a compreensão e execução de projetos culturais é a minha forma de contribuir para o fortalecimento e desenvolvimento desse setor tão importante para a sociedade. Juntos, podemos romper barreiras e promover uma cultura de eficiência e sucesso na elaboração de projetos.


Produtor Independente - Por fim, fale um pouco sobre o trabalho que você desempenha e como as pessoas podem acessá-lo.

Daniel Bender - Sou historiador e me tornei especialista em elaboração de projetos para mobilização de recursos, consultor de Cultura e Terceiro Setor. Trabalhei como parecerista para projetos encaminhados para a Lei Rouanet e editais em vários estados brasileiros. Atuo também como palestrante. Tive a honra de participar como diretor da implantação e gestão da Lei de Incentivo à Cultura do Rio Grande do Sul.

Como especialista em elaboração de projetos com incentivos fiscais federais, como a Lei Rouanet, Esporte, Fundo da Criança e Idoso, assim como incentivos estaduais, como LIC, Esporte e Solidariedade, possuo um amplo conhecimento sobre os requisitos e trâmites necessários para viabilizar recursos tanto por meio de emendas parlamentares, Transferegov (antigo SICONV), quanto por meio de editais públicos e privados.

Como consultor venho prestando suporte a diversos produtores, organizações sociais e municípios na busca por incentivos necessários para a concretização de seus projetos culturais. Também fui consultor para o município de Gramado na criação de legislação de enquadramento junto ao Sistema Nacional de Cultura, visando à regulamentação e implementação dos Fundos de Apoio à Cultura.

Com minha experiência e conhecimentos abrangentes, estou comprometido em contribuir para o fortalecimento e desenvolvimento da cultura, fornecendo orientações e soluções estratégicas para tornar projetos culturais uma realidade bem-sucedida.


Para baixar o livro acesse "Gestão Cultural e Mobilização de Recursos" 



*************************************





* Alexandre "
Alê" Barreto é Administrador de Empresas, MBA em Gestão Cultural, Mestre em Educação Profissional e Tecnológica. É apaixonado por temas relacionados a estratégia e gestão. Acredita que Arte e Cultura são motores da Inovação. Adora gerenciar projetos e trabalhar com equipes criativas. Criou em 2006 o "Produtor Independente", um dos primeiros blogs sobre produção e gestão cultural no Brasil. Atualmente é professor no Centro Universitário Uninorte (Rio Branco/AC), está cursando especialização em Product Management e especialização em Gestão de Projetos. E está buscando novo desafios! Seu mais novo projeto é @aprendaserpratico

terça-feira, junho 10, 2014

Afinal, de quem é o projeto?




Por Alê Barreto*

alebarreto@gmail.com


Neste mesmo momento, em vários lugares do Brasil, alguém está ansioso porque descobriu um edital que pode financiar a sua ideia, mas a ideia precisa estar detalhada na forma de um projeto, o prazo para o envio do projeto termina em uma semana e a pessoa não tem experiência ou não se sente segura para escrever. Já viu alguma situação parecida?

Então a pessoa começa desesperadamente a procurar alguém que escreva o projeto. Lembrando: ela tem uma ideia. Uma ideia talvez com alguma vaga noção de orçamento e alguns detalhes sobre como será sua execução. Mas, acima de tudo, não é um projeto, algo que uma comissão avaliadora leia, entenda a proposta e possa considerar que possui viabilidade técnica, ou seja, que é possível de acontecer.

Aproveitando a febre de estímulo a projetos no Brasil (leia-se “estímulo a produção de grande quantidade de projetos", independente se significam uso do direito público ou privado com qualidade e se estão em sintonia com as demandas da sociedade), a pessoa começa desesperadamente a ativar sua rede de contatos: “preciso de alguém que faça projetos! Indiquem-me alguém!”.

Ela encontra alguém. Na sua mente, é uma pessoa que vai só “formatar o projeto”. Como se fosse pegar um documento no Word e colocá-lo de acordo com as normas da ABNT (que também dá trabalho).

A pessoa que vai escrever o projeto, sabe que está pegando algumas ideias, mas que cabe a ela:

- editar o texto (estabelecer um alinhamento, uma coerência, nexos, corrigir o português);

- escrever textos que sejam necessários e não existam, com detalhes solicitados pelo edital;

- revisar textos (título, objetivo, justificativa, cronograma, plano de ação, pré-produção, produção e pós-produção (ou finalização), distribuição de produtos e serviços, divulgação, respeito à legislação de propriedade intelectual, orçamento (limites de rubricas, o que pode ser financiado e o que não pode ser financiado), currículo de equipe técnica e documentação, normas de acessibilidade, contrapartidas sociais (quando houver), todas e quaisquer normas do edital).

A pessoa que contrata alguém para elaborar o projeto, apesar disso tudo, julga que o projeto é seu, pois o projeto será inscrito com os seus dados. Ela será a proponente do projeto. Ela que prestará contas sobre o dinheiro solicitado.

Contudo, ficou combinado que haverá nos materiais gráficos do projeto um crédito para o trabalho de planejamento do projeto, que pode ser o nome do profissional que elaborou, o nome de sua empresa, sua logomarca, site, blog, etc.

O projeto é aprovado, o patrocínio é obtido e o projeto realizado. Ocorrem problemas na realização do projeto. Ocorrem problemas na hora de prestar contas.


Começam a correr notícias de que "o projeto do fulano deu problema..."

A pessoa que teve a ideia, que neste nosso caso também é a proponente, divulga para todos que os problemas são culpa da pessoa que fez o planejamento do projeto.

A pessoa que elaborou o projeto explica que o projeto foi feito em conjunto com seu idealizador, que todas as partes do projeto e valores financeiros tiveram participação e aprovação do idealizador e que a execução do projeto é de inteira responsabilidade deste idealizador, que é o proponente do projeto.

Afinal, de quem é projeto?




******************************************************************************************************


Leer también el libro "Aprende a Organizar un Show"


Fascículo 1 portugués (Fazer produção, que bicho é esse?) o español (“Hacer la producción”, ¿qué diablos es eso?)

Fascículo 2 - portugués (As Etapas de Produção do Showo español (Las etapas de un show)



******************************************************************************************************


Alexandre Barreto, mais conhecido como “Alê Barreto”, é um profissional multifuncional. Administrador de empresas, gestor de pessoas, gerente de projetos, produtor executivo, consultor, criador de conteúdo, professor e palestrante. 
Atualmente é um dos gestores do Grupo Nós do Morro no Rio de Janeiro (RJ) juntamente com a cineasta e roteirista Luciana Bezerra e está em fase de conclusão do MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ). Sua monografia é sobre carreira artística e criativa e conta com a orientação da consultora Eliane Costa.   Leia mais