
Arquétipo da força
Por Alê Barreto
Administrador, produtor cultural independente e palestrante
Uma das coisas que mais acontecem com quem decide trabalhar como produtor cultural ou que atua em gestão e captação de recursos para a cultura é receber convite para trabalhar num projeto de alguém que não acredita muito em sua própria ideia. Eu recebo vários destes convites.
No início, eu embarcava em várias destas situações. Hoje não faço mais isso.
Estes tipos de trabalho não me trazem crescimento. Geralmente são propostos por pessoas que acreditam que um produtor cultural deve "servir" um artista, conceito que discordo radicalmente. Eu não decidi ser produtor para ser babá ou mordomo de artista. Além disso, produzir não é uma função menor do que criar. Indo mais além: quando se pensa na construção de uma sociedade mais equilibrada e harmônica, desaparece a ideia de que "os artistas são especiais". Todas as profissões são especiais.
Decidi utilizar a minha formação de administrador para trabalhar como um produtor cultural independente, para obter a renda da minha sobrevivência através da prestação de serviços para pessoas ou organizações interessantes e autônomas, que entendem a necessidade de se contar com um profissional especializado para se realizar uma ação cultural. Quando me refiro a "pessoas ou organizações interessantes e autônomas" estou falando daquelas que realizam aquilo que se propõem. São as que colocam em prática boa parte de suas ideias antes de conhecer um produtor ou captador de recursos. Estas me proporcionam muito aprendizado.
Quem acredita em uma ideia, dá o primeiro passo. E o primeiro passo não é tentar uma vez e desistir. O primeiro passo é persistir realizando o que se acredita, ao longo do tempo, apesar dos obstáculos.