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sábado, janeiro 23, 2010

Ser independente é ser autônomo





Alê Barreto (Saiba mais sobre este blog)

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Quando algum projeto, rede, associação, ONGs, iniciativa pública ou privada falar em seu discurso que é independente e que promove a autonomia, deve praticar e difundir os seguintes princípios: autoconhecimento, autoestima e autorregulação.

Assista o vídeo do projeto Frutos do Brasil com o filósofo e educador colombiano Bernardo Toro e entenda um pouco mais o que são estes princípios.

domingo, janeiro 11, 2009

Autoconhecimento e avaliação de riscos contribuem para a gestão de sua carreira artística


Foto: Bruno Torturra Nogueira


Por Alê Barreto

Depois de várias semanas com a última Trip na mão, aproveitei o domingo ensolarado do Posto 9 na Praia de Ipanema e li uma das reportagens de Bruno Torturra Nogueira que mais impacto me causou nos últimos tempos. Ela me abriu novas possibilidades.

A matéria intitulada "Rumo à Próxima Parada" foi realizada em Okalahoma city, Estados Unidos, onde Bruno capturou o momento atual do músico e compositor Rodrigo Amarante. Você deve estar pensando: "claro, o cara ganhou muita grana na época dos Los Hermanos, agora está só aproveitando". Mas ele está fazendo o que eu e muitas outras pessoas acreditam: trabalhando. A vida pode acontecer se você se implicar para que isso ocorra.

Com uma agenda de 30 shows, durante 38 dias, percorrendo 29 cidades, o músico não está lá graças há um excelente contrato, acertado previamente no Brasil por um agente artístico. Que fique aqui bem claro que não tenho absolutamente nada contra um agente artístico. Acho que este profissional é fundamental na economia da cultura, quando exerce suas atividades com ética e responsabilidade sócioambiental. Estou destacando isso porque é fácil a gente buscar na mente uma resposta fácil para tudo.

Rodrigo Amarante, sua mulher, Bink Shapiro (tecladista e cantora) e Fabrizio Moretti (baterista dos Strokes) alugaram uma van e estão fazendo shows em lugares cuja entrada é US$ 8 e a cerveja US$ 3, como diz Bruno, "(...) coisa de 40 pagantes, mais duas bandas no line-up". Eles carregam os cases e amplificadores, montam e desmontam o palco.

Tudo isso se resume a uma frase que Rodrigo compartilha conosco com muita propriedade:



Há muita coisa boa nessa entrevista, já li duas vezes e após dar uma respirada, vou ler de novo. Destaco três aspectos muito importantes:

- o músico teve coragem de sair de uma situação confortável para correr o risco de fazer o que acredita; ele parece ser uma pessoa que busca muito o autoconhecimento;

- ele tem noção da importância de ser reconhecido, mas não fica parado esperando a crise passar; pelo contrário, está nos Estados Unidos na maior crise econômica que eles já passaram desde a Grande Depressão Mundial em 1929.

Então me veio à mente as palavras do produtor Paulo André, que em 2007, lá em Porto Alegre, falou num debate que fez viagens para Europa com o Chico Science & Nação Zumbi no esquema "mochileiro".

Eu não quero aqui vender a idéia de que a solução da distribuição de shows no mundo é ser um mochileiro. Mas, se for feita uma boa avaliação de riscos, pode ser uma forma de avançar na sua carreira sem ficar somente dependendo da sua capacidade de vender um projeto para um patrocinador ou de conseguir aprová-lo em alguma lei de incentivo. Eu acredito que a atitude é o melhor marketing que alguém pode fazer.

Quem se interessar pela possibilidade de fazer shows como um "mochileiro", mas um mochileiro que costuma planejar sua caminhada, pode encontrar dicas muito legais para a logística das viagens no site O Viajante.



Bom, o principal é realmente ler a entrevista na íntegra. Boa leitura! Reflita sobre o assunto, vale a pena.

Parabéns ao Bruno Torturra e toda equipe da Trip!

sexta-feira, outubro 17, 2008

Trabalhar com produção cultural independente exige paciência

Trabalhar com cultura é uma construção. Exige muita reflexão e autoconhecimento.

Pensando nisso, gostaria de compartilhar, com fim exclusivamente didático, o excelente texto da Roberta De Lucca, publicado na Revista Vida Simples, nº 71, de outubro de 2008.


HAJA PACIÊNCIA

Estou sentada diante de meu interlocutor. Atrás dele há uma parede tomada por uma estante que vai do piso ao teto. Nas prateleiras se amontoam obras de referência em psicologia e psicanálise, filosofia, religião, arte. A estante e os livros chamam a atenção e quase não percebo o que mais há na sala. Até meus olhos serem pegos por quatro fotos penduradas, uma ao lado da outra, na parede oposta. Retratam uma árvore nas diferentes estações do ano, inverno e verão, outono e primavera. Vejo as imagens, penso na passagem vagarosa do tempo e entendo um pouco mais sua importância no exercício da paciência – o tema desta reportagem, que me levou àquele consultório para conversar com Esdras Vasconcellos, professor de psicologia da USP e da PUC-SP e diretor do Instituto Paulista do Estresse.

A paciência, me diz ele, é uma atitude humanista. Ser paciente é entender e aceitar a si mesmo e aos outros, e uma virtude necessária para a vida equilibrada, serena. A definição é poética, envolvente, mas penso em como ser assim nos dias atuais. Questiono como é possível alcançar esse estado de espírito e comportamento, dentro dos padrões que exigem muito e oferecem tão pouco para o bem-estar individual. Dá para ser paciente com a pressão no trabalho? Com o caos dos centros urbanos? Com fila? Com as outras pessoas?

Claro que dá.... Desde que fique bem entendido que ser paciente é questão de opção e treino. Opção porque decidimos abrir ou não espaço para o que desperta impaciência. Aquele colega de trabalho que é meio devagar para achar um arquivo no computador, ou que raciocina meio segundo mais lento que você, pode, ou não, ser o motivo da sua impaciência – depende de como você reage à maneira de ele ser. Há pessoas com estrutura de personalidade não reativa e reativa. Há quem não se abale por pouca coisa e disponha de uma grande reserva de paciência dentro delas. Outras são predispostas à reação automática, na base do toma lá, dá cá. "A atitude da mente reativa deixa as pessoas impacientes", afirma a psicóloga Bel César. Alguém age de maneira que o incomoda, sua resposta imediata é a defesa, o ataque, a irritação. Em suma, a impaciência. O segredo é saber como lidar com o processo reativo.


Falta de reflexão
Pense um pouco num dia típico. Trânsito, caixa de e-mail lotada, reunião e, na agenda, uma lista enorme de atividades a serem cumpridas num mísero espaço de tempo. Esse modo de vida, que exige fazer muito em pouco tempo, é tanto o trampolim para o desenvolvimento profissional como um salto sem redes que pode levar qualquer um ao vácuo da insatisfação interior, ao tremor do estresse, ao abalo das relações com os outros e consigo.

Cerca de 30 anos atrás, o trabalho era hierarquizado, com funções e tarefas bem definidas. Hoje o trabalho é em equipe, com diversos graus de chefia e prazos cada vez mais rigorosos. "Embora o treinamento empresarial ensine a ser combativo, pouco fala da reflexão", diz Alexandre Santilli, diretor do Lab SSJ, empresa especializada no desenvolvimento de pessoas para o mundo corporativo. Aquele momento mágico de olhar a situação de fora e tentar ver todos os seus aspectos para encontrar a melhor solução. A falta desse olhar pode gerar ansiedade, tomadas de decisão meio "tortas", irritação e impaciência – com o chefe, os colegas e até com a moça que serve o café.

Nas aulas do professor Antônio Sauaia, que leciona a disciplina Modelos de Negociação na Faculdade de Economia e Administração da USP, equipes distintas competem entre si para resolverem problemas cabeludos que enfrentariam no dia-a-dia. "Nem sempre os melhores alunos são os mais velhos e experientes. Alguns consigo a ansiedade e acabam observando os demais da equipe. Já os menos experientes às vezes dão melhor, porque combinam menor conhecimento com paciência e trabalho em equipe."

Ritmo próprio
Claro que se, a pressão fosse menor, a vida seria mais fácil. Só que, com esse formato de "mais com menos", é quase impensável parar para refletir, observar o furacão de fora. Mas não é impossível viver assim. "É preciso desenvolver a noção do tempo de resposta, entender como ele funciona nas pessoas e ter disponibilidade para compreender o que há por trás de cada um", diz Alexandre Santilli. Preste atenção, porque o empresário acaba de apresentar um horizonte humanista. A relação com o outro (em qualquer nível) requer uma atitude que demanda paciência: o esforço de nos colocarmos no seu lugar para compreender o que se passa com ele e seu tempo de reação. E essa exigência de paciência também é com você, porque não é fácil desligar a chave geral da correria para viver um momento humanista.

Aqui damos mais uma volta no parafuso que sustenta a dobradinha "escolha e treino", abordada parágrafos atrás. O desenvolvimento da paciência começa com você olhando para o umbigo, mergulhando em si próprio para tentar entender o que o deixa impaciente, o que aquela pessoa (ou situação) tem ou faz que abala a sua tranqüilidade. Quem sabe a resposta surpreenda: talvez não seja ela o problema.

Quem sabe é você, com o pavio no toco da vela, que não consegue administrar seu nível de irritação.

"A paciência está ligada ao tempo e ao ritmo de cada um. As pessoas devem prestar atenção, porque em geral passam por muitas coisas sem enxergá-las", afirma a psicóloga Neusa Sauaia, que atende executivos acostumados a reclamar da impaciência, da pressão e da falta de tempo, entre outras lamúrias. A esses estressados, a terapeuta mostra que impaciência é uma forma de autoviolência, porque eles não se ouvem para saberem o que querem, do que gostam. "Eu os aconselho a criar um mecanismo que lhes permita terem tempo só para si. Como se tirassem férias de cinco minutos ou meia hora todos os dias."

Leia o texto na íntegra