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terça-feira, dezembro 21, 2010

Conheça o Guia de Produção do Rock Salvador 2010 e construa o guia de sua cidade




Por Alê Barreto*


No mês de agosto, recebi um e-mail da Clara Marques Campos, de Salvador:



Neste e-mail, a Clara falava do seu trabalho de conclusão do curso de jornalismo. Como recebo muita correspondência de estudantes, devo ter me distraído e esquecido de olhar com mais atenção.

Ontem abri o e-mail novamente e tive o prazer e a satisfação conhecer o Guia de Produção do Rock. Nele você vai encontrar os contatos dos prestadores de serviço da música em Salvador, organizados nas seguintes categorias:



estrutura e técnica, gravação e distribuição, agenciamento e promoção, mídia e circulação.

O guia conta também com o prefácio de Leonardo Costa, pesquisador que atuou também no mapeamento da formação em organização cultural no Brasil, e com artigos inteligentes e provocantes.

Frases que na primeira leitura me chamaram a atenção:



Luciano Matos, jornalista e blogueiro, atua na cobertura do cenário baiano e brasileiro, em "O Rock baiano e sua realidade quase desconhecida";




Jorge Solovera, produtor musical, arranjador e engenheiro de som em "Tem um cabo aí, cara?";




André t, produtor musical, multi-instrumentista, engenheiro de gravação e mixagem em "Produção Musical";




Chico Castro Jr., jornalista do Caderno 2+ do Jornal A Tarde em "Duas ou três coisas que aprendi num dia qualquer de setembro de 1984";




Cássia Cardoso, produtora de eventos, shows e festivais, membro fundador do Coletivo Quina Cultural em "Coletivo e Coletividade em uma Rede Chamada Bahia".


Está também de parabéns o projeto gráfico e design de Edileno Capistrano Filho.


Tá na hora das pessoas meterem mais a mão na massa. A Clara e as pessoas que participaram do Guia estão de parabéns. Salvador está de parabéns. Mostraram mais uma vez que o estereótipo de que o baiano é lento não é verdade. Fizeram algo que muita gente que está perdida em um emaranhado de infindáveis processos burocráticos, conferências e reuniões em busca da organização do setor cultural brasileiro não conseguiu: ação prática, objetiva, útil, em linguagem acessível e que serve para todos e não apenas para quem é do coletivo, associação, ONG, movimento social ou partido. Espero que várias cidades (inclusive RJ e SP) se inspirem nesta iniciativa.

Conheça o guia: www.guiadeproducaodorock.com.br


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* Alê Barreto é um administrador que gosta de arte, comunicação, cultura e entretenimento. Compartilha conhecimentos e suas experiências. Gosta de planejar e de meter a mão na massa. É também autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows.

Trabalha sua presença digital saudável nos blogs Alê Barreto, "Aprenda a Organizar um Show" e Encantadoras Mulheres.

Recomenda a todos que conheçam a Associação Brasileira de Gestão Cultural e o SEBRAE.


21-7627-0690 (Rio de Janeiro)


alebarreto@gmail.com

segunda-feira, outubro 11, 2010

Produtor Afonso Oliveira lança o livro "Método Canavial - Introdução a produção cultural" na Livraria Cultura de Recife




Por Alê Barreto*


Uma das melhores formas de um produtor cultural independente iniciar sua semana é na segunda-feira perceber que vivemos num país cada vez mais livre, que repudia cada vez mais o autoritarismo. O debate entre os candidatos à presidência da república Dilma e Serra é um bom sinal. Temos muito que avançar, pois os interesses dos grupos organizados que apoiam os dois candidatos acaba criando muitos pontos de tensão e de comunicação violenta, nem sempre agradáveis para os eleitores. Mas a vida não é assim? Me parece que no dia a dia temos vários momentos de tensão e vários momentos em que o diálogo fica mais agressivo. Cabe a nós aprendermos como modular o diálogo, aproveitando as boas possibilidades que ele traz e reciclando o que necessita ser resignificado.

Se por um lado nos envolvermos com o debate das eleições 2010 nos torna um povo mais consciente, mais livre, o próprio debate e o conteúdo das propostas discutidas (ou não discutidas...) nos mostra que é preciso uma ação política de continuarmos investindo em duas áreas que sempre foram percebidas como supérfluo, mas que permitem nos desenvolvermos: cultura e educação. Investir nisso, pressupõe investimentos em construção de escolas, cursos, universidades. Mas antes disso, é necessário se investir em formação de multiplicadores, de profissionais que possam ocupar estes espaços e ampliar o raio de ação da educação e da cultura. Para isso, a produção de novos conteúdos educativos é fundamental. E é justamente esta a segunda boa notícia de hoje. Temos mais um livro sobre produção e gestão cultural no Brasil, escrito por autor brasileiro.

Daqui alguns instantes, às 19h, a editora Reviva estará lançando o "Método Canavial - Introdução a produção cultural" na Livraria Cultura de Recife. Esta ação cultural contará com a presença do escritor Afonso Oliveira, que conheci rapidamente em dezembro de 2005, no Mercado Cultural em Salvador, na Bahia, e com a presença dos professores Isa Trigo (Uneb), Biu Vicente (UFPE/Editora Reviva), Orquestra Filarmonica 28 de junho, Mestre Zé Duda e o Terno do Maracatu do Estrela de Ouro.

Não li ainda o livro, mas tenho muita vontade de conhecer seu conteúdo. Digo isso porque o fato de termos mais um livro sobre produção cultural significa que temos novos olhares e novas possibilidades para nossos fazeres culturais. Além disso, no material de divulgação da Associação Reviva, há menção de que o produtor Afonso Oliveira estimula as pessoas a se tornarem produtores culturais e que estes sejam profissionais cuidadosos com a arte, noção que inspira e também guia o meu trabalho.

Segundo suas palavras:

“O surgimento de um ponto de cultura pode ser comparado a produção de uma gola de maracatu. Para dar aquele brilho e forma final é preciso cumprir todas as etapas com dedicação e muito trabalho. Método Canavial representa a apropriação dos meios de produção cultural nas mãos das comunidades e coletivos sociais que produzem a cultura local. Dessa forma uma comunidade ganha autonomia, promove, produz e difundi sua cultura. Os coletivos culturais brasileiros, precisam participar das rádios comunitárias, produzir seus próprios festivais. A autonomia da produção cultural passa por isso. O livro pretende contribuir não apenas para a formação técnica, mas também para formação libertária”.

Assim como é importante estarmos atentos a questão da sustentabilidade, muito bem trabalhada no festival SWU, é importante que os produtores culturais independentes complementem sua formação entendendo o que significa uma comunidade, uma cultura local, uma rádio comunitária. Tudo isso possibilita a independência, autonomia e a interdependência.

Quem estiver em Recife e puder assistir, corra que ainda dá tempo. Afonso Oliveira é coordenador do Pontão de Cultura Canavial – Agência de Projetos Culturais, em Nazaré da Mata – PE, professor do Curso de Produção das Culturas Populares, produtor e consultor de diversos projetos na Zona da Mata Norte de Pernambuco.

Saiba mais sobre o lançamento do livro


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* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto e valoriza encantadoras mulheres.

21-7627-0690 (Rio de Janeiro)
alebarreto@produtorindependente.com

domingo, outubro 25, 2009

Cultura é a nossa arma




Por Alê Barreto (produtor cultural independente)

Há um ano atrás, no dia 14 de outubro, tive o privilégio de assistir no Itaú Cultural, em São Paulo, um debate com Damian Platt, Jorge Luis Passos Mendes (o "JB", mediador de conflitos no AfroReggae) e Edson Natale, por ocasião do lançamento do livro "Cultura é a Nossa Arma - AfroReggae nas Favelas do Rio", de autoria do próprio Damian e também de Patrick Neate.

Um ano após o lançamento deste livro, assisti a entrega do Prêmio Orilaxé no Teatro Carlos Gomes, aqui no RJ, sensibilizado e perplexo com a trágica morte do Evandro, coordenador do AfroReggae, uma pessoa muito correta e trabalhadora que conheci durante reuniões preparatórias do projeto Rebelião Cultural. Desde março este projeto desenvolvido em parceria pelo AfroReggae, Nós do Morro, CUFA e Observatório de Favelas está levando oficinas culturais aos presídios de segurança máxima do Rio de Janeiro.

Neste domingo lembrei deste companheiro, deste verdadeiro produtor cultural independente e gostaria que as pessoas que estudam produção cultural conhecessem um pouco mais sobre o trabalho desenvolvido pelo AfroReggae, descrito neste livro.

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"(...) essência do que é ser humano: usar a capacidade de transcender uma situação extremamente desumanizadora, manter a liberdade interior e, desta maneira, não renunciar ao sentido da vida, apesar dos pesares".

(trecho do livro "Em busca de sentido: um psicólogo no Campo de concentração" de Viktor E. Frankl, sobrevivente de um campo de extermínio nazista)

sábado, julho 11, 2009

Aprofunde seus conhecimentos sobre o setor cultural no Brasil através do Sebrae




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Após falar na primeira semana de julho sobre a importância do prazer na produção cultural, tema que particularmente mexe muito comigo, parei de escrever por uma semana e refleti sobre o assunto.

Tentei lembrar o que eu fazia (e faço) para driblar as dificuldades e atingir os meus objetivos. Percebi que uma das alternativas é não aceitar cegamente o que as pessoas me falam sobre o setor cultural. Procuro sempre investigar as informações que encontro. Numa destas investigações, cheguei até o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Trata-se de uma entidade privada sem fins lucrativos que tem como missão promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos empreendimentos de micro e pequeno porte.

O que tem a ver empreendimentos SEBRAE com produção cultural independente? Anote bem em sua agenda: tudo. Uma parcela considerável dos projetos e ações culturais que acontecem no país integram os 14,8 milhões de micro e pequenas – 4,5 milhões formais e 10,3 milhões informais – que respondem por 28,7 milhões de empregos e por 99,23% dos negócios do país. Toda vez que você quer fazer um show e pede apoio cultural para que um restaurante forneça alimentos e bebidas para o camarim, você está entrando em contato com uma pequena empresa. Toda vez que você vai ao escritório de um empresário ou produtor cultural, você está entrando em contato com uma pequena empresa. Toda vez que você, mesmo estando trabalhando no que não gosta, gasta o seu tempo pensando em como poderia abrir um negócio em que pudesse trabalhar 100% do seu tempo com cultura, você está pensando na palavra "empreendimento".

Chegar até o SEBRAE é muito mais fácil do que a gente imagina. Comece pelo site. Ao digitar www.sebrae.com.br você se depara com esta tela:





Para começar, leia um pouco sobre o trabalho do Sebrae clicando em "institucional".

Depois, clique em "setores" e selecione "cultura e entretenimento".



Aqui você poderá navegar e acessar muitas informações importantes sobre o setor e o cenário atual da cultura no país.


No item "panorama" você irá encontrar os textos




"um setor de potencialidades",





"Termo de referência para atuação do sistema Sebrae na Cultura e Entretenimento",




"dez dicas para empreender na cultura",




e o livro "Cultura: ferramenta de desenvolvimento".


No item "gestão", você irá encontrar os textos




"Mapa da gestão cultural",




"O gestor cultural",





a entrevista com o administrador, produtor e gestor cultural, Romulo Avelar,




O livro "Territórios em Movimento: cultura e identidade como estratégia de inserção competitiva", que aborda experiências de desenvolvimento econômico e social de territórios por meio da dinamização de saberes locais e da valorização da identidade.




e o link para a biblioteca online sobre cultura e entretenimento.


Há mais informações. Mas o importante é dar o primeiro passo. Comece a ler, conheça mais sobre o setor cultural e visualize novas possibilidades para fortalecer sua ação cultural.

quinta-feira, junho 18, 2009

"Diário de Produção - Relatos, dicas, experiências e casos de quem aprendeu a produção cultural na prática"


Cena da peça "Frida: uma mulher de pedra da luz à noite"/divulgação


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Comecei a pesquisar publicações relacionadas a prática da produção cultural em 2003, ano em que comecei a trabalhar como produtor cultural independente.

Na época, quase não existiam obras sobre o assunto no Brasil. Os raros conteúdos que encontrava, eram genéricos. Isso não é uma reclamação. É uma constatação. O fato de uma obra ser genérica não quer dizer que seu conteúdo não é de qualidade.

A questão é que a diversidade que envolve o "fazer cultural" exige conteúdos especializados. Fazer produção executiva na área da música é uma coisa, no teatro é outra, no cinema é outra, e assim por diante.

Sempre tive a curiosidade de aprender mais sobre produção cultural a partir do olhar de alguém que trabalhasse em áreas diferentes da minha. Comecei trabalhando com produção executiva de shows musicais, mas pude aprender muita coisa trabalhando em exposição de artes visuais. Tenho aprendido muito também convivendo com o universo do teatro no Grupo Nós do Morro. Tenho muita vontade de aprender mais sobre a produção de cinema, dança e patrimônio histórico.

Ontem, lendo o blog do Leonardo Brant, tive a grata surpresa de saber que foi lançado um novo livro, escrito por uma produtora cultural que atua na área da dança.

Fui até o site dela e reproduzo abaixo, na íntegra, informações sobre esta publicação e como adquiri-la.



Divulgação


Diário de Produção é um livro que convida o leitor a vivenciar um pouco do complexo universo da produção cultural. Este livro não pretende ser um guia com fórmulas de como fazer. O livro dá a exata noção das áreas, da rotina e das responsabilidades que envolvem a produção cultural.

Através de relatos de sua experiência, a autora conduz o leitor a conhecer este universo e experimentar várias situações vividas na prática. Uma construção crítica e realista sobre a questão da profissionalização do setor da produção cultural.

O Diário expõe, conversando com o leitor, o contexto e as realidades que determinam o fazer no campo da produção e da gestão cultural.

Indicado para iniciantes e profissionais da área cultural, comunicação, marketing, administração, estudantes de gestão cultural, gestores públicos e privados, artistas e público interessado no tema.

Como comprar o livro:

Envie nome completo, endereço e comprovante de depósito para o e-mail carlalobo@joaquinacultura.com.br ou passe um fax para o número 31 3225-5070.

Valor: R$ 40,00 | Livro: R$30,00 + Envio: R$ 10,00
Sacado: Carla Maria Lobo Bastos
CPF: 843.837.636-34
Banco: Itaú
Agência: 0587
Conta: 27325-1

segunda-feira, junho 15, 2009

Conheça o projeto "Educando para a mídia"


Capa da cartilha "Educando para a Mídia"/PUCRS


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)



Um produtor cultural independente, por ser uma pessoa que se ocupa de "fazer acontecer uma ação cultural", deve ser curioso em:

- aprender a interpretar o simbolismo das imagens estáticas ou em movimento e entender seus impactos na audiência.

- perceber como os meios de comunicação de massa, como TV, cinema, rádio e jornais trabalham na produção de significações e como estão organizados;

- entender como apresentadores, escritores e produtores de textos e conteúdos audiovisuais integram contextos particulares e são influenciados por aspectos pessoais, sociais e culturais.

Para que isso aconteça, é necessário que o produtor cultural independente estude conteúdos didáticos de alfabetização para as mídias.


Uma boa opção para debate e estudo é o projeto "Educando para a Mídia".





Desenvolvido por estudantes da disciplina de Projeto Experimental em Jornal do curso de Jornalismo da PUC/RS, o projeto oferece a professores de Ensino Fundamental subsídios para desenvolvimento nos alunos de uma postura crítica em relação à mídia.





O projeto orienta como abordar, em sala de aula, por exemplo, temas como violência, sexualidade, diversidade cultural, jabá e poder.





Mesmo sendo concebido para trabalhar com crianças, que considero muito importante, pois no futuro poderão se desenvolver como produtores independentes com mais amplitude, acredito que este material serve de exemplo para que sejam produzidos materiais didáticos no curto prazo, para educação para a produção cultural de adolescentes e adultos.


Acesse aqui o conteúdo na integra deste projeto.

quarta-feira, março 11, 2009

Conheça o Observatório de Favelas

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Por Alê Barreto

Em agosto de 2008, publiquei o artigo "A representação das favelas no imaginário social e a atualização do mito da marginalidade", de Fernando Lannes Fernandes, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Geografia/UFRJ, publicado originalmente no site do Observatório de Favelas.

Agora, no mês de março, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o Observatório de Favelas, uma organização social de pesquisa, consultoria e ação pública dedicada à produção do conhecimento e de proposições políticas sobre as favelas e fenômenos urbanos.

Então, trago agora a dica para que os produtores culturais independentes conheçam o trabalho desta instituição, que busca afirmar uma agenda de Direitos à Cidade, fundamentada na ressignificação das favelas, também no âmbito das políticas públicas.



Fábio Caffé/Imagens do Povo

O Observatório de Favelas (OF) têm um site muito interessante. Você encontra nele links para sua trajetória e vertentes de trabalho, projetos e ações e acervo.

Acredito que o Observatório de Favelas é uma importante referência para quem busca informações para formatar projetos que utilizem a cultura como recurso para inclusão social.

terça-feira, dezembro 23, 2008

Conheça a Coleção Tramas Urbanas



Reportagem de Bruno Dorigatti publicada no Portal Literal em 16/12/2008

A coleção Tramas Urbanas, da Aeroplano Editora, ganhou, junto com outros projetos, o 4. Prêmio Cooperifa Sancho Pança - Aprendiz de Sonhador. Nas palavras de Sérgio Vaz, "o prêmio era para ser uma abraço, na verdade é, só que nós o materializamos em bronze, na figura do aprendiz de sonhador "Sancho Pança", fiel escudeiro de Dom Quixote". A festa de entrega do prêmio acontece no próximo dia 17 de dezembro, a partir das 20h, no Bar do Zé Batidão (Rua Bartolomeu dos Santos, 797. Chácara Santana, São Paulo). "Um prêmio de valor para as pessoas que não têm preço", como diz o slogan do prêmio criado pelo poeta Sérgio Vaz.

Abaixo, a idealizadora da coleção, Heloisa Buarque de Hollanda, também curadadora do Portal Literal, comenta o prêmio e o papel que as periferias vêm desenvolvendo neste início de século


Como surgiu a coleção Tramas Urbanas?

Heloisa Buarque de Hollanda. Eu acompanho desde a década de 90 a emergência de um movimento cultural inédito, que é a cultura que vem das periferias brasileiras. A força, o impacto e o poder de interpelação dessa produção é para mim o fenômeno mais importante da virada do século. Entretanto, esse material sempre vinha a mim já com interpretações, teses, releituras. Senti como imperioso que os protagonistas e co-protagonistas desses movimentos culturais contassem e avaliassem sua história. E assim nasceu a coleção Tramas Urbanas. Uma história da cultura da periferia com voz própria.

A coleção reúne temas tão diversos, como música, literatura, artes plásticas, poesia, moda, jornalismo, história e memória. Poderia falar do que une estas questões?

Heloisa. A unidade do projeto Tramas Urbanas vem da perspectiva com que esses temas são contados e não dos temas eleitos. Além disso, hoje, no hip hop ou fora dele fica cada vez mais difícil estabelecer fronteiras entre os gêneros artísticos.

Qual o papel que as periferias urbanas vêm desempenhando neste início de século?

Heloisa. Um papel fundamental de democratização e de inovação cultural. Uma cultura que sempre existiu mas que nunca encontrou brechas ou contexto para que pudesse se manifestar e estabelecer conexões com os outros segmentos da produção cultural.

Há os que criticam a simples legitimação dessa produção artística apenas pelo fato de ser periférica. Como vê essa questão da estética, do gosto, do que é e do que pode ser referendado pela indústria cultural?

Heloisa. O deslumbramento com essa produção sem critérios de valor, apenas por vir da periferia, para mim, é um gesto racista e discriminatório. Essa produção tem seus próprios padrões, projetos e estilo e deve ser avaliada dentro deste quadro. Mas o critério de qualidade não pode sestar ausente. Repito: seria puro racismo.

Em relação à Estética da Periferia, título de duas exposições, no Rio de Janeiro e em Recife, como distinguir o que se tem de mais natural e espontâneo nessa estética, em oposição àquilo que já seduz boa parcela do mundo que não é periférico?

Heloisa. Quando pensei essas duas exposições, junto com Gringo Cardia, decidimos que a curadoria deveria ser dividida com os produtores culturais da periferia. O resultado foi surpreendente. A escolha feita mostrou o que há de melhor nessa produção, a face que a periferia gostaria de mostrar. Acho que nessa estética não há nada nem natural nem espontâneo. É uma estética muito trabalhada, pensada em termos funcionais e artísticos. O que seduz a outra parcela do mundo não periférico é outro capítulo.

Nos anos 1960, parte da esquerda acreditou na necessidade de uma tutela para a cultura popular, que se demonstrou completamente equivocada. Esse discurso está mesmo enterrado? O que pensa dessas relações hoje, o que pensava naquele tempo?

Heloisa. Naquele tempo eu concordava e, como militante, participava ativamente dessa "pedagogia" para o povo. Não acredito que hoje seja menos pedagógica. Apenas - e graças a Deus - houve uma dança das cadeiras e o intelectual passou de tutor a parceiro, que no fundo era o sonho dos anos 60...