quarta-feira, setembro 30, 2009

O que o Produtor Cultural Independente fez em setembro de 2009


Imagem livre do site www.morguefile.com


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Setembro foi um mês em que o Produtor Cultural Independente recebeu feedbacks importantes, que apontam para um crescente reconhecimento deste veículo de comunicação como um instrumento útil à educação para produção e gestão cultural.

Participação - até o dia 29 de setembro o Produtor Cultural Independente recebeu 2800 visitas, o que significou um crescimento de 25% em relação ao mesmo período em 2008.

Interlocução com instituições de ensino - o Produtor Cultural Independente recebeu solicitação da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro para divulgação de uma Audiência Pública de Cultura e da Universidade Cândido Mendes (RJ) para divulgar a nova turma do curso de pó-graduação MBA em Gestão Cultural.

Ações educativas - o Produtor Cultural Independente está em tratativas para levar o curso "Aprenda a Organizar um Show" para as cidades de Brasília (DF) e Goiânia (GO) em novembro.

Referência na produção de conteúdo - o livro "Aprenda a Organizar um Show", primeiro produto do Produtor Cultural Independente, lançamento independente da editora Imagina Conteúdo Criativo, foi citado como bibliografia recomendada em matéria publicada no jornal O Globo. Além disso, o conteúdo já foi acessado por mais de 10.000 pessoas na internet e o vídeo de divulgação no youtube ultrapassou 1.200 exibições em apenas 11 meses.

Relacionamento com os leitores - 44 pessoas manifestaram espontaneamente o interesse em seguir o blog.


Mas o Produtor Cultural Independente não se sustenta somente com boas notícias. Este veículo de comunicação vem ampliando sua atuação atento às recentes pesquisas realizadas com seus leitores. Uma das inovações implantadas a partir da análise das pesquisas foi o aumento da oferta de conteúdos voltados a profissão do produtor cultural, em linguagem acessível. Foram publicados textos sobre o o uso do tempo, as diferenças entre o produtor cultural e o produtor de eventos, como entrar em contato com profissionais da cultura e uma dica de filme para utilizar de forma descontraída um pouquinho do tempo livre do final de semana.

Outra inovação foi aumentar a oferta de informações de profissionais que são referência no mercado cultural. Foram publicados conteúdos sobre o trabalho do especialista em políticas culturais Leonardo Brant, da especialista em Economia da Cultura Ana Carla Fonseca Reis, do antropólogo José Márcio Barros, do músico Hermeto Pascoal e Kátia de Marco, coordenadora do MBA em Gestão Cultural da Universidade Cândido Mendes.

Além de inovar na oferta de conteúdos, o Produtor Cultural Independente buscou mostrar a experiência bem sucedida de ação cultural alternativa do Clube da Leitura do Baratos da Ribeiro (RJ), como participar da Feira Música Brasil 2009 e recursos disponíveis para ações de formação cultural como a TV Estadão.

Concluindo este ciclo, o Produtor Cultural Independente cobriu o primeiro, segundo e terceiro dias do 4º Seminário Políticas Culturais da Fundação Casa de Rui Barbosa (RJ).


Obrigado pela oportunidade de poder compartilhar todos estes conteúdos e idéias com vocês. Muito obrigado pelos e-mails enviados com sugestões, perguntas e críticas.


Um grande abraço,

Alê Barreto
Produtor Cultural Independente

terça-feira, setembro 29, 2009

O Rio de Janeiro se articula para sua 1ª Conferência Municipal de Cultura


Divulgação: Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


A Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro está convidando a população para participar da construção de uma política pública de cultura para cidade.

No mês de outubro serão realizadas pré-conferências nos seguintes locais:

3/10/2009 - 8 às 17h
Bangu - Lona Cultural Hermeto Pascoal, Praça 1º de Maio
Campinho - Escola de Samba Tradição, Estr. Intendente Magalhães, 160
Pechincha - Lona Jacob do Bandolim, Pça. do Barro Vermelho
Andaraí - Escola de Samba Salgueiro, R. Silva Telles, 104
Centro - Teatro Municipal Carlos Gomes, Praça Tiradentes, s/n
Copacabana - Sala Municipal Baden Powell, Av. N.S. Copacabana, 360

4/10/2009 - 8 às 17h
Campo Grande -Auditório da Faculdade UNISUAM, R.Alfredo de Moraes, 548
Olaria - Clube do Olaria, R. Bariri, 251.

17/10/2009 - 8 às 17h
Centro - Teatro Municipal Carlos Gomes, Praça Tiradentes, s/n
Copacabana - Sala Municipal Baden Powell, Av. N.S. Copacabana, 360

Para participar, faça sua inscrição

segunda-feira, setembro 28, 2009

A profissionalização dos setores culturais


Abertas novas turmas para o MBA em Gestão Cultural da Universidade Cândido Mendes


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Compartilho com todos um texto da professora Kátia de Marco, cientista social, mestre em Ciência da Arte pela Universidade Federal Fluminense (UFF), membro da Associação Brasileira dos Críticos de Arte (ABCA) e da Associação Nacional dos Pesquisadores em Artes Plásticas (ANPAP), presidente da Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC) e coordenadora do Programa de Estudos Culturais e Sociais, do MBA em Gestão Cultural, do MBA em Gestão Social e da pósgraduação em Vinho e Cultura da Universidade Candido Mendes (UCAM).



A profissionalização dos setores culturais

Kátia de Marco


A arte e a cultura – como produção de conhecimento e, sobretudo, como entretenimento – têm movimentado de maneira crescente, no decorrer das duas últimas décadas, importantes índices mercadológicos, que impulsionam a expansão das indústrias culturais nacional e internacional. Estudos recentes apontam para mudanças antropológicas nos padrões de consumo e lazer das sociedades contemporâneas ocidentais, alocando a cultura em um patamar privilegiado pelos novos padrões de qualidade de vida, cada vez mais fundamentados na ampliação dos meios tecnológicos,o que gerou o compartilhamento de um novo tempo estendido e de espaços inéditos de comunicação para usufruto do lazer e da cultura.

Percebemos, hoje, que a cultura vem sendo priorizada como foco crucial nas agendas dos programas de desenvolvimento, permeando as temáticas de diversos segmentos de Estado, expandindo suas vertentes como alicerce estratégico na própria governabilidade das nações. É um dos setores de mais rápido crescimento nas economias pós-industriais, situando-se, além de seu implícito valor intangível, também como valor tangível, delineado por seu potencial de mercado. A conjunção que alia a economia do conhecimento – balizada pelas esferas da produção de conteúdo por meio das atividades artísticas e intelectuais – com a economia do entretenimento – ilustrada sobretudo pelos setores das indústrias fonográficas, audiovisuais, editoriais, redes informáticas e produções de grande dimensão – equipara a cultura a segmentos das indústrias tradicionais, no que diz respeito à lógica numérica dos grandes mercados, na incidência dos índices monetários (cf. Canclini; Moneta, 1999).

Conforme argumenta George Yúdice em A conveniência da cultura (2004), a cultura passa a ser entendida como recurso valioso, comparado aos recursos naturais, fundamental para o fortalecimento do tecido social, situando-se ainda como capital social de uma nação, perpassando, de maneira transversal, os segmentos políticos, econômicos e sociais. Desse modo, a cultura amplia sua legitimidade deslocando-se do campo formal das artes, folclore e patrimônio e de sua especificidade científica no campo das ciências sociais para as esferas de conhecimento do mundo dos negócios, do gerenciamento, da distribuição e do consumo de produtos e serviços.

Essa percepção ampla acerca do papel central da cultura no processo de desenvolvimento social e econômico das nações e como busca da inclusão cultural enquanto ação transformadora foi, em grande parte, preconizada pela Unesco. Por meio das temáticas de seus consecutivos fóruns, a cultura ecoou nas esferas sociopolíticas internacionais como protagonista do desenvolvimento humano, promotora da redução de desigualdades e fio condutor da prática dos direitos humanos (Cuéllar, 1997).

Em 1982, o Congresso Mundial sobre Políticas Culturais ocorrido no México, também nominado “Mondiacult”, semeou as bases para essa virada essencial na concepção tradicional de cultura, ampliando seu espectro social, econômico e político. Fazendo reconhecer esses novos fundamentos, as Nações Unidas decidiram consagrar o decênio de 1988 a 1997 ao estudo, formulação e divulgação de uma nova dimensão desenvolvimentista para a cultura e formaram uma comissão independente, auspiciada pela Unesco, presidida por Javier Pérez de Cuéllar e com a colaboração de representantes de diversas nações. Por meio dos estudos desenvolvidos pela Comissão Mundial de Cultura e Desenvolvimento, Cuéllar (1997) lançou a pedra fundamental que delinearia a inserção da cultura no novo milênio chamando a atenção para a máxima de que é o desenvolvimento que floresce com a cultura e não o contrário, como se preconizava. Na mesma vertente, Enrique Iglesias, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, ao sustentar as metas da instituição em promover o desenvolvimento econômico e social, institui a cultura como base primordial dos ideários de uma reforma social para a América Latina mediante elevação dos níveis de educação e capacitação, buscando que estes incidam na produtividade e na melhoria da eqüidade social (cf. Arizpe, 2000).

No Brasil, as tentativas de implantar um sistema público de cultura, gerador de políticas estratégicas e continuadas para o setor, são uma experiência relativamente recente, tal como ainda é neófita a compreensão da produção da cultura num sentido holístico, permeando as áreas da economia, da administração, do marketing, do direito, do turismo e das relações políticas em geral.

A ressonância dessas novas abordagens permearam o cenário brasileiro durante a criação do Ministério da Cultura e das secretarias estaduais e municipais de cultura, que começaram a ser implementadas em meados dos anos 80, marcando o início do processo de redemocratização nacional. Os incentivos fiscais à cultura foram criados no Brasil com a Lei Sarney em 1986. Quatro anos depois, o governo Collor extinguiu os poucos mecanismos de fomento à cultura implementados pelo Estado. Mais adiante, em 1991, foi criada a Lei Rouanet; em 1993, a do Audiovisual, entre tantas outras estaduais e municipais que vieram a seguir. Enfim, estamos falando de uma experiência efetiva de duas décadas e de experimentações políticas cujas vivências demandam ainda ajustes e reestruturações, ou seja, trata-se de um processo ainda em construção.

Vivenciamos um período de grandes mudanças e de novas experiências na pasta da cultura em nosso país. De fato, houve uma abertura do diálogo com as comunidades relacionadas e de interesse, e os canais interativos se processam de maneira mais eficiente. No entanto, o Estado não pode perder de vista sua costura democrática e de
representação ampla, devendo atuar mais como maestro e menos como interventor, como estimulador atento às diversidades e nuances regionais sociopolíticas e econômicas, atendo-se não somente à produção de cultura e à circulação de bens culturais mas também à formação profissionalizante dos agentes culturais e à formação de artistas e público.

Cabe ainda, como desafio ao governo, desacelerar a corrida atropelada às leis de incentivo e promover o estímulo da participação empresarial no processo de financiamento privado à cultura mediante campanhas efetivas de aculturação e adesão de setores da sociedade civil como contrapartida cidadã e de responsabilidade social, minorando a tendência aos focos de interesse meramente mercadológicos das empresas. Tal cenário vem sendo dinamizado na atualidade e promove, paulatinamente, uma ampliação da conscientização corporativa de construção, manutenção e até mesmo de
resgate de marcas por meio da eficácia de ações em marketing institucional na implementação de incentivo à produção de cultura e de ações sociais.

Na diretriz de potencializar essa vertente, verificam-se a importância e a necessidade de o desenho das estratégias políticas estar sustentado,estruturalmente, por pesquisas atualizadas e oficiais e, sobretudo, por deliberações formuladas por conselhos representativos de todos os segmentos socioculturais da sociedade civil. A cautela e a sensibilidade em tratar diferencialmente, dando os mesmos espaços ao produtor de arte que busca financiamento e aos artifícios potentes do poder econômico utilizados pela indústria cultural, são uma das grandes expectativas. Há um aumento na demanda por informações confiáveis, por suportes de indicadores culturais efetivos, mapeamentos e diagnósticos profissionais. A atuação pública não mais deverá ser pautada por iniciativas isoladas, com resultados de sucessos casuais e pontuais recortados de uma estratégia maior, sem o respaldo de programas continuados e censos periódicos promovidos por institutos de pesquisa fidedignos.

Cada vez mais nos certificamos de que a arte e a cultura são geradoras de empregos diretos e indiretos, dinamizando recursos e investimentos na mesma ordem que outras atividades econômicas tradicionais. Assim sendo, tem-se a dimensão da necessidade premente da profissionalização dos setores culturais e da sistematização do conhecimento acadêmico como uma tônica global. A formação autodidata na área cultural sempre predominou, e a gestão cultural é uma profissão que se desenvolveu a partir da prática real, fundamentada em um conhecimento empírico pouco desenvolvido como objeto de estudos e pesquisas.

A partir dos anos 90, o cenário cultural apontava mudanças profundas no que se refere à produção, à administração e ao consumo culturais, gerando uma ambiência que apontava para a necessidade de profissionalização dos setores culturais públicos e privados. O desafio seria ainda maior para a administração pública, que se via diante da necessidade de formar seus quadros a fim de capacitar para a gestão profissional essa nova estrutura que se potencializava em crescimento. Desse modo, os setores de cultura e de entretenimento configuraram-se como campos promissores para o desenvolvimento de profissionais formados nas áreas de administração, comunicação, economia, direito e marketing, tendo em vista as ativadas demandas do mercado de trabalho nos setores da cultura em seu espectro mais amplo, como ilustramos anteriormente. De fato, em nossa experiência de cinco anos no setor, presenciamos esse novo público aproximar-se dos cursos de pós-graduação em Gestão Cultural. Em grande parte são profissionais graduados em áreas afins que se vêem traídos por esse mercado e são motivados a aprimorar-se e a especializar-se em cultura como campo ampliado para o exercício de suas práticas formativas de graduação.

A necessidade premente de profissionalizar e capacitar profissionais na área advém de uma demanda de priorização da gestão administrativa de excelência que viabilize otimizar a relação custo-benefício entre cultura e mercado, compreendendo as dinâmicas dos ciclos produtivos da cultura em prol da auto-sustentabilidade de ações sociais e culturais como alicerce do desenvolvimento social regional e nacional.

Essa nova categoria profissional necessita habilitar-se quanto à capacidade organizacional e à ampliação de conhecimento junto ao instrumental técnico das áreas de planejamento e gestão e embasar-se em conteúdos reflexivos e avaliativos inclusos no macrocenário da cultura no que se refere aos conhecimentos advindos de saberes afins, conforme citado.

O gestor cultural deverá conhecer as especificidades dos diversos espaços de atuação: museus, centros culturais, teatros, casas de espetáculos, bibliotecas, sets de filmagem, produtoras privadas, setores da indústria cultural, departamentos de marketing de empresas, secretarias de cultura, órgãos públicos etc. Deverá ainda ter um conhecimento amplo e atualizado dos diversos meios de expressão, focando-se com mais profundidade na área escolhida para atuar, estando atento ao direcionamento conceitual e empírico das diretrizes das políticas culturais, das orientações e mecanismos de financiamento e das estruturas de captação de recursos.

Na busca recente por delinear seu universo de atuação, focos de estudo e de mercado de trabalho, a transdisciplinar área profissional em Gestão Cultural possibilita o diálogo aberto com diversas áreas e segmentos sociais interceptando-os com o desafio de uma abordagem inovadora e humanista, descortinando novas questões para seus temas reflexivos, na medida em que a cultura tem a característica intrínseca de fazer pensar o que expressa, de flexibilizar fronteiras cristalizadas, podendo revitalizar essas especializações permeando o universo das artes e dos meios de expressão, provocando com novas perspectivas analíticas seus objetos de estudos originais.


Bibliografia

ARIZPE, Lourdes. La integración de la identidad a la globalización. Cultura e desenvolvimento. Rio de Janeiro: Funarte, 2000. (Cadernos do Nosso Tempo).

CANCLINI, Néstor García; MONETA, Carlos Juan (orgs.). Las industrias culturales en la integración latinoamericana. México: Grijalbo, 1999.

CRESPO-TORAL, Hernán. Nuevas perspectivas a las relaciones entre la cultura y el desarrolo. Cultura e desenvolvimento. Rio de Janeiro: Funarte, 2000. (Cadernos do Nosso Tempo).

CUÉLLAR, Javier Pérez de (org.). Nossa diversidade criadora. Relatório da Comissão Mundial de Cultura e Desenvolvimento. Campinas/Brasília: Papirus/Unesco, 1997.

YÚDICE, George. A conveniência da cultura: usos da cultura na era global. Belo Horizonte: UFMG, 2004.

sábado, setembro 26, 2009

Apontamentos sobre o terceiro dia do 4º Seminário Políticas Culturais da Fundação Casa de Rui Barbosa




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


O terceiro dia do 4º Seminário Políticas Culturais: reflexões e ações, da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), organizado pelos pesquisadores Lia Calabre e Maurício Siqueira, começou com a conferência "El Plan de Cultura de Colombia 2001-2010: - Hacia una ciudadanía democratica cultural. Perspectivas para el nuevo plan 2010-2020", ministrada por Marta Elena Bravo (Universidad Nacional de Colombia).

Nesta conferência foi apresentada a construção do Plano Nacional de Cultura da Colômbia.

Pontos para reflexão:

- muitos veículos de comunicação mostram a Colômbia através de recortes de notícias relacionados a violência e narcotráfico e não mostram que trata-se de um país pioneiro na América Latina na construção e implementação de políticas culturais.

- o plano nacional de cultura da Colômbia insere a cultura no projeto de construção de nação, cidadania e na integração regional.

- criação, memória, partipação, diálogo e sustentabilidade são pontos de partida significativos na construção das políticas culturais da Colômbia.

- enquanto o Brasil está começando a formalizar um plano nacional de cultura (que é um avanço), a Colômbia está se preparando para o novo plano que vai reger as políticas públicas do país até 2020.

- é fundamental recuperarmos o conceito de diálogo na sociedade.

- Marta Elena Bravo manifestou o seu desejo de que se comece um diálogo entre os planos de cultura da Colômbia e do Brasil.


A riqueza dos conteúdos apresentados levou-me a pesquisar na internet um pouco mais sobre esta pesquisadora. Segue a apresentação que ela fez em junho de 2009 no V Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura em Salvador



e o link para as políticas culturais da Colômbia.


Após esta introdução, passou-se para a mesa Processos participativos, planos e políticas" mediada pela pesquisadora Lia Calabre (FCRB).

A primeira fala foi de Sylvana de Castro Pessoa (Fundação João Pinheiro), que apresentou o tema “Participação da sociedade civil na gestão pública da Cultura em Minas Gerais”, dando visibilidade aos diferentes programas que a Secretaria de Cultura do Estado de Minas Gerais desenvolve e que abrangem a participação da sociedade civil.

Destaco os seguintes pontos para reflexão:

- a Lei de Incentivo à Cultura, presente em vários estados brasileiros, completou recentemente 10 anos.

- dentre as dificuldades encontradas para o equilíbrio da participação da sociedade civil estão a dificuldade de encontrar pessoas para serem indicadas para todas as áreas necessárias, dificuldade das pessoas trabalharem com avaliação de projetos sem receberem remuneração e integração com as pessoas das cidades do interior do estado de Minas.

- uma alternativa interessante para articular as pessoas nas políticas públicas foi a criação da Rede de Articuladores de Cultura.


A próxima fala foi da pesquisadora Daniele Canedo (UFBA) que apresentou "Cultura, Democracia e Participação Social: um estudo da II Conferência Estadual de Cultura da Bahia".

Dissertação Daniele Canedo

Pontos para reflexão:

- a validação de um processo participativo necessita que este amplie a participação das pessoas, possua uma metodologia acessível e que se procure aplicar o que for sugerido.

- na construção de uma política pública é preciso que as pessoas digam as suas necessidades.

- a maioria das pessoas que participaram da conferência pública de cultura não trabalha só com cultura.

Terminada esta apresentação, um representante da Holon - Soluções Integrativas falou sobre o tema “Inovações em processos participativos - subsídios para novas culturas políticas".

Pontos para reflexão:

- integrar dimensões política, ética e estética.

- percepção processual (a participação é pedagógica e formativa).

- alinhar o papel do Estado na participação.

- formulação participativa: como alguém vai ouvir falar de uma determinada ação daqui há 20 anos?

- num grupo as convergências podem ser mais interessantes que os consensos.

Segue um link muito interessante para o texto "Critérios para avaliar processos participativos".


Encerrando a mesa, Hamilton Faria (Instituto Polis – FAAP) falou sobre "Processos participativos e cidadania cultural".

Hamilton manifestou inicialmente que estava muito contente de visitar a Casa de Rui Barbosa. E lembrou da frase de Clarice Lispector:

"Um dia uma folha me bateu nos cílios. Achei Deus de uma grande delicadeza".

Após esta breve reflexão, que aproximou a atenção estética para o debate, Hamilton deixou vários pontos para reflexão:

- o Brasil está se descobrindo, se vendo.

- estar num processo participativo alavanca o desenvolvimento pessoal. Todas as pessoas que se envolvem em algum processo participativo dão novos rumos ao seu processo de vida.

- a existência de processos participativos qualifica a democracia.

- pensarmos na cultura "por todos" e não "para todos".

- traçarmos linhas de convergências.

- pensarmos na cultura como fator fundamental para a qualidade de vida.

- a importância de escutar.


Seguem mais dois links relacionados a duas citações de Hamilton durante sua apresentação:

- a revista "Você quer um bom conselho? Conselhos Municipais de Cultura e Cidadania Cultural", de sua autoria juntamente com Altair Moreira e Fernanda Versolato



- uma das maiores intelectuais brasileiras, a educadora Marilena Chaui, que criou o conceito de "cidadania cultural" quando atuou na secretaria de cultura de SP.

Para quem não conhece ela, coloquei o vídeo da entrevista dela ao programa Roda Viva.




Apontamentos sobre o segundo dia do 4º Seminário Políticas Culturais da Fundação Casa de Rui Barbosa

Apontamentos sobre o primeiro dia do 4º Seminário Políticas Culturais da Fundação Casa de Rui Barbosa

sexta-feira, setembro 25, 2009

Apontamentos sobre o segundo dia do 4º Seminário Políticas Culturais da Fundação Casa de Rui Barbosa



Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)

O segundo dia do 4º Seminário Políticas Culturais: reflexões e ações, da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), organizado pelos pesquisadores Lia Calabre e Maurício Siqueira, começou com a conferência "Dilemas en la formación de los gestores culturales - una propuesta con cinco ejes formativos", ministrada por Alfonso Hernandez Barba (ITESO, Universidad Jesuita en Guadalajara, Mexico).

Nesta conferência foi apresentada a trajetória recente da formação de gestores culturais no México, contextualizada dos anos 80 aos dias de hoje, tendo destaque o programa “Formación y capacitación de los gestores culturales” subsidiado pelo CONACULTA(Consejo Nacional para la Cultura y las Artes).

Alfonso fez uma instigante discussão sobre dilemas na formação de gestores culturais, que na sua opinão não são dilemas, pois não são excludentes e sim complementares:

Passado ou presente?
Conservação ou criação?
Reforma ou tradição?
Renovação ou permanência?
Conservador ou liberal?
Impulso ou freio?
Livre desenvolvimento e desregulamentação ou regulação e legislação?
Instituições ou não?
Instituições públicas ou organizações independentes e da sociedade civil?


Por fim, apresentou os cinco eixos temáticos que compõe sua proposta para a formação de gestores culturais:

- teoria e investigação da gestão cultural;
- apreciação das manifestações artísticas e patrimoniais;
- domínio de linguagens e das expressões culturais;
- sistemas, instituições e políticas culturais;
- administração cultural.


Frase deixada para pensarmos:

"(...) la cultura es menos el paisaje que vemos que la mirada con que lo vemos".

MARTÍN-BARBERO, Jesús y REY, Germán. Los ejercicios del ver: Hegemonía audiovisual y ficción televisiva; (Colección Estudios de Televisión). Editorial Gedisa: Barcelona; 1999, 1ª edición.


Após esta excelente introdução, tivemos a mesa “Gestão Cultural: processos formativos” mediada pela pesquisadora e gestora cultural Maria Helena Cunha (DUO Informação e Cultura).

A primeira fala foi da professora Cássia Navas, da Unicamp, que apresentou o tema “Do íntimo, do particular e do público: subsídios para a gestão em dança”.

Destaco os seguintes pontos para reflexão:

- como um artista se inventa?
- a experiência estética vai além da experiência artística.
- a revelação da estética é intima.
- cientistas decifram; artistas cifram.


A próxima fala foi do professor Enrique Saravia (EBAPE/FGV) sobre o tema “Internacionalização da Gestão Cultural: novas configurações e desafios”.

Mais pontos para reflexão:

- as políticas culturais sobrem influências da globalização
- devem atentar para a questão dos direitos culturais, valores políticos e direito da cultura.


Terminada esta apresentação, a pesquisadora e consultora Marta Porto (X-Brasil) falou sobre o tema “Arte e imaginário social: o que cabe as políticas de cultura?”.

Mais pontos para reflexão:

- ao pensarmos em políticas culturais precisamos pensar em como estamos vivendo juntos e como queremos viver juntos no futuro.
- o homem é criação do desejo e não da necessidade.
- para pensarmos políticas culturais precisamos nos deslocar do senso comum.
- é necessário que programas de formação em gestão sejam generalistas, que tenham conteúdos relacionados a experiência estética, no que tange a memória e experimentação.
- a cultura opera com a potência; o social com a vulnerabilidade.
- pensar o acesso à cultura como um processo de formação de subjetividades que necessita de diálogos de repertórios.
- como o Rio de Janeiro se enxerga daqui há 20 anos?
- como produzir gramáticas do nosso tempo?
- como as tecnologias podem ser um meio para nos aproximarmos da nossa época?
- pensar a cultura de forma ampla, como processo, diferente da lógica imediatista e fragmentada dos projetos de curto prazo.
- onde estão os artistas e pensadores da cultura, pessoas que pensam a sociedade de formas não convencionais?


O professor e pesquisador José Marcio Barros (PUC/Minas e UEMG) falou sobre “Processos (trans) formativos e a gestão da diversidade cultural”, tendo como idéias centrais de sua apresentação (mais pontos para reflexão):

- gestão cultural sem política púlblica de cultura: para que?
- diversidade cultural não é apenas um adjetivo da gestão cultural.
- a sociedade civil não é parceira, é um lugar político.
- gestor cultural e suas competências.


Reflexões finais:

- ao pensar em políticas culturais, escutar o campo artístico da cultura. Não nos colocarmos no papel dos artistas. Atentar para a estética da vida (professora Cássia Navas).
- "leveza" e o "método", propostas de Ítalo Calvino (Marta Porto).
- a discussão de todos estes conteúdos como um banquete de idéias (Marta Elena Bravo da Universidad Nacional de Colombia e Maria Helena Cunha).
- a cultura como um rio, que tem fluidez e movimento (José Márcio Barros).

quinta-feira, setembro 24, 2009

Apontamentos sobre o primeiro dia do 4º Seminário Políticas Culturais da Fundação Casa de Rui Barbosa




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Tive a oportunidade e o prazer de participar ontem do primeiro dia do 4º Seminário Políticas Culturais: reflexões e ações, da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), organizado pelos pesquisadores Lia Calabre e Maurício Siqueira.

Primeiramente assisti a conferência "Formulação e Avaliação de Programas Públicos: conceitos, técnicas e indicadores" ministrada por Paulo de Martino Jannuzzi (Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE), autor do livro Indicadores Sociais no Brasil e do Programa para Apoio à Tomada de Decisão Baseada em Indicadores.

Destaco aqui pontos para nossa reflexão:

- ao pensarmos em políticas públicas de cultura, é preciso ter clareza de quem será o público-alvo;

- é fundamental avaliar a capacidade de gestão das políticas que se pretende implementar;

- temos muitas informações mas que estão desarticuladas; é muito importante estruturar sistemas de informações para integrar dados e informações de maneira que sejam úteis para uma definição de agenda, formulação, implementação e avaliação de políticas públicas de cultura;

- neste sentido, o indicador é uma "fotografia" como tentativa de síntese da realidade complexa social, de forma simplificada, mais objetiva e padronizada.


Após esta excelente conferência, inicio-se a mesa Cultura e Desenvolvimento: índices e indicadores que teve como mediador Antônio Alkmin (IBGE)


O primeiro tema da mesa foi "Indicações para construção de indicadores de desenvolvimento na área cultural" apresentado por Frederico Barbosa da Silva (IPEA).

Neste momento, ele falou dos conceitos que nortearam a criação destes indicadores.


Mais pontos para nossa reflexão:

- o indicador serve para chamar a atenção para um fato ou tendência dentro de um contexto;

- o desenvolvimento cultural é um conjunto de transformações que permitem a ampliação das atividades culturais, da interculturalidade e do reconhecimento da diversidade;

- o desenvolvimento cultural não é um processo linear e teleológico;

- podemos pensar o desenvolvimento cultural como fortalecimento de circuitos culturais e de aumento da oferta e demanda, respeitando as heterogeneidades locais e territoriais.


Na sequência, o tema "Nordeste Criativo e Desenvolvimento Regional: esboço de uma metodologia para o fomento da economia criativa no nordeste brasileiro", foi apresentado pela professora e pesquisadora Cláudia Sousa Leitão (UEC – PPG Políticas Públicas). Ela começou sua apresentação falando da sua nordestinidade e citando Josué de Castro (1937):

"No momento cultural que atravessamos, em que se sente um desejo imperioso, uma aspiração coletiva por uma afirmação categórica da independência política e econômica da nação - os estudos dessa natureza devem ser estimulados e recebidos jubilosamente porque constituem as balizas do roteiro de nossa futura política - de uma política consciente, realmente identificada com as aspirações e as singularidades regionais de nosso povo. Política que se pressente para os próximos dias como uma benéfica e irremovível contingência do impulso criador de nossa cultura".


Mais pontos para nossa reflexão:

- Cláudia citou que em uma palestra o ministro Roberto Mangabeira Unger questionou a platéia: porque o Nordeste não tem um planejamento estratégico? Com esta preocupação, ela trabalhou a idéia de se ter um planejamento onde fosse possível desenvolver a economia criativa no nordeste;

- A idéia de desenvolver a indústria criativa envolve a proposição de criar um Observatório das Indústrias Criativas do Nordeste, que se responsabilizará pela construção de indicadores capazes de produzir matizes e segmentações entre os diversos produtos e serviços e ter um birô de negócios criativos.

Quero ressaltar ainda que Maurício Siqueira(FCRB) apresentou o tema "Indicadores sociais e desenvolvimento sustentável", o qual não pude estar presente para assistir. Segue um link para um texto recente deste pesquisador.

terça-feira, setembro 22, 2009

Abre nova turma do MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ)


Programa do MBA em Gestão Cultural (clique para aumentar)


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Recebi ontem da Ingrid Borges, que trabalha junto à coordenação do Programa de Estudos Culturais e Sociais da Universidade Candido Mendes (PECS/ UCAM), a informação que irá abrir a sétima turma da pós-graduação lato sensu MBA em Gestão Cultural.

Conforme já comentei em posts anteriores, eu fiz o curso de extensão universitária "Micro e Macro Economia da Cultura", que é uma disciplina do MBA em Gestão Cultural, com os professores Ana Carla Fonseca Reis e Luis Carlos Prestes Filho. Considero muito bom o nível do curso, a estrutura da universidade, o cuidado da coordenação e a qualidade dos professores.


Segue abaixo mais informações sobre este curso:


PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU MBA EM GESTÃO CULTURAL

A Universidade Candido Mendes recebe em outubro de 2009 novos alunos para o curso de pós-graduação lato sensu, MBA em Gestão Cultural.

O MBA em Gestão Cultural vem implementar a capacitação e o aprimoramento profissional na área de Administração dirigida à instituições, programas e projetos culturais, visando otimizar a eficiência das propostas programáticas para o setor. As aulas terão início em outubro de 2009, com carga horária de 405h, duração de 16 meses, no campus Centro, no turno da noite (das 19h às 22h) e aulas às terças e quintas-feiras.

Sob a coordenação acadêmica da Profª. Kátia de Marco, o corpo docente é composto por profissionais destacados tanto na esfera executiva como nos setores acadêmicos como Paulo Sergio Duarte (Gestão de Patrimônio Histórico); Yole Mendonça e Marcelo Mendonça (Bases Administrativas na Gestão Cultural); Marcio Schiavo (Responsabilidade Social Corporativa); Ronaldo Lemos (Direitos Autorais na Produção Digital); Lia Calabre (Políticas Públicas Para a Cultura); Eliane Costa (Cultura Digital); Ana Carla Fonseca Reis (Micro e Macro Economia da Cultura); José Carlos Barboza (Legislação de Incentivos ao Setor Cultural).

Apesar de terem focos de conteúdos distintos, ambos os cursos se direcionam a formar e reciclar profissionais atuantes na área da cultura; criar novas gerações de gestores, empreendedores, administradores e produtores culturais; proporcionar ao profissional uma visão integrada das áreas de administração, economia, direito, comunicação, museologia, artes e cultura; preparar o profissional para tomada de decisões, gerenciamento de equipe, análise de projetos, engenharia de orçamentos e domínio do empreendimento cultural.

Duração: 16 meses

Carga horária: 405 horas

Seleção:
- análise de currículo
- realização de entrevista


Mais informações:

PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
PROGRAMA DE ESTUDOS CULTURAIS E SOCIAIS – PECS
Rua da Assembléia, 10 / sala 616 – Praça XV – Rio de Janeiro
Marcação de entrevista pelos telefones
(21) 3543-6489; (21) 2531-2000 r. 256 ou 289 ou
(21) 9972 7693
pecs@candidomendes.edu.br / www.candidomendes.edu.br ou www.gestaocultural.org.br

segunda-feira, setembro 21, 2009

Leia a entrevista do antropólogo José Márcio Barros sobre formação de quadros para o setor cultural


Revista Observatório Itaú Cultural, página 21


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Para começar a semana fortalecendo nosso movimento de aprendizado, compartilho com todos uma dica de leitura. Trata-se da entrevista com o professor José Márcio Barros, da PUC Minas e do Observatório da Diversidade Cultural, ambos sediados em Belo Horizonte, publicada originalmente na Revista Observatório Cultural nº6, em que este conceituado profissional fala de sua experiência e atuação em programas voltados à informação, à capacitação e à experimentação das possibilidades de atuação de gestores culturais, arte-educadores, artistas e outros agentes do campo da cultura.


Leia uma das perguntas da entrevista:


Revista Observatório Itaú Cultural: Em artigo no número 2 desta revista o senhor ressaltou que vivemos “numa sociedade de descolamento entre informação e conhecimento”, uma sociedade onde “o excesso de informação não gera conhecimento em quantidade e qualidade proporcionais”. Como enfrentar o desafio de produzir conhecimento nesse tipo de sociedade e garantir que a cultura siga sendo, também em suas palavras, “a experiência fundante do encontro e da troca”?

José Márcio Barros: Mais uma vez, não é nada fácil responder à questão, até porque seu enfrentamento depende da adoção de uma perspectiva radicalmente transversal e ampla, ou seja, não se resolve o problema da cultura apenas no campo da cultura. De forma ampla, precisaríamos partir de uma mudança na perspectiva de pensar o desenvolvimento. Se quiserem, uma mudança de paradigma que reintegre as várias dimensões das políticas públicas e a perspectiva do desenvolvimento humano, tão bem definida pelo Banco Mundial como o equilíbrio entre as quatro formas de capital: o capital natural, constituído pela dotação de recursos naturais com que conta um país, um estado, uma comunidade; o capital construído, gerado pelo ser humano, que inclui infra-estrutura, bens de capital, capital financeiro, comercial etc.; o capital humano, determinado pelos graus de nutrição, saúde e educação de sua população; e o capital social, descoberta recente das ciências do desenvolvimento e entendido como valores e atitudes que garantem a construção de relações de confiança entre os atores sociais de uma sociedade, as atitudes e valores que auxiliam as pessoas a transcender relações conflituosas e competitivas para conformar relações de cooperação e ajuda mútua, ou seja, de reciprocidade, e as atitudes cívicas praticadas que fazem a sociedade mais coesiva e mais do que uma soma de indivíduos. Acho que, se partirmos dessa perspectiva, poderemos realizar inversões e definir prioridades nos diversos campos da educação, da cultura e da comunicação que ajudariam a enfrentar o paradoxo a que Boaventura Sousa Santos chama de “cheio que nos parece oco”.


Leia a entrevista na íntegra


Aproveite melhor este blog

domingo, setembro 20, 2009

Um filme para se divertir no domingo e entender um pouco mais os apuros de um produtor cultural


Trailer do filme "Vatel"


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Aproveite o tempo livre do domingo para dar um pulo na locadora mais próxima e alugar o filme "Vatel". A história se passa em 1671. O príncipe de uma província no oeste da França, que está à beira da ruína econômica, resolve oferecer ao rei Luis XIV um fim de semana de festas e muita diversão, com objetivo de conquistar sua simpatia e ajuda dos cofres reais.

O filme mostra os dramas vividos por Vatel, personagem interpretado por Gérard Depardieu, um serviçal que passa todo filme envolvido com a "produção" dos festejos, preocupado em agradar seu mestre.

Veja um bom exemplo da complexidade da produção de uma ação cultural.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Conheça o Clube da Leitura do Baratos da Ribeiro (RJ)



Ilustração: Eduardo Filipe, o Sama



Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Pesquisar, estudar, refletir e exercitar no dia-a-dia tudo que venho aprendendo com a prática da atividade de produtor cultural independente tem me proporcionado reencontros e encontros. Um dos reencontros foi com a leitura. Ao longo dos anos venho me aproximando das letras e das palavras. Criei este blog. Comecei a ler textos relacionados a produção cultural, cultura, antropologia, sociologia. Este ano comecei a conhecer o universo dos contos, participando de uma oficina que o escritor João Paulo Vaz ministrou no Nós do Morro.

Agora em setembro, passei um dia no sebo Baratos da Ribeiro, lá em Copacabana e adquiri uns audiolivros, que queria conhecer. Na hora de pagar, me deparei com o livro Clube da Leitura: Modo de Usar, Vol. 1. Resolvi comprar. Mal comecei a folheá-lo no metrô e já comecei a perceber que se tratava de um dos grandes encontros que a atividade de produção cultural havia me proporcionado.

Clube da Leitura: Modo de Usar, Vol.1 é mais do que uma coletânea de contos. É um dos produtos culturais literários mais espontâneos e verdadeiros que conheci nos últimos tempos. Vou explicar os motivos.

O primeiro deles é que nasceu da vontade de se divertir, algo que é encarado hoje em dia como "coisa de pessoas alienadas" ou como "algo que somente pode ser feito fora do trabalho. Para mim, coisas excelentes nascem desta vontade. O livro é um ótimo exemplo disso.

O segundo motivo é o desejo de encontros. Intencionalmente ou não, um dos primeiro textos do livro, de Gerardo Silva, fala disso: a construção da cidade como a arte dos encontros. E este livro sem dúvida é uma construção que proporciona encontros.

A diversidade sem a chatice. Este é outro presente que o livro brinda aos leitores. São vinte e quatro contos sobre os mais diversos temas, curtos, quase todos em linguagem bastante acessível.

Compartilhamento. Após finalizar os contos, a seção "Clube da Leitura: modo de usar" explica como funciona esta importante, criativa e estimulante ação cultural.

A valorização dos escritores. Ao final, o livro apresenta de forma bastante descontraída seus autores e artistas gráficos. Faço algumas transcrições para despertar a curiosidade de todos, assim como a minha foi despertada:

Escritores

Ágata Sousa - "(...) as partes boas de Henry Chinaski, as partes ruins de Amory Blaine".

André Tag - "(...) desconhece ato maior de amor do que contar e atentar para histórias".

Carmen Molinari - "gosta de literatura, arte contemporânea e do Rio de Janeiro".

Cristiani Elias - "(...) amante de literatura, gatos, café e viagens".

Danielle Costa - "(...) tem sonhos do tipo: (...) ter sido empregada de Virginia Woolf".

Daniel Russell Ribas - "(...) apaixonado por cultura, Copacabana e São Paulo".

Deborah Geller - "(..) Lê para ser surpreendida na vigília sem vigilância que é uma das dádivas da literatura".

Fausto Oliveira - "Nascido em 1º de julho de 1977, no Rio de Janeiro".

Gerardo Silva - "(...) Frequentador assíduo do Baratos da Ribeiro".

Gisela D´Arruda - "(...) Escreve o blog Caminho das Folhas sobre saúde, ecologia e Umbanda: www.caminhodasfolhas.com".

Glória Celeste - "(..)Risada alta e corpo de (ex) mezzo-soprano, e soulwoman".

Guilherme Preger - "(...) é poeta e pensa que publicou o volume de poesias Capoeiragem pela editora 7 Letras".

Júlio Rodrigues - "(...) ordinário como qualquer ser humano, ama, é amado, tem amigos, poucos e bons, adora música e cães".

Márcia Vitari - "(...) sua história é atravessada pela curiosidade que marca sua trajetória em busca do novo, com vitalidade e alegria".

Maurício Gouveia - "(...) ler no sacolejar dum ônibus, e ouvir música num volume escandaloso, o que é mais fácil de conseguir quando assume a identidade de DJ Ácaro".

Renato Amado - "(...) é um dos fundadores do site de textos, fotos e artes plásticas Caneta, Lente e Pincel: www.canetalentepincel.blogspot.com".

Ronaldo Brito Roque - "(...) não prega as drogas e o sexo desvairado, não fuma, não cheira, usa fio dental".

Rudá Almeida - "Cometi alguns textos anteriores, por conta e cargo de um pequeno caderno de capa verde que se perdeu por aí";

Saulo Aride - "(...) Tem um certo fascínio por retratar de maneira cinicamente fria o momento em que o homem se depara com a proximidade de seu fim"

Vivian Pizzinga - "(...) psicóloga, canceriana, gosta de budismo e psicanálise. (...) Tem gatos e insônia".


Artistas Gráficos

Eduardo Filipe - "(...) é artista visual premiado em Salões de Arte Contemporânea e Bienais de Quadrinhos".

S.Lobo - "Cidadão honorário de Copacabana, apaixonou-se pelo bairro à primeira vista".

Fábio Lyra - "Cria HQs POPs sobre gente normal e encara seus quadrinhos como se fossem canções de um álbum com a trilha sonora da sua vida.

Johandson Rezende - "(...) é sustentado por seu marido alemão, Fritz, conseguindo assim tempo para produzir seus quadrinhos e animações que são postados no seu blog: www.cartoondelia.blogspot.com".


Por fim, acredito que a ação de empreender a produção deste livro de forma independente é um exemplo muito saudável do que está acontecendo no Brasil: as pessoas se organizando para viabilizarem suas produções artísticas.

No caso do Clube da Leitura: Modo de Usar, Vol.1, a organização e a qualidade dos textos está permitindo que muitas pessoas, como eu, se aproximem cada vez mais do universo da leitura.

Saiba mais sobre o Clube da Leitura

quinta-feira, setembro 17, 2009

TV Estadão: recurso didático que pode ser utilizado para educação de produtores culturais




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Cada vez mais aparecem recursos úteis e importantes para a recente atividade de educação para a produção cultural. Um dos mais recentes que descobri é a TV Estadão. Nela você assiste vídeos com notícias da atualidade, relacionados as pautas do jornal, que incluem matérias sobre cultura.


Convido a todos para conhecerem a TV Estadão primeiramente através destes vídeos:




Entrevista de Felipe Machado com a escritora Marta Porto sobre o projeto "Nós do Morro 20 Anos" sobre a história do grupo cultural que faz arte no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro. Assista aqui




Entrevista de Chris Mello com a produtora cultural Isabella Prata fala sobre a vocação criativa de sua Escola São Paulo e conta como anda o mercado de arte no Brasil. Assista aqui

quarta-feira, setembro 16, 2009

Conheça as idéias da especialista em Economia da Cultura Ana Carla Fonseca Reis


Ana Carla Fonseca Reis/Divulgação


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Ana Carla Fonseca Reis é uma profissional cujo trabalho tive contato pela primeira vez em 2006, época em que estudei o seu livro "Marketing Cultural e Financiamento da Cultura", para fazer minha monografia de conclusão do curso de Administração de Empresas. Percebi nos conteúdos que ela apresenta um olhar mais amplo sobre a cultura e desde então tenho buscado acompanhar o seu trabalho. É uma das minhas referências.

Este ano, ao fazer o curso de extensão "Micro e Macro Economia da Cultura", disciplina do MBA em Gestão Cultural da Universidade Cândido Mendes, aqui no Rio, tive o prazer de reencontrá-la, pois ela ministrava esta disciplina juntamente com o professor Luis Carlos Prestes Filho.

Acho importante então fazer um novo link para o blog Cultura em Pauta, de André Fonseca, para que todos possam ouvir o podcast “A economia não dita o que a cultura deve fazer. A economia se põe ao dispor das políticas públicas de cultura”.

Ana Carla Fonseca Reis é Admininistradora Pública pela FGV/SP e Economista pela USP, onde se diplomou também Mestre em Administração e atualmente faz Doutorado em Arquitetura e Urbanismo, desenvolvendo uma tese em cidades criativas. É autora dos livros Marketing Cultural e Financiamento da Cultura (Thomson, 2002) e de Economia da Cultura e Desenvolvimento Sustentável – o Caleidoscópio da cultura (Manole, 2006), primeira obra brasileira sobre o tema e que traz uma abordagem de desenvolvimento à economia da cultura. É coordenadora do curso de Gestão de Produtos e Políticas Culturais da Faculdade São Luís, professora da Fundação Getulio Vargas/SP, da Universidade Candido Mendes/RJ e da Unisinos/RS, membro do painel curador da conferência Creative Clusters do Reino Unido e curadora de diversos seminários internacionais no Brasil.

Ouça aqui esta profissional falar sobre o conceito de economia da cultura e sua relação com questões de distribuição, novas tecnologias, economia criativa, diversidade cultural e propriedade intelectual.

O Produtor Cultural e o Produtor de Eventos


Alê Barreto trabalhou num show de rock ou num evento de entretenimento?



Por Alê Barreto


Uma grande dúvida de quem começa a fazer produção cultural é entender qual é a diferença entre produção cultural e produção de eventos. Em alguns contextos, a prática destas atividades é muito parecida. Em outros, radicalmente diferente.

Em geral, quem trabalha com produção cultural, associa os significados de sua atividade às artes. Esta associação leva muitas pessoas a pensarem que sua atividade não tem relação com atividades econômicas. O pesquisador José Carlos Durand cita no prefácio do livro A Economia da Cultura de Françoise Benhamou que "(...) existe uma relutância institucionalizada em reconhecer que as práticas culturais e os bens e serviços que dela resultam sejam presididos por lógicas de interesse, inclusive e sobretudo o interesse econômico". Essa relutância cristaliza em muitas pessoas a certeza de que a diferença entre a produção cultural e a produção de eventos é predominantemente relacionada a ter ou não interesse econômico.

Já deu para perceber que não é a questão econômica que diferencia produção cultural de produção de eventos.

Vejamos então o seguinte exemplo: uma empresa contrata um artista para fazer um grande show musical e pretende aproveitar este momento para divulgar a marca de seus produtos. Quem trabalhar no show é produtor cultural ou produtor de eventos?

Do ponto de vista "prático", as atividades operacionais destas duas profissões são muito similares. Para trabalhar na logística do show, podemos denominar as pessoas de produtores, produtores executivos, produtores culturais, produtores de eventos ou assistentes de produção.

Na medida que saimos do plano operacional de execução do show e vamos em direção ao plano estratégico, começamos a ver com mais clareza as diferenças.

No exemplo anteriormente apresentado, há uma tendência de que o produtor cultural pense os conceitos que irão nortear o show, a partir do briefing que receba do produtor de eventos, que geralmente trabalha com a área de marketing das empresas.

Mas o inverso também pode acontecer: uma gravadora quer lançar um CD e pretende fazer um coquetel para divulgar este produto cultural para formadores de opinião. Nesta situação, o produtor de eventos responsável pelo coquetel poderia receber o briefing do produtor cultural, para que o evento (ou ação cultural?) esteja em sintonia com o trabalho, os conceitos e a trajetória do artista.

Afinal, há diferença entre a produção cultural e a produção de eventos? Sim.

Para entendermos o papel do produtor cultural, vou utilizar a definição apresentada por Romulo Avelar, autor do livro O Avesso da Cena: o produtor cultural, de um ponto de vista amplo, ocupa o papel central de intermediar e promover o diálogo nas diferentes relações entre artistas e profissionais da cultura, público, mídia, Poder Público, empresas patrocinadoras e espaços culturais.

O produtor de eventos, além de também produzir eventos culturais, que é uma das muitas ações do produtor cultural, "organiza, planeja, orienta e acompanha todas as fases da realização de um evento de qualquer tipo, seja uma festa, um show, uma formatura, uma convenção, uma feira, um congresso, um casamento, etc, para empresas ou organização públicas ou privadas", segundo definição do site Brasil Profissões.

terça-feira, setembro 15, 2009

Conheça algumas idéias do especialista em políticas culturais Leonardo Brant


Leonardo Brant/Divulgação


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Compartilho com todos mais um link para o blog Cultura em Pauta, de André Fonseca. Trata-se do podcast com Leonardo Brant intitulado “A nossa constituição não diz que empresa tem que investir em cultura. Diz que o Estado tem que investir em cultura”.

Leonardo Brant é pesquisador e consultor em gestão e políticas culturais, presidente de Brant Associados. Atua como consultor estratégico e coach, auxiliando empreendedores públicos e privados de cultura a desenvolver e planejar seus negócios culturais de maneira sustentável. É autor dos livros "Mercado Cultural", "Políticas Culturais vol.1 (org.)", "Diversidade Cultural (org.)" e "O Poder da Cultura" (inédito).

Ouça aqui este profissional falar sobre a indústria audiovisual nacional (Ancine, mercado audiovisual, financiamento e modelo de negócio) e da relação entre artistas e Estado.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Sugestões para entrar em contato com um produtor cultural ou outros profissionais da cultura




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Assistindo ao vídeo acima, imediatamente lembramos várias situações no dia-a-dia em que problemas de comunicação dificultam as atividades humanas. Na produção cultural, não é diferente. Há anos venho percebendo que precisamos cada vez mais aprimorar o nosso processo de comunicação.

Pensando nisso, lembrei de dar algumas sugestões para todo mundo que está pensando em entrar em contato com algum produtor cultural ou outros profissionais da cultura. Anote aí:

- ter clareza no que está buscando: pode parecer óbvia esta dica, mas muitas pessoas mandam e-mails assim:

"Olá Alê Barreto, tudo bem? Gostaria de fazer uma parceria. Se estiver interessado, entre em contato".

É preciso entender que a pessoa que está propondo o contato deve facilitar que o contato aconteça. Se escrever com mais clareza o que ela chama de parceria e como entende que esta parceria pode ser viabilizada, provavelmente aumentará as chances de receber uma resposta. Enviar uma mensagem altamente subjetiva e ainda pedir para que o receptor gaste mais tempo procurando informações sobre quem lhe enviou a mensagem diminui as chances de retorno.


- forma de tratamento: eu sou uma pessoa informal. E muita gente na área cultural é informal. Mas isso não quer dizer que eu vou encontrar o Lenine no Rio de Janeiro, no calçadão de Copacabana e dizer:

"Olá Lenine, como está meu chapa? Seu último disco está demais!!!! Gostaria de trocar uma idéia contigo sobre um trampo bem maneiro, uma parceria que será ótima para a gente! Me liga velhão! Tamo junto!"

Quando for abordar alguém com quem você nunca falou ou enviar um e-mail, seja cordial mas não force uma intimidade que não existe. Seja um pouco mais formal. Se a pessoa estiver confortável, ela dirá a você de que forma prefere ser chamada.


- se apresente: muita gente acha que os outros tem obrigação de saberem quem eles são. Não funciona assim. Sempre se apresente. Diga seu nome completo ou nome artístico, fale brevemente do seu trabalho e cite projetos ou pessoas com quem trabalhou, para que o seu interlocutor possa ter referências sobre quem está falando com ele.


- seja breve e proponha um novo contato: um dos recursos mais escassos que temos hoje em dia é o tempo. Temos pouco tempo para as atividades de nossa rotina, para nossos projetos e para novidades. Então, quando você entra em contato com alguém, você é uma "novidade". E isso significa que esta pessoa terá que ter mais tempo. Em muitas situações, as pessoas acabam criando vários "filtros", para evitar o desperdício de tempo: não divulgam e-mail, não divulgam o telefone direto, pedem que uma secretária selecione os atendimentos, etc. Para tentar "driblar" este bloqueio, na primeira abordagem presencial, contato telefônico ou e-mail, após se apresentar, fale brevemente suas intenções e proponha um novo contato. O bom uso do tempo demonstra respeito, organização, maturidade profissional e poderá despertar o interesse da outra pessoa para ouvi-lo com mais atenção.


- deixe seus contatos disponíveis: apesar de estarmos na era dos smartphones, celulares e laptops, o cartão de apresentação profissional potencializa os encontros presenciais. Quando a abordagem for por telefone, solicite o e-mail da pessoa e finalize o primeiro contato com um e-mail que tenha o seu telefone, e-mail, site, blog, etc.


- seja acessível: muita gente reclama que faz contatos mas ninguém dá retorno. Revise sua rotina e veja se quando você divulga o seu telefone fixo, você informa que horários você atende. Não adianta divulgar o número, as pessoas ligarem e ninguém atender. Veja se o seu telefone celular "pega" nos locais onde você está. Não adianta ter um telefone celular e as pessoas ligarem para o tempo todo conversarem com a sua caixa postal ou ouvirem mensagens que de que "este celular está fora de área". Responda os e-mails. Mantenha seu blog atualizado.

Um pequena mudança em nossa rotina pode melhorar muito nosso resultados.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Aprenda a utilizar um dos recursos mais importantes para produção cultural: o tempo




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente)


A idéia é bem simples. Nada de técnicas mirabolantes. Nada de auto-ajuda. Trata-se de uma pequena pausa para refletirmos e percebermos que a "cultura do desperdício" no Brasil alcança um dos recursos não-renováveis mais importantes para produção cultural: o tempo.

Quer um exemplo? Quantas vezes você já ouviu que "o edital está quase encerrando". Ou que o prazo de entrega do projeto "é para ontem". Ou que "as horas do estúdio acabaram e o disco não está pronto". Ouvir isso durante um ano, quando se está fazendo algo pela primeira vez, tudo bem. Agora passar dois, três, quatro, sete, dez anos repetindo isso, não é um desperdício de tempo?

Nos shows e eventos, a mesma coisa. Sempre tem uma exceção que rapidamente assume a vaga da regra principal. Então a van não chega. Os artistas se atrasam. A passagem de som demora. O público cansa de esperar. Tudo isso porque se desperdiça o tempo.

Para mim, o desperdício do tempo sempre causa uma certa sensação de culpa, a qual tento exorcizar, buscando transformá-la em ação construtiva. Quando não utilizamos bem o tempo, não é necessário nos martirizarmos. Mas é indispensável começarmos a nós dar conta que desperdício de tempo, em primeiro lugar, é uma falta de respeito com nós mesmos. E isso vira uma bola de neve. Se não respeitamos o nosso tempo, é bem provável que não façamos o mesmo com o tempo dos outros.

Se deixamos para o último minuto para começar a divulgar um show, porque não respeitamos o nosso tempo, temos como resultado imediato uma série de comunicações estressantes pedindo urgência e prioridade para todo mundo. Isso gera um ambiente agressivo, desconfortável, pouco produtivo e que nada tem a acrescentar para artistas e produtores.

Há uma corrente de pessoas que acredita que as coisas "só funcionam na base da pressão". Eu discordo. Eu acho que as coisas funcionam com organização. A pressão deve ser usada com moderação, para situações que exijam isso, não para compensar a incapacidade de saber gerenciar o nosso tempo e o das outras pessoas que trabalham conosco.

Comece a usar parte do seu tempo para avaliar e aprender a administrar melhor o seu tempo.

quarta-feira, setembro 09, 2009

Audiência Pública de Cultura no Rio de Janeiro: uma iniciativa que pode gerar novos arranjos criativos e produtivos




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Morando há pouco mais de um ano no Rio de Janeiro, pude perceber uma qualidade muito bacana desta cidade: existem muitas pessoas que acreditam que o espaço da cidade é uma construção de encontros.

E por falar em encontros, amanhã acontece uma audiência pública, no Plenário da Câmara Municipal, às 10h.

Segue abaixo na íntegra o convite que recebi da Suelyemma, da assessoria do gabinete do vereador Reimont.


Caríssim@,

Gostaria de contar com a sua presença no próximo dia 10, quinta. Teremos uma AUDIÊNCIA PÚBLICA para discutir as questões da cultura. O evento será no Plenário na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, às 10h. Serão pautados temas como o Conselho Municipal de Cultura, a Conferência Municipal de Cultura e a revisão da Lei do ISS.

Segue uma breve pauta.

*Abertura com exibição de vídeos temáticos.

*Reimont – Presidente da Comissão de Educação e Cultura

*Adair Rocha – Representação do Ministério da Cultura RJ/ESPIRÍTO SANTO – Conferência Nacional de Cultura e Sistema Nacional de Cultura e pacto federativo.

*Jandira Feghali – Secretária Municipal de Cultura - PL do Conselho Municipal de Cultura e convocação da Conferência Municipal de Cultura.

*Messina – Comissão de Educação e Cultura

*Flávio Aniceto – CPC - Coletivo de Produção Cultural Aracy de Almeida

- Participação da sociedade civil nos processos de formulação de políticas culturais - O Conselho Municipal de Cultura.

*Lenilda Campos – Diretora de Cultura da FAFERJ – Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro - Participação da sociedade civil nos processos de formulação de políticas culturais.

*Vera Lins – Comissão de Educação e Cultura.


Saudações,


Suelyemma
ASS GAB VEREADOR REIMONT
Tel.: 3814-2113 / 9382-6277
Câmara Municipal - Gabinete 406



Nota explicativa: não sou filiado a nenhum partido político ou sindicato. Respeito e dialogo com todas as iniciativas públicas e privadas que trabalhem em prol do desenvolvimento da cultura no Brasil.

domingo, setembro 06, 2009

Hermeto Pascoal libera para gravação todas suas músicas gravadas


Foto de Hermeto Pascoal e Aline Morena/divulgação site Hermeto Pascoal


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


A maior parte da minha infância e adolescência eu vivi em Santa Maria, cidade do interior do Rio Grande do Sul. Muitas vezes eu me dirigi até as lojas de disco da cidade para escolher várias músicas de LP e deixar uma fita cassete, para passar no outro dia e pegar a seleção de músicas copiada. Era um serviço pago e assim eu levava para casa somente o que eu queria escutar. Eu imagino que isso deve ter acontecido em várias cidades do Brasil.

Depois, no fim dos anos 90, vieram as notícias da crise da indústria fonográfica. Copiar uma música para uso exclusivamente doméstico, que é o que todo mundo fazia no Brasil, seja indo a uma loja como eu fazia ou gravando as músicas que ouvia do rádio, além de proibido, passou a ser um ato lesivo contra os artistas. Nem todo mundo concordou com isso.

Na medida que começaram a surgir novos mecanismos de tecnologia da informação, tem crescido o número de artistas que acredita que não há problema ético ou dano financeiro para suas carreiras artísticas o fato de alguém ter acesso às suas obras musicais.

Não estou defendendo que todo mundo deve ser obrigado a colocar às suas músicas para download livre sem receber por isso. Na minha concepção, todo mundo é livre para disponibilizar ou não disponibilizar suas obras musicais. Acho importante é que artistas e produtores culturais independentes estejam atentos para um fato contemporâneo que está acontecendo e que muda o cenário da distribuição e comercialização da música.

E este fato de disponibilizar a música está se tornando tão comum que está extrapolando a fronteira do simples ato de escutar a música. Muita gente vem também autorizando as pessoas a gravarem suas músicas.

Para vocês se ter uma noção disso, compartilho abaixo a reportagem de Mariana Lacerda, publicada na revista A REDE, em julho de 2009, que considero um marco na história da produção cultural brasileira: o músico Hermeto Pascoal liberou, para gravações em CD, todas as suas 614 composições já gravadas.



Hermeto Pascoal quer sua obra difundida e libera todas as suas 614 canções para gravações em CD



Com um bilhete escrito de próprio punho, ilustrado pelo desenho de um sorriso, o músico Hermeto Pascoal deu o seu recado: liberou, para gravações em CD, todas as suas músicas já gravadas. São 614 composições. “Aproveitem bastante”, arremata ele, tornando-se protagonista de mais um capítulo da história dos direitos autorais, que toma novos rumos depois da internet.

O gesto de Hermeto firma o seu passo no território do que hoje se chama de cultura livre: aquela que defende que todo bem cultural, científico e tecnológico produzido pertence à sociedade – e não exclusivamente ao seu criador. “Já terminou o tempo em que as gravadoras tinham o direito de comercializar as minhas músicas, pois eu mesmo quis cancelar os contratos que tinha com elas”, diz Hermeto. Além disso, ele explica que a sua intenção é a de facilitar para que seus “amigos de som, os músicos” possam gravar cada vez mais a sua obra, “sem burocracias e sem custos”. O mesmo artista que, em 1973, gravou um disco com o nome de A Música Livre de Hermeto Pascoal, agora devolve ao mundo o que diz ter aprendido com ele: música.

Menino Criativo

“Meu nome é Hermeto Pascoal. Nasci em 22 de junho de 1936, no Olho d'Água da Canoa, estado de Alagoas. Sou filho de Pascoal José da Costa e Vergelina Eulália de Oliveira”, escreveu Hermeto, no prefácio de seu livro Calendário do Som (editora Senac e Instituto Itaú Cultural, São Paulo, 2004).

Seria improvável imaginar que, no interior nordestino, um filho de agricultores, albino e de olhos frágeis, pudesse se tornar um gênio da música, com discos gravados no Brasil e no exterior, reconhecimento mundial e agenda de shows, no auge dos seus 72 anos, mais do que concorrida. No entanto, foi ali, naquele canto de mundo, na época sem luz, água encanada nem nada, que o pequeno Hermeto encontrou aqueles que costumam ser os seus maiores parceiros musicais: pássaros, bois, porcos, cavalos, formigas, o barulho do vento, do mato, da chuva. Em uma de suas muitas histórias com animais, conta da vez que assustou vizinhos porque estava de ouvido no chão tentando escutar o ciscar de patas das formigas. Ainda menino, usou de um talo de um pé de jerimum (como é chamada a abóbora, em sua terra) para improvisar um pífano e tocá-lo para os passarinhos. Quando ia se banhar na lagoa, também se demorava tocando na água. As sobras do material do seu avô ferreiro iam parar num varal que, tilintando, gerava sons. Assim passou sua infância, recheada de histórias pitorescas.

O primeiro instrumento que Hermeto aprendeu a tocar foi uma sanfona, de oito baixos, de seu pai. Tinha entre sete e oito anos de idade. Com seu irmão mais velho, José Neto, passou a tocar em festas de casamento, forrós em pé de estrada. Revesava com o irmão a sanfona e o pandeiro. Em 1950, com 14 anos, foi para o Recife com a família e ganhou trabalho se apresentando em programas de rádio. Depois, com o irmão e o sanfoneiro Sivuca, ambos albinos, formou o trio O Mundo Pegando Fogo. Em 1958, Hermeto morava no Rio de Janeiro, tocando no trio Pernambuco do Pandeiro. Três anos depois, foi para São Paulo. Nessa época, trabalhando na noite, já sabia tocar piano e flauta com muita maestria.

No Quarteto Novo, fazendo parceria com Airto Moreira, Hermeto ajudou a música Ponteio, de Edu Lobo, a ganhar o primeiro lugar no 3º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967. A convite de Moreira e de Flora Purim, viajou para o Estados Unidos e gravou por lá dois discos, em que atuou como compositor, arranjador e instrumentista. Tornou-se amigo de grandes jazzistas, entre eles nada menos que Miles Davis, com quem gravou duas músicas: Nem um Talvez e Igrejinha, ambas no álbum Live Evil (1970), de Davis.

De lá até hoje, o tempo parece ter passado rápido para Hermeto, músico que chega a compor uma música por dia. Foram inúmeros shows pelo Brasil e pelo mundo, parcerias e histórias das mais diversas. Uma delas aconteceu em março de 1995, quando apresentou uma sinfonia no parque do Sesc Itaquera, na cidade de São Paulo. Para esse espetáculo, Hermeto inventou instrumentos gigantes, que foram distribuídos pelo parque. No mesmo ano, um convite da Unicef o levou à cidade de Rosário, na Argentina, onde se apresentou para duas mil crianças. Detalhe do concerto: os músicos tocaram dentro de uma piscina que, invenção de Hermeto, foi montada no palco.

Livre, na Internet
Não faz muito tempo que computador e internet eram assuntos pouco conhecido de Hermeto. Ao lado de Aline Moreira, sua parceira musical e de vida, ingressou no mundo digital. Aline organizou quatro sites com informações sobre as formações musicais do artista: Hermeto Pascoal e Grupo, Hermeto Pascoal Solo, Hermeto Pascoal e Big Band, Hermeto Pascoal e Orquestra Sinfônica, além, claro, do duo com ela, que se chama Chimarrão com Rapadura. Foi Aline, ainda, a responsável por apresentar ao artista a ideia de cultura livre – algo que, embora desconhecido, já soava tão familiar a Hermeto, que costuma dizer que suas músicas, quando prontas, são jogadas ao vento.

Aline responde aos e-mails endereçados a Hermeto Pascoal, como foi o caso desta reportagem à revista ARede. Ela agradece aos jornalistas por divulgar essa “tão generosa atitude de Hermeto”, se referindo ao seguinte recado deixado no site do artista: “O músico que desejar gravar um CD com algumas ou várias composições de Hermeto Pascoal já lançadas basta imprimir sua autorização, acessando a página “licenciamento” deste site!”. A página “licenciamento” nada mais é do que o bilhete escrito de próprio punho, liberando suas músicas para gravações totais ou parciais. O gesto remete, de alguma forma, a um pensamento que Hermeto expressou, em 1996, em outro recado, dessa vez rabiscado no rodapé de uma partitura (publicada no livro Calendário do Som): “A vida é linda porque estamos sempre juntos. Tudo de bom, sempre”.


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Recado especial para Hermeto, Aline e todos os músicos e pessoas que trabalham em sua produção:

Até na generosidade vocês são criativos! Parabéns por esta importante ação cultural.
Gostaria de um dia poder conhecê-los e aprender mais com vocês.

Um grande abraço,

Alê Barreto

quinta-feira, setembro 03, 2009

Conheça a Feira Música Brasil 2009


Divulgação


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)



Estão abertas as inscrições para a Feira Música Brasil 2009, que acontece de 9 a 13 de dezembro em Recife, Pernambuco.

Quando saiu o primeiro edital, em 2006, para a Feira Música Brasil que aconteceria em 2007, eu e o músico Richard Serraria, que dividia comigo as atividades de produção na banda independente Bataclã FC (Porto Alegre/RS) nos empenhamos em fazer a inscrição. Não lembro por qual motivo, mas acabamos indo encaminhar o material no último dia, que era uma sexta-feira, minutos antes de fechar a agência do correio. Não saiu muito caro produzir o material solicitado e também não era muito cara a despesa de envio.

Passaram-se os dias. Nós íamos no site da feira e nada. Chegou um momento que nós pensamos "puxa, toda aquela correria pra nada". Aí saiu a primeira parte dos resultados. Não tínhamos sido selecionados. De novo, bateu o desânimo, uma frustração de não ter sido escolhidos. Passaram alguns dias e uma pessoa da produção da feira ligou para o meu celular, para informar que



o clipe da música "Amigo Frank" (que tem cenas gravadas com o Frank Jorge) havia sido selecionado para a mostra que aconteceria nos telões durante a feira. Aí foi aquela festa!

Na época, eu não tinha grana para ir ao evento. Se tivesse, teria ido com certeza.

Dias após ter encerrado o evento, encontrei com aquela que viria ser uma futura namorada e ela me mostrou o material que estavam distribuindo no evento para todos os participantes: um DVD com os clipes e os contatos da banda. Novamente eu fiquei contente, pois era outra boa oportunidade de divulgar o nosso trabalho. Em resumo: com um pouco de organização e uns 35 reais, a gente divulgou o clipe para mais de 1000 pessoas. E melhor: um público qualificado do mercado musical.

Não trabalho na divulgação do evento e nem tenho nenhuma ligação com qualquer uma das empresas, associações ou órgãos públicos responsáveis pela realização do evento. Dei este breve depoimento para mostrar para músicos, produtores, empresários e agente de artistas da música que é preciso ação. Sempre que aparecer um edital, vá em frente. Não fique pensando "será que vale a pena...".



Quem tiver interesse, só acessar o link.


Aproveite as oportunidades que cruzam o seu caminho. Responda as perguntas que a vida faz a você.

terça-feira, setembro 01, 2009

Um bom produtor cultural tem que ser desinibido


O Globo - Educação - 01/09/2009


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Recebi da amiga Renata Montechiare o link para a matéria "Voz da Experiência: Para Tatiana Zaccaro um bom produtor cultural tem que ser desinibido", que foi publicada hoje por Lauro Neto na seção de educação do Globo.

Em respeito a política de direitos autorais deste veículo, mesmo este blog não tendo fins lucrativos, não irei republicar a matéria.

Na matéria, a experiente produtora Tatiana Zaccaro, graduada em jornalismo com MBA em Marketing e gerente de negócios da Fagga Eventos, empresa que está organizando a XIV Bienal Internacional do Rio de Janeiro, responde a várias perguntas enviadas por leitores ao site.

Ela fala com muita clareza sobre temas importantes como a distinção entre produção cultural e de eventos, a importância da formação para a atividade do produtor cultural, mercado de trabalho para o produtor, características importantes no perfil deste profissional.

No fim da matéria, Tatiana aponta os livros "O avesso da cena: notas sobre produção e gestão cultural", do Rômulo Avelar (excelente, comentei no post anterior que estou estudando)





e o meu livro "Aprenda a organizar um show", que é uma realização construída em rede, com a contribuição importante do músico e jornalista Rodrigo DMart, da artista plástica e jornalista Yara Baungarten, da editora independente Imagina Conteúdo Criativo, do designer Everson Nazari (Índio) e do site Overmundo.

Agradeço a Tatiana Zaccaro pela recomendação do meu trabalho.


Leia a matéria na íntegra.