domingo, setembro 06, 2009

Hermeto Pascoal libera para gravação todas suas músicas gravadas


Foto de Hermeto Pascoal e Aline Morena/divulgação site Hermeto Pascoal


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


A maior parte da minha infância e adolescência eu vivi em Santa Maria, cidade do interior do Rio Grande do Sul. Muitas vezes eu me dirigi até as lojas de disco da cidade para escolher várias músicas de LP e deixar uma fita cassete, para passar no outro dia e pegar a seleção de músicas copiada. Era um serviço pago e assim eu levava para casa somente o que eu queria escutar. Eu imagino que isso deve ter acontecido em várias cidades do Brasil.

Depois, no fim dos anos 90, vieram as notícias da crise da indústria fonográfica. Copiar uma música para uso exclusivamente doméstico, que é o que todo mundo fazia no Brasil, seja indo a uma loja como eu fazia ou gravando as músicas que ouvia do rádio, além de proibido, passou a ser um ato lesivo contra os artistas. Nem todo mundo concordou com isso.

Na medida que começaram a surgir novos mecanismos de tecnologia da informação, tem crescido o número de artistas que acredita que não há problema ético ou dano financeiro para suas carreiras artísticas o fato de alguém ter acesso às suas obras musicais.

Não estou defendendo que todo mundo deve ser obrigado a colocar às suas músicas para download livre sem receber por isso. Na minha concepção, todo mundo é livre para disponibilizar ou não disponibilizar suas obras musicais. Acho importante é que artistas e produtores culturais independentes estejam atentos para um fato contemporâneo que está acontecendo e que muda o cenário da distribuição e comercialização da música.

E este fato de disponibilizar a música está se tornando tão comum que está extrapolando a fronteira do simples ato de escutar a música. Muita gente vem também autorizando as pessoas a gravarem suas músicas.

Para vocês se ter uma noção disso, compartilho abaixo a reportagem de Mariana Lacerda, publicada na revista A REDE, em julho de 2009, que considero um marco na história da produção cultural brasileira: o músico Hermeto Pascoal liberou, para gravações em CD, todas as suas 614 composições já gravadas.



Hermeto Pascoal quer sua obra difundida e libera todas as suas 614 canções para gravações em CD



Com um bilhete escrito de próprio punho, ilustrado pelo desenho de um sorriso, o músico Hermeto Pascoal deu o seu recado: liberou, para gravações em CD, todas as suas músicas já gravadas. São 614 composições. “Aproveitem bastante”, arremata ele, tornando-se protagonista de mais um capítulo da história dos direitos autorais, que toma novos rumos depois da internet.

O gesto de Hermeto firma o seu passo no território do que hoje se chama de cultura livre: aquela que defende que todo bem cultural, científico e tecnológico produzido pertence à sociedade – e não exclusivamente ao seu criador. “Já terminou o tempo em que as gravadoras tinham o direito de comercializar as minhas músicas, pois eu mesmo quis cancelar os contratos que tinha com elas”, diz Hermeto. Além disso, ele explica que a sua intenção é a de facilitar para que seus “amigos de som, os músicos” possam gravar cada vez mais a sua obra, “sem burocracias e sem custos”. O mesmo artista que, em 1973, gravou um disco com o nome de A Música Livre de Hermeto Pascoal, agora devolve ao mundo o que diz ter aprendido com ele: música.

Menino Criativo

“Meu nome é Hermeto Pascoal. Nasci em 22 de junho de 1936, no Olho d'Água da Canoa, estado de Alagoas. Sou filho de Pascoal José da Costa e Vergelina Eulália de Oliveira”, escreveu Hermeto, no prefácio de seu livro Calendário do Som (editora Senac e Instituto Itaú Cultural, São Paulo, 2004).

Seria improvável imaginar que, no interior nordestino, um filho de agricultores, albino e de olhos frágeis, pudesse se tornar um gênio da música, com discos gravados no Brasil e no exterior, reconhecimento mundial e agenda de shows, no auge dos seus 72 anos, mais do que concorrida. No entanto, foi ali, naquele canto de mundo, na época sem luz, água encanada nem nada, que o pequeno Hermeto encontrou aqueles que costumam ser os seus maiores parceiros musicais: pássaros, bois, porcos, cavalos, formigas, o barulho do vento, do mato, da chuva. Em uma de suas muitas histórias com animais, conta da vez que assustou vizinhos porque estava de ouvido no chão tentando escutar o ciscar de patas das formigas. Ainda menino, usou de um talo de um pé de jerimum (como é chamada a abóbora, em sua terra) para improvisar um pífano e tocá-lo para os passarinhos. Quando ia se banhar na lagoa, também se demorava tocando na água. As sobras do material do seu avô ferreiro iam parar num varal que, tilintando, gerava sons. Assim passou sua infância, recheada de histórias pitorescas.

O primeiro instrumento que Hermeto aprendeu a tocar foi uma sanfona, de oito baixos, de seu pai. Tinha entre sete e oito anos de idade. Com seu irmão mais velho, José Neto, passou a tocar em festas de casamento, forrós em pé de estrada. Revesava com o irmão a sanfona e o pandeiro. Em 1950, com 14 anos, foi para o Recife com a família e ganhou trabalho se apresentando em programas de rádio. Depois, com o irmão e o sanfoneiro Sivuca, ambos albinos, formou o trio O Mundo Pegando Fogo. Em 1958, Hermeto morava no Rio de Janeiro, tocando no trio Pernambuco do Pandeiro. Três anos depois, foi para São Paulo. Nessa época, trabalhando na noite, já sabia tocar piano e flauta com muita maestria.

No Quarteto Novo, fazendo parceria com Airto Moreira, Hermeto ajudou a música Ponteio, de Edu Lobo, a ganhar o primeiro lugar no 3º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967. A convite de Moreira e de Flora Purim, viajou para o Estados Unidos e gravou por lá dois discos, em que atuou como compositor, arranjador e instrumentista. Tornou-se amigo de grandes jazzistas, entre eles nada menos que Miles Davis, com quem gravou duas músicas: Nem um Talvez e Igrejinha, ambas no álbum Live Evil (1970), de Davis.

De lá até hoje, o tempo parece ter passado rápido para Hermeto, músico que chega a compor uma música por dia. Foram inúmeros shows pelo Brasil e pelo mundo, parcerias e histórias das mais diversas. Uma delas aconteceu em março de 1995, quando apresentou uma sinfonia no parque do Sesc Itaquera, na cidade de São Paulo. Para esse espetáculo, Hermeto inventou instrumentos gigantes, que foram distribuídos pelo parque. No mesmo ano, um convite da Unicef o levou à cidade de Rosário, na Argentina, onde se apresentou para duas mil crianças. Detalhe do concerto: os músicos tocaram dentro de uma piscina que, invenção de Hermeto, foi montada no palco.

Livre, na Internet
Não faz muito tempo que computador e internet eram assuntos pouco conhecido de Hermeto. Ao lado de Aline Moreira, sua parceira musical e de vida, ingressou no mundo digital. Aline organizou quatro sites com informações sobre as formações musicais do artista: Hermeto Pascoal e Grupo, Hermeto Pascoal Solo, Hermeto Pascoal e Big Band, Hermeto Pascoal e Orquestra Sinfônica, além, claro, do duo com ela, que se chama Chimarrão com Rapadura. Foi Aline, ainda, a responsável por apresentar ao artista a ideia de cultura livre – algo que, embora desconhecido, já soava tão familiar a Hermeto, que costuma dizer que suas músicas, quando prontas, são jogadas ao vento.

Aline responde aos e-mails endereçados a Hermeto Pascoal, como foi o caso desta reportagem à revista ARede. Ela agradece aos jornalistas por divulgar essa “tão generosa atitude de Hermeto”, se referindo ao seguinte recado deixado no site do artista: “O músico que desejar gravar um CD com algumas ou várias composições de Hermeto Pascoal já lançadas basta imprimir sua autorização, acessando a página “licenciamento” deste site!”. A página “licenciamento” nada mais é do que o bilhete escrito de próprio punho, liberando suas músicas para gravações totais ou parciais. O gesto remete, de alguma forma, a um pensamento que Hermeto expressou, em 1996, em outro recado, dessa vez rabiscado no rodapé de uma partitura (publicada no livro Calendário do Som): “A vida é linda porque estamos sempre juntos. Tudo de bom, sempre”.


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Recado especial para Hermeto, Aline e todos os músicos e pessoas que trabalham em sua produção:

Até na generosidade vocês são criativos! Parabéns por esta importante ação cultural.
Gostaria de um dia poder conhecê-los e aprender mais com vocês.

Um grande abraço,

Alê Barreto

quinta-feira, setembro 03, 2009

Conheça a Feira Música Brasil 2009


Divulgação


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)



Estão abertas as inscrições para a Feira Música Brasil 2009, que acontece de 9 a 13 de dezembro em Recife, Pernambuco.

Quando saiu o primeiro edital, em 2006, para a Feira Música Brasil que aconteceria em 2007, eu e o músico Richard Serraria, que dividia comigo as atividades de produção na banda independente Bataclã FC (Porto Alegre/RS) nos empenhamos em fazer a inscrição. Não lembro por qual motivo, mas acabamos indo encaminhar o material no último dia, que era uma sexta-feira, minutos antes de fechar a agência do correio. Não saiu muito caro produzir o material solicitado e também não era muito cara a despesa de envio.

Passaram-se os dias. Nós íamos no site da feira e nada. Chegou um momento que nós pensamos "puxa, toda aquela correria pra nada". Aí saiu a primeira parte dos resultados. Não tínhamos sido selecionados. De novo, bateu o desânimo, uma frustração de não ter sido escolhidos. Passaram alguns dias e uma pessoa da produção da feira ligou para o meu celular, para informar que



o clipe da música "Amigo Frank" (que tem cenas gravadas com o Frank Jorge) havia sido selecionado para a mostra que aconteceria nos telões durante a feira. Aí foi aquela festa!

Na época, eu não tinha grana para ir ao evento. Se tivesse, teria ido com certeza.

Dias após ter encerrado o evento, encontrei com aquela que viria ser uma futura namorada e ela me mostrou o material que estavam distribuindo no evento para todos os participantes: um DVD com os clipes e os contatos da banda. Novamente eu fiquei contente, pois era outra boa oportunidade de divulgar o nosso trabalho. Em resumo: com um pouco de organização e uns 35 reais, a gente divulgou o clipe para mais de 1000 pessoas. E melhor: um público qualificado do mercado musical.

Não trabalho na divulgação do evento e nem tenho nenhuma ligação com qualquer uma das empresas, associações ou órgãos públicos responsáveis pela realização do evento. Dei este breve depoimento para mostrar para músicos, produtores, empresários e agente de artistas da música que é preciso ação. Sempre que aparecer um edital, vá em frente. Não fique pensando "será que vale a pena...".



Quem tiver interesse, só acessar o link.


Aproveite as oportunidades que cruzam o seu caminho. Responda as perguntas que a vida faz a você.

terça-feira, setembro 01, 2009

Um bom produtor cultural tem que ser desinibido


O Globo - Educação - 01/09/2009


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Recebi da amiga Renata Montechiare o link para a matéria "Voz da Experiência: Para Tatiana Zaccaro um bom produtor cultural tem que ser desinibido", que foi publicada hoje por Lauro Neto na seção de educação do Globo.

Em respeito a política de direitos autorais deste veículo, mesmo este blog não tendo fins lucrativos, não irei republicar a matéria.

Na matéria, a experiente produtora Tatiana Zaccaro, graduada em jornalismo com MBA em Marketing e gerente de negócios da Fagga Eventos, empresa que está organizando a XIV Bienal Internacional do Rio de Janeiro, responde a várias perguntas enviadas por leitores ao site.

Ela fala com muita clareza sobre temas importantes como a distinção entre produção cultural e de eventos, a importância da formação para a atividade do produtor cultural, mercado de trabalho para o produtor, características importantes no perfil deste profissional.

No fim da matéria, Tatiana aponta os livros "O avesso da cena: notas sobre produção e gestão cultural", do Rômulo Avelar (excelente, comentei no post anterior que estou estudando)





e o meu livro "Aprenda a organizar um show", que é uma realização construída em rede, com a contribuição importante do músico e jornalista Rodrigo DMart, da artista plástica e jornalista Yara Baungarten, da editora independente Imagina Conteúdo Criativo, do designer Everson Nazari (Índio) e do site Overmundo.

Agradeço a Tatiana Zaccaro pela recomendação do meu trabalho.


Leia a matéria na íntegra.

O que o Produtor Cultural Independente fez em agosto de 2009


Imagem livre do site www.morguefile.com


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Em agosto o produtor cultural independente convidou a todos para iniciar o mês conhecendo o programa Diversidade da TV Itararé de Campina Grande.

Preocupado em continuar fornecendo referências amplas e contemporâneas para educação para a produção cultural, o Produtor Cultural Independente fez uma breve introdução sobre o trabalho do escritor Paulo Lins, republicou uma reportagem contando a experiência do Açougue Cultural T-Bone em Brasília e a entrevista de Marcelo Tas para a Revista Continuum do Instituto Itaú Cultural.

Como a atividade de produção também exige conhecimentos que se apliquem ao dia-a-dia, foram apresentadas as dicas dos livros Como Chegar ao Sim – A Negociação de Acordos Sem Concessões e Negociação e administração de conflitos.

Agosto também foi um mês em que o Produtor Cultural Independente deu visibilidade ao Movimento Re-Cultura e a um conjunto de atividades que ampliam o olhar sobre a produção cultural e o aprendizado.

Por fim, o Produtor Cultural Independente aproveitou um trecho do livro "O Avesso da Cena" do produtor Romulo Avelar para tecer reflexões sobre a importância da produção na vida do artista.


Obrigado pela oportunidade de poder compartilhar todos estes conteúdos e idéias com vocês. Muito obrigado pelos e-mails enviados com sugestões, perguntas e críticas.

Um grande abraço,

Alê Barreto
Produtor Cultural Independente

sábado, agosto 29, 2009

A produção é fundamental na vida de todo artista


Estudo de Embriões - Leonardo da Vinci (1510-1513)


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Há duas semanas atrás, passei na livraria da Universidade Cândido Mendes, no centro do Rio e adquiri o livro "O Avesso da Cena - Notas sobre Produção e Gestão Cultural" de Romulo Avelar. Cheio de curiosidade, espiei o sumário durante o trajeto do metrô, entre as estações Carioca e Siqueira Campos. Sem sombra de dúvida, trata-se da publicação mais completa sobre produção cultural que eu tive acesso, desde que comecei o meu trabalho como produtor cultural independente em 2003.

Comecei a leitura por "A Relação com os Artistas". Vejamos o trecho inicial deste capítulo:

"A questão da produção é crucial na vida de todo artista. Sem um trabalho administrativo consistente, dificilmente uma carreira se sustenta, num mercado cada vez mais competitivo e turbulento. Ainda hoje são muitos os artistas e grupos que não possuem a consciência desse fato e que, exatamente por isso, acabam por ver frustradas suas aspirações. Muitos acalentam a visão romântica de que, um dia, serão "descobertos" pela mídia. Casos raros com o de Marisa Monte, que teve ascensão meteórica ao ser lançada pelo produtor Nelson Motta, contribuem decisivamente para a alimentação dessa fantasia. É importante observar, no entanto, que exemplos como este figuram no plano das exceções.

Na verdade, a maioria dos artistas que alcançam o sucesso, constrói sua carreira de forma lenta e gradual, conquistando novos espaços, amparados por um trabalho ordenado e eficiente de produção e distribuição. Algumas vezes, esse processo chega a se estender por décadas, notadamente nos casos em que os artistas vivem distantes da mídia do eixo Rio-São Paulo".


Nestes dois parágrafos, Romulo Avelar fala de pontos que considero fundamentais para o desenvolvimento de produtores culturais independentes e artistas: trabalho administrativo consistente, mercado competitivo, a visão romântica de ser "desdoberto" e construção de carreira.

Se você está começando a fazer seus primeiros shows, declamar suas poesias, publicar os seus primeiros textos, é natural e compreensível que você não se preocupe em organizar a produção do seu trabalho. Mas se você vem refletindo sobre a possibilidade de tornar a sua atividade artística sua ocupação principal, comece a refletir também que alguém terá que fazer atividades de produção e deverá realizá-las com qualidade.

Além disso, por mais estranha que pareça a idéia de "estar num mercado", se você pretende sobreviver de sua atividade artística ou do trabalho com produção cultural, comece a aprender os conceitos básicos sobre o que é o mercado, o que é oferta, o que é demanda, o que é uma cadeia produtiva, noções de formação de preço de produtos e serviços, distribuição e comercialização. Nada de virar um "paranóico" com medo da concorrência. E nada de virar um ingênuo e achar que "a energia de sua arte" e o pensamento positivo irão garantir o seu sucesso.

Por fim, artistas e produtores não devem apostar todos os seus esforços em "ser descobertos" por algum empresário famoso, por alguma celebridade ou pelo dono de algum veículo de comunicação. Nós devemos é trabalhar construindo nossas próprias carreiras. Uma carreira construída com conhecimento, ética e responsabilidade é que poderá nos possibilitar encontrar grandes oportunidades.

sábado, agosto 22, 2009

Ações culturais no RJ que ampliam o aprendizado do Produtor Cultural Independente


Imagem do site Morguefile.com


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Acontece nos próximos dias no RJ quatro importantes encontros. Quem estiver na cidade ou morar em cidades próximas e tiver possibilidade, irá ampliar sua formação como produtor cultural.

O primeiro deles é o colóquio



"Micromídias, internet e a experiência colaborativa: conflitos na produção da opinião pública", com a presença de Paulo Fehlauer (Coletivo Garapa/SP) e Oona Castro (Overmundo), dia 27 de agosto, às 14h, na sala de cursos da Fundação Casa de Rui Barbosa.


O segundo é a reunião do




"Re-Cultura"
, movimento que está propondo um marco regulatório na atividade produtiva da cultura no Brasil. A reunião será no dia 28 de agosto (sexta-feira), das 18h às 20h, no Auditório Gilberto Freire que fica no Palácio Gustavo Capanema, Av. da Imprensa, 16, Castelo, Rio de Janeiro. Quem for, dou a dica para prestar a atenção nas falas, nas propostas e avaliar se deseja participar desta articulação.


Quem atua como produtor cultural independente na área de audiovisual, pode separar um tempo na agenda para participar do terceiro encontro. Nos próximos dias 2, 3 e 4 de setembro acontece o



"1º Fórum sobre Políticas, Narrativas e Linguagens do Cinema Infantil no Brasil", no Instituto Moreira Salles, dentro do Festival Internacional de Cinema Infantil. O encontro tem por objetivo trazer à tona questões importantes para o segmento, com debates sobre políticas de incentivo, distribuição de conteúdo, tendências de linguagem e formas narrativas do cinema infantil no Brasil, em mesas de discussão. Leia mais...


Quem quiser aprender mais sobre Cultura e Desenvolvimento, Plano e Políticas e Gestão Cultural, pode se inscrever gratuitamente no quarto encontro que é o



"4º Seminário Políticas Culturais Reflexões e Ações", promovido pelo Setor de Estudos de Política Cultural da Fundação Casa Rui Barbosa, do Ministério da Cultura, que acontece nos dias 23, 24 e 25 de setembro, das 14h às 19h30. Informações pelo fone 21-3289-4636 ou politica.cultural@rb.gov.br

segunda-feira, agosto 17, 2009

Trabalhar com projetos = negociação e administração de conflitos




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Quem já teve a oportunidade de tentar viabilizar um projeto cultural, já pode perceber que exige muito jogo de cintura. Por mais afinidade que tenhamos com os colegas, em vários momentos, seja na hora de decidir, seja na hora de executar, surgem os conflitos. Nem sempre há um consenso natural na tomada de decisões e então partimos para a negociação.

O mestre Milton Santos diz que "a clarividência é despertada através do estudo". A habilidade de negociar também. É saber negociar é fundamental para o trabalho de um produtor cultural independente.

Há muitos livros sobre este assunto. Eu vou indicar dois.

O primeiro é este, que eu já li:



Qual a melhor maneira das pessoas lidarem com suas diferenças? Como chegar ao sim sem entrar em guerra? Inspirados nestas duas instigantes perguntas e nos seminários apresentados na Harvard Law School, Fischer, Ury e Patton descrevem no livro Como Chegar ao Sim – A Negociação de Acordos Sem Concessões, um método de negociação que se opõe aos caminhos tradicionais amplamente praticados na maioria das relações interpessoais em nossa sociedade.

Recheado de bons exemplos e com linguagem bastante acessível, a obra não necessita conhecimentos específicos anteriores para sua compreensão.

A obra é dividida em cinco grandes partes. Na parte I , “O Problema”, os conceitos da nova abordagem negocial são apresentados. Na parte II , “O Método”, os novos conceitos são aprofundados. Na parte III, “ Sim, Mas...”, são tratados pontos polêmicos da negociação, do tipo “como lidar com negociadores mais poderosos, que não queiram jogar ou que ainda usem truques sujos”. Na parte IV é apresentada a conclusão da obra e por fim temos a parte V que é uma seção com dez perguntas de “como chegar ao sim”, utilizando o método proposto no livro.

Só digitar o nome no google que você encontrará muitas opções de adquiri-lo via internet. Procure também nas bibliotecas que você tem acesso.


O outro é este, que comecei a ler:



Negociação e administração de conflitos, de Eugenio do Carvalhal, Antônio André Neto, Gersem M. de Andrade e João Vieira de Araújo, faz parte de uma série de livros da FGV, que além de citar o método do livro indicado anteriormente, traz informações sobre o negociador brasileiro.

Pode ser adquirido direto com a editora da FGV.


Ambos os livros nos levam a refletir sobre um dilema presente em nosso dia-a-dia: competir ou colaborar.

Eu prefiro colaborar.

quinta-feira, agosto 13, 2009

Semana de Arte Moderna da Produção Cultural Independente


Cartaz anunciando o último dia da Semana de Arte Moderna de 1922


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Desde que comecei a atuar como produtor cultural, em 2003, me incomoda ver que a maior parte das discussões relacionadas a necessidade de desenvolvimento do mercado cultural brasileiro, quando propostas por pessoas no poder público que não tiveram acesso à educação para a produção cultural, acabam tomando caminhos muito próximos de interesses político-partidários.

Assim como há maus políticos que oferecem pratos de comida por votos, em espaços da geografia onde as pessoas vivem em condições de miséria, há maus funcionários e gestores públicos, que ocupam cargos em órgãos de cultura e aproveitam o poder de articulação que esta função lhes confere apenas para oferecer dinheiro público para gasto em eventos "culturais" em troca de fidelidade eleitoral e o silêncio para toda e qualquer crítica sobre a excessiva concentração do mercado cultural por parte de um grupo muito reduzido de empresas.

Aos poucos, fui percebendo que esta indignação, por si só, não leva a nenhuma mudança. Então comecei a colaborar com os recursos que tenho: escrever e publicar as minhas idéias, sugerir como as idéias podem ser executadas e compartilhar formas de mobilizarmos as pessoas para as mudanças.

Como produtor cultural independente, cada vez mais vejo a importância de dialogar e estar atento a diversidade de pensamentos, experiências construtivas e mobilizações políticas inteligentes que estão se desenvolvendo progressivamente em diferentes cidades do Brasil.

Esta semana está sendo uma espécie de Semana da Arte Moderna da Produção Cultural. Dia 11 de agosto de 2009, Secretários de Cultura, artistas e produtores de diversos estados, unidos em torno de um movimento intitulado Re-Cultura: a reforma da cultura brasileira foram à capital federal para entregar ao ministro Juca Ferreira um manifesto no qual reivindicam a criação de um marco regulatório para a atividade no país.

Reproduzo abaixo o manifesto na íntegra.


MANIFESTO

Por um marco regulatório específico da atividade cultural

O momento é agora !!!



Os artistas, produtores, coletivos, empresas, organizações, trabalhadores, gestores públicos e privados que atuam, nos mais variados elos da cadeia produtiva da cultura e que subscrevem o presente manifesto, propõem o desafio de juntar Estado e Sociedade num amplo debate focado na construção de um marco regulatório específico para a atividade artística e os múltiplos fazimentos culturais. Reconhecemos os esforços do Ministério da Cultura - MinC em colocar a atividade criativa no centro dos debates da construção de um novo modelo de desenvolvimento para o Brasil, o que implica, essencialmente, em reconhecer que as cadeias produtivas da cultura, estão produzindo novas relações de trabalho, geradas pela especificidade das atividades que dela fazem parte, bem como da sazonalidade do engajamento produtivo e diálogo de profissões (já reconhecidas) com o mercado e com as oportunidades de trabalho surgidas, entre outras atividades, da boa apropriação das linguagens artísticas como ferramenta educativa e de intervenção social. Motivo pelo qual, as questões levantadas por este manifesto, exigem esforços além daqueles possíveis ao MinC, sendo responsabilidade, também, de um conjunto de outros órgãos de governo e Estado que concorrem e/ou recorrem a produção cultural de diferentes formas, na qual, escrevemos, entre outros, os Ministérios do Trabalho, da Indústria e Comércio Exterior, da Fazenda, da Justiça, além dos órgãos de fiscalização e controle como a Receita Federal, o Tribunal de Contas da União e, os correlatos nas esferas estaduais e municipais. Como produtores de valores simbólicos e agentes da subjetividade lançamo-nos, com este manifesto, no compromisso de construir a utopia possível de gerar o debate como condição objetiva para que as artes e a cultural sejam vistas e apropriadas, efetivamente, como vetor de desenvolvimento, sobretudo, num momento delicado para o Brasil, em que, diferentes estruturas da República e modos de organização social vivem crises que, na verdade, não são dos tempos atuais e/ou das disputas políticas, partidárias e eleitorais, mas sim, conseqüências de um modelo estrutural que não adequado aos novos tempos, especialmente, quando nos reportamos aos novos tempos criatividade. Queremos "botar o dedo na ferida da cultura brasileira", com o objetivo de encontrar o remédio certo para curá-la, colocando-a e a todos nós, em condições regulares de um diálogo formal com a estrutura do Estado brasileiro, antes, porém, queremos (re)discutir esta estrutura.

Não buscamos uma discussão para alcançar privilégios, como os que historicamente, foram e continuam sendo oferecidos para um conjunto de atividades produtivas. Mas disputamos, sim, um tratamento diferenciado e adequado aos tipos de atividades que de dão forma a produção cultural e artística, que possibilite o cumprimento de nossas obrigações fiscais e tributárias, assim como gere o efetivo acesso a direitos e benefícios sociais a milhares de trabalhadores de arte.

Por esta razão, estamos dispostos a construir com a participação efetiva, do Poder Executivo, Legislativo e com os órgãos de controle os mecanismos que fortaleçam a atividade produtiva no campo da cultura como vetor de desenvolvimento do Brasil. Nós e, não mais sozinhas, as estruturas do Estado podem definir os paradigmas de desenvolvimento, pensado em sua dimensão mais atual de sustentabilidade, afinal nossa principal matéria prima e principal capital é a criatividade humana.

Reiteramos que reconhecemos os esforços do Governo Federal que, nos últimos anos, especialmente, no período marcado pela gestão do ex-Ministro da Cultura Gilberto Gil e do atual Ministro Juca Ferreira, possibilitaram vivenciarmos importantes processos para a atividade cultural brasileira, entre eles, a ampliação do financiamento público direto, com editais abertos à concorrência pública; com novos desenhos das políticas de investimentos social e cultural efetuados pelas empresas estatais, também através de editais públicos e mecanismos transparentes de acesso aos recursos de patrocínio que elas vêm destinando para estas áreas; assim como o reconhecimento a iniciativas de sujeitos produtivos da arte e cultura nos segmentos, estratos e territórios populares, investindo neles recursos que potencializam suas capacidades para articular as dimensões simbólica, cidadã e econômica do fazer artístico. Mas, ainda, há um temário pendente de reflexão e abordagem, no qual se inscrevem as dificuldades à quais nos submetem uma elevada carga tributária e fiscal e uma inadequada legislação trabalhista.

Estamos entre os que defendem o Plano Nacional de Cultura, que lança o país (ainda que tardiamente, ou seja, 25 anos depois que países como a Inglaterra criou estruturas de fomento e desenvolvimento da atividade criativa como fonte geradora de riquezas e desenvolvimento), no desafio de dar visibilidade, valorizar e apropriar a cultura como segmento estratégico do desenvolvimento econômico, social e humano. Mas, por outro lado, ancorados em números que colocam as atividades produtivas que têm como principal capital a criatividade humana, entre as que mais crescem em importância no PIB mundial, superando em pelo menos 4% todos os outros segmentos da atividade econômica, estamos certos de que este acertado caminho apontado pelo MinC, é tratado de maneira muito tímida por um conjunto de outras estruturas do Estado, especialmente, se quisermos efetivar políticas culturais promotoras de diálogos entre Cultura e Marcado, Cultura e Direitos Humanos, Cultura e Educação, enfim, cultura como eixo de desenvolvimento.

Percebemos que, ao mesmo passo em que o Ministério da Cultura tenha colocado o bonde no trilho certo, lançando o debate de Cultura e Desenvolvimento, a equipe econômica do governo impeça que o bonde pare nas estações das cadeias produtivas do mercado cultural. Vide a recente elevação da carga tributária das empresas de produção cultural que foram retiradas do Sistema Simples e dos pequenos trabalhadores, artistas, produtores e fazedores de arte, essenciais às cadeias produtivas de pequenos, médios e grandes orçamentos, que não foram alcançados pelos benefícios da Lei Complementar n. 128, de 19 de dezembro de 2008, lei esta que, entre outras disposições, possibilita a criação e regulamentação de um novo sujeito produtivo formal denominado Empreendedor Individual que, em parte, resolveria algumas das questões abordadas por este manifesto.

De acordo com informações postadas no "Portal do Empreendedor" do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, milhares de trabalhadores que hoje exercem suas atividades de maneira informal, se optarem pela legalização transformando-se em um Empreendedor Individual, poderão ter acesso a benefícios como: cobertura previdenciária; contratação de funcionário com menor custo; isenção de taxas para registro da empresa; ausência de burocracia; acesso a serviços bancários, inclusive crédito; compra e venda em conjunto; redução da carga tributária; controles muito simplificados; emissão de alvará pela internet; cidadania; benefícios governamentais; assessoria gratuita; apoio técnico do SEBRAE na organização do negócio; possibilidade de crescimento como empreendedor; e segurança jurídica. Além disso, é claro, o Estado em seus três níveis de gestão (municipal, estadual e federal) irão arrecadar de forma justa e humanizada as devidas contribuições e impostos destes trabalhadores, ampliando (em escala) a sua receita para realizar investimentos e arcar com as despesas das funções de governo. Este é um jogo legal!!! Um jogo que todo mundo ganha!!! Não é Estado e Sociedade se colocando em campos opostos, mas construindo alternativas para a formalização de inúmeras atividades produtivas, exercidas por hoje cerca de 11 milhões de trabalhadores em todo o Brasil, segundo a Agência Brasileira de Notícias.

Embora os mágicos, instrutores de música, instrutores de artes cênicas, instrutores de cultura em geral e promotores de eventos, sejam alcançados pelos benefícios da referida Lei, as atividades relacionadas à produção cultural e artística e a produção cinematográfica e de artes cênicas, foram textualmente excluídas dos benefícios da Lei, impossibilitando aos trabalhadores que atuam nos diversos elos das cadeias produção artística, não se valarem deste benefício.

Somos sabedores que a Lei destina-se a atividades produtivas não reconhecidas como profissões regulamentadas, o que, teoricamente, evidencia uma preocupação com a precarização das relações de trabalho. Mas, a verdade é que estão claras as dificuldades de se criarem vínculos trabalhistas com profissionais cuja atividade e utilização da mão de obra tem um caráter pontual e descontinuado, algumas vezes até excepcional.

Este é o verdadeiro quadro independentemente do que possa dispor toda a legislação tributária, fiscal e trabalhista vigente, que leva, de certa forma todos nós à informalidade e/ou à busca de saídas visando a manutenção das possibilidades de seguir trabalhando e produzindo. Por isso, oferecemos, diante de um quadro como este, a proposta de criação de um Grupo de Trabalho Interministerial – “RE-CULTURA: a reforma da cultural brasileira”com a participação dos mais variados segmentos artísticos e culturais do Brasil e especialistas das áreas fiscal, tributária e trabalhista, focado na construção de um marco regulatório específico para as nossas atividades.

Antes, porém, pretendemos contar com a sensibilidade e apoio dos poderes executivo e legislativo para a resolução célere de outras dificuldades e novas barreiras impostas ao desenvolvimento e fortalecimento das condições de trabalho e produção artística e cultural no Brasil: 1) a exclusão dos trabalhadores e profissionais das produções artísticas, das artes cênicas e cinematográficas dos benefícios da Lei Complementar 128/08 gerando à eles a possibilidade de escolha e qualificação como Empreendedor Individual; e 2) a revisão do tetos de tributação, retomando as condições das pequenas e médias produtoras se enquadrarem no sistema simples.

A verdade, embora, muitos não venham a público assumir a sua parcela de responsabilidade nesta discussão, é que empresas públicas e privadas, pessoas físicas e jurídicas dos mais diferentes setores da atividade econômica, o tempo inteiro pensam e constroem estratégias visando reduzir os impactos da carga tributária, fruto de uma prometida reforma tributária que nunca chega e, que, no caso específico do setor cultural, si agrava uma crise estrutural que precisa ser enfrentada como a ação mais imperiosa de toda a estratégia voltada para transformar a cultural como atividade estratégica e eixo importante do desenvolvimento.

Por fim e não menos importante é dizer que a atividade cultural, além de importante vetor de desenvolvimento é construtora de identidades, pertencimentos e meios, especialmente, nos últimos anos, de inserção sócio-produtiva, particularmente, de jovens, os que mais sofrem as dificuldades para encontrar espaços no mercado formal de trabalho cada vez mais estreito.

O debate está posto!!! O momento é positivo para darmos o ponta pé inicial num amplo debate, sem hipocrisias, demagogias e tentativas de criminalização dos sujeitos produtivos da cultural.

O momento é de um debate responsável e consequente para de vez por todas tornar os sujeitos produtivos da arte visíveis à luz da legalidade, mas um tipo de legalidade adequada à sua atividade, com consequências efetivas na afirmação e apropriação da cultura como campo estratégico para o desenvolvimento social, humano e econômico do Brasil.

E nestes termos, os subscritores, propõem aos Governos Federal, Estaduais e Municipais, bem como aos Poderes Legislativos, um debate sobre as questões trazidas por este manifesto, assumindo com eles o desafio de construir a saída desta crise estrutural da atividade produtiva na cultura. 04 de agosto de 2009.


Lista de Trabalhadores da Cultura:

1. MV BILL, cantor de rap, escritor e um dos fundadores da CUFA
2. ERNESTO PICCOLO, ator e diretor
3. ANTÔNIO PEDRO, ator e diretor
4. ALICE VIVEIROS DE CASTRO, atriz, diretora, conselheira CNPC/MinC
5. HAMIR HADDAD, ator e diretor teatral, Ta na Rua – Rio de Janeiro
6. CELSO ATHAYDE, produtor, fundador e coordenador da CUFA
7. FERNANDA ABREU, cantora
8. JUNIOR PERIM, produtor, militante cultural e coordenador do Crescer e Viver
9. ROGÉRIO BLAT, ator, diretor e roteirista
10. AURÉLIO DE SIMONI, iluminador
11. MARCUS FAUSTINI, ator e diretor
12. LUIS CARLOS NASCIMENTO, produtor, cineasta, coordenador do Cinema Nosso
13. JOÃO CARLOS ARTIGOS, ator, palhaço, diretor e produtor, diretor do Teatro de Anônimo
14. MÁRCIO LIBAR, ator, palhaço e diretor
15. RICHARD RIGUETTI, ator, palhaço e produtor cultural, diretor do Grupo Off-Sina 5
16. MARTA PARET, atriz e produtora
17. ERMÍNIA SILVA, historiadora e escritora
18. VINICIUS DAUMAS, ator, palhaço e coordenador do Crescer e Viver
19. CÚNCA BOCAYÚVA, professor universitário
20. DYONNE BOY, coordenadora executiva Jongo da Serrinha
21. VANDA JACQUES, diretora pedagógica da Intrépida Trupe
22. JOELMA COSTA, presidente da Associação de Famílias e Artistas Circenses
23. SÔNIA DANTAS, produtora cultural
24. PAULINHO FREITAS, compositor, músico e escritor
25. FERNANDA OLIVA PAIS, atriz e produtora
26. LÉO CARNEVALE, ator, palhaço e produtor cultural
27. LEANDRO OLIVEIRA, ator e produtor cultural
28. ANA PAULA JONES, atriz, pesquisadora e produtora cultural
29. FLÁVIO ANICETO, produtor cultural e coordenador do CPC Aracy de Almeida
30. CLEISE CAMPOS, atriz bonequeira e gestora cultural
31. MARCELO LAFFITE, cineasta
32. PAULO HUMBERTO MOREIRA, músico e produtor
33. BETO BAIANO, músico, cantor e compositor
34. BETO PÊGO, fotógrafo
35. TUCA CERÍCOLA, circense
36. DAVY ALEXANDRISKY, fotógrafo, videomaker, agente cultural
37. BIA ALEXANDRISKY, atriz e diretora
38. NINA ALEXANDRISKY, escultora
39. JAIME RODRIGUES, diretor, ator e produtor cultural
40. FABRÍCIO DORNELES, ator e produtor cultural
41. ANSELMO SERRAT, educador, produtor cultural e diretor circense
42. SEPEQUINHA, mágico, palhaço, diretor e produtor cultural
43. ANALISE CAMARGO GARCIA, atriz, diretora e professora
44. JOAO FRANCO, iluminador
45. HELIO FRÓES, ator
46. CAROLINA GUIMARAES CHALITA, atriz
47. SERGIO OLIVEIRA, produtor cultural
48. MARCIO SILVEIRA DOS SANTOS, ator, diretor e professor
49. CAIO MARTINEZ, ator e produtor
50. LUIZ CARLOS BURUCA, ator, diretor, produtor
51. ANDRÉ GARCIA ALVEZ, Será o Bendito?! Cia. de Teatro
52. VINICIUS LONGO, Vinnyl 69
53. FÁBIO FREITAS, palhaço e trapezista
54. JIDDU SALDANHA, mímico e cineasta
55. ANDRÉA CEVIDANES, Cia. Teatro Porão
56. ÉRIKA FREITA, palhaça
57. VALÉRIA MARTINS, criadora, produtora, figurinista
58. IERÊ FERREIRA, fotógrafo, músico e produtor
59. NATHALIA PIMENTA, produtora e cineasta
60. ELÁDIO GARCIA SÁ TELES, produtor, roteirista, diretor e produtor
61. MARIA AMÉLIA CURVELO, artista plástica e gestora cultural
62. ALEXANDRE SANTINI, ator e diretor, Tá na Rua - Rio de Janeiro/RJ
63. ROBSON BOMFIM SAMPAIO, Comissão Nacional e Paulista de Pontos de Cultura Digital/CNPq/MinC
64. ISMINE LIMA, atriz bonequeira
65. MATEUS GUIMARAES, fotógrafo, escritor e produtor cultural
66. GUILHERME REINEHR, dj e produtor musical
68. BETHI ALBANO, professora, compositora e cantora
69. JOÃO MARCELINO SURIBES, produtor e gestor cultural - Carapicuíba/SP
70. TAIS NASCIMENTO, artista visual, atriz e produtora cultural
71. IVAN CID, maestro e gestor cultural
72. ROSA RASUCK, analista cultural e artista plástica - Vitória/ES
73. ANA LOPES, diretora teatral, ES
74. LINO ROCCA, ator, diretor e produtor cultural
75. CASSIA OLIVAL, produtora cultural
76. ALEXANDRE LUCAS, artista visual, pedagogo, Coordenador Geral do Coletivo Camaradas/CE
77. LEONORA CORSINI, pesquisadora da Rede Universitária Nômade
78. RAQUEL MATTEDE
79. ELIANE LABANCA, produtora cultural
80. ELIZABETH NEGRINI, produtora cultural
81. CARRIQUE VIEIRA, ator e produtor
82. FERNANDA PASSOTI DE JESUS, coordenadora da Casa da Memória Pietro Tabacchi - Aracruz/ES
83. ARCILIO VIEIRA MALTA, ator, diretor, produtor e roteirista teatral
84. LAURA FRACASSO, coordenadora técnica da Instituição Pe. Haroldo
85. RAFAEL RODIRGUES, jornalista
86. RAQUEL DA CÂMARA GOLÇALVES PEREIRA
87. REGINALDO SECUNDO, músico e coordenador de artes cênicas do Instituto Quorum
88. ROMULO ROGRIGUES, professor - Vitória/ES
89. ALINE GUIMARÃES, atriz e poeta 90. LUIZ ALBERTO MACHO, escritor e compositor - Maceió/AL
91. PAULO FERNANDES, diretor da Cia Enki, pesquisador e bailarino - Vitória/ES
92. JULIANO AUGUSTO SILVA COSTA, ator, produtor, artista de rua e militante cultural 93. DANIELE RODRIGUES DA COSTA, atriz, contadora de história, artista de rua e militante cultural
94. MARIA RITA COSTA DA SILVA, diretora, historiadora, atriz, artista de rua e militante cultural
95. MARILUA AZEVEDO, musicista, produtora, artista de rua a militante cultural
96. EDMILSON SANTINI, ator, autor, cordelista, teatro em cordel
97. LENINE ALENCAR, ator, diretor de teatro, produtor e militante cultural
98. CRISTIANO PENA, ator, palhaço e integrante do Grupo Terceira Margem - Belo Horizonte/MG
99. ADAILTON ALVES, ator do Buraco d´Oráculo - São Paulo/SP
100. THIAGO MIRANDA FERREIRA, compositor, cantor e músico - VILA VELHA/ES
101. LEANDRO HOEHNE, do Balaio - Circo Intervenção - São Paulo/SP
102. BEL TOLEDO, diretora circense e produtora cultural - São Paulo/SP
103. ALBERTO MAGALHAES, ator e palhaço
104. ELINE MARIS, atriz, produtora cultural, arte educadora e economista - MG
105. AFFONSO MONTEIRO, malabarista, globista, circense - MG
106. EDINÉIA CONCEIÇÃO DE OLIVEIRA - produtora e assessora artística - SP
107. ADILSON MARIANO, bombeiro industrial - SP
108. ROBINSON DE SOUZA VICENTE, músico - SP
109. ANDERSON SILVERIO DE JESUS SILVERIO, educador físico/SP
110. VANESSA DA SILVA MARTINS, agente de saúde/SP
111. BRUNO OLIVEIRA, estudante de administração/SP
112. JEFFERSON MARIANO, estudante de administração e atleta/SP
113. TAHYR STEFANY ROSA GOMES CARDOSO, funcionária pública/SP
114. CARLA TELES BARBOSA, pedagoga/SP
115. LUCIANA OLIVEIRA CAMARGO, estudante de direito
116. RUBENS PILLEGGI SÁ, artista visual, escritor e mestrando em artes UERJ
117. RICARDO GADELHA, ator, palhaço e professor de teatro
118. MAIRANY GABRIEL, educadora e produtora cultura, Campinas/SP
119. AGNAL PEREIRA WANDERLEY, “Gigabrow”, arte educador, grafiteiro e produtor cultural, João Pessoa/PB
120. GUI MALLON, músico, escritor, produtor artístico e ativista cultural
121. LIZ MENEZES, produtora cultural, escrito e cineasta
122. DIOGO DIAS, Cia Circunstância Circo Teatro - Belo Horizonte - MG
124. RAFAEL MARQUES, ator, produtor e palhaço.
125. MARISA RISO, atriz, professora e palhaça.
126. CÍCERO SILVA, ator, diretor e palhaço
127. ROBERTO GONZAGA, ator e diretor teatral
128. GRABRIELA GÓES, musicista e produtora cultural
129. REGINALDO SECUNDO, ator, produtor e músico
130. JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA MONTEIRO, músico, produtor musical – Vila Velha/ES
131. ANA MARIA LEITE, turismóloga, musicista, zabumbeira do Trio Bacurau – Feira de Santana/BA
132. LAUDICEIA SCHUABA ANDRADE, militante da cultura/ES
133. ROBSON SANCHES, ator e produtor cultural
134. ANA CÂNDIDA, atriz e advogada, Rio de Janeiro/RJ
135. THAIS HELENA L.MOREIRA, professora, produtora cultural e pesquisadora da História do ES.
136. ALDO DEFINO, músico e produtor cultural – Mogi Mirim/SP

Lista de Organizações Culturais:

1. APTR – ASSOCIAÇÃO DOS PRODUTORES DE TEATRO DO RIO DE JANEIRO
2. CUFA – CENTRAL ÚNICA DAS FAVELAS – Rio de Janeiro/RJ
3. INTRÉPIDA TRUPE - Rio de Janeiro/RJ
4. TEATRO DE ANÔNIMO - Rio de Janeiro/RJ
5. CRESCER E VIVER – Rio de Janeiro/RJ
6. GRUPO OFF-SINA - Rio de Janeiro/RJ
7. CINEMA NOSSO - Rio de Janeiro/RJ
8. UNE - CIRCUITO UNIVERSITÁRIO DE CULTURA E ARTE
9. ABACDI - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ARTES, CULTURA E DIVERSÕES ITINERANTES
10. ESCOLA PERNAMBUCANA DE CIRCO - Recife/PE
11. PRATICÁVEL - Rio de Janeiro/RJ
12. SUA MAJESTADE O CIRCO - Maceió/AL
13. ASSOCIAÇÃO RAÍZES DA TRADIÇÃO - Recife/PE
14. CIRCO DUX - Rio de Janeiro/RJ
15. SAKULEJO PRODUÇÕES - Rio de Janeiro/RJ
16. CIRCO TRAPÉZIO - Niterói/RJ
17. ESCOLA LONDRINENSE DE CIRCO - Londrina/PR
18. CIA. MAIS UM - Rio de Janeiro/RJ
19. ESCOLA PICOLINO DE ARTES DO CIRCO - Salvador/BA
20. INSTITUTO DE ECOCIDADANIA JURITI - Juazeiro do Norte/CE
21. JONGO DA SERRINHA - Rio de Janeiro/RJ
22. TRUPE SHOW/ASAS DO PICADEIRO - Goiânia/GO
23. GRUPO MANJERICÃO - Porto Alegre/RS
24. GRUPO DE TEATRO NU ESCUTO - Goiânia/GO
25. TRUPE OLHO DA RUA TEATRO DE RUA - Santos/SP
26. INSTITUTO DE CRIANÇA CIDADÃ - São Paulo/SP
27 PROJETO LONA DAS ARTES - Campinas/SP
CIRCO DE PAPEL
OPERA PRIMA TEATRAL
ESCOLA DE CIRCO PÉ DE MOLEQUE - Terezina/PI
CUCA DA UNE - Distrito Federal
BATUCANTÁ
ESCOLA DE CIRCO ZOIN - Terezina/PI
CIA. BRASILEIRA DE MYSTÉRIOS E NOVIDADES - Rio de Janeiro/RJ
BAIXADA ENCENA - Nova Iguaçu/RJ
ASSOCIAÇÃO CULTURAL CANOA CRIANÇA - Canoa Quebrada/CE
ASSOCIAÇÃO MAIS GENTE - São Paulo/SP
CIRCO BAIXADA - Queimados/RJ
CIA DE TEATRO ARMAGDON
ROTARCT CLUBE DE BERTIOGA - FORTE
GRUPO TEATRO ANDANTE
CIRCO ÉBANO, São Paulo/SP
IRMÃOS BROTHER´S - Rio de Janeiro/RJ
PHÁBRIKA CULTURAL - MG
CIRCO ALOMA - MG
A.A.S.A.I. - ASSOCIAÇÃO DE ASSOCIAÇÕES SOCIAIS ARCO IRIS - Praia Grande/SP
DO BALAIO - CIRCO DE INTERVENÇÃO - São Paulo/SP
CIA FLOR NO PEITO – Rio de Janeiro/RJ
FÓRUM RIO ARTES CÊNICAS E ECONOMIA CRIATIVA – Rio de Janeiro/RJ
CIA.ENTROPIA DE PATIFARIA
INSTITUTO DE INCENTIVO À CRIANÇA E AO ADOLESCESCENTE DE MOGI MIRIM - SP

segunda-feira, agosto 10, 2009

Depoimentos sobre o lançamento do livro Aprenda a Organizar um Show - 02




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Este é o segundo vídeo que foi para o youtube: depoimento da músico, compositor e vocalista da banda Ultramen, Tonho Crocco, falando sobre o lançamento de "Aprenda a Organizar um Show" em Porto Alegre. Trabalhei com o Tonho nos shows do Acústico MTV Bandas Gaúchas no RS.



"Dívida", Ultramen e Falcão, Acústico MTV Bandas Gaúchas


Mais de 9.300 pessoas já acessaram o conteúdo desta publicação.

sábado, agosto 08, 2009

Marcelo Tas afirma: "as mídias não estão mais nas mãos do comercial de 30 segundos ou da primeira página da revista"


Fotos: Cia de Foto


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


A maior parte dos conteúdos que temos acesso no dia-a-dia, apresentam assuntos muito resumidos e com pouco estímulo à reflexão. Quem gosta de política marxista, acha que o mundo em toda sua complexidade resume-se em luta de classes, quando poderia pensar que esta idéia pode contribuir para entendermos o que pode vir a ser o mundo. Quem é adepto de uma determinada religião, tem a certeza de que o mundo é do jeito professado pelos líderes religiosos que segue. Quem fala sobre o desemprego, muitas vezes acha que ele é apenas uma seleção natural e que os bons nunca ficarão sem emprego. Na área cultural, quem não consegue organizar um show, gravar sua música, vender seus livros, é taxado por quem consegue de incompetentes, amadores, etc.

Pensando nesta preocupação constante que tenho de escrever ou publicar conteúdos acessíveis, para estimular que as pessoas pensem sobre o estado das coisas e comecem a perceber que são capazes de tocar os seus projetos, suas idéias, encontrei uma ótima entrevista com o Marcelo Tas, publicada na Revista Continuum Itaú Cultural, nº 21, onde ele traz informações muito importantes para quem está se desenvolvendo como produtor cultural independente.


O homem seguido por 118.177 pessoas



Por Marco Aurélio Fiochi | Fotos Cia de Foto


A intimidade de Marcelo Tas com os computadores vem de longe: começou em um aperfeiçoamento em cinema e TV na Universidade de Nova York (NYU), na década de 1980, tempos em que a informática não era assunto corriqueiro como é hoje e o PC nem sequer tinha sido inventado. Desde esse primeiro contato, que se deu por acaso, devido à curiosidade que herdara de sua formação em engenharia, Tas vem construindo com grande atenção sua presença virtual, que hoje é tão importante quanto a atuação como jornalista e comunicador de TV. Um ranking realizado em 2008, por exemplo, posicionou-o entre os três perfis mais seguidos do Twitter brasileiro, e sua participação na rede (com o blog marcelotas.uol.com.br) contribui para torná-lo um dos formadores de opinião mais importantes da atualidade no país.

Âncora do programa semanal CQC, da Rede Bandeirantes, ele não credita sua participação bem-sucedida na internet a nenhuma fórmula mágica. "Quando as pessoas me falam 'você pauta, você traz notícias', digo que não. Só ouço com atenção o que me chega e separo o que acho relevante." Ao analisar o impacto da conectividade na vida das pessoas, Tas define o momento como uma fase de transição que a seu ver nunca terminará. "Estamos em um novo estado permanente, um mundo, literalmente, mais etéreo." O apresentador reforça ainda a importância da conexão através do olhar, do contato com o outro e com o próprio corpo como antídoto à sedução provocada pela conexão ultrarrápida da web.

Em tempo: o título desta entrevista, cujas perguntas foram criadas por leitores da Continuum, é uma brincadeira com o número de seguidores do perfil @marcelotas no Twitter. Mas é bom ressaltar que, graças à popularidade de seu criador, esse enorme contingente de pessoas poderá já ter se alterado quando você estiver lendo esta edição.


Ao que você atribui o alto grau de participação dos brasileiros em redes sociais, se comparado ao restante do mundo? Seria carência social ou procura de identificação em nichos? (Arieta Arruda, Curitiba/PR)

Isso se deve a duas coisas: o Brasil tem uma distância intransponível, infinita do resto do mundo. É um país que se coloca espiritualmente longe de todos, de tudo, apartado do primeiro mundo. Tem complexo de cachorro magro e, ao mesmo tempo, a esquizofrenia de não se inserir na América do Sul. Com isso, despreza uma riqueza gigantesca que está ao seu lado, na Colômbia, na Argentina, no Chile, no Paraguai... A América do Sul tem uma história belíssima, muito próxima dos brasileiros, e nós estamos muito mais voltados para a Europa, os Estados Unidos, Miami, que é quase uma cidade brasileira. O outro motivo se resume numa palavra: gambiarra. Não faço um elogio ao precário e ao malfeito. Falo de quem consegue superar, com criatividade, nosso estado real. Não podemos perder de vista o fato de vivermos num país desigual, cheio de injustiças e dificuldades. Mas o brasileiro tem um afeto pela tecnologia; e a gambiarra é o drible tecnológico que dá em suas deficiências. É o puxadinho, a antena de TV com Bom Bril nas extremidades, o gato, o benjamim apinhado de tomadas, o remendo no fio do ferro de passar roupa ou do computador. O brasileiro abre o computador com a mesma intimidade que abre um Sonho de Valsa. A gente não tem pudor com a tecnologia. Quando se vê um europeu mexendo num equipamento, ele tem respeito, tem medo, não aperta qualquer botão. O comportamento do brasileiro facilita a profusão de pessoas que usam as redes sociais no país. É uma intimidade com o meio, com a tecnologia e, obviamente, um exercício natural da nossa sociabilidade. Adoramos conversar, contar as coisas da vida. Isso se reflete na internet.


Como você vê o impacto da conectividade na vida das pessoas? Até que ponto a superexposição causada pelos blogs, pelo Twitter e até mesmo pela TV é positiva? (Luciana Morgado, São Paulo/SP)

A superexposição é positiva até o ponto em que ajuda as pessoas a conhecerem-se a si mesmas. Somos nós que a geramos. Parece que isso é causado por algum vírus, algo que está dentro do computador e que puxa as pessoas. Quem não gosta disso não se mostra na internet, assim como não é visto nas revistas de fofoca, ou no Orkut, ou no Big Brother Brasil, ou numa festa. O mundo virtual é um reflexo do mundo real. Quem é exibido no mundo real terá essa característica potencializada no mundo virtual. Depende do discernimento de cada um usar as ferramentas virtuais e saber até onde quer se expor. É um mundo muito sedutor, mas que também pode ser nocivo.


Você acredita que os milhões de brasileiros que não possuem acesso à internet são representados hoje na mídia? Tenho a impressão de que redações jornalísticas, produtoras de vídeo e agências de comunicação se concentram mais no que é visto na web do que na vida real daqueles que não têm acesso à internet e que também têm interesses, necessitam de informações. (Simone Castro, Itajaí/SC)

Concordo em parte com esse pensamento, mas temos que enxergar a mudança gigantesca que vivemos. Eu era adolescente nos anos 1970 e 1980, quando a publicidade vendia uma marca de cigarros chamada Hollywood com o seguinte slogan: "O sucesso". As pessoas que apareciam naqueles comerciais eram atléticas, superbonitas. Aquilo significava sucesso, era uma mensagem muito direta. Hoje, isso não tem o menor espaço. As mídias não estão mais somente nas mãos do comercial de 30 segundos ou da primeira página da revista que estampava um maço de cigarros e alguém surfando numa onda gigantesca, com o slogan "O sucesso". Atualmente, existe uma representatividade muito mais ampla por meio da internet. Esse é um caminho sem volta. O cidadão participa mais, mesmo se levarmos em conta o baixo índice de acesso à rede - o que é relativo, porque no Brasil já se tem algo em torno de 60 milhões de internautas. Até o caboclo que vive a três horas de barco de Santarém, na Amazônia, é afetado pela rede. A notícia chega até ele numa velocidade como nunca chegou. Não porque ele acessa um site, mas porque o barco que vai até ele para levar gelo e sal leva também a informação que acabou de sair na internet.


Quando e como foi seu primeiro contato com a internet? (James H. Prado, São Paulo/SP)

Meu primeiro contato foi um susto. Ele aconteceu na década de 1980, quando ainda não se falava em computador. Eu fazia um curso de pós-graduação em cinema e televisão na NYU, em 1987, com uma bolsa de estudos da Fullbright. Em um departamento que havia nessa universidade, vi um dia caixas de computadores empilhadas, que eu não sabia o que eram. Fui bisbilhotar e descobri que nesse departamento havia um curso que estava ganhando muita força naquele momento, o Interactive Telecommunications Program. Não havia computador pessoal, só aqueles usados em universidades e empresas. Pedi a prorrogação da bolsa e fiz esse curso, em 1988, no qual tive acesso ao primeiro Macintosh. Eu levei um choque! A biblioteca da NYU já era totalmente on-line e nela podiam-se fazer pesquisas em rede, com cruzamentos, igual ao que se faz hoje com o Google. Eu passava horas lá fazendo cruzamentos de informações, para adquirir experiência e por perceber que aquela era uma ferramenta interessantíssima. Ao voltar para o Brasil, só conseguia conversar com pouca gente sobre essa rede. Tinha alguns amigos nerds naquela época, pois fiz engenharia na Poli [Escola Politécnica da Universidade de São Paulo], e só eles entenderam o que eu estava falando. Mudei-me para o Rio de Janeiro no começo da década de 1990, onde tive acesso ao primeiro provedor brasileiro, o da ONG Ibase [Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas], coordenada na época pelo Betinho [o sociólogo Herbert de Sousa]. O Ibase proveu acesso à internet ao público brasileiro, seus integrantes foram pioneiros. Meu primeiro e-mail foi da Alternex, o provedor de acesso do Ibase. Registrei esse endereço em 1992, logo no início, quando o serviço começou a funcionar.


Desde quando você usa o Twitter e como descobriu essa ferramenta? Você imaginaria que seria uma das pessoas mais seguidas no Brasil? (Bruno Daniel Puga, São Paulo/SP)

Nunca imaginei que isso fosse acontecer! Eu comecei a usar o Twitter em 2007. Quando surge uma ferramenta, eu sempre me registro e tento entender como ela funciona. Muitas delas não duram, mas as experimento e depois as esqueço. Percebo que algumas outras nasceram antes da hora, como o Second Life, no qual também me registrei e cheguei a usá-lo. Há ainda aquelas em que apostei muito que dariam certo e não deram, como o Joost, uma TV a cabo sem limites, de graça, na internet. Fui um dos primeiros a me registrar nele, mas não decolou. No caso do Twitter, sempre usei essa ferramenta muito intensamente, desde o começo. Em 2008, fiquei entre os três mais seguidos do Twitter brasileiro, o que foi um susto para mim, porque os outros dois são meganerds, que respeito muito, o Cris [Cristiano] Dias e o Carlos Merigo. Muita gente me pergunta como faço para ter tantos seguidores no Twitter. Penso que a gente imprime na rede a nossa experiência. Não há fórmula mágica. Às vezes, até se tem muita coisa para oferecer, mas não se sabe como. Talvez a linguagem não seja a mais adequada, ou a pessoa pode ser muito popular, mas a maneira como se comunica não é. O verbo da era em que vivemos é ouvir. Temos que aprender a ouvir, senão não sobreviveremos. Quando as pessoas me falam "você pauta, você traz notícias", digo que não. Só ouço com atenção o que me chega. Gasto muito tempo ouvindo e separando o que acho relevante. Não sou eu que sei de tudo, mas tenho uma rede poderosa de pessoas às quais ouço e respondo e que respeito. Eu me corrijo quando erro, brigo, debato, discuto... Acho que isso gera confiança nas pessoas para que me procurem e compartilhem informações comigo.


Até que ponto a utilização de redes sociais pode ser viável no desenvolvimento pessoal e profissional de uma pessoa, sem que ela seja prejudicada pelo excesso de informação e se perca no gerenciamento de sua "vida virtual"? (Daniel Medina, Jundiaí/SP)

Um bom termômetro são os olhos dos nossos filhos ou dos nossos melhores amigos. Para mim, o termômetro é a conexão afetiva. No dia que seu filho começar a achar que você é um idiota, é melhor tomar cuidado. Aliás, é melhor tomar cuidado antes disso. Não significa que dentro do computador mora um demônio, mas somos cobaias de uma fase de transição. É fácil ficar grudado nessa cola sedutora que é a conexão ultrarrápida. O que nos salva é que continuamos tendo de comer, dormir, cuidar do cachorro. Sugiro às pessoas: tenha um cachorro, um gato, de preferência filhos, namorados. Isso é o que importa no fundo. E as redes, meios de troca de informação, de imagem, devem servir a isso. Não é preciso separar uma coisa da outra. Há pessoas que falam: "Agora vou me desligar do computador". Isso é bobagem. Checar o Twitter, por exemplo, é muito rápido, não é uma violência.


O que você acha dos fakes [perfis falsos] espalhados pela internet, inclusive no Twitter? (Weslei Rodrigues, Antonio Carlos/MG)

Há dois tipos de fake. O primeiro é resultado de uma sátira, que pode ser muito legal. É o caso do Victor Fasano, o fake mais famoso do Twitter (@vitorfasano). Não é o ator real, todo mundo sabe disso, mas, sim, um personagem. Ele aborda a realidade pela ótica do Victor Fasano, faz comentários sobre tudo, o Lula, o Big Brother, a seleção brasileira, é genial. Acho que esse cara é um dos maiores comediantes do Brasil atualmente, e ninguém sabe quem ele é. Mas há um segundo tipo, que causa confusão no público. Já criaram fakes meus para oferecer ingressos para a gravação do CQC e para xingar pessoas. Quando há a conotação de falsear uma identidade, o público demora a perceber. E isso é crime. Há muita confusão devido à fase transitória em que vivemos. As pessoas acham que cometer tais ações na rede não é ilícito.


O impacto da incorporação da internet em aparelhos como celulares e TVs acarretará uma supervalorização da informação? (Adaildo Neto, Rio Branco/AC)

A informação sempre foi valorizada. Quem a processa ou a pesquisa tem poder, como os cientistas, os artistas. Eles detêm algo muito poderoso. O mesmo para quem detém a informação do espírito. Não é à toa o crescimento do número de igrejas, de terapias. Tem poder, também, aquele que procura aprofundar a informação. Ela não é mais um bem tão valorizado; o que tem valor é o conhecimento, que é como se aprofunda uma informação. Valem mais as conexões que se fazem entre os fatos do que os fatos em si. Muitos professores implicam com seus alunos por causa da internet, do celular. Eles deviam proceder de outra forma, pois têm uma chance raríssima de exercer apenas a função primordial de sua profissão, que é promover o debate, os insights, aprender junto, gerar o movimento do saber com seus alunos e não apenas trazer coisas para eles.


Como você analisa a prática do jornalismo no mundo contemporâneo e o diálogo dos profissionais da comunicação com as ferramentas modernas e com a sociedade? Percebe-se a pobreza de pautas, além da infinita reprodução de releases. Com tanta informação disponível a um clique, você acredita que os jornalistas estejam cientes de que seu papel está em processo evolutivo e que lhes será exigido mais apuração, mais pesquisa e mais riqueza em suas reportagens? (André Patroni, Campo Grande/MS)

Pode parecer paradoxal, mas creio que o jornalismo vive uma época de ouro. Apesar do sucateamento dos veículos de comunicação, há muita gente interessante que agora tem outros meios de fazer jornalismo. E há outras pessoas também interessantes que continuam a fazer o jornalismo tradicional. Podemos selecionar o que ler de uma maneira muito mais abrangente. O mundo está mais generoso com o talento das pessoas. Essa é mais uma característica dessa fase de transição de que falei há pouco. É uma transição que talvez não acabe nunca. Vivemos numa fronteira que não é e nunca será definida. Estamos em um novo estado permanente, um mundo, literalmente, mais etéreo, que escorrega, que não conseguimos pegar. Esse estado é, inclusive, mental, espiritual. Por isso, é importante a conexão pelo olhar, o contato com o outro e com você mesmo, com seu corpo. Hoje quase todos nós, invariavelmente, temos dores nos braços por ficar muitas horas em frente de um computador. É bom ouvir os sinais dados pelo corpo, pois tenho certeza de que daqui a cinco, dez anos a pauta da saúde vai ser uma pandemia de LER [lesão por esforço repetitivo].

Fonte: Revista Continuum Itaú Cultural

quarta-feira, agosto 05, 2009

Conheça um pouco da cultura do Distrito Federal: visite o Açougue Cultural T-Bone




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


No Distrito Federal, em Brasília, uma experiência muito interessante vem mostrando que trabalho organizado e visão de longo prazo mudam o estado das coisas.

Leia com atenção a reportagem de Isabel Clemente, publicada na Revista Época.


O açougueiro dedicado aos livros



O menino Paulo Ricardo Carvalho das Chagas tem 10 anos e há dois frequenta uma biblioteca. Ele tem a sorte de contar com uma em frente ao trabalho da mãe, onde passa as manhãs antes de ir à escola. A mãe vende salgadinhos e refrigerantes numa barraca na rua, na frente de uma parada de ônibus de concreto e pintura descascada, em uma das avenidas comerciais mais apinhadas de Brasília, a W3 Norte. É na parada de ônibus que Paulo Ricardo e outros passageiros se encantam com livros que acabam levando para casa. “Já li um monte. Gosto muito de contos de fada, meu preferido é Pinóquio”, diz o bem articulado menino, que também se prepara para a longínqua prova de habilitação de motorista lendo manuais de autoescola. “Sei o significado de várias placas.”

De manuais de autoescola a clássicos da literatura mundial, tem de tudo nas 35 bibliotecas montadas nas paradas de ônibus ao longo da avenida que corta de uma ponta a outra os 7 quilômetros da Asa Norte, um dos bairros de Brasília. Os livros estão à disposição do público, de graça e sem fiscalização. As pessoas levam o que bem entendem, sem anotar nomes ou o título da publicação, pelo prazo que lhes convier. As regras estão escritas num pequeno cartaz: “Leve um por vez; devolva-o em bom estado; não fique com o livro por muito tempo”.

Esses livros fazem parte de um acervo de mais de 100 mil títulos da “biblioteca popular”, projeto idealizado e mantido por Luiz Amorim, um açougueiro de Brasília. Paulo Ricardo é um dos colaboradores espontâneos e informais do açougueiro. Divulga sua fonte de consultas para os amiguinhos, arruma e até limpa as estantes e vigia, da barraca da mãe, o que os outros fazem com sua biblioteca preferida.

Visto com descrédito no início, o projeto da biblioteca popular sobrevive há dois anos sem patrocínio. “Nunca tive recursos para comprar um único livro novo. É tudo doado”, diz Luiz, de 43 anos, que aprendeu a ler aos 16. Luiz ganhou fama com as Quintas Culturais, eventos realizados na calçada de seu açougue a cada duas semanas, com escritores e artistas. Já passaram por seu estabelecimento os escritores Ruy Castro, Fernando Morais, Ziraldo e as cantoras Elba Ramalho e Tetê Espíndola. Para esses eventos, com atratividade e publicidade garantidas, Luiz conseguiu o patrocínio da Petrobras, há quase três anos. Afinal, os cachês podem variar de R$ 10 mil a R$ 100 mil, valores fora do padrão de vida desse baiano que migrou para Brasília aos 7 anos. Luiz mora de aluguel com a mulher e o filho de 3 anos numa quitinete de 50 metros quadrados, em cima do açougue. Nas duas horas de conversa com ÉPOCA, o açougue recebeu um único cliente. “Meu desafio no início era atrair as pessoas para eventos culturais num açougue. Agora é mostrar que o açougue é meu ganha-pão, porque as vendas caíram. Isso aqui não é hobby”, diz Luiz, sério.

Inaugurado em 1998, o açougue permanece com a mesma aparência, sem filiais. Antes do patrocínio, Luiz tirava do bolso recursos para fazer os eventos culturais. Foi nesse ambiente que criou a primeira biblioteca popular, disseminando o gosto pela literatura entre funcionários e clientes que chegavam para comprar um bife e saíam também com um livro de Machado de Assis embaixo do braço.

Hoje, é comum ver os funcionários registrando as doações que não param de chegar. As novidades são distribuídas quando o açougueiro sai em sua Kombi sem bancos para arrumar e abastecer as estantes nos pontos de ônibus, com a ajuda de dois empregados. Um deles, calçando galochas brancas e boné de açougueiro, conta ler pelo menos um por mês. Edglei Cavalcante trabalha há dez anos com Luiz. Estudou até a 5ª série e, enquanto ajuda o patrão a arrumar as estantes populares, separa livros para si ou para a filha de 7. “Depois devolvo e pego mais”, diz.

Ao ver os rapazes arrumando as estantes, uma senhora pergunta, de longe: “E pode pegar assim, é? Pensei que fosse crime!”. Quando a desconfiança vira confiança, Luiz comemora. É essa consciência cidadã que estimula o respeito ao espaço público e ao bem comum que impressionou a responsável pela área cultural da Unesco no Brasil. “Oferecer algo que não é de ninguém, num local público, e contar com que o usuário devolve o livro em bom estado é de uma didática mais importante até que a leitura em si”, diz Jurema Machado, coordenadora de cultura da Unesco no Brasil. “Esse projeto prova que é possível fazer isso, porque funciona.”

A Unesco não dá apoio financeiro a projetos, mas resolveu ajudar a difundir a ideia da biblioteca popular, para que outras pessoas tenham a mesma iniciativa em suas cidades – esse, sim, é o grande sonho do açougueiro. “Me cobram porque eu não estendo até a Asa Sul, ou a cidades-satélites, mas não tenho condição de fazer isso sozinho”, diz Luiz. Sua mulher, Vera, uma gaúcha alta, loura e de olhos verdes, que trabalha como analista de sistemas, afirma: “É como um filho dele. E para manter um filho você não mede esforços, não questiona quanto sai de seu bolso”.

Para tornar as bibliotecas populares uma realidade, Luiz peregrinou por bibliotecas “de verdade”, colhendo informações. Esse filho, como bem definiu a mulher, ele gestou por três anos, até tomar coragem para o parto. Cercou um ponto de ônibus com estantes, expôs 10 mil livros e ficou lá sentado, prancheta na mão, tomando nota. “Aí eu percebi que só teria credibilidade se todos os pontos de ônibus oferecessem isso e estivessem sempre organizados”, diz. “Há estudos de sociologia que explicam esse comportamento por constrangimento. O cara que não cuida do banheiro na rodoviária não tem o mesmo comportamento no shopping, onde encontra tudo limpo. É por aí”, afirma. “E o homem, como ser coletivo, é bom”, diz, citando Aristóteles sem soar pedante. Em nome de sua paixão por livros, Luiz vem investindo quase tudo o que ganha na ideia fixa de disseminar o hábito da leitura. “Devo tudo aos livros e sei que mudei a vida de muita gente com eles.” Alguém duvida?

Fonte: Revista Época


Alguém tem dúvida de que Luiz Amorim é um produtor cultural independente?

O que você faz para levar adiante as suas idéias e projetos?


Conheça mais o Açougue Cultural T-Bone

domingo, agosto 02, 2009

Um escritor que tem muito a contribuir com a formação de um produtor cultural independente


Vídeo produzido pelo Jornal de Debates, cujo diretor é o meu amigo Pedro Markun


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


- Um sonho?
- Parar de trabalhar.

Ao ouvir a resposta à pergunta feita pelo jornalista Roberto D`Avila, você pode estar pensando que o entrevistado era é uma pessoa que não gosta do que faz, talvez um adolescente querendo curtir a vida ou malandro da velha guarda.

Pois o entrevistado é um intelectual que em 1997 escreveu o livro Cidade de Deus: Paulo Lins.

A vida nos mostra a cada momento que sempre há uma oportunidade de ampliarmos a nossa formação como produtores culturais independentes.

A primeira vez que ouvi falar no Paulo Lins, curiosamente, não foi na época do filme Cidade de Deus.



Foi num dia comum de trabalho, lá no Nós do Morro, em 2008. Quando perguntei "quem é Paulo Lins", minha diretora, que é uma educadora, estimulou: procure no google. Pesquisei rapidamente e vi que ele era o autor do livro que deu origem ao filme. Como uma série de outros assuntos, anotei para pesquisar mais adiante.

Hoje, quando finalmente tive a sorte de fazer minha antena pegar o sinal de TV aberta, aqui no Morro do Vidigal, sintonizei na TV Brasil e me deparei com o escritor, falando da sua formação, como escreveu o livro Cidade de Deus e o seu novo livro "Desde que o samba é samba é assim".

Durante a entrevista, ele cita encontros que teve com o Férrez, escritor que descobri recentemente, mencionado nos posts anteriores.

No final, Paulo Lins afirma: "é muito melhor ler do que escrever".

Depois desta verdadeira aula, fiquei curioso em conhecer este escritor, dialogar com ele. Achei dois vídeos no youtube, o que está no início do post e este aqui:

sábado, agosto 01, 2009

Comece agosto conhecendo a cultura da paraíba através do programa Diversidade




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Aproveite este final de semana e experimente trocar um pouquinho de canal para conhecer o programa DIVERSIDADE, exibido de segunda a sexta, às 13h00 e às 19h10, pela TV Itararé de Campina Grande (afiliada da TV Cultura). O Diversidade apresenta reportagens diárias sobre a cultura paraibana, com destaque para o que é produzido em Campina Grande e região circunvizinha.

Veja que interessante é assistir uma pessoa falando sobre a internet do ponto de vista de alguém que mora na Paraíba.

O que o Produtor Cultural Independente fez em julho de 2009


Imagem livre do site www.morguefile.com


Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Julho foi um mês surpreendente para mim. Várias reflexões, não conclusivas, mas em processo de construção, cutucaram minha intuição para iniciar escrevendo que fazer produção cultural, para mim, precisa ser tão prazeroso quanto é prazeroso para um compositor fazer uma música.



Ao escrever sobre isso, compartilhei uma forma que tenho de viver isso: usar minha criatividade para buscar alternativas. Sabendo que a maior parte do produtores culturais independentes trabalham com empreendimentos, nada melhor que mostrar uma oferta importante de conteúdos existente no site do SEBRAE, com foco em produção cultural.



O geógrafo Milton Santos fala que a clarividência vem através do estudo. Concordo com ele. Para aprofundar o estudo e a educação para a produção cultural, aproveitei o contato de Thamires Andrade e apresentei a entrevista de Romulo Avelar, produtor e gestor cultural, publicada no blog do Governo de Minas Gerais na coluna "Orgulho de Minas".



Além de pensar o fazer cultural e estudá-lo, gosto de conectar diferentes vozes que falem sobre isso em diferentes ângulos. Aproveitei então para indicar a entrevista do ator Selton Mello, capa da revista Bravo de julho



e também o depoimento da Thaís Aragão, produtora cultural que acompanha o meu trabalho.



Esta diversidade de conteúdos, palavras, vozes, olhares e encontros que tenho oportunidade de participar e que também proporciono aos outros, ocorre em um grande mar de possiblidades, que é a internet.



Nada melhor do que ouvir o Gil falando sobre isso, num vídeo realizado em Porto Alegre.


Na medida que os posts iam nascendo, eu fui tomando muitas decisões importantes na minha vida. E foi muito importante fortalecer a minha esperança assistindo o documentário de Silvio Tendler sobre Milton Santos.




A surpresa veio nos últimos dias. Assisti o filme “Palavra (En) Cantada” dentro do projeto “Domingo é dia de Cinema”



e conheci o escritor Ferréz, com a revolucionária idéia de incluir um livro na cesta básica de alimentos dos trabalhadores brasileiros.




Obrigado pela oportunidade de poder compartilhar todos estes conteúdos e idéias com vocês.

Um abraço,

Alê Barreto
Produtor Cultural Independente