terça-feira, outubro 19, 2010

Rumos Música 2010/2012: método inteligente para mapeamento da arte




Por Alê Barreto*


Iniciei o dia recebendo um presente. Minha amiga Andreia Schinasi, do Núcleo de Música do Itaú Cultural, me enviou o link do vídeo acima. Trata-se de um making of da comissão do Rumos Música 2010/2012.

Considero as práticas do Itaú Cultural uma referência no setor cultural brasileiro, especialmente o projeto Rumos, que realiza um mapeamento muito importante da produção cultural brasileira.

Assista ao vídeo. É uma oportunidade de benchmarking. Mostra uma forma inteligente, séria, qualificada e plural de se pensar o trabalho de curadoria de música. Pode ser também aplicado a outras áreas.

Divulgue isso também para quem trabalha elaborando projetos de festivais independentes, mostras artísticas, editais e concursos.

Saiba como funciona o programa



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* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto e valoriza encantadoras mulheres.

21-7627-0690 (Rio de Janeiro)
alebarreto@produtorindependente.com

Conheça o projeto "Contribuintes da Cultura"





Por Alê Barreto*



Você acredita que uma doação de R$ 10,00 por mês pode mudar a realidade cultural de sua cidade?

Conheça o projeto "Contribuinte da Cultura" e veja quantas realizações foram possíveis ao se colocar em prática o ditado "a união faz a força".


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segunda-feira, outubro 18, 2010

A platéia pode atuar na produção de um show?

Clique para ler


Por Alê Barreto*


E por falar em consumo cultural, as compras coletivas já estão alterando as cadeias produtivas do entretenimento. Se antes o público era apenas espectador, agora também começa a atuar na produção de shows.

Vejam que mobilização interessante. 60 cariocas estavam a fim de assistir o show do Miike Snow. Ele queria tocar no RJ. Mas o show não era confirmado porque era arriscado alguém assumir o risco de ter que pagar um cachê de US$ 8 mil, 12 passagens RJ-SP, R$ 2.980 de hospedagem, alimentação e transporte, algo em torno de R$ 20 mil.

Os 60 cariocas procuraram a produção do Circo Voador e fizeram uma proposta: pagarem os custos da banda, a produção do Circo bancar os custos da casa (equipamentos, funcionários, limpeza, etc.) e dividirem a receita dos ingressos depois de recolher 5% da bilheteria para o ECAD.

Deu certo? Sim! E eles já estão trabalhado para trazer outra banda!

Veja todo o processo de mobilização do público.


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É possível conhecer o público através de seu consumo




Por Alê Barreto*


Na disciplina "Análise de Experiências Corporativas em Marketing Cultural", ministrada pela professora Mariana Várzea, no MBA em Gestão Cultural que estou cursando, estudamos nas últimas aulas a importância de que projetos, programas e ações culturais estabeleçam diálogo com o público.

É um absurdo profissionais de produção e gestão cultural não se preocuparem com isso, só porque os projetos possuem recursos garantidos através de patrocínios via leis de incentivo. Quantas exposições, mostras de cinema, seminários, debates, shows musicais são realizados com platéias de 4, 7, 10 pessoas?

A professora instigou-nos a pensar a partir das seguintes perguntas:

"O que motiva as pessoas a irem ao seu espetáculo"?

"Os espectadores sabem porque existe o seu projeto cultural"?


Saí da aula e fiquei pensando sobre isso. Em casa, me ocorreu um insight, que rapidamente anotei no meu caderno: "procurar entender o comportamento de consumo do público". Conhecer o comportamento de consumo do público é uma boa forma de se entender seus hábitos de consumo culturais.


Nesta semana, a reportagem de capa da revista Exame aborda este assunto.





Você sabia que a classe C representa uma massa de 95 milhões de brasileiros, com renda familiar entre R$ 1.126 e R$ 4.824 reais por mês? Tem noção de que isso representa 50,5% da população?

Tem noção de que 71% deste 95 milhões de brasileiros acessa internet diariamente?

Procure ler a reportagem "A Classe C cai na rede". Amplie sua forma de pensar o consumo cultural e a formação de público para as artes, cultura e entretenimento.


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Qual é a visão que os paulistas têm de cultura?




Por Alê Barreto*


Recebi do meu amigo Luiz Pedreira Jr., da Visuart Comunicação Dirigida, a informação de um importante seminário que irá ocorrer em SP.

Eu não vou poder ir, pois estarei no Rio Grande do Sul ministrando a 10ª turma do "Aprenda a Organizar um Show" na Unisinos (veja informações sobre o curso), mas se estivesse no RJ, faria uma forcinha de pegar a ponte aérea e assistir. O trabalho que será apresentado está em sintonia com a necessidade de organização do setor cultural brasileiro. Precisamos trabalhar com informações e abandonar os "achismos".

O projeto da pesquisa é da J.Leiva Cultura & Esporte, com as parcerias da Datafolha e Fundação Getúlio Vargas (FGV), tem o patrocínio da CPFL Energia e conta com o apoio da Pinacoteca do Estado de São Paulo, PROAC e Governo do Estado de São Paulo. Todas estas empresas e instituições públicas estão de parabéns pela iniciativa.


PESQUISA INÉDITA TRAÇA PERFIL CULTURAL DO PAULISTA

No dia 21 de outubro, quinta-feira, serão apresentados no seminário Como investir em cultura? os primeiros resultados da pesquisa realizada pela Datafolha sobre a visão que os paulistas têm de cultura e a sua frequência a equipamentos culturais. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) colaborou na concepção do questionário e participará da análise dos resultados.

O principal objetivo do projeto, desenvolvido pela J.Leiva Cultura & Esporte, é fomentar a produção e a divulgação de informações sobre a cultura no país. A ausência de dados básicos sobre a atividade cultural, do número de teatros existentes aos empregos gerados, dificulta a compreensão da dinâmica do setor e a tomada de decisão por parte dos gestores culturais, públicos e privados.

O seminário tem a entrada franca.

Veja abaixo como participar, a programação com os temas, nomes dos palestrantes e horários.
Como participar: basta enviar um e-mail para seminario@jleiva.com.br ou telefonar para (11) 3512-2125, das 10h às 12h e das 14 às 18h. No e-mail é necessário informar o nome completo; telefone celular e fixo com ddd; e-mail; nome da instituição que representa ou trabalha; cargo ou área de atuação.

programação
cadastramento - 8h às 9h

PRIMEIRA MESA - 9h30 às 0h30
O que é cultura? O que ela representa para as pessoas? Da arte ao entretenimento
Debatedores: José Teixeira Coelho Netto (MASP), Tales Ab’ Saber (Psicanalista) e Laís Bodanzky (Cineasta)
Mediação: Marcelo Araújo (Pinacoteca)

SEGUNDA MESA - 10h45 às 2h15
Infra-estrutura e acesso. Cultura nas pequenas, médias e grandes cidades
Debatedores: Augusto Rodrigues (CPFL), Fernanda Bandeira de Mello (Secretaria de Estado da Cultura) e Cristina Lins (IBGE)
Mediação: Robinson Borges (Valor Econômico)

TERCEIRA MESA - 14h às 15h30
Economia da cultura, informação e indicadores
Debatedores: José Luiz Herencia (Ministério da Cultura), Eduardo Saron (Itaú Cultural) e Marcos Gonçalves (FGV)
Mediação: João Leiva (J.Leiva Cultura & Esporte)

QUARTA MESA - 15h45 às 17h15
Hábitos culturais. A importância da educação
Debatedores: Denise Grinspum (Arte na Escola), Paulo Pélico (Apetesp) e Ricardo Szperling (Cinemark)
Mediação: Ana Paula Sousa (Folha de S. Paulo)

Data: quinta, 21 de outubro de 2010
Local: Estação Pinacoteca - Auditório Vitae - 5º andar. Largo General Osório, 66 - Centro. São Paulo (SP). Atividade com Certificado.
Vagas: 160 lugares



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domingo, outubro 17, 2010

Livro discute questões sobre infância e produção cultural




Por Alê Barreto*


Em 2007, publiquei no Overmundo o texto "Como educar pessoas para Produção Cultural?". Nele sugeri possibilidades de como cada cidadão pode contribuir para educar pessoas para produção cultural.

Uma das minhas preocupações foi mostrar que toda escola é um centro cultural em potencial e que professores de artes poderiam sistematizar e publicar suas experiências.

Através do Google Alertas descobri o livro "Infância e Produção Cultural", coletânea de artigos organizada por Maria Isabel F. Pereira Leite e Sonia Kramer.

Segundo seu texto de divulgação, trata-se do "resultado de um trabalho de pesquisa e observação dos autores, que discute questões relativas à infância e à cultura em diversas dimensões como teatro, brinquedoteca, museu, etc".

O interessante é que está sintonia com a ideia de se trabalhar produção cultural no ensino fundamental: "Em outros artigos elucida a necessidade de potencializar a escola como espaço não apenas de disseminação, mas também de produção de arte e de cultura".

Veja uma prévia do conteúdo no Google Livros.


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sábado, outubro 16, 2010

Quase 5% dos acessos do blog Produtor Cultural Independente são de internautas nos Estados Unidos




Por Alê Barreto*


Quando comecei este blog, não tinha noção do caminho que estas ideias tomariam.

Até hoje o Produtor Cultural Independente já recebeu 218.538 visualizações de página. 91,75% são acessos no Brasil. 8,25% são acessos feitos de outros países. Os Estados Unidos são responsáveis por quase 5% dos acessos. Ou seja: depois do Brasil, os Estados Unidos são os maiores interessados no conteúdo do Produtor Cultural Independente.

Países que acessam o Produtor Cultural Independente

Depois dos Estados Unidos, Portugal, Argentina e Angola são os países que mais acessam o Produtor Cultural Independente.

Veja o gráfico mostrando a proporção de acessos dos principais países que acessam este blog:




Tire suas ideias da gaveta. Não tenha medo de compartilhar. Faça seus sonhos ganharem o mundo. Caia nas redes.


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sexta-feira, outubro 15, 2010

Um criador cultural que acredita na organização e no afeto




Por Alê Barreto*


Muita gente acha que escola é assunto somente de professor. Muitos acham que para ser ator é preciso ser jovem. E muitos acham que um criador cultural não pode, não deve ou não tem condições de se organizar, de ser o produtor ou gestor de seu próprio trabalho.

No vídeo acima, o ator que narra a história e que aparece sentado à esquerda chama-se Ruy Cezar. Neste espetáculo ele é responsável pela direção, roteiro, seleção de objetos cênicos e juntamente com Bela Saffe fez a criação e a interpretação.



Ruy Cezar/Foto do site "Produção Cultural no Brasil"

Mas Ruy Cezar não é somente um criador cultural. Em 1982 criou o Instituto Casa Via Magia com a missão de promover a cooperação cultural e o desenvolvimento comunitário, através do estímulo à educação, cultura e da pesquisa pedagógica sistemática, com vistas a contribuir para o auto-conhecimento e formas de expressão individual, assim como para a integração comunitária. Neste Instituto ele trabalha os princípios de interação, cooperação, ética, solidariedade e crítica construtiva.

Conheci ele em dezembro de 2005, na Bahia, quando fui ao VI Mercado Cultural. Apesar de ser ocupadíssimo, foi muito generoso comigo. Me recebeu na Casa Via Magia e durante quase duas horas me falou sobre a importância de se trabalhar em rede e de compartilhar o conhecimento, muito antes de "redes" e "colaboração" virarem moda. Deste dia em diante, passou a ser uma referência na minha formação como produtor cultural independente.

Ruy Cezar é um educador, nasceu em 1956 e é ator, é um organizador da cultura e desempenha um importante papel de articulador de redes culturais.

Assista o vídeo de sua entrevista para o projeto "Produção Cultural no Brasil".

Ruy Cezar from FLi Multimídia on Vimeo.




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quinta-feira, outubro 14, 2010

Yakoff Sarcovas afirma: "Hoje, felizmente, você tem um processo de profissionalização não artística ocorrendo na área cultural brasileira"

Yacoff Sarcovas from FLi Multimídia on Vimeo.




Por Alê Barreto*


O que é um produtor cultural? Pensando nesta questão, o projeto "Produção Cultural no Brasil" realizou mais de 600 minutos de entrevistas com artistas, artistas produtores e profissionais de produção.

Assista este vídeo vídeo do projeto e conheça o conceito de produtor cultural de Yakoff Sarcovas, Presidente das empresas Articultura e Significa.


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quarta-feira, outubro 13, 2010

Especial 29ª Bienal de São Paulo: "realizar uma grande obra coletiva contra a fome, a violência, a destruição e o imperialismo"


No + /CADA - Colectivo Acciones de Arte/imagem de divulgação do site da Bienal


Por Alê Barreto*


Estive há poucos dias atrás na 29ª Bienal de São Paulo com um grupo de convidados da equipe do blog Fatos e Dados da Petrobras, formado por pessoas atuantes na promoção da arte. Preparei um breve roteiro para apreciar a exposição, comentei a importância da ação da Petrobras e comecei a falar sobre as minhas impressões sobre as obras que conheci. Hoje vou continuar falando delas.

A frase "(...) realizar uma grande obra coletiva contra a fome, a violência, a destruição e o imperialismo" é uma tradução livre que fiz de um das frases do "Llamado a artistas del Colectivo Acciones de Arte (CADA)", um manifesto dos artistas ativistas chilenos, exibido no segundo andar do Ibirapuera. Todas as imagens que compõem a obra mostram um forte envolvimento destes artistas na luta contra a ditadura chilena. No + foi uma expressão grafitada exigindo o fim da opressão.

Haviam várias obras em vídeo. Gosto muito de vídeo arte. Entrei em uma sala e comecei a assistir um filme, com um lento e contínuo movimento de câmera. Homens fardados. Um vilarejo. Pessoas paralisadas. Ruas sem calçamento. Um burro atado. Pedras. Enxada. Zoom em homens armados.


Round and Round and Consumed by Fire/Claudia Joskowicz/imagem de divulgação do site da Bienal

Tratava-se do vídeo Round and Round and Consumed by Fire de Claudia Joskowicz. Parecia um estado dominado por armas. Depois descobri que a artista faz uma referência ao filme Butch Cassidy and the Sundance Kid, de 1969.

Nota: muita gente na Bienal. Muitos jovens. Muitas ações educativas com grupos de adolescentes.

Seguindo meu percurso, uma série de imagens me chamou a atenção. Me dirigi até elas. Parecia que estava olhando uma favela, tamanha era quantidade de caixas d´água à vista. Tratavam-se de imagens da artista Otobong Nkanga, que fazem referência a desigualdades sociais na Nigéria.


Dolphin Estate Series/Otobong Nkanga/imagem de divulgação do site da Bienal


Eram fotos de prédios populares em Dolphin Estate, que o governo nigeriano construiu sem fornecer instalações de água, esgoto e iluminação. Nas imagens dá para perceber que população reage ao descaso do Estado em qualquer parte do mundo: trataram de colocar caixas d´água. Detalhe: uma das fotos, cuja descrição era "On Lansdowne Road, Khayelitsha, Cape Town, 16 May 2007, from the series: in the time of Aids", mostrava banheiros públicos com o símbolo da luta contra a Aids pichados nas portas.


A última obra que descrevo hoje me proporcionou uma experiência muito interessante.



"A origem do terceiro mundo" de Henrique Oliveira me levou para um labirinto, um espaço subterrâneo. A caverna construída com materiais rudimentares, madeiras, que parece uma rocha de retalhos de tapume, consegue causar um deslocamento durante a visita. A possibilidade de caminhar, tocar, explorar os espaços, me levou um saudável encontro comigo mesmo.


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Programa mostra que a produção cultural na TV pode ir além de artes e entretenimento





Por Alê Barreto*


Domingo passado, enquanto assistia pela TV o Rage Against The Machine se apresentando no festival SWU, lembrei que em setembro havia publicado no blog vários assuntos que entendo merecerem atenção por parte dos produtores culturais independentes. Se domingo foi o dia em que enxerguei o link entre "produção cultural e meio ambiente", hoje o assunto foi "produção cultural e sua relação com o exercício da cidadania". Dois fatos disparam esta minha reflexão.

Um deles foi acompanhar o início do resgate dos mineiros no Chile. Um momento como esse deveria ser exibido para quem vive fazendo discursos apocalípticos e pessimistas sobre o mundo. Precisamos utilizar a arte para transformar estes imaginários. Há muito mais humanidade no mundo que vivemos do que imaginamos. Basta estarmos atentos para perceber.

O outro fato foi assistir a excelente reportagem do programa A Liga da TV Bandeirantes documentando uma ocupação do MSTC (Movimento dos Sem Teto do Centro) num prédio abandonado em São Paulo. Equipe de apresentadores e de produção do programa estão de parabéns. Com exceção dos programas exibidos na TV Brasil e em canais de TV a cabo, fazia tempo que não via um programa tão sério e útil à população em um canal aberto de TV. Rafinha, Thaíde, Débora e Rosanne mostraram um movimento social completamente diferente do que costuma ser apresentado por alguns meios de comunicação. Ao invés da conhecida prática de "criminalizar" pessoas de baixa renda que lutam pelos seus direitos, o programa A Liga mostrou as dificuldades, os sofrimentos, os preconceitos, a vulnerabilidade e principalmente a coragem que as pessoas deste movimento tem de pressionar o poder público para que resolva o déficit de mais de 8 milhões de moradias no Brasil. A líder a ocupação era uma mulher.

O sistema de comunicação em nosso país está mudando. Assista também aos outros programas.


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terça-feira, outubro 12, 2010

Artistas independentes ocupam cada vez mais espaços nos circuitos internacionais de espetáculos





Por Alê Barreto*



Em 2005, no Mercado Cultural de Salvador, ouvi artistas falarem que tocavam mais no exterior que no Brasil. Fiquei surpreso. Depois em 2006, conheci o pessoal do Cabruêra e me falaram a mesma coisa. Me deram inclusive de presente uma camiseta com os nomes das cidades de sua última turnê na Europa, realizada naquela época.

Na medida que fui avançando na minha carreira, sempre atento para a nova cena cultural brasileira, percebi que estas percepções deste artistas apontavam para uma tendência: artistas independentes ocupam cada vez mais espaços nos circuitos internacionais de espetáculos.

Marcos Sacramento é um bom exemplo disso. O primeiro show que assisti dele foi há alguns anos no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, época em que trabalhei na Opus Promoções. Em 2009, tive o prazer de reencontrá-lo no espetáculo "Homenagem a Carmen Miranda", com Clara Sandroni, ocasião que me reencontrei também com sua empresária, minha amiga Maria Braga.



www.mariabragaproducoes.com.br


Marcos realizou shows na França em 2009, esteve em Portugal este ano e agora vai para África.

Sorte? Acaso? Trabalho independente com organização e método.

Gosto de dar visibilidade a exemplos bem sucedidos como este. Você tem noção do que é a pré-produção, a logística, o trabalho e todos os cuidados necessários para se fazer um show internacional?





O espetáculo será em Libreville, no Gabão, dia 16 de outubro. Acompanhado de Luis Flávio Alcofra no violão, Netinho Albuquerque no pandeiro/percussões e Pedro Aune no contrabaixo, Marcos irá apresentar "Na cabeça", seu mais recente CD, lançado pela gravadora Biscoito Fino.

Conheça mais sobre o trabalho deste competente artista independente.


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segunda-feira, outubro 11, 2010

Produtor Afonso Oliveira lança o livro "Método Canavial - Introdução a produção cultural" na Livraria Cultura de Recife




Por Alê Barreto*


Uma das melhores formas de um produtor cultural independente iniciar sua semana é na segunda-feira perceber que vivemos num país cada vez mais livre, que repudia cada vez mais o autoritarismo. O debate entre os candidatos à presidência da república Dilma e Serra é um bom sinal. Temos muito que avançar, pois os interesses dos grupos organizados que apoiam os dois candidatos acaba criando muitos pontos de tensão e de comunicação violenta, nem sempre agradáveis para os eleitores. Mas a vida não é assim? Me parece que no dia a dia temos vários momentos de tensão e vários momentos em que o diálogo fica mais agressivo. Cabe a nós aprendermos como modular o diálogo, aproveitando as boas possibilidades que ele traz e reciclando o que necessita ser resignificado.

Se por um lado nos envolvermos com o debate das eleições 2010 nos torna um povo mais consciente, mais livre, o próprio debate e o conteúdo das propostas discutidas (ou não discutidas...) nos mostra que é preciso uma ação política de continuarmos investindo em duas áreas que sempre foram percebidas como supérfluo, mas que permitem nos desenvolvermos: cultura e educação. Investir nisso, pressupõe investimentos em construção de escolas, cursos, universidades. Mas antes disso, é necessário se investir em formação de multiplicadores, de profissionais que possam ocupar estes espaços e ampliar o raio de ação da educação e da cultura. Para isso, a produção de novos conteúdos educativos é fundamental. E é justamente esta a segunda boa notícia de hoje. Temos mais um livro sobre produção e gestão cultural no Brasil, escrito por autor brasileiro.

Daqui alguns instantes, às 19h, a editora Reviva estará lançando o "Método Canavial - Introdução a produção cultural" na Livraria Cultura de Recife. Esta ação cultural contará com a presença do escritor Afonso Oliveira, que conheci rapidamente em dezembro de 2005, no Mercado Cultural em Salvador, na Bahia, e com a presença dos professores Isa Trigo (Uneb), Biu Vicente (UFPE/Editora Reviva), Orquestra Filarmonica 28 de junho, Mestre Zé Duda e o Terno do Maracatu do Estrela de Ouro.

Não li ainda o livro, mas tenho muita vontade de conhecer seu conteúdo. Digo isso porque o fato de termos mais um livro sobre produção cultural significa que temos novos olhares e novas possibilidades para nossos fazeres culturais. Além disso, no material de divulgação da Associação Reviva, há menção de que o produtor Afonso Oliveira estimula as pessoas a se tornarem produtores culturais e que estes sejam profissionais cuidadosos com a arte, noção que inspira e também guia o meu trabalho.

Segundo suas palavras:

“O surgimento de um ponto de cultura pode ser comparado a produção de uma gola de maracatu. Para dar aquele brilho e forma final é preciso cumprir todas as etapas com dedicação e muito trabalho. Método Canavial representa a apropriação dos meios de produção cultural nas mãos das comunidades e coletivos sociais que produzem a cultura local. Dessa forma uma comunidade ganha autonomia, promove, produz e difundi sua cultura. Os coletivos culturais brasileiros, precisam participar das rádios comunitárias, produzir seus próprios festivais. A autonomia da produção cultural passa por isso. O livro pretende contribuir não apenas para a formação técnica, mas também para formação libertária”.

Assim como é importante estarmos atentos a questão da sustentabilidade, muito bem trabalhada no festival SWU, é importante que os produtores culturais independentes complementem sua formação entendendo o que significa uma comunidade, uma cultura local, uma rádio comunitária. Tudo isso possibilita a independência, autonomia e a interdependência.

Quem estiver em Recife e puder assistir, corra que ainda dá tempo. Afonso Oliveira é coordenador do Pontão de Cultura Canavial – Agência de Projetos Culturais, em Nazaré da Mata – PE, professor do Curso de Produção das Culturas Populares, produtor e consultor de diversos projetos na Zona da Mata Norte de Pernambuco.

Saiba mais sobre o lançamento do livro


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domingo, outubro 10, 2010

Aprenda a Organizar um Show com o exemplo do SWU




Por Alê Barreto*


Em setembro citei uma série de assuntos que na minha opinião mereciam atenção dos produtores culturais independentes. Um deles foi "produção cultural e sua relação com o meio ambiente". Hoje começou um mega festival no Brasil que aponta para esta direção. Estou agora assistindo pela TV o primeiro dia SWU (Starts With You – Começa Com Você) vendo Rage Against The Machine executar "Bulls on Parade".



Guitarrista Tom Morello, do Rage Against The Machine doou ingressos para o Movimento dos Sem Terra.
Fonte: http://multishow.globo.com/SWU/Noticias/Rage-Against-da-ingressos-de-graca-para-MST.shtml



Navegando no site do SWU, fiquei surpreso com a organização do festival. Nele você encontra informações sobre sustentabilidade, sobre como divulgar este conceito (uma inteligente estratégia de relacionamento com o público-alvo), um plano de ações que organiza práticas sustentáveis no festival (reforça o compromisso público de sustentabilidade da organização do evento), flash mobs (aglomerações instantâneas de pessoas em um local público para realizar determinada ação previamente organizada através de e-mails ou redes sociais, na qual as pessoas se dispersam tão rápido quanto se reunem) e quais organizações já se engajaram . Vale a pena conhecê-las: SOS Mata Atlântica, Greenpeace, Care Brasil, Matilha Cultural, 350.org, Associação Prato Cheio, Projeto Guri, Um teto para meu país, Caminho das águas, 5 Elementos, Ecosurfi, Artemisia Negócios Sociais, Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental, Associação Cidade Escola Aprendiz, Campanha Limpa Brasil, Instituto CicloBR, Vitae Civilis, Coletivo Ecologia Urbana, Universidade Presbiteriana Mackenzie, Universidade Internacional da Paz, Setembro Verde e Catraca Livre.




Mas além da questão da sustentabilidade e a ótima programação, vou lembrar do SWU por mais duas ações de destaque: uso inteligente da comunicação e qualidade na organização do show. Se você visitar o site, verá que há uma integração muito inteligente entre gestão de conteúdo, mobilização de formadores de opinião, uso das mídias sociais e engajamento da imprensa. Além disso, o site é muito bom nos quesitos usabilidade e relacionamento.

Me referi à qualidade na organização pois é raro um festival no Brasil ter o cuidado de orientar como deve ser a participação de menores (menores com idade entre 14 e 15 anos só poderão entrar se estiverem acompanhados de responsáveis legais, os quais deverão permanecer no evento enquanto eles ali estiverem). Até onde me lembro, o outro grande evento que faz isso é o Campus Party. Outra ação muito bem vinda: há no site um guia de informações, que inclui orientações sobre o polêmico tema do consumo de drogas. No meu curso "Aprenda a Organizar um Show", sempre me perguntam como a produção deve proceder em relação a este assunto. A orientação que passo é a mesma que a organização do festival está dando: "o consumo, o porte e a venda de drogas ilícitas não serão aceitos de acordo com a legislação nacional em vigor".

Com tantas realizações, só me resta dar os parabéns aos organizadores (Grupo Totalcom, Total on Demand, The Groove Concept, Visão Sustentável, Portal ECOD.org.br e TurSP), patrocinadores (Oi, Nestlé, Heineken e Coca-Cola), apoiadores (Prefeitura de Itu, Arena Maeda, Prefeitura de São Paulo, TurSP e KMPapel) e sugerir que você visite o site e conheça mais estas inteligentes práticas de gestão de cultura e entretenimento.


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* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto e valoriza encantadoras mulheres.

21-7627-0690 (Rio de Janeiro)
alebarreto@produtorindependente.com

sábado, outubro 09, 2010

Produtor cultural é faz tudo? Deve ser babá de artista?





Por Alê Barreto*



Uma das formas de entendermos os diferentes papéis do produtor cultural independente é refletirmos sobre nossas práticas. Isso permite que a gente eleve o padrão de qualidade de nossos serviços.

É muito recorrente no meio cultural você ouvir falar que o produtor cultural é um "faz tudo" ou que deve "saber fazer tudo". Essa semana falei com uma amiga que acompanhou artistas brasileiros em Portugal. Ela disse que em determinados momentos os "artistas" pediam para providenciar até absorvente feminino.

Leonardo Brant em seu livro "Mercado Cultural" afirma:

"observa-se no mercado a procura incessante de produtores, administradores e captadores de recursos, sob o argumento de que o artista não pode dedicar seu tempo a 'coisas menores'".

Romulo Avelar discute também esta questão em seu livro "O Avesso da Cena: notas sobre produção e gestão cultural":

"Se, por um lado, existem pessoas equivocadas atuando como produtoras, mutilando projetos ou avançando sobre funções para as quais não estão devidamente preparadas, por outro, há artistas que não compreendem com clareza certos limites de funções. Insistem em tratar seus produtores como "boys de luxo", ou seja, subordinados mantidos sempre por perto para resolver quaisquer problemas de natureza operacional".

Eu não acho que o produtor cultural é um faz tudo. Acho que muita gente confunde as coisas. Primeiro porque em uma sociedade todos devemos fazer algum tipo de trabalho operacional e cooperar uns com os outros. Acho absurdo se pensar que um artista "não pode fazer nada" ou "não consegue se organizar sozinho" e acredita que a pessoa que se propõe a trabalhar com produção cultural precisa aguentar a falta de postura profissional, caprichos, chiliques e piripaques. Por outro lado, há várias situações em que realmente um artista precisa de pessoas acompanhando diretamente suas atividades, inclusive de ordem pessoal. Em geral isso ocorre por questões de problemas de saúde.

Estarei sendo muito duro? E você, o que acha disso? Você acha que o Produtor cultural é faz tudo? Deve ser babá de artista? Enquanto pensa na resposta, vou me preparar para ir conhecer o Leblon Jazz Festival (http://www.leblonjazzfestival.com.br). Quero ver se assisto os shows do Blues Etílicos e do Celso Blues Boy no palco Oi Futuro.





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* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto e valoriza encantadoras mulheres.

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Está no ar o blog "Aprenda a Organizar um Show"




Por Alê Barreto*


Escrever meu livro "Começar a Fazer" tem me feito refletir muito sobre a importância de aprofundar o processo de aprendizagem sobre o trabalho colaborativo. Uma das molas propulsoras disso é a troca de saberes.

Me dei conta que este mês o método livre "Aprenda a Organizar um Show" completa três anos. Quero aprender mais com ele.

Para isso, criei um novo ambiente virtual. No blog http://www.aprendaorganizarumshow.blogspot.com vou mostrar resultados, dialogar com quem usou o método e estimular as pessoas a começar a fazer o que buscam em suas vidas.

Conheça este novo espaço e participe!


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* Alê Barreto é administrador, produtor cultural e autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação disponibilizada de forma livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows. Trabalha novos conceitos e oferece serviços diferenciados para empresas, produtores, grupos culturais e artistas. Divulga reflexões sobre seu processo de trabalho no blog Alê Barreto e valoriza encantadoras mulheres.

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sexta-feira, outubro 08, 2010

Tropa de Elite 2: entenda o processo do filme




Por Alê Barreto*


Em 2008, quando o cineasta Breno Silveira lançou o filme "Era uma vez" (na minha opinião, excelente), especulou-se que seria o fim de um ciclo de filmes que retratavam as periferias do Rio de Janeiro. Chegou-se a afirmar que os cineastas não teriam mais interesse sobre este tema. A realidade mostrou-se outra: este ano Cacá Diegues lançou "5 Vezes Favela - Agora por nós mesmos" e ontem foi a estréia de "Tropa de Elite 2", de José Padilha.

Pensei nisso enquanto assisti ao programa "Starte" da Globo News, no qual a repórter Bianca Ramoneda faz um raio "X" sobre o processo do Tropa de Elite 2. Para nós produtores culturais independentes, é fundamental entendermos uma ação cultural de vários pontos de vista.



Veja o programa no site da Globo News e ouça as opiniões do diretor, da preparadora de atores Fátima Toledo, do ator Sandro Rocha, do policial civil Bruno D'elia e do Wagner Moura.


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Método livre "Aprenda a Organizar um Show" estimula profissionais a trabalharem com elevado padrão de qualidade nos serviços


Turma da 9ª edição da ação cultural educativa "Aprenda a Organizar um Show" em Belo Horizonte


Por Alê Barreto*


Cheguei em casa da aula do MBA em Gestão Cultural e liguei a TV. Na Record, Dilma falou que é contra o aborto, o Serra falou que não está oferecendo cargos para ninguém, uma reportagem mostrou que vários eleitores não lembram em quem votaram e Lula discursou em algum lugar falando bem das UPPs (unidades de polícia pacificadora, uma política pública do governo Sérgio Cabral no estado do Rio de Janeiro). Em meio ao turbilhão destas e outras notícias do dia, pensei em dar continuidade as minhas impressões sobre a visita à 29ª Bienal de São Paulo, a convite do Blog Fatos e Dados da Petrobras. Há mais assuntos que preciso compartilhar sobre esta importante ação cultural. Contudo, lembrei que nem todo mundo que lê este blog é oriundo da área de artes visuais e que a razão de ser dos conteúdos do Produtor Cultural Independente é conectar pessoas interessadas no desenvolvimento do campo da produção cultural. Assim, vou me permitir falar da Bienal e de outros assuntos, alternadamente.

Semana passada, folheando a revista IstoÉ de 29 de setembro, me deparei com a seguinte frase: "Empresa brasileira leva golpe em turnê de Rihanna". Na hora, não parei para ler. Hoje, pela manhã, peguei a revista, coloquei na minha mochila e fui para o metrô. Durante o meu deslocamento até o centro do Rio, li a matéria com atenção.

Fiquei pasmo! Uma empresa brasileira pagou cerca de US$ 800 mil pelos shows da Rihanna para uma produtora que não tem relação com a cantora e agora está pedindo indenização.





Pela notícia, não é só no Brasil que é preciso elevar o padrão dos serviços oferecidos no mercado cultural. É um problema em outros países também.

Fatos como este me levam sempre a alertar meus alunos que cuidado e atenção na produção de um show nunca é demais. Na minha última turma do curso "Aprenda a Organizar um Show", em Belo Horizonte, debati com os participantes que é muito importante fazer check-lists das necessidades de produção e contar com serviços de advogados, para minimizar riscos.

Está acabando a era em que as pessoas ficavam acomodadas, afirmando a célebre frase "eu já sei fazer". Se você estudar e aprofundar a reflexão sobre suas práticas profissionais, sempre encontrará oportunidades para elevar o padrão dos serviços que oferece aos seus clientes.

Quando for contratar um show, lembre-se:

- verifique se a pessoa que está fazendo contato com você realmente tem autorização do artista ou de seu representante para efetuar a negociação do espetáculo;

- antes de assinar qualquer contrato, consulte um advogado;

- antes de fazer qualquer pagamento, certifique-se de todas as maneiras possíveis de que está negociando com uma pessoa idônea.


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terça-feira, outubro 05, 2010

Especial "29ª Bienal de São Paulo: quando você enxerga algo do outro em você?"





Por Alê Barreto*


A visita a Bienal gerou muito conteúdo. Vou compartilhá-lo em vários posts. Vamos ao primeiro.

Tendo como base a afirmação do crítico Paulo Sérgio Duarte de que "toda avaliação estética foi e vai ser um juízo de valor, (...) sempre de natureza subjetiva", e as orientações da artista plástica Eliane Barreto, contidas no roteiro de possibilidades de apreciação que elaborei para visitar a Bienal, segui ontem bem cedo para o Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, junto com o grupo de convidados do blog Fatos e Dados da Petrobras, formado por pessoas atuantes na promoção da arte.




Na chegada, fomos recebidos por Pedro França, coordenador da programação dos Terreiros, e pelo Diogo de Moraes, coordenador do projeto educativo. Recebemos as boas vindas e ouvimos a uma rápida explanação de Pedro que falou sobre a conexão do tema da Bienal com o projeto do espaço da exposição e com a concepção dos Terreiros. Três frases dele contribuiram muito para o melhor aproveitamento da visita: "a Bienal propõe algo, o mundo responde e a política se faz neste encontro"; "o espaço tem a dimensão do labirinto, a possibilidade do encontro, a possibilidade de se perder"; "os Terreiros são espaços de diálogo da Bienal, com uma programação que estimula que as discussões ganhem densidade".

Iniciei a visita de forma diferente. Não olhei as obras no sentido "do início para o fim da exposição" e tampouco segui roteiros propostos por revistas e curadores. Fiz o meu caminho.

As palavras da frase "quando você enxerga algo do outro em você?" foram as primeiras imagens que chamaram minha atenção no pavilhão da Bienal. Estavam escritas na parede externa do ateliê educativo.

Após visualizei um homem saltando sobre um círculo de fogo, em uma foto preto e branco muito antiga. A imagem foi adquirida em brechó era parte do leilão proposto pela obra "Menos Valia", de Rosângela Rennó. No mundo da mais valia, sua proposta de interferência poeticamente representada pela coleta e devolução de objetos para circulação, me fez pensar sobre os diferentes ciclos das coisas e do ciclo de minha própria vida.


"Menos Valia"/Rosângela Rennó/imagem de divulgação do site da Bienal


Cadeiras vazias. Uma criança perguntou para mim: "dá para sentar?" Não sabia o que responder. Mas pude perceber que não se tratava apenas de algo óbvio. A obra era provocativa. E a menina que me fez a pergunta havia sido provocada. "Audience" do artista Pedro Barateiro me fez também ter vontade de ocupar aquele espaço e me fez pensar na importância de se pensar a ocupação dos espaços artísticos. Faz sentido centros culturais, envoltos em uma aura institucional, estarem com suas platéias vazias? Como se pensar na ideia de audiência, de platéia, vendo cadeiras vazias?


Audience/Pedro Barateiro/imagem de divulgação do site da Bienal


Dança. Um vídeo com pessoas dançando músicas latinas. Pareciam ritmos cubanos. Na hora, pensei que se tratava apenas de um recurso visual, um suporte em vídeo para uma instalação. Mas era mais que isso. Olhando com mais atenção, próximo do vídeo, havia uma série de desenhos. Partituras de uma dança. Imagens que remetiam a ideia de harmonia. A obra "Un lugar para vivir cuando seamos viejos" mostrou que a terceira idade é um lugar. Um lugar para se viver. Um lugar para se dançar, como faz o casal apresentado no vídeo: dança todas as semanas num mercado da Cidade do México.


Un lugar para vivir cuando seamos viejos, El baile: Danzón / Conchita, Lucio, Maria Ascención/ imagem de divulgação do site da Bienal


Havia na parede mais uma pista desta obra. Deixo a pesquisa para aguçar a sua percepção de produtor cultural independente.

Visite: http://www.unlugarparavivircuandoseamosviejos.blogspot.com


As três obras mostram arte e política.



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