quinta-feira, abril 21, 2011

Brasil está entre os piores regimes de direitos autorais no mundo




Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Dia 18 de abril o site da Consumers Internacional divulgou que o Brasil está entre os piores regimes de direitos autorais no mundo. A informação é baseada no IP Watchlist, seu terceiro relatório anual sobre propriedade intelectual, que estuda 24 países de todas as regiões do mundo sobre a forma como os seus sistemas de propriedade intelectual levam em consideração os interesses dos consumidores no acesso aos produtos educacionais e culturais, como livros e música.

Os dez piores países classificados foram:

10º - Sérvia
9º - Slovênia
8º - Armênia
7º - Egito
6º - Argentina
5º - Bielorrússia
4º - Brasil
3º - Reino Unido
2º - Chile
1º - Tailândia


Conheça o relatório "The Consumers International IP Watchlist 2011"


Assista um documentário que fala sobre a necessidade de maior flexibilidade dos direitos autorais




"Good copy bad copy" é um documentário de Andreas Johnsen, Ralf Christensen e Henrik Moltke sobre direitos autorais e cultura. Com entrevistas que vão desde o DJ Girl Talk, até o produtor nigeriano Charles Igwe e passando pelo presidente da International Federation of the Phonografic Industry, John Kennedy, os diretores conseguiram captar a tensão existente no debate atual entre detentores de conteúdo da indústria tradicional e artistas da nova indústria.

O nome "good copy, bad copy" não poderia ser melhor para ilustrar este contraponto alertando sobre o papel que o direito autoral pode desempenhar tanto para aprisionar estas novas formas de expressão cultural, quanto para libertar a cultura permitindo uma revolução criativa mais profunda.


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* Alê Barreto é um administrador e produtor cultural independente. Trabalha com foco na organização e qualificação dos profissionais de arte, comunicação, cultura e entretenimento. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows, escreve para o site Overmundo e para a revista Fazer e Vender Cultura.

Ministra cursos, oficinas, workshops e palestras. Já atuou em capacitação de grupos culturais em parceria com o SEBRAE AC. Presta consultoria e assessoria para artistas, empresas e produtores.

Contato: (21) 7627-0690 Rio de Janeiro - RJ - Brasil




Alê Barreto é cliente do Itaú.


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quarta-feira, abril 20, 2011

Entenda o contexto da nova revisão do projeto para nova Lei de Direitos Autorais




Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


O atual texto do projeto para criação da nova lei de direitos autorais foi construído a partir de 80 reuniões e oito congressos em diferentes cidades do país. Segundo reportagem publicada no Jornal O Globo, dia 06 de março de 2011, um dos eventos foi um seminário internacional ocorrido em Fortaleza, com a presença de representantes da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Vieram ao Brasil especialistas de vários países (França, Espanha, Alemanha, entre outros).

Com tanto esforço governamental e tantas articulações institucionais, inclusive com outros países, fica claro que é necessário uma mudança na atual legislação.

[veja o texto "Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) defende revisão na lei de direitos autorais no Fórum Internacional de Software Livre"]

A reportagem do jornal O Globo cita também que o texto do atual anteprojeto foi disponibilizado para consulta pública entre 14 de junho e 31 de agosto de 2010 e que a gestão anterior do MinC recebeu oito mil sugestões, as quais foram estudadas antes do envio do texto para o Grupo Interministerial de Propriedade Intelectual e para a Casa Civil. Me lembrei de colocar aqui para todos um podcast muito ilustrativo deste processo. Trata-se de uma de uma avaliação do processo de consulta pública e recomendações de mudanças para a nova legislação feitas por Ronaldo Lemos, intitulado "Lei de direitos autorais vai fazer as pazes com a tecnologia". Ronaldo é Doutor em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Masters of Law (LL.M) pela Harvard Law School, bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV DIREITO RIO e do projeto Creative Commons no Brasil, professor de cursos de graduação e pós-graduação da FGV DIREITO RIO. É também autor, dentre outros, do livro "Direito, Tecnologia e Cultura" (disponível para download livre), membro da Comissão de Comércio Eletrônico apontada pelo Ministério da Justiça e fundador do projeto www.overmundo.com.br

Mesmo com toda esta organização e um investimento de cerca de R$ 2 milhões durante três anos para a preparação do projeto, a nova ministra da cultura Ana de Hollanda entendeu ser necessária uma nova revisão. Desta forma, pediu o projeto de volta da Casa Civil (leia a matéria do jornal O Globo sobre a polêmica e os impactos gerados por esta medida).

Hoje, 20 de abril, o Ministério da Cultura informou em seu site que entre os dias 25 de abril e 30 de maio de 2011, o anteprojeto (APL) que modifica a Lei de Direitos Autorais receberá contribuições da sociedade.


Para entender melhor

O projeto de lei já havia sido submetido a consulta pública.

Ontem foi submetido novamente a consulta pública.


Sugestões da nova revisão do texto do anteprojeto

O Ministério da Cultura informou que detectou sete pontos que merecem aperfeiçoamento e consenso. O que não entendi: o que o será que o governo quis dizer com "pontos que merecem aperfeiçoamento e consenso"?. Aperfeiçoamento de que em relação a o quê? Consenso entre quem?

Os pontos são estes:

- Limitações aos direitos do Autor (Arts. 46,47, 48 e 52-D);
- Usos das obras na internet (Arts. 5º, 29 e 105-A e 46, II);
- Reprografia das obras literárias (Arts. 88-A, 88-B, 99-B);
- Da Obra sob encomenda e decorrente de vínculo (Arts. 52-C);
- Gestão coletiva de Direitos Autorais (Art. 68 §§ 5º, 6º, 7º e 8; arts.86, 86-A,98, 98-B, 98-C,98-D, 99 §6º, 99-A, 99-B e 100);
- Supervisão estatal das entidades de cobrança e distribuição de diretos (Arts. 98§2º, 98-A, 100-A, 100-B, 110-A, 110-C);
- Unificação de registro de obras (Arts. 19, 20, 30, 113-A).


Fontes sugeridas pelo Ministério da Cultura para análise e revisão do texto do projeto para nova Lei de Direitos Autorais

O Ministério da Cultura disponibilizou em seu site:

Anteprojeto (APL) construído depois da Consulta Pública 2010

Exposição de motivos para revisão da legislação

Tabela comparativa com Lei 9.610/98, APL levado à consulta pública e APL construído depois da consulta pública 2010


Sugestões do Produtor Cultural Independente para se pensar no que a legislação pode contribuir para o desenvolvimento da arte, comunicação, cultura e entretenimento


Ninguém é imparcial. Eu defendo um ponto de vista. Por isso, sugiro que antes de você ir diretamente para a tabela comparativa entre a lei 9.610/98 (lei atual) e o anteprojeto de lei (texto proposto para nova lei), você conheça o contexto, ou seja, como se chegou até o texto atual.

Para isso, sugiro a entrevista de Leandro Mendonça com Marcos de Souza, um dos responsáveis pela condução da reforma da Lei do Direito Autoral (LDA), publicada na edição nº 10 da revista Observatório Itaú Cultural (esta revista é leitura obrigatória para quem atua com arte, comunicação, cultura e entretenimento).



O entrevistador Leandro Mendonça é advogado, produtor, pesquisador e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Arte na Universidade Federal Fluminense (UFF). Além disso, coordena o Programa de Extensão Universitária (Proext/Cultura) "Diagnóstico da Cadeia Produtiva da Cultura" e atua como consultor na área do direito autoral e do entretenimento com ênfase no mercado audiovisual.

O entrevistado Marcos de Souza é mestre em antropologia pela Universidade de Brasília – UnB e especialista em políticas públicas e gestão governamental do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão Brasil desde 2002. Atuou no setor autoral do MinC desde 2004 e o coordenou desde 2005, primeiro como coordenador-geral de direito autoral e até 2011 como diretor de direitos intelectuais. É também conselheiro do Conselho Nacional de Combate à Pirataria do Ministério da Justiça desde 2004.



A entrevista foi realizada antes de Marcos de Souza ser exonerado do seu cargo (veja a outra polêmica que ocorreu).


Entendido o conceito das mudanças e tensões políticas que estão em curso, sugiro ainda mais algumas leituras e vídeos.

- “No fundo, todos somos plagiadores” de Fernando Favaretto, publicado na página 13 da seção cultura do “Jornal da Universidade” da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ano IX, Número 97, Abril de 2007.

- "Com revisão, lei de Direito Autoral dará segurança jurídica à Internet" de Ronaldo Lemos. Assista também a vídeos com entrevistas dele durante sua participação no Fórum Internacional do Software Livre e no evento TEDx São Paulo (Como a tecnologia fomenta transformações democráticas).

TEDxSP 2009 - Ronaldo Lemos from TEDxSP on Vimeo.



Analisadas e interpretadas todas estas informações, entre no site do Ministério da Cultura e veja o cronograma completo do novo envio do projeto de lei à Casa Civil, o formulário para envio por e-mail ou endereço para envio de correspondência com contribuições para a Diretoria de Direitos Intelectuais.


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* Alê Barreto é um administrador e produtor cultural independente. Trabalha com foco na organização e qualificação dos profissionais de arte, comunicação, cultura e entretenimento. É autor do livro Aprenda a Organizar um Show, primeira publicação livre e gratuita no Brasil sobre a tecnologia de produção de shows, escreve para o site Overmundo e para a revista Fazer e Vender Cultura.

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A falta de espaço é causada pela falta de pessoas


Imagem da matéria "Na base do improviso" de Rafael Bento publicada na revista Veja Rio nº 29


Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Vejamos um bom exemplo de necessidade de desenvolvimento de pessoas para trabalhar com administração, produção e gestão de atividades de arte, comunicação, cultura e entretenimento.

Quando morava em Porto Alegre, vivenciei a dificuldade de se encontrar "espaço" para espetáculos. No início, pensava comigo: "deve ser porque não sou ainda muito conhecido ou porque os artistas não estão na mídia". Com o tempo, vi que a questão é bem mais complexa. E não acontece só em Porto Alegre. Acontece em Salvador, em São Paulo, em Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, Rio Branco. Creio que acontece na maior parte das cidades brasileiras.

Vejamos um exemplo aqui do Rio de Janeiro. Ano passado, Rafael Bento Sé publicou o texto "Na base do improviso" na revista Veja Rio nº 29. Nesta matéria, expressou sua preocupação com o fechamento de espaços para shows de médio porte e com a falta de investimento em novos espaços para shows.

Na busca de encontrar as razões para isso, provocou a reflexão escrevendo que "a resposta aponta para várias direções".

Meia entrada
Uma das direções apontadas por ele foi que a meia-entrada teria tornado a arrecadação de bilheteria uma incógnita e isso poderia estar assustando os empresários.

Custo operacional
Segundo Rafael Bento Sé, espaços medianos têm despesa bem maior que a dos barzinhos e não possuem faturamento garantido como grandes casas do ramo.

Preço dos imóveis
A supervalorização dos imóveis com a aproximação da Copa do Mundo e da Olimpíada pode estar espantando muitos empresários.

Plano Diretor da Cidade do Rio de Janeiro
Rafael diz que o atual Plano Diretor da cidade foi criado na década de 70 e restringe o uso de diversas áreas da cidade para essa finalidade.

Achei muito construtivo um jornalista utilizar um revista de grande tiragem semanal para levantar estas questões.

Poderíamos estar olhando também a questão de falta de espaço como a necessidade de desenvolvimento de pessoas. Pessoas que saibam analisar as questões apontadas por Rafael em sua matéria (leia ela na íntegra) e outras questões que relaciono abaixo:

- infraestrutura para empreendimentos artísticos: o que precisa existir para se estimular a atração de investimentos? Que áreas da cidade necessitam melhor pavimentação, iluminação pública, segurança, mobilidade (mais linhas de ônibus, táxi...) e rede de serviços diversos (alimentação, estacionamento, etc.)? Um estudo realizado por pessoas tecnicamente qualificadas pode ser um ponto de partida para discussão do assunto com o poder público e associações de empresários.

- consumo cultural (demanda): quais as demandas atuais, potenciais e que podem ser estimuladas para o consumo de espetáculos e apresentações artísticas? Uma pesquisa apresentando os diferentes nichos de consumo cultural pode ser um ponto de partida para estímulo de empreendimentos. Sugere-se que a pesquisa seja feita por uma equipe multidisciplinar, contando, de preferência, com a participação de economistas, sociólogos, antropólogos, administradores, geógrafos, psicólogos, especialistas em marketing e comunicação.

- desenvolvimento do território: quais são os planos para promoção do desenvolvimento da cidade? A abertura do diálogo com a Secretaria Extraordinária de Desenvolvimento (SEDE) pode proporcionar um planejamento do fomento para novos investimentos em espaços artísticos concatenados com as questões de planejamento urbano da cidade.

- articulação de empreendimentos culturais: como fortalecer iniciativas culturais independentes como festas, shows, mostras? Como estimular que empreendimentos culturais se consolidem?

- gestão de espaços: como dar vida a espaços que podem ser utilizados para arte, comunicação, cultura e entretenimento? Como ativar os que estão parados? Como aumentar sua ocupação? Como gerenciar uma oferta de programação que atenda os hábitos de consumo cultural das pessoas mas que também estimule a diversidade cultural? Como articular o uso dos espaços culturais como estímulo para novos empreendimentos culturais?


Na minha opinião, se está faltando espaço, o motivo principal é que estão faltando pessoas capacitadas para lidar com estas questões. Público eu tenho certeza que não falta, tanto no Rio como em muitas outras cidades brasileiras.


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terça-feira, abril 19, 2011

Desenvolva as pessoas de sua equipe e seus parceiros




Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Tanto para pensar o "significado cultural e econômico" ao planejar um evento, como para se pensar na execução do evento, é fundamental se pensar na capacitação de quem irá executar o evento. Falo isso desde 2007 quando escrevi o texto "vamos educar pessoas para a produção cultural?", publicado no Guia do Mercado Brasileiro da Música 2008/2009. Há anos estimulo que surjam curso e escolas para isso.

Quando aceitamos que o "normal" é o mercado contratar pessoas sem capacitação, fortalecemos o círculo vicioso que todos os dias empurra para o mercado pessoas sem preparo.

Observe como funciona isso:


clique na imagem para ver o "circulo vicioso" da baixa formação profissional


A forma mais prática, objetiva e profissional para se reverter este quadro é capacitar as pessoas que atuam no mercado. Na medida que fazemos isso, criamos um círculo virtuoso de desenvolvimento de pessoas.

Funciona assim:


clique na imagem para ver o "circulo de desenvolvimento de pessoas"


A capacitação de uma pessoa começa com um acompanhamento diário de seu trabalho. Toda vez que você reune sua equipe de trabalho para uma reunião, você tem a oportunidade de:

- ver o que precisa melhorar;
- ver no que você pode contribuir para esta melhoria;
- ver de que forma pode estimular as pessoas a buscarem a sua capacitação.


O que você prefere: trabalhar com gente com capacitação ou sem capacitação?



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segunda-feira, abril 18, 2011

Valorize seu projeto trabalhando significados culturais




Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Há poucos dias atrás, numa aula de Engenharia de Produção do professor Carlos Frederico Barros, no MBA em Gestão Cultural, discutimos a importância do "significado cultural e econômico" no planejamento de um evento.

Vamos primeiro pensar sobre o significado cultural.

Quais são os significados culturais do território em que você vive? Como valorizá-los?

Veja uma forma inteligente de trabalhar os significados culturais. O vídeo acima mostra o dia a dia do "Mr. Burns", que trabalha na feira da Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. O vídeo abaixo apresenta a Orquestra de Choro "Os Matutos" de Cordeiro, região Serrana do Rio.





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sexta-feira, abril 15, 2011

É fundamental um produtor cultural entender como pensa a "geração das telas"




Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Em 2009 escrevi que

"temos uma certa tendência, vez por outra, de pensar que nossa "experiência de vida" nos confere o poder de entender o comportamento complexo dos jovens no mundo complexo em que vivemos. E muitas vezes criamos ações, projetos e programas culturais para os jovens sem termos uma noção clara do que seja este universo.

Para mim, um produtor cultural independente deve ser curioso. Deve duvidar de "verdades sólidas".


Tratava-se de um texto convidando as pessoas a conhecerem a pesquisa 4º Dossiê Universo Jovem MTV, que fazia um "raio x" sobre as percepções que os jovens têm sobre a sustentabilidade, o futuro e o meio ambiente.

Estas percepções podem dar boas pistas sobre que experiências são significativas para os jovens de hoje.

Em 2010 a MTV realizou uma nova pesquisa, buscando desvendar quem é a "Screen Generation" (geração das telas) e como é o seu consumo de mídia e conteúdo. A análise destas informações resultou na publicação do Dossiê Universo Jovem MTV 5. O estudo faz inferências sobre um universo de 64 milhões de jovens brasileiros, de 12 a 30 anos, das classes sociais A, B e C.

Vou citar alguns trechos da pesquisa que são muito interessantes.


Dificuldade de percepção de tempo

Os jovens são imediatistas, hedonistas, sem percepção do tempo. Eles não conseguem esperar. Demorou, já era.


Valorização da portabilidade e acesso

Essa geração valoriza portabilidade e acesso. Se antes o jovem navegava na internet
grudado na cadeira e ao computador de mesa, agora ele vai estar cada vez mais conectado por diferentes gadgets e em qualquer lugar. Com todo o seu arquivo de músicas, fotos e contatos num só aparelho, os jovens poderão ter vínculos mais superficiais com países, lugares, casas, empresas, marcas e pontos de venda.


Música, movimento e telas

Estes jovens amam música e movimento e são apaixonados por telas de todos os tipos e tamanhos. É preciso estar preparado para produzir conteúdos para todas essas telas. Mesmo considerando que sempre haverá jovens apaixonados por livros, revistas e jornais impressos, esses meios serão consumidos na forma digital pela maioria deles.

Alguns conteúdos são mais transmídia do que outros, como a música, que é um conteúdo consumido em todos os meios de comunicação e gadgets possíveis.

Essa geração consome muita mídia e muitos meios de forma simultânea.


Conveniência

O jovem valoriza também a conveniência. Mesmo tendo preferência por um ou outro meio de comunicação, ele sempre vai preferir o meio que estiver mais acessível no momento; por exemplo: mesmo preferindo assistir filmes no cinema, ele vai assistir na TV, no notebook e até em uma microtela se preciso for. Independentemente da plataforma, essa geração não abre mão de qualidade de som e imagem.


Relacionamento: diálogo a partir de conteúdos relevantes

A propaganda é um conteúdo que o jovem brasileiro gosta de consumir. No entanto, hoje, além de boa propaganda, o jovem quer informação relevante e relacionamento com as marcas, lembrando que relacionamento significa diálogo, e não conversa unilateral.

Existe a oportunidade para as marcas criarem conteúdos pelos quais os jovens se apaixonem. O caminho é estudar, entender, encantar e engajar os jovens com o conteúdo. Eles adoram dividir suas descobertas.


Customização

Essa geração aprendeu que tudo pode ser customizado: roupas, tênis, ringtones, telas de computador e celular, seleção de músicas, até programação de TV e, portanto, também os planos de mídia. Mesmo sabendo que é difícil, vale lembrar que o jovem também é mídia.


Pessoas que mais influenciam o pensamento e as decisões dos jovens

Os amigos são formadores de opinião muito relevantes (se não forem os mais relevantes).


Veja mais informações no site da MTV


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Cartografia dos aprendizados sobre experiência cultural




Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Eu e o meu cliente Fábio Neves começamos a produzir textos na busca de entender melhor o assunto consumo cultural. Para isso, escolhemos dentro do universo do consumo o tema experiência cultural.

Fábio começou pensando o seguinte:

- que experiências culturais marcam a vida de uma pessoa?
- como é a receptividade de uma platéia quando um músico sobe ao palco?
- como são (ou podem ser) as trocas entre o artista e o público?
- as possibilidades que se abrem a partir do estímulo para a experiência cultural (veja 13.500 pessoas cantando juntas na Trafalgar Square em Londres)

Eu comecei vendo um trecho de um texto sobre Marketing de Experiência e propus as seguintes questões:

- "relacionamento entre empresas e clientes" pode nas áreas de arte, comunicação, cultura e entretenimento ser pensado como "relacionamento entre artista e público"?

- de que forma podemos pensar produtos e serviços culturais que despertem a atenção pelo valor gerado pela sua interatividade?

Todas as questões que vamos apresentando não necessitam respostas imediatas. Aliás, nem queremos isso. Queremos poder olhar o assunto da experiência cultural sob vários pontos de vista.

Fábio seguiu citando um trecho do artigo "Efeito Mozart" da pesquisadora Elza de Moraes Fernandes Costa, que refere-se a relação da música com a saúde, educação e bem-estar. Foi muito interessante pois pensar em consumo cultural é pensar nos desejos e necessidades que levam uma pessoa a buscar determinadas experiências culturais. Você pode procurar uma experiência com a música pelo desejo de extravasar uma determinada emoção. Você pode procurar uma experiência com a música pela necessidade de relaxar. As motivações são inúmeras.

Esta pesquisa só comprova algo que intuitivamente podemos perceber: o ato de ouvir a música é uma experiência.

Há inúmeras outras formas de se vivenciar uma experiência cultural. Semana passada, com o lançamento da animação "Rio", me veio à mente o desenho animado. Muitos possuem uma trilha sonora. Por que será? Evidente que pelos efeitos que a música produz, que intensificam a experiência proposta ao público espectador.

Mas aí surge o seguinte pensamento: nem todo mundo reage da mesma maneira. Isso varia conforme a educação, cultura e hábitos de consumo de cada sociedade. Sobre isso, Fábio lembrou no seu texto desta semana que a música é um componente forte da identidade brasileira. Ele inclusive lembrou que eu arranho um violão nas horas vagas!

E como o assunto é experiência cultural, Fábio aproveitou para lançar um desafio: convidou pessoas que acham que não tem "dom" para música para se aventurarem a fazer uma composição e contarem esta experiência para ele enviando um e-mail para contato_fabioneves@globomail.com

Quer tentar?


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quinta-feira, abril 14, 2011

Como se preparar para uma divulgação?





Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


Outra estratégia para divulgar uma ideia é se capacitar e praticar.

Aproveitem esta oportunidade. Será um prazer estar junto com os selecionados!


"Aprenda a divulgar sua ação cultural"
Participe do workshop de comunicação independente!

Estamos começando a criar uma ação prático-educativa permanente para qualificar pessoas que tenham interesse em aprender novas formas de se trabalhar com comunicação de ações culturais independentes no Rio de Janeiro.

A primeira edição do workshop "Aprenda a divulgar sua ação cultural" será no dia 19 de maio de 2011 e as ações práticas entre os dias 20 de abril e 08 de maio de 2011.

Estamos convidando e selecionando até 5 (cinco) pessoas que morem ou conheçam muito bem o bairro Tijuca e até 5 (cinco) pessoas que morem ou conheçam muito bem o bairro Cosme Velho para participarem de um workshop de comunicação.

Os participantes terão a oportunidade de desenvolverem o que aprenderão no workshop atuando como voluntários na divulgação de um espetáculo de música independente do Duo Pinho Brasil que irá ocorrer na Tijuca e no Cosme Velho.


Requisitos para participar da seleção

- Criatividade
- Vontade de aprender
- Gostar de trabalhar em equipe e se comunicar bem
- Facilidade no uso de redes sociais Twitter e Facebook
- Possuir computador ou celular que permitam o uso de internet por no mínimo 1 hora por dia, de segunda à sexta, entre o período das 12h e 14h
- Morem, trabalhem, tenham morado ou trabalhado nos bairros Cosme Velho e Tijuca (conhecer todos os principais lugares do bairro, pontos turísticos, comércio, áreas residenciais, etc.)
- Possuam disponibilidade de tempo para participar do workshop na terça-feira, dia 19 de maio, das 14h às 16h, chegando com antecedência mínima de 30 minutos


Oportunidades para os voluntários participantes selecionados

- Oportunidade de colaborar com o planejamento de uma atividade de comunicação
- Oportunidade de exercer sua criatividade
- Oportunidade de ampliar conhecimentos
- Oportunidade de melhorar o portfólio (certificado de participação eletrônico, em PDF)
- Participar de um sorteio de 2 (duas) bolsas integrais do curso "Aprenda a Organizar um Show" quando for realizado no Rio de Janeiro


Como participar da seleção?

Envie um e-mail até às 12h (meio dia) da próxima segunda, 18 de maio, com o seguinte texto:

Eu, [colocar aqui o seu nome completo], atendo aos requisitos informados sobre o workshop gratuito "Aprenda a Divulgar sua Ação Cultural" divulgado no blog Produtor Cultural Independente e quero participar da seleção para a primeira edição que acontecerá no dia 19 de maio de 2011, das 14h às 16h.

Anexe o seu currículo.

Por fim, responda a seguinte pergunta:

Qual é a importância do conhecimento de comunicação no trabalho de produtores e artistas independentes?


Observações importantes

Informações somente através do e-mail alebarreto@gmail.com

Os selecionados serão informados no final da tarde/noite da próxima segunda-feira 18/05 sobre o espaço cultural onde será ministrado o workshop.


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