segunda-feira, agosto 31, 2026

Amazônia = Cultura 360+: uma conversa que começa no Acre e quer alcançar o mundo




Três anos depois, resolvi voltar a escrever por aqui.

A última postagem deste blog foi em 2023. De lá para cá, muita coisa aconteceu: trabalho, sala de aula, projetos, gestão, cultura, novas experiências e algumas ideias que foram ganhando forma com o tempo.

Voltar agora tem um significado especial porque coincide com o início de um projeto que reúne muitos desses caminhos.

É o Amazônia = Cultura 360+.

A ideia nasceu junto com João Gabriel, ex-aluno de uma turma em que lecionei no curso de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Acre. Hoje, ele atua intensamente na área cultural como produtor cultural, iluminador, produtor executivo e em muitas outras frentes que fazem parte da construção de um espetáculo, de um evento e da própria cena cultural. Inclusive ele que providenciou toda a infraestrutura tecnológica e de comunicação e está hospedado no Tecnutri Podcast.

Professor e ex-aluno, agora parceiros em uma nova experiência.

Começamos o Amazônia = Cultura 360+ com uma proposta que parece simples: conversar.

Mas conversar com intenção.

A intenção é conectar a Amazônia ao Brasil e ao mundo, mostrando que nossa região não é apenas um patrimônio natural de importância planetária.

A Amazônia também é um território de criatividade, inovação, empreendedorismo, memória, conhecimento e produção cultural.

É um lugar onde músicos, escritores, produtores, técnicos, artistas visuais, atores, realizadores audiovisuais, pesquisadores, empreendedores e tantos outros profissionais criam todos os dias.

Essa Amazônia também precisa ser vista, ouvida e conhecida.

Nossa primeira conversa não poderia ter começado melhor

Para abrir essa jornada, tivemos a satisfação de conversar com o mestre João Veras (assista aqui https://www.youtube.com/watch?v=RFfQnHQj9Ag&t=3804s).

Instrumentista, compositor, poeta e crítico cultural, João Veras é formado em Letras e Direito pela Universidade Federal do Acre e participa da vida cultural acreana desde os anos 1980 e 1990.

Sua trajetória passa por movimentos artísticos, festivais, espetáculos musicais e teatrais realizados no Acre e também fora do Estado.

É autor de livros como “Seringalidade”, “A audiência dos mortos” e “Artista da Terra”, entre outras obras.

Conversar com João Veras significa também conversar com uma parte importante da memória cultural do Acre.

Sua experiência permite compreender não apenas o que foi produzido ao longo das últimas décadas, mas também as dificuldades, transformações, movimentos e personagens que ajudaram a construir a cena cultural que temos hoje.

E esse é exatamente um dos propósitos do Amazônia = Cultura 360+: criar um espaço onde memória e futuro possam se encontrar.

Queremos conhecer trajetórias, ouvir experiências, registrar histórias e discutir possibilidades.

Por que 360+?

O nome também procura traduzir essa intenção.

Quando falamos em cultura, não estamos falando apenas do artista no palco ou da obra pronta.

Existe toda uma cadeia por trás.

Existem produtores, técnicos, iluminadores, gestores, comunicadores, pesquisadores, patrocinadores, políticas públicas, leis de incentivo, formação de público, economia criativa, empreendedorismo e muitas outras dimensões que fazem a cultura acontecer.

O 360+ significa justamente tentar olhar para esse ecossistema de forma ampla.

Entender a arte, mas também sua produção.

Conhecer o artista, mas também quem trabalha nos bastidores.

Falar sobre criação, mas também sobre gestão.

Valorizar a memória, mas também discutir tecnologia, inovação e novas oportunidades.

Minha própria aproximação com esse universo

Esse projeto também chega em um momento em que minha relação profissional com a cultura vem se tornando cada vez mais próxima.

Em 2023, fui credenciado como parecerista de projetos culturais da Lei Rouanet.

Entre 2024 e 2025, analisei 30 projetos culturais.

Foi uma experiência que me permitiu olhar para a cultura por uma perspectiva diferente.

Cada análise envolve compreender objetivos, justificativas, orçamento, planejamento, cronograma, capacidade de execução, público e impacto de um projeto.

Mas, por trás de tudo isso, existem pessoas tentando transformar uma ideia em realidade.

Ao analisar esses projetos, comecei a perceber com ainda mais clareza como cultura, administração, gestão de projetos, criatividade e empreendedorismo estão profundamente conectados.

Uma boa ideia cultural precisa de talento.

Mas também precisa de planejamento.

Precisa de criatividade, mas também de organização.

Precisa de identidade, mas também de capacidade de execução.

E talvez seja justamente nessa interseção que o Amazônia = Cultura 360+ encontre parte de sua identidade.

Existe uma Amazônia que ainda precisa ser mais conhecida

Quando se fala em Amazônia, é natural que a floresta ocupe o centro das atenções.

Biodiversidade, rios, mudanças climáticas e preservação ambiental são questões fundamentais.

Mas a Amazônia não termina na floresta.

Existe uma enorme produção cultural acontecendo aqui.

Existem ideias.

Existem artistas.

Existem empreendedores.

Existem experiências inovadoras.

Existem histórias que nasceram aqui e que podem dialogar com qualquer lugar do Brasil e do mundo.

O desafio talvez seja criar mais pontes.

Pontes entre artistas e público.

Entre cultura e mercado.

Entre tradição e inovação.

Entre Amazônia e Brasil.

Entre Amazônia e mundo.

É esse tipo de conexão que queremos estimular.

O Amazônia = Cultura 360+ começa como uma conversa.

Mas nossa expectativa é que cada conversa possa gerar novas conexões, novos registros, novas ideias e, quem sabe, novos projetos.

Depois de um longo hiato desde 2023, volto a escrever neste blog justamente falando de algo que está começando.

Talvez seja uma boa forma de recomeçar.

O primeiro papo foi com João Veras.

E as próximas conversas já estão no horizonte.

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