domingo, maio 17, 2009

Nem todo mundo é Leonardo da Vinci: dê um passo de cada vez




Por Alê Barreto (alebarreto@produtorindependente.com)


Há um senso generalizado por conta das novas tecnologias de que "todos temos que ser multimídias": todos temos que ter msn, todos temos que estar no orkut, todos temos que ter celular (aliás, já está surgindo a cultura de ter dois celulares...), todos temos que estar no twitter, facebook, myspace, etc.

Essa adesão em massa a novos meios de comunicação tem alterado o comportamento das pessoas. Nossa capacidade de "digerir" os conteúdos editados ou brutos que consumimos tem diminuído. Contudo, pelo fato da redução da capacidade de "digestão" ser lenta e silenciosa, pensamos que este é um caminho sem volta, que é uma mudança natural, que não há opção de ser diferente, que agora temos que estar conectados a tudo e a todos o tempo todo.

Corro o risco de discordar deste senso comum. Acredito que num mundo tão complexo como o que estamos vivendo, em que poucas pessoas tem acesso a uma educação que priorize o desenvolvimento da autonomia, em que poucas pessoas conseguem se "desligar" do turbilhão de atividades desnecessárias que a todo momento nos hipnotizam, em que o modo de produção de nossa sustentabilidade tende a exigir cada vez mais que ocupemos nosso tempo com deslocamentos para o trabalho e com o próprio trabalho em si, é fundamental priorizarmos o que realmente desejamos fazer. Não podemos continuar aceitando passivos que somos obrigados a fazer tudo.

Sobre o efeito dos trovões de nossa criatividade, acreditamos ser possível nos sobressairmos como músicos, assessores de imprensa, produtores executivos, compositores, produtores culturais, captadores de recursos, poetas e cineastas estreantes, pois agora é tudo ao mesmo tempo agora.

Precisamos estar conscientes que nem todo mundo é Leonardo da Vinci. Ao tentarmos fazer tudo, muitas vezes fazemos quase nada.

Escolha uma atividade e resista a "tentação do zapping". Cultive o seu projeto como se estivesse compondo uma música. Faça o rascunho da letra. Esboce uma melodia no violão. Veja se está legal para o tom da sua voz. Grave um layout. Apresente para outras pessoas conhecerem. Peça um feedback. Mude o arranjo. Faça a gravação da primeira versão do fonograma. Somente o cultivo do que você planta irá permitir que você colha resultados.

Se você deseja começar a fazer produção cultural independente, dê um passo de cada vez.

4 comentários:

Manuelle Rosa disse...

Oi Alê!
Que bacana esse espaço, hein?
Já indiquei o seu livro para uma amiga. Continue compartilhando!
Beijos

Alê Barreto disse...

A idéia é essa: compartilhar!
Valeu Manuelle!

Vavá Linda Jones disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vavá Linda Jones disse...

concordo com o amigo. muitas vezes é necessário dar uma desacelerada, respirar. MUITO IMPORTANTE SEMPRE é fazermos aquilo que gostamos. buscar ter espaço (ou abrir, garimpar um) na agenda para se divertir, relaxar e se preparar para a próxima é imprescindível vez que outra também. o rendimento profissional agradece as pausas e a lucidez para o foco que elas oportunizam, inclusive.

adorei o texto, as idéias, o conceito do blog. visita o mula ruge e manifeste lá as impressões! beijo enorme meu