terça-feira, julho 25, 2017

Você sabia que a música também é um negócio?







Por Alexandre Barreto *



Fui convidado hoje para participar de um bate papo descontraído sobre o mercado da música, num evento chamado “Papo na Casa”, que está sendo realizado pela Casa Urbana Coworking e ConectBem aqui em Rio Branco, na maior feira de negócios do estado do Acre. O convite me inspirou a escrever este texto.

É difícil no mundo de hoje alguém não simpatizar com a ideia de trabalhar com a música. Aliás, é difícil imaginar o mundo sem música. Você mal sai de casa e já coloca música no carro. Você entra no ônibus e já vê alguém ouvindo música num smartphone. Você entra numa igreja ou num terreiro, logo aparece a música. Você chega em casa, alguém está assistindo a cena de alguma novela e no fundo, música. E no Brasil, a diversidade cultural faz com que esta relação com a música seja mais próxima. A música está presente na maior parte do nosso tempo. Assim, nada mais natural que as pessoas pensarem em trabalhar com música.



Como associamos a palavra “música” ao “prazer de ouvir música”, tendemos a pensar que trabalhar com música é sentir prazer o tempo todo. E com a infindável onda de discursos que dizem que você só vai ser feliz se trabalhar no que lhe dá mais prazer, no que mais ama, cresce a cada dia o número de pessoas que sonham em “viver de música”. Já pensou você não precisar mais pegar ônibus ou enfrentar um engarrafamento de trânsito até o seu trabalho e apenas num piscar de olhos aparecer no palco de programas como “The Voice”, “Superstar” ou “Popstar”? Imagine não ter mais que vestir um uniforme para entrar num fábrica e apenas trabalhar no Rock in Rio? Quem não iria preferir abandonar o forno de um terno e a forca de uma gravata apertada para estar bem à vontade cantando como Nego do Borel para a plateia animada da Estudantina na novela “A Força do Querer”? Mas subir no palco ou aparecer na TV, o aspecto performático do trabalho com a música, que sedutoramente parece ser o mais prazeroso, é somente uma “ponta do Iceberg”. Para que a música chegue aos seus ouvidos, ela percorre um caminho complexo. É o que chamamos de “cadeia produtiva da música”. Já ouviu falar?


Mesmo que você não tenha ouvido falar, o assunto não é tão novo. O economista e pesquisador Luis Carlos Prestes Filho lançou em 2005 o livro "A Cadeia Produtiva da Economia da Música", um mapeamento de como funcionava o negócio da música no estado do Rio de Janeiro. Para você ter uma ideia dos valores financeiros movimentados, veja o exemplo do Rock´ n´ Rio. Na época da pesquisa, o livro citou que o evento movimentava entre R$ 350 milhões a R$ 500 milhões, num rede de negócios que abrangia 42 atividades, 363 sub-atividades, cerca de 150 contratos, mais de 100 empresas e ocupação para cinco mil pessoas. Segundo o Jornal O Globo, a última edição do festival, o Rock in Rio 2015, pôs na economia da cidade do Rio de Janeiro um ingresso de dinheiro calculado em R$ 625 milhões.

A cadeia produtiva da música abrange as seguintes etapas: pré-produção, produção, distribuição, comercialização e consumo. Quando você escuta uma música, ou seja, quando você consome a música, ela já passou por todas estas etapas. E tem muitos profissionais e empresas envolvidos nisso. Mas nem tudo são flores. Apesar de desejada, a carreira na música nem sempre traz o reconhecimento e retorno financeiro esperado. Muita gente acaba desenvolvendo a atividade de música juntamente com outras profissões.





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O debate sobre como desenvolver mais a cadeia produtiva da música no Brasil, sobre como ela pode gerar mais oportunidades de trabalho, é um verdadeiro labirinto. Há quem diga que o problema são as grandes redes de comunicação que dominam boa parte dos canais de distribuição da música, não dando muita chance para muitas pessoas que estão começando. Há quem diga que o problema é falta de uma política de governo que incentive a atividade. Há quem diga que o problema é a falta de financiamento. Há quem diga que a falta de profissionalização atrasa o mercado da música como um todo. E mais recentemente discute-se a pouca renda gerada com o streaming da música. As dez músicas mais tocadas em 2016 em plataformas de streaming (Spotify, Deezer, Napster, Apple Music) repassaram em direitos autorais aos compositores R$ 46.199,20, ao passo que as dez músicas que mais tocaram no rádio em 2016 repassaram R$ 1.567.761,06 em direitos autorais (quase 34 vezes mais dinheiro que a arrecadação do streaming).



Se por um lado muitos obstáculos continuam dificultando o surgimento de carreiras e negócios na música, por outro hoje em dia existem mais possibilidades. Se você está começando sua carreira, invista parte do seu tempo estudando. Procure compreender um pouco o negócio da música. Estude duas publicações disponibilizadas no site do SEBRAE:














Se você estiver em Rio Branco, apareça lá na Expoacre para gente falar mais sobre a música. Começa às 19h.





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* Alexandre Barreto é administrador pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (EAD/UFRGS) e MBA em Gestão Cultural pela Universidade Cândido Mendes (RJ) . Empreendedor que dissemina conhecimentos e atua em redes para promover mudanças. Escreveu os livros Aprenda a Organizar um Show e Carreira Artística e Criativa
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