domingo, dezembro 11, 2016

O que estamos fazendo é produção cultural, produção cultural independente ou produção independente?





Por Alê Barreto *
alebarreto@gmail.com





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Então, o que estamos fazendo? Produção cultural? Produção cultural independente? Produção independente? Produção de artistas? Produção de show? Produção de eventos? Produção de bandas? Gestão Cultural? Me fiz estas e inúmeras outras perguntas várias vezes desde 2002. Me questionar é uma forma de dar uma parada na rotina para olhar a bússola. Para onde está indo minha vida? Sim, é isso que está por trás destas perguntas.

Procurei estas respostas incansavelmente. Mesmo me questionando, para evitar de me perder no labirinto das indagações, me mantive incansavelmente de 2002 até uma boa parte de 2016 entendendo que o que faço chama-se produção cultural independente. Nada prova o contrário. Logo, se nada prova o contrário, é produção cultural independente. 

Mas porque essa minha preocupação em definir de forma precisa o que eu faço? Não parece algo engessado? Essa sempre foi e continua sendo a minha preocupação. Não quero desenvolver a minha vida profissional engessado. E isso não é algo fácil no Brasil.

Percebo que aconteceu comigo exatamente o fenômeno comentado pelo professor e pesquisador Teixeira Coelho no seminário Formação e Profissionalização do Gestor Cultural no Brasil: engessamento. Ao ser questionado se as grades disciplinares dos cursos que tratam dos assuntos relacionados a gestão cultural deveriam ter um núcleo duro do que constitui essa área, especificando competências e conteúdos, sua resposta foi não. Teixeira Coelho falou que "(...) o Brasil é um país historicamente vinculado a uniformidade e ansioso da uniformidade. Isso a gente deve a nossa herança colonial. Alguns ditadores do século XX se deliciariam se viessem para o Brasil porque seriam muito bem sucedidos. Um dos grandes problemas que a gente tem é o engessamento. (...) No Brasil se fala muito em diversidade e se acredita muito pouco em diversidade. (...) Deixemos a diversidade fazer o seu trabalho".

É difícil admitir que sofri o engessamento. Quando comecei a trabalhar, buscava tudo, menos o engessamento. Quando criei este blog e ao longo de dez anos escrevendo, busquei tudo, menos o engessamento. Arrumei até problemas e críticas por conta disso. Ouvi coisas do tipo "seu blog comenta assuntos muito comerciais". Ouvi também que "é muito acadêmico". E houve até quem dissesse que eu devia "me adaptar aos novos tempos e migrar somente para as redes sociais, porque as pessoas não lêem mais". Acreditando na liberdade, ouvi as críticas e continuo escrevendo aqui. Silenciosamente conversando com muitas pessoas, curioso para saber o que pensam sobre estas ideias e de que forma podem ser mais úteis.

Quem está começando a trabalhar com produção, pode ter uma imagem idealizada e achar que é uma área onde "a liberdade impera". Não é verdade. Enquanto estou escrevendo sobre a importância de quebrarmos o gesso e sermos livres, há pessoas e instituições trabalhando para que a profissão produtor cultural seja exercida somente com diploma. Há pessoas discutindo se produção cultural deve ser curso de graduação ou somente de pós-graduação. Há pessoas discutindo que algumas ramificações do termo "produção" são mais nobres e outras menos nobres. Há pessoas se achando mais "culturais" por se chamarem "produtores culturais" do que serem chamadas de "meros produtores de eventos". Há pessoas que preferem ser chamados de "fazedores de cultura". Há pessoas que entendem que o que fazem deve ser expresso com a palavra inglesa "makers". Sou contra isso tudo? Não. Essa é a nossa diversidade. E cada um faz a sua escolha.

E em meio a tantas escolhas, fiz uma. Este blog continuará sendo um espaço de alimentação de ideias e de inspiração, que continuará tendo em seu cardápio reflexões teóricas e casos práticos. Textos curtos ou longos. Textos mais difíceis ou textos simples. Chame como quiser. Deixemos a diversidade fazer o seu trabalho.

Atualmente estou chamando de Produtor Independente. Mas não se apegue. Futuramente posso mudar. E se você gosta de chamar este blog de Produtor Cultural Independente, fique à vontade, será muito bem recebido.



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Alexandre Barreto acredita que disseminar conhecimentos e atuar em redes são boas formas de se realizar mudanças. Em 2006 formou-se em Administração de Empresas e criou o blog Produtor Cultural Independente. Compartilhou seu primeiro livro Aprenda a Organizar um Show na internet, acessado por mais de 26 mil pessoas, e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou com artistas, ações, projetos e com organizações da sociedade civil como Grupo Nós do Morro, Instituto Ensaio Aberto (Armazém da Utopia), Observatório de Favelas e a Orquestra de Câmara da Rocinha, das quais continua parceiro. Desde 2009 realiza também ações formativas. Seus textos, cursos, workshops e palestras têm inspirado muitas pessoas no Brasil. Concluiu o MBA em Gestão Cultural e está divulgando Carreira Artística e Criativa, seu segundo livro, é mais um fruto da relação amorosa e duradoura que tem com o universo artístico e da parceria com a Associação Brasileira de Gestão Cultural. Saiba mais

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