terça-feira, agosto 11, 2015

Mirian Goldenberg fala seu trabalho como escritora e sobre o romance "Sexo", seu mais novo livro





Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com


As carreiras criativas começam de diferentes pontos de partida. No caso de Mirian Goldenberg, a vontade de escrever provavelmente tenha surgido bem cedo, com a descoberta do universo da leitura na biblioteca de seu pai. Numa de suas entrevistas, ela afirma: "li Hermann Hesse, a biografia do Charles Chaplin, Jean-Paul Sartre, Freud, Treblinka, sobre o holocausto".


Acompanho a página dela no Facebook e fiquei sabendo do lançamento de "Sexo", seu mais novo livro. Fiquei curioso, pois tratava-se de um romance. Comprei e já li. Gostei muito. Apesar do livro falar prioritariamente sobre questões do universo feminino, posso afirmar que tem coisas muito interessantes para os homens. 

Propus para ela uma pequena entrevista, para conhecer um pouquinho mais dela e aprender mais sobre o livro.

Prepare uma boa xícara de café ou chá e boa leitura!



[início da entrevista]



Alê Barreto - Um acaso do destino nos aproximou anos atrás. Talvez você nem se recorde. Em 2008, quando eu estava chegando no Rio de Janeiro, ao procurar informações que me ajudassem a escolher no que eu poderia retomar os meus estudos, me deparei com o seu livro “Noites de Insônia”. O nome me chamou atenção. Após lê-lo, enviei um e-mail para você propondo um breve contato para falar sobre o mestrado de antropologia e você prontamente respondeu, inclusive dispondo-se a me receber. Essa sua disponibilidade como profissional vem contribuindo com a carreira de escritora? 

Mirian Goldenberg - Na verdade, acho que não, pois tenho que me dividir entre muitas atividades como professora, orientadora, palestrante, consultora etc. Não resta muito tempo para escrever, que é o que me dá mais prazer. Além disso, escrevo para a Folha, para a Casa e Jardim e respondo, diariamente, a dezenas de solicitações de entrevistas para rádios, Tvs, jornais, revistas, internet. Também respondo a todas as mensagens que recebo por e-mail ou no Facebook. É fácil compreender porque sofro de insônia e durmo duas ou três horas por noite.



Alê Barreto - Lendo uma entrevista que você concedeu a revista TPM em 2011, fiquei curioso com momentos distintos em sua vida. Num primeiro momento, você estudou medicina, se interessou pela militância política e chegou inclusive a escrever um livro sobre a revolução na Nicarágua. Depois passou a pesquisar mulheres revolucionárias, o que lhe inspirou a escrever o livro “Toda Mulher é Meio Leila Diniz”. De lá para cá, escreveu vários livros sobre comportamento humano, a maior parte deles resultado de suas pesquisas acadêmicas. Apesar do livro “Sexo” tratar de comportamento humano, desta vez você escolheu falar através da ficção. O que lhe motivou a fazer esta escolha? 

Mirian Goldenberg -Tenho buscado diversas formas de me comunicar com meus leitores: o humor, a ficção, as colunas, os livros. Em todas elas, tenho como base as minhas pesquisas e observações como antropóloga. SEXO, apesar da linguagem de romance, é baseado em centenas de entrevistas que fiz com homens e mulheres sobre SEXO casual.





O livro pode ser adquirido na Livraria Travessa




Alê Barreto - Falando do livro, gostei muito. Sei que obras artísticas não se comparam, mas me permita um pequeno passeio sobre suas ideias. Ao ler “Sexo” senti uma emoção parecida com que senti ao ver o filme “Pequeno Dicionário Amoroso” de Sandra Werneck. Um sentimento de estar conversando com amigos aquele papo cabeça que não precisa necessariamente ser um manifesto ideológico. Um momento em que dá para alternar palavras, olhares, risadas e dá para pensar sobre coisas do dia a dia. Como foi para você o processo de escrever o livro? 

Mirian Goldenberg - Foi exatamente este: uma conversa íntima com mulheres e homens. Gosto muito de escrever, não sofro quando preparo um livro. Leio, releio, invento, fico totalmente focada na escrita, tendo ideias o tempo todo (daí a insônia). Queria algo que fosse sério, mas com humor e também libertário. Quero que as mulheres e os homens se sintam mais livres das caretices e preconceitos depois de lerem o livro.



Alê Barreto - Há momentos no livro que você propositalmente repete algumas frases tipo “(...) gozou 6 X seguidas...”. Fiquei curioso para saber se as repetições são apenas para reforçar a compulsão de se pensar num determinado assunto ou se em suas pesquisas uma frase como essa (e outras) aparece tantas vezes nas respostas. 

Mirian Goldenberg - As duas coisas: foi para reforçar a neurose feminina com os comportamentos masculinos e para mostrar que este tipo de discurso é muito frequente entre as mulheres e homens. Queria repetir mais ainda, mas achei que poderia cansar o leitor. Mas as neuroses femininas são ainda mais repetitivas.



Alê Barreto - Enxerguei no livro uma possibilidade dele dar origem a uma montagem teatral. Já lhe ocorreu fazer uma incursão no mundo das artes cênicas ou de que este livro pode lhe proporcionar de alguma forma isso? 

Mirian Goldenberg - Também acho que o livro é um monólogo teatral. Tive alguns convites para transformar meus livros em peças, mas, até hoje, nada se concretizou. Eu gostaria muito!



Alê Barreto - Está havendo uma maior abertura da TV para se falar sobre sexo. Na sua opinião, como anda a qualidade dos conteúdos oferecidos na TV aberta e na TV a cabo que incluem o sexo? Está surgindo mais espaço para se falar do sexo casual na vida das mulheres mais maduras? 

Mirian Goldenberg - Sim e não. Fala-se muito, mas sempre com muitos clichês. Não gosto da ideia de que o sexo é a coisa mais importante na vida das pessoas, que todos devem falar (e fazer) muito sobre sexo, acho uma nova prisão esta supervalorização da sexualidade, como se fosse a coisa mais moderna do mundo.



Alê Barreto - Há alguma questão específica no livro “Sexo” que você como autora sugere que o leitor possa colocar uma maior atenção?

Mirian Goldenberg - Gostaria que o leitor risse muito e, ao mesmo tempo, percebesse os próprios tabus e preconceitos. E conseguisse ser um pouco mais livre e feliz, ou mais “meio Leila Diniz”. Será que consegui?

[fim da entrevista]






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Alê Barreto (ou Alexandre Barreto) é administrador de empresas, gerente de projetos, empresário artístico, produtor executivo, consultor, criador de conteúdo, professor e palestrante. Concluiu sua formação em gestão pública em cultura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e o MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ). Continua estudando e pesquisando. Quer ingressar no mestrado. Gosta de desafios. Isso faz com que esteja aberto a convites, à novas oportunidades e a trabalhar em diferentes lugares. 
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