quarta-feira, abril 30, 2014

Onde: escolher com critério o espaço contribui para o sucesso do show




Por Alê Barreto
alebarreto@gmail.com


No início de abril, falei rapidamente com minha amiga Maria Braga, empresária com quem já trabalhei no lançamento do Cd "Cara" de Cláudio Lins (gravadora Biscoito Fino) e no show dos 30 anos de carreira no Nei Lisboa , com patrocínio Petrobras Cultural, lá no Rio de Janeiro. Ela me disse que dia 30 de abril que o Jards Macalé estaria em Porto Alegre gravando seu primeiro DVD. Cheguei em Porto Alegre e, como bom brasileiro, deixei para a última hora. Ontem, quando fui comprar, os ingressos estavam esgotados.

Fiquei muito feliz com a notícia e mandei um e-mail para ela dando os parabéns, pois a melhor notícia que um produtor pode ter é que os ingressos estão esgotados. Significa que se terá casa cheia.

Desde que fiquei sabendo que o show era em Porto Alegre, fiquei pensando questões que abordo no capítulo 4 "Onde" do meu livro "Aprenda a Organizar um Show". Começo este capítulo falando que "o local tem que ter a cara do público do seu show". Este caso do show do Jards Macalé é muito interessante para pensarmos sobre isso.

Se você for ao Theatro São Pedro, a primeira vista, poderá pensar que ele é um local essencialmente clássico. Mas não é. O Theatro São Pedro, inaugurado em 1858, é um espaço aberto a diferentes expressões artísticas, linguagens e públicos. Um espaço em que muitos artistas do Rio Grande do Sul e de todo Brasil já se apresentaram.

O Theatro São Pedro já é uma referência em termos de qualidade da programação. E este é um ponto que nos faz entender porque ele tem a cara do público do Jards Macalé. O público deste artista prima por qualidade. Muitos universitários são fãs do compositor.

Para quem não sabe, Jards Macalé está celebrando 50 anos de carreira (atenção quem tem acompanhado eu falar em carreira artística, não é todo dia que alguém completa 50 anos de carreira artística no Brasil). 

Para quem não o conhece (geralmente as gerações mais novas), reproduzo aqui um pequeno trecho do release dele.


[início da citação]

"Jards acompanhou Maria Bethânia quando esta substituiu Nara Leão no espetáculo Opinião. Tornou-se depois diretor musical dos shows da abelha-rainha, ainda nos anos 60, e aí conheceu os baianos Gal Costa, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Na fase pós-tropicalista, fez com Capinan a música Gothan City e a defendeu no IV Festival Internacional da Canção (1969) – acompanhado da banda Os Brazões. Fez canções para Gal Costa, Nara Leão e Elizeth Cardoso na virada da década de 1970, notadamente o clássico Vapor Barato (com Waly Salomão) e, contratado pela RGE, gravou seu primeiro disco solo – Só Morto um compacto duplo com 4 faixas, com acompanhamento da banda Soma – lenda do rock setentista nacional. 

Nos anos 70/80 tornou-se parceiro de Moreira da Silva no samba de breque Tira os Óculos e Recolhe o Homem. Com Moreira fez vários shows e projetos e por ele foi eleito seu herdeiro legítimo. 

Com o passar das décadas, Macalé reafirmou mais e mais sua importância como músico, compositor e intérprete, além de produtor, orquestrador e ator. Hoje seus discos são reeditados remasterizados, como seu primeiro LP de 1972 Jards Macalé, relançado em 2012, o que motivou shows com os músicos que gravaram no original da época: Lanny Gordin (guitarra) e Tuti Moreno (bateria). Outro exemplo é o LP Banquete dos Mendigos, álbum duplo idealizado e produzido por ele. Gravado ao vivo, em 1973 no Museu de Arte Moderna do RJ, para comemorar o 25º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o disco foi censurado e só saiu anos mais tarde. Entre os vários artistas que participaram nomes como Paulinho da Viola, Jorge Mautner, Edu Lobo, Chico Buarque, Raul Seixas, Milton Nascimento, Dorival Caymmi e Gal Costa, além do próprio Macalé, entre outros".

[fim da citação]


Para quem se interessar, existe também o documentário Jards Macalé: um morcego na porta principal.

Podemos ainda analisar três questões muito interessantes na escolha do espaço para gravação do DVD ao vivo do Jards Macalé.


Em qual cidade gravar? Muitas pessoas pensam que tem mais valor tocar nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Depende. Não é a primeira vez que o DVD de artistas residentes em São Paulo ou Rio são gravados no Rio Grande do Sul. Quando eu morava aqui lembro da gravação do DVD do Nando Reis, entre outros. Se a cidade de Porto Alegre é escolhida para projetos deste porte, é porque esta história de que as coisas só acontecem no Rio e SP vem mudando.


Adequação do espaço para receber o público. Muitas vezes um artista possui um público segmentado, como é o caso do Jards Macalé. Claro que pessoas de todos os tipos, idades, etc escutam e/ou podem escutar a música dele. Mas sem dúvida, sua obra artística deve ser mais apreciada pelas pessoas que curtem a música brasileira dos anos 60/70/80/90 e claro fiéis fãs que o acompanham ao longo dos anos. A escolha de um teatro é extremamente adequada, pois é um público que em sua maioria presta atenção no espetáculo musical e se sentirá mais confortável em um teatro.


Infraestrutura. O Theatro São Pedro possui uma estrutura de serviços nota dez, que pode ser conferida diretamente no site. Item importante para receber uma circulação de shows e gravações de DVD.


A empresária Maria Braga está de parabéns pela escolha do Theatro São Pedro. O Theatro São Pedro está de parabéns por acolher em sua programação este artista que é uma aula de cultura brasilera. E o público do Rio Grande do Sul está de parabéns por ter esgotado os ingressos do show, fato que demonstra que conhecemos a importância da obra do Jards Macalé, assunto que nem sempre ocorre Brasil a fora e que nos remete a necessidade de ampliação do ensino de música nas escolas. Mas isso já é outra conversa.

Leia também a matéria 

Com convidados especiais, Jards Macalé grava DVD em Porto Alegre de Daniel Feix,

publicada hoje no Caderno ZH do Jornal Zero Hora, em Porto Alegre.


******************************************************************************************************

Alexandre Barreto, mais conhecido como “Alê Barreto”, é um profissional multifuncional. Administrador de empresas, gestor de pessoas, gerente de projetos, produtor executivo, consultor, criador de conteúdo, professor e palestrante. 
Atualmente é um dos gestores do Grupo Nós do Morro no Rio de Janeiro (RJ) juntamente com a cineasta e roteirista Luciana Bezerra e está em fase de conclusão do MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ). Sua monografia é sobre carreira artística e criativa e conta com a orientação da consultora Eliane Costa.   Leia mais

terça-feira, abril 29, 2014

Produtor realiza e também pensa. Participe do V Seminário Internacional de Políticas Culturais

Lia Calabre é uma das organizadoras do Seminário (Foto: João Kehl/Cia de Foto)


Por Alê Barreto
alebarreto@gmail.com


É muito comum no Brasil existir um abismo entre quem realiza e quem estuda. Na produção, não é diferente. Por isso acho fundamental que produtores comecem a participar de seminários, encontros, conferências, simpósios, ciclos de palestras. É uma forma de ter acesso com a pesquisa para ir melhorando a prática.

Venho acompanhando o Seminário Internacional de Políticas Culturais e este ano vou apresentar o artigo "A formação em administração, produção e gestão cultural como elemento facilitador do desenvolvimento da carreira artística", no dia 08 de maio, na Mesa VIII, cuja temática é "Gestão e Formação em Cultura". 

Convido a todos para que participem dos 3 dias do seminário. Abaixo reproduzo informações do site do Itaú Cultural.



Participe do V Seminário Internacional de Políticas Culturais

A Fundação Casa de Rui Barbosa, em parceria com o Observatório Itaú Cultural, realiza o V Seminário Internacional de Políticas Culturais no Rio de Janeiro, entre os dias 7 e 9 de maio.

Organizado por Lia Calabre, Maurício Siqueira e Adélia Zimbrão, o evento – encontro de especialistas, estudiosos, gestores e interessados nas questões relativas à área de políticas culturais – pretende divulgar trabalhos e promover debates no campo das ações e das reflexões históricas, teóricas e práticas.

A programação conta com seções de conferência, palestra e debate. Para saber o cronograma completo do seminário, confira o arquivo (em pdf) aqui. Para mais informações sobre cada mesa, consulte aqui.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas por e-mail. Envie uma mensagem parapolitica.cultural@rb.gov.br com nome completo e e-mail e informe se há interesse em receber o certificado para confirmar presença.


Serviço

V Seminário Internacional de Políticas Culturais
quarta 7 a sexta 9 de maio de 2014
das 8h30 às 20h
inscrições: escrever para politica.cultural@rb.gov.br e informar nome completo, e-mail e se há interesse em receber o certificado

Entrada franca
[livre para todos os públicos]


Fundação Casa de Rui Barbosa | Rua São Clemente 134 Botafogo Rio de Janeiro RJ
informações 21 3289 8608/8609/8610 | politica.cultural@rb.gov.br


******************************************************************************************************

Alexandre Barreto, mais conhecido como “Alê Barreto”, é um profissional multifuncional. Administrador de empresas, gestor de pessoas, gerente de projetos, produtor executivo, consultor, criador de conteúdo, professor e palestrante. 
Atualmente é um dos gestores do Grupo Nós do Morro no Rio de Janeiro (RJ) juntamente com a cineasta e roteirista Luciana Bezerra e está em fase de conclusão do MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ). Sua monografia é sobre carreira artística e criativa e conta com a orientação da consultora Eliane Costa.   Leia mais

sexta-feira, abril 25, 2014

Estude produção cultural no Rio Grande do Sul: curso de Bacharelado em Produção e Política Cultural da UNIPAMPA está com 27 vagas disponíveis para 2014




Por Alê Barreto
alebarreto@gmail.com

Compartilho aqui uma boa notícia: existe um curso de graduação em Produção Cultural no Brasil e fica no Rio Grande do Sul, meu estado de origem, na cidade de Jaguarão.

Segue abaixo o e-mail que recebi de Alan Dutra de Melo, coordenador do Bacharelado em Produção e Política Cultural da Universidade Federal do Pampa.



from: Alan Dutra de Melo alandutrademelo@gmail.com
to: alebarreto@gmail.com
date: Thu, Apr 17, 2014 at 11:26 PM
subject: Divulgação de vagas Produção Cultural

Prezado Alê Barreto,

Ao cumprimenta-lo de forma cordial e também como leitor do seu blog encaminho informação para possível divulgação. Grato!


Curso de Bacharelado em Produção e Política Cultural está com 27 vagas disponíveis para ingresso em 2014

Publicado em 17 abr, 2014.

UNIPAMPA lança novo processo seletivo com a nota do ENEM

Qui, 17 de Abril de 2014 15:34


A Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) lança nesta quinta-feira, 17, um novo edital de seleção para os estudantes que queiram ingressar na Instituição ainda em 2014. Podem se candidatar todos os que, em 2013, realizaram o ENEM e não estão matriculados na Universidade. Para classificação e matrícula, haverá uma chamada presencial a qual os candidatos devem comparecer (ou se fazer representar por procurador) no dia 6 de maio no campus do curso escolhido. Estão disponíveis 608 vagas em diferentes cursos da graduação.

O candidato deverá comparecer ou se fazer representar por procuração no dia 6 de maio, no respectivo Campus do curso pretendido, munido de documento de identidade, número de inscrição do ENEM e senha que possibilite a verificação da nota no site do SiSU (http://sisualuno.mec.gov.br/) ou INEP (http://sistemasenem2.inep.gov.br/resultadosenem/). O horário destinado ao curso pretendido e a lista completa de cursos e número de vagas encontram-se no Anexo I do Edital 80/2014.

O candidato que não estiver presente no horário indicado não poderá participar do processo de seleção nesta chamada. Entre os candidatos presentes serão criadas listas de classificação para cada curso, e esses poderão ser chamados conforme a disponibilidade de vagas. A divulgação dos resultados será nos sites dos campi e da UNIPAMPA até o dia 7 de maio. As matrículas dos selecionados neste edital serão realizadas nos dias 8 e 9 de maio, nos locais e horários expostos no Edital 80/2014.

http://www.unipampa.edu.br/portal/component/content/3511?task=view

http://cursos.unipampa.edu.br/cursos/cultura/

Atenciosamente,

Prof. Me. Alan Dutra de Melo
Coord. Bacharelado em Produção e Política Cultural
Universidade Federal do Pampa - Jaguarão RS




******************************************************************************************************

Alexandre Barreto, mais conhecido como “Alê Barreto”, é um profissional multifuncional. Administrador de empresas, gestor de pessoas, gerente de projetos, produtor executivo, consultor, criador de conteúdo, professor e palestrante. 
Atualmente é um dos gestores do Grupo Nós do Morro no Rio de Janeiro (RJ) juntamente com a cineasta e roteirista Luciana Bezerra e está em fase de conclusão do MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ). Sua monografia é sobre carreira artística e criativa e conta com a orientação da consultora Eliane Costa.   Leia mais

terça-feira, abril 22, 2014

Nova versão atualizada do Guia do Estudante Produtor Cultural Independente




Por Alê Barreto
alebarreto@gmail.com


Você já se deu conta que mesmo você sendo um estudante há algum tempo, pesquisador, interessado no assunto ou profissional de produção cultural, é comum ouvir perguntas do tipo 


o que é produção cultural?

o que é um produtor cultural?

o que faz um produtor cultural?

dá dinheiro trabalhar com produção cultural?

qual é a diferença entre o produtor cultural e o produtor de eventos?

qual é a diferença entre produtor e gestor cultural?

quais são os tipos de produtor cultural?


Isso não é só um problema do conhecimento de produção cultural. Se alguém numa festa disser "sou antropólogo", mesmo não perguntando, muita gente vai ficar pensando "o que ele faz neste trabalho?". Poderá inclusive confundi-lo com "arqueólogo", mas isso é apenas um exemplo.

Todas as profissões novas, até que se tornem conhecidas, são desconhecidas. E as profissões do campo da produção cultural são bons exemplos disso.

Uma boa maneira de contribuir para isso é difundir o conceito. Mas isso nem sempre ocorre. Apesar dos primeiros cursos (e raros) de graduação em produção cultural terem surgido no Brasil, a partir de 1996, poucos produtores oriundos da academia preocuparam-se com a difusão do conhecimento. É uma pena. Isso atrasou e ainda atrasa o desenvolvimento.

Comecei a trabalhar com atividades relacionadas a produção cultural em 2003 e já em 2006 me preocupei em começar a difundir os conceitos que venho aprendendo. Primeiro lancei o livro básico "Aprenda a Organizar um Show", depois ampliei a produção de conteúdo neste blog e em outras bases da internet. A atual versão do verbete "produção cultural" existente na wikipedia, foi elaborado por mim e segue novamente mais abaixo. Fico impressionado que até agora, 2013, quase ninguém tenha se preocupado em aprimorá-lo ou fazer referência a diferentes versões deste conceito.

Meu convívio com pessoas oriundas das graduações em produção cultural tem me mostrado que uma grande parcela opera ainda na lógica da "reserva de mercado". Consideram uma "verdade absoluta" os conceitos que leram (leram, não estudaram) e que poucos tem acesso e não contribuem para o desenvolvimento do conceito. Uma evidência forte disso é a produção imensa de textos, monografias e teses sempre citando a rara bibliografia existente sobre o conceito de produção cultural, formulados e publicados décadas atrás como se estivessem falando do "Teorema de Pitágoras" da matemática. O conceito de produção cultural não é um dogma. Ele se modifica a cada ano.

Um conceito nada mais é do que a formulação de uma ideia por meio de palavras. Desta forma, os conceitos não são verdades absolutas. Os conceitos são formas de pensar e estão sempre em disputa. E há inúmeras disputas em torno do conceito de produção cultural.

Por isso convido as pessoas que estão chegando para trabalhar neste campo que pensem na ideia de ampliar o conceito, transformá-lo. 

Fico feliz que no Estado da Bahia, isso já se faz há um bom tempo. O conceito de produção cultural, o conceito do que faz um produtor cultural, vem sendo pesquisado de forma muito séria e consistente na Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Segue uma atualização do Guia do Estudante Produtor Cultural Independente, uma referência para se pensar e, principalmente, aprimorar e criar novos conceitos.


Guia do Estudante Produtor Cultural Independente


1 - O que é produção cultural? 

O conceito de produção cultural será inicialmente pensado nesta definição partindo da noção mais básica: a constituição da palavra.

Segundo o dicionário Michaellis, a palavra produção pode significar coisa produzida naturalmente ou pelo trabalho, obra literária ou artística ou ato ou efeito de produzir. A palavra cultural é referente a cultura.

Desta forma, produção cultural pode fazer referência a um conjunto de coisas ou obras artísticas realizadas por indivíduos, sozinhos ou em grupo, num determinado espaço e tempo, a um conjunto de produtos ou serviços culturais realizados por indíviduos, sozinhos ou em grupo, num determinado espaço e tempo ou produzir uma ação cultural.

A existência da palavra cultural faz com que produção cultural assuma uma diversidade de significados. Se considerarmos que produção cultural pode ser produção de cultura, tanto seu significado enquanto "coisa" quanto "ato de produzir" assumirão sentidos mais amplos do que apenas obras artísticas.

No Brasil, ainda não há pesquisa sobre a origem do aparecimento desta expressão. Acredita-se que iniciou com o desenvolvimento do teatro, rádio, televisão e cinema, atividades em que a divisão do trabalho contempla a função de se organizar (pré-produção, produção e pós-produção) uma atividade artística e/ou cultural.

A expressão produção cultural tornou-se mais conhecida no Brasil no final da década de 80 e ganhou força nos anos 90, com o surgimento das leis de incentivo à cultura.

Produção cultural também tornou-se a denominação utilizada no Brasil para cursos livres, cursos técnicos, cursos de graduação e pós-graduações, presenciais ou de ensino à distância (EAD), que difundem conhecimentos relacionados a organização, administração e gestão deatividades culturais. Por atividades culturais entenda-se o conceito amplo, que vai além das definições clássicas de cultura e arte.

O conceito amplo de atividades culturais abrange:

- ações praticadas pelo Estado, iniciativa privada, Terceiro Setor ou indíviduos, nas dimensões simbólica, social, econômica e criativa;

- ações cuja fruição pode ser gratuita, mediante pagamento ou mista (uma parte gratuita e outra parte paga);

- atividades realizadas nos setores de turismo, eventos, entretenimento, tecnologia de informação (desenvolvimento de software), games, comunicação, marketing, mercado editorial, publicidade, gastronomia, moda, design, novas tecnologias de informação e comunicação (hardware e software para conexão com internet) e a internet (como produto e/ou meio).

Por tratar-se de um conhecimento novo no mundo, há uma tensão constante sobre "o que é" e "o que não é" produção cultural, similar a discussão sobre "o que é cultura" e "o que não é cultura" ou "o que é arte" e "o que não é arte.


Fonte: o verbete "produção cultural" acima foi formulado a partir do "Dicionário Michaelis" da editora Melhoramentos, "Dicionário Crítico de Política Cultural" de Teixeira Coelho, "Guia Brasileiro de Produção Cultural 2010-2011" de Cristiane Olivieri e Edson Natale, projeto "Produção Cultural no Brasil", blog "Produtor Cultural Independente", livro "O Avesso da Cena - Notas sobre produção e gestão cultural" de Romulo Avelar, "Mapeamento sobre a formação em organização cultural no Brasil" de Albino Rubim, Alexandre Barbalho e Leonardo Costa e da tese "Profissionalização da organização da cultura no Brasil: uma análise da formação em produção, gestão e políticas culturais" de Leonardo Figueiredo Costa, publicado na Wikipedia.


Para aprofundar mais:

- livros e textos dos professores Albino Rubim, Alexandre Barbalho, Gisele Nussbaumer, Leonardo Costa e Linda Rubim (Universidade Federal da Bahia).

- livros e textos do Cult (Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura é um órgão complementar da Universidade Federal da Bahia que reúne pesquisadores, professores e estudantes da área da cultura, especialmente do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (doutorado e mestrado), do curso de Produção em Comunicação e Cultura da Faculdade de Comunicação (graduação) e dos Bacharelados Interdisciplinares do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos – IHAC (graduação).

- artigos do ENECULT (Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura). Entenda mais sobre o encontro e importância da multidisciplinaridade.


2 - O que é um produtor cultural?

No capítulo II do livro "O Avesso da Cena: Notas sobre Produção e Gestão Cultural" de Romulo Avelar, lançado pela DUO Editorial, você irá encontrar muitas informações importantes sobre o conceito de produção e gestão cultural.

Recomendo ainda o vídeo elaborados por alunos de produção cultural do IFRN


3 - O que é ser um produtor cultural no Brasil?

Esta é uma pergunta que estaremos sempre nos perguntando e para a qual sempre teremos novas respostas.

Buscando fazer uma exploração inicial deste universo, o projeto Produção Cultural no Brasil realizou 100 entrevistas, nas quais existem bons relatos sobre como estas pessoas entrevistadas percebem a atividade de produção cultural no Brasil.

O projeto foi executado pela Beijo Técnico Produções Artísticas, Garapa Coletivo Multimídia e FLi Multimídia, em parceria com a Azougue Editorial. Uma realização da Casa da Cultura Digital e Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, com orçamento obtido via Cinemateca Brasileira e Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC).


4 - O que faz um produtor cultural? Campos de atuação profissional.

Produção cultural no Brasil tem sido bastante associada a atuação de pessoas que atuam na formatação de projetos para leis de incentivo, editais públicos e programas privados. Isso muitas vezes é o direcionamento de alguns cursos de graduação e pós-graduação. Contudo, os campos de atuação profissional são muitos.

Produção cultural é uma atividade que pode estar associada a:

- pessoas que atuam em eventos e entretenimento;

- pessoas que fazem projetos para leis de incentivo;

- pessoas que fizeram cursos de produção cultural;

- pessoas que organizam atividades de cultura como recurso em programas, projetos e ações de responsabilidade sócio-ambiental, educação, saúde, esporte, promoção da cidadania, direitos humanos e bem estar;

- pessoas que realizam atividades de organização, administração e gestão de espaços culturais;

- pessoas que organizam atividades culturais em pontos de cultura;

- pessoas que realizam atividades intermediárias nas diferentes fases da cadeia produtiva da cultura (produção, distribuição, comercialização e consumo de bens e serviços culturais);

- pessoas que produzem conteúdo ou atuam em atividades intermediárias nas diferentes fases da cadeia produtiva da cultura digital (produção, distribuição, comercialização e consumo de bens e serviços culturais digitais).




5 - Exemplos de atividades de produção cultural

Atividades de organização de shows, exposições de arte, montagens teatrais, stand-up comedy, espetáculos de dança, encontros literários, exibição de filmes, programas de TV, programas de rádio, produção de conteúdo para blogs, produção de conteúdo para internet, projetos que contemplem arquitetura, patrimônio, artes, antiquários, artesanato, design, moda, cinema, música, artes híbridas, artes performáticas.

Organização e gestão de carreiras artísticas (também conhecidas como carreiras criativas), gestão de indústrias criativas e pesquisas nos campos da economia da cultura e de políticas públicas de cultura podem ser realizadas por pessoas com formação em produção cultural.




6 - Perfil profissional de um produtor cultural


Este é um ponto extremamente delicado. Digo isso porque temos hoje na web muito mais relatos, depoimentos e opiniões de pessoas que olham a produção cultural como uma profissão "pública", como se o produtor cultural somente lidasse com recursos públicos.

É importante lembrar que a profissão de produtor não é tão nova quanto parece. Ela já existia antes das Leis de Incentivo nos anos 90. O que aconteceu é que com as leis de incentivo e a criação dos primeiros cursos de graduação e pós-graduação, a função de "produtor" passou a ser chamada de "produtor cultural". Sobre isso, leia o artigo "O campo acadêmico da produção cultural - história e características", do professor Leandro José Mendonça, publicado no livro "Políticas culturais : pesquisa e formação", organizado por Lia Calabre e lançado pelo Instituto Itaú Cultural e Fundação Casa de Rui Barbosa, em 2012.

Além do conteúdo disponível no Produção Cultural no Brasil, citado anteriormente, recomendo também:

- Produção Cultural na Bahia, projeto que apresenta também entrevistas na íntegra e depoimentos em vídeo gravados com produtores, gestores, pesquisadores e artistas da área de cultura deste estado.

- a matéria Voz da Experiência: Para Tatiana Zaccaro um bom produtor cultural tem que ser desinibido, Lauro Neto publicada na seção de educação do Jornal O Globo. Tatiana Zaccaro é graduada em jornalismo com MBA em Marketing e gerente de negócios da Fagga Eventos, empresa que organizou a XIV Bienal Internacional do Rio de Janeiro.

- a pesquisa com produtores que encaminham projetos para Lei Rouanet publicada no livro do projeto Panorama Setorial da Cultura Brasileira, de autoria de Gisele Jordão e Renata R. Allucci.


7 - Panorama do setor

Aqui recomendo:

- artigos das diferentes edições do Guia Brasileiro de Produção Cultural de Cristiane Olivieri e Edson Natale.

- artigos do livro "O Avesso da Cena: Notas sobre Produção e Gestão Cultural" de Romulo Avelar.

- artigos de Leonardo Brant e Cultura e Mercado.

- artigos e publicações da Associação Brasileira de Gestão Cultural.

- artigos da revista Fazer e Vender Cultura.

- artigos da gestora e produtora cultural Dedé Ribeiro e do especial de produção cultural do Portal Artistas Gaúchos.

- artigos do Blog Acesso do Instituto Votorantin, como por exemplo a matéria "O produtor cultural do século 21" da jornalista Priscila Fernandes.

- artigos de produção cultural, gestão cultural e economia criativa do SEBRAE.

- artigos do blog Radar da Produção.

- conteúdo da pesquisa do projeto Panorama Setorial da Cultura Brasileira, lembrando que o recorte da mesma somente abrange produtores culturais proponentes de projetos enquadrados na Lei Rouanet.


Mais específico sobre Economia Criativa

- artigos de Ana Carla Fonseca Reis, Garimpo de Soluções e Criaticidades.

- artigos de Décio Coutinho.



Mais específico para o setor público:

- publicações do Ministério da Cultura.

- publicações do Cult (Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura) e ENECULT (Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura)

- publicações da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, como por exemplo a Coleção Política e Gestão Culturais.

- publicações do Centro de Pesquisa e Formação do SESC em SP.

- publicações da Fundação Casa Rui Barbosa e Seminário Internacional de Políticas Culturais.




Mais específico sobre Diversidade Cultural:
- portal do Itaú Cultural e Observatório Itaú Cultural

- textos e publicações do Observatório da Diversidade Cultural



Mais específico sobre Direitos Humanos e Produção Cultural nas Favelas:




Mais específico sobre a gestão de espaços culturais


- artigos de Kátia de Marco

- artigos de Maria Helena Cunha, Duo Editorial e Inspire.

- artigos de Marta Porto e Plano A.

- a recente pesquisa Públicos de Cultura


8 - Quem mais contrata?


Empresas de eventos

Empresas de feiras e entretenimento

Empresas que fazem produção de projetos via leis de incentivo à cultura

Pessoas e empresas que organizam atividades de cultura como recurso em programas, projetos e ações de responsabilidade sócio-ambiental, educação, saúde, esporte, promoção da cidadania, direitos humanos e bem estar

Artistas, empresários e agentes artísticos

Espaços culturais


Aqui vale lembrar que boas pistas podem ser encontradas nos recentes trabalhos produzidos no Brasil sobre Economia da Cultura e Economia Criativa.



9 - Estimativa de remuneração


9.1 Salário inicial

R$ 1.800,00 (20 horas semanais)
(fonte: prof. Luiz Guilherme Vergara, da UFF, no Guia do Estudante)


9.2 Salário para profissionais com experiência

de R$ 8.000,00 a R$ 15.000,00
(fonte: Tatiana Zaccaro, graduada em jornalismo com MBA em Marketing e gerente de negócios da Fagga Eventos na matéria Voz da Experiência: Para Tatiana Zaccaro um bom produtor cultural tem que ser desinibido)

Comentário sobre estas informações de salário: a maior parte dos produtores culturais no Brasil não trabalha formalizado, seja com carteira assinada, seja com empresa registrada.

Um percentual muito pequeno de profissionais ganha acima de R$ 3.500,00 por mês.


10 - Onde estudar?

11 - Processo de formação da profissão no Brasil

Preocupados com a ausência de políticas de formação de pessoal em organização cultural (noção que também abrange a formação de pessoas para produção cultural), pesquisadores do Programa de Pós-Graduação Multidisciplinar em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia, sob orientação do Prof. Dr. Antonio Albino Canelas Rubim, realizaram um importante mapeamento sobre a formação em organização cultural no Brasil, disponibilizado de forma livre na internet desde 2010. 

Outro importante estudo é "Profissionalização da organização da cultura no Brasil: uma análise da formação em produção, gestão e políticas culturais", tese de doutorado de Leonardo Figueiredo Costa, concluída em 2011.

Para pesquisar esta tese no Sistema de Bibliotecas da UFBA:

Costa, Leonardo Figueiredo. Profissionalização da organização da cultura no Brasil: uma análise da formação em produção, gestão e políticas culturais / Leonardo Figueiredo Costa. - 2011.

A formação do produtor cultural foi discutida também em 2011 e 2012 no Rio de Janeiro em dois encontros promovidos por alunos do curso tecnológico de produção cultural do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro.

Em 2013 o 3º Encontro Nacional de Produção Cultural ocorreu na Universidade Federal da Bahia. Acesse o site do encontro, a página oficial do facebook e o blog do evento.


12 - Reconhecimento da profissão pelo Ministério do Trabalho no Brasil

Em 2013 a profissão de produtor cultural passou a ser reconhecida no Brasil pelo Ministério do Trabalho, que incluiu a mesma na CBO – Classificação Brasileira de Ocupações. A CBO é uma espécie de dicionário das profissões no Brasil. Neste guia estão registradas 2.558 atividades. A entrada na CBO não interfere em questões trabalhistas como jornada de trabalho ou piso salarial.

Fonte: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2013/02/ministerio-do-trabalho-passa-reconhecer-59-novas-profissoes.html


Como utilizar gratuitamente este texto?

Você pode copiar e utilizar o conteúdo, basta mencionar que o texto é de autoria de Alexandre Barreto. Copie e cole a referência abaixo

BARRETO, Alexandre. Guia do Estudante Produtor Cultural Independente: 2.ed.. 2014. Disponível em: . Acesso em: 22 abr. 2014.



******************************************************************************************************

Alexandre Barreto, mais conhecido como “Alê Barreto”, é um profissional multifuncional. Administrador de empresas, gestor de pessoas, gerente de projetos, produtor executivo, consultor, criador de conteúdo, professor e palestrante. 
Atualmente é um dos gestores do Grupo Nós do Morro no Rio de Janeiro (RJ) juntamente com a cineasta e roteirista Luciana Bezerra e está em fase de conclusão do MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ). Sua monografia é sobre carreira artística e criativa e conta com a orientação da consultora Eliane Costa.   Leia mais

quinta-feira, abril 17, 2014

Câmara dos Deputados aprovou o projeto da Lei Kiss que atualiza as regras de prevenção e combate a incêndios em casas noturnas e similares





Por Alê Barreto *
alebarreto@gmail.com


Em 2006, quando escrevi o esboço do livro "Aprenda a Organizar um Show", tive o cuidado de dedicar um capítulo para o tema "segurança". Embora parecesse óbvio que o assunto merecesse a mais alta atenção, na época, ainda iniciante no mercado, me chamou a atenção que os espaços culturais e os produtores de shows e eventos muitas vezes não se preocupassem com isso, de forma preventiva. Era comum se responder a uma fiscalização, mas agir de forma preventiva, era raridade.

Semana passada, o Brasil avançou. Tomei conhecimento através do jornal Zero Hora, da minha terra, Rio Grande do Sul, que a Câmara dos Deputados aprovou o chamado "projeto da Lei Kiss", que atualiza as regras de prevenção e combate a incêndios em casas noturnas e similares no Brasil (entenda os problemas de segurança que ocasionaram a tragédia da boate Kiss).


Concessão de alvarás condicionada à atitude preventiva

Para se obter um alvará, será necessário, antes, ter o plano de prevenção de incêndio aprovado pelo Corpo de Bombeiros.


A responsabilidade será dos bombeiros, gestores, empresários e prefeitos

A nova lei responsabiliza bombeiros, gestores e empresários pelo descumprimento das normas. A concessão do alvará será de responsabilidade do prefeito, que caso libere um estabelecimento sem plano de incêndio, poderá ser enquadrado no crime de improbidade administrativa que poderá levar à cassação. Bombeiro também poderá responder por improbidade.

Locais sujeitos a futura lei

Aplica-se estabelecimentos e prédios públicos com ocupação igual ou superior a 100 pessoas.
Também atingirá locais com ocupação inferior, mas que concentram idosos, crianças e pessoas com dificuldade de locomoção, e que contenham grande quantidade de material inflamável.

Comandas proibidas

O projeto proíbe o uso de comandas para controle do consumo de produtos em boates, discotecas e danceterias.


O estado de Minas Gerais já deu um passo importante nesta direção. Casas noturnas de Juiz de Fora estão deixando de adotar o pós-pago como forma de pagamento


Penalidade para falta de atenção com o limite da capacidade de pessoas


Quem descumprir a futura lei e permitir a entrada de mais pessoas do que o autorizado fica sujeito a pena de detenção de seis meses a dois anos, além de multa.

Penso que podia ser mais rigoroso.


Cumprimento das especificações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)

Para receber um alvará será preciso seguir as especificações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou de outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade (Conmetro).


Fiscalizações anuais

Municípios e bombeiros terão de fazer fiscalizações anuais. Em cidades sem unidade de bombeiros, as vistorias poderão ser feitas por equipe técnica da prefeitura com treinamento em prevenção e combate a incêndios. Constatadas irregularidades, as punições são previstas nas legislações estaduais e municipais.


Transparência na obtenção dos alvarás

Municípios e bombeiros terão de por na internet informações completas sobre o andamento de alvarás, laudos e outros documentos, inclusive os resultados. 



Sistema Nacional de Incêndios

A leia criará um sistema unificado de informações sobre incêndios em áreas urbanas de todo o país. A medida auxiliará na definição de políticas públicas.


Educação


Cursos de graduação de Engenharia e Arquitetura deverão ter na grade curricular a disciplina de prevenção e combate a incêndios e desastres. A medida também vale para cursos técnicos.

Seria importante que o Senado incluísse no texto do projeto a exigência do ensino de prevenção e combate a incêndios e desastres nos cursos de produção cultural, gestão cultural, eventos e entretenimento.



******************************************************************************************************

Alexandre Barreto, mais conhecido como “Alê Barreto”, é um profissional multifuncional. Administrador de empresas, gestor de pessoas, gerente de projetos, produtor executivo, consultor, criador de conteúdo, professor e palestrante. 
Atualmente é um dos gestores do Grupo Nós do Morro no Rio de Janeiro (RJ) juntamente com a cineasta e roteirista Luciana Bezerra e está em fase de conclusão do MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ). Sua monografia é sobre carreira artística e criativa e conta com a orientação da consultora Eliane Costa.   Leia mais

quarta-feira, abril 16, 2014

Programa Natura Musical destina 6,4 milhões a projetos e abre nova modalidade de patrocínio a iniciativas voltadas ao mercado digital



Por Alê Barreto *
alebarreto@gmail.com


Para quem já fez a lição básica (ter a organização mínima necessária), está no ar mais uma boa oportunidade para obter recursos e viabilizar novas etapas na carreira artística musical.

Estão abertas as inscrições do edital Natura Musical nacional. Fiquei sabendo através do press kit da conteudopublicacoes.com.br/natura/ , do qual transcrevo aqui algumas informações.


Foco do programa

O Natura Musical apoia iniciativas culturais de diversas áreas artísticas que tenham a música brasileira como foco em três vertentes de atuação:

- projetos emblemáticos de ícones da música brasileira, que representam marcos de carreira para os artistas, com grande potencial de reverberação com o público;

- trabalhos inéditos de novos artistas que despertam interesse da crítica e do público, com potencial para elevar suas carreiras a um novo patamar no curto prazo com o apoio do Natura Musical;

- iniciativas voltadas para a preservação e difusão de conteúdos de música de raiz, regional, folclórica, de caráter histórico ou antropológico, e ainda projetos de valorização da cultura regional e de formação de novos músicos. 




Números do Natura Musical


Novidade

Em 2014, o programa mantém essas vertentes de atuação, mas cria uma nova modalidade de patrocínio dedicada a projetos de difusão, acompanhando o crescimento do mercado digital que, segundo estudo divulgado em março pela ABPD (Associação Brasileira de Produtores de Discos), registrou crescimento de 22,39% em 2013:

- lançamento de novos trabalhos: projetos inéditos de CDs, DVDs e vinis, com turnês de pequeno, médio e grande porte;

- formação, documentação e legado: projetos de formação musical, formação de público, documentação e/ou preservação da música brasileira;


- conteúdo e novos formatos: projetos de difusão da música brasileira por meio de clipes, programas para web, conteúdos para TV, aplicativos, áudio, podcasts, blogs, etc.



No portal Natura Musical são lançados inúmeros singles oferecidos para download gratuito e até discos inteiros para audição em streaming, a exemplo de Na Medida do Impossível, de Fernanda Takai. Ouça o álbum na íntegra: www.naturamusical.com.br

Como acontece a seleção

Para a seleção de um projeto, um pré-requisito obrigatório é a adequação ao conceito Natura Musical, que considera a valorização da música que tem origem na essência da brasilidade, mas que dialoga com os sons do mundo. Após o filtro inicial, são considerados nove critérios, classificados de acordo com a importância: excelência artística, relevância cultural e visibilidade figuram no peso 3; potencial de mobilização, inovação e democratização do acesso são peso 2; Abrangência, Viabilidade e relação custo-benefício são considerados peso 1. 
Integrantes das comissões de especialistas do Natura Musical comentam o que mais chama a atenção na avaliação dos projetos inscritos.

Leia o edital


Inscrições para edital nacional estão abertas no portal do programa Natura Musical



Conheça ainda sobre o Programa Natura Musical


O papel do programa na nova cadeia da música brasileira.

Ações de apoio a novos talentos, grandes nomes em momentos emblemáticos da carreira e projetos de preservação do legado brasileiro.

Artistas que despontaram como apostas do programa Natura Musical.






**********************************************************************************************

Leia também


Nova edição da Revista do Observatório Itaú Cultural apresenta o tema Cultura e Formação

Gestão cultural é uma nova profissão? Gestão cultural se ensina?


**********************************************************************************************

Vem aí os novos workshops do Produtor Cultural Independente em 2014!

Participe das primeiras turmas! Faça parte da lista de interessados. Adicione nos comentários seu nome completo, cidade onde reside e e-mail de contato ou envie estes dados para alebarreto@gmail.com



******************************************************************************************************

Alexandre Barreto, mais conhecido como “Alê Barreto”, é um profissional multifuncional. Administrador de empresas, gestor de pessoas, gerente de projetos, produtor executivo, consultor, criador de conteúdo, professor e palestrante. 
Atualmente é um dos gestores do Grupo Nós do Morro no Rio de Janeiro (RJ) juntamente com a cineasta e roteirista Luciana Bezerra e está em fase de conclusão do MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ). Sua monografia é sobre carreira artística e criativa e conta com a orientação da consultora Eliane Costa.   Leia mais

sexta-feira, março 28, 2014

O escritor José Carlos Ryoki de Alpoim Inoue é um exemplo de organização em uma carreira artística e criativa


Foto: Christina Rufatto




Por Alê Barreto *
alebarreto@gmail.com


Na próxima semana vou estar ministrando uma aula sobre o tema "carreira artística" em Belo Horizonte. Vou falar sobre o assunto de um ponto de vista diferente, utilizando como uma das bases a ciência da Administração.

Durante os momentos desta semana que fiquei preparando a aula, me lembrei de um caso muito interessante e que é uma referência para mim.

Quando alguém fala sobre a carreira de escritor, logo vem à mente histórias dos mais diferentes tipos. Boa parte delas (senão a maioria) dão destaque em suas narrativas para "o processo criativo do escritor" e/ou para "a erudição do escritor", leia-se aqui "erudição" como "a formação acadêmica do escritor". Raras são as narrativas sobre a vida dos escritores que dão destaque ao fator transpiração. É um problema também bastante comum em outros setores criativos. Pouco se fala sobre a transpiração dos compositores. Pouco se fala sobre a transpiração dos artistas plásticos. Pouco se fala sobre a transpiração dos roteiristas de TV e cinema.

Como acredito que entre 95% a 98% do alicerce da construção de carreiras relevantes está diretamente associado ao fator transpiração, ao quanto você investe do seu tempo, energia, esforço, dinheiro, lembrei de um mestre do assunto.

Em 2007, época em que eu escrevia para o portal Overmundo, li a matéria "O Pelé da Literatura", na qual fiquei sabendo que 
o escritor que mais escreveu livros no mundo é brasileiro. É o simpático jovem desta foto. Seu nome é José Carlos Ryoki de Alpoim Inoue.

Curioso com a história dele, ouvi no mesmo link a entrevista da Rádio Cultura AM para o Museu da Pessoa na qual Ryoki fala que era formado em medicina pela USP, especialista em Cirurgia de Tórax e que cansou de trabalhar no sistema de saúde brasileiro. Resolveu mudar sua vida. Avaliou suas competências e percebeu que poderia iniciar uma nova carreira fazendo algo que sabia bem: escrever.

Hoje em dia é comum você ouvir escritores dizendo que não é possível viver de cultura no Brasil ou que não é possível viver da carreira de escritor. Agora imagine em 1986 alguém parar de exercer medicina e se tornar escritor. P
rocure os livros de história para entender o caos do sistema econômico brasileiro na época e o momento histórico do país, recém saindo de uma ditadura de 21 anos. Estamos falando de uma época que não tinha computador e Word (era na base da máquina de escrever), não tinha internet, não tinha redes sociais, não tinha tradição ou fama de vir de alguma família de escritores famosos, não tinha experiência de ter escrito livros. Só tinha a necessidade de se sustentar com esta atividade, a convicção de que era possível e a vontade de fazer.

Estratégia inicial do Ryoki: se fez as seguintes perguntas:

- o que é que se lê?
- o que é que se vende?
- quem vende?

Ryoki começou a escrever e não parou mais. E o seu ritmo de trabalho é bastante intenso.

Veja um trecho da reportagem de Taynée Mendes sobre o escritor, publicada na revista do Itaú Cultural:

"Ryoki tem, ele mesmo, uma rotina industrial. Passa, em média, 10 horas por dia afundado em seus dois computadores. Acorda às 6 horas da manhã, vai direto para o escritório. Muitas vezes, às 2 da madrugada, ainda é possível escutá-lo teclando em seu computador. Com esses hábitos férreos, Ryoki, que largou a medicina para se dedicar à literatura, já bateu todos os recordes. Sua produção literária costuma ser comparada à de Georges Simenon, o escritor francês que, com sua imaginação inesgotável, se tornou um dos mais produtivos autores de narrativas policiais. Imaginação? Com 1.079 livros publicados, 70 outros arquivados, contratos assinados com cinco editoras e capaz de escrever quatro livros de uma só vez, Ryoki não atribui seu sucesso à imaginação. “Imaginação? Escrever uma romance é fruto de 98% suor e o resto talento e sorte. É quase um trabalho braçal!”


Detalhe: já não são mais 1.079 livros. Este número está desatualizado. O site oficial do escritor descreve que sua produção atual é de 1.102 livros. Segundo seus cálculos, a vendagem de seus livros ultrapassa 20 milhões de cópias.

Lembro que lá entre 2007 e 2008, tive a ideia de entrevistar o Ryoki para dar mais visibilidade ao exemplo da carreira artística muito bem conduzida por ele, construída muito mais com realização efetiva, com trabalho diário, do que qualquer outra coisa. Mandei um e-mail para ele que foi prontamente respondido. Mas como eu estava me mudando de Porto Alegre para o Rio de Janeiro, não dei continuidade. Espero que ele não tenha ficado chateado e que eu possa retomar isso.



Por fim, indico aqui o site do Ryoki que tem muitas informações sobre sua carreira e sobre como ele organizar o trabalho dele. Nota 10!



**********************************************************************************************

Leia também


Nova edição da Revista do Observatório Itaú Cultural apresenta o tema Cultura e Formação

Gestão cultural é uma nova profissão? Gestão cultural se ensina?


******************************************************************************************************

Alexandre Barreto, mais conhecido como “Alê Barreto”, é um profissional multifuncional. Administrador de empresas, gestor de pessoas, gerente de projetos, produtor executivo, consultor, criador de conteúdo, professor e palestrante. 
Atualmente é um dos gestores do Grupo Nós do Morro no Rio de Janeiro (RJ) juntamente com a cineasta e roteirista Luciana Bezerra e está em fase de conclusão do MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ). Sua monografia é sobre carreira artística e criativa e conta com a orientação da consultora Eliane Costa.   Leia mais

quarta-feira, março 19, 2014

Você não é velho. A internet é que é nova.




Por Alê Barreto *
alebarreto@gmail.com


Sabe quem é este senhor na foto e o que significa o mapa que ele está apontando? O nome dele é John Postel, o cientista que nos anos 90, sozinho, mantinha os registros de endereços da internet. Aprendi isso no programa Navegador no qual o Ronaldo Lemos falou sobre os 25 anos da internet. Imagine o quanto isso multiplicou nos últimos anos.

A chegada dos 25 anos da internet é importante para várias reflexões. Uma delas é sobre a sensação de se sentir perdido, defasado ou atrasado, devido ao contato diário com um número cada vez maior de informações.

Me desculpem os estudiosos das gerações y, x, z, w e tantos outros nomes que tem surgido para denominar quem nasceu ou foi criança numa época em que já existia internet e que colocam esse "fenômeno" de viver de forma multimídia de forma amplificada. De fato, são diferentes de mim, que tenho 42 anos. De fato, são diferentes de pessoas que tem mais idade. Mas ninguém sofreu uma "mutação genética" tão grande nos últimos 25 anos. As mulheres existem há milhares de anos e sempre foram multimídias, sempre fizeram várias coisas ao mesmo tempo e continuam fazendo (melhor inclusive do que os homens). Logo, acho que vale pensar que os discursos prontos de que "quem não está na internet está morto", "a rede é tudo", "temos que estar conectados o dia inteiro e o tempo todo", não é bem assim. Muita gente vem embarcando nessa onda por medo de parecer que está ficando "velho". Além de não ficar mais novo, pois biologicamente continua envelhecendo, perde muita qualidade de vida.


Antes de mais nada, acho que vale lembrar que a internet é um recurso. Pode ser o principal recurso para muita gente. Mas ainda assim, é um recurso. E um recurso é um meio que serve para alcançar um ou mais fins.

Esta distinção é muito importante. Em 2010 comecei a falar sobre isso no curso "Presença Digital Saudável", que ministrei na Incubadora de Arte e Cultura do Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade de Brasília (DF) e em 2011 na SP Escola de Teatro (SP) e na Semana Acadêmica da Comunicação Social da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC/RS).

No meio de produção, muitas vezes este estado "online" é até prejudicial. Saber que a qualquer momento você pode acessar alguém, vai facilitando o hábito de deixar para depois ou para o último instante. Isso tem feito muitos produtores novos estarem desenvolvendo o trabalho de forma muito improdutiva. Perguntam várias vezes as mesmas coisas, checam várias vezes informações que já foram checadas. E cometem muitos erros por estarem o dia todo, de alguma forma, batendo papo nas redes sociais.

Atividades de produção, principalmente de leitura e checagem de informação, necessitam atenção. Sobre isso, leia também o artigo "A internet e o déficit de atenção" publicado no Estadão.

O crescimento da rede da internet é um bom exemplo do que acontece com o trabalho de produção. No início, somos que nem o cientista John Postel. Conseguimos controlar tudo. Mas na medida que vamos fazendo diferentes trabalhos, com diferentes pessoas, em diferentes projetos, começamos a não dar mais conta de tudo. No caso do cientista, a sua função de controlar os endereços da internet deixou de ser feita somente por ele e passou a ser feita pela ICANN, uma instituição americana. No nosso caso, na medida que os trabalhos de produção e demais serviços relacionados vão ficando complexos, vamos tendo que criar parcerias, constituir uma empresa, nos associarmos a mais pessoas para dar conta.

Mesmo assim, há um limite natural. Ninguém vai ficar expandindo, expandindo, expandindo. Então é fundamental a gente incluir uns minutinhos de pausa no dia a dia, para enxergar melhor a direção para onde estamos indo.

Pode usar à vontade a internet, mas lembre-se: você não é velho. A internet é que é nova.





******************************************************************************************************

Alexandre Barreto, mais conhecido como “Alê Barreto”, é um profissional multifuncional. Administrador de empresas, gestor de pessoas, gerente de projetos, produtor executivo, consultor, criador de conteúdo, professor e palestrante. 
Atualmente é um dos gestores do Grupo Nós do Morro no Rio de Janeiro (RJ) juntamente com a cineasta e roteirista Luciana Bezerra e está em fase de conclusão do MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ). Sua monografia é sobre carreira artística e criativa e conta com a orientação da consultora Eliane Costa.   Leia mais