quarta-feira, abril 26, 2017

Arte e cultura podem contribuir para melhoria da qualidade da alfabetização no Brasil



No Norte do Brasil, a atriz e educadora acreana Andreia Coelho utiliza a "cultura dos jogos"
para estimular habilidades de interpretação e raciocínio lógico na educação especial





Por Alê Barreto *
Uma pessoa que dissemina conhecimentos e atua em redes para promover mudanças



Imagine estas duas situações. Primeira situação: 100 pessoas sobrevivem a um acidente aéreo e estão perdidas em uma floresta. Destas 100, apenas 8 possuem treinamento de sobrevivência na selva. Segunda situação: 100 pessoas estão numa sala de um edifício. Destas 100, apenas 8 receberam treinamento para situações de pânico. De repente, soa o alarme de incêndio. O que estas duas situações possuem em comum? Tanto para sobreviver em uma floresta quanto para sobreviver em uma situação de pânico, é preciso saber interpretar informações. E nos exemplos citados, somente 8 pessoas em um grupo de 100 é capaz de interpretar estas informações. Apenas 8%.

Agora vejamos uma terceira situação. Se somente 8% das pessoas tivessem plenas condições de compreender e de se expressar, quem teria maior chance de melhorar sua produtividade e exercer sua capacidade de inovação frente aos novos desafios da economia, 92% que não sabem compreender direito informações e não sabem se expressar ou 8% que dominam as competências de compreensão e interpretação? Você certamente sabe a resposta. Infelizmente, esta terceira situação não é hipotética. É uma situação real no Brasil.

Um estudo conduzido pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa, realizado com pessoas entre 15 e 64 anos de idade, residentes em zonas urbanas e rurais de todas as regiões do país, apurou que no Brasil apenas 8% têm plenas condições de compreender e se expressar. Ter plenas condições de compreender e se expressar significa estar no nível "proeficiente", ou seja, o mais avançado nível de alfabetismo funcional.

Ser proeficiente no alfabetismo funcional significa ser uma pessoa que:

- elabora textos de maior complexidade (mensagem, descrição, exposição ou

argumentação) com base em elementos de um contexto dado e opina sobre o

posicionamento ou estilo do autor do texto;

- interpreta tabelas e gráficos envolvendo mais de duas variáveis, compreendendo
elementos que caracterizam certos modos de representação de informação quantitativa
(escolha do intervalo, escala, sistema de medidas ou padrões de comparação)
reconhecendo efeitos de sentido (ênfases, distorções, tendências, projeções).

- resolve situações-problema relativos a tarefas de contextos diversos, que envolvem
diversas etapas de planejamento, controle e elaboração, que exigem retomada de
resultados parciais e o uso de inferências.

Uma forma para contribuirmos para reversão deste quadro é utilizarmos a potência da arte e da cultura. Se prepararmos melhor os profissionais da educação (e melhorarmos suas condições de trabalho) para utilizarem atividades artísticas e culturais como recursos para o desenvolvimento de atividades educativas, iremos contribuir para o aumento do índice do alfabetismo funcional. Se trabalharmos de forma permanente com as famílias dos estudantes para que estimulem os mesmos a ocuparem seu tempo livre com conteúdos artísticos e culturais, iremos contribuir para o aumento do índice do alfabetismo funcional.

Esclarecimento importante: arte e cultura PODEM contribuir para melhoria da qualidade da alfabetização, mas não fazem milagres e nem são as únicas fontes possíveis e necessárias para melhorar a educação. Recomendo também a leitura do ensaio "Educação pelo Argumento" do professor Gustavo Bernardo.



Leia também:


No Brasil, apenas 8% têm condições plenas de compreender e se expressar, texto de Karina Yamamoto para Educação Uol

Texto "Habilidades de leitura, escrita e matemática são limitadas em muitos setores da economia brasileira podendo restringir produtividade e capacidade de inovação"

Livro "Educação pelo Argumento" de Gustavo Bernardo



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Alexandre Barreto é administrador, consultor e palestrante. Criador da marca e blog "Produtor Independente", desde 2006 inspira artistas, produtores e empreendedores no Brasil. Administrador pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (EAD/UFRGS) e MBA em Gestão Cultural pela Universidade Cândido Mendes (RJ) e Associação Brasileira de Gestão Cultural. É autor dos livros Aprenda a Organizar um Show e Carreira Artística e Criativa Saiba mais

tags: Habilidades de leitura, habilidades de matemática, habilidades de escrita, Alfabetismo funcional, qualidade da educação, nível da educação no Brasil, Instituto Paulo Montenegro

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