sexta-feira, dezembro 16, 2016

Pare de reclamar: mais de 80 mil pessoas já destinaram 11 milhões para projetos nos últimos anos


Apanhador viabilizou turnê e gravação de álbum



Por Alê Barreto *
alebarreto@gmail.com



Há poucos dias escrevi o texto "Pare de reclamar de falta de dinheiro e aprenda a vender". Sim, continuo falando: pare de reclamar de falta de dinheiro e aprenda a vender". Sempre que a gente utiliza nosso tempo para pensar alternativas, de alguma forma elas aparecem. Aprender a vender não é só bater de porta em porta. Aprender a vender é aprender a negociar. Aprender a vender é buscar alternativas.


Preocupado com a falta de recursos para projetos em 2006 e tendo que realizar uma monografia de conclusão do curso de administração, resolvi pensar uma forma que permitisse injetar recursos na cidade onde morava.

Sem saber que já estava sendo pensado pelo mundo iniciativas de se utilizar a tecnologia de informação para aproximar quem quer oferecer recursos de quem precisa de recursos, ou vice-versa, aproximar quem possui oportunidades de projetos de quem poderia se interessar em patrocinar, escrevi uma monografia simples no final do curso de graduação em Administração de Empresas. O título do trabalho é "Modelo de sistema de informações de marketing para financiamento da música em Porto Alegre". 






A ideia central do trabalho foi esboçar um modelo de sistema on-line que facilitasse a troca de informações entre artistas, produtores e financiadores de música que pudesse ser contemplado pela Prefeitura de Porto Alegre (ou qualquer município do Brasil que achasse útil). Já pensou uma prefeitura criando uma agência da música, para fomentar este setor nas cidades? Seria como termos uma pequena ANCINE (Agência Nacional de Cinema) só que voltada para música.

Na época, pensei num sistema para articular empresas. Esqueci de pensar na participação direta das pessoas, algo que foi contemplado nas plataformas de crowdfunding nos EUA, a partir de 2007. Eu só fui ter contato com o assunto no Brasil em outubro de 2010, quando tive a alegria de ser um observador (e compartilhador) da primeira experiência de crowdfunding (financiamento coletivo on-line) que ocorreu no Circo Voador, no Rio de Janeiro (leia mais sobre isso no post "A platéia pode atuar na produção de um show?").




Ainda em 2010, divulguei a notícia de um filme que havia sido financiado através de crowdfunding e de um blog chamado "Crowdfunding Brasil" (nem sei se existe mais este blog), onde era possível encontrar informações sobre esta forma de articulação de recursos. Para minha surpresa, apareceram o Diego e o Daniel informando que estavam criando o Catarse e também outra pessoa falando do WacaWaca (leia mais sobre isso no post "Crowdfunding: divulgação e articulação de recursos com a participação do público"). De lá para cá, não parei mais de divulgar a prática do financiamento coletivo.







Em 2011, a minha relação com o tema do financiamento coletivo aumentou muito. Tive uma grande surpresa, ao ir ministrar os meus cursos em Belo Horizonte, através de uma excelente parceria com o espaço cultural Letras e Ponto, Galpão Cine Horto, Renata Santos e Patrick Azevedo (Letras e Ponto é uma iniciativa da escritora Dagmar Braga).




Foto: Patrick Azevedo


Lá no Letras e Ponto, conheci um grupo de pioneiros (ver foto acima, dá esquerda para à direita): a Vanessa Oliveira (Movere), o Pedro Struchiner (Catarse) eu e o Rafael Zatti (Ideias.me, que é de crowdsourcing). Aparecem também na foto uma pesquisadora do assunto (entre a Vanessa e o Pedro) e a Renata (camiseta amarela, bem à direita). E após ministrar os cursos, a Renata me convidou para assistir o primeiro dia do seminário Sustentabilidade na Cultura, organizado pela turma de pós-graduação em gestão cultural da UNA. Lá fui eu estudar.



Foto: Patrick Azevedo


No seminário, conheci também o Eduardo Sangion (Senso Incomum), a Lina Useche (Impulso), André Gabriel (Vamos Agir) e a Elisa Alkmim (Rede Virtú)

Depois, voltando para o Rio, ajudei a divulgar o projeto do espetáculo "A Menina" da artista Fabíola Buzim, que recebeu até mais recursos do que solicitava (confira lá).

Assista a matéria veiculada em julho de 2012, que fala do início do crowdfunding no Brasil.

Crowdfunding: Plataformas de financiamento coletivo ganham força no Brasil



Esta forma de articular, mobilizar e captar recursos vem crescendo ano a ano em nosso país. Ontem me deparei com uma postagem do Catarse no Facebook que falava sobre a coluna "Mas eu não sei negociar..." São muitas as maneiras de gravar um disco da Roberta Martinelli no Estadão sobre o financiamento coletivo. O Catarse informou que R$ 11 milhões já foram captados para 1236 projetos de música em 6 anos de Catarse. E que 86.516 pessoas já contribuíram pelo menos 1 vez.

E mais:

Apanhador Só já fez duas campanhas no Catarse e da última vez financiou o disco + turnê (www.catarse.me/apanhador);


- BTRX esse ano fez uma campanha de comunicação pra dar inveja em muita banda grande (https://www.catarse.me/beatrix);



- Lucas Santanna fez uma campanha esse ano e também recebeu o Natura Musical (parabéns Lucas Santtana!). O financiamento coletivo pode ser complementar a editais e outras formas de fomento. (https://www.catarse.me/lucassanttana);



- Isadora Canto apostou em um trabalho forte de mídias sociais, investiu em equipe e fez uma das campanhas que mais teve apoios via mobile (https://www.catarse.me/isadoracanto);


- O Teatro Mágico mostrou que mais do que um nome conhecido, visão, planejamento para entregar a narrativa certa e as recompensas certas podem catapultar um crowdfunding (https://www.catarse.me/oteatromagico).


Leia a coluna "Mas eu não sei negociar..." São muitas as maneiras de gravar um disco" da Roberta Martinelli no Estadão e se inspire. E pare de reclamar.

Outra boa forma de se inspirar é parar de pensar só nos seus problemas e buscar se envolver e aprender com os projetos dos outros. Desde 2015 estou apoiando campanhas de articulação e mobilização de recursos em plataformas de crowdfunding para realização de projetos independentes. Alguns exemplos: Teatro de Cama (apartamento que oferece espetáculos de artes cênicas no Vidigal no Rio de Janeiro), o Gomeia Galpão Criativa (primeiro coworking cultural da Baixada Fluminense), reconstrução da sede do Afro-Sul Ọdọmode (espaço de preservação da cultura afro-brasileira em Porto Alegre), Feliz Ano Novo - O filme  (curta-metragem, adaptação autorizada do conto "Feliz Ano Novo" escrito pelo autor brasileiro Rubem Fonseca)Cartografia das Ondas (longa-metragem com influências que vão da literatura brasileira a mitologias universais, escrito por Denis Augusto e Heloisa Machado, que também assina a direção junto a Tarsilla Alves), Olympia , Infinito Agora (terceiro álbum da banda Los Porongas), Oficina de Ludicidade e Esquadrão Amazônia.



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Alexandre Barreto acredita que disseminar conhecimentos e atuar em redes são boas formas de se realizar mudanças. Em 2006 formou-se em Administração de Empresas e criou o blog Produtor Cultural Independente. Compartilhou seu primeiro livro Aprenda a Organizar um Show na internet, acessado por mais de 26 mil pessoas, e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou com artistas, ações, projetos e com organizações da sociedade civil como Grupo Nós do Morro, Instituto Ensaio Aberto (Armazém da Utopia), Observatório de Favelas e a Orquestra de Câmara da Rocinha, das quais continua parceiro. Desde 2009 realiza também ações formativas. Seus textos, cursos, workshops e palestras têm inspirado muitas pessoas no Brasil. Concluiu o MBA em Gestão Cultural e está divulgando Carreira Artística e Criativa, seu segundo livro, é mais um fruto da relação amorosa e duradoura que tem com o universo artístico e da parceria com a Associação Brasileira de Gestão Cultural. Saiba mais

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