terça-feira, junho 16, 2015

José Padilha fala sobre sua carreira criativa na Revista Trip

Foto: Flavio Scorsato



Por Alê Barreto*
alebarreto@gmail.com




A revista Trip publicou a entrevista “Planos de Fuga”com o cineasta José Padilha. Gostei muito. O texto de Fernanda Ezabella e as perguntas são muito instigantes e o depoimento de Padilha traz pistas muito interessantes sobre a condução de uma carreira criativa. As fotos de Flavio Scorsato (esta da postagem é uma delas) dão um toque artístico necessário e importante neste trabalho.

Ao ler, preste atenção nas seguintes questões:

- Padilha é um diretor de cinema que o que menos estudou foi cinema. Entrou na faculade para fazer engenharia, se transferiu para física, trancou, foi trabalhar em banco de investimentos e acabou indo fazer administração de empresas. Ele considera que o esporte, a leitura e estudos de lógica foram fundamentais para fazer cinema.

- O caminho – Padilha não iniciou fazendo “Tropa de Elite” (filme ganhador do Urso de Ouro do Festival de Berlim e sucesso de bilheteria) ou “Tropa de Elite 2” (também sucesso de bilheteria). Após largar o mercado financeiro, a convite de um amigo, fez um ensaio que deu origem ao documentário para TV “Os carvoeiros” (1999), onde assinou sua primeira produção e roteiro. Depois estreou em direção com o premiado documentário "Ônibus 174" (2002), sobre o episódio do sequestro de um ônibus na zona sul do Rio, em 2000, por um rapaz que havia sobrevivido à chacina da Candelária, em 1993. Padilha fez também “Garapa” (2009), um documentário sobre a fome. Se você só conhece Tropa de Elite, conheça também estes outros filmes.

- O mito de Hollywood – ao ser indagado sobre sua relação com Hollywood, glamour, Padilha afirma: ”(...) Hollywood é um bairro e um letreiro. Essa coisa de: "ah, o cara está lá no glamour de Hollywood", isso não existe, é que nem acreditar na Ilha de Caras, né?“.

-Destino dos recursos de audiovisual no Brasil – o cineasta cita que “(...) É difícil levantar dinheiro para fazer filme. Qual o último filme brasileiro que o Fernando Meirelles fez? O último do Walter Salles? Difícil! Porque os recursos vão para essas comédias televisivas. São televisivas mesmo, vamos falar logo a verdade. É televisiva e é ruim, é baixa qualidade, péssimo roteiro, é ruim. Nada contra o cara fazer um business e ganhar dinheiro, mas a qualidade artística é ruim. E muita parte do recurso do audiovisual vai para isso”.



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Alê Barreto (ou Alexandre Barreto) é administrador de empresas, gerente de projetos, empresário artístico, produtor executivo, consultor, criador de conteúdo, professor e palestrante. Concluiu sua formação em gestão pública em cultura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e o MBA em Gestão Cultural na Universidade Cândido Mendes (RJ). Gosta de desafios. Isso faz com que esteja aberto a convites, à novas oportunidades e a trabalhar em diferentes lugares. 
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Atualmente reside no Rio de Janeiro, é um dos gestores do Grupo Nós do Morro na comunidade do Vidigal e responsável pela implantação da área de Produção Cultural na Escola de Música da Rocinha.

+55 21 97627 0690 alebarreto@gmail.com

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